Há 25 anos, um casarão centenário na rua Frei Miguelinho, no bairro da Ribeira, deixava de ser apenas memória arquitetônica para se tornar símbolo vivo de criação, resistência, educação pela Arte e reinvenção cultural. A Casa da Ribeira celebra, em 2026, um quarto de século de história e inicia as comemorações com o Festival Verão Aquilombado, de 6 a 8 de março, reafirmando seu compromisso com o passado, o presente e o futuro da arte e cultura, no Rio Grande do Norte e no Brasil. Antes de ser reconhecida internacionalmente como espaço cultural independente, a Casa foi hospedaria, padaria e armazém. As paredes erguidas por mãos anônimas jamais imaginaram que, depois de 10 anos de portas fechadas, ali floresceria um território de desenvolvimento humano através da arte, experimentação artística e encontro comunitário. No fim dos anos 1990, o sonho ganhou forma pelas mãos dos então integrantes e o Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare e produtores independentes, que buscavam um espaço para ensaios e apresentações, mas vislumbrava muito mais: um teatro, uma sala de exposições e um café cultural abertos à cidade. O que era desejo tornou-se mobilização. A restauração do prédio, aprovada na Lei Rouanet e na Lei Câmara Cascudo, exigia a captação de cerca de R$ 819 mil, valor expressivo para jovens artistas e produtores ainda desconhecidos do empresariado local. A resposta veio das ruas: o projeto “Na Rua da Casa”, realizado mensalmente a partir de 11 de julho de 1999, ocupou as ruínas do casarão centenário e sua rua (Frei Miguelinho) com música, teatro, dança, circo e exposições gratuitas. A cidade passou a olhar para o projeto. Em 2000, a Cosern (à época grupo Iberdrola) e a Petrobras, além de várias empresas locais que apoiaram sem incentivos fiscais, viabilizaram a restauração definitiva do espaço, inaugurando uma trajetória que, ao longo dos anos, contou com o apoio de instituições como Cosern, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Grupo Marquise, Sesc e Itaú Cultural. Mais que vocação artística, a Casa da Ribeira tornou-se prática concreta de restauração urbana integrada ao bairro histórico que resiste há décadas. Em um tempo em que o desenvolvimento muitas vezes se confunde com demolição e padronização arquitetônica, a Casa permanece como crítica viva e poética à lógica do apagamento provando que preservar também é avançar. Números que contam uma história Em 25 anos, a Casa da Ribeira construiu um legado que ultrapassa estatísticas, mas que também se...
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