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A vida evitada

Quantas vezes você já desviou o caminho para não sentir o peso da decepção? Uma conversa difícil adiada, um sonho engavetado, um risco evitado. Fazemos isso o tempo todo, como

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Praia viva, cultura viva: Projeto Tatuí realiza ação socioambiental e cultural em Ponta Negra

Redação

Neste sábado (6), em alusão à Semana do Meio Ambiente, a Praia de Ponta Negra recebe a ação Praia Viva, Cultura Viva, evento que marca o lançamento oficial do Projeto Tatuí. A iniciativa une educação ambiental, cultura, memória afetiva e mobilização comunitária em defesa do litoral potiguar. Idealizado por Cintya Laranjeira, representante do Limpa Brasil no Rio Grande do Norte, o Projeto Tatuí nasceu das vivências e memórias de infância em Ponta Negra e busca fortalecer o sentimento de pertencimento e o cuidado coletivo com a praia, suas histórias e sua biodiversidade. A programação gratuita e aberta ao público reunirá moradores, voluntários, escolas, coletivos, artistas, trabalhadores da praia e instituições parceiras em atividades voltadas à valorização dos ecossistemas costeiros e da cultura local. Durante a manhã, as ações acontecem na Praia de Ponta Negra, com concentração no Letreiro de Natal, presença da Burrinha Pintadinha e do Jaraguá, abertura oficial do projeto, alongamento com o grupo Calistenia Livre, roda de conversa, mutirão de limpeza, ato pelos trabalhadores da praia, distribuição de mudas e o desafio Achei um Tatuí. À noite, a programação segue na Vila de Ponta Negra, na Tapiocaria da Vó, com apresentações culturais, lançamento do cordel Engorda pra Quem?, apresentação musical e exposição de fotografias de Flávio Resende. A programação se encerra com after cultural no Figa Bar e Cultura. O nome do projeto faz referência ao tatuí, pequeno crustáceo que habita a faixa de areia e funciona como indicador da saúde ambiental das praias. A proposta utiliza a educação ambiental e a cultura como caminhos para aproximar a população das questões que impactam o litoral e estimular o cuidado com o território. PROGRAMAÇÃO MANHÃ – PRAIA DE PONTA NEGRA NOITE – VILA DE PONTA NEGRA SERVIÇO Evento: Praia Viva, Cultura Viva – Lançamento do Projeto Tatuí Data: 6 de junho de 2026 Manhã: 7h30 às 11h30 – Letreiro de Natal, Praia de Ponta Negra Noite: 18h às 20h – Tapiocaria da Vó, Vila de Ponta Negra After cultural: 20h – Figa Bar e Cultura Entrada: Gratuita e aberta ao público PARCEIROS Associação Ponta Negra é da Gente; Associação dos Quiosqueiros da Praia de Ponta Negra; Associação Vila de Ponta Negra; Figa Bar e Cultura; Grupo Cultural Burrinha Pintadinha; P.Cultura Tapiocaria da Vó; MMarhéproducoescriativas; Rendeiras da Vila; Protagonistas da Paz; Casa Flor Ateliê Botânico; Calistenia Livre.

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aHAYá de Rua realiza 9ª edição com programação gratuita e forte presença da cultura popular

Redação

O bairro de Potilândia, em Natal, volta a se transformar em território de encontro, cultura popular e celebração com a chegada da 9ª edição do aHAYá de Rua, que acontece nesta quarta-feira, 03 de junho, a partir das 16h, com acesso gratuito e programação que atravessa diferentes expressões da tradição junina nordestina. Consolidado como um dos festejos juninos comunitários mais simbólicos da capital potiguar, o projeto reafirma, em 2026, sua vocação de ocupar a rua como espaço democrático de convivência, pertencimento e celebração coletiva. Idealizado pela produtora cultural Haylene Dantas, nascida e criada na Potilândia, o aHAYá de Rua surge de uma relação profundamente afetiva com o território e com os festejos juninos vividos desde a infância. A memória de festas comunitárias como o antigo Arraiá da Esmeralda, referência importante na história do bairro, ajuda a sustentar a identidade do projeto, que ao longo dos anos se consolidou como um dos encontros mais aguardados do período junino na cidade. Nesta edição, o aHAYá presta homenagem às rezadeiras e benzedeiras, mulheres que preservam saberes populares ligados ao cuidado, à fé e à transmissão oral de conhecimentos que atravessam gerações. A escolha temática parte da compreensão de que os festejos juninos não se resumem ao entretenimento. São também espaços onde religiosidade popular, memória coletiva, celebração comunitária e vínculos sociais se manifestam de forma viva. A simbologia das mãos conduz a identidade conceitual da edição: mãos que benzem, acolhem, cozinham, decoram, dançam, organizam e sustentam a festa. Um gesto simbólico que aproxima a tradição das benzedeiras das muitas formas de cuidado presentes na própria cultura popular. A programação deste ano reforça esse compromisso e começa cedo, com um primeiro bloco especialmente dedicado às manifestações populares, pensado para aproximar famílias, crianças e público em geral da riqueza dos folguedos e brincadeiras tradicionais. A abertura dos portões acontece às 16h, seguida da Brincadeira de João Redondo, com o Grupo Caçuá do Teatro de João Redondo, às 16h15. Às 16h45, o público acompanha a apresentação do Boi de Reis Estrela D’Alva. Na sequência, às 17h15, acontece um dos momentos mais emblemáticos da programação: o Encontro dos Bois, reunindo o Boi Estrela D’Alva, o Boi Esmeralda — manifestação criada dentro do próprio aHAYá como homenagem à memória afetiva do território — e o grupo Folia de Rua Potiguar. Às 17h40, o cortejo segue pelas ruas da Potilândia, ampliando a experiência do festejo para além do palco e reafirmando a rua como espaço central da celebração. Fechando esse primeiro movimento da programação, por volta das 18h20, o público recebe Mestre...

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Entre memória e violência: o curta potiguar “Umbuzeiro” estreia e já recebe prêmio internacional

Redação

Recém-lançado, o curta-metragem Umbuzeiro desponta como uma das novas produções do cinema independente nordestino ao combinar atmosfera gótica, crítica social e forte dimensão psicológica. O filme, primeiro trabalho de Emílio Ribeiro como roteirista e diretor, já acumula seleções em festivais e um prêmio internacional poucos meses após sua conclusão. A narrativa acompanha uma senhora idosa que vive isolada em um antigo casarão, carregando um passado marcado pela violência. Entre memórias fragmentadas, silêncios e traumas que fragilizam sua saúde mental, a personagem divide a rotina com o filho, o professor Elias. A dor íntima da mãe inspira a escrita de um livro e sustenta os mistérios da trama, que lentamente expõe as feridas invisíveis da violência contra a mulher. Antes de se tornar filme, Umbuzeiro já havia sido reconhecido nacionalmente ao receber o prêmio de segundo melhor roteiro de curta-metragem do Brasil no Grande Prêmio de Roteiro do Festival de Sorocaba, em 2025. Finalizado em fevereiro de 2026, o curta iniciou rapidamente sua circulação em festivais. Umbuzeiro foi selecionado para o 5º Saria Film Festival, em Orlando, Flórida. É a quinta seleção do filme, a terceira em festival internacional. Entre as conquistas recentes está a seleção para o First-Time Filmmaker Sessions, promovido pelo Lift-Off Global Network, na Inglaterra. O evento rendeu ao filme seu primeiro prêmio internacional, o Audience Choice, reconhecimento concedido após ser o mais votado pelo público. O curta também integra a Seleção Oficial do 2º Curta Varginha, em Minas Gerais, e do Inland Independent Film Festival, em Araraquara (SP). A recepção inicial confirma o potencial de Umbuzeiro, obra que aproxima sensibilidade artística e reflexão social, evidenciando a força de um cinema nordestino comprometido com memória, estética e experiência humana. Assista ao trailer de Umbuzeiro: https://youtu.be/5b4DjGM4AnE Para mais informações, siga @misteriofilmesrn, no Instagram.

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Filarmônica UFRN apresenta concerto que atravessa memória, violência e vertigem latino-americana

Redação

Concerto acontece no dia 06 de junho, em duas sessões gratuitas, com o violoncelista Fabio Presgrave e regência do maestro chileno Rodolfo Fischer A América Latina talvez seja uma das regiões onde modernidade e fratura histórica coexistiram de maneira mais intensa ao longo do século XX. Urbanização acelerada, instabilidade política, desigualdade estrutural e disputas permanentes de memória moldaram não apenas cidades e sociedades, mas também formas de sensibilidade e expressão artística. Em muitos momentos, a arte latino-americana deixou de buscar exclusivamente afirmações identitárias para transformar tensão histórica em linguagem estética. É desse território simbólico que emerge “América em Transe”, o concerto da Filarmônica UFRN que acontece no dia 06 de junho, às 18h e às 20h, no auditório Onofre Lopes, na EMUFRN. Os ingressos estarão disponíveis na Platea, a mais nova plataforma de acesso, ticket e engajamento de audiência da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – EMUFRN. Um lote será liberado na quarta-feira, 03 de junho, às 8h https://platea.musica.ufrn.br/ e no local, no dia do evento, outro lote com distribuição 1h antes de cada sessão. O programa reúne obras de Astor Piazzolla, Alberto Ginastera e Silvestre Revueltas em uma curadoria que aproxima diferentes experiências sonoras latino-americanas atravessadas por intensidade, deslocamento, ritual, violência e permanência histórica. As composições parecem compartilhar uma mesma atmosfera: cidades em convulsão, memórias interrompidas, pulsos coletivos e formas de existência em que beleza e brutalidade coexistem de maneira inseparável. O concerto contará com o violoncelista Fabio Presgrave como solista em Le Grand Tango, de Piazzolla, sob regência do maestro chileno Rodolfo Fischer. Reconhecido como um dos principais violoncelistas brasileiros de sua geração, Fabio Presgrave possui formação pela Juilliard School, de Nova York, e doutorado pela UNICAMP. Sua trajetória reúne atuação internacional como solista, pesquisador e professor, além de um trabalho decisivo na consolidação da formação musical e da produção acadêmica da Escola de Música da UFRN. Já Rodolfo Fischer iniciou sua trajetória musical como pianista antes de dedicar-se à regência orquestral. Formado pela Universidade do Chile e pelo Curtis Institute of Music, na Filadélfia, estudou regência com Otto Werner Müller e consolidou uma carreira internacional marcada pela atuação em importantes teatros e orquestras da América Latina e da Europa. Foi maestro residente do Teatro Municipal de Santiago e atuou junto a instituições como o Teatro Colón de Buenos Aires, a Ópera Nacional Dinamarquesa e diversas orquestras sinfônicas europeias e latino-americanas. Atualmente,...

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Projeto “lambe-lambe Atack RN: leia a bula” traz intervenção urbana e debate sobre saúde mental

18/05/2026|

A cidade de Natal recebe, durante o mês de maio, as ações da primeira edição do projeto “Lambe-Lambe RN Atack: Leia a Bula”, iniciativa que propõe uma reflexão crítica sobre saúde mental, medicalização e cuidado em liberdade por meio da arte urbana contemporânea. O projeto reúne uma intervenção artística composta pela fixação de aproximadamente 50 lambes confeccionados com bulas de medicamentos psiquiátricos acumuladas ao longo de anos de tratamento em saúde mental da artista visual e urbana Catarina Santos, além de autorretratos fotográficos que dialogam diretamente com experiências de subjetividade, sofrimento psíquico e memória corporal. Como desdobramento da programação, no próximo sábado (23), será realizada uma roda de conversa voltada ao debate sobre saúde mental e atuação sociocultural. Ao deslocar documentos tradicionalmente vinculados ao ambiente clínico para os muros da cidade, a ação transforma a bula em dispositivo visual, político e poético, provocando reflexões públicas sobre medicalização, acesso à saúde, políticas de cuidado e os princípios da luta antimanicomial. Inspirado pelos princípios da Lei nº 10.216/2001 (marco legal da Reforma Psiquiátrica Brasileira) o projeto busca ampliar o debate sobre a luta antimanicomial e o fortalecimento das políticas públicas de saúde mental, especialmente no contexto contemporâneo de desmonte e precarização de...

9ª edição do aHAYá de Rua em Potilândia reafirma força dos festejos juninos comunitários em Natal

15/05/2026|

A cidade de Natal recebe, no próximo 03 de junho, véspera de feriado, a 9ª edição do aHAYá de Rua, projeto que se consolidou como um dos mais relevantes festejos juninos comunitários da capital potiguar. Realizado na Potilândia, bairro da zona Sul da cidade, o evento acontece a partir das 16h, com programação gratuita que reúne manifestações tradicionais da cultura popular, atrações musicais e ações de mobilização social. Com acesso gratuito, o projeto mantém uma característica que se tornou parte central de sua identidade: a ocupação democrática da rua como espaço de convivência, celebração e fortalecimento dos vínculos comunitários. Em um contexto de crescente institucionalização e privatização de grandes eventos, o aHAYá preserva a experiência do festejo popular construído a partir da proximidade entre território, moradores e público. Idealizado pela produtora cultural Haylene Dantas, figura ativa na cena cultural potiguar, com forte atuação no segmento e profunda ligação com a Potilândia, o projeto nasce de uma relação afetiva com o bairro e com as tradições juninas vividas desde a infância. Moradora da região e com base familiar historicamente vinculada ao território, Haylene cresceu acompanhando os festejos populares do bairro, especialmente experiências emblemáticas como o Arraiá da Esmeralda, referência importante para a construção simbólica do projeto. Nesta...

Audiência na Câmara debateu os desafios da educação inclusiva na rede municipal

15/05/2026|

Uma audiência pública na Câmara Municipal de Natal debateu nesta sexta-feira (15) os desafios da educação inclusiva na rede municipal e a necessidade de ampliar investimentos em estrutura, profissionais e formação continuada. A iniciativa foi proposta pelo vereador Daniell Rendall, que anunciou o encaminhamento de um projeto de indicação ao Executivo para fortalecer o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Segundo o parlamentar, atualmente cerca de 4.800 pessoas aguardam laudo na rede pública de saúde, o que pode ampliar a demanda por atendimento especializado nas escolas. Ele destacou ainda que a rede municipal possui 140 professores de salas de recursos multifuncionais e 24 intérpretes de Libras, mas ainda necessita de mais 50 profissionais. “Precisamos ampliar a inclusão, não apenas o acesso”, afirmou Daniell Rendall. A professora Cláudia Fabião defendeu mais investimentos em equipamentos, materiais acessíveis e formação continuada para os profissionais da educação. “Não podemos falar de inclusão sem olhar para a realidade das salas de recursos multifuncionais. Precisamos de equipamentos modernos, materiais acessíveis e, acima de tudo, tempo garantido para que professores especialistas, auxiliares e regentes trabalhem juntos pelo desenvolvimento do aluno com deficiência”, pontuou. Já a neuropsicopedagoga Rosynelle Darllany alertou para a sobrecarga dos educadores e a falta de suporte...

RN HIP-HOP TRIP FESTIVAL realiza edição em São Gonçalo do Amarante neste sábado

14/05/2026|

Evento gratuito reúne batalhas de MCs, breaking, oficinas, shows e debates sobre cultura urbana em programação que ocupa diferentes espaços São Gonçalo do Amarante recebe neste sábado (16) o RN HIP-HOP TRIP FESTIVAL, evento que reúne artistas, batalhas de MCs, breaking, oficinas, rodas de conversa e shows de rap voltados ao fortalecimento da cultura hip-hop no Rio Grande do Norte. A programação acontece em diferentes espaços do município, com atividades gratuitas ao longo de todo o dia. A Praça do Ginásio do Amarante será o principal palco das atrações abertas ao público, reunindo batalhas de rima, shows de rap e performances de dança. A partir das 20h, acontece a Batalha da Coruja convida Batalha do Amarante, reunindo MCs das duas batalhas tradicionais do estado. Participam Bruninho, Blackout, Melsk, Nigro, Deyvinho, EdBlast, MX e Tsunami. A condução será do mestre de cerimônias Fraude, com DJs Ale19 e participação especial de Ninffaa MC após a primeira fase. Os jurados convidados são Épico MC (MA), Hellbala (AL) e Torris (RN). Antes das batalhas, às 19h, o público acompanha o show “GUETTO É LUXO: A Experiência”, com Ale Du Black e participação de Sun Claiere e Nandrill. Já às 18h30, acontece o show “Construção”,...

United comemora 14 anos de trajetória com show em Natal neste sábado

14/05/2026|

O próximo sábado , dia 16 de maio, será especial para integrantes e fãs da banda United. O dia marca a comemoração de 14 anos do grupo potiguar que virou referência no cenário do pop e rock local. Surgida em 2012, a banda começou apostando na interpretação de músicas dos grandes nomes do rock britânico, mas ampliou o repertório incluíndo clássicos que atravessaram gerações e hits que se destacam nos aplicativos de streaming. O show que festeja a história da United acontece na Zona Abissal Brewpub, que fica no bairro Cidade Verde, em Parnamirim. O evento começa às 20h e vai ter interpretações de sucessos de ícones do pop e rock mundial como Colplay, Oasis, Queen, U2 e Imagine Dragons. A formação atual da banda tem Vini Frota nos vocais, com Maurício Formiga na bateria, Lucivan Rolim nos teclados, Glauber Costa no baixo e Orcine Neto na guitarra. “Nós vamos tocar tudo que marcou cada fase da banda ao longo desses catorze anos, desde quando começamos com o especial Coldplay, até os dias atuais, em que buscamos fazer o show de rock mais contagiante de Natal”, disse Vini Frota, vocalista da United. SERVIÇO United – 14 anos Local: Zona Abissal...

Conto premiado de escritora potiguar está em núcleo de audiovisual da USP

14/05/2026|

Em Natal, terra de sol e ventos potiguares, “A Viagem” brotou como duna viva: o ensaio da escritora Tatyanny Nascimento, potiguar de fibra e cronista deste Papo de Cultura, foi premiado no GGCOM 2025. E não era só texto, era um sopro de imaginação que agora ganha voz em vídeo narrado, impulsionado no YouTube do Núcleo de Produção e Pesquisa em Audiovisual (Nupepa). O experimento de livre criação transformou palavras em imagens sonoras, ispirado pela 3ª Oficina de Inteligência Artificial para Produtores e Pesquisadores em Audiovisual e Ciências Sociais e fruto da parceria entre NUPEPA/ImaRgens ICNOVA/LAPS, Programa de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo, USP. O trabalho faz parte do eixo audiovisual do Laboratório de Pesquisa Social do Departamento de Sociologia da USP (LAPS/USP), sob a coordenação da professora Fraya Frehse, com supervisão dos professores Álvaro Comina (USP) e Carla Baptista (NOVA). A oficina floresceu no contexto de uma pesquisa em curso sobre IA e audiovisual, em colaboração com ICNOVA, LAPS e FCT (abril de 2026). Correu solta a criação, misturando mentes humanas e algoritmos, e o resultado? Um vídeo que hipnotiza, pronto para você assistir e se deixar levar. Em breve, “A Viagem” se estica em longa-metragem....

Ministra Margareth Menezes e Governadora Fátima Bezerra lançam Circuito Literário em agenda no RN

14/05/2026|

A Ministra da Cultura, Margareth Menezes, ao lado da governadora Fátima Bezerra, cumpre agenda no Rio Grande do Norte entre os dias 14 e 15 de maio. O destaque da programação é o lançamento do Circuito Literário Potiguar (CLIP), iniciativa do governo do Rio Grande do Norte, voltada à promoção do livro, da leitura e da formação cultural no RN e apresentação do balanço das políticas públicas nacional e estadual. A agenda também reúne ações ligadas ao fortalecimento das políticas públicas conduzidas pelo Ministério da Cultura (MinC) no estado. Na quinta-feira (14), Margareth Menezes inicia a agenda no Teatro Alberto Maranhão, em Natal, com visita à mostra de projetos culturais potiguares incentivados por leis federais e estaduais. Na sequência, ao lado do secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, e da governadora Fátima Bezerra, participa do lançamento do Circuito Literário Potiguar (CLIP). A agenda contempla visitas e anúncios relacionados aos equipamentos culturais beneficiados pela iniciativa. Em Mossoró, será anunciado o início da construção do CEU da Cultura previsto para a área da UERN, com investimento de R$ 2,4 milhões, além da inauguração do Centro Cultural Banco do Nordeste Lauro Monte Filho, novo equipamento cultural do município. Já...

Audiência discute o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes

14/05/2026|

A Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal Natal promoveu, nesta quinta-feira (14), uma audiência pública com tema: Rede de Proteção em Movimento – “Caminho para Prevenir e Combater o Abuso Infantil”. O debate, mediado pelo presidente da Frente Parlamentar, vereador Pedro Henrique (PP), contou com a participação de órgãos engajados na luta pelo fim da violência sexual e fez alusão ao dia 18 de Maio: “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. “O objetivo da audiência pública foi discutir o fortalecimento da rede de proteção para crianças e adolescentes, especificamente na questão da exploração e abuso sexual. A audiência reuniu instituições para apresentar números sobre o problema na capital e no estado. Foram abordados o aumento da agilidade processual, os desafios da gestão pública em alocar recursos para campanhas de conscientização e prevenção. Enfim, tivemos um encontro muito produtivo e propositivo”, avaliou o vereador Pedro Henrique, que reforçou o comprometimento da Câmara Municipal com a causa. Entre julho de 2025 e abril de 2026 foram feitas 141 denúncias pela Promotoria da Infância e da Juventude, média de uma denúncia a cada dois dias. De acordo com os...

Educador Voluntário e Fundo de Desenvolvimento Urbano são aprovados na Câmara

14/05/2026|

A Câmara Municipal de Natal aprovou, durante a sessão ordinária desta quinta-feira (14), em regime de urgência, dois projetos de lei (PL) e um projeto de lei complementar (PLC) enviados pelo Poder Executivo. O primeiro foi o PL 351/2026, o qual cria o programa “Educador Social Voluntário”; o segundo foi o PL 350/2026, que institui o Fundo de Desenvolvimento Urbano de Natal; e o terceiro foi o PLC 12/2026, voltado para a criação de cargos de provimento em comissão na Administração Direta do município. Destinado à instituição de voluntários para realizar o acompanhamento de crianças com deficiência e com Transtorno do Espectro Autista matriculadas na rede municipal de ensino, durante as atividades pedagógicas e do cotidiano, o programa “Educador Social Voluntário” irá contar com até 1000 (mil) vagas. Para participar, a pessoa precisa ter o ensino médio completo, disponibilidade de atuar nas atividades previstas em lei, e participar de um curso de formação continuada de 180 horas, voltado para à educação inclusiva e ao atendimento de crianças com necessidades especiais. Cada voluntário receberá uma ajuda de custo, para suprir despesas com alimentação e transporte, que pode chegar a R$ 900,00 mensais.  “É um programa importantíssimo que vai proporcionar aos estudantes...

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