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astros sem lastros

“Astros” sem lastros

A cidade de Natal e o Rio Grande do Norte são ricos em talentos. Na música, por exemplo, temos inúmeros exemplos de artistas qualificados. Na minha opinião, em Natal falta

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Dylan Thomas

02/09/2025|

Londres – Inglaterra, 10 de Janeiro de 2018. Chegamos em Londres um pouco depois do nascer do sol de inverno, ou seja, às 9:30 da manhã. Na verdade, o aeroporto em que o avião pousou foi o de Stansted, que não é lá bem em Londres e fica na zona rural, no meio do caminho para Cambridge. Na descida do avião, quem nos deu as boas vindas, foram os pingos gelados da famosa chuva londrina, que dizem cair por aqui cerca de trezentos dias por ano. Mas, depois do tempo em que passamos no Porto, mesmo para um potiguar pouco afeito aos rigores da chuva gelada, aquilo não parecia assim tão ameaçador. Na verdade fazia mais de dez dias que eu mal via o sol, o que não pareceu ser nenhuma novidade, tendo em vista o clima do norte de Portugal nessa época do ano. Há rumores que esse é o inverno mais frio dos últimos cem anos e esta semana a neve cobriu boa parte da Espanha, chegando até o Marrocos e a Argélia. Segundo os moradores das montanhas do norte da África, não se via tanta neve assim no Saara há muito tempo. Passei os últimos dias praticamente...

Cultura e solidariedade: Prefeitura do Natal promove mais um Underground Contra a Fome

02/09/2025|

Se o universo underground foge dos padrões comerciais, dos modismos e recebe pouca atenção da mídia, a Prefeitura do Natal vai na contramão da indiferença e promove a segunda edição do Underground Contra a Fome, um evento de incentivo à arte independente com objetivo solidário de arrecadar alimentos não perecíveis para o Banco de Alimentos da Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Semtas). O 2º Underground Contra a Fome ocorre nesta sexta-feira (5), no Centro Cultural Jesiel Figueiredo, em frente ao Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte de Natal. Serão cinco atrações musicais: quatro artistas locais e um de renome nacional. O evento é patrocinado pela Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural Capitania das Artes, e terá início a partir das 16h, com acesso mediante a doação de um quilo de alimento não perecível. “O Underground Contra a Fome foi, de certa forma, pioneiro em nossa gestão. A edição de abril foi a primeira a arrecadar alimentos para abastecer o estoque da Semtas, e isso despertou a ideia de repetirmos a proposta em outros eventos, como o São João e a recente turnê cristã A Cruzada, no Arena”, destacou a secretária de Cultura,...

01/09/2025|

A fotógrafa e escritora Leila da Cunha Lima Almeida e o poeta e escritor Diógenes da Cunha Lima foram a imagem e as letras do livro Diário Poético do RN, um belíssimo livro repleto de fotografias capturadas pela sensibilidade de Leila e recheado pela poesia de Diógenes. A obra tem patrocínio da Fecomércio e lançamento no Sesc Rio Branco, no próximo dia 10, a partir das 18h30. E contará ainda com a abertura da exposição fotográfica e exibição do curta-metragem Menina Moça, dirigido por Ruth Freire e Dênia Cruz, com música de Roberto Lima e Diógenes da Cunha Lima.

13ª Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (FLiQ) começa nesta sexta no Parque das Dunas

01/09/2025|

Com mais de 60 horas de atividades culturais gratuitas, entre palestras, quadrinhos, bate-papo com autores e artistas, lançamento de livros, debates, cordel, oficinas, sessões de autógrafos, apresentações musicais, artísticas e concurso de cosplay, começa nesta sexta-feira (05/09) e se estenderá até o domingo (07), a 13ª Feira de Livros e Quadrinhos de Natal. A edição deste ano acontecerá no Parque das Dunas, das 8 às 17h. A abertura oficial do evento está marcada para às 15h da sexta-feira (05), com a apresentação teatral “Uma Viagem Literária”, da Escola Municipal Professora Adelina Fernandes, seguida pelo espetáculo “Negra Sou”, da Companhia de Dança Mistura de Ritmos, do município de Touros, encerrando com a apresentação musical de crianças e adolescentes do Projeto SESC Cidadão. O dublador, ator, tradutor e diretor de dublagem brasileiro Manolo Rey também é uma das atrações da Feira. Ele vai bater um papo sobre o universo da dublagem e seus personagens. Outro destaque da FLiQ é o premiado autor, rapper, poeta e compositor Fabio Brazza, um dos grandes nomes do Hip Hop brasileiro, que lançará seu novo livro “Fala tu Brasil”. O evento contará também com a participação dos cordelistas Thiago Camilo, Edcarlos Medeiros, Jadson Lima e Clara Bezerra, com a apresentação “Cordel e Poesia no Parque”; apresentações e contações de histórias do...

Cantautores: NUNIS e Júlio Lima se apresentam no TAM, nesta quarta

01/09/2025|

A Mostra de Cantautores da Música Potiguar recebe, na próxima quarta-feira (3), o multiartista NUNIS e o cantor e compositor Júlio Lima. A apresentação, no Teatro Alberto Maranhão (TAM), começa às 19h30. Os ingressos estão à venda por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada e ingresso solidário, mediante doação de 1kg de alimento não perecível), nas lojas Discol, Sem Etiqueta e online pela plataforma Outgo. Radicado em Natal, NUNIS construiu sua trajetória transitando por diferentes linguagens artísticas, como literatura, cinema, artes visuais e música. Em 2023, lançou o EP “Sobre o Mar o Tempo Repousa”, eleito Álbum do Ano no Prêmio Hangar de Música. Seu trabalho musical mescla elementos orgânicos e eletrônicos em composições que dialogam com o universo latino-americano e afro-diaspórico, além de valorizar culturas tradicionais.  Já Júlio Lima, cantor, compositor e instrumentista, tem mais de duas décadas de trajetória e iniciou a carreira com a banda Gato Banguelo. Desde então, participou de diferentes grupos e festivais no Brasil, além de acompanhar outros músicos. Em carreira solo, lançou os álbuns “Há sempre música” (2009), “Idiocracia” (2019), “Universo do Acolá” (2021) e, recentemente, “Coração de Bolso” (2025), em parceria com o músico Diego Francisco. Promovida pela Rede Potiguar de...

Rio Grande do Norte se candidata a Edital do MinC para Impulsionar Setor Audiovisual

01/09/2025|

O Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/RN), submeteu uma proposta para o Edital de Chamamento Público MinC nº 4, de 9 de junho de 2025, conhecido como “Arranjos Regionais”. O objetivo do edital é investir recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para complementar o fomento de projetos de estados e municípios, fortalecendo a cadeia produtiva local. A inscrição do estado foi realizada na última sexta-feira, 22 de agosto. A proposta do RN foi construída de forma participativa por um grupo de trabalho que incluiu representantes da sociedade civil e da gestão da política cultural do estado. A iniciativa se baseou em um levantamento feito por meio de um formulário online que traça um panorama do audiovisual potiguar, além de dados da Ancine sobre a realidade local e indicadores da aplicação da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc pelo RN. O valor total do investimento pleiteado pelo Rio Grande do Norte junto ao FSA é de R$ 10 milhões, que se somam a uma contrapartida de R$ 2 milhões do estado. O RN faz parte do Grupo A do edital, que engloba as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e pode...

jane e herondy

31/08/2025|

Na semana passada eu escrevi aqui sobre inclusão cultural. Hoje eu vou propor aqui duas situações diferentes. Na primeira situação vou falar sobre a música Não Se Vá, gravada pela dupla Jane e Herondy, um dos maiores sucessos do ano de 1977, que até hoje é uma das canções mais conhecidas do Brasil. Considerada pela elite preconceituosa como uma música cafona, durante muito tempo a canção jamais foi executada em emissoras FM, que naquela época iniciavam um processo de popularização. A música em questão era a versão do sucesso francês Tu Tan Vas, gravada pelo cantor Alan Barbiere. Ao contrário da versão gravada pela dupla brasileira, a gravação original era executada incessantemente por FM’s brasileiras, que tinham então um público elitizado. O curioso é que a gravação francesa e a versão brasileira eram idênticas: mesmo tom, mesma introdução, mesmo arranjo, mesma interpretação. Só uma coisa mudava: o idioma. E essa única diferença foi suficiente para alçar a gravação original à condição de “clássico internacional da música romântica” e colocar a versão em português na condição de “suprassumo do brega.” Vamos à segunda situação. O ano era 1979. Uma pessoa de um bom nível intelectual ouve, por acaso, numa AM, uma...

Secult RN realiza escuta devolutiva e apresenta propostas para o Ciclo 2 da PNAB

29/08/2025|

Em um movimento que consolida a participação social como pilar central das políticas culturais, a Secretaria de Cultura do Rio Grande do Norte (Secult/RN) e a equipe da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) apresentaram ontem (28) as propostas para o Ciclo 2 da PNAB, cuidadosamente elaboradas a partir de um extenso processo de escutas com o setor cultural potiguar. A reunião, que contou com a presença de diversos agentes culturais, gestores e representantes do Ministério da Cultura (MinC), reforçou o sucesso da execução dos editais no ciclo anterior e o saldo positivo do diálogo contínuo. A secretária de Cultura do RN, Mary Land Brito, reiterou a importância de equilibrar as demandas culturais de diferentes linguagens e regiões, enfatizando que as escutas públicas são fundamentais para essa ponderação.“Queria dizer da alegria da gente estar vivendo esse momento, de estar debatendo política pública. A gente viu que apenas dois municípios em todo o país não aderiram à PNAB, então a gente tem recurso indo para todo lugar. É importante lembrar sempre que o nosso papel é equilibrar. Cada linguagem, cada cidade, cada rincão do nosso estado tem seu mérito cultural, e essas escutas são fundamentais para a gente poder colocar tudo isso...

29/08/2025|

A produção do Flipipa ainda guarda a sete chaves os nomes que integrarão a nova edição do evento. Mas tenho acesso à gaveta e descobri pelo menos três: o badalado neurocientista Sidarta Ribeiro, Auritha Tabajara, conhecida por ser a primeira cordelista indígena do Brasil, e o jornalista e escritor Mário Magalhães, que entre outras obras escreveu a biografia de Marighella. Como já divulgado aqui no blog, em primeira mão, o Flipipa ocorre entre 30 de outubro e 1º de novembro, em Tibau do Sul.

Flipipa confirma 9ª edição em outubro

29/08/2025|

O Festival Literário da Pipa (Flipipa) está confirmado de 30 de outubro a 1º de novembro, na Praça do Pescador, na paradisíaca praia da Pipa, litoral Sul do Rio Grande do Norte. O Festival Literário da Pipa mantém a tradição de promover debates, oficinas, palestras e ações educacionais e ambientais. A nona edição do evento vai reunir nomes da literatura com a temática “Memória em Movimento”. Segundo o Curador do Flipipa, Dácio Galvão: “Essa edição está empenhada na formação e no debate de narrativas literárias se compondo pelas vias do romance, poética e oralidade. Passando também pela ancestralidade, literatas indígenas e afrodescendentes – e contemporaneidades no campo da inventividade”, explica. Para o prefeito de Tibau do Sul, Valdenício Costa: “O Flipipa já é um marco do nosso calendário de eventos e, em 2025, reafirma a importância de Tibau do Sul como um território que respira arte, literatura e diversidade. Este festival não apenas movimenta a economia local, como também fortalece a identidade cultural do nosso povo e abre portas para que novas gerações sejam inspiradas pelo poder transformador da palavra” ]Espaços consagrados como a Tendas dos Autores, a sessão de autógrafos, a Feira de Livros, os lançamentos na Cooperativa Cultural...

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Blog do Sérgio Vilar

Fotografia potiguar no mundo

O poeta, artista visual e fotógrafo potiguar Jean Sartief expõe em um dos mais prestigiados salões de fotografia de rua de Portugal, o Mira Mobile Prize. A mostra é fruto de uma premiação – 21º Prêmio Mira Mobile – que

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Red Dog Pub reabrirá ainda em 2026

Um dos poucos e mais legais pubs de Natal, o Red Dog Pub não ficou pelo caminho do modismo, como tantos espaços que abrem, “bombam” e, pouco depois, passado o período da modinha tipicamente natalense, fecham. O pub fechou no

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