Paris – França, 10 de Fevereiro de 2018. Cheguei na França ontem, aterrisando no aeroporto de Beauvais, após uma tentativa fracassada de remarcar, pela companhia Easy Jet, meu voo que estava previsto para partir do Porto no dia 08 de Fevereiro. Na verdade eu cometi uma gafe cultural e isso me custou o preço da passagem em um voo low cost da Ryan Air e o ônus de viajar sozinho, posto que Ana, Uriel e as meninas, conseguiram embarcar um dia antes de mim. Tudo isso aconteceu porque o carnaval, apesar de ter sido trazido para o Brasil pelas caravelas portuguesas junto com o pacote colonial que carregava também a pólvora, a bíblia, a sífilis e a varíola; não tem o mesmo apelo aqui nessas frias terras do norte que tem em nossos litorais. Eu simplesmente não me toquei que na sexta feira (véspera de carnaval) as atividades acadêmicas na Universidade do Minho ocorreriam normalmente e que eu teria, como havia me comprometido, de ministrar uma aula sobre Nietzsche e a tragédia clássica em uma turma de graduação da licenciatura em Filosofia da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas, no campus Gualtar. Então tive de ficar em Portugal, pegar o trem para Braga, dar a tal aula, voltar correndo até a estação, pegar o comboio de volta ao Porto, dormir sozinho no apartamento perto da Rotunda da Boavista e sair pela manhã para o aeroporto e pegar o voo para Paris. Uma epopeia onde nada poderia dar errado; o que é sempre angustiante porque para nada dar errado, tudo tem de dar certo e tudo, como todo mundo sabe, é muita coisa. No fim das contas, a despeito do stress e da ansiedade, consegui descer na terra de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvois ontem bem no meio da tarde, mais ou menos a 80 km do centro da capital francesa. Em função do tempo de desembarque e da espera para pegar um ônibus que me levasse até Paris, acabei entrando na cidade luz com a escuridão do inverno (que aqui aparece por volta das 17:00). Foi justamente por cima de um tapete branco que cobriu a cidade com uma quantidade de neve que não era vista pelos habitantes dessa vila gaulesa, desde o inverno de 1987, que atravessei a ponte sobre o Senna para a “rive droit” afim de pegar um metrô para Montmartre. Tirando o cansaço...
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