Mostra na Pinacoteca do Estado reúne 20 pinturas do artista currais-novense, entre 25 de julho e 23 de agosto, em homenagem ao criador do Espaço Avoante de Cultura Em trecho de um documentário ainda em construção, um amigo descreve João Antônio Medeiros Neto como alguém que “era alto, magro, esguio, e que lembrava muito o personagem dom Quixote”. A imagem serve como porta de entrada para quem não conheceu o artista currais-novense que veio estudar em Natal nos anos 1980, assinava suas obras como João Antônio e era o “Joãozinho” para os mais íntimos. Falecido em 2022, e se vivo estivesse faria 63 anos. A comparação com o personagem de Cervantes, porém, vai além da aparência. João Antônio parecia mover-se no mundo como um Dom Quixote do Seridó, devotado a uma Dulcineia particular: a Arte, assim mesmo, com maiúscula. Em nome dela enfrentou descrenças, precariedades e comodismos. Desenhou a própria planta – fruto dos conhecimentos adquiridos no seu curso de Edificações, na antiga ETFRN e, com ajuda de pedreiros, ergueu em Currais Novos o seu castelo possível: Espaço Avoante de Cultura, permanece de pé, preservando a essência do criador e inspirando outros artistas. É esse percurso inquieto que a exposição Macambira – O Legado de João Antônio busca reavivar na Pinacoteca do Estado, no Centro de Natal, em parceria com a Fundação José Augusto. Aberta ao público a partir do sábado, 25 de julho, a partir das 9h, e em cartaz até 23 de agosto, a mostra foi articulada por amigos artistas da época do curso de Educação Artística, entre eles Lenilton Teixeira, Rachel Lúcio, João Natal, Margô Lima e Pedro Queiroga. Do vasto acervo deixado pelo artista, foram selecionadas 20 pinturas, fotografadas profissionalmente por Vlademir Alexandre e convertidas em reproduções técnicas de alta fidelidade visual, com impressão e certificação de autenticidade. A operação permite que as figuras criadas por João Antônio circulem para além da memória dos amigos, chegando também às paredes de quem desejar levá-las para casa. “Ele tinha uma honestidade e uma entrega muito grande. Os desenhos eram realistas. Mas, possuíam uma assinatura inigualável”, define Lenilton Teixeira, diretor teatral e comandante do Grupo Estandarte. A memória afetiva vem da convivência iniciada em 1986, na faculdade: “Joãozinho estava sempre muito inquieto, pensado em coisas. Apesar de ser muito tímido, ele estava sempre com grandes ideias na cabeça”. Antes que a palavra performance se tornasse corrente, João já inventava modos de...
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