A cidade de Natal recebe, no próximo 03 de junho, véspera de feriado, a 9ª edição do aHAYá de Rua, projeto que se consolidou como um dos mais relevantes festejos juninos comunitários da capital potiguar. Realizado na Potilândia, bairro da zona Sul da cidade, o evento acontece a partir das 16h, com programação gratuita que reúne manifestações tradicionais da cultura popular, atrações musicais e ações de mobilização social. Com acesso gratuito, o projeto mantém uma característica que se tornou parte central de sua identidade: a ocupação democrática da rua como espaço de convivência, celebração e fortalecimento dos vínculos comunitários. Em um contexto de crescente institucionalização e privatização de grandes eventos, o aHAYá preserva a experiência do festejo popular construído a partir da proximidade entre território, moradores e público. Idealizado pela produtora cultural Haylene Dantas, figura ativa na cena cultural potiguar, com forte atuação no segmento e profunda ligação com a Potilândia, o projeto nasce de uma relação afetiva com o bairro e com as tradições juninas vividas desde a infância. Moradora da região e com base familiar historicamente vinculada ao território, Haylene cresceu acompanhando os festejos populares do bairro, especialmente experiências emblemáticas como o Arraiá da Esmeralda, referência importante para a construção simbólica do projeto. Nesta edição, o aHAYá de Rua propõe uma reflexão sobre a dimensão da fé como elemento estruturante da cultura popular nordestina. O conceito de 2026 homenageia rezadeiras e benzedeiras, figuras historicamente associadas aos saberes de cuidado, espiritualidade popular e transmissão oral de conhecimentos ancestrais. A escolha dialoga com uma compreensão dos festejos juninos que ultrapassa a ideia da festa como entretenimento. Historicamente, as celebrações juninas no Brasil, especialmente no Nordeste, articulam religiosidade popular, rituais comunitários, promessas, devoção, agradecimento e práticas simbólicas ligadas ao encontro coletivo. Nesse contexto, a figura das benzedeiras emerge não apenas como expressão espiritual, mas como símbolo de acolhimento, proteção e cuidado comunitário. São mulheres que preservam saberes transmitidos pela oralidade, pela convivência e pela prática cotidiana, sustentando uma forma de conhecimento que nasce da relação direta com o território, com a fé e com as necessidades reais do povo. A partir dessa leitura, a 9ª edição do projeto constrói sua identidade visual e conceitual em torno da simbologia das mãos. As mãos que benzem, acolhem e protegem são também as mãos que montam a festa, cozinham, decoram a rua, puxam a quadrilha e sustentam a experiência coletiva do festejo. A proposta estabelece, assim, uma conexão entre espiritualidade popular e...
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