por Rodrigo Faour

Existe um outro Brasil musical, diferente daquele calcado em interesses puramente comerciais, que vem dominando a cena da música nas últimas duas décadas. A potiguar Khrystal é um exemplo de artista que não abre mão de um trabalho autoral contundente e bastante renovador, baseado ao que há de melhor na tradição de nosso cancioneiro.

Em seu novo EP, a cantora e compositora revigora um Brasil musical ainda muito criativo, trazendo a novidade de voltar-se para além dos gêneros nordestinos registrados em trabalhos anteriores. Agora ela trafega por canções românticas longe da pieguice e azeitados sambas e temas jazzísticos num EP de quatro faixas, elaborado com recursos da Lei emergencial Aldir Blanc do edital de fomento à cultura de seu estado natal.

Fora do Rio Grande do Norte, onde é Khrystal mais conhecida, muitos podem já tê-la visto cantar em outros palcos do país sem ligar o nome à pessoa. Ela foi uma das Elzas Soares do aclamado musical “Elza”, que foi levado a diversas capitais brasileiras há dois anos com imenso sucesso. Sim, ela também é atriz – o que lhe rendeu inclusive indicação ao prêmio Kikito no Festival de Gramado de melhor atriz coadjuvante pelo filme “A luneta do tempo”, de Alceu Valença, em 2015.

Por essa época, por dois anos seguidos foi convidada pelo maestro Spok a cantar no famoso Galo da Madrugada, no carnaval de Recife, e antes disso, já excursionou pelo Nordeste com Cátia de França e Xangai.

Porém, além da bela voz e forte presença cênica nos palcos e discos, ela possui um grande diferencial. É também uma compositora e letrista de mão cheia, que aprendeu ainda muito jovem, no bairro pobre de Gramoré, na zona norte de Natal, onde morava, prestando atenção nos pregões dos vendedores, nas conversas de vizinhos e no universo doméstico de uma família numerosa e faladeira, daí sua poética rica, com vocabulário incomum.

Pois agora, com vinte anos de estrada, quatro álbuns lançados, participação no The Voice Brasil, em festivais e alguns prêmios no bolso, esta artista de 39 anos mostra toda sua bagagem no EP “Khrystal”.

Produzido pelo baixista Paulo de Oliveira e pelo guitarrista e violonista Roberto Taufic – este último, parceiro em uma faixa do EP, que conta ainda com o baterista Darlan Marley – o EP traz um repertório que passeia por canções refrescantes, de modo a dar um alívio a uma época já tão saturada de tristezas e perdas como a atual. Musicalmente, tudo foi feito em conjunto com sua banda – arranjos e mesmo a direção musical.

“Já é” (Roberto Taufic/ Khrystal) tem um estilo tropical/caliente que remete à chamada “música-baile”, bem popular na boemia de Natal. “Ancorado em si” (Leonardo Costa/ Khrystal) é um samba-jazz pulsante, enquanto “Viva a voz” (Khrystal/ Valéria Oliveira) é um tema jazzístico à brasileira. “Amor de cinema” (Khrystal/ Simone Talma) não se pretende mais que uma suave canção romântica. Todas ganharão vídeos próprios nas próximas semanas, a serem divulgados nas redes sociais da cantora.

Entre a reflexão, a ironia e o romantismo

Apesar da leveza, isto não significa que as letras das quatro novas canções não tragam ironia fina sobre nossa situação trágica contemporânea, o que está claro logo na primeira faixa, “Já é”, que ao mesmo tempo consegue tirar sarro da nossa própria desgraça (“terraplanistas passarão brincando”), para a seguir aconselhar a todos uma dose extra de paciência para passar por esses tempos sombrios, evitando provocações baratas (“Dizer é prata/ Não dizer é ouro/ Pois no sossego é que mora o tesouro”) e ainda conservar o melhor de si (“Cuida de fortalecer todo seu bem querer/ Que o tempo não espera”).

Nos contratempos das tônicas de “Viva voz” é exaltada a força das palavras que, pelo viés da música, pode literalmente dar voz a tantos que nem sempre são ouvidos: “Viva a voz/ Que explode dos tambores, do lugar de fala/ Que toca o coração do outro e que abala/ O que foi estabelecido em tempos de senzala”. Para bom entendedor, um tiro (de amor) certeiro.

Em “Ancorado em si”, algo Taoísta, busca ainda outras vozes do ser, em harmonia com o meio ambiente, em tom de meditação: “Silenciar pra escutar a voz de dentro” ou “Sê mansidão em águas bravas/ Bambu que não quebra no vendaval/ Passa o vento e já retorna à posição original”, reiterado nos versos finais: “Das lições da natureza/ Só aproveita quem sabe ler o sinal”. Mas a utopia também aparece nos versos românticos de “Amor de cinema”, que roga por paz, maturidade, perdão e calor nas relações.

Enfim, Khrystal – versão 2021 – é assim. Mais zen-afiada do que nunca, de olho nos sinais da espiritualidade e atenta aos perigos de dentro e de fora do ser. Quem ainda não a conhece tem agora essas quatro pílulas de felicidade musical e não pode mais dizer a máxima de que “não se faz mais música boa no Brasil de hoje”.  Ainda se faz e com muita alma.


CRÉDITO DA FOTO: Luana Tayze

Uma visita ao cancioneiro popular destacando compositores e ritmos por vezes negligenciados ou esquecidos da nossa música é o que propõem a cantora potiguar Laryssa Costa em Uma Casa Brasileira, projeto protagonizado por ela que chega a sua última temporada com data marcada para esta terça-feira (11), às 19h.

A transmissão será pelo You Tube da cantora. O show é realizado com recurso da Lei Aldir Blanc, Governo Estadual do RN e Fundação José Augusto.

Para esta fase de encerramento, Laryssa abre as portas da sua casa e vem acompanhada do músico Daniel Ribeiro que também é responsável pela direção musical e a acompanha ao violão. Juntos eles assinam uma produção caseira, intimista, simples mas cheia de afetos e muita música boa.

Em caráter de urgência pela manutenção e valorização da música popular brasileira, o projeto iniciado em 2016 retoma durante a pandemia e circula com proposta de show virtual e apresenta um repertório cheio de brasilidades e muito som potiguar com pitadas de autoral.

Pois é, nesta casa tem ciranda, samba, xaxado que se misturam às deliciosas cocadas de  Severino do Coco, ao choro de Tico da Costa, Ademilde, resultando num banquete farto e passeio incrível pela música do nosso país.

Com duas edições já realizadas, sendo a primeira em setembro de 2020 dentro da programação do Poti Cultural do Sesc-Natal, e a segunda em dezembro do mesmo ano com recurso da Lei emergencial Aldir Blanc municipal e Fundação Capitania das Artes, Uma Casa Brasileira chega a sua 3ª edição.

Uma Casa Brasileira

Dia 11 de maio de 2021 as 19h
Transmissão pelo You Tube -Laryssa Costa
Apoio: Lei Aldir Blanc, Fundação José Augusto, Governo do Estado do RN, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal

Quando Cazuza se foi, em julho de 1990, aos 32 anos, ficou no ar por semanas uma canção escrita por Paulo Coelho e gravada pelo cantor vitimado pela aids que vaticinava: “Alguém quando parte é porque outro alguém vai chegar”.

Foi o que vimos, de forma inescapável, praticamente ao mesmo tempo, na noite de terça-feira desta primeira semana de maio no Brasil. Alguém muito querido desse corte geral e difícil de definir sob o rótulo de povo brasileiro se foi para sempre: o ator e multi-instrumentista do espetáculo solo ou coletivo Paulo Gustavo.

Mas alguém igualmente amado dessa maneira inclassificável com que devotamos sentimentos a pessoas públicas chegou: a mais autêntica nordestino-paraibana de todas as telas, vencedora da edição de número 21 do Big Brother Brasil, Juliette Freire.

Em dois míseros parágrafos, este texto diante da sua pessoa tocou no nome de três das pessoas mais famosas do Brasil-povão em todos os tempos: Paulo Coelho, Paulo Gustavo e Juliette. Não é recomendável, de bom tom ou inteligente em colunas do tipo cultural fazer elogios ou mesmo reconhecimento a nenhuma das três. Não em geral.

Certo, com a partida abrupta Paulo Gustavo deixou na terra cá embaixo um halo ligeiramente diverso do que normalmente projetava quando entre nós. Era extremamente popular, o novo queridão da ex-classe C a esta altura já saudosa do lugar que ocupou ainda recentemente na história política, econômica e social do país.

Mas não digam que era matéria de relevo para a crônica cultural mais letrada porque definitivamente não era. Eu mesmo nunca apreciei sua forma de cinema, recordista em bilheteria ao ressoar expectativas de outro tipo de brasileiro. Como muitos que podem estar lendo este texto agora, eu preferia algo menos direto e estridente. Mas assisti a filmes e programas dele, sim, embora sem dar a importância que reservo para produtos mais significativos pra mim.

Também é certo que assistir – e muito menos comentar – um programa como o BBB não acrescenta credibilidade alguma a quem se aventura a fazer qualquer digressão sobre a paleta de opções culturais à disposição do leitor, do espectador, do ouvinte. Nem mesmo quando o programa em questão magnetiza um país inteiro – ou sobretudo neste caso.

Isso está mudando. Vai mudar. Certo segmento da inteligência oficial do país, ainda fora da academia, como estrelas do telejornalismo político, vem declarando sem pudor que assiste, torce, captura emoção diante do que nunca foi considerado como mais que uma lastimável experiência de exibicionismo gratuito e condenável.

No meu caso, tenho uma necessidade que não sei explicar de conexão com tudo ou grande parte do que faz a média do país se interligar. O livro do momento eu tenho curiosidade de ler, a música que faz todo mundo cantar quase sempre chega aos meus ouvidos e à minha boca, um programa de televisão aberta que faz as maiorias pararem diante dele naquele horário regular tem grande chance de ter a minha adesão impressionada e cheia de interrogações. A própria TV aberta em si eu não consigo ignorar, ainda que nos piores momentos.

Igualmente certo é lembrar o quanto o segmento literário jogou pedras em Paulo Coelho durante aqueles anos em que ele fazia sucesso em vendas e leitores interessados no que seus livros diziam. A academia – essa pobre academia que hoje luta de forma injustamente desigual contra um governo anticonhecimento que rejeita a ciência – cansou de passear pelas livrarias sem olhar nem de raspão para os títulos de Coelho nas vitrines principais. Pois eu li quase todos os livros do tal mago, apreciei cada um deles e tanto gostei que sou incapaz até de avaliar: quando leio um deles, e faz tempo que não o faço, mas nem por isso esqueci a sensação, experimento um tipo de fruição muito diverso do que sinto diante de qualquer outro tipo de texto. Algo sensorial que não tenho como descrever, mas do qual sei o bastante para afirmar que é como se abrisse um tipo de porta para um espaço especial onde a avaliação convencional de uma literatura não faz nenhum sentido. É outro papo, pra definir da forma menos elaborada possível – e que seja talvez a melhor forma de me aproximar ao máximo do que quero dizer.

Dois Paulos, uma Juliette e o Brasil no que parece ser o seu pior momento. Um mal estar que no entanto não impede que um país descubra uma nova paixão coletiva inesperada ou perceba a extensão de uma perda igualmente não prevista ou imaginada.

Trata-se aqui de uma morte e um nascimento, ambos extremamente simbólicos para além de literais, que parece nos dizer para não fazer pouco do que atinge tanta gente, para o bem ou para o mal. Seja a doença que com sua foice final devasta famílias e deixa incrédulo um povo diante do dirigente que ele em hora incerta elegeu ou a empatia da fama que emerge de um programa de televisão.

Que a canção de Paulo Coelho, Cartão Postal (já para o spotfy) gravada por Cazuza, um ícone dos seguidores – permitam usar a palavra agora tão “resignificada” – da audiência superior e requintada, na qual eu mesmo me incluo com ironia e tudo, funcione como trilha sonora involuntária dessa constatação sem pai nem mãe: os fenômenos de massa precisam ser reconhecidos, lidos e interpretados sem o ranço (olha o BBB empobrecendo de vez meu vocabulário) da restrição intelectual.

E por falar nisso, já me adianto: nada mais irritante do que usar essa palavra – intelectual – para desqualificar aquilo que não se conhece e que por isso se teme. Não é disso que se trata.

Anny Baltar é o nome da moça que apesar da pouca idade, iniciou o seu percurso na escrita com vigor e vivacidade, dignas de grandes escritoras e poet(is)as brasileiras, como aquelas que costuma conhecer e se debruçar em suas aulas de literatura e nas cadeiras do ensino médio que cursa na Escola Estadual Ferreira Itajubá, em Natal.

A estudante parece nadar em sentido contrário a muitos adolescentes de sua idade. Não se contenta apenas em ler versos, poesias ou prosas. Para ela viver é estar constantemente em meio a novas descobertas e o único propósito que queima em seu peito é que veio do acaso para fazer uma revolução.

Para a jovem, escrever é revolucionar e mudar a história e se gratifica em ver que os seus papéis que um dia foram amassados, desacreditados; hoje, espalham sentido nas mãos de alguém. Para ela a poesia se apoetou em 2018 em silêncio no seu peito e, desde então, traz a cura e a ordem que a bagunça precisa diariamente.

E foi assim que essa jovem cheia de vontade e maturidade alheia à idade conquistou a Editora CJA, atuante no mercado editorial brasileiro há quase 10 anos. A CJA se debruçou e analisou seus escritos e embarcou apaixonadamente em sua potência poética.

“Anny é sagaz e certeira em sua escrita, sua poesia abre alas para o amor assim como discute empoderamento feminino e questões psicológicas que transbordam envolvimento e afetos”, afirma o editor Cleudivan Jânio.

De afetos a versos

“De afetos a versos” é o título do livro de estreia de Anny Baltar que foi publicado com o apoio da Lei Aldir Blanc RN, Fundação José Augusto, Governo do Estado, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

A obra será lançada neste sábado, dia 8 de maio, às 19h30, em uma live com a autora, mediada pela produtora cultural Carla Alves e com participações do próprio Cleudivan Jânio (CJA), do professor Milanez e da escritora Araceli Sobreira que assina o posfácio do livro.

Para Araceli Sobreira, Anny Baltar “produz uma fusão de eus-líricos dialógicos e mais: grita por afetos poéticos; e, por fim, deixa um Post-Scriptum para os ingênuos e desavisados – há refúgio em parar tudo para ser “um ser de alma”, mesmo trancada em quartos”.

A live de lançamento deste sábado ocorrerá simultaneamente no Youtube e Facebook do Mulherio Zila Mamede e, também, no Facebook da Editora CJA.

Entre afetos de dores, amores e desencontros, a “jovem com medos velhos” como autointitula-se, encontrou na poesia um recanto de refúgio que transformou todas as suas chuvas de emoções em versos.

“Sou um eterno

poema

contemplado

por dores e

acertos”

E é assim, com seus encantamentos escritos que a poeta fascina e convida a todos para conhecerem a magia que ela emprega em seu estro poético e que contagia várias gerações.

O livro “De afetos a versos” está à venda pela Editora CJA e adquirindo até domingo (09/05), você receberá a obra autografada com frete grátis para todo o território nacional.

Vale muito a pena conhecer os traços prodigiosos de Anny Baltar e navegar e seus rios e vales poéticos.

Serviço:

Data do lançamento: 08/05/2021 – sábado

Horário: 19h30

Canais: Youtube e Facebook do Mulherio Zila Mamede / Facebook da Editora CJA

Mediação: Carla Alves

Participações: Cleudivan Jânio (CJA), Professor Milanez  e a escritora Araceli Sobreira.

Adquira em: https://editoracja.lojaintegrada.com.br/de-afetos-a-versos-anny-baltar

Lançamentos de livros, palestras e bate-papos farão parte da 5ª edição da Jornada Potiguar de Leitura e Educação. O evento é gratuito e acontecerá de forma virtual nos dias 8 e 15 de maio. As inscrições estão abertas e podem ser feitas clicando AQUI.

A Jornada valoriza a produção literária potiguar, trazendo para o público inscrito mais de 10 horas de interação com cerca de 20 autores, que irão lançar suas obras – todas produzidas no Rio Grande do Norte – durante os dois dias de evento.

Estão confirmados para o primeiro dia da 5ª edição os escritores Antônio Francisco, José de Castro, Gilberto Cardoso, Júlio Lima, Robson Renato, Beatriz Madruga, Danilo Fonetenelle e Tereza Custódio.

O evento acontecerá das 8h15 às 12h30 através da internet, com apresentações, encontros e bate-papos virtuais.

Tendo como público alvo professores, bibliotecários e estudantes de escolas públicas e privadas, as edições anteriores atraíram participantes também da Paraíba, São Paulo, Ceará e Minas Gerais. A previsão é que a quinta edição da jornada supere a marca de 800 participantes.

Sobre os Autores 

Antônio Francisco

Poeta e Cordelista da cidade de Mossoró. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o poeta cearense Patativa do Assaré.

Em dezembro de 2018 recebeu a Comenda de Incentivo à Cultura Luís da Câmara Cascudo reconhecimento do Senado Federal a personalidades e instituições que tenham uma contribuição relevante ao registro da cultura e do folclore no Brasil.

Gilberto Cardoso

Poeta, prosador e cordelista é natural de Cuité/PB e tem cidadania norte-rio-grandense. Reside na cidade de Santa Cruz/RN. É educador, formado em Letras e Mestre em Literatura e Ensino pela UFRN; é cofundador da Associação de Poetas e Escritores de Santa Cruz (APOESC) e membro da Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel (ANLiC).

A sua produção textual é vasta, sendo principalmente, no campo da literatura de cordel, crônicas, contos e textos teatrais. Em 2017, organizou a coletânea APOESC em Prosa e Verso, onde reuniu textos de 50 autores. Lançará no evento a obra Fábulas e contos em Cordel, pela CJA Edições.

José de Castro

Autor mineiro-potiguar, pois nasceu em Resplendor/MG e está no Rio Grande do Norte há mais de quarenta anos. Na literatura infantil e infantojuvenil já publicou mais de dez livros. Pela Editora CJA publicou Poemas Brincantes, Apenas Palavras, O Palhaço e a Bailarina (em coautoria com Clécia Santos) e em 2019, Brincadeiras Poemantes ilustrado por Ivan Coutinho.

É membro da União Brasileira de Escritores – UBE/RN; da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte – SPVA/RN; e da Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas– SBPA.

Júlio Lima

Escritor, professor, cantor, compositor, ator e intérprete, é graduado em Artes – Música pela UFRN. Com mais de mil composições produzidas, obteve cinco prêmios no festival de música MPBECO.

É mestre em composição e criatividade no Programa de Pós-graduação em Música da UFRN e pela Escribas Editora lançou o livro “Caio na Terra da Música”, uma fantasia na qual tenta imaginar um mundo sem música para incentivar o ensino de música nas escolas.

Robson Renato

Poeta e Professor, natural de Pau dos Ferros. Possui três livros lançados e mais de 20 cordéis publicados. Graduado em Geografia, amante da natureza e defensor da cultura, procura colocar poesia em tudo o que faz e colecionar amizades por onde passa. Lançamento: João Lave as Mãos (Editora M3).

Bia Madruga

Beatriz Madruga é professora, psicóloga e escritora. Formada em Letras e Psicologia e Mestre em Literatura Comparada pela UFRN, lançou os livros “Os Monstros estão aqui” pela M3 editora, “Aos Pedaços com tudo” e “Em fim, nós”, estes pela Escribas Editora.

Danilo Fonetenelle

Juiz federal, professor universitário, mestre e doutor em Direito. Autor de diversos livros jurídicos e do recente “o que a gente tem”, pela Editora M3.

Teresa Custódio

Nasceu em Senador Pompeu-CE/Brasil. Graduada em Letras. Em 2016, publicou “O Bálsamo”, romance duplamente premiado. Em 2018, escreveu o livro infantil bilíngue “A Vida Colorida de Vitória” e literatura de cordel. Participou com poemas, crônicas e contos para algumas antologias nacionais e internacionais.

Atualmente preside a União Brasileira de Escritores – UBE/RN. Lançamento: O Baú de Filomena (CJA Edições).

Serviço
5ª Jornada Potiguar de Leitura e Educação

Local: Ambiente Virtual – inscrições através do link https://www.even3.com.br/5jornadapotiguar/

Data: 08 e 15 de maio

Horário: Das 08h15min às 12h30

O lançamento do single “Mares Meus” do cantor e compositor potiguar Yrahn Barreto em feat com o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro chega às principais plataformas de streaming nesta sexta (7).

Ouça Verdes Mares

zeca baleiro e yrahn barretoA música é fruto das composições feitas no período da pandemia por Yrahn e Zeca. O single foi gravado com todo o trabalho de produção e mixagem feito de forma remota, respeitando completamente o período de isolamento.

A canção Mares Meus nos convida a mergulhar numa atmosfera saudosa e reflexiva. O single sai pelo selo DoSol em comemoração aos 20 anos do selo.

Yrahn promete, em breve, lançamento do seu quarto álbum “Som no Isolamento” que reúne uma série de músicas compostas, em sua maioria, nesse momento de confinamento e garante parcerias com compositores consagrados na música popular brasileira como Climério Ferreira, Zeca Baleiro e outras surpresas musicais.

Ficha técnica – “Mares Meus”

Vozes e composição: Yrahn Barreto e Zeca Baleiro
Produção artística: Zeca Baleiro
Arranjos, violões e contrabaixo: Jubileu Filho
Programações: Érico Theobaldo
Bateria: Larry Mateus
Mixagem e masterização: Walter Costa
Produção executiva: Jamilly Mendonça
Produção fonográfica: Anderson Foca
Lançamento em comemoração aos 20 anos do Selo DoSol

Serviço:

Lançamento do Single “Mares Meus”
Yrahn Barreto feat Zeca Baleiro
07 de maio em todas as plataformas de streaming

Seis artistas fotógrafos, seis ensaios autorais, seis formas distintas de ver e representar o mundo em que vivemos através da fotografia. Alexandre Santos, Damião Paz, Flávio Aquino, Henrique José, Meysa Medeiros e Vlademir Alexandre formam o Coletivo Dafoto! e nos apresenta recortes artísticos que se confundem com suas próprias vidas.

A arte existe porque a vida não basta, já nos alertava o escritor e poeta Ferreira Gullar. O livro “Seis Formas de Ver o Mundo” é uma publicação inédita e será lançado neste domingo, dia 9 de maio às 10h no Canal do Coletivo no Youtube.

A publicação encerra também o projeto Foto Coletiva que promoveu uma série de seis entrevistas entre os fotógrafos participantes sobre os processos criativos de cada um deles. O lançamento ocorre no formato de live e conta com a participação dos seis autores.

SEIS FORMAS DE VER O MUNDO

O fotógrafo nem sempre escolhe um tema, às vezes é o tema que o escolhe, como na série “Brincantes” de Alexandre Santos, uma coletânea de imagens feitas em festas e folguedos populares do Nordeste ao longo da última década.

Na sequência somos arrebatados pela simplicidade perene da fotografia de Damião Paz, que nos apresenta um olhar afetivo sobre uma família da comunidade quilombola de Acauã em Poço Branco-RN.

Saímos da representação pura do real e entramos no realismo fantástico de Flávio Aquino que nos apresenta um projeto experimental que nos chama à reflexão sobre a influência e a ocupação no espaço urbano de Natal.

Depois de observar a realidade criada por Flávio, o leitor se depara com as linhas captadas nas arquiteturas de Natal por Henrique José e suas “Natalinhas” que viaja pelo grafismo colorido das construções e suas linhas arquitetônicas e pelo redimensionamento do espaço e das cores e captadas pelo “olho bom” da fotografia contemplativa (Miksang).

Chegamos a um dos blocos mais tradicionais do carnaval potiguar e quem nos conduz é Meysa Medeiros com “Os Homens de Lama” , ensaio artístico que faz uma imersão no mar de lama que invade o mangue do bairro da Redinha na capital do Rio Grande do Norte e que dá origem ao mais antigo bloco carnavalesco de lama do Brasil.

Finalmente chegamos ao trabalho humanista de Vlademir Alexandre que nos mostra que o mar é de fato uma outra terra e que as famílias que sobrevivem da pesca artesanal mantém viva uma das mais ancestrais formas de desenvolvimento socioeconômico e cultural da humanidade.

O projeto Foto Coletiva e o lançamento do livro Seis Formas de Ver o mundo está sendo realizada com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

O livro pode ser adquirido por R$ 30 a qualquer um dos fotógrafos do Coletivo.

Sobre o Coletivo daFOTO!

O coletivo da Foto tem dois anos de existência dedicados à fotografia potiguar, O Coletivo já promoveu debates, feiras de fotografia, exposições, cursos, oficinas, produções audiovisuais e contribuído de forma efetiva com o cenário da fotografia potiguar.

Formado pelos fotógrafos Alexandre Santos, Damião Paz, Flávio Aquino, Henrique José, Meysa Medeiros e Vlademir Alexandre. Todos os membros do Coletivo também atuam profissionalmente com fotografia e como professores e pesquisadores que contribuem tanto academicamente, quanto empiricamente para preservação da memória cultural e fotográfica potiguar.

Além da série Autorretrato, nestes dois anos foram produzidos podcasts, livros, lives, programas especiais para web e em breve o Coletivo realizará o Festival de Fotografia daFoto!.


CRÉDITO DA FOTO: Vlademir Alexandre

Dois nomes da MPB da cidade, a cantora Dani Negro e o instrumentista Marcelo Tavares celebram suas carreiras em dois Festivais online. A programação reúne outros 15 artistas potiguares, a maioria do cenário conhecido como de ‘’Música ao Vivo’’.

Com as diversas restrições causadas pela pandemia os “Cantores da Noite” estão entre os mais prejudicados pois tem nos barzinhos e na programação noturna da cidade o principal palco para suas apresentações.

A programação começa às 20h desta sexta (7) com o  Festival Encontros com Elas. Ana Tomaz, Dani Negro, Monica Jucá, Heli Medeiros, Jaina Elne e Lene Macedo são as convidadas do instrumentista Marcelo Tavares, idealizador do festival, que em 37 anos de carreira já tocou em praticamente todo o circuito de bares e restaurantes da cidade acompanhando dezenas de nomes da música potiguar.

Para assistir ao Festival Encontro com Elas, clique AQUI.

Festival Memórias

Já no domingo (9), Dia das Mães, às 17h, a cantora Dani Negro apresenta o Festival Memórias onde ela recorre a depoimentos de convidados a fim de construir um repertório onde cada um deles rememore seu primeiro contato com uma canção ou com momentos que tem determinadas músicas como trilha dessas possíveis lembranças.

Dani Negro conduz o repertório e Lucinha Lira, Dodora Cardoso, Mirabô Dantas, Jaina Elne e Carlos Ponta Negra são convidados especiais.

Na programação uma homenagem à Glorinha Oliveira com a participação de seu filho Aécio Queiróz lembrando de sua bonita relação com a nossa grande diva que nos deixou recentemente aos 95 anos.

Dani Negro receberá no festival a sua mãe artista; a instrumentista Genilza Guanabara para um momento que inspira e fortalece laços.

Os dois Festivais tem direção musical de Cacá Veloso e a banda é formada pelos músicos Wanderlan Scooby nos teclados e sanfona, Larry Mateus na bateria, Augusto César no contrabaixo e Marcelo Tavares nos violões. A produção é de Marcelo Veni e a captação e edição de imagens da equipe Nav.noAr.

Os dois festivais foram contemplados no EDITAL Nº 08/2020 – FJA – FOMENTO À CULTURA POTIGUAR, viabilizado através da Fundação José Augusto e Governo do RN através dos recursos da Lei Aldir Blanc do Governo Federal.

Para assistir ao Festival Memórias, clique AQUI.

Com o objetivo de estimular a leitura e a produção literária no Rio Grande do Norte, o Projeto Casa das Palavras lança, neste sábado, o Prêmio Antônio Francisco de Literatura de Cordel, que acontecerá no mês de junho.

O prêmio homenageia o mestre Antônio Francisco, nome reconhecido nacionalmente como um dos grandes poetas do Brasil. O tema desta primeira edição será “O sonho de cada um e quando todos sonham juntos!”

Dividido em três categorias – Ensino Fundamental II; Estudante do Ensino Médio e Universitário; e Livre -, o Prêmio distribuirá aos vencedores mais de R$ 12 mil em prêmios, sendo R$ 2.000 para o primeiro, R$ 1.200 para o segundo e R$ 800 para o terceiro colocado de cada categoria.

O lançamento ocorrerá na 5ª edição da Jornada Potiguar de Leitura e Educação, que acontece neste sábado, de forma virtual.

As inscrições do Prêmio Antônio Francisco de Literatura de Cordel serão abertas na primeira quinzena de maio pela página da Casa das Palavras no Facebook, onde será divulgado também todo o cronograma e o regulamento.

Sobre Antônio Francisco

Poeta e Cordelista da cidade de Mossoró. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o poeta cearense Patativa do Assaré.

Em dezembro de 2018 recebeu a Comenda de Incentivo à Cultura Luís da Câmara Cascudo , reconhecimento do Senado Federal a personalidades e instituições que tenham uma contribuição relevante ao registro da cultura e do folclore no Brasil.


FOTO: Júlia Dolce

O “Caderno de Anotações Breves e Memórias Tardias” reúne 60 poemas inéditos do autor currais-novense Theo G. Alves, que publicou o livro de contos “Por que não enterramos o cão?” (Editora Patuá) e o volume de crônicas “A cartomante que adivinha o presente” (edição do autor) em menos de um ano.

O novo livro é dividido em três partes: “memórias tardias”, “anotações breves” e “dedicatórias”. Nele, trabalha cuidadosamente sua palavra para elaborar temas que vão da própria poesia até os dilemas vividos em tempos de confinamento, como o universo urbano e a dificuldade de lidar com os sentimentos de inadequação a este período. “Dedicatórias” traz ainda poemas oferecidos a algumas das influências do autor.

Livro para além do infinito

Nas palavras da poeta Fany Aktinol, que apresenta o livro, “(Theo) nos confidencia o que vai em seu íntimo, através da palavra bem burilada, despertando no leitor a sensação de que, para ele, igualmente confidenciaríamos nossos anseios, algo raro, comovente num livro de poemas”. A escritora e roteirista Michelle Ferret diz que a poesia do autor “faz a vida expandir e ultrapassar o infinito”.

Para o autor, esse é seu mais conciso livro de poesia. “É um trabalho que consegue harmonizar o poema para ser lido em voz alta, pronunciado, com a disposição geográfica do verso, que tanto admiro. O livro tem ainda uma estrutura sólida que sustenta o espírito do texto.”

Além disso, a atualidade dos poemas e sua disposição a reverenciar outros artistas, como são os casos do poeta currais-novense José Bezerra Gomes e a fotógrafa americana Vivian Maier, mostram um escritor que reconhece e apresenta sua relação com o mundo real e da arte.

O livro é um projeto editorial da Sol Negro Edições premiado pela Lei Aldir Blanc através da Fundação José Augusto, do Governo do Estado e Governo Federal. Bem cuidada e trabalhada, a edição faz jus à obra, que reafirma o lugar de Theo G. Alves entre as vozes contemporâneas mais significativas da poesia norte-rio-grandense.

Sobre Theo G. Alves

Theo G. Alves nasceu em dezembro de 1980, em Natal, mas cresceu em Currais Novos e mora em Santa Cruz, no Rio Grande do Norte. Foi premiado em concursos nacionais e locais tanto por sua prosa quanto pela poesia.

Antes de “Caderno de Anotações Breves e Memórias Tardias”, publicou os livros “Pequeno Manual Prático de Coisas Inúteis”, “A Máquina de Avessar os Dias” e “Doce Azedo Amaro”, todos de poesia; “Por que Não Enterramos O Cão?”, de contos; e “A Cartomante que Adivinha O Presente”, de crônicas”.

Theo também é fotógrafo e continua escrevendo, entre silêncio e barulho, por acreditar na palavra como um caminho possível e necessário.

Contatos:

Facebook: /theo.alves.71

Instagram: @theoalvesphoto

E-mail: theogalvescomercial@gmail.com

Telefone/Whatsapp: 84 99892-7822

Sobre a Sol Negro Edições

A Sol Negro Edições é uma editora sediada em Natal-RN, que edita majoritariamente livros artesanais em pequenas tiragens.

Numa época em que a Grande Ilusão Conceitual dos meios de comunicação e o simulacro da imagem espetacular acreditam pautar toda a vida social e mesmo os desvãos do pensamento mais íntimo, a Sol Negro surge do mais puro sonho e força imaginária a favor do desejo: editar livros com qualidade literária e gráfica, de maneira acessível e independente, abordando assuntos, autores e visões que estejam à margem dos interesses representados pelas grandes editoras e conglomerados de informação. Arte paga com arte.

Onde comprar:

Vendas online pelo site http://solnegroeditora.blogspot.com

E-mail: edsolnegro@hotmail.com

Saudações, lupulistas!

O padrão médio das cervejas de massa que todos conhecemos são as famosas “Pilsen à brasileira”, aquela cerveja cor de palha, bem clarinha, sem muito aroma, sem muito amargor e facílima de beber, ou seja, com aquela drinkability que facilita beber litros e mais litros sem “empapuçar” ou enjoar. O padrão revelado é algo que serve como média para se saber como estamos em termos de consumo cervejeiro.

Existem dois fatores que servem como filtro para se avançar (ou não) na cultura cervejeira artesanal: o amargor e o teor alcoólico das cervejas. Os dois elementos mencionados servem como termômetro para definir como o “gosto” das cervejas artesanais pode acabar sendo assimilado pelos consumidores, e, certamente, eles acabam definindo se é apenas uma paixão de carnaval ou um amor verdadeiro pelas cervejas artesanais.

Não que todas as cervejas artesanais sejam, necessariamente, amargas ou alcoólicas, ou que tenham pelo menos um desses elementos em destaque. Não, é possível que a cerveja artesanal não seja nem uma coisa nem outra, ou que seja apenas uma delas, amarga ou mais alcoólica.

Todavia, os parâmetros de entrada (ou de barreira, por assim dizer) são o amargor e o teor alcoólico (ou graduação alcoólica), ainda que uma análise sensorial mais completa leve em conta outros elementos, como acidez, corpo (densidade), dulçor, carbonatação e algumas outras nuances, secundárias para a proposição em relevo.

Assim, o texto de hoje terá como enfoque estes dois pontos: como o amargor e o teor alcoólico são elementos circunstanciais para que o consumidor padrão adentre no mercado cervejeiro artesanal.

O amargor como barreira inicial do mundo das cervejas artesanais

Uma das cervejas de massa mais apreciadas pelo consumidor médio é a Heineken. Todavia, se comparada com suas demais congêneres “não-premium”, ou de uma categoria levemente abaixo do seu “padrão de excelência”, um dos principais pontos a serem destacados pelos neófitos é: “a Heineken é amarga.

Certamente, a assertiva acima destacada não é absolutamente verdadeira, e até em uma análise relativa, sua veracidade é carente (ou passível) de dúvidas.

Uma cerveja de massa, como uma Devassa, uma Skol ou até uma Stella Artois, possui um teor de amargor (IBU, do inglês International Bitterness Unit, ou Unidade Internacional de Amargor) que varia entre 5 e 15, digamos que a média seja 10. Já a Heineken, possui 19 de IBU, quase o dobro de uma cerveja de massa mais usual, no entanto, ainda bem longe de uma Pilsen “de verdade”, alemã ou tcheca, que tem seu IBU acima de 25, chegando até 45 naquelas em que o lúpulo Saaz é colocado de maneira mais acintosa.

Os números trazidos têm o escopo de mostrar que a Heineken não pode ser considerada “amarga”, ainda que possua um teor de amargor superior às demais cervejas do estilo Lager que são mais populares.

Ademais, quando se coloca um espectro de análise mais ampliado, dentro do padrão das cervejas artesanais de mesma fermentação (Lager), aí sim, a Heineken não pode ser considerada, de forma alguma, amarga.

Não que isso seja uma forma de desmerecer a cerveja em apreço, pelo contrário, apenas serve como um indicativo que o consumidor, em geral, não lida com teores de amargor mais elevados e costuma julgar que a Heineken seja amarga (mesmo que ela, de fato, não seja).

O indicativo denota que o amargor é um fator limitante para o ingresso no universo das cervejas artesanais, isso porque quando se debate, em termos mais leigos e amplos, quais as boas cervejas do mercado (de massa), é costume que alguém diga: “a Heineken é boa”, e alguém retruque “mas é muito amarga”.

Assim, avançar para outros estilos que possuem uma dominância do amargor mais proeminente, como, por exemplo, as India Pale Ale’s (IPA’s), demanda-se um costume do paladar (ao amargor) ainda maior. Isso porque não é raro que as IPA’s possuam um IBU acima de 50, e naquelas mais lupuladas, as denominadas de Double IPA ou Imperial IPA, o amargor pode ultrapassar o limite dos 100 IBU (que seria o máximo que o palato humano é capaz de alcançar).

Por mais que haja uma procura crescente por IPA’s, em seus mais variados estilos, seu amargor, que é a sua característica mais elementar, sempre aparece como filtro de barreira para que o estilo possa ser desbravado por aqueles que estão lentamente migrando do mercado de massa para o universo das cervejas artesanais.

Claro que não há nenhuma regra fixa e estatuída como se fosse lei, a qual dispõe que não se pode fazer essa transição diretamente para as cervejas mais amargas e lupuladas, como se não fosse possível sair de uma Skol ou uma Heineken para uma Diabo do Amargor da cervejaria Roleta Russa, que o próprio nome já alude à potência dos seus 120 IBU ou para uma 1000 IBU da cervejaria Invicta, outra que já estampa em sua nomenclatura qual é a sua vertente cervejeira (sim, de fato ela possui 1000 IBU, mas ninguém jamais terá como comprovar isso, humanamente, pelo próprio paladar).

Todavia, uma transição brusca como essa é pouco provável, seria como, musicalmente, fazer a transição do Pagode para o Black Metal, ou regredir do Fusion Jazz para o Funk Carioca.

O amargor acaba sendo um elemento buscado por aqueles que se apaixonam pelas cervejas mais lupuladas (as IPA’s), tanto que acabam recebendo o carinhoso apelido de HopHeads (lupulomaníacos ou lupulistas, em uma tradução mambembe do termo cervejeiro). Assim, pode-se perceber que, à primeira vista, o amargor pode ser um elemento limitante para que se aventure no mundo das cervejas artesanais, no entanto, em um momento posterior, ele pode se converter naquilo que fideliza o apreciador de maneira mais duradoura, levando-o sempre a desbravar novos horizontes da cultura cervejeira.

Cervejas mais alcoólicas e sua maior complexidade

O costume de se beber as “Pilsen à brasileira”, como eu denominei a vasta quantidade de Standard American Lager (SAL) tão comuns no mercado de massa, advém justamente de sua alta drinkability. Isto é, da tremenda facilidade de se beber litros e mais litros de uma cerveja barata, acessível, sem sabor ou aromas marcantes, e que facilmente harmoniza com eventos cotidianos, como churrascos, feijoadas e demais circunstâncias de aglomeração da vida coletiva em comum.

Claro que existem estilos artesanais que possuem uma alta drinkability e também são afeitos a tais eventos corriqueiros, como as cervejas do estilo sour e as do estilo cream ale. Em ambos os casos temos uma alta drinkability, algo bem semelhante as cervejas massificadas do mercado.

IMAGEM: www.manualdohomemmoderno.com.br

Todavia, o que a alta drinkability, que se expressa na cerveja de massa, para além do seu aroma e do seu sabor, principalmente em seu teor alcoólico, denota é que as “Pilsen à brasileira” são afeitas à pouca ou nenhuma complexidade. Claro que é possível encontrar cervejas artesanais que acabam caprichando no teor alcoólico mas, que por desequilíbrio, findam por não entregar um conjunto tão complexo assim. Contudo, é factível se apontar que, normalmente, cervejas com maior teor alcoólico costumam trazer uma maior complexidade inerente, um corpo mais robusto e também um maior dulçor.

As cervejas de massa mais leves e com maior drinkability costumam possuir um teor alcoólico em torno dos 4,2% – 5,3 %, porcentagem essa que também pode ser expressa em GL (ou Grau Lussac), ou ABV (Alcohol By Volume – álcool por volume).

Ou seja, dentro de um panorama mais amplo de bebidas alcoólicas, excetuando-se o mercado das cervejas sem-álcool (ao que o próprio nome já alude), as cervejas de massa são aquilo que há de mais acessível em termos de percepção alcoólica, já que outros fermentados, como o vinho, costumam ter mais de 12% de teor alcoólico, e os destilados possuem níveis de álcool bem superiores, ultrapassando facilmente os 30% de teor alcoólico (algo que algumas poucas cervejas, de estilos bem específicos, conseguem atingir também, mas é algo raríssimo e pouco representativo).

Os teores referidos implicam que as cervejas de massa são um atrativo mais acessível para quem quer ter um maior controle sobre o próprio consumo, para não se embebedar (tão) facilmente, bem como acabam sendo uma alternativa para aqueles que definitivamente não gostam da sensação que o álcool causa no sabor, aquela sensação de queimação. Assim, cervejas artesanais com teores alcoólicos mais elevados acabam sofrendo a mesma interdição que o amargor é capaz de gerar, sendo uma barreira para aqueles que tentam inicialmente adentrar nesse mundo.

Todavia, a percepção alcoólica não é o mesmo que teor alcoólico, tal percepção varia em função de uma miríade de fatores organolépticos e de técnicas de produção da cerveja que está sendo consumida. Assim, é possível que uma cerveja com 10% de teor alcoólico, por causa do seu corpo mais alto, de seu dulçor mais denotado, possua uma percepção alcoólica menor que uma cerveja de 8,5% de teor alcoólico, mas que possua menos corpo e uma lupulagem mais tímida, ou um perfil menos maltado. Outrossim, não se pode confundir a percepção do álcool com a mera aferição técnica de sua presença.

De toda maneira, não há de se furtar ao entendimento que o teor alcoólico acaba sendo um elemento limitador do desbravamento do mundo artesanal, maior até que o amargor, na maioria dos casos, isso porque o amargor por si só tende a indicar menos complexidade do que apenas o teor alcoólico (ainda que ele também não deva ser um critério isolado de análise de complexidade). Assim, quando se combinam os dois elementos, amargor e teor alcoólico, podemos ver que eles podem inibir alguns iniciantes a degustar mais cervejas artesanais.

Saideira

Derradeiramente, o amargor e uma maior graduação alcoólica não são elementos presentes nas cervejas de massa, por isso que acabam sendo barreiras ou filtros para quem se aventura no mundo das cervejas artesanais.

No início, de fato, acaba sendo um pouco difícil se acostumar a degustar cervejas com esses teores mais elevados, em virtude de anos bebendo apenas cervejas mais simples.

Todavia, o recado que fica é que vale a pena se aventurar e desbravar o mundo das artesanais, aprendendo a apreciar cervejas mais amargas e/ou mais alcoólicas.

Música para degustação

Como a maioria dos leitores deve se enquadrar na mesma faixa etária que eu, deixo como recomendação cervejeira uma música ícone de nossa juventude nos anos 90, e que faz breve menção ao caráter “amargo da vida”, a música Bitter Sweet Symphony, da banda de brit-pop/rock britânica The Verve.

A música é icônica pelo seu sample orquestral da música The Last Time, dos Rolling Stones, e também por ter tocado repetidamente na MTV na época do lançamento do seu videoclipe.

Fiquemos com o lema da cervejaria Seasons: “De doce, já basta a vida”!

Saúde!


FOTO: postada em www.ocaneco.com.br

Espalhar mensagens espirituais, de justiça, igualdade social, felicidade e paz. Esse é o propósito do novo EP do potiguar Bob Marlon, intitulado “Todos precisam de amor”.

O jovem artista, de 22 anos, é um dos grandes nomes locais do reggae, que vem conquistando projeção no cenário nacional por suas letras inspiradoras, qualidade musical, talento e carisma.

O novo trabalho do cantor, possui seis músicas inéditas, seis versões DUB e já está disponível no Spotify.

O EP é um passeio por levadas eletrônicas, Trap, Ragga, elementos brasileiros, Funk e claro o bom e velho reggae jamaicano, que se encontra com a voz melódica e potente de Marlon, resultando em um trabalho que o produtor Wagner Bagão denomina de “Eletrodub brasileiro”.

Nas letras, exaltação às belezas de sua cidade Natal, momentos românticos e composições que abordam a resistência e a fé.

Para o cantor e compositor Bob Marlon, o seu novo trabalho retrata o que ele acredita ser a verdadeira mensagem do reggae. “Quando compus ‘Todos precisam do amor’, pensei muito sobre o mundo que perdeu o sentimento e só valoriza coisas banais. Acredito que o amor faz renascer e transforma qualquer um que busque amar a sua vida, se colocando longe de discórdias e buscando evoluir mental, física e espiritualmente”, registrou o artista.

Bob Marlon

Bob Marlon conheceu e se apaixonou pelo reggae ainda criança, com apenas quatro anos de idade, ao se deparar com o videoclipe da música Three Little Birds, de Bob Marley, interpretado por Gilberto Gil. Foi um momento marcante na vida do garoto, que se encantou com o reggae e sua mensagem de paz.

Daí em diante, passou a pesquisar sobre Marley, aprender sobre suas músicas, seu estilo de vida e até fazer covers do ídolo. No início de sua carreira, em Natal, Marlon se tornou famoso por interpretar com maestria o pai do reggae.

A relação de amor pelo cantor lhe rendeu o nome artístico pelo qual é conhecido até hoje. Marlon Onassis se tornou Bob Marlon. E apesar da referência, está sempre a procura de inovação e em busca de sua identidade no cenário musical, se adaptando às novas tendências.

Reflexo de seu trabalho reconhecido, são as participações especiais ao lado de bandas de grande relevância do cenário, como é o caso de Mato Seco, Ponto de Equilíbrio, Planta e Raíz, Vibrações, Tribo de Jah, Jah Live, Rastafelling. Bruno da Freedom Sounds.

Bob Marlon e Wagner Baão

A parceria com o renomado produtor Wagner Bagão começou em Natal, quando se conheceram em uma viagem em que Bagão acompanhava Solano Jacob, em Natal. Logo depois, Marlon foi a São Paulo, onde gravou duas músicas no estúdio N Goma. Em seguida, se encontraram novamente na cidade do Sol, onde Bagão participou de um show de Fauzy, do Tribo de Jah, e o EP foi concluído.

“Foi muito bom aprender um pouco dessa nova vertente e trabalhar junto com Bagão, que é um grande produtor musical”, comentou Bob.

Apontado hoje como um dos prodígios da nova geração do Reggae Brasileiro, Bob Marlon compôs e musicou todas as faixas de “Todos precisam de amor”, que conta também com a participação do veterano Solano Jacob, na faixa “Prioridades”. Além do próprio Wagner Bagão, na finalização de todas as faixas.

A produção do EP contou com o apoio da Prefeitura do Natal, por meio da Fundação José Augusto e Lei Aldir Blanc.

Paulo Gustavo não foi o primeiro e certamente não será o último artista de renome a morrer vítima da Covid no Brasil. Faz apenas um mês o cantor Agnaldo Timóteo sucumbiu à mesma desgraça.

Mas a comoção nacional de ambos foi diferente, bem diferente. Embora tantos registros de lamentos pela morte dos dois nas redes sociais, o teor denotava momentos já distintos da vida nacional.

Não foram poucos os depoimentos de gente que disse ter chorado pela morte de Paulo Gustavo. E aqui permitam-me: não foi pela figura notável, extremamente carismática e talentosa do artista.

O brasileiro chorou pelo Brasil. Paulo Gustavo morreu hoje junto com o brasileiro. Sucumbiu à luta contra a pandemia, deixou morrer o riso, a esperança, a resistência contra a tristeza e a morte.

Paulo Gustavo vinha sendo a cara do Brasil. Não na cor, mas na dor, na persistência, na batalha contra o vírus, na crença de que, mais cedo ou mais tarde, o terror passaria e tudo ficaria bem.

Morreu o artista, morreu o povo cansado das manchetes dos noticiários de março de 2020, das mortes do conhecido do primo segundo, das mortes de um amigo próximo, do colega de trabalho, do parente. Das mortes que hoje rondam ao lado.

Morreu junto com Paulo Gustavo o país das 400 mil mortes. Da falta de unidade política. Do país sem máscara, “desmascarado” pelo mundo. Do país das fakes e das verdades que ninguém mais aguenta ouvir.

Para o dia 12 de maio, Festival traz Khrystal, Dani Cruz, João Salinas, Ricardo Baya, Sérgio Groove, Jubileu Filho e Darlan Marley

O projeto Som sem Plugs – SSP estreia nesta quarta (5) a primeira edição do seu Festival viabilizado pela Lei Aldir Blanc e com transmissão online pelo canal do SSP no YouTube, às 20h. No total serão quatro shows inéditos, sendo dois no dia 5 de maio e dois no dia 12 de maio.

Na exibição desta quarta, tem Debinha Ramos, Liz Rosa & Eduardo Taufic no show “Na Intimidade do Samba” – uma homenagem ao samba e, Sueldo Soaress, Sâmela Ramos & Ozi Cavalcante que ainda convidam o baixista Sérgio Groove, o cajonista e baterista Judson Philipe e o guitarrista Jubileu Filho.

Acesse agora mesmo o canal do SSP no Youtube, se inscreva e ative as notificações.

Já no dia 12 de maio, mais dois encontros inéditos. O primeiro é formado por Dani Cruz, João Salinas & Ricardo Baya que apresentam o show “Paisagens Musicais” baseado nos olhares em torno da natureza, suas relações com o mar e com o amor. Os três bebem de uma fonte comum que é a Música Popular Brasileira, no entanto, cada um deles firma, a seu modo, traços de estilos como o jazz, raízes rítmicas africanas e melodias da bossa nova.

Estarão com o trio, o contrabaixista Daniel Ribeiro e o baterista Rogério Pitomba, incluindo mais swing e força nas canções do repertório.

Música potiguar

E, para encerrar o Festival, aceitaram o desafio e prepararam uma apresentação, Khrystal, Sérgio Groove, Jubileu Filho & Darlan Marley. O show vai reverenciar o cancioneiro potiguar do antes e do agora, com referências à Galvão Filho, Babal, Pedro Mendes e Ivanildo Sax de Ouro, que junto de Jacob do Bandolim, saúda o choro na terra de K-Ximbinho e Ademilde Fonseca.

O trio harmoniza o roteiro às composições recentes como “Resignado” de Khrystal e Jubileu Filho e “Romã”, “Todo Pensamento” e “A vida é boa”, parcerias entre Khrystal e Sérgio Groove.

Esse show vai contar ainda com uma homenagem à inesquecível Glorinha Oliveira, grande dama do canto potiguar que partiu recentemente. O tema escolhido para homenageá-la é o “Cidade Amor”, parceria de Glorinha com Fernando Luiz.

Festival Som sem Plugs

O Festival Som sem Plugs é todo produzido e conduzido por profissionais que são referência do audiovisual no estado e que entregarão a todos, uma imersão profunda na musicalidade e na essência de cada artista convidado.

O evento é realizado pela Betapro Foto & Vídeo com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte. Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Conta ainda com os apoios do Senac/RN e Hotel Barreira Roxa, Grupo Dunas, Massa Finna, Arte Musical, O Padeiro, Studio Arena, Letah e InterTV.

As gravações foram realizadas no Hotel Barreira Roxa em Natal e seguiram todos os protocolos de saúde e segurança do Estado no combate a Covid-19. Equipe e artistas passaram pelo teste e demais cuidados que puderam garantir a integridade dos participantes.

Com anos de existência e a atuação no RN, o Som sem Plugs está presente nas plataformas digitais ao alcance de todos. Acompanhe as novidades e participe junto com o projeto. Siga, curta e compartilhe com o mundo, o melhor da arte e da musicalidade potiguar!

Site – www.somsemplugs.com.br / YouTube www.youtube.com/somsemplugs e redes sociais @somsemplugs

por Giancarlo Vieira

Paul McCartney entrou na década de 80 de forma estranhamente similar ao começo dos anos 70.

Depois de uma série de mudanças de formação, sua banda Wings, encerrava as atividades e ele amargava a terrível realidade do desaparecimento trágico de John Lennon.

Mesmo que não tivesse nada para provar em termos de talento e genialidade, o Beatle flertou com o pop sintético e insípido das paradas de sucesso enquanto se distanciava deliberadamente de seu passado de glórias.

Embora tenha continuado sua rotina inabalável de compositor, seus discos seguiam um irregular ecletismo comercial que testava a paciência até de seus fãs mais fiéis.

Nesse contexto, ele alternou bons momentos como o convincente “Tug Of War” de 1981, fez parceria com o mega astro Michael Jackson em “Pipes Of Peace” de 1983, reciclou hits em “Give My Regards To Broad Street” de 1984, até fracassar com o pastiche de new wave em “Press To Play” de 1986, disco esnobado por crítica e público.

Um pequeno alento veio com o mais inspirado “Flowers In The Dirt” de 1989, que trazia a bela “This One” e a ótima parceria com Elvis Costelo na beatlesca “My Brave Face”. No divertido vídeo da canção, guitarras rickenbackers de 12 cordas emolduravam a melodia ao mesmo tempo em que ele empunhava o icônico Hofner Violin Bass, sua marca registrada nos sixties.

Retomando a paixão por apresentações ao vivo, McCartney chegaria aos anos 90, fazendo as pazes com os palcos e com seu passado Beatle. O álbum de 1993, “Off The Ground”, repetiu a fórmula, mas não trouxe canções tão boas quanto o anterior.

Em 1995, ele finalmente se reuniu com seus velhos companheiros George e Ringo e com o produtor Jeff Lynne para o projeto “The Beatles Anthology”, um monumental documentário de mais de 10 horas cobrindo a trajetória da banda e que incluía lançamentos de raridades, entre livros, discos e montanhas de memorabilia que alimentaram o merchandising de fim de milênio para os FabFour.

O ponto alto da reunião foi a gravação de canções trabalhadas com a voz de Lennon tirada de antigos tapes e mixada em cima do emocionante instrumental e vocal dos “Threatles”, como a imprensa passou a denominar o trio sobrevivente. Mas o resultado das gravações de “Free As A Bird” e “Real Love” foi massacrado por parte da crítica que considerou a produção muito aquém do clássico cancioneiro Beatle.

O projeto, no entanto, fez McCartney contemplar e reverenciar sua própria carreira e começar a compor um novo bloco de canções absolutamente sublimes.

O resultado desse renascimento seria a gestação de “Flaming Pie“.
O processo de composição do novo álbum foi marcado por um período doloroso para Paul. Sua mulher, Linda McCartney, tinha sido diagnosticada com câncer de mama, alguns anos antes e a doença retornou com força devastadora. Como em vários momentos do passado, ele amparou a família enquanto buscava terapia no trabalho.

Ao convocar Jeff Lynne para as sessões, McCartney reforçou a ideia de uma sonoridade sixtie e buscava a simplicidade de produção que o líder da Electric Light Orchestra imprimiu em “Cloud Nine”, o disco que marcou a volta de George Harrison ao sucesso em 1987.

O produtor, no entanto, não trabalhou como um definidor do som do álbum, se limitando a aparar arestas desnecessárias das canções e atuando como convidado de luxo.

A rigor, as gravações começaram em 1995 e foram concluídas no início de 1997. Além de Lynne, McCartney também convidaria Ringo Starr para a bateria, o velho amigo Steve Miller para a guitarra e o lendário George Martin para a montagem dos arranjos orquestrais. Mas a maior parte dos instrumentos do álbum ficaria a cargo dele mesmo.

Gravado num mundo pós Grunge e dominado pela midiática disputa britpop entre Oasis e Blur, o homem de Liverpool não buscou concorrer com seus jovens, talentosos e arrogantes recicladores. De olho no que acontecia musicalmente, ele apenas seguiu seus instintos e confeccionou uma verdadeira aula musical.

O resultado era simplesmente inacreditável: uma reunião de canções maravilhosas, letras inspiradas, belas melodias e energia de sobra para uma performance vocal e instrumental poucas vezes conseguida pelo próprio McCartney em carreira solo.

A sonoridade do álbum é um verdadeiro caleidoscópio de tudo que fez dele um dos maiores compositores do século XX.

Temos no álbum, folk singelo como “Great Day” e “Calico Skyes”, Blues urbano e rocks estradeiros em “Used To Be Bad”, “Flaming Pie” e “If You Wanna”. Lindas baladas como “Somedays”, “Little Willow” e “Souvenir”. Power Pop delicado em “The World Tonight” e “Young Boy”, até as vibrantes Beatle Songs “The Song We Were Singing” e “Beautiful Night”.

A crítica saudou o trabalho como um brilhante retorno ao inspirado compositor do passado. Não à toa, muitos o compararam ao memorável “Band On The Run” de 1973. E o sucesso comercial aconteceu, com o álbum entrando no Top Ten de diversos países e chegando a um heróico segundo lugar na Inglaterra e nos EUA.

No ano seguinte, Paul amargaria a perda de sua esposa, Linda, e a maior parte dessas canções, infelizmente, não entraria no set list de suas futuras turnês. Mesmo assim, o disco adquiriu status de obra prima e permanece como seu trabalho mais aclamado dos anos 90.

Muitos tiveram razão em afirmar que “Flaming Pie” representava mais um renascimento artístico e comercial para o incansável Paul. Gravado em meio à muitas adversidades, a obra flagra um homem determinado a escrever mais um belo capítulo de sua lendária história musical.

Adjetivos não faltam para o resultado do esforço do mestre. Brilhante, melódico, influente e atemporal, “Flaming Pie” é discoteca básica na seleção de clássicos para a ilha deserta.

FLAMING PIE – Faixa a faixa

1. THE SONG WE WERE SINGING (McCartney)

Clima nostálgico com lindo dedilhado de violão em letra que relembra o clima das “soluções cósmicas” da Era de Aquário. McCartney com vocal suave explodindo para um refrão tão pop quanto desconcertante.

2. THE WORLD TONIGHT (McCartney)

Riff maravilhoso de guitarra cristalina. Um Paul em registro vocal grave faz dueto com ele mesmo uma oitava acima. A canção traz um leve aceno a George Harrison com sutis arranjos de slide guitar conduzidos pela impecável sonoridade do baixo Hofner. Uma produção perfeita com Lynne e Paul em estado de graça. Segundo single extraído do álbum.

3. IF YOU WANNA (McCartney)

Mais guitarras arrasadoras de Paul e Steve Miller num dos melhores rocks dos anos 90. Segundo o encarte do álbum, uma “canção driving across America”. Velocidade e entusiasmo conduzida pela excelente bateria tocada pelo próprio McCartney. Soa como um recado aos ídolos jovens: “Hey, britpop de moptops… eu ainda estou aqui”.

4. SOMEDAYS (McCartney)

Conduzida por um violão comovente e arranjo maestral de harpa, cravo, oboé e cordas, este é, sem dúvida, um dos mais subestimados clássicos de McCartney em todos os tempos. Letra de emocionante declaração de amor:”Sometimes I Look Into Your Soul”.

5. YOUNG BOY (McCartney)

Levada impressionante de violões de Paul com um solo de guitarra antológico de Steve Miller. Uma canção de melodia maravilhosa com influências “Procol Harum” no final lento, com órgão Hammond nostálgico. Primeiro single extraído do álbum.

6. CALICO SKIES (McCartney)

Balada folk com introdução reunindo elementos de “I’m Looking Through You” e “Blackbird”. Paul, trêmulo de emoção, em outro momento passional: “I Will love you for the rest of my life”. Produção do lendário George Martin.

7. FLAMING PIE (McCartney)

Bluesy Rock com ecos de “Come And Get It”, o hit que o Beatle fez para o Badfinger em 1970. Mcartney e Lynne tocam todos os instrumentos mais uma vez. A letra marota brinca com a hilariante história criada por Lennon nos primórdios dos Beatles, de um homem surgindo do interior de uma “torta flamejante” e sugerindo o nome da banda: “vocês serão beetles com “A”.

8. HEAVEN ON A SUNDAY (McCartney)

Um pouco de Bossa Nova e latinidade em uma ensolarada canção. Belo solo de violão dialogando com a aguda guitarra de seu filho James. Linda McCartney completa a reunião familiar acrescentando backing vocals.

9. USED TO BE BAD (McCartney-Miller)

Blues básico com dueto vocal em clima de jam com Steve Miller. Um momento divertido, despretensioso e menos inspirado do trabalho.

10. SOUVENIR (McCartney)

Comovente rhythm’n’blues de progressão fascinante de acordes em sonoridade soberba. Naipe sutil de metais pontua o lindo arranjo de guitarras. O chiado de acetato de 78rpm no final da faixa deixa tudo mais saboroso e nostálgico.

11. LITTLE WILLOW (McCartney)

Arrepiante canção sobre a perda de uma amiga querida do clã McCartney. Violão sensacional e vocalizações celestiais marcam mais uma obra prima. Segundo alguns biógrafos, a canção foi escrita como tributo à Maureen Starkey, primeira esposa de Ringo, vitimada por um câncer em 1995.

12. REALLY LOVE YOU (McCartney-Starkey)

Jam session funky improvisada com Ringo Starr dividindo autoria e vocais. Um mimo de McCartney ao Beatle drummer com uma canção que pouco acrescenta à grandeza do projeto.

13. BEAUTIFUL NIGHT (McCartney)

Batida poderosa de Ringo numa canção verdadeiramente sublime. O Paul antológico baladeiro de piano Songs está de volta. Linda McCartney faz harmonias vocais neste que é provavelmente seu último registro em discos do marido. A orquestração de George Martin é espetacular e nem a inesperada mudança de andamento no final festivo, muda o tom confessional arrepiante da canção. Terceiro single extraído do álbum.

14. GREAT DAY (McCartney)

A canção mais antiga da leva (1992) é uma clássica balada acústica, sobre esperança em dias melhores. a canção se agiganta a cada nova audição. Um final bonito para uma obra inesquecível do gênio das belas melodias.

Músicos em Flaming Pie:

Paul McCartney: vocais e backing vocals, piano, guitarra, baixo, violão, órgão, teclados e bateria.
Jeff Lynne: guitarras, violões, teclados, backing vocals.
Ringo Starr: bateria e vocais.
Steve Miller: vocais e guitarra.
James McCartney: guitarra.
Linda McCartney: backing vocals.

Lançamento : 5 de Maio de 1997.
Relançado em 2020 em vários formatos, incluindo um luxuoso box set de vinis e cds remasterizados em Abbey Road.

Produzido por Paul McCartney-Jeff Lynne-George Martin.

Engenheiros: Geoff Emmerick, John Jakobs e Keith Smith.

(Para Karlo Schneider, in memorian).


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Novos equipamentos e ações na área de formação. A Banda Sinfônica da Cidade do Natal vai receber nos próximos dias os recursos de emenda parlamentar do deputado federal General Girão. O recurso permitirá desde a compra de instrumentos a ações estruturantes.

O parlamentar esteve na Secretaria de Cultura de Natal (Secult-Funcarte) ao lado da vereadora Nina Souza e informou a oficialização da emenda ao secretário de Cultura, Dácio Galvão.

“Viemos aqui para conhecer a demanda da Banda Sinfônica da Cidade do Natal e em função do nosso mandato estamos destinando emenda no valor de R$ 200 mil para apoiar a Banda com a compra de instrumentos, formação e também de apresentação. Esse é nosso compromisso de apoiar a cultura do Estado e da capital”, comentou o parlamentar.

“Nos gratifica a sensibilidade do deputado Girão e sua atenção com a Banda Sinfônica. Trata-se de uma demanda histórica e esse gesto rápido e determinante vem preencher essa lacuna para a cultura do RN. A Banda Sinfônica é um equipamento formador de cidadania e atuante na economia criativa”, disse o secretário de Cultura de Natal, Dácio Galvão.

Durante o encontro, Girão assumiu o compromisso de trazer o Secretário Nacional de Cultura, Mário Frias, para conhecer as ações culturais da Prefeitura de Natal, promovidas por meio da Secretaria de Cultura de Natal. A reunião contou com a presença da vereadora Nina Souza e do representante da Banda Sinfônica de Natal, Luiz Dantas.

A Cultura de Natal tem recebido diversas emendas parlamentares e que serão executadas através da Secult-Funcarte. “As emendas parlamentares são ações que democratizam o acesso à política cultural e aquecem setores da economia criativa”, avalia Dácio Galvão.

Somente em 2021, a Cultura de Natal recebeu emendas dos vereadores Luciano Nascimento, Geovane Peixoto e Eribaldo e a mais recente, da vereadora Brisa Bracchi, também com o valor de R$ 200 mil.

O historiador potiguar Pedro Câmara foi pioneiro no Brasil em abordar um tema delicado: a história da Igreja Católica Palmariana, uma espécie de seita dissidente da tradicional Igreja Católica Apostólica Romana.

Com farta pesquisa e fontes de informações preciosas garimpadas em cidades espanholas como Barcelona e Sevilla, de membros e ex-membros da Igreja, Pedro alicerçou sua dissertação de mestrado que agora virou livro, intitulado O Vaticano do Deserto.

A pesquisa foi desenvolvida entre 2018 e 2020. “Parte das fontes, que integraram o clero dessa Igreja, e também ex-fiéis, são conhecidos na Espanha pela quantidade de polêmicas que se envolveram. Inclusive o canal Movistar fez uma série de TV sobre a Igreja no ano passado”, contou Pedro ao blog.

Para ler gratuitamente O Vaticano do Deserto, clique AQUI!

Na apresentação do livro, Pedro Câmara lembra que no Brasil, a Igreja Palmariana ainda é uma instituição religiosa pouco conhecida e pouco estudada pela academia, mesmo tendo possuído entre os anos 1980 e 2001, um considerável número de membros espalhados pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país.

Os palmarianos, apesar de se considerarem a verdadeira religião católica de todos os tempos, fabricaram sua própria versão do Cristianismo, enaltecendo profundamente a figura de Maria, elaborando uma nova missa que dura menos de cinco minutos e, acima de tudo, elegendo seus próprios Papas, que se comportam como imperadores do universo.

Igreja palmariana: religião perigosa?

O povoado de El Palmar de Troya, situado na Andaluzia, logo desperta curiosidade e interesse por causa da presença da Igreja Palmariana, que o transformou numa espécie de Avignon espanhol, de onde um Papa alternativo ao de Roma comanda seu Vaticano particular “escondido” em meio à desértica paisagem do interior sevilhano.

O movimento religioso de El Palmar de Troya é considerado uma seita perigosa e destrutiva por muitos de seus ex-seguidores e vários estudiosos, mesmo sendo uma organização religiosa com total autonomia e independência do ponto de vista jurídico e econômico, configurando-se como religião devidamente inscrita no Registro de Entidades Religiosas do Ministério de Justiça da Espanha, e que permanece em plena atividade desde sua fundação em 1978.

O Vaticano do Deserto

o-vaticano-do-desertoO livro aborda a ordem dos acontecimentos que deram origem à Igreja Palmariana: as narrativas das aparições palmarianas como pressupostos para a formação da Ordem em 1975, a construção do espaço sagrado no âmbito de sua extensão física: a Catedral Basílica de Nossa Mãe do Palmar Coroada, sede mundial da Igreja.

E ainda toda a cosmogonia palmariana, a partir da construção do espaço sagrado, encabeçada pelo Papa Gregório XVII. Toda a corte celestial. Deus, Maria, os anjos e santos, aparecem citados em passagens que os colocam como agentes de realidades fora da Terra, que não se correspondem somente aos Céus originalmente idealizados pelo pensamento católico, mas moradas físicas e espirituais em outros mundos, como nos casos dos Planetas de Maria e de Lúcifer.

E ainda outras análises, comparativos e contextualizações, a exemplo das figuras de Maria e José, que ganharam atributos especiais elevando-os a um patamar de superioridade em relação aos demais santos católicos e palmarianos.

O Mulherio Voz & Leitura debaterá, nesta sexta (7) às 19h, o mais recente livro da escritora Tereza Custódio. E mais do que o conteúdo literário de “O Baú de Filomena”, a temática sugere outras discussões, como o protagonismo feminino, a violência de gênero e a ancestralidade étnica.

A mediação do bate-papo sobre o livro – vencedor de concurso literário da Editora CJA – será da professora e poeta Carla Alves e a transmissão ao vivo será pelo canal de youtube de Micheline Medeiros.

A obra narra o retorno de Filomena Vieira às suas raízes na Fazenda Riacho Claro, no sertão nordestino. No casarão, o velho baú de couro, que pertenceu à sua avó portuguesa, desvela segredos sombrios e histórias de vivências de mulheres oprimidas e de vozes silenciadas nesse contexto familiar patriarcal.

As personagens, miscigenadas das etnias formadoras do povo brasileiro, levam o(a) leitor(a) a uma reflexão sobre relações sociais discriminatórias e nossa ancestralidade plural.

O Baú de Filomena

“O Baú de Filomena conta a história de três gerações de mulheres marcadas por questões que nos afligem até os dias atuais, dentre elas o patriarcalismo e a violência de gênero. A obra traz ao público uma narrativa densa e bem construída, urdida com os fios da memória”, comenta na orelha da obra, a cronista e revisora Andréia Braz.

E continua: “A saga da família Vieira tem início em Portugal, na década de 1920, numa época em que a voz da mulher era silenciada e seu papel era gerar filhos e servir à família. Depois de perder seus pais e de casar as irmãs mais novas, Maria da Conceição Vieira deixa as terras lusitanas para viver no Sertão Central do Ceará, passando a escrever um novo capítulo de sua história, que agora é lembrada por sua neta Filomena, através de cartas que revelam questões profundas de mulheres que protagonizam a obra.

“Mas a trama vai além disso, mergulha na tradição e nos faz refletir sobre temas inquietantes ligados à nossa ancestralidade, dentre eles a religiosidade de matriz africana, o sincretismo religioso, a influência da cultura indígena e o valor da terra”, completa Andréia.

Tereza Custódio

Tereza Custódio é cearense, mas mora em Natal desde 1976. Professora aposentada do IFRN. Em 2016, lançou seu primeiro livro, “O bálsamo”, pela editora Chiado/Portugal, romance premiado pela UBE/RJ e ganhador do Troféu Literatura – 2018 pela ZL Editora.

Em 2018, publicou os livros infantis bilíngue “A vida colorida de Vitória” e “Vitória vai à feira”. Publicou cordéis e recentemente foi aprovada em concurso nacional para compor a Coletânea sobre os 210 anos de Nísia Floresta.

Seu segundo romance “O baú de Filomena”, recebeu o 1º Lugar no I Edital de Premiação e Seleção de Obras Literárias/2019 na editora CJA Categoria Novela e 2º Lugar no Prêmio Maria Eugênia Montenegro de Romance, pela Fundação José Augusto/2020.

Tereza Custódio participou com poemas, crônicas e contos de algumas antologias nacionais e internacionais. É membro de entidades literárias e presidente da União Brasileira de Escritores (UBE/RN). Colabora com os blogs Substantivo Plural e Papo Cultura.

 

Semana passada a Funcarte anunciou a prorrogação do prazo para execução e prestação de contas dos projetos aprovados na Lei Aldir Blanc para 30 de junho. O blog questionou o porquê de não seguir o prazo da Lei Aldir Blanc RN, até 30 de setembro.

Em comunicado enviado com exclusividade ao Papo Cultura, o órgão afirma que entende as dificuldades de muitos proponentes na produção e execução dos projetos apresentados, levando em conta a necessidade de readequação das propostas que consequentemente puderam ser objeto de dificuldade para a entrega das prestações de contas.

“No primeiro momento, atendemos o apelo dos agentes culturais,  artistas, músicos e produtores e prorrogamos por duas vezes consecutivas, justificando o atendimento ao prazo que poderíamos analisar as prestações de contas dos proponentes, sem que prejudicasse a prestação de contas do ente com o Governo Federal”, diz o comunicado.

O Decreto n° 10.683 de 20 de Abril de 2020 – Publicado no Diário Oficial da União foi determinante para a prorrogação do prazo para os entes apresentarem suas prestações de contas junto a União, dentro do exercício 2021.

“Foi determinante para a tomada de decisões que teve caráter administrativo, considerando que os critérios de análise e aprovação das documentações apresentadas pelos proponentes podem apresentar ressalvas e/ou diligências”.

Para estes casos, é Importante frisar ainda, que os relatórios de execução apresentem justificativas dos projetos aprovados ou não. “Pois deveremos apresentar na prestação de contas junto ao Governo Federal o perfil/resultados de todos os projetos”.

Por fim, a Funcarte justifica que “o prazo de mais 60 dias é suficiente para que os proponentes, que ainda não executaram ou finalizaram seus projetos, os faça dentro desse período e assim, poderemos concluir todos os processos administrativos dos referidos eixos e espaços”.

A segunda edição da obra do poeta Anchieta Fernandes é uma iniciativa do Selo Literário Gajeiro Curió. O livro foi viabilizado por meio do edital da Lei Aldir Blanc (Lei Federal nº 14.017/2020).

A obra exemplar de poesia visual “Por uma Vanguarda Nordestina”, lançada em 1976, conta com nova edição. Um dos grandes mentores do Poema/Processo, Anchieta Fernandes, teve sua obra revisitada pelo poeta e sebista, Oreny Jr., e será destaque no cenário cultural do próximo fim de semana, em Natal.

Esta segunda edição foi revista e ampliada pelo Selo Gajeiro Curió. Para o editor Oreny Jr, responsável pela segunda edição do livro, é uma honra ter a circulação desta obra tão representativa na história literária potiguar e nacional.

“É de uma alegria ímpar, imensurável, de um garoto vindo da Zona Oeste da capital, bairro da Cidade da Esperança, estar participando diretamente do meio literário da vanguarda potiguar. Esta segunda edição é a continuidade na leitura do POEM’ARTE, o objeto/poema, a transfiguração, a simbiose do gráfico-visual no poema que encanta”, disse.

O lançamento acontecerá no próximo sábado (8), no Mercado Cultural de Petrópolis, das 10h às 14h. Em razão da pandemia da Covid-19, o evento respeitará as medidas de biossegurança, não permitindo aglomerações e cumprindo o distanciamento social. Os exemplares estarão à venda no local.

Poesia de vanguarda

Durante a segunda metade do século XX, a região Nordeste, neste caso específico, no Rio Grande do Norte, o escritor Anchieta Fernandes foi um dos grandes precursores da poesia de vanguarda.

Inovar as formas poéticas trouxe aos solos potiguares, um brilhantismo em cada letra escolhida e muito bem apresentada aos olhos do leitor.

Para o autor, este livro não é uma edição, é praticamente um novo livro, acrescentando explicação de temas confluentes, estudos e críticas sobre produtores de vanguarda mais recentes.

Segunda edição

“Foram retiradas nesta segunda edição análises de produções ficcionais normais, que, embora publicadas na primeira edição, não fazem parte do universo da vanguarda no Rio Grande do Norte. Após quase meio século de lançamento da primeira edição, a realidade, hoje, é outra. O mundo avançou tecnologicamente e muitas ideias interessantes para nova linguagem poética tem surgido desde então”, explicou.

O livro possui 191 páginas. O projeto gráfico fica por conta de José Áglio; capa por Avelino de Araújo; produção executiva, por Dorian Lima e Raquel Lucena. A obra é dividida em duas partes, cada uma com oito e cinco capítulos, respectivamente.

“Por ter uma idade avançada e como medida de segurança, Anchieta não estará presente fisicamente, mas com certeza, acompanhará o evento por vídeo e sentirá toda nossa alegria com o lançamento de uma das obras mais ricas do nosso Estado”, finalizou Oreny.

Sobre Anchieta Fernandes

Anchieta fundou os jornais “O Popular” (1953), “O Juvenil” (1955), “Juventude” (1960) e “Lolita” (1987-1990). Manteve colunas nos jornais “A República”, “Prisma”, “Tribuna do Norte”, “Diário de Natal/O Poti”, “Jornalzinho do Sebo Vermelho” e “O Canguleiro”.

Entre as obras do escritor caraubense, hoje aos 81 anos, estão: “Femina Infantis” (1987), “Écran Natalense, Capítulos da História do Cinema em Natal” (1992), “Poema/Processo: Perguntas e Respostas” (1992), “Poliantéia, Homenagem Póstuma a Reinaldo Fernandes Pimenta Filho” (1996), “História da Imprensa Oficial do Rio Grande do Norte” (2006).

Além das produções citadas, Anchieta teve inúmeros trabalhos incluídos em antologias nacionais e internacionais.

Poema/Processo

Ocorrido no Brasil entre 1967 a 1972, em plena Ditadura Militar, o poema/processo foi um movimento artístico de vanguarda. Surgiu em duas capitais do país simultaneamente: Rio de Janeiro (RJ) e em Natal (RN), se espalhando pelo Brasil. Esse movimento apresentou uma nova forma de fazer poesia a partir de uma nova linguagem.

Serviço

Lançamento da reedição do livro “Por uma Vanguarda Nordestina”, do autor Anchieta Fernandes
*Dia:* 08 de maio (sábado)
*Hora*: Das 10h às 14h
*Formato*: Take Away (Passe e retire)
*Onde*: Mercado Cultural de Petrópolis | Box 41
*Endereço*: Av. Hermes da Fonseca, 804, Petrópolis/Natal
*Valor do livro*: R$ 50

Atenção, profissionais da música, de eventos e do turismo, dentre outros possíveis beneficiários das doações das cestas básicas e kits de alimentos arrecadados, durante o Festival de Samba Solidário Ribeira Boêmia, ocorrido no último dia 24.

Diante do alto volume de doações recebidas, a organização do evento está reabrindo o cadastro para os interessados.

Para participar da seleção, é necessário fazer um pequeno cadastro por intermédio da Casa da Ribeira, podendo entrar em contato pelo e-mail casadaribeiranatal@gmail.com ou WhatsApp (84) 98704-0265, informando: Nome completo; CPF ou RG; endereço; profissão; ocupação atual; quantidade de dependentes; renda mensal familiar; e telefone/celular de contato.

Se há um gênero generoso no cinema, ele é justamente o que nos faz rir. Isso porque não existe somente a comédia pura, crua. Ela vai se ramificando e alcançando quase todos os outros gêneros. Assim, existe a comédia romântica e também o “terrir”; a comédia dramática (e algumas de tão dramáticas podem nem ser vistas como parte do gênero); a de sátira, com suas críticas afiadas; e a pastelão.

Também há a comédia de situação (que extrai humor do dia a dia) e a de constrangimento. Há ainda as comédias de costumes, de personagem, vaudeville, a farsa e a clássica Commedia Dell’Arte. E existem mais… É tanta diversidade que construir uma lista curta com o intuito de atender a tudo acaba sendo totalmente impossível.

Pensando nisso, listei 15 dos melhores filmes de comédia para assistir na Netflix. Entre tantas produções, os filmes a seguir servem tanto para expandir o repertório de vocês de alguma forma quanto para serem revisitados e reviverem momentos divertidos (ou até dramáticos).

15. Um Tira da Pesada

Um dos maiores clássicos das comédias dos anos 1980, Um Tira da Pesada acompanha um policial (Eddie Murphy) em uma investigação de assassinato. Não demora para que ele passe a lidar com uma cultura muito diferente da que está acostumado em Beverly Hills.

Um Tira da Pesada pode seguir duas direções diferentes: ser visto como uma sátira perspicaz e contundente sobre as atitudes dos EUA, mostrando como os habitantes de Beverly Hills reagem a um policial negro de Detroit, ou pode ficar entregue às risadas mais fáceis e à conexão a um enredo padrão. Vai depender do humor e, de todo jeito, pode valer a pena.

14. Jumanji: Bem-Vindo à Selva

Entretenimento puro, do começo ao fim. Jumanji: Bem-Vindo à Selva entende seu lugar como poucos filmes do gênero e consegue, ainda, atualizar o filme de 1995. Cada função parece escorrer com leveza e, consequentemente, as ideias passam a se encaixar melhor.

É um filme que flerta com uma fluidez baseada em um todo muito coeso. Isso pode ser fundamental para que se entenda sobre limites, porque o roteiro de Jake Kasdan (que também dirige o filme), Jeff Pinkner e Scott Rosenberg contém-se em expor situações sem buscar se aprofundar.

Sem dúvidas, isso seria um péssimo sinal caso estivéssemos comentando sobre um filme que claramente procurasse mais camadas. Mas a verdade é que esse filme protagonizado por Dwayne Johnson está pouco se importando com a problemática dramática das situações e muito mais focado no entretenimento que, justamente, a falta dessa problemática pode ocasionar.

13. As Férias de Mr. Bean

Mr. Bean é um personagem amado por muitos e sem graça para outros tantos. No catálogo da Netflix ele aparece camuflado como o agente Johnny English em Johnny English 3.0 (de David Kerr, 2018) e no primeiro dos filmes estrelados pela personagem de Rowan Atkinson, Mr. Bean: O Filme ou Mr. Bean: Mais Atrapalhado do Que Nunca (de Mel Smith, 1997).

Em As Férias de Mr. Bean, tudo parece ganhar outros contornos. O sujeito coloca a França de cabeça para baixo em uma comédia com flertes de aventura que pode ser impagável se você estiver com disposição a esse tipo de humor.

Na história, Mr. Bean ganha uma viagem a Cannes, onde involuntariamente separa um menino de seu pai e deve ajudar os dois a se reunirem. No caminho, ele descobre a França, o ciclismo e o amor verdadeiro.

12. Minha Obra-Prima

Arturo é um negociante de arte inescrupuloso e Renzo seu pintor socialmente desajeitado e amigo de longa data. Dispostos a arriscar tudo, desenvolvem um plano extremo e ridículo para se salvarem.

A sinopse pode já conquistar. E é do mesmo diretor (Gastón Duprat) do excepcional O Cidadão Ilustre. Por outro lado, assim como O Cidadão Ilustre, trata-se de uma comédia dramática.

Então… o drama a partir do segundo ato pode pesar o filme. Minha Obra-Prima, portanto, acaba por ter um resultado agridoce, mas se a procura for para assistir algo menos raso, é uma das boas indicações.

11. Cassim, O Comediante

Mesmo que o tema da história possa ser batido, clichê mesmo, o filme é bem interessante especialmente por levar uma contextualização de uma realidade sul-africana raramente exposta no cinema.

Tudo é centrado em uma comunidade de muçulmanos membros da diáspora indiana e, em meio a isso, as situações são simples, fáceis de acompanhar e o riso é espontaneamente alcançado.

Se procura algo diferente dentro do gênero, Cassim, O Comediante deve ser uma das melhores pedidas da lista.

10. Um Parto de Viagem

O ansioso futuro pai Peter Highman (Robert Downey Jr.) é forçado a pegar uma carona com o aspirante a ator Ethan Tremblay (Zach Galifianakis) em uma viagem para chegar ao nascimento de seu filho a tempo.

Com o protagonismo de dois atores carismáticos, o filme provavelmente contém risos suficientes para satisfazer como filme de final de domingo, repondo as energias para o início da semana.

Tudo bem que não é lá uma obra-prima, nem de longe, mas tem chance de divertir bastante. A direção de Todd Phillips (de Coringa), inclusive, consegue deixar intensas as situações mais estapafúrdias. Vale a pena.

9. Matilda

Começar a lista com um filme tão querido é sempre bom, ainda mais quando esse filme é dirigido de uma maneira que parece abraçar o espectador e por um sujeito que é igualmente apreciado.

O que Danny DeVito faz com o roteiro de Nicholas Kazan e Robin Swicord é, aliás, não somente de uma demonstração de carinho enorme pelo cinema, é de uma sinceridade com o livro de Roald Dahl que deixa Matilda com um ar de seriedade tão intenso que, felizmente, nada é condescendente com as crianças.

Ao mesmo tempo, o filme fica aberto para o encantamento dos adultos sem duvidar de suas inteligências. De quebra, ainda consegue ser engraçado. Um grande filme.

8. O Centenário Que Saiu Sem Pagar a Conta e Sumiu

A comédia sueca é a continuação do sensacional O Centenário Que Fugiu Pela Janela e Desapareceu e acompanha um homem de 101 anos de idade Allan Karlsson (Robert Gustafsson) que percorre a Europa em busca de uma receita de refrigerante russo perdida no início dos anos 1970. Infelizmente, ele não é o único que está procurando por isso.

O humor do filme é mais direto e simples do que o antecessor, como se tudo estivesse sendo feito com medo de não alcançar o sucesso, visto que não se trata de uma adaptação como antes. De todo modo, para quem procura uma boa comédia é um entretenimento dos mais divertidos.

7. O Virgem de 40 Anos

Instigado por seus amigos, um sujeito nerd que nunca “praticou o crime” só sente a pressão aumentando quando conhece uma mãe solteira.

Cheio de frases curtas que são perfeitas e cirúrgicas para o riso, O Virgem de 40 Anos é dirigido por Judd Apatow (do recente A Arte de Ser Adulto) e conta com um inspirado Steve Carell (que coescreveu o roteiro junto a Apatow).

O humor do filme é mais direto e simples do que o antecessor, como se tudo estivesse sendo feito com medo de não alcançar o sucesso, visto que não se trata de uma adaptação como antes. De todo modo, para quem procura uma boa comédia é um entretenimento dos mais divertidos.

É tudo tão divertido no filme que, ao final, sem nenhuma boa razão, exceto pela consciência e segurança de que conseguiu conquistar o público, o elenco executa uma versão de Bollywood de “Age of Aquarius”. A verdade é que poderiam ter feito qualquer coisa depois das quase duas horas hilárias de O Virgem de 40 Anos.

6. Loucademia de Polícia

A comédia nonsense teve um auge entre a década de 1980 e o início dos anos 1990. Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (1980), Corra que a Polícia Vem Aí! (1988), Top Gang! Ases Muito Loucos (1991)… são tantas e de tanta qualidade no fazer rir – para quem consegue embarcar no subgênero, claro – que é bem complicado comentar sobre indicações de comédias sem visitar esse período.

Loucademia de Polícia é um representante dessa era. Mas não somente. O filme gerou seis sequências, com Loucademia de Polícia 7: Missão Moscou sendo o último.

É inusitado, é sem noção, é escrachado e até tem toques de sátira… e deve fazer quem nunca assistiu querer acompanhar a história do grupo de desajustados de bom coração que entram para a academia de polícia para tentar a vida como policiais.

Dá certo? Para eles (os personagens) só assistindo. Para o público, é só conseguir se entregar às maluquices.

5. Um Príncipe em Nova York

A década de 1980 marcou o cinema de ação, com seus brucutus. Mas a comédia também teve um destaque grande nesse período. Em Um Príncipe em Nova York, Eddie Murphy interpreta um monarca africano extremamente mimado que viaja para os EUA e se disfarça de plebeu para encontrar uma esposa que ele possa respeitar pela inteligência.

Obviamente cheio de clichês do gênero, o filme do diretor John Landis (do já clássico Um Lobisomem Americano em Londres – filme de 1981) utiliza desses clichês para estruturar uma história engraçada, romântica e leve.

4. Toc Toc

O cinema espanhol tem se destacado dentro do catálogo da Netflix brasileira. E são muitos os filmes que trazem uma qualidade que alia tanto as questões da linguagem com o apelo popular, desde o primeiro boom que foi Um Contratempo. Toc Toc é uma comédia que brinca de maneira inocente e quase educativa com os portadores do transtorno obsessivo-compulsivo, tratando o tema com leveza e – por causa dessa leveza – com respeito. Talvez seja o filme a render as risadas mais empáticas da lista.

3. Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros

Debi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros está nem aí para muitas questões. Mas é um desleixo que, em revisões, demonstra um grande conhecimento de linguagem do cinema, tanto que, anos depois, um dos seus diretores teria um filme indicado ao Oscar. Claro que o tipo de humor de quem o assiste talvez precise estar afinado ao do filme. De todo modo, é um filme que consegue celebrar a frase mais conhecida de Confúcio: “O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente.”

2. Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado

Seria praticamente um crime não colocar Monty Phyton aqui na lista. […] Em Busca do Cálice Sagrado é daqueles filmes que, se você está com disposição para se entregar e comprar a ideia dos Cavaleiros que dizem Ni, pescando as referências do humor cru e ao mesmo tempo refinado da trupe, é uma obra-prima incontestável.

1. O Cidadão Ilustre

O cinema argentino tem produzido filmes relevantes ano após ano (desde muito tempo). E, felizmente, não está restrito a Ricardo Darín. O ator, que encabeçou aquele que, para muitos (entre os quais me incluo), é o melhor filme do seu país em muitos anos (O Segredo dos Seus Olhos, de 2009) e é sinônimo de talento e, acima de tudo, competência, parece ter “somente” aberto alas em um novo período para nossos hermanos.

Se, em 1986, A História Oficial (1985) já havia recebido um Oscar, foi com a mais fácil difusão das produções (especialmente com o advento da internet e, mais recentemente, dos streamings) que houve uma merecida repercussão e grande reconhecimento público.

O Cidadão Ilustre trata de inspiração e criação como poucos filmes conseguem. De uma sutileza sem tamanho ao tratar o comportamento de um escritor com muito humor, o filme ainda consegue revelar os abismos culturais que cercam nossas vidas… ainda mais em um mundo globalizado.

No fim, a maneira como discorre sobre as diferenças entre realidade e ficção é das mais originais do cinema e, se fosse somente esse encerramento, ainda assim mereceria ser visto.

Bônus Adam Sandler: Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe

Repleto de diálogos realistas e, ao mesmo tempo, estranhos, Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe é de uma precisão cirúrgica na concepção da relação entre um pai e seus filhos.

Muito bem alicerçado nas atuações de Dustin Hoffmann (Harold), Ben Stiller (Matthew) e Adam Sandler (Danny), o diretor e roteirista Noah Baumbach (indicado ao Oscar pelo roteiro de A Lula e a Baleia, em 2006) fundamenta um filme cheio de humanidade, capaz de causar confusão, felicidade, acessos de raiva… sempre de uma maneira muito genuína e por meio da criação de sintonia entre filme e espectador.

Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe é, também, uma prova dupla: para os fãs e para os não-adeptos da carreira de Adam Sandler. Aqui, eles podem encontrar o ator em uma das suas atuações mais relevantes (ao lado de Reine Sobre Mim e Embriagado de Amor), tanto que o ator, merecidamente, foi ovacionado no Festival de Cannes de 2017.

Apesar do humor meio amargo do personagem coincidir com muito do que Sandler já fez, há detalhes que o levam muito além, são camadas e mais camadas de um homem que jamais desistiu de ser feliz, mas, mesmo assim, sente-se fracassado.


Texto publicado, originalmente, no Canaltech

Esta segunda-feira (3) é Dia do Pau-brasil. No UNI-RN a data foi comemorada com o plantio de mudas da espécie.

A ação foi coordenada pelo Núcleo de Educação e Gestão Ambiental da Instituição e reuniu funcionários, professores e coordenadores.

Árvore símbolo do país, o Pau-brasil deu origem, inclusive, ao nosso adjetivo pátrio: brasileiro.

No UNI-RN, o plantio tem importância simbólica em razão do Núcleo UNI-RN Sustentável, implantado no âmbito acadêmico desde 2015.

O programa tem por objetivo criar uma cultura em toda a comunidade acadêmica – alunos, professores, coordenadores e funcionários, promovendo o engajamento em ações e atividades que promovam o despertar de uma consciência social ecológica e o desenvolvimento sustentável.

O UNI-RN Sustentável também visa formar profissionais conscientes e agir em prol da preservação do meio ambiente, implantando práticas de ensino e aprendizagem sustentáveis na instituição que possam gerar resultados positivos para a sociedade.

A pró-reitora Acadêmica, Fátima Cristina Menezes, participou do ato, representando o reitor do UNI-RN, professor Daladier Pessoa Cunha Lima, e a gestão do Centro Universitário.

Muito além do que se passa nas redes sociais, as histórias que alimentam a cultura popular brasileira estão na memória de quem, embora antenado com o que fazem as gerações atuais, mantêm o olhar atento ao que fizeram e como viveram as gerações passadas.

É o caso da professora Ivaíta Souza, de extenso currículo na educação do Rio Grande do Norte, e que agora chega com o seu segundo livro, “A flor do Trapiá”. Uma coletânea de contos e crônicas com que a autora resgata as memórias de sua infância em Lagoa de Velhos, Sítio Novo e Barcelona.

Narrativas de alpendre

As narrativas curtas, em linguagem atraente, rebuscam desde a lembrança recriada de quando nasceu às brincadeiras, à passagem de fases da vida e às dificuldades de quem viveu no campo em condições simples. Tudo com o gosto recolhido das conversas de alpendre.

“A flor do Trapiá” traz também a descrição, envolvidas em passagens deliciosas, de personagens marcantes que a menina conheceu. Nenhuma delas, porém, tão rica quanto a avó Titica. Dona Titica, uma mulher rara, de força inquebrantável, capaz de criar nove filhos numa casinha sem reboco no meio de uma mata, iluminada à noite por lamparinas, sem nem assim perder a serenidade e energia para agregar, depois dos filhos criados, uma neta de cinco anos.

É esta neta, Ivaíta Souza, que conta com sensibilidade as histórias daqueles tempos e da avó que, sozinha, mereceria um livro. Mas, isso já seria mesmo outra história. Por agora, vale muito a pena ver o que a autora conta no seu segundo livro de memórias – primeiro foi “Relembranças”.

LANÇAMENTO:

Ante o quadro de pandemia, o lançamento será virtual.

Data: 06 de maio, 19h30

Local: 1 – Facebook: https://www.facebook.com/mulheriodasletraszilamamede

2 – Instagran: https://instagram.com/mulheriozila?igshid=yppfilarvgw9

Venda: o livro estará disponível nas livrarias Câmara Cascudo e Cooperativa Cultural da UFRN a partir de 03/05.

Os interessados também podem receber o livro em casa. Contato pelo (84) 98804-9371.

A segunda edição do AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+ acontecerá de 05 a 09 de maio em formato virtual no site www.afrontefestival.com.br.

O Festival teve o cuidado em representar a pluralidade da sigla LGBTQIAP+ na frente e atrás das telas, desta vez não apenas por profissionais que ocupam o cargo de direção, mas ampliando a representação para outros cargos chaves.

Foram 227 filmes inscritos, das cinco regiões do Brasil, e 26 selecionados divididos em quatro mostras competitivas:

Mostra Trajetórias

– Encruza (RJ);

– Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé (RJ);

– Canudos em Minha Pele (PE);

– Pátria (CE);

– Espírito que Caminha (AC);

– Perifericu (SP).

Mostra O Que Não Somos

– Tenebrosas? (SP);

– Sangro (SP);

– Piu Piu (PE);

– Primavera de Fernanda (PR);

– Agachem, Segurem, Formem, Arrasem (SP);

– Você Já Tentou Olhar nos Meus Olhos? (PR);

– Véu (RN).

Mostra Devires

– Abjetas 288 (SE);

– Ada (BA);

– Aliena (RS);

– Os Últimos Românticos do Mundo (PE);

– Onde a Fé Tem Nos Levado (SE);

– Etruska Waters em: O Tombamento da Republiqueta (PR).

Mostra Afetos

– Acesso (SP);

– Marie (PE);

– Aonde Vão Pés (PR);

– Meninos Rimam (SP);

– Fotos Privadas (SP/RJ);

– O Que Pode um Corpo? (RS)

– À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente (BA).

“Os filmes que compõem as quatro mostras reverberam de forma potente em nosso imaginário, e com suas temáticas e personagens marcantes nos mostram representações que nos fazem confirmar que é possível nos vermos em nossa amplitude e diversidade”, comentou o diretor geral, André Santos.

Anda segundo André, as obras, cada uma com sua singularidade, “nos fizeram rir, nos emocionar, ter medo, e sentir esperança ao nos possibilitarem acessar outra realidade possível, seja ela do presente, futuro ou passado.”

Mostras competitivas

O Festival tem caráter competitivo e serão concedidos 8 Prêmios Livres e 3 prêmios de Melhor Filme (premiação no valor de R$ 500) pela Comissão Julgadora, além de 4 prêmios do Júri Popular, com votação por meio do site do Festival. Os filmes estarão disponíveis no site durante todos os dias do Festival.

Oficinas e bate-papos

Além de filmes, a programação do Festival conta com oficinas, e bate-papos com os realizadores dos filmes, que serão mediados por Franco Fonseca e Rosy Nascimento. Eles serão transmitidos no canal do YouTube do Festival, assim como a cerimônia de encerramento e premiação. Acesso ao canal: https://abre.ai/afronte-festival

O II AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+ é uma realização da Caboré Audiovisual e tem patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal, através da Lei Aldir Blanc.

II AFRONTE – Festival de Cinema LGBTQIAP+

De 05 a 09 de maio, no site www.afrontefestival.com.br

PROGRAMAÇÃO

Quarta-Feira (05/05)

  • BATE-PAPO – MOSTRA “O QUE NÃO SOMOS” (15h às 16h)
  • BATE-PAPO – MOSTRA “AFETOS” (16h30 às 17h30)
  • OFICINA – AUTOMAQUIAGEM DRAG, com JUDSON ANDRADE (18h30 às 20h30)

Quinta-Feira (06/05)

  • OFICINA – FICÇÃO COMO ARMA DE GUERRA, com ANTI RIBEIRO (15h às 17h30)
  • OFICINA – AUTOMAQUIAGEM DRAG, com JUDSON ANDRADE (18h30 às 20h30)

Sexta-Feira (07/05)

  • BATE-PAPO – MOSTRA “DEVIRES” (15h às 16h)
  • BATE-PAPO – MOSTRA “TRAJETÓRIAS” (16h30 às 17h30)
  • OFICINA – GÊNERO E REPRESENTATIVIDADE LGBTQIAP+ NO AUDIOVISUAL, com GERMANA BELO (18h30 às 20h30)

Sábado (08/05)

  • OFICINA – GÊNERO E REPRESENTATIVIDADE LGBTQIAP+ NO AUDIOVISUAL, com GERMANA BELO (18h30 às 20h30)

Domingo (09/05)

  • CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO E PREMIAÇÃO (19h)

Mais informações: 

https://www.afrontefestival.com.br

“Terça Diminuta” reúne 44 poemas do poeta potiguar Eduardo Ezus, sendo a maioria deles uma forma alternativa ou uma aproximação de como o haikai ficou conhecido no Ocidente/Brasil, sobretudo, após os anos 70, sob influência da contracultura e da poesia marginal. Por vezes questionando-se, como em

Eu por que ego

Se onde chego

De mim desapego?

Por vezes, aproximando-se mais do conteúdo e forma empregada pelos haicaístas propriamente ditos, como em

Jardim de pedra

A rosa floriu

E durou

O poeta torna exclusivo o terceto em seu livro, feito de poemas escritos nos últimos dez anos, sob diversas influências.

Uma atmosfera zen perpassa o livro, que tem ilustrações e fotografias de Mariana Gandarela. O estado contemplativo chega como um respiro, comenta Cellina Muniz, que nos convida à leitura a partir da orelha do livro; isso, sobretudo, no contexto pandêmico em que vivemos.

Assim, de certa forma, pode-se dizer que, pelo teor dos poemas, há uma aproximação à primeira fase do haikai, cujo expoente foi Bashô. A sutileza, discutida no prefácio Música da leveza, assinado por João Batista de Morais Neto (também conhecido como João da Rua), é outra constante, além da musicalidade, daí o título do texto de João.

A folha cai

Quem pensa não sabe

O tremor

“Terça Diminuta” foi viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc-Rio Grande do Norte, pela Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Eduardo Ezus

Eduardo Ezus é um poeta potiguar que atuou também na música, sendo um dos fundadores da banda Trópicos Reverso, de rock performático.

Edita a revista virtual Tamarina Literária (instagram: @tamarina.literaria), em que publica textos de autores locais e de outros estados brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

Embora não se considere um cronista, escreve às vezes para portais e jornais como JOL-RN, Potiguar Notícias, Jornal DeFato.

Também tem contos publicados na Revista Littera e no Blog da Editora Margem, de Minas Gerais – pela qual irá publicar seu segundo livro, Cálida Noite, também de poemas, com previsão para lançamento no segundo semestre de 2021.

Pré-venda:

O livro ficará em pré-venda durante o mês de maio, e o lançamento será virtual, com data a ser divulgada nas redes sociais do autor e da Tamarina Literária.

Para comprar, clique neste link AQUI.

Para mais informações, entrar diretamente em contato por whatsapp – (84) 9 86028344 – ou pelo instagram @ideia.cronica/@eduardo.ezus

A banda Plutão Já Foi Planeta divulgou mais um som do seu próximo álbum. Em clima de alto astral, o single “Depois Das Dez” chega às plataformas de streaming para confirmar o vigor da nova fase da banda.

Ouça aqui.

Embalados por uma sensibilidade ao mesmo tempo oitentista e contemporânea, Cyz Mendes (voz), Sapulha Campos (guitarra), Gustavo Arruda (guitarra) e Renato Lellis (bateria) transportam o ouvinte para uma pista de dança ideal, daquelas sem hora para acabar. A letra fala de saudade de forma leve, sempre pelo ponto de vista do reencontro.

“Depois das Dez” é o segundo single da Plutão Já Foi Planeta em 2021. A banda abriu o ano com “Acostuma”, que marcou a estreia da nova formação com um clipe que já ultrapassou 12 mil visualizações no YouTube, além de um lyric video animado.

Letra:

DEPOIS DAS DEZ

Promete que não vai embora
eu não aguento mais
contar de mês em mês!
É que o tempo
já foi meu amigo
E não ajuda

Quando você voltar
o relógio vai saber
e o tempo vai parar
pra mim e pra você

Promete que vai estar na minha porta
Que hoje eu vou sair depois das dez
E a vida que acontece lá fora
Vem ver

Quando você voltar
o relógio vai saber
e o tempo vai parar
pra mim e pra você

Que os dias passem rápido
Pelo menos dessa vez


CRÉDITO DA FOTO: Victor Abex

por François Silvestre

Reconheço que há um massacre noticioso sobre a pandemia. Sugiro aos mais atingidos por esse massacre que usem o controle remoto ou desligue o aparelho. É realmente torturante.

Porém, não é uma avalanche de fantasia. Não. É uma crua e cruel realidade. Vejamos:

a) Quando, na história do Brasil, todas as doenças existentes e mais somados os acidentes de trânsito, nós tivemos um mês com mais mortes do que nascimentos? Nunca.

b) Quando, na história, todas as doenças existentes e mais somados os acidentes de trânsito, nós tivemos vários dias sem uma vaga de leito de UTI em todo o território nacional? Nunca.

c) Quando, na história, todas as doenças existentes e mais somados os acidentes de trânsito, algum Estado de Federação teve de exportar doentes para outros Estados? Nunca.

d) Quando, na história, todas as doenças existentes e mais somados os acidentes de trânsito, nós tivemos falta de oxigênio para atendimento hospitalar? Nunca.

Tem mais, muito mais a ser dito. Mas fico por aqui. O vírus não tem culpa, pois nem é um ser vivo em completude, tanto que o antibiótico não o alcança. O antibiótico, como diz o nome, é negação da vida de um ser. No caso, a bactéria. O vírus nem isso é.

A culpa, ou melhor, o Dolo da sua propagação sem controle é do conjunto da sociedade. Dos dirigentes negacionistas e da população deseducada.


CRÉDITO DA FOTO: Vincenzo Pinto

A caravana da alegria de Bisteca & Bochechinha (@bistecaebochechinha) vai desembarcar em cinco cidades potiguares a partir deste domingo. As apresentações integram o projeto “Lona da Alegria”, contemplado pelo Edital de Projetos Culturais Integrados e Economia Criativa através da Lei Aldir Blanc, com promoção do Governo do RN.

Na apresentação de 1 hora transmitida pelo canal do Youtube de Bisteca & Bochechinha, a dupla diverte os espectadores com interatividade virtual, números musicais e participações especiais, destacando os atrativos de cada cidade.

A estreia ocorrerá com o tema “Macau”, neste domingo, 02 de maio, a partir das 16h. As apresentações também contemplarão os municípios de Santa Cruz (07 de maio),  Florânia (08 de maio) e Apodi (15 de maio), no mesmo horário.

Por isso, já sabe: reúna a família e prepare-se para adentrar a “Lona da Alegria”, sob o comando da dupla que é especialista na arte de fazer sorrir. Prepara a pipoca e a gargalhada, o ingresso é por nossa conta! Até domingo!

Os trabalhadores do setor cultural foram os primeiros a sentir no dia a dia os efeitos econômicos oriundos da pandemia da Covid-19 por todo o Brasil. Em Natal não foi diferente e, diante deste desafio, a vereadora Brisa Bracchi (PT) apresentou uma série de Emendas Orçamentárias que beneficiam o segmento.

Ao todo foram cinco Emendas Orçamentárias que representam um montante de R$ 211.251,94 destinado à Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), órgão responsável pela Cultura no município de Natal.

Cine Natal 2021

A maior dessas emendas foi destinada para a realização do Cine Natal 2021, com o intuito de incentivar a produção audiovisual em todas as suas formas e gêneros. Ela é fruto de série de conversas com profissionais do setor e de um pleito histórico do segmento audiovisual da cidade.

A produção do Cine Natal tem também papel relevante no que diz respeito aos registros da cidade do Natal, produções estas que expõem Natal para o mundo, colaborando efetivamente na cultura e memória da cidade. O valor total desta Emenda Orçamentária é R$ 100.543,69, que terá o ano de 2021 para ser executada.

Mulheres produtoras

Outra Emenda Orçamentária voltada para a cultura apresentada por Brisa Bracchi tem por objetivo o desenvolvimento de atividades de qualificação profissional para mulheres produtoras, artistas e técnicas do município de Natal com o valor de R$ 55.243,79.

Essa iniciativa contribuirá para aumentar as oportunidades de geração de renda e autonomia das mulheres, que muitas vezes são preteridas de contratações tanto pelo Poder Público quanto pela iniciativa privada; e também para corrigir a desigualdade de gênero no meio artístico e cultural.

Sua proposição dialoga com o Projeto de Lei 118/2021, que dispõe sobre a obrigatoriedade de contratação de mulheres artistas, técnicas e produtoras do setor cultural, nos projetos e eventos financiados por recursos públicos, também de autoria da parlamentar.

Para a vereadora Brisa, a cultura foi um meio que conectou as pessoas em momentos de distanciamento social. “O primeiro setor a parar presencialmente na pandemia foi o setor cultural. E deverá, provavelmente, ser o último a voltar. Todavia se conseguimos lidar com o distanciamento devemos à arte e à cultura. O que seria de nós sem música, sem séries, filmes…? Lidar com a pandemia sem elas teria sido muito mais difícil”.

A vereadora disse ainda que entende a importância e as reivindicações do movimento cultural, seja do audiovisual, da dança, da percussão, do fomento à capacitação das mulheres. “É por isso que contribuímos através das nossas emendas com a cultura de Natal, para artistas, produtoras, produtores e todo mundo que faz essa roda girar.”

Essas emendas passarão a integrar o orçamento do Poder Executivo para que a Funcarte execute a partir dos valores que foram destinados pela vereadora.


CRÉDITO DA FOTO: Isadora Mendes