Os trabalhadores do setor cultural foram os primeiros a sentir no dia a dia os efeitos econômicos oriundos da pandemia da Covid-19 por todo o Brasil. Em Natal não foi diferente e, diante deste desafio, a vereadora Brisa Bracchi (PT) apresentou uma série de Emendas Orçamentárias que beneficiam o segmento.

Ao todo foram cinco Emendas Orçamentárias que representam um montante de R$ 211.251,94 destinado à Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), órgão responsável pela Cultura no município de Natal.

Cine Natal 2021

A maior dessas emendas foi destinada para a realização do Cine Natal 2021, com o intuito de incentivar a produção audiovisual em todas as suas formas e gêneros. Ela é fruto de série de conversas com profissionais do setor e de um pleito histórico do segmento audiovisual da cidade.

A produção do Cine Natal tem também papel relevante no que diz respeito aos registros da cidade do Natal, produções estas que expõem Natal para o mundo, colaborando efetivamente na cultura e memória da cidade. O valor total desta Emenda Orçamentária é R$ 100.543,69, que terá o ano de 2021 para ser executada.

Mulheres produtoras

Outra Emenda Orçamentária voltada para a cultura apresentada por Brisa Bracchi tem por objetivo o desenvolvimento de atividades de qualificação profissional para mulheres produtoras, artistas e técnicas do município de Natal com o valor de R$ 55.243,79.

Essa iniciativa contribuirá para aumentar as oportunidades de geração de renda e autonomia das mulheres, que muitas vezes são preteridas de contratações tanto pelo Poder Público quanto pela iniciativa privada; e também para corrigir a desigualdade de gênero no meio artístico e cultural.

Sua proposição dialoga com o Projeto de Lei 118/2021, que dispõe sobre a obrigatoriedade de contratação de mulheres artistas, técnicas e produtoras do setor cultural, nos projetos e eventos financiados por recursos públicos, também de autoria da parlamentar.

Para a vereadora Brisa, a cultura foi um meio que conectou as pessoas em momentos de distanciamento social. “O primeiro setor a parar presencialmente na pandemia foi o setor cultural. E deverá, provavelmente, ser o último a voltar. Todavia se conseguimos lidar com o distanciamento devemos à arte e à cultura. O que seria de nós sem música, sem séries, filmes…? Lidar com a pandemia sem elas teria sido muito mais difícil”.

A vereadora disse ainda que entende a importância e as reivindicações do movimento cultural, seja do audiovisual, da dança, da percussão, do fomento à capacitação das mulheres. “É por isso que contribuímos através das nossas emendas com a cultura de Natal, para artistas, produtoras, produtores e todo mundo que faz essa roda girar.”

Essas emendas passarão a integrar o orçamento do Poder Executivo para que a Funcarte execute a partir dos valores que foram destinados pela vereadora.


CRÉDITO DA FOTO: Isadora Mendes

Este texto integra uma ampla matéria jornalística sobre a história da praia e bairro da Redinha Velha, que será dividida em 10 partes. A reportagem foi premiada no edital Auxílio à Publicação de Livros, Revistas e Reportagens Culturais, na categoria Reportagens Culturais. Tem recursos da Lei Aldir Blanc, e patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte através da Fundação José Augusto, e Governo Federal através da Secretaria Especial da Cultura e do Ministério do Turismo.

Muitos dos personagens do jornalista e escritor Ernest Hemingway se defrontam com o problema da evidência trágica do fim. O mais famoso deles é Santiago, pescador de “O Velho e o Mar”. O enredo do livro, como o perfil psicológico de Santiago, retrata nuances pouco romanceadas da vida. Seu drama é demasiado realista e assemelha-se à história de outros personagens, de um enredo ainda inacabado chamado Redinha. Nesse livro enfadonho, sem muitas glórias a contar, mas rico em sua história, os protagonistas são muitos: atores da vida real, da lida dura da profissão-pescador. São heróis do cotidiano que encontramos facilmente na praia, a manejar canoas, jangadas ou paquetes, tecendo suas redes ou caminhando pelas ruas e vielas do bairro; aventureiros muitas vezes, que permeiam caminhos onde a presença da morte é constante. E esta permanece em seus encalços, a querer vencê-los enquanto o campo de batalha for o mar.

Esses protagonistas da Redinha do ontem e do tempo-hoje têm histórias de vida parecidas. Filhos de um mesmo destino embriagam-se pelo trabalho no mar logo cedo, nas idades imaturas da infância ou adolescência. Cerceiam suas oportunidades de estudo e se lançam já nas pequenas embarcações, na pesca com tarrafas ou tainheiras, no máximo a 200 metros da linha de maré. E, se somos mesmo produtos do meio, foram no mar onde estas crianças e adolescentes aprenderam sobre a vida, ora com os pais pescadores, ora com tios ou terceiros.

Essa fase de descobrimentos, que guarda ainda alguma inocência, assemelha-se à vida de uma canoa: solta, leve, de essência frágil a mirar o horizonte infinito e os mistérios do além-mar, na espera de um dia se lançar nas águas da vida, no mar aberto de novas descobertas. E, nesse misto de ânsia e necessidade, os pescadores mirins da Redinha fincam seu destino. Raros são os pescadores dali que largam a profissão sem completar, pelo menos, 15 anos de atividade pesqueira. Assim era a Redinha de outrora, onde a realidade, embora difícil, trazia alguma paz provinciana.

O SILÊNCIO DA SEREIA

Nascer filho de pescador na Redinha é receber o batismo da brisa, um chamado ao mar. É enfrentar sol e sal logo cedo. É aprender o tempo de maré e perder o tempo da infância. Se criar na Redinha é acordar na madrugada vendo o pai chegando ou partindo com apetrechos de pesca. É ser homem-menino. É ser homem-peixe. É ouvir o canto da sereia ainda em tenra idade e já sentir o peso do trabalho e a necessidade do sustento junto ao mar.

É ou foi assim durante séculos. Essa é a construção antropológica mais tradicional da Redinha, antigo porto de pescaria ou morada indígena cuja cultura de subsistência estava ancorada na pesca artesanal pelo menos 500 anos atrás. No entanto, o novo mundo arrastou à praia bonita novos ditames da modernidade e a ameaça à sua principal atividade econômica já se faz visível. O canto da sereia já não se ouve e os filhos de pescadores têm embarcado em outros cenários bem menos líricos e ainda mais perigosos que o mar.

Dois fatores antagônicos contribuem, sobremaneira, para essa nova realidade: a violência e os Direitos Humanos. Os dois agem incisivamente na raiz do processo de descontinuidade histórica da pesca artesanal na praia. E os jovens, que teoricamente sucumbiriam à influência familiar e logo jogariam sua primeira rede ao mar, e ficariam deslumbrados com as primeiras conquistas para prosseguir a tradição da Redinha, recebem outro assédio e viram as costas à tradição. E esse perigo mora em terra firme.

As condições cada vez mais difíceis na atividade da pesca desestimulam os filhos a seguirem a profissão. E mesmo se essa fosse a última alternativa seria proibida pelos Direitos Humanos – fiscais ativos contra o trabalho infantojuvenil, principalmente quando o ofício envolve perigos e longo período longe da escola. E longe do mar, de um ofício ou de boas ofertas de estudos, os jovens são iscas fáceis à marginalidade tentadora ou ao alcoolismo que assolam os chãos da Redinha.

Se a fiscalização dos Direitos Humanos e a incidência criminal na Redinha são fenômenos que datam aproximadamente duas décadas, acentuados nos últimos dez anos, o processo de degradação das condições de trabalho se acumula gradativamente há muito mais tempo.

FOTO: Sergio Vilar (2005)

O aumento da pesca industrial e a consequente diminuição na quantidade de peixes à maioria dos pescadores artesanais da praia; a exigência de escolaridade mínima para cursos (geralmente até a 4ª série), aliado à dificuldade crescente na aquisição de material de pesca e, principalmente, ao envelhecimento da população pesqueira na praia, tem levado cada vez menos barcos àqueles mares seculares.

A estatística da Colônia de Pescadores do Canto do Mangue, que abrange toda a atividade pesqueira de Natal, traz um comparativo alarmante. Em 2005, 40% ou 800 dos 2.000 mil associados da Colônia eram da Redinha – a praia com maior número de pescadores associados. Uma década depois, em 2015, Ponta Negra já desponta como praia de maior número de associados, e o percentual de pescadores da Redinha caiu vertiginosamente de 40% para 7%, sendo apenas 56 de um universo também reduzido de 800 pescadores ativos.

Somente em 2004 foram aposentados mais de 180 pescadores artesãos da Redinha. Em 2013, já com menos da metade do total de associados, foram 150. No ano seguinte, mais de 10%, com 80 aposentados entre quase 800 pescadores. E na Redinha há outra característica preocupante: lá, os pescadores recém-aposentados desistem da atividade, enquanto em outras praias muitos se aposentam e se mantêm no ofício.

E a previsão é de que a atividade pesqueira regular na Redinha dure apenas até o fim da atual geração de 56 pescadores associados: “A transmissão de ofício do pai pescador ao filho não está acabando; simplesmente acabou. Nem mesmo o pai quer mais o filho nessa profissão. Aí vem o jovem mergulhado no álcool e nas drogas – isso em praticamente todas as praias; vem a Lei que obriga a criança na escola, e mesmo na escola está o traficante”, atesta a presidente por 12 anos da Colônia de Pescadores, Rosa do Nascimento.

O VELHO E O MAR

Além das dificuldades inerentes à atividade, essa antiga geração de pescadores sofre da maldição do Santiago de Hemingway. Já com a virilidade de outrora levada pelas águas do tempo, ganham ainda a exclusão dos mais jovens. E da insistência do velho Santiago também vivem os velhos pescadores da Redinha: da insistência em buscar um passado já perdido; de continuar a sentir a fisgada do peixe, mesmo que em pequenos botes, a jogar tainheiras nas beiradas de mar. Mas o destino dos velhos pescadores é mesmo carregado de alguma melancolia, como atesta Vicente Serejo, em Cartas da Redinha:

“É interessante olhar a chegada do peixe os pescadores muito velhos, mãos deformadas pelas fisgadas de anzóis e as lutas no mar. Eles não pedem, mas olham o cesto cheio de peixe, escolhem alguns poucos necessários para o escaldado e com as mãos estendidas perguntam ao dono do peixe o preço daquela porção”. No entanto, continua Serejo, esse estendido de mãos é apenas um “código de desespero, uma linguagem cifrada de pobreza, um dialeto de sobrevivência”.

Segundo ele, os velhos, aqueles realmente incapazes de uma pesca a mais leve que seja, sabem que o preço não será dado nem cobrado, mas comportam-se como se assim acontecesse, como se dinheiro tivessem. É quando Serejo traz a triste constatação: “Já sabem que o dono do peixe vai dispensá-los de pagamento e sabem tanto, que escolhem os peixes de valor menor, peixe miúdo, de vários tipos, pois nem peixe de um tipo só se sentem com direito de pedir. Depois fazem a palha e levam no passo lento na direção de casa”.

Euclides da Cunha, ao escrever em Os Sertões que os nascidos no litoral são “neurastênicos”, em contraste com o homem forte do sertão, na certa desconhecia Manoel dos Santos da Silva, o Santino. O sol e o sal de 40 anos no mar fizeram de Santino um homem vigoroso, apesar dos 65 anos de idade. Ainda assim, os efeitos do sol são infalíveis: a voz altiva, que não cansa de contar histórias, sempre com um “digamos” a interpelar as frases, não esconde a pele enrugada por demais. É a couraça que se formou durante as décadas de pescaria, como adaptação à vida, ao sol de todas as horas; ao destino.

Apesar de ainda robusto, Santino aparenta mais idade, como outros pescadores. A gargalhada é larga e sonora, sempre presente em seu rosto. As semelhanças com o personagem de Hemingway, Santiago, não param apenas nos nomes. Santino parou de pescar há 10 anos. Durante 40 anos, “tomou de conta” de jangadas. Seu instrumento de trabalho foi sempre o tresmalho. Com décadas de viagens marítimas, o velho pescador precisou “afundar sua âncora”, decorrente de um inchaço na perna direita que o impossibilitou de continuar na profissão. “A perícia me aposentou”, disse. Mas, como outros pescadores que alcançaram a terceira idade ainda na profissão de pescador, Santino já estava “encostado”, desacreditado pelos mais jovens, e ainda assim, como Santiago, não aceita a condição que a vida lhe impôs.

“Minha idade tá mais avançada, mas eu ainda faço, digamos, o mesmo que eu fazia. Num é mais com a força que o (pescador) novo faz, mas com minha experiência faço melhor que o novo. Mas num dá mais por causa da minha perna. Se eu der um mergulho de baixo d’água e der uma câimbra, eu morro lá em baixo. O último que morreu aqui na Redinha foi disso. Ele tava comendo pirão de peixe no barco e quando ‘deu fé’, caiu na água. Quando fomos pegar, ele tava morto. Acho que foi cachaça, que ele bebia muito”.

O destino do pescador foi puxado pela tradição de séculos da praia. E imita a de outros filhos daquelas terras, onde os acasos parecem não alcançar. “Meu pai pescou um bocado de tempo, depois tomou conta de um sítio perto da boca do rio, mas eu continuei na pescaria. E achei tão boa na época que quando já tava com idade mais avançada, um rapaz me ofereceu trabalho na Urbana. E eu disse: ‘Homem e eu quero nada’. Porque esse trabalho, digamos, você recebe o dinheiro de mês em mês, e eu aqui pescando recebo todo dia”, explica o veterano das coisas do mar.

Ao recordar os anos de pescador ativo, Santino se deixa levar pelas lembranças de épocas alegres e passa a mirar o horizonte que tanto conhece. Embora o trabalho no mar fosse sempre pesado, era mais generoso. E faz o velho pescador se perder em olhares ausentes que por vezes o silenciam. Mas, logo volta a contar histórias antigas da Redinha, de quando fazia a função de arrais nas jangadas, a varejar com pesadas varas a rota da embarcação: “A gente pegava muito peixe. E os peixes eram na maioria tainha, serra, espada, charéu, camurupim. Hoje em dia é quase que somente tainha. Mas é porque esses pescador novo num procura. Na nossa época a gente ia até a maré da Redinha Nova e achava muito peixe”.

O BEM DA TERRA   

Não bastasse a dureza comum dos nativos da Redinha, a mulher do pescador ainda carrega o fardo dos dias de incertezas em que o marido se lança nas rotas imprevisíveis do mar e fica à mercê das forças da natureza. Muitas delas, também filhas ou irmãs de pescador, carregam uma dor que não se acostuma nem as deixam imunes contra a ansiedade e a angústia da espera. E choram nas beiras de praia, mesmo após anos a assistir esposos, pais e irmãos em busca do sustento, navegando embarcações tantas vezes tragadas pelo instinto de destino que há no mar.

Aos 14 anos, Almira Lauda Costa, a dona Dina, à época da reportagem com 64 anos, viu seu namorado, conhecido como Lalu, de 22 anos, embarcar para nunca mais voltar. “Era um loiro bonito, de olhos claros. Não tinha roupa boa, mas gostava muito dele”, lembrou. Segundo ela, nem mesmo a embarcação foi encontrada. A mãe de Lalu (dona Dina não lembra seu nome) “ficou louca” e até hoje é desconhecido o “paradeiro” dos pescadores ou do barco que investiram pelo mar naquele dia.

Embora aposentada pela Colônia de Pescadores, dona Dina trabalha ainda a costurar velas de botes, nas proximidades do Canto do Mangue, bairro das Rocas, onde mora. O trabalho junto aos pescadores demonstra a persistência de ir contra o destino, desejoso de lhe impor traumas de mar. Durante “muitos anos” dona Dina conviveu com o pescador Damião Pereira da Silva, então com 66 anos e doente de “uma fraqueza nas pernas”, que impossibilitava um caminhar normal. Dona Dina lembrou dos dias aflitos em que seu companheiro saía para pescar de “sereno”, a passar dias no mar. “Ele começou aos 18 anos pescando com caçoeira, pegando tainha, carapeba pelos rios. Ia de tarde e voltada pela noite. Mas quando pegou um barco a motor passava três dias no mar”.

Mas, os “três dias no mar”, mais rotineiros para aquela embarcação, segundo dona Dina, às vezes transformavam-se em quatro, cinco… horas e dias congelados para os que ficam na terra da espera. “Quando passava dos três dias eu olhava pro céu e qualquer nuvem escura já assustava. Quase sempre o vento estava forte e eu já pensava o pior, porque, como diz o ditado, ‘mar não tem cabelo’, que é pra se segurar”, lembra a costureira, que lamenta hoje a diminuição da atividade de costurar velas de embarcações, cada vez mais substituídas pelos barcos a motor.

A marisqueira aposentada, Marli Barbosa Ferreira, 60 anos quando da reportagem, perdeu um tio naufragado nos mares de Recife. Seu pai faleceu aos 70 anos, decorrente de trombose, mas pescou desde os 18 anos, em vários mares do Rio Grande do Norte, da Redinha a Porto do Mangue. Segundo conta, quando dos 32 anos, seu pai teve a embarcação naufragada em alto-mar por uma onda gigante. Mas, os quatro tripulantes foram todos salvos por outro barco: “Tinha vez de eles passarem 15 dias no mar. Só voltavam quando encontrava peixe. Num podia voltar sem nada porque antigamente a gente vivia do peixe do meu pai. Hoje tem o seguro-desemprego”.

Marli lembra os dias de espera nas beiradas de praia e recorda com alguma tristeza as recomendações do pai ao sair pro alto-mar: “Meu pai sempre que saía dizia: ‘Gente, vocês rezem pra eu trazer a janta’. Aí ficava eu e minha mãe na areia da praia. Víamos as outras embarcações chegando e ele num chegava. A gente chorava, mas num adiantava, né?”, pergunta, sem esperar resposta. E afirma, em seguida, mais enfática: “Quem pensa que vida de pescador é moleza; num é não. Minha mãe sempre lembrava que pescador que começava cedo tinha o destino de ter problema sério de vista por causa do sol”.


CRÉDITO DAS FOTOS: Sergio Vilar


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Lus é cantora e compositora atuante em Natal. Atualmente com 24 anos, a artista iniciou sua carreira em meados de 2016 e desde então vem se destacando no cenário autoral local com suas canções. Nesta sexta ela lança a versão oficial da música ”Despido” nas plataformas digitais, faixa que contou com produção musical de Vik Romero e lançamento pelo selo Rizomarte Records.

”Despido” fará parte de seu segundo álbum, intitulado ”Etéreo”, com lançamento previsto para 2021. A faixa segue o movimento de apresentar o conceito do disco, falando sobre nossa conexão com o divino e apontando para a possibilidade de se conectar a Deus através do próprio corpo. Tudo isso por meio de uma sonoridade minimalista, bem alicerçada entre programações eletrônicas, percussão e sintetizadores.

Para escutar ‘Despido’ clique AQUI.

Entre seus principais lançamentos estão o álbum ”Efêmero” de 2019 e uma série de singles, que vem consolidando seu caminho musical como um pop alternativo acompanhado de elementos étnicos e ótimas melodias.

A artista já participou de eventos como o SONORA – Ciclo internacional de mulheres, Festival Dosol e ano passado foi selecionada para compor a programação do projeto ”Arte como Respiro”, do Itaú Cultural.

https://www.instagram.com/eusoulus/ https://www.rizomarterecords.com.br/lus

FICHA TÉCNICA

Composição: Lus

Voz: Lus

Produção Musical, Mixagem e Masterização: Vik Romero

Fotos: Artur Abrantes

Selo: Rizomarte Records

Lucas é um jovem do Seridó que se muda para estudar em Natal. Gay, descobre na capital a chance de ser quem é com mais liberdade. Até que, na inauguração da fictícia boate Titanic em Ponta Negra, ele finalmente conhece alguém especial.

enquanto eu não te encontroEsse é o mote de “Enquanto eu não te encontro”, livro vencedor do Concurso de Literatura Pop da Editora Seguinte, selo jovem do maior grupo editorial do Brasil, a Companhia das Letras. Escrito pelo norte-rio-grandense Pedro Rhuas, a obra chega às livrarias de todo o país em 5 de julho de 2021.

Neste mês, a capa do romance foi divulgada em ação online nas redes sociais da editora. O projeto gráfico ficou por conta da mossoroense Renata Nolasco, que assina as ilustrações.

A pré-venda fica no ar até a data de lançamento com uma série de brindes exclusivos (https://amzn.to/3wPpqoC). Em sete horas desde o anúncio, a obra chegou ao top 50 dos mais vendidos na Amazon.

Narrativa gay

“É um momento especial acompanhar esse livro ganhar o mundo”, conta Rhuas, também cantor e estudante de Jornalismo na UFRN. “Ver uma narrativa ambientada no Rio Grande do Norte e com protagonismo LGBTQIA+ saindo por uma editora consagrada é a realização de um sonho. Cresci sem ver histórias sobre meninos gays e nordestinos na literatura que consumia. É incrível ajudar a transformar essa realidade”.

A jornada de “Enquanto eu não te encontro” até a publicação tradicional é uma história à parte. A obra foi inicialmente publicada de modo independente na Amazon em março de 2020. Em junho, o resultado da Clipop foi anunciado e a vida de Pedro Rhuas mudou: o número de seguidores do artista aumentou; assinou com a agência Increasy para conduzir sua carreira literária; e viu os direitos de publicação de sua obra adquiridos pela Editora Seguinte.

“Tudo aconteceu muito rápido, mas a minha trajetória na literatura é antiga. Desde 2012, quando tinha 15 anos, atuo no universo literário. Participei de sites sobre livros, ajudei a fundar um projeto de Clube do Livro no IFRN Campus Macau, onde estudava, e amava ler e escrever. Comecei ‘Enquanto eu não te encontro’ no meu segundo ano de graduação na UFRN, em 2016. Foi uma aventura e tanto aqui”, diz Rhuas.

Literatura, música e jornalismo

O potiguar se divide entre a literatura, música e jornalismo. Indicado a Artista Revelação na 18ª edição do Prêmio Hangar por sua atuação musical, Pedro lançou uma série de canções autorais em 2020.

Para 2021, o projeto é disponibilizar uma trilha sonora original para “Enquanto eu não te encontro”; ação que culminará também no lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, com previsão para setembro.

“Música e literatura caminham lado a lado em mim. Sou um contador de histórias e queria alinhar meus dois mundos. Qual melhor forma de fazer isso que não através de uma expansão do universo literário com um universo musical?”, ele questiona.

Tanto “Livres” (https://www.youtube.com/watch?v=a8v4iTn2L9Y) quanto uma faixa também chamada “Enquanto eu não te encontro” estão disponíveis nas plataformas digitais.

O UNI-RN está consolidada como uma das melhores instituições de ensino superior (IES) do Rio Grande do Norte para se cursar uma graduação.

Com um projeto pedagógico bem estruturado, gestão comprometida com a Educação, corpo docente altamente qualificado e discentes envolvidos com as atividades acadêmicas, o UNI-RN tem obtido ótimos desempenhos nas constantes avaliações do MEC.

Pela 10ª vez (de um total de 11 edições), o Centro Universitário obteve IGC 4 no Índice Geral de Cursos (IGC), sendo a única instituição entre as IES privadas do RN a obter esse resultado. O índice foi divulgado na sexta-feira, 23 de abril, pelo MEC/INEP.

Com este desempenho, o UNI-RN figura entre as 100 melhores instituições de ensino superior do Brasil, de um total de 2.070 IES, avaliadas pelo MEC.

Entre as IES públicas e privadas do Estado, o UNI-RN se destaca na 3ª colocação, efetivando a instituição como uma das melhores para se cursar uma graduação.

O UNI-RN conquistou o 6º lugar em um total de 326 Centros Universitários existentes no Brasil.

“Desde o início da nossa Instituição, temos tido a preocupação de ofertar um ensino superior de qualidade. E esse é compromisso do qual não abrimos mão. Isso tem feito toda a diferença na hora de mensurar dados, que estão aí para provar isso. Esse resultado mostra que estamos no caminho certo quando se trata de educação”, avaliou o reitor do UNI-RN, professor Daladier Pessoa Cunha Lima.

A Prefeitura de Natal, por intermédio da Funcarte e Secretaria Municipal de Cultura, prorrogou até o próximo 30 de junho os prazos para execução e entrega das prestações de contas dos projetos oriundos das Chamadas Públicas Emergenciais da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural.

A “Lei Aldir Blanc Natal” contemplou 786 propostas de apoio totalizando exatos R$ 5.973.000,00 empregados na cultura natalense. Desse montante foram contemplados 506 projetos de seis eixos temáticos nos quais foram investidos R$ 3.310.500,00. Mais R$ 472 mil de 59 projetos do edital Mestres e Mestras, acrescido de R$ 61 mil para oito projetos do edital de Aquisição e outros R$ 72 mil para nove propostas do edital Criança.

Além do investimento oriundo dos eixos temáticos foram empregados ainda R$ 2.058.000,00 em 203 espaços culturais, totalizando os quase R$ 6 milhões.

Esse montante, como se sabe, foi depositado com atraso na conta municipal e precisou de um esforço hercúleo nas áreas administrativas, jurídicas e contábeis para criação dos editais e repasse financeiro aos artistas em tempo hábil, sem que nenhum centavo voltasse ao Governo Federal.

Natal foi a primeira cidade potiguar habilitada ao repasse dos recursos para os artistas e uma das primeiras capitais do Brasil. Um trabalho de mapeamento, credenciamento e habilitação empreendido pelo corpo técnico da Secretaria Municipal de Cultura.

E desse mutirão resultou uma série de lives, oficinas, curtas-metragens, festivais variados, publicações, apresentações, produções, exposições, CDs, musicais e fortalecimentos culturais como o auxílio a mestres e mestras, etc.


FOTO: Adetuc

 

Uma série de quatro lives do projeto “Diálogos de uma imersão criativa musical” teve início ontem e segue até este sábado. Idealizado pela cantora e compositora Tanda Macêdo, as transmissões vão contar com compositores nordestinos compartilhando seus processos criativos à distância, envolvendo métodos, processos de trabalho e inspirações durante a pandemia.

Participam do bate-papo e do compartilhamento de saberes, os artistas e compositores Khrystal (RN), Vinicius Lins (RN) e Lucas Dan (PB). Os três trabalharam junto à Tanda, durante a pandemia, e criaram remotamente composições que farão parte do seu álbum de estreia.

As lives iniciam sempre às 20h, no Instagram de Tanda Macêdo (@tandamacedo) e dos convidados, e terão os seguintes temas: Tornar-se compositora, Imersão Criativa Virtual, Inspirações virtuais e Processo de imersão criativa.

A ação é realizada pelo Quintal de Tanda, com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

SERVIÇO

“Diálogos de uma imersão criativa musical”
Através do instagram.com/tandamacedo

LIVE QUARTA-FEIRA | 28/04 | 20h
Tornar-se compositora – convidada: Khrystal

LIVE QUINTA-FEIRA | 29/04 | 20H
Imersão Criativa Virtual – convidado: Vinicius Lins

LIVE SEXTA-FEIRA | 30/04 | 20H
Inspirações virtuais – convidado: Lucas Dan

LIVE SÁBADO | 1/05 | 20H
Processo de imersão criativa – convidada: Khrystal

No jornal Folha de S. Paulo, uma matéria prendeu minha atenção, a começar pelo título: “Uma vida sem Covid”. Assinada pela jornalista Luísa Pécora, a recente produção se refere a depoimento de uma brasileira que mora na Nova Zelândia, casada com um neozelandês. O casal estava no Havaí quando a pandemia se agravou, em março de 2020, e resolveu regressar, ou para São Paulo, onde morava, ou trocar as passagens para a Nova Zelândia. Os dois seguiram a lógica a favor da segunda opção, por anteverem maior controle da pandemia em um país pequeno e com cerca de 5 milhões de habitantes.

Essa decisão, porém, não foi tão fácil, pois, do dia para a noite, tiveram de largar tudo em São Paulo, e foram morar do outro lado do mundo, sem ao menos se despedirem da família e dos amigos, levando somente uma mala de viagem.

“Se fosse possível a um cidadão brasileiro entrar agora em um avião, cruzar o Oceano Pacífico e pousar na Nova Zelândia, a sensação seria a de desembarcar não em outro país, nem em outro planeta, mas em 2019”.

É assim que começa essa excelente produção jornalística, como se fora uma ficção científica, na qual o ser humano retorna a tempos já vividos. Tempos nos quais eram frequentes os apertos de mãos, os abraços e beijos de afeto, as comemorações, as festas e aglomerações sem máscaras.

E a brasileira, também jornalista, diz que foi dessa maneira, sem medo de ser feliz, que ela celebrou a Páscoa de 2021, mesmo com saudades do seu país, e com lembranças das tormentas que afligem o Brasil, causadas pela Covid-19.

Ela aborda um índice pouco conhecido, voltado para a Segurança Global em Saúde (GHS, na sigla em inglês), que, em outubro de 2019, ranqueou 195 países quanto à capacidade de lidar com pandemias ou epidemias. O Brasil foi considerado o 22º país mais preparado, e a Nova Zelândia o 35º. Em janeiro de 2021, o mesmo instituto elegeu a Nova Zelândia como o país que melhor lidou com a Covid 19, enquanto o Brasil ocupou uma das últimas posições.

A reportagem muito se detém no papel do governo neozelandês no controle da pandemia, com ênfase para as ações da jovem presidente do país Jacinda Ardern, de 40 anos. Logo nos primórdios da pandemia, ela fechou as fronteiras do país e decretou rígido lockdown nacional, por seis semanas, e, ao mesmo tempo, concedeu ajuda financeira às empresas e aos trabalhadores. Além de outras medidas eficazes, o país criou programa de vacinação no qual não faltam doses conforme o planejado.

No dia 30 de março passado, a Nova Zelândia registrou dois casos novos, e o Brasil, com população 40 vezes maior, registrou 84.000. Não é à toa que a revista Nature escolheu o nome de Jacinda Ardern entre os 10 mais destacados do mundo em 2021. Afinal, até o presente, a Nova Zelândia registra 26 mortes e um total de 2.600 casos de Covid 19. A premiê neozelandesa recomenda: “Sejam fortes e sejam generosos”.


CRÉDITO DA FOTO: Marty Melville / AFP

De Incidente em Antares ao Bem Amado, de Quincas Berro Dágua a Brás Cubas, a morte ronda. Gozando da vida, atirada como um espírito baiano inconformado. Ou com a frieza de uma metáfora gauchesca. Hisurta como num filme de Igmar Bergman, ou recoberta por camadas de pop-significados numa cena dirigida e montada por Jean-Luc Godard.

Neste primeiro quarto de século XXI, quando todas as profecias espalhavam no céu astral as promessas de um mundo alternativo jamais visto, quem veio nos fazer companhia foi ela, com todas as variadas vestimentas que sabe tão bem usar.

A morte que está em cartaz aí fora e não cede a primazia da cena pra ninguém é assim: um féretro político que parece impossível deter, como um ex-ministro passeando sem máscara num shopping center de uma cidade em luto; uma missa de corpo presente pra uma economia anêmica ao ponto de sucumbir; uma última cena cultural em que a gente nem consegue conceber como sobrevive tanta gente que enchia salas e ginásios, teatros e espaços, galerias e exposições; uma arena esportiva ocupada por jogadores que passam o vírus de um para o outro como quem realiza um toque de bola genial.

A neomorte planetária que faz uma festinha a mais em lugares onde é recebida com honra por chefes de estado chegados a uma necrofilia vai assim sepultando tudo, abaixando cortinas, separando almas, extinguindo possibilidades, inviabilizando vidas.

E se o amigo leitor acha que estou sendo vago demais, tenho um caso bem concreto à guisa de ilustração. Um conto triste que nem precisa do agente coronavírus para soar mais dramático, ou de qualquer promoção tipo “CPF cancelado” para render uma derradeira promessa de voto a um candidato chancelado pela palavra “fim”.

Meu conto de morte ocorre numa cidade do Seridó, numa rua que é quase uma vila, semibeco sem saída, protegido da zoada do mundo por um conjunto de pedras que o casario bem que tentou, mas nunca conseguiu dinamitar. As casas foram sendo feitas de um jeito ou de outro, coladas, subindo a pedra como dava e o que restou foi essa quase vila que nos serve de cenário desvalido.

Lá mora minha personagem, uma senhora já de idade, mas não tão velha assim. A morte lhe levou o velho pai, esse sim digno do adjetivo. Um pai seridoense como tantos brasileiros que tinha uma rendinha muito significativa da morte e vida severina que, apesar de tudo segue caracterizando, este país chamado Brasil.

O pai se foi, não de Covid, embora pudesse ter sido. Mas se foi, cumprindo a sina imortalizada num quase verso de Ariano Suassuna, quem sabe apenas de velhice mesmo, talvez, para encontrar a Compadecida que espera defuntos como ele. Acontece que com este pai velho foi-se também a pequena aposentadoria que sustentava essa filha. Tinha sim, essa filha, uma fonte de renda mínima, umas vendas que fazia, não sei se de confeitos, paninhos, broas ou bolachas – essas mercadorias inacreditáveis com que muita gente pobre consegue o básico em moeda para se manter um dia de cada vez.

Com a pandemia, o negócio teve o mesmo destino do pai. Com duas morte assim, mudou a vida dessa filha já idosa, mas ainda disposta ao trabalho que também ficou escasso e difícil, ainda mais numa cidade pequena. A vida se subtraiu, não em termos de possibilidades, planos, disposição. Em termos de comida mesmo.

Quem conhece o interior do Brasil, especialmente do Nordeste, sabe medir o impacto que o mínimo serviço de distribuição de renda via recursos previdenciários tem numa comunidade. O quanto aquele dinheiro move outros dinheiros, gerando uma cadeia que, se devidamente acionada e mantida, resulta numa economia à parte.

Essa é mais uma morte que se sobrepõe e se completa com todas as outras que neste momento ocorrem simultaneamente neste Brasil que não consegue fazer nem uma pausa pra respirar – se respirar for possível.

As estatísticas mostram que de 2019 para cá aumentou de 11 para 16 por cento o percentual de pessoas que estavam na antes esperançosa classe C e agora retornaram para os escaninhos D e E da pirâmide de renda e condições de vida. Eram 24 milhões de pessoas na pobreza extrema, vivendo com menos de R$ 246 por mês. Agora, são 35 milhões. Os dados são dos estatísticos da Fundação Getúlio Vargas.

Na realidade de uma cidade no sertão potiguar, uma aposentadoria suprimida por um “CPF cancelado” – essa expressão que entre tantas outras igualmente infelizes diz muito sobre o tempo que vivemos – é o passaporte certo para transferir a contragosto quem viaja em um vagão estofado para outro com bancos de madeira crua.

Ao ver o pai morrer e sua renda principal ir embora quando ela própria não se encontra mais nem um pouco na infância da vida, nossa personagem desse conto triste como que comprou essa passagem para o trem da fome. Ela tem se mantido com a ajuda dos amigos que numa cidade pequena do interior sempre serão minimamente solidários.

Como a história não pára – e nunca deixa, ao contrário do que escapa a tanta gente, de interferir tão diretamente assim na vida de cada um longe dos palácios governamentais – ela há de ver outros dias, se não melhores, ao menos diferentes, com alguma estação à frente onde possa descer do trem da miséria inesperada.

Mas o antiespetáculo de um trem que anda para trás, como se fôssemos antes mesmo da pandemia um país que pudesse se dar ao luxo de tal feito, já está em dolorosa exibição em todos os auditórios devidamente fechados para não piorar o quadro ainda mais. Nossa promessa de futuro nunca soou tão amarga. Nosso niilismo juvenil dos anos 80 jamais seria capaz de prever tal desastre. Nossa pesada cortina de desigualdade, colonialismo e exclusão já parecia bastar para a sina de um lugar errático desde a primeira hora.

E no entanto, não. A fome primordial, aquela contra a qual lutou Betinho com o que parecia ser um projeto tão ingênuo quanto inexequível, está aí de volta. Esquálida, completa, incômoda com um barraco de lona num canteiro central de capital. Não há ficção capaz de conter tal país. Nem o engajamento de Jorge Amado, nem as ironias de Machado de Assis, nem as alegorias de Érico Veríssimo conseguem dizer ao certo, ao todo, quem somos e no que nos transformamos.

O trem da fome segue despejando passageiros em estações cada vez mais ermas e sem recursos a dezesseis por hora, velocidade altíssima quando se trata de medir a quilometragem de nossa tragédia social.


CRÉDITO DA FOTO: Tiago Henrique

Completando uma década de existência, com seis edições realizadas presencialmente, o Festival Suado chega à primeira edição online, agora em 2021, com exibição neste sábado, às 17h, pelo canal do YouTube da produtora Cosmos.

Na edição online, o Festival Suado contará com cinco atrações norteriograndenses, mostrando um pouco do que vem sendo produzido na música autoral potiguar mesmo em tempos pandêmicos. O lineup do festival é composto pelas bandas Black Witch, Ragganorte, Hell Lotus, New Fight e Potato Head.

O Festival tem patrocínio da Lei Aldir Blanc, Fundação José Augusto, Governo do Estado do RN, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal com apoio da CYM Iluminação.

O Festival é a maior ação da produtora Cosmos que também trabalha com produção musical, produção cultural e audiovisual.

Segundo Rafaum Costa, idealizador do festival, a Lei Aldir Blanc veio salvar a classe artística nesse período tão nebuloso, “O Suado sempre foi feito sem nenhum apoio público. Com esse projeto aprovado pela Lei Aldir Blanc, estamos conseguindo fazer com que a economia criativa respire um pouco nesse período pandêmico”.

Para isso, todos os cuidados estão sendo tomados em relação à pandemia, como disse Lorena Rocha, diretora geral do festival. “Providenciamos máscaras realmente adequadas a esse momento(Pff2) e toda a sistemática do festival foi montada para elminar contato entre os artistas, todos com horários marcados e ao se apresentarem, já deixarão o local da live, e tudo muito bem banhado a álcool 70, risos.”, conta a produtora.

O festival será exibido sábado, dia 01 de Maio a partir das 17h no canal do YouTube da produtora Cosmos.

Saudações, Hopheads!

A cultura das cervejas artesanais (ainda) é um nicho bem específico, (ainda) pouco desbravado para os olhos da maioria, e que possui alguns termos e denominações estranhas ao grande público.

Em vista desses fatos, faz-se imperioso trazer, de modo didático, algum deles, explanando brevemente sua origem técnica, explicando como ocorrem, falando dos efeitos que eles causam nas cervejas e qual o resultado final de sua persistência.

Os dois termos escolhidos para debate na coluna de hoje são: harsh e trub. Eles não foram escolhidos ao acaso, e sim, porque a ocorrência de ambos se encontra geralmente entrelaçada. Quando um ocorre é bem provável que o outro também ocorra em concomitância.

Para quem começou recentemente no universo das cervejas artesanais, ambos os termos podem soar desconhecidos e estranhos, ainda que os efeitos da ocorrência de ambos já possam até serem sido sentidos, sem que, necessariamente, pudessem ser corretamente “nomeados” como harsh ou trub. Como se verá mais adiante, eles são relativamente comuns de ocorrer.

Harsh: O Amargor Agressivo e Áspero

Inicialmente, é importante destacar que o harsh não é exatamente um off-flavor (um defeito de sabor na cerveja). Ou seja, ele não é um defeito propriamente dito de produção cervejeira, ainda que a sua ocorrência não seja desejável.

O termo harsh, originário da língua inglesa, significa áspero. Tal adjetivo é uma das melhores definições da prevalência organoléptica dessa impressão advinda da cerveja.

Pode-se dizer, portanto, que o harsh não é exatamente um defeito, ele não inviabiliza por completo a cerveja. Todavia, é correto dizer que ele é uma falha de estilo.

Quando ocorre o harsh em uma cerveja há uma percepção desbalanceada de amargor, ou seja, um amargor muito alto, o que leva à sensação de aspereza na garganta ao deglutir a cerveja.

Ademais, o harsh ocorre sempre em termos gustativos, jamais em uma escala olfativa da análise sensorial da cerveja. Ele é sempre expresso como uma sensação picante extrema ou aspereza no gole dado, ocasionado pela prevalência excessiva de polifenóis (taninos) na cerveja, gerando uma sensação “travosa” no palato.

Em alguns casos mais extremos, a sensação de aspereza na boca chega a ocasionar uma “queimação” na garganta, dada a extrema agressividade do amargor ocasionada pelo lúpulo. O amargor desmedido tende a ser bastante persistente na garganta e também no céu da boca, denotando o excesso de matéria vegetal existente na cerveja. Assim, percebe-se que a origem do harsh é do próprio lúpulo, pois, os demais elementos essenciais (malte e água) da cerveja, sozinhos, não são capazes de gerar um amargor tão forte, tão intenso e prolongado.

Por causa da possibilidade de ocorrência do harsh apenas em IPA’s, pode-se dizer que ele é uma falha de estilo, já que a alta lupulagem é uma característica estilística, haja vista que nenhum outro estilo é dotado de uma carga de massa vegetal de lúpulo tão grande.

Existem quatro causas principais para a ocorrência do harsh nas IPA’s: a quantidade de lúpulo utilizada, o tempo de fervura aplicado, a composição química da água e a própria composição química do lúpulo utilizado.

O excesso de lúpulo, seja ele qual for, independentemente de qual seja a sua composição química, tende a levar ao excesso de matéria vegetal na cerveja. Esse excesso (de polifenóis: taninos) é responsável pelo harsh, fazendo com que o lúpulo não saturado na cerveja ocasione o amargor agressivo e prolongado, resultando na aspereza no palato.

Técnicas de saturação do lúpulo na cerveja tendem a diminuir o harsh e promover uma cerveja mais maciada, ainda que altamente lupulada.

Quanto ao tempo de fervura, sem se aprofundar muito nesse elemento técnico, há de se dizer que, se ele se prolongar por um período muito extenso, é provável que a desnaturação das moléculas encarregadas do amargor ocasione o indesejado harsh, sendo preferível diminuir o tempo de fervura, deixando apenas uma parcela de amargor para o final.

Por vezes, a água disponível para o processo de produção cervejeira não é a mais adequada em termos qualitativos, tendo que ser procedido algum ajuste em sua composição química. Caso seja necessário fazer esse ajuste, é preferível escolher cloretos, ao invés de sulfatos ou carbonatos. Esses dois últimos compostos podem ser responsáveis pelo aumento significativo da percepção de amargor, e possivelmente pela aspereza própria do harsh.

Por fim, existem alguns lúpulos que possuem alfa ácidos baixos, o que faz ser necessário se utilizar maior quantidade na produção, outros lúpulos possuem alfa ácidos (ou alguns óleos essenciais, como, por exemplo, o terpeno denominado Mirceno) que geram amargor em demasia, de modo que qualquer quantidade um pouco superior, tende a gerar o famigerado harsh. Assim, alguns lúpulos, como o Hallertau Blanc, são tidos como naturalmente difíceis de se lidar, pois facilmente ocasionam harsh, mesmo com uso quantitativo moderado.

É quase impossível que uma IPA não tenha nenhuma percepção de amargor mais forte, um leve harsh, o problema é quando sua percepção é de uma aspereza tão grande que domina por completo o palato, inviabilizando uma degustação mais abrangente da cerveja.

Trub: o excesso de micropartículas na cerveja

FOTO: centralbrew.com.br

De maneira bastante sucinta, pode-se enunciar que o trub é o conjunto acumulado de micropartículas que são aglomeradas em diferentes partes do processo produtivo cervejeiro. Não necessariamente todo esse material particulado é excesso de lúpulo que se forma ao final da produção. Contudo, quando se verifica a existência de trub ao se concluir o preparo da cerveja, é muito provável que haja um harsh proeminente na bebida.

Assim, não há uma relação de dependência entre o harsh e o trub, todavia, quando este for encontrado, é bem provável que aquele também se faça presente no resultado final da produção cervejeira.

Existe a diferenciação entre trub quente e trub frio, a qual denota o momento de formação do material particulado, isto é, se ele foi formado durante a fervura ou durante o resfriamento do mosto. Para fins de análise sensorial, é pouco relevante o seu momento de formação, e sim saber se ele se encontra presente ou não ao final, quando a cerveja está finalmente pronta.

Para os cervejeiros (caseiros), o trub quente atrapalha o processo de fermentação (recomenda-se fazer o whirlpool para evitá-lo), enquanto que o frio não é uníssono quanto aos seus efeitos. Alguns defendem que ele serve como nutriente no mosto e confere estabilidade à cerveja, já outros enxergam como um erro estético e sensorial.

Em termos comerciais, o trub pode ser considerado um defeito crasso, não apenas uma falha de estilo como o harsh, uma vez que é possível encontrar trub nos mais diversos estilos, de Russian Imperial Stouts (RIS) até às IPA’s. Estilos de cervejas que variam diametralmente em termos de coloração, amargor, densidade, e vários outros parâmetros. O trub pode ser considerado um defeito em qualquer um deles.

Todavia, em alguns estilos, como nas RIS, o trub pode ser entendido apenas um mero defeito estético: a cerveja fica com depósito de sedimentos no fundo, mas o seu gosto não tende a ser fortemente alterado em função do trub.

Já nas IPA’s, como ventilado, o trub é um indício fortíssimo de harsh, de modo que a sua presença tende a comprometer de maneira premente a análise sensorial de uma IPA com trub.

Assim, há de se ter em mente que o trub, em cervejas comerciais, não é aceitável em nenhum estilo. Todavia, quando se trata de IPA’s a sua presença é ainda mais ominosa que nos demais.

Saideira

A conclusão mais óbvia que se pode chegar da leitura do texto também é a mais acertada: melhor beber uma cerveja sem harsh e sem trub.

Ambos são elementos que causam efeitos desagradáveis à cerveja, seja em termos puramente estéticos, como no caso do trub (em alguns estilos cervejeiros), ou também em termos mais práticos gustativos, pois não é recomendável sentir a agressividade e a aspereza do lúpulo (harsh) em nenhuma IPA (por mais que, em pequena intensidade, ele seja aceitável, mas, jamais, preferível).

Assim, a existência de trub em uma IPA pode ser um indicador fortíssimo de harsh, e sua prevalência não é nada recomendável. Acrisolar os termos debatidos é algo didático e ajuda na construção de uma cultura cervejeira mais esclarecida e mais apta a avaliar os produtos ofertados no mercado.

Música para degustação

Em termos de análise sensorial, trub não é recomendável e o harsh é áspero!

Então como recomendação musical deixo a flagrantemente agressiva: Anno Aspera, da banda finlandesa: Barathrum! Trata-se de um Black’n’Roll com pitadas de Doom Metal, algo soturno, arrastado e dotado de uma sonoridade ímpar, que conta com dois baixistas simultâneos.

Não dá para ser mais áspero ou agressivo que isso. O som é áspero como uma IPA com bastante harsh!

Saúde e boas cervejas (sem trub e sem harsh)!


CRÉDITO DA FOTO: Luiz Nelson

Em tempos de readaptações, a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN), através do Projeto Movimento Sinfônico, reúne, remotamente, o maestro Linus Lerner e os músicos para a série Vídeo Homenagem, transmitido no canal oficial da OSRN, no YouTube.

Para o mês de abril, a orquestra prepara para o público uma versão especial da composição Cânone em Ré Maior, de Johann Pachelbel, e uma viagem virtual à arte barroca nas igrejas da Alemanha, terra natal do compositor. O lançamento pode ser conferido nesta quarta-feira (28), a partir das 20h.

Música barroca

A temporada 2021 segue dedicada ao mergulho na música barroca, em especial, pelo seu poder em cultivar nos ouvintes as mais profundas emoções e estimular a compaixão e a solidariedade tão necessárias para a vida.

“Nesta temporada, a nossa Orquestra está dedicada a acalentar os corações em luto e também a promover momentos de conexão com a essência humana: a vida”, comenta Tatiane Fernandes, diretora de produção do projeto, e acrescenta “A homenagem ao Esperançar e ao Recomeçar está no DNA da composição Cânone. Nós precisamos acolher e oferecer perspectiva e força às pessoas. Esse é o contexto do nosso vídeo”.

Cânone em Ré Maior

A peça Cânone em Ré Maior, escrita entre os séculos XVII e XVIII – período em que a Peste Bubônica levou a esposa e o filho de Pachelbel – é uma música barroca que se mantém viva até hoje; sua estrutura foi montada para três violinos e um baixo contínuo. Inicialmente lenta, vai se tornando frenética e ornada a medida que se desenvolve.

Gravada diversas vezes ao longo dos anos, está presente desde comerciais e filmes a cerimônias de casamento, permanecendo, assim, entre as músicas eruditas mais tocadas da atualidade.

Johann Pachelbel

O alemão Johann Pachelbel, estudioso dos estilos musicais da época, foi professor do irmão mais velho de Johan Sebastian Bach; escreveu tocadas, fantasias e fugas, contudo, foi o seu Cânone em Ré Maior que atravessou séculos e se mantém no repertório das orquestras do mundo.

Uma canon (kanon, em alemão) é uma peça de música que tem como forte característica a repetição. Primeiro um instrumento, a exemplo, o violino, apresenta uma parte da melodia, depois, uma série de tons, e o segundo instrumento repete a melodia, executando o mesmo tom, porém com atraso no tempo, a entender uma reverberação e tudo harmonicamente perfeito.

Vídeo Homenagem

A série Vídeo Homenagem do mês de março disponibilizou ao público o Adágio em Sol Menor, em referência aos 350 anos de Tomaso Albinoni, compositor barroco, de óperas e música instrumental.

A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte tem o Governo do Estado do RN como seu principal mantenedor. E a temporada 2021 é realizada através do projeto Movimento Sinfônico por meio do patrocínio via incentivo fiscal privado, mediante Lei Câmara Cascudo do Governo do Estado do RN e da Prefeitura do Natal, por meio da Lei Djalma Maranhão.

O projeto Movimento Sinfônico é uma realização da OSRN / Fundação José Augusto e da MAPA Realizações Culturais. Apoio G7 Comunicação.

A governadora Fátima Bezerra assina a ordem de serviço para implementação da caixa cênica do Teatro Alberto Maranhão (TAM) nesta quarta-feira (28). O ato será transmitido pelo canal do Governo do RN no Youtube.

Fundamental para o funcionamento do teatro, a caixa cênica não havia sido contemplada no projeto da obra de restauração do TAM. Após a resolução de entraves burocráticos e a necessidade de refazer parte dos projetos, que continham erros técnicos e exigiram adequações, o Governo dá mais um importante passo para fortalecer a cultura no Rio Grande do Norte.

Para a implantação da caixa cênica, o Estado investe mais de R$ 2,5 milhões, recursos oriundos do Governo Cidadão por meio de acordo de empréstimo com o Banco Mundial.

SERVIÇO

Assinatura da Ordem de Serviço para implementação da Caixa Cênica do Teatro Alberto Maranhão.
Data e horário: quarta-feira (28/04), às 10h.
Transmissão: canal do Governo do RN no Youtube – https://youtube.com/c/GovernodoRNoficial


CRÉDITO DA FOTO: Elisa Elsie

Está disponível no canal do YouTube da artista visual e artesã Ocirema Pacheco o tutorial “AQUARELA E BORDADO: Linguagens Híbridas”, que propõe um recorte do processo criativo da hibridização de elementos como a aquarela e o bordado.

Dividido em três partes, o tutorial envolvendo estas duas linguagens tradicionais mostra como a linha do bordado fica sobreposta à pintura da aquarela em um processo criativo híbrido, constituído por duas técnicas que são opostas, mas também se complementam.

Este, porém, não é o primeiro trabalho de Ocirema voltado à virtualidade. Licenciada em Artes Visuais e Letras pela UFRN, a artista plástica ofereceu, em janeiro deste ano, o curso virtual “A Poética da Pintura Acrílica” por meio da Plataforma Zoom, com produção da Ardume Produções Artísticas.

Em abril, com produção de Thayanne Percilla e patrocínio da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, lança em seu canal do Youtube não só o projeto “AQUARELA E BORDADO: Linguagens Híbridas”, mas também o tutorial “BONECO DE FUXICO”, em que apresenta um pouco do seu conhecimento do artesanato a partir da produção de um boneco de fuxico.

Tais projetos são destinados a pessoas de qualquer faixa etária que tenham interesse em conhecer um pouco das linguagens híbridas e da produção artesanal.

AQUARELA E BORDADO: Linguagens Híbridas

Local: Canal do Youtube de Ocirema Pacheco

Para mais informações: Instagram: @ociremapacheco @ociartes

 

FICHA TÉCNICA DO PROJETO:

Artista Visual: Ocirema Pacheco

Produção: Thayanne Percilla

Arte Gráfica: Gabriela Pacheco

Edição de Vídeo: Rubinho Rodrigues

Patrocínio: Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Alguns filmes com representatividade negra caem no estigma de um personagem branco que é, lá no fundo, alguém capaz de ser libertador. A chave, assim, para o fim do segregacionismo está sempre nas atitudes bondosas de quem não faz parte do movimento de forma direta.

Existem, entre estes, filmes premiados e muito queridos tanto por parte da crítica quanto por uma porcentagem do público em geral, como Green Book: O Guia (de Peter Farrelly, 2018), Histórias Cruzadas (de Tate Taylor, 2011), À Espera de um Milagre (de Frank Darabont, 1999) e até mesmo Estrelas Além do Tempo (de Theodore Melfi, 2016)

A lista é grande e é revelador que, se buscarmos saber um pouco mais sobre os filmes citados, descobriremos que eles são dirigidos por pessoas brancas.

Nada de errado em uma diretora ou diretor caucasiano falar sobre o tema e se aliar à luta, mas pode ser sintomático como os filmes mais abaixo — todos dirigidos por pessoas negras — conseguem ser muito mais potentes e aumentar com força o coro do movimento negro.

Possibilitar essas vozes é, na prática, muito mais contundente do que ver o racismo como errado e criminoso — o que de fato é —, mas ter a sensação de compensação. Algo como ver um filme como forte, importante contra a segregação racial e, ao mesmo tempo, pensar: Mas olha como esse branco foi bondoso.

Todos sabemos que existem pessoas boas no mundo. Mas ser bondoso, no caso, vai muito além da bondade em si. Esse contraste se torna inválido quando, na verdade, as tais atitudes brancas benevolentes não passam do que deveria ser feito e do que seria feito sem muito alarde se os personagens que recebem ajuda também fossem brancos.

Pensando nisso, vamos à lista de filmes para entender a importância do movimento negro. A ordem é de lançamento, do mais antigo ao mais recente:

5. Faça a Coisa Certa

Em 1989, Faça a Coisa Certa recebeu os prêmios maiores das associações de críticos de cinema de Los Angeles e de Chicago, duas das mais importantes do EUA. Ainda esteve perto dos mesmos prêmios por diversas entidades ao redor do seu país e do mundo. Mas, nas premiações mais populares, como Globo de Ouro, Oscar e Cannes, o filme saiu de mãos abanando. Parece que não era o momento para ele e nem para Spike Lee (seu diretor).

Um filme-denúncia forte, no ano em que a Guerra Fria terminaria, talvez fosse um filme impactante demais com sua realidade irônica. Aquele era um ano mais blasé, bem propício para um filme como Conduzindo Miss Daisy (de Bruce Beresford, 1989).

Faça a Coisa Certa conduz o espectador pelo dia mais quente do ano em uma rua do Brooklyn. Ali, o ódio e o fanatismo ardem e aumentam até explodirem em violência.

O filme de Lee permanece atual e, talvez, a melhor definição curta e direta que eu li sobre o título seja o comentário de um leitor na crítica sobre Infiltrado na Klan (também de Lee e outro que poderia estar aqui na lista). Ele disse: “Comecei a gostar de cinema com Faça a Coisa Certa.”

Faça a Coisa Certa pode ser assistido no catálogo do Telecine.

4. Selma: Uma Luta Pela Igualdade

O filme de Ava DuVernay é uma crônica da campanha do Dr. Martin Luther King Jr. (David Oyelowo) para garantir direitos iguais de voto por meio de uma marcha épica da cidade de Selma a Montgomery, no Alabama, em 1965.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade, que foi vencedor do Oscar de Melhor Canção em 2015 e esteve entre os indicados a Melhor Filme, dá vida, especialmente, ao Domingo Sangrento. Ler nos livros de história sobre o acontecido talvez não tenha o mesmo impacto que DuVernay causa aqui. É algo que transcende e pode deixar muito claro que, mesmo que tenha existido uma evolução, há muito ainda para enfrentar: um triunfo não é mais do que uma batalha em meio à guerra ainda interminável contra o racismo.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade está à venda na Play Store.

3. Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução

Reunindo depoimentos, arquivos históricos e fotografias de Panteras Negras reais e agentes do FBI, o documentário dirigido por Stanley Nelson pode funcionar como uma aula de quase duas horas de duração sobre a trajetória da mais importante organização civil no século XX dos Estados Unidos.

Muito do que é visto em Os Panteras Negras: Vanguarda da Revolução é explorado de maneira ficcional no recente indicado ao Oscar Judas e o Messias Negro (do diretor Shaka King, 2021 — outro filme que poderia estar na lista), trazendo as estratégias no combate contra a repressão e a violência policial que, com frequência, fazia — e faz — vítimas na comunidade negra.

2. Eu Não Sou Seu Negro

A partir de um romance inacabado, o escritor James Baldwin conta a história da raça nos EUA moderno. Essa pequena sinopse pode parecer muito pouco para a potência que é Eu Não Sou Seu Negro. O filme não é o retrato do homem James Baldwin, mas da nação sobre a qual ele escreveu vista através dos seus olhos.

É interessante constatar a relação conflituosa de Baldwin com os movimentos dos Direitos Civis (incluindo os debates internos sobre resistência violenta versus não-violenta) e sobre as afinidades interraciais. Tudo com interesse, principalmente, em apresentar como ele (Baldwin) viu e escreveu sobre o mundo. E o resultado é forte, com muita imaginação, sensibilidade e paixão… e com um toque duro de tristeza.

Eu Não Sou Seu Negro está disponível para todos os assinantes do Globoplay.

1. Dois Estranhos

O curta-metragem concorrente ao Oscar 2021 em sua categoria foi lançado como polêmico, muito por flertar com uma certa leveza. A verdade é que de leve o filme de Travon Free e Martin Desmond Roe só tem o flerte mesmo, pois transforma a já batida repetição temporal em algo muito mais sombrio e que dá voz a vítimas do racismo policial tão combatido pelos Panteras Negras.

É corajoso, ainda, que o roteiro de Free seja exposto de uma forma tão pulsante e traga toda a carga de um continente. O peso de Dois Estranhos é histórico, de mais de quatro séculos desde a chegada do primeiro navio de escravos nos EUA.

O sangue do protagonista é o sangue de todos os seus — de todos os nossos; é o sangue da revolta; é o sangue como um grito; é o sangue que sai de um homem — que representa uma causa — e, ali no asfalto, forma a África.

Dois Estranhos pode ser assistido por todos os assinantes da Netflix.

Bônus: Vista Minha Pele

Não se trata exatamente de cinema. É, na verdade, uma peça educativa audiovisual. Muito utilizado pelas escolas, o trabalho dirigido por Joel Zito Araújo ergue um mundo paralelo no qual os negros são dominantes e os brancos foram escravizados. Alemanha e Inglaterra, então, são países pobres, enquanto nações africanas são as mais ricas.

Essa inversão da verdade atual em Vista Minha Pele é capaz de fazer refletir, principalmente por trazer o protagonismo de crianças e ter a visão de Luana, uma menina negra, filha de um diplomata, que viveu em países pobres como a França e, por isso, possui uma visão abrangente sobre a realidade.

Bônus: Vista Minha Pele

Não se trata exatamente de cinema. É, na verdade, uma peça educativa audiovisual. Muito utilizado pelas escolas, o trabalho dirigido por Joel Zito Araújo ergue um mundo paralelo no qual os negros são dominantes e os brancos foram escravizados. Alemanha e Inglaterra, então, são países pobres, enquanto nações africanas são as mais ricas.

Essa inversão da verdade atual em Vista Minha Pele é capaz de fazer refletir, principalmente por trazer o protagonismo de crianças e ter a visão de Luana, uma menina negra, filha de um diplomata, que viveu em países pobres como a França e, por isso, possui uma visão abrangente sobre a realidade.

Racismo é crime

O Código Penal, em seu artigo 140, descreve o delito de injúria, que consiste na conduta de ofender a dignidade de alguém, e prevê como pena, a reclusão de 1 a 6 meses ou multa.

O crime de injúria racial está previsto no parágrafo 3º do mesmo artigo, trata-se de uma forma de injúria qualificada, na qual a pena é maior, e não se confunde com o crime de racismo, previsto na Lei 7716/2012. Para sua caracterização é necessário que haja ofensa à dignidade de alguém, com base em elementos referentes à sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência. Nesta hipótese, a pena aumenta para 1 a 3 anos de reclusão.

Agora, ficam aí os comentários para que vocês acrescentem filmes e possamos criar uma lista cada vez maior e construída por todos nós.


Texto originalmente publicado no Canaltech.

 

O mês de abril vai terminar um pouco diferente, trazendo toda a tônica da energia feminina embalada pelas palavras poéticas do cuidar em tempo de pandemia. O Programa RN Mais Saudável está lançando o Projeto Mulherio RN Mais Saudável.

Apaixonante e encantador, o Mulherio traz como linhas de força a poesia, literatura, arte, cultura, feminismo, ciclos femininos, questões de gênero, feminicídio, sexualidade, família, práticas integrativas, educação popular e outros temas. Uma parceria com o Movimento Mulherio das Letras Nísia Floresta RN.

Venha juntinho com a gente! Traga a sua alegria e o entusiasmo para celebrar o lançamento nesta sexta (30) às 17h30. A coordenação do evento está aberta para sugestões de temas, basta escrever para o e-mail: rnsaudavel@gmail.com

PROGRAMAÇÃO

LIVE – Mulherio RN+Saudável: a poesia como caminho de cuidado em tempos de pandemia.

Data: 30/04

Horário: 17h30

1º Momento: Mediadora: Frankleide Mota (02 minutos)

2º Momento: Abertura da Live: Teresa Freire (05 minutos)

Lançamento e apresentação do Projeto Mulherio RN+Saudável.

3º Momento: Leitura Reflexiva: Mediadora Frankleide Mota (03 minutos)

4º Momento: A musicalidade na arte do cuidado – 10 minutos

Convidada: Luanda Luz

Mediadora: Frankleide Mota

5º Momento: A visão da poesia no caminho do cuidado – 10 minutos

Convidada: Rejane de Souza

Mediadora: Frankleide Mota

6º Momento: Viver e respirar a poesia na pandemia – 10 minutos

Convidada: Bia Crispin

Mediadora: Frankleide Mota

7º Momento: Questionamentos – 10 minutos – Público/Chat

Mediadora: Frankleide Mota

9º Momento: Sarau Poético – 10 minutos

Convidada: Paula Érica

10º Momento: Encerramento e agradecimentos – 03 minutos

Mediadora: Frankleide Mota

“GOLDFISH live solo” é filme de dança contemporânea idealizado pelo bailarino potiguar Alexandre Américo. Com duração de 31 minutos, o longa é resultado de várias performances de dança de Alexandre.

Gravado por uma câmera em perspectiva subjetiva que filma o bailarino em seu estado de solitude desde o ano de 2018, contém imagens de ensaios, de laboratório artístico, de transmissões ao vivo pela internet e de apresentações.

Alexandre conta que GOLDFISH é uma peça de dança transformada em filme e começou a nascer durante uma Residência Artística em Natal, realizada com o grupo “Artistas Infamables” que, por sua vez, é formado por bailarinos da Argentina, Cuba e Espanha, no ano de 2018. Mas foi apenas em 2020, devido à pandemia de Covid-19 que o filme tomou forma.

“É neste momento pandêmico que a obra ganhou seu real sentido, pois parece tocar uma esfera da realidade humana, uma questão fundamental e urgente de ser pensada: a falta de empatia para com o outro e o senso de individualismo. Estamos imersos em uma sociedade contemporânea destituída de profundidade e valores básicos à regência civilizatória”, comenta o artista.

ESTREIA

O lançamento do filme será dia 2 de maio às 16 horas nas próprias redes sociais de Alexandre. Após a exibição do filme, o bailarino convida todos e todas a participarem de um debate virtual sobre suas impressões, sensações e sentimentos que o filme despertou.

Antes da estreia do filme, vamos poder curtir o projeto “Dissecando o GOLDFISH”, onde serão exibidos pequenos filmes sobre o processo criativo do longa.

GOLDFISH – PROGRAMAÇÃO

Dia 29/04 (quinta) | 16:00 | Dissecando o GOLDFISH: com o criador Alexandre | Instagram: @alexandreamericooficial

Dia 30/04 (sexta) | 16:00 | Dissecando o GOLDFISH: com o Videasta Samuel | Instagram: @alexandreamericooficial

Dia 01/05 (sábado) | 16:00 | Dissecando o GOLDFISH: com desingner Yan | Instagram: @alexandreamericooficial

Dia 02/04 (domingo) | 20:00 | Exibição do filme GOLDFISH live solo | No YouTube – Seguido de bate-papo no Google Meet (com links na BIO de @alexandreamericooficial)

SOBRE ALEXANDRE AMÉRICO

Alexandre Américo é artista, pesquisador e bailarino. Tem Licenciatura e Mestrado em Dança pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Em Natal, atuou nas principais companhias de dança da cidade: Parafolclórico, Gaya Dança Contemporânea, Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão, Cruor Arte Contemporânea,Balé da Cidade de Natal e Cia Gira Dança desde o ano de 2013, onde se encontra atualmente e é diretor artístico.

Em 2017 circulou através do Palco Giratório do SESC, com os espetáculos “Cinzas ao Solo” e “Myo_Clonus”, pelos estados de AM, MT, RJ, RS, MG, DF, RO, SP, SC, MS, AL, PB, AC, PI, RN e AP.

Também atuou, enquanto Professor Convidado, no Programa de Especialização em Dança 2017 da UFRN e integra o Corpo Docente do Curso de Educação Física da Facel/RN.

Além disso, desenvolve ações de formação em modelo de Residência Artística. Estas ações, dentre outros lugares, já foram realizadas nas cidades de Maceió/AL (2019), Teresina/PI (2019), Petrolina/PE (2020) Natal/RN (2020).

FICHA TÉCNICA

Dança e Roteiro: Alexandre Américo

Música: Oliver Ortiz

Luz: Alexandre Américo

Câmera Laboratório: Gustavo Letruta

Edição e Montagem de Vídeo: Samuel Oliveira

Arte Gráfica: Yan Soares

Fotos Divulgação: Brunno Martins

Câmera ao Vivo: Rodrigo  Lacaz

Câmera Aérea e Subaquática: Igor Silva

Produção: Celso Filho (Listo Produções )

Assessoria de Imprensa: Rosa Moura

Estão abertas as inscrições para o 1º Festival Juriti de Música Potiguar que, em decorrência da pandemia da Covid-19, será realizado online, por meio do site www.juriti.art.br, com atividades também transmitidas pela plataforma do Youtube e pelo instagram da produtora do evento, a Juriti Produções (@juritiproducoes). As inscrições seguem até 13 de maio e são gratuitas.

O principal objetivo do evento consiste em valorizar e premiar a arte musical potiguar, em tempo de tantas restrições, principalmente para o público trabalhador da cultura e das artes.

Prêmio em dinheiro

Ao todo serão R$ 8.600,00 em prêmios para as melhores músicas e melhores oficinas onlines e webnars. O evento irá receber inscrições de músicas de quaisquer compositores e intérpretes potiguares que comprovem residência no Rio Grande do Norte, com qualquer estilo musical e para acesso de todos.

Inscrições

O festival receberá três formas de inscrições por meio dos formulários eletrônicos disponíveis no site do Festival. Os artistas poderão inscrever músicas, até três por artista, que terão como vencedores os colocados do 1º ao 5º lugar, e ainda poderão inscrever propostas de oficinas e webnars para serem realizadas online na programação do evento.

Oficinas e webnars

Entre as inscrições de oficinas e webnars serão selecionados três propostas de cada, recebendo cada uma o prêmio de R$ 600.

No concurso os concorrentes terão total liberdade para elaborar as suas propostas, sendo, entretanto, obrigatório atender às determinações contidas no regulamento disponível no site e ter por orientação o formato audiovisual para apresentação e divulgação.

O Festival Juriti de Música Potiguar é realizado pela Juriti Produções com apoio da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte. Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal.

Acesse o Regulamento do Festival aqui!

A Fundação José Augusto (FJA) prorrogou até o dia 30 de setembro de 2021 a execução e prestação de contas dos projetos contemplados nos editais da Lei Aldir Blanc RN para todos os beneficiários que ainda não cumpriram as obrigações contratuais.

Também está prorrogada para a mesma data (30/09) a entrega da contrapartida, na forma de produtos físicos, exigida para os projetos ligados aos editais Formação e Pesquisa – Troca de Saberes a Distância; Prêmio Cultura Popular de Tradição; Saberes, Sabores e Fazeres; Auxílio à Publicação de Livros, Revistas e Reportagens Culturais; e Chamada Pública para Credenciamento no Programa de Apoio Emergencial a Projetos Editoriais e Propostas de Aquisição de Livros.

A portaria de prorrogação, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (27/04), considera como justificativa para a medida a cláusula contratual que trata da vigência dos contratos, firmando-a em seis meses e estabelecendo a possibilidade de prorrogação por mais seis meses e a prorrogação concedida aos estados para prestação de contas pelo Decreto Federal nº 10.683, de 20 de abril de 2021.

Também foi considerada para execução da medida o expressivo número de beneficiários que solicitaram a prorrogação da vigência dos contratos, em razão do recrudescimento da pandemia e de consequentes restrições à execução do trabalho.

O fim de semana foi especial para quem acompanhou os dois dias do Fest Bossa & Jazz – Home Sessions, que aconteceu no sábado e domingo direto de Mossoró para todos que estavam ligados no YouTube, nos canais da TCM e do Fest Bossa & Jazz, além do TCM HD (para assinantes).

Mas se você não assistiu ou quer assistir novamente, basta acessar o canal do Fest Bossa & Jazz no YouTube. Os dois dias estão disponíveis e se inscrevam no canal para curtir os próximos eventos!

Até a manhã desta segunda-feira (26), a programação teve mais de 3 mil visualizações e muitos elogios durante as apresentações.

No primeiro dia, as apresentações da Terra do Sal Jazz Band; Gabriela Mendes & Banda; As Liras & Banda e a Home Sessions Coletânea de vídeos agradaram o público em cheio, recebendo muitos aplausos virtuais e ótimos comentários, como: “Viva! Viva!” e “Que Lindo”, publicou a professora Isaura Rosado, ex-presidente da Fundação José Augusto, nos dois dias de apresentações.

No domingo, com as apresentações de Jean Lone & The Bluesthunders e convidado; Dayanne Nunes & Banda; Brazuka Jazz e, para finalizar, Home Sessions, o sucesso se repetiu.

“Parabéns aos profissionais que participam desse grandioso evento, a todos, enfim!”, declarou a cantora carioca Claudette Ferraz. Outro comentário foi o do subsecretário de Educação do RN, Marcos Lael, “Hoje Mossoró é New Orleans”, escreveu.

A programação do Fest Bossa & Jazz – Home Sessions Mossoró também exibiu duas coletâneas de vídeos produzidos por artistas e músicos do Rio Grande do Norte, de outros estados e países, promovendo encontros musicais que ilustram o conceito do festival e seu slogan “Conectando o Mundo Através da Música”.

O Festival foi realizado por Juçara Figueiredo Produções com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal. O Fest Bossa & Jazz Home Sessions – Mossoró contou com apoio da cerveja oficial Stella Artois, Rock Burg, Garbos Trade Hotel e TCM Telecom.

Siga as mídias digitais do Festival:

@festbossajazz e Facebook.com/festbossaejazz

O Sarau Quinta das Artes realiza nesta semana, de 27 a 30 de abril,  no seu canal no YouTube, uma série de lives abordando temas do universo da literatura brasileira potiguar. Os convidados são escritores, professores e pesquisadores da área e a mediação será da professora e produtora cultural Carla Alves.

A programação contará com duas lives por noite, a partir das 19h, e após cada live será apresentado um momento musical com artistas potiguares.

O projeto “Sarau Quinta das Artes – Literatura Potiguar Em Foco”  tem patrocínio da Lei Aldir Blanc, Fundação José Augusto, Governo do RN, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal e apoios de instituições privadas e públicas.

LITERATURA POTIGUAR EM FOCO – PROGRAMAÇÃO

Terça-feira, 27/04

19h: LIVE 01 – Zila Mamede em edição: perspectivas da EDUFRN

Convidada: Penha Casado Alves – Mestre em Estudos da Linguagem (UFRN), doutora em Comunicação e Semiótica (PUC/SP) e Pós-doutora em Linguística Aplicada (UNICAMP). professora da UFRN, coordenadora nacional do ProfLetras e diretora da EDUFRN.

  • Momento Musical: ‘Alento’, Valéria Oliveira

20h: LIVE 02 – Relembrando BlackOut.

Convidado: Flávio Rezende – Escritor, jornalista, blogueiro, fotógrafo, produtor cultural, fundador de agremiações carnavalescas e da Casa do Bem. Ativista social/ecológico.

  • Momento Musical: ‘Meu corpo é uma máquina’, Yrahn Barreto

 

Quarta-feira, 28/04

19h: LIVE 03 – Literatura de autoria feminina no Rio Grande do Norte

Convidada: Conceição Flores – Graduada em Letras, mestre em Estudos da Linguagem (UFRN) e doutora em Educação (UFRN). Na UNP, foi professora e tutora do PET Literatura no RN. Entre suas publicações, estão o Dicionário de escritores norte-rio-grandenses: de Nísia Floresta à contemporaneidade (2014) e a organização do Mulheres e Literatura: ensaios (2013).

  • Momento Musical: ‘Lamparina Acesa’, Khystal

20h: LIVE 04 – Roseiras carregadinhas de espinhos: a história da primeira revista escrita por mulheres no RN

Convidada: Ana Cláudia Trigueiro – Psicóloga, romancista, contista e cronista, Tem seis livros publicados e mais três novos livros no prelo, a serem lançados este ano. Apaixonada pela literatura produzida no RN, principalmente a que é feita por mulheres.

  • Momento Musical: ‘Força estranha’, Simona Talma e Clara Pinheiro

 

Quinta-feira, 29/04

19h: LIVE 05 – Um panorama da crônica potiguar

Convidada: Andreia Braz – Graduada em Letras e especialista em Leitura e Produção de Textos (UFRN). É cronista, com textos publicados em diversas coletâneas locais e nacionais. Membro da União Brasileira de Escritores – UBE/RN e colaboradora do portal de cultura Substantivo Plural e do Potiguar Notícias.

  • Momento Musical: ‘Imperador do Mundo’, Antoanete Madureira

20h: LIVE 06 – Modernismo Potiguar: vanguarda em situação regional

Convidado: Humberto Hermenegildo – Mestre em Teoria e História Literárias (UNICAMP), doutor em Literatura Brasileira (UFPB), professor titular aposentado da UFRN; membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras e sócio do Instituto Histórico e Geográfico do RN. Entre outras publicações, é autor do estudo Asas de Sófia: ensaios cascudianos (1998).

  • Momento Musical: ‘Amanhecerá’, Wescley Gama e Milena Carvalho

 

Sexta-feira, 30/04

19h: LIVE 07 – Dona Militana: Uma história de vida, uma vida de histórias

Convidado: Edilberto C. Santos – Poeta, escritor, contador de história e educador. Mestre em Estudos da Linguagem (UFRN). Servidor público da rede de ensino de Parnamirim, atualmente na gestão da Escola Municipal Jacira Medeiros.

  • Momento Musical: ‘Coco dos mestres’, Tiquinha Rodrigues

20h: LIVE 08 – O cordel na ponta da língua

Convidado: Crispiniano Neto – Cordelista, jornalista e bacharel em Direito, sócio do Instituto Histórico e Geográfico do RN, membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, da Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel e da Academia Mossoroense de Letras. Atual presidente da Fundação José Augusto (FJA).

  • Momento Musical: ‘A Flor Xanana’, Carlos Zens

 

SERVIÇO

SARAU QUINTA DAS ARTES – LITERATURA POTIGUAR EM FOCO

De 27 a 30 de abril, a partir das 19h

Exibição: https://www.youtube.com/c/SarauQuintadasArtes/

Mais informações: @sarauquintadasartes

O ano de 2021 marca os 30 anos de vida de Jéssica Mayara, conhecida artisticamente como a rapper Pretta Soul.
Sua vida é dedicada a duas paixões: cantar rap e fazer tranças. Desde os 14 anos ela trabalha trançando cabelos, e o hip-hop e o contato com a arte chegou mais cedo.

Ter um CD era um sonho, sonho que nesta sexta (30), seu aniversário, ela concretiza ao lançar nas plataformas digitais seu primeiro trabalho solo: PODER PRETO, produzido com recursos da Lei Aldir Blanc Natal.

Pretta Soul reuniu um time de primeira na produção, gravação e participações especiais. Haverá uma tiragem limitadas de 200 cd´s no formato físico.

O lançamento tem 10 composições autorais, foi todo gravado com banda, cuja formação tem os músicos: Jonathan Mysack (Guitarra), João Felipe Santiago (Baixo e Guitarra), Kleber Moreira (Percussão) e Laisla Cruz (Backing vocal).

Amém Ore, Tiquinha Rodrigues e Chico Bethowen, fazem feat em ‘Raízes’, ‘Nordeste’ e ‘Por Amor’, respectivamente. A poética de Iyalê Oyá abre o CD em ‘Só Quero o Que é Meu’. A faixa título tem as participações da cantora Analuh Soares no backing e do experiente DJ Alf nos scratchs. A última música vem com o sugestivo título ‘O Jogo Virou’, mostrando que a rapper não tá de brincadeira.

Na verdade, nem tempo para brincadeira a artista tem. Após o lançamento do CD já inicia o processo de gravação de um novo clipe.

PRETTA SOUL

Pretta Soul é uma artista necessária na música produzida no RN. Além de incentivar a participação de outras jovens mulheres no hip-hop, fortalece em seu dia a dia a luta contra o preconceito de raça, gênero, classe e religião.

“Nas minhas letras e rimas tudo é inspirado na minha sobrevivência. Falo de conquistas, de não desistir’’.

No ano de 2018, Pretta Soul foi homenageada na Câmara dos Vereadores, em Natal, com a comenda Zumbi dos Palmares por toda a sua trajetória artística em defesa das Mulheres Negras.

Em 2019 recebeu o Prêmio Hangar de Música na categoria Linguagens Urbanas, e na edição de 2020, foi a escolhida pelo júri da premiação na categoria Vozes Negras. Lançou no mesmo ano um filme que conta a sua presença e vivência no hip-hop.

PODER PRETO

O CD Poder Preto vem com toda a força e poder de uma preta, mãe e periférica que através do hip-hop encontrou uma nova expectativa de vida e de transformação: “O rap me fez a mulher preta que sou.’’

Wagner Bagão, o Dubalizer, que já trabalhou com grandes nomes da música rap e reggae nacional assina a mixagem, masterização e alguns dos beats inseridos durante o processo criativo do CD.

A produção musical é do técnico de gravação João Felipe Santiago e a produção executiva de Marcelo Veni e Pretta Soul.

O CD Poder Preto é um projeto contemplado e realizado através da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc / Natal-RN – CHAMADA PÚBLICA DE EMERGÊNCIA CULTURAL – Nº 004/2020 – EIXO 4 – DA GESTÃO, DO FOMENTO E DO FINANCIAMENTO. Via Prefeitura do Natal e Governo Federal.

No livro “Nomes da Terra”, Câmara Cascudo estuda, exaustivamente, a toponímia norte-rio-grandense. Trabalho criterioso, não deixa, contudo, de apresentar alguns pontos controvertidos. Por exemplo: o topônimo Mossoró, de origem indígena (“cariris do grupo MONXORÓ ou MOUXORÓ, habitantes da região”), escreve-se com dois “s”, em nome da tradição; mas, o topônimo Assu, também de origem indígena, deve ser grafado com “ç”, segundo o mestre. Quanto a este nome: “A origem exata será “çôo-açu”, a caça grande, referindo-se aos animais de vulto.”Uaçu , açu”. O uso popular, comum e velho, é dizer-se o Açu, numa reminiscência inegável ao UAÇU da língua geral” (Ed. 1968, pág. 66).

Celso da Silveira, assuense, estudioso da cultura regional, diverge de Cascudo. Numa plaquete intitulada “Assu ou Açu?”, ele prova por A mais B que a grafia certa é Assu, e não Açu. Afirma, com base em vasta pesquisa: os nomes próprios, sejam de pessoas, sejam de lugares, mantêm-se inalteráveis em sua grafia original, imunes às reformas ortográficas. E Assu, com dois “s”, é como se escreve o topônimo em antiquíssimos documentos. Logo…

Açu ou Assu? Com quem estará a razão? Os argumentos expostos pelo escritor assuense impressionam bem. Parece-me que o seu entendimento “firmou jurisprudência”. Hoje em dia, todo mundo só escreve Assu.

Outras controvérsias – inúmeras – verificam-se na toponímia do Rio Grande do Norte. E a mais gritante gira em torno do nome de uma das praias mais badaladas da grande Natal. GENIPABU – com G – é como se escreve, de modo generalizado. Mas, estará certo?

Câmara Cascudo e Veríssimo de Melo acham que não. O topônimo é de origem tupi-guarani. “De jenipab-u – comer jenipapo, onde se come jenipapo” (Cascudo, obra cit., pág. 97). Ora, se Jenipabu vem de jenipapo (nome que, indubitavelmente, escreve-se com “j”) não pode nem deve ser grafado com “G”.

Jorge Fernandes, nosso grande poeta modernista, usou a grafia certa para denominar um dos seus mais famosos poemas: JENIPABU.

Infelizmente, este e outros exemplos pouco valeram. Teima-se ainda – ver matérias de jornal, placas indicativas, etc.- em se escrever GENIPABU.

Outro erro, ainda mais generalizado: Extremoz com”x”.

O nome do município e da cidade norte-rio­ grandenses é homenagem a Estremoz, cidade portuguesa, situada na região do Alentejo. Nossa Estremoz – antiga missão jesuítica de São Miguel de Guajiru – tornou-se vila em 1755.

A grafia portuguesa é Estremoz com “s”.

Está visto que Extremoz com “x” é uma incongruência, um contra-senso, de que poucas pessoas se dão conta.

E que dizer do topônimo Jardim de Piranhas? Outro disparate! A cidade, assim denominada, sede do município homônimo, situa-se às margens do rio Piranhas. Portanto, deveria chamar-se Jardim do Piranhas.

Em Natal há um lugar denominado Passo da Pátria, em homenagem a uma vitória brasileira na Guerra do Paraguai. Pois bem, todo mundo só escreve Paço da Pátria. Coisa mais insólita, só mesmo Jardim de Piranhas.

De nomes de municípios potiguares

Em artigo no semanário “Dois Pontos”, Pery Lamartine relacionou “os 35 municípios do Rio Grande do Norte que tiveram seus nomes originais trocados por nomes de pessoas nem sempre da terra”. Afirma Pery: “Proporcionalmente ao seu tamanho, é o Estado campeão de lisonjas. A coisa chegou a tal ponto que já caiu na área da bajulação.”

Falou e disse.

É mesmo uma estupidez o que se tem feito contra as tradições, por desejo de incensar.

Convenhamos que, dos nomes relacionados, apenas dois deveriam permanecer: João Dias e Luís Gomes. Vieram do povo, desde os começos. Outros dois, não incluídos na referida lista, também têm tradição: Martins (Francisco Martins Roriz, agricultor e criador, que deu nome à serra, onde se estabeleceu – chão da atual cidade) e Lucrécia (velha senhora, dona de propriedade, embrião da cidadezinha).

Todos os outros vultos, sejam os de expressão local (Francisco Dantas, Severiano Melo, Frutuoso Gomes, Cel. João Pessoa, Fernando Pedrosa, Bento Fernandes, Ielmo Marinho, Dr. Severiano, Pedro Avelino, Rafael Godeiro, Major Sales, Tenente Ananias, Tenente Laurentino Cruz, Rodolfo Fernandes, Messias Targino, Cel. Ezequiel, Marcelino Vieira), sejam os de projeção regional (Felipe Guerra, José da Penha, Antônio Martins, Pedro Velho, Rafael Fernandes, Gov. Dix-Sept Rosado, Afonso Bezerra, João Câmara, Almino Afonso,  Georgino Avelino, Eloy de Souza) ou nacional (Rui Barbosa, Nísia Floresta) são dignos de homenagem, mas não dessa forma, feitos topônimos, por lei, em prejuízo das tradições populares

Vejam a seguir a beleza e a poesia de alguns nomes antigos:

BOM LUGAR (Severiano Melo), MUNDO NOVO (Dr. Severiano). PEDRA DE ABELHA (Felipe Guerra), PANATIS (Marcelino Vieira), BOA ESPERANÇA (Antônio Martins), CAIEIRA (Almino Afonso), CUITEZEIRAS (Pedro Velho), BAIXA VERDE (João Câmara), BAIXIO DE NAZARÉ (Cel. João Pessoa),  MUMBAÇA  (Frutuoso Gomes), SURUBAJÁ (Georgino Avelino), MELÃO (Cel. Ezequiel).

Parece que feios, mesmo, só dois: Barriguda (Alexandria) e Papari (Nísia Floresta). Serviram até para anedotas, como aquela do telegrama: “SIGO BARRIGUDA PAPARI”.

Por fim, uma nota curiosa. No segundo ano do Estado Novo deu-se o nome de Getúlio Vargas a um distrito da Zona Oeste, mas, em 1943, ainda sob a ditadura de Vargas, mudou-se tal nome para Janduís (município em 1963). Prevaleceu a tradição. Não é de admirar?

A 93ª edição do Oscar foi a primeira da Era pandêmica. Mas sem muitas surpresas na noite deste domingo. Talvez uma espera quase homenagem pela premiação de melhor ator para Chadwick Boseman, pelo excelente filme “A Voz Suprema do Blues”, após sua morte. Mas era realmente difícil superar uma das grandes atuações do já genial Anthony Hopkins em “Meu Pai”.

E esses dois e ainda “Nomadland”, o grande vencedor da noite com três das principais premiações (Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz) foram os três dos oito da lista de Melhor Filme que assisti. Vi ainda “Druk”, que concorreu em outras categorias. E pelas sinopses que já li de todos, pretendo ver “Minari”, “Os 7 de Chicago”, “O Som do Silêncio” e “Judas e o Messias Negro”. Não gostei de “Mank”. Me julguem!

Nomadland é uma ode à solidão voluntária e ao mesmo tempo à necessidade de conexões. Um grito pela vida minimalista e contra o capital. E conta no elenco com a atriz vencedora da noite Frances McDormand entre nômades reais. E com o adendo de uma direção feminina, tão rara em noites de Oscar. Realmente deve ter merecido todas as loas. Vamos à lista!

Melhor filme

  • “Meu pai”
  • ‘”Judas e o messias negro”
  • “Mank”
  • “Minari”
  • “Nomadland”
  • “Bela vingança”
  • “O som do silêncio”
  • “Os 7 de Chicago”

Melhor atriz

  • Viola Davis – “A voz suprema do blues”
  • Andra Day – “Estados Unidos Vs Billie Holiday”
  • Vanessa Kirby – “Pieces of a woman”
  • Frances McDormand – “Nomadland”
  • Carey Mulligan – “Bela vingança”

Melhor ator

  • Riz Ahmed – “O som do silêncio”
  • Chadwick Boseman – “A voz suprema do blues”
  • Anthony Hopkins – “Meu pai”
  • Gary Oldman – “Mank”
  • Steve Yeun – “Minari”

Melhor direção

  • Thomas Vinterberg – “Druk – Mais uma rodada”
  • David Fincher – “Mank”
  • Lee Isaac Chung – “Minari”
  • Chloé Zhao – “Nomadland”
  • Emerald Fennell – “Bela vingança”

Melhor atriz coadjuvante

  • Maria Bakalova – “Borat: fita de cinema seguinte”
  • Glenn Close – “Era uma vez um sonho”
  • Olivia Colman – “Meu pai”
  • Amanda Seyfried – “Mank”
  • Youn Yuh-jung – “Minari”

Melhor ator coadjuvante

  • Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago”
  • Daniel Kaluuya – “Judas e o messias negro”
  • Leslie Odom Jr. – “Uma noite em Miami”
  • Paul Raci – “O som do silêncio”
  • Lakeith Stanfield – “Judas e o messias negro”

Melhor filme internacional

  • “Druk – Mais uma rodada” (Dinamarca)
  • “Shaonian de ni” (Hong Kong)
  • “Collective” (Romênia)
  • “O homem que vendeu sua pele” (Tunísia)
  • “Quo vadis, Aida?” (Bósnia e Herzegovina)

Melhor roteiro adaptado

  • “Borat: fita de cinema seguinte”
  • “Meu pai”
  • “Nomadland”
  • “Uma noite em Miami”
  • “O tigre branco”

Melhor roteiro original

  • “Judas e o Messias negro”
  • “Minari”
  • “Bela vingança”
  • “O som do silêncio”
  • “Os 7 de Chicago”

Melhor figurino

  • “Emma”
  • “A voz suprema do blues”
  • “Mank”
  • “Mulan”
  • “Pinóquio”

Melhor trilha sonora

  • “Destacamento blood”
  • “Mank”
  • “Minari”
  • “Relatos do mundo”
  • “Soul”

Melhor animação

  • “Dois irmãos: Uma jornada fantástica”
  • “A caminho da lua”
  • “Shaun, o Carneiro: O Filme – A fazenda contra-ataca”
  • Soul
  • “Wolfwalkers”

Melhor curta de animação

  • “Burrow”
  • “Genius Loci”
  • “If anything happens I love you”
  • “Opera”
  • “Yes people”

Melhor curta-metragem em live action

  • “Feeling through”
  • “The letter room'”
  • “The present”
  • “Two distant strangers”
  • “White Eye”

Melhor documentário

  • “Collective”
  • “Crip camp”
  • “The mole agent”
  • “My octopus teacher”
  • “Time”

Melhor documentário de curta-metragem

  • “Collete”
  • “A concerto is a conversation”
  • “Do not split”
  • “Hunger ward”
  • “A love song for Natasha”

Melhor som

  • “Greyhound: Na mira do inimigo”
  • “Mank”
  • “Relatos do mundo”
  • “Soul”
  • “O som do silêncio”

Canção original

  • “Fight for you” – “Judas e o messias negro”
  • “Hear my voice” – “Os 7 de Chicago”
  • “Husa’vik” – “Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars”
  • “Io sì” – “Rosa e Momo”
  • “Speak now” – “Uma noite em Miami”

Maquiagem e cabelo

  • “Emma”
  • “Era uma vez um sonho”
  • “A voz suprema do blues”
  • “Mank”
  • “Pinóquio”

Efeitos visuais

  • “Problemas monstruosos”
  • “O céu da meia-noite”
  • “Mulan”
  • “O grande Ivan”
  • “Tenet”

Melhor fotografia

  • “Judas e o messias negro”
  • “Mank”
  • “Relatos do mundo”
  • “Nomadland”
  • “Os 7 de Chicago”

Melhor edição

  • “Meu pai”
  • “Nomadland”
  • “Bela vingança”
  • “O som do silêncio”
  • “Os 7 de Chicago”

Melhor design de produção

  • “Meu pai”
  • “A voz suprema do blues”
  • “Mank”
  • “Relatos do mundo”
  • “Tenet”

Este texto integra uma ampla matéria jornalística sobre a história da praia e bairro da Redinha Velha, que será dividida em 10 partes. A reportagem foi premiada no edital Auxílio à Publicação de Livros, Revistas e Reportagens Culturais, na categoria Reportagens Culturais. Tem recursos da Lei Aldir Blanc, e patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte através da Fundação José Augusto, e Governo Federal através da Secretaria Especial da Cultura e do Ministério do Turismo.

O CÉU DA REDINHA

Os verões da Redinha de outrora não parecem preto e branco como as lembranças do passado. Existe um colorido nas histórias de marear e nos saudosismos de antigos veranistas. A boemia, se ainda é presente nos bares e botecos da Redinha, parecia perfumada de inocência nos idos das décadas de 1940 e 1950. Por esse tempo, um grupo de estudantes adolescentes, apaixonados pela praia do índio Poti, construiu uma palhoça com jeito de galpão nos chãos da Redinha, onde se alojavam dez ou doze amigos. Era a solução para aqueles que, mesmo “enamorados” da praia, não tinham casa de veraneio.

O batismo do lugar saiu da boca de um daqueles personagens que também emprestam à Redinha algumas peculiaridades: os embriagados anônimos, que sobem e descem as vielas do bairro como que cansados da sobriedade. Ao presenciar o clima de brincadeira, boemia e farra da “palhoça”, exclamou um deles: “Esse pedaço da Redinha é o próprio céu”. Naquele momento, os estudantes, ainda adolescentes, se fizeram reis e súditos ao mesmo tempo, em um “Pedaço de Céu” de brisas e mar.

Da frase espontânea, saída da embriaguez emotiva, aquele território livre ganhou o nome de “Céu”. Placas indicativas, pintadas com esmero foram espalhadas pela praia, onde se lia: “Caminho do Céu”. “Tínhamos nome, hino e estandarte”, lembra o cônsul aposentado José Maria Guilherme, famoso boêmio daqueles meados de século 20 e um dos entusiasmados adolescentes do “Céu” que amavam a Redinha.

Das lembranças daqueles veraneios de ontem, José Maria Guilherme conta em seu livro de memórias O livro de José: “Ali (no Céu) se brincava, mentia-se, bebia-se. Cantava-se o amor e as belezas da vida. Diziam-se verdades, ouviam-se estórias de pescadores, choravam-se amores desfeitos, comemoravam-se os nascidos e os refeitos, tudo ao som dos violões de Toinho e Macaquito”.

Se ao universo adolescente, sobretudo nos veraneios líricos, as revoltas e molecagens eram perdoadas, aqueles estudantes do “Céu” tinham normas e deveres que traduziam muito do espírito da época. As “obrigações” dos amigos do “Céu” eram transcritas através de um edito assinado por Netuno, que dizia: “Em nome e por determinação suprema da Justiça, da Liberdade e da Ventura, ordeno aos meninos do Céu os seguintes direitos e obrigações:

I – Obrigação de serem felizes;

II – Obrigação para com a verdade, com a sinceridade e com o respeito ao próximo;

III – Obrigação de obedecerem e admirarem o certo e tentarem consertar o errado; de cultuarem o belo e respeitarem o feio;

IV – Obrigação de sorrirem, até exageradamente, para todos, não importando que os chamem de loucos, porque sorrir é preciso para espantar os males do mundo, porque sua loucura é pelo amor, pela paz, pelo belo, pela justiça, pela liberdade, pela ânsia que têm de ver um mundo feliz, sem preconceitos, tabus, exclusões, guerras, ódios e invejas; loucos, sim, de vontade de derrubar fronteiras e Bastilhas; de desafiar e duelar, cheios de revolta, contra a fome; contra a falta de carinho e de compreensão do coração dos homens; pelos meninos e meninas desamparados, de pés descalços, esmolando pelas ruas do mundo, quando nada, um sorriso.

A solidariedade dos veranistas não se dava apenas com carnavalescos que faziam os “arrastões” nas casas nos quatro dias de carnaval. Também aos membros do “Céu” não faltava o essencial para um período feliz de veraneio, como conta José Maria Guilherme:

“Os veranistas não deixavam faltar comida a nós e as empregadinhas, nossas cúmplices das noitadas no PC, lavavam e passavam nossa pouca roupa. Era um veraneio de rico. Muitos abriam suas portas, alta madrugada e nos ofereciam o combustível gelado, com direito a tira-gosto, enquanto dizíamos que as músicas eram em sua homenagem. E as meninas, lá dentro, deitadas e bem guardadas, sabiam que estávamos mentindo, pois era para elas que enchíamos as noites da Redinha criança ainda, com a nossa prova de amor em forma de poesia musical, embalando seu sono e seus sonhos”.

No “Céu”, completa Zé Maria, o amor era diferente. Não tinha o cheiro da brisa do mar, mas à fumaça dos fogões de lenha misturados às loções “Coty” e “Royal Briar”, que envolviam os corpos suados das “empregadinhas domésticas dos veranistas”, depois da “parte” dançada ao som de uma pick-up velha, tocando em discos de cera os sucessos da época, como “Índia”, com Cascatinha e Inanha, “Aos Pés da Santa Cruz” e “Nada Além”, com Orlando Silva, “Delicado”, com Valdir Azevedo, “Fiz a Cama na Varanda”, Dilu Melo, “Ninguém me Ama” e “De Cigarro em Cigarro”, com Nora Ney, sem falar nos boleros, mambos e foxtrotes deixados pela Segunda Guerra.

Newton Navarro, ao falar sobre a Redinha, comenta no livro Do outro lado do rio, entre os morros, sobre o que chamou de “República”. As descrições do poeta sobre o lugar são as mesmas contadas por Zé Maria Guilherme: “As férias ensejavam aos moços uma estação de total irresponsabilidade. Casa, eles arranjavam de qualquer jeito (e chegaram mesmo a possuir uma, com carta de posse) traziam apenas os teréns mais urgentes: o calção, um estoque de garrafas para as primeiras investidas, roupa caseira, e um ardente desejo de viver a vida oferecida mais fartamente na temporada do sol. Tinha regimento interno, para o não-cumprimento em tempo algum, e uma bandeira – sinal semafórico, para suas notícias e comunicações com o mundo externo da praia”.

Navarro conta ainda que a bandeira hasteada resolvia problemas de mercado, cozinha, comida… “e sua linguagem funérea anunciava ‘urgente necessidade disso e daquilo outro’. A mensagem/exigência não deveria tardar. Caso contrário, a ‘turma’ assaltaria”. Eram os arrastões, relatados por Zé Maria Guilherme. E relembra, saudoso, veraneios de farras carregadas de alguma inocência: “A República marcou época, com seus endiabrados moradores. Mas, quanto da alegria, vida, movimentação, aqueles verões passados não ficaram devendo aos estudantes. Sem eles, a temporada seria fatalmente um fracasso. As serenatas não teriam vez. Os bailes com ares calmosos, sem o toque de humor que eles davam. E as ‘moças casadoiras?’. Hoje, as donas de casa dos ‘republicanos’, que a bandeira-pirata acobertava…”.

Mas, os novos tempos já surgiam nos horizontes da Redinha. Aquela época solta, de farras inocentes, ficaria presa nas muralhas do passado. O pós-guerra, que chacoalhou a cidade e, por alguns anos trouxe novos ares ao provincianismo daquela “vila iluminada”, passaria. E o “Céu”, daqueles veraneios mágicos, não caberia nas faces do novo tempo; pertencia apenas àquela geração de desejos incontidos.

E foi como um feitiço perfeito do “progresso” que surgia, querendo apagar todas as ilusões daquela época, que Tota, embriagado nas madrugadas roxas da Redinha, ateou fogo em alguns pedaços de palha, como brincadeira, para assustar os outros que dormiam na palhoça do “Céu”. O fogo atendeu aos pedidos do Tempo e subiu rápido sem dar chance de ser debelado. “Nem as nossas lágrimas apagaram aquele inferno em plena madrugada”, lamentou Zé Maria.

No dia seguinte, lembra o cônsul boêmio, todos os pescadores e veranistas vieram ver e tentar consolar os jovens, oferecendo material e mão-de-obra para reerguer o “Céu”, já considerado patrimônio poético e boêmio da Redinha. “Sentados nas cinzas do que foi para nós o quartel da paz, da alegria, nenhum tinha coragem de reerguer o Céu. Ele era um só, inimitável, inigualável, portanto irreerguível. Preferimos cantar em coro a ‘Saudosa Maloca’, de Adoniran Barbosa, e enxugar as lágrimas disfarçadamente, para que as namoradas não vissem”, lembrou Zé Maria Guilherme.

E A LUZ DA LUA?

Dos veranistas e moradores mais antigos da Redinha, todos contam histórias curiosas de veraneios escuros, iluminados por candeeiros, velas ou sobre o luar da praia. É que a luz elétrica só chegou à Redinha em 4 de julho de 1959, exatos 100 anos após a data da inauguração de iluminação pública de Natal, quando foram comprados 60 lampiões, distribuídos entre a Cidade Alta e Ribeira. A Redinha percorreu até meados do século 20 às escuras, sob o brilho da lua, espichada nas águas do mar. Com a luz elétrica – mais uma das invenções do progresso – as almas mais românticas do logradouro entristeceram-se.

A luz elétrica chegou à Redinha fornecida por um gerador a diesel. A iniciativa foi do então prefeito Djalma Maranhão, que atendeu à reivindicação dos moradores e veranistas de uma praia que, mesmo das mais prestigiadas pela sociedade potiguar na época, já se mostrava esquecida pelo poder público. Nove anos depois de inaugurado o benefício, em dezembro de 1968, o então prefeito Agnelo Alves, cumprindo promessa de campanha, levou a energia de Paulo Afonso à praia da Redinha, resolvendo assim, em definitivo, esse problema.

Newton Navarro, em Do outro lado do rio, entre os morros lamentava as agruras desse avanço, da força da energia da usina que iluminou o Nordeste e encontrou a Redinha: “Chegaram os postes de Paulo Afonso. As serenatas, as poucas entre o iê-iê e algumas modinhas antigas ‘mal traçadas’, escorrem noite a dentro sob a luz de mercúrio e não mais cobertas do luar saudoso, dos tempos do poeta Jorge Fernandes… Sei que andamos a fazer saudosismo. Mas fazemos também lembranças. Tecemos com fios de memória e emoção coisas que ficaram em nós, naquele fundo poço a que se referia o Poeta. E vez por outra, um luar mais ativo invade a pedra fria e seca e as lembranças despertam e saem”.


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Após chamar atenção com o EP “Volte e Pegue”, onde mescla música brasileira e tons eletrônicos para trazer um olhar contemporâneo sobre a ancestralidade, a cantora potiguar CLARA expande o universo visual do trabalho celebrando suas origens no clipe “MESMO”.

Assista ao clipe “MESMO”

Este é o segundo clipe do EP, após “Força” (gravado apenas com celular), e vem para solidificar a ascensão de CLARA enquanto um dos nomes a se prestar atenção do cenário de Natal trazendo não apenas um destaque para a sua criação musical, mas oferecendo um aporte visual e estético. Para isso, não foi preciso ir muito longe.

“A música ‘MESMO’ fala sobre se fortalecer no seu lugar com os seus e o clipe traz isso. As gravações aconteceram no meu bairro, minha casa foi uma uma das locações, aliás umas das principais, a equipe na sua grande maioria de mulheres pretas, e todos profissionais incríveis e amigos de longa data, estávamos ali executando exatamente o que a música canta. Só me misturo com minha laia!”, sintetiza CLARA.

Na sabedoria do povo Akaan da África Central, “Volte e Pegue” é a tradução de sankofa, trecho importante do provérbio ”não é tabu voltar para trás e recuperar o que você perdeu”. E é isso que CLARA faz neste que é seu quinto trabalho de estúdio da carreira, mas sem perder o foco do presente e sobre o que significa ser mulher negra, mãe e periférica no Brasil atual.

Clara Pinheiro

Clara Pinheiro é cantora e compositora multi-premiada que se reinventa em seu mais recente trabalho. Desde muito cedo se identifica com as artes, por isso estudou teatro durante dez anos. Aceitando um convite da banda de vanguarda Pangaio, subiu ao palco acompanhada com um grupo pela primeira vez em meados de 2006, passando pela Orquestra Boca Seca.

Em 2010 forma a banda Clara e a Noite para apresentar seu trabalho, mesmo ano que ganha o prêmio de júri popular do Festival de Música do Beco da Lama (MPBeco), saiu em turnê pelo Nordeste e tocou nos mais importantes festivais do Rio Grande do Norte. Em 2014 fez uma turnê pela Europa.

Em 2016 inicia uma pesquisa sobre a obra de Gal Costa e Maria Bethânia, junto com a cantora Simona Talma que resulta no espetáculo Pássaros Proibidos.

No mesmo ano, engravida e começa a mergulhar em si para refletir sobre sua negritude e o seu lugar no mundo. Foram três anos de pesquisa buscando se conectar e encontrar o seu lugar na luta por equidade racial e de gênero. Neste percurso, nomes como Nina Simone, Angela Davis, Elza Soares, Martin Luther King, Billie Holiday, Itamar Assumpção, Carolina de Jesus, Jota Mombaça, Os Panteras Negras e tantos outros fizeram parte dos seus dias.

Veja o clipe “Força”

Neste momento de empoderamento, assumiu seu trabalho apenas como CLARA e começou a trabalhar no álbum “Volte e Pegue”, trazendo pro hoje o que carregamos em nossas raízes com o acolhimento das pessoas próximas e da comunidade como porto seguro.

O projeto foi realizado com uma campanha de financiamento coletivo com o apoio do Edital de Economia Criativa 2020 do Sebrae/RN. A produção musical foi de Zé Caxangá e Pedras e foi um lançamento do selo Rizomarte Records.

“Pra mim é um novo momento que se inicia, principalmente porque esse trabalho é muito sobre mim, mas também sobre nós, que estamos nas periferias desse Brasil. É um disco que tem imagem, fecho os olhos e posso ver os clipes de todas as músicas. Agora o foco é trabalhar para gravar clipes de outras músicas do EP Volte e Pegue”, conclui.

Este projeto é uma realização da Dale! Produções Culturais com recursos da Lei Aldir Blanc, através da Prefeitura do Natal e Governo Federal.

Ouça “Volte e Pegue”: https://tratore.ffm.to/voltepegue

Sempre defendi a identidade musical potiguar oriunda da herança instrumental, seja da bandas seculares de música ou, mais especificamente, do violoncelo, mantida hoje, após tantas gerações, pela figura do professor Fábio Presgrave, entre outros. Eis que foi lançado recentemente o livro ‘Violoncelo: um compêndio brasileiro’. Nele, a referência a Tomaz Babini e ao próprio Presgrave. Abaixo posto o texto de apresentação do livro e, ao fim, o link para acesso gratuito à obra.

Por Cristian Brandão e Kalyne Valente

Quando nos foi conferida a honra de realizar a apresentação desta obra pelo ilustre amigo William Teixeira, primeiramente nos arrebatou a alegria em saber que a pesquisa em música com fundamentação histórica, mais precisamente voltada aos violoncelistas (porém, de forma alguma, não exclusivamente), ganharia mais uma rica fonte de estudo, investigação, sabedoria e, sobretudo, inspiração.

O livro ‘Violoncelo, um compêndio brasileiro’ compreende uma condensação de riqueza histórica e musical inestimável através de artigos e entrevistas realizados por alguns dos maiores nomes do violoncelo do Brasil e do exterior, em diferentes épocas e em diferentes contextos.

Nos faz refletir substancialmente sobre a história do violoncelo, a técnica, o fazer musical, a importância da organização e a construção da pesquisa em música com a valorização dos grandes mestres deste instrumento que são algumas de nossas maiores referências.

Discorrido por Marc Vanscheeuwijck, o ponto de partida desta profícua reunião de escritos acerca do violoncelo é justamente sua origem, desenvolvimento e transformações estruturais que, ao longo da história, foram determinantes para o surgimento de uma gama de possibilidades técnicas que inspiraram diversos compositores a colocarem o violoncelo em posições de destaque em suas obras, seja como solista, camerista ou como um instrumento orquestral.

Com o surgimento de importantes intérpretes, compositores e virtuoses, especialmente na Itália, Alemanha e França, a pedagogia do violoncelo também ganhou enorme contribuição com grandes mestres, tratados, estudos técnicos e vasto repertório, como descreve André Micheletti em O sistema de claves de Luigi Boccherini.

No Brasil, o inicio do século XX foi sem dúvida o momento mais importante para a difusão do violoncelo com a vinda de muitos músicos e artistas europeus que fugiam das guerras e situações economicamente difíceis em seus países.

Fábio Presgrave e Hugo Pilger discorrem sobre a chegada desses extraordinários artistas que marcaram definitivamente a escola do violoncelo no Brasil e do mundo, como a chegada de Tomaz Babini (1885-1949) em Natal-RN, dos portugueses Frederico Nascimento (1852-1924) e José Guerra Vicente (1907-1976) ambos no Rio de Janeiro-RJ, do descendente de italianos Calixto Corazza (1907-1987) em São Paulo e de Jean Jacques Pagnot (1922-2003) em Porto Alegre-RS.

Leia também: Qual a identidade musical do RN?

Os frutos dessa “ancestralidade” são primorosamente relatados nestes dois artigos e seguem enriquecendo o cenário musical por várias gerações. Amplamente explorado por diversos compositores dos séculos XX e XXI em virtude de suas multifaces e sua alta versatilidade sonora e timbrística, o violoncelo ganha uma abordagem enriquecedora no artigo de B. A. Zimmermann. O mesmo tem como objetos principais duas de suas obras para violoncelo e orquestra, o Canto di speranza e o Concerto em forma de ‘pas de trois’, mas também soma a este compêndio sua visão enquanto compositor sobre o papel do violoncelo na música contemporânea, suas dificuldades e possibilidades técnicas, a relação entre compositor e intérprete e a abertura que o intérprete destina à ideia musical do compositor para a superação dos desafios técnicos inerentes a linguagem expandida desta música.

Como o último dos artigos, William Teixeira oferece uma leitura muito elucidativa e obrigatória àqueles que buscam e seguem o caminho da pesquisa em música, particularmente, na área da performance musical. De forma muito esclarecedora, sugere o desenvolvimento de uma metodologia organizada de maneira apropriada a este tipo de pesquisa, ponderando as propostas e aplicabilidades para uma proposição final sistemática, assim como também caminhos para tornar essa metodologia uma importante ferramenta na prática do violoncelo, expandindo novas possibilidades de investigação e estudo.

A segunda parte desta obra, Mãos e Vozes do Violoncelo, compreende seis entrevistas realizadas por Bruce Duffie, Tim Janof e William Teixeira com grandes expoentes e renomados nomes do violoncelo no Brasil e no mundo, responsáveis por todo um legado de respeitados solistas, professores, vencedores de concursos e músicos de orquestras em importantes instituições de referência espalhadas pelo mundo.

A cada entrevista o leitor perspicaz adentra uma verdadeira aula de violoncelo e observa por diferentes prismas a filosofia pedagógica e a compreensão do fazer musical de cada um, que, embora distintos, convergem para os mesmos memoráveis princípios.

Em suma, Violoncelo, um compêndio brasileiro constitui-se como um material de conteúdo e valor imensuráveis a todos violoncelistas e pesquisadores que buscam um conhecimento mais amplo e aprofundado do próprio instrumento, de sua história, possibilidades técnicas e dos grandes nomes de violoncelistas que devem ser preservados, pesquisados, compreendidos, apreciados e referenciados na História da Música.

Que seja uma fonte enriquecedora e inspiradora para futuras pesquisas na área da performance musical.

Clique AQUI para ler ‘Violoncelo: um compêndio brasileiro’

O Domingo na Arena, projeto sociocultural gratuito da Arena das Dunas, está de volta. Depois de mais de um ano sem atividades, devido à pandemia, o evento reestreia, mas em formato virtual.

A versão digital contará com quatro edições: dias 25 de abril (próximo domingo), 2, 9 e 16 de maio, sempre às 17h.

Com a interatividade e criatividade dos apresentadores Tiago Dionísio, Carol Reis e Álvaro Dantas, o evento virtual terá 2 horas de exibição (gravada) e pode ser vista no canal da Arena das Dunas, no Youtube.

Em todas as edições, estão previstas oficinas que variam em diversos temas como artesanato, pintura de camisetas, confecção de instrumentos musicais ou criação de jarros de plantas, além de apresentações musical e teatral.

Na programação da primeira edição do novo Domingo na Arena, a criançada e seus familiares vão poder se divertir com a oficina de pintura de camisetas.

A atração musical fica por conta de Caio e Almir Padilha. A peça teatral ‘Julhin de Tia Lica’ encerra a programação do primeiro Domingo na Arena virtual.

Oficina de Pintura em camisetas

Rafaela Brito ministrará a oficina de Pintura Artística de camisetas. Ela utilizará a técnica do pontilhismo, uma forma de meditação ativa, que melhora as emoções, respiração e coordenação motora, de forma colorida e criativa.

Caio e Almir Padilha

Ator, músico e compositor, com mais de 10 anos de carreira, dentro e fora do Brasil. Este é Caio Padinha, que já lançou três álbuns, todos disponíveis em plataformas digitais: “Rabecas e Arribaçãs”, “Violas e Veredas” e “Acordeons e Candeeiros”.

Caio é um dos fundadores do Canal ‘Estação Criança’, do Grupo Estação de Teatro, e criou também no YouTube a série ‘Memória da Rabeca Brasileira’. É diretor musical dos espetáculos teatrais ‘Chuva de Bala no País de Mossoró’ e ‘Meu Seridó’.

Julhin de Tia Lica

Julhin de Tia Lica é um pesquisador e brincante de vários brinquedos da cultura popular, especialmente, do sertão, como João Redondo, Boi de Reis e Coco de Roda. Julhin imprime nas suas brincadeiras a linguagem e os códigos aprendidos no Povoado Currais Novos, em Jardim do Seridó, levando assim a sua identidade por onde anda.

LINK Youtube Arena das Dunas: https://www.youtube.com/channel/UCK4QUS4YjyKX7to_Jj26-6Q

Com assinatura da artista Ariadna Medeiros e construído a partir de histórias reais de mulheres que foram vítimas de violência e de mulheres ativistas que lutam pela causa feminina, Anônima é uma obra coreográfica que aborda a violência contra a mulher, uma prática que em pleno século XXI ainda está presente na sociedade brasileira de forma muito grave.

A estreia marcada para este domingo (25), às 18h, recorre ao formato online, com acesso gratuito através do Canal Ariadna Medeiros, no Youtube.

Depois de assistir ao espetáculo, os espectadores poderão acompanhar um bate papo que propõe uma reflexão sobre os direitos humanos e a equidade de gênero, mas que sobretudo busca sensibilizar a sociedade para a prevenção e o enfrentamento da violência contra a mulher. O encontro será mediado pela produtora cultural Tatiane Fernandes, com participação de Ariadna Medeiros, Ariadne Canela e Jaqueline de Almeida.

Abordar a violência com delicadeza e profundidade

Construído a partir de um processo de pesquisa que incluiu entrevistas às mulheres vítimas de violência e outras mulheres atuantes em diversas áreas sociais como advogadas, juízas, agentes policiais ou líderes comunitárias, Anônima assume mais do que um retrato sobre vidas suspensas ou destruídas devido às práticas de violência.

Para Ariadna Medeiros, que assume a interpretação em solo, o espetáculo narra, de maneira mais ou menos literal, sua própria experiência pessoal que se identifica e se relaciona com tantas outras histórias de mulheres que, infelizmente, foram silenciadas por medo ou até mesmo pela morte.

“Esta é uma obra que não tem a intenção de instrumentalizar uma causa, mas de assumir o propósito de servir como campo de reflexão e ação em prol de medidas necessárias para mudar a condição das mulheres no Brasil e no Mundo”, revela a artista.

Ariadna recorre às técnicas das danças urbanas, como o Waacking e o Hip Hop para compor uma obra coreográfica que assume também a narrativa poética da dança contemporânea, através do olhar do coreógrafo Anderson Leão, que se dedicou a direção artística do espetáculo.

A equipe do espetáculo completa-se com Ariadne Canela, responsável pela gestão de pesquisa, Amiel Abrantes, com o registro fotográfico, Artur Abrantes, que assume a captação e edição de imagem, Ana Paula Medeiros, na consultoria e desenho de projeto, Sérgio Gurgel, na iluminação, Tatiane Fernandes na produção, Raphael Jhoy como assistente de produção, Flávio Torres como diretor de palco, Anderson Galdino como coordenador de montagem da Casa da Ribeira e Alessandro Saraiva (risada) no apoio e receção.

Anônima é um espetáculo realizado através da Lei Aldir Blanc, com patrocínio da Fundação José Augusto, do Governo do Estado do RN, da Secretaria Especial da Cultura, do Ministério do Turismo e do Governo Federal.

SERVIÇO

Anônima – Espetáculo duração 40 minutos

Acesso Gratuito através do Youtube: https://youtube.com/user/TheMrariadna

Estreia em sessão única dia 25 de abril, às 18h.