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A Companhia das Letras é uma das maiores editoras do Brasil e, muito provavelmente, a mais admirada. A excelência editorial e a curadoria impecável do seu criador, o editor Luiz

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Será que dobrei a esquina errada?

De vez em sempre eu me pego questionando os caminhos em que minha vida está inserida e seguindo, porque nada aqui foi planejado, tudo foi acontecendo, nunca parei para direcionar

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Museu expõe devoções do Seridó: a tragédia como milagre

26/12/2022|

O Museu do Seridó (MDS), vinculado ao Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres/UFRN), localizado em Caicó/RN, e à Rede Universitária de Museus da UFRN (Rumus), realiza sua terceira exposição virtual que traz como tema  “Devoções do Seridó: a tragédia como milagre”. O período dedicado à expografia vai até 15 de junho de 2023, no site do Museu. A exposição, que teve uma versão presencial esse ano, traz os milagreiros seridoenses de quatro cidades do Seridó potiguar, abrangendo devoções do catolicismo não-oficial. O trabalho é fruto das pesquisas científicas do professor e historiador Lourival Andrade Junior, a mestranda Cleidiane de Araújo Oliveira e o mestre Wesley Henrique de Moura Simão, todos vinculados ao Programa de Pós-graduação em História dos Sertões, do Ceres/UFRN. O projeto conta com três módulos temáticos intitulados, respectivamente, “Seca, infância e milagre”, “Cemitério e Devoções” e “Crime e milagres”. Eles tratam das devoções a milagreiros das cidades seridoenses de Florânia, Caicó, Jucurutu e São Vicente. Distinta da versão presencial, a web exposição conta com vídeos de relatos de devotos a seus milagreiros, imagens inéditas e uma proposta educativa adaptada para o modo virtual. O intuito é conectar essas histórias e memórias com o público visitante. A equipe...

O transe

26/12/2022|

Sábado à noite. Volto para casa. Na Avenida Hermes da Fonseca, o trânsito começa a ficar mais lento. No céu, algumas nuvens pesadas transportam água mesmo não sendo inverno nessa época do ano. Um corisco risca a noite. Tento entender o que acontece. Prossigo dirigindo. Ao passar em frente ao 16º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército, sou arrebatado, atravesso um portal. A visão embaça. Sou transferido para uma terra distante, mas familiar. O carro parece levitar. Tudo está translúcido. Ouço uma voz, ao longe, que grita em um alto falante com histerismo: “o exército vai marchar na rua esta noite”. Rostos e olhos transfigurados vibram com o disparate. Vê-se um carro estacionado, coladinho ao portão da Organização Militar, mas nenhuma movimentação de trânsfugas saindo lá de dentro. Transeuntes do asfalto andam em zigue-zagues entre canteiros e calçadas; serpenteiam entre os carros. Nesse lugar, alguns parecem transtornados ou que estão “tremendo em coreias sem fim”. Prepara-te, Jesus está voltando! Atônito, fico sem entender, porque a mensagem transcendente encontra-se ali. Supremo é o povo: lê-se numa faixa. Como advogado, transbordo de alegria. Ora, é princípio-fundamento de nossa República e está insculpido no artigo 1º, parágrafo único, da Carta Cidadã: “todo o...

Revista O Galo é lançada em formato digital

23/12/2022|

A oitava edição da revista O Galo, publicada pela Fundação José Augusto, está disponível em formato digital no site www.cultura.rn.gov.br. A publicação, editada pelo jornalista Cefas Carvalho, traz matérias que homenageiam artistas potiguares recentemente falecidos como os escritores Demétrio Diniz, Inácio Magalhães e o compositor Romildo Soares. A revista, com 76 páginas, contempla uma reportagem sobre a expectativa do setor literário potiguar com as leis culturais de incentivo, além de artigo, crônicas, contos e poesias produzidas por autores potiguares contemporâneos. Na edição, há textos assinados pelos escritores e escritoras Theo Alves, Gustavo Luz, Elizabeth Olegário, Plínio Sanderson, Jeanne Araújo, Lívio Oliveira, Andréia Braz, Bia Crispim, Letícia Torres, Aldo Lopes, entre outros. Destaque também para uma entrevista com o editor Carlos Fialho sobre o cenário da literatura norte-rio-grandense.

trapiá-os-brutos

23/12/2022|

Nos dias 16, 17 e 18 de dezembro ocorreram as gravações das cenas para o filme de curta metragem SERTÃOBRUTO, com roteiro e direção de Lourival Andrade. O filme é uma adaptação do romance OS BRUTOS, escrito em 1938, pelo currais-novense José Bezerra Gomes. O filme conta a saga de Sigismundo, vivido no filme em sua fase adulta pelo ator Alexandre Muniz e na fase criança por João Gabriel Muniz. Através de suas memórias, Sigismundo, nos apresenta um sertão que vai da fartura com a abundância de água e de esperanças, até um sertão da seca que destrói sonhos e coloca em xeque a generosidade sertaneja. O filme é um ir e vir, do presente para o passado e diversas personagens vão sendo apresentadas nas narrativas de Sigismundo. As filmagens ocorreram no sítio Umari, na delegacia de São José do Seridó, em uma casa do Bairro Boa Passagem em Caicó (residência esta que também foi cenário para o filme Boi de Prata, sobretudo seu alpendre), no Rio Seridó e na Casa de Cultura Popular, também em Caicó. O elenco foi formado por 23 atores e figurantes, todos residentes em Caicó e uma equipe técnica de mais 10 pessoas. O filme...

Da amizade entre Nélida Piñon e Clarice Lispector

22/12/2022|

A escritora Nélida Piñon, que faleceu em 17 de dezembro de 2022, era grande amiga de Clarice Lispector, falecida em 09 de dezembro de 1977. Lá, na eternidade, como foi esse encontro? Ou melhor, esse tipo de encontro existe?  Tudo sugere que o mundo espiritual é difuso, ambíguo, fora de qualquer semelhança com o mundo vivo. No livro Filhos da América (2016), Nélida Piñon, no ensaio Senhora da Luz e da Sombra, refere-se à amizade mantida, por muitos anos, com Clarice Lispector:  “Escolhemos a amizade, que logo nos uniu, como modelo de desenvolver a crença na lealdade, no porvir, na convicção de que valia a pena estarmos juntas, rirmos juntas, chorarmos juntas. (…) Clarice era assim, ia direto ao coração das palavras e dos sentimentos. Conhecia a linha reta para ser sincera”.  Nesse mesmo ensaio, Nélida Piñon revela o instante em que Clarice Lispector se despede da vida:  “Quando o arpão do destino, naquela sexta-feira de 1977, atingiu-lhe o coração, às 10h e 20 min da manhã, no Hospital da Lagoa, paralisando sua mão dentro da minha. (…) No entanto, a história da amizade se tece com enredo simples. Tudo predisposto a dormir na memória e pousar no esquecimento. Até...

Christmas Ale

22/12/2022|

Saudações natalinas! Hohoho! Final do ano chegando e o texto de hoje vem daquele jeito, em ritmo de festa, como diria o (nada) saudoso homem do Baú da Sorte! Vamos falar hoje de um “estilo” quase que completamente desconhecido de cervejas por cá nessas terras tropicais, o chamado Christmas Ale! Como o próprio nome já alude, uma vez que Christmas (X-mas) significa Natal, em português, é uma cerveja comemorativa para as festas de final de ano, em específico, para o natalício de Jesus comemorado no dia 25/12. Existem duas boas razões culturais para que o estilo em apreço, o qual não detém uma tradução plausível que não seja a literal: Cerveja de Natal; ser desconhecido do grande público cervejeiro brasileiro. A primeira delas é climática. Já que é um estilo cervejeiro que, por causa dos seus adjuntos, costuma ser consumido nas épocas mais frias do ano (no inverno, preferencialmente). Como onde o estilo foi criado, na época de Natal que é inverno, e aqui é o inverso, já que exatamente hoje (dia 21/12), inicia-se o verão, há esse descompasso climático e geográfico. A segunda razão é mais propriamente cultural. Apesar de o brasileiro padrão ter um ritmo no calendário gregoriano...

Serestas ao Luar volta nesta sexta ao Centro de Natal

20/12/2022|

Nesta sexta-feira (23), na Cidade Alta, ocorre mais uma edição do Serestas ao Luar. Como atividade que faz parte da programação do “Natal em Natal”, o tradicional evento da agenda natalense volta a tomar as ruas da cidade com muita música e história. A concentração está marcada para às 19h no Bardallos, à rua Gonçalves Lêdo, na Cidade Alta. Para esta edição os cantores convidados são Dodora Cardoso e o Padre Caio Sanfoneiro, acompanhados pelos músicos Arthur Canuto, Bruno Pessoa, Carlos Zens, Fernandinho Régis, Fabio Isaac, Ricardo Baya, Robson Galvão e Baterinha. Já pelas 20h o cortejo será iniciado passando pelas ruas Heitor Carrilho, Santo Antônio, João Pessoa, Princesa Isabel, General Osório, Rio Branco e finalizando no Espaço Cultural Rui Pereira, ao lado do IFRN-Cidade Alta. A atividade também contará com a poesia de Deth Haak. Durante o trajeto será possível conhecer mais sobre a história e os monumentos da cidade com as inserções da guia de turismo Juliane Freire, que acompanhará o cortejo. O padre Caio Sanfoneiro, uma das atrações, destaca que o público pode esperar “alegria, nostalgia e emoção nesta sexta-feira”. Ele comenta que o projeto é “um renovo através dos dons de Deus que nasce da boa...

Roda Potiguar de forró lança terceira temporada de websérie

20/12/2022|

Criada na pandemia, como alternativa para manter o projeto vivo, a websérie Roda Potiguar de Forró chega a sua terceira temporada. Dessa vez, vão ao ar três episódios, incluindo trechos do show realizado este ano no Teatro Riachuelo. Os vídeos estreiaram no Youtube ontem (19) e já tem novo episódio hoje (20). Dirigido e roteirizado pelo cineasta Carito Cavalcanti (Praieira Filmes), a série se propõe a contar histórias além do palco, sempre com o intuito de contribuir para o resgate e preservação da memória e identidade cultural forrozeira potiguar. Um dos destaques desta temporada é a história contemporânea do forró escrita por mulheres. O primeiro episódio da websérie inicia com uma retrospectiva. Tanda Macêdo, idealizadora da Roda, fala sobre a ação criada em 2019 e a necessidade de adaptação necessária nos anos posteriores devido às restrições sanitárias.  O episódio seguinte, que estreia hoje, aborda os processos e profissionais envolvidos na construção do projeto musical. “As pessoas perguntam muito porque não realizamos mais de uma edição da Roda por ano, daí pensamos para este segundo episódio mostrar ao público como se faz a Roda Potiguar de Forró. O projeto envolve dezenas de profissionais, precisa de planejamento, captação de patrocínio e vários...

Um defensor da nossa literatura

19/12/2022|

Há alguns anos, observava-se, no Curso de Letras da UFRN, uma grande prevenção contra a literatura norte-rio-grandense. Escritores locais eram quase sempre ignorados, notadamente nos estudos da pós-graduação. Valia o ditado: “Santo de casa não obra milagre”. Tal mentalidade, felizmente, foi sendo modificada ao longo das décadas, graças a professores esclarecidos, como, por exemplo, Tarcísio Gurgel, e Humberto Hermenegildo, profundos conhecedores da realidade cultural da nossa terra. No entanto, apesar da eficaz atuação destes, ficaram alguns resquícios daquela prevenção, talvez por conta de professores provenientes de outras plagas, que aportaram na UFRN, mediante concurso, com inegável competência, porém, alheios à Intelligentzia potiguar. Consola-nos saber que uma nova geração de mestres veio preencher a lacuna deixada com a aposentadoria daqueles pioneiros, entusiastas da literatura potiguar. Nomes como Derivaldo dos Santos, José Luiz Ferreira e Valdenides Cabral, doutores, do mais alto conceito, vieram dar valor ao que é nosso, no ensino das letras. Dentre eles, devo destacar Prof. Derivaldo, por conhecer, há mais tempo, o seu notável trabalho, de modo especial o realizado na área da pós-graduação. Ele é um trabalhador devotado ao seu ofício. Extremamente criterioso, orientou dezenas de mestrandos e doutorandos, sem jamais discriminar o escritor norte-rio-grandense, mas reconhecendo sempre...

Último samba do ano do Ribeira Boêmia é solidário

19/12/2022|

O Projeto Cultural Ribeira Boêmia promove, nesta quarta (21), o Último Samba do Ano. Uma Roda de Samba para fechar com chave de ouro a retomada de suas atividades do ano de 2022 e com um grande propósito: arrecadar donativos para os mais necessitados para esse Natal, além, é claro, de promover o trabalho da roda de samba. Tal qual nas edições anteriores dos Sambas Solidários a roda de samba também trará convidados que já confirmaram presença: Dodora Cardoso, Danilo Matos (Família Além do Normal), dentre outros a confirmar. O público poderá doar alimentos não perecíveis, materiais de higiene e limpeza, para atendimento às necessidades básicas dos beneficiários. O evento acontecerá no Borogodó Lounge, localizado na rua Coronel Cascudo, 144 – Centro, nas adjacências do Beco da Lama, com acesso gratuito, a partir das 19 horas. Mais de 400 famílias foram beneficiadas com as 6,5 toneladas de donativos arrecadados em eventos solidários já realizados pelo Projeto Ribeira Boêmia. Serviço: O quê: ÚLTIMO SAMBA DO ANO Quando: 21 de dezembro Onde: Borogodó Lounge localizado na rua Coronel Cascudo, 144 – Centro Contatos: Leonardo Galvão, produtor – (84) 99634-7999

Documentário Potiguar “A Deus Querer” é selecionado para Festival de São Paulo

14/12/2022|

A Deus Querer é o segundo curta-metragem da trilogia poética produzida e dirigida pela documentarista Mônica Mac Dowell a respeito dos múltiplos personagens que vivem na pequena Comunidade do Reduto, localizado no Município de São Miguel do Gostoso, no estado do Rio Grande do Norte. O curta, que estreou no Festival Internacional de Cine Documental Del Uruguay – AtlantiDoc, em outubro passado, será apresentado em São Paulo no Festival Cine MIS, no Museu da Imagem e do Som, neste sábado (17). O Festival CINE MIS é um panorama da diversidade de olhar que o cinema transmite sobre sentimentos, cidades, direitos humanos, entre outros temas universais que atravessam as relações humanas e a vida em sociedade. O documentário A Deus Querer é uma elegia à natureza e à vida campesina, onde a câmera do celular da diretora visita e perscruta, com muita delicadeza e minudência, o universo do personagem Seu Dadá, o protagonista do filme. A documentarista atribui ao filme uma sintaxe muito particular e uma semântica infrequente – ao gênero documentário – concedendo ressonância social ao sujeito retratado, respeitando a sua identidade e a sua história corriqueira e prosaica. Por meio da sua subjetividade estética e do olhar da sua câmera Mônica Mac...

Passaredo

14/12/2022|

Minhas caminhadas matinais com Snow nos permitem testemunhar alguns hábitos, obras, zelos e trabalhos de pássaros. Os tetéus, por exemplo, são barulhentos e topetudos. São protetores diligentes de “seu pedaço”, seja de dia ou de noite. O tetéu parece nunca dormir! Na verdade, até que tenta; segundo Cascudo, ele “põe uma patinha no meio da perna e fecha os olhos. A pata escapole e o tetéu acorda”, já soltando seu grito estridente característico. Daí, que é comum ouvir no Nordeste: esse menino parece que não dorme. É igual a um tetéu! A fêmea do tetéu põe os ovos diretamente no chão. Ah, e ai de quem ouse passar por perto! Principalmente, quando o casal já está com um teteuzinho, que facilmente se camufla no capim. Os tetéus são ousados, valentes: dão voos rasantes ao mesmo tempo em que gritam alto, azucrinando os ouvidos de quem ouse se aproximar. No Monte Belo, há um lugar preferido onde um casal de caborés – ou corujas buraqueiras – se abriga. Têm esse nome, porque escavam o solo para servir de ninho. São aves silenciosas e, com o resto do corpo imóvel, viram incrivelmente o pescoço para trás, numa rotação perfeita. Contudo, se chegamos...

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Blog do Sérgio Vilar

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