Londres – Inglaterra, 17 de Janeiro de 2018. Nossa chegada na Torre de Londres coincidiu com a vitória do sol sobre a neblina. Finalmente o astro rei, que banha meus litorais com sua força inclemente por quase todo o ano, havia conseguido “ganhar uma” em sua batalha contra a bolha de umidade que cobre a cidade. A tal torre que escolhemos para visitar hoje, já na véspera de nosso retorno para o Porto, foi construída em 1078 por Guilherme, o Conquistador; para dar o tom de sua vitória contra o rei saxão Haroldo, na famosa batalha de Hastings. Os normandos (como o próprio nome diz – homens do norte), descendiam de Vikings que se espalharam pela Europa em fins do primeiro milênio da era cristã. Mitologias cultivadas em séries do netflix a parte, ser Viking não era um traço étnico, mas sim uma filiação profissional. Mistura de milicianos, comerciantes e cangaceiros embarcados, os Vikings não apenas saquearam, pilharam e massacraram populações pelas costas da Europa meridional e pelo báltico, tendo chegado até a descer o rio Volga, na Rússia profunda. Eles também ofereciam serviços de milícia, protegendo nobres e reis locais, bem como atuavam também como comerciantes “normais”, vendendo e trocando os produtos que carregavam em seus barcos, ajudando a firmar e abrir rotas mercantis até pelo mar mediterrâneo. No caso da Inglaterra, o efeito principal do êxodo dos Vikings da escandinávia, chegados via costa da Normandia, foi a da criação de uma classe dominante normanda, que falava uma variação do francês e, em contrapartida, uma classe dominada de base saxã que falava dialetos germânicos. Segundo Sir Walter Scott, teria sido desta fusão etnolinguística que o moderno inglês surgiu. O fato é que, para mostrar quem mandava de verdade naquela ilha, Guilherme, O Conquistador, como todo bom chefe de facção, ergueu a tal torre. Na verdade o lugar é uma fortaleza circundada por uma grossa muralha que fica em cima de uma pequena colina na margem norte do Tâmisa, ao lado de uma praça de execuções onde os “traidores” da monarquia eram supliciados e decapitados. Pra nossa sorte, logo que entramos na construção, estava começando um tour pelo local com um dos beefeaters, apelido dado aos Yeoman Warders, guardas cerimoniais da fortaleza, que, desde o século XV, serviam com uma mistura de seguranças e mordomos da torre, habitando com suas famílias em apartamentos bastante confortáveis dentro das muralhas da fortaleza....
Leia mais