O escritor e pesquisador Thiago Gonzaga presenteou nosso blog com esta entrevista inédita de Cláudio Galvão, na internet, feita em 2015. Um verdadeiro deleite. É o retrato vivo de uma Natal de nunca mais, saudosa, docemente provinciana. E Cláudio estava lá para nos repassar, neste relato, alguns registros primorosos. E Thiago esteve aqui, neste tempo mais contemporâneo, para provocar Cláudio a confessar, sem intenção alguma, todo o seu gabarito como pessoa e intelectual. Sua resposta para a pergunta 12, atesta isso. Boa leitura! 1- Claudio Galvão onde você nasceu? Conte-nos um pouco da sua infância e juventude. Nasci na Rua Ulisses Caldas – não vou dizer o ano porque você vai espalhar por aí, mas era um tempo em que o bonde subia a ladeira da Ribeira, dobrava à direita e passava em frente à minha casa. Eu botava tampinhas de garrafa nos trilhos para ele passar por cima, amassar, e eu ter moedas para brincar de dinheiro. Depois, meus pais se mudaram para a Rua João da Mata, em frente ao Potengi; tempo de medo dos blecautes durante a guerra. Depois, Rua Vigário Bartolomeu; lá, eu passava pela casa de Jorge Fernandes, ele na janela, pijama azul claro de mangas compridas. Eu nem imaginava quem era aquele homem. Joguei futebol na rua lateral sem calçamento, colecionei figurinhas, comprei revistinhas no “Zepelim”; saudades da banda da Polícia tocando Royal Cinema em frente à maçonaria “Evolução II”. Em seguida, as residências foram mais breves e menos marcantes. Minha primeira professora Maria do Carmo Navarro, em escola particular em sua própria casa. Depois, Beatriz Cortez, no Externato Monsenhor Pegado; ginasial do Ginásio 7 de setembro e colegial no Atheneu, já na sede da Rua Potengi. 2- Quais foram as suas primeiras leituras literárias? Li menos do que devia: Monteiro Lobato, muita revista em quadrinhos e uma série espetacular, a “Edição Maravilhosa”, que trazia romances clássicos em quadrinhos. 3- Quando jovem você já escrevia? Seus primeiros escritos falavam sobre o que? Escrevi um artigo sobre o rio Amazonas para um jornal estudantil. Foi tudo copiado de alguma outra publicação. Estudava no Ginásio “7 de setembro”, que não existe mais e teve a fachada de seu prédio na Rua Seridó toda alterada pela UNP (pra que?). Começar mesmo a escrever foi durante meu primeiro emprego como controlista da Rádio Nordeste, depois de servir ao Exército; redigi diversos programas sobre assuntos diversos que foram encenados pelo...
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