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paulo tito xeque mate

O progresso está matando o amor

Gosto de assistir o Xeque-Mate da TV Universitária.  Apresentado ao vivo, o programa traz entrevistas interessantes sobre uma variada gama de assuntos, com entrevistados que tenham algum tipo de relevância

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Santos Mártires

12/09/2025|

O longa-metragem “Santos Mártires – das relíquias à devoção” vai dar vida a um dos capítulos mais trágicos e emblemáticos da história do Brasil: os massacres de Cunhaú e Uruaçu, hoje reconhecidos como sinônimos de devoção e resistência religiosa e cultural. Com 70 minutos de duração, a obra costura depoimentos com reconstituições históricas, e tem lançamento previsto para outubro de 2025, em São Gonçalo do Amarante. Mais do que relatar um ponto de vista, o filme propõe uma experiência audiovisual que mistura duas linguagens complementares: entrevistas documentais e encenações dramáticas. A escolha estética confere à narrativa uma força visual e emocional, permitindo compreender como os relatos históricos se entrelaçam com a memória coletiva de fé e dor. A dramatização serve de apoio e de extensão às entrevistas, compondo uma “gramática audiovisual” que transforma o passado em presente vívido. Nas sequências de reconstituição histórica dos fatos ocorridos há 380 anos, a dureza da realidade colonial evidencia um retrato cru da perseguição religiosa, contrapondo a coragem de um povo que resistiu pela fé. A cada cena, o público é convidado a refletir sobre o que foi herdado dessas histórias – e como elas ainda ressoam no agora. A obra documental “Santos Mártires...

11/09/2025|

Um dos artistas da dita MPB que mais me fascinou foi Geraldo Vandré. Um cara que compôs um verdadeiro hino contra a ditadura – “Pra não dizer que não falei de flores” – e ainda o hit “Disparada”, parceria com Théo de Barros e sua canção mais regravada, simplesmente sumiu dos holofotes. E o raro, o cult é sempre mais fascinante, curioso. Sempre desejei entrevistá-lo. E o cara vai completar 90 aninho nesta sexta. Sem dúvida um compositor lembrado por canções que se tornaram símbolos de liberdade e coragem.

16º Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa abre inscrições para filmes

11/09/2025|

Um dos mais importantes festivais audiovisuais do Nordeste, o FINC – Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa chega a sua 16ª edição, nos dias 28 e 29  de novembro, no Espaço Arteco Camp, em Baía Formosa, se consolidando como um dos projetos mais duradouros em atividade no Rio Grande do Norte. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do festival (fincbf.com) até o dia 12 de outubro. Podem participar profissionais com ou sem experiencia na área do audiovisual. Para a sua 16ª edição, o FINC contará com três mostras competitivas. Uma das novidades dessa edição é a categoria Mostra “90 segundos”, onde serão aceitos filmes com 1 minuto e 30 segundos de duração. A categoria substitui a tradicional categoria de 1 minuto de anos anteriores, servindo como uma porta de entrada para realizadores audiovisuais em início de carreira, ou para aqueles que desejam explorar um formato mais conciso e desafiador. Os filmes precisam seguir o tema “Água”, criando obras que demonstrem criatividade e habilidade narrativa no curto periodo de tempo. O primeiro lugar desta categoria ganhará uma viagem, com passagem, hospedagem e alimentação inclusas, para o OFF CAMERA – International Festival of Independent Cinema, na cidade...

Martim Onirismo

10/09/2025|

De 4 a 18 de outubro, a Pinacoteca do Rio Grande do Norte, no Palácio da Cultura, abre suas portas para a primeira exposição individual do multiartista Martim Onirismo. Intitulada “Do Sonho Onírico ao Sonho Material”, a mostra reúne obras produzidas ao longo de sete anos de pesquisa, atravessando pintura, instalações e experiências sensoriais que convidam o público a percorrer um trajeto que nasce no inconsciente e desemboca nas dimensões concretas da vida. Com curadoria de Sanzia Pinheiro Barbosa, a exposição propõe uma travessia em espiral, na qual cada obra funciona como portal entre vigília e delírio, imaginação e realidade. O percurso começa com uma fechadura diante de um espelho — convite a olhar para dentro de si — e se encerra com uma cortina de chaves, símbolo de passagem e liberdade, ambos os símbolos fazem parte da identidade artística que Martim vem desenvolvendo durante esses anos. No centro, repousam os desejos materiais e coletivos que atravessam a experiência humana: moradia, alimento, trabalho digno e mobilidade. Inspirado por leituras de Nise da Silveira, Carl Gustav Jung e, principalmente, do neurocientista, escritor e professor do Instituto do Cérebro da UFRN, Sidarta Ribeiro, além de seus próprios sonhos analisados em terapia, Martim...

old is cool

09/09/2025|

A Titan Vinyl Store realiza mais uma edição do seu já tradicional Acústico da Titan, desta vez com o tema “Coffee Party”. O evento acontece neste sábado, das 14h às 18h, na loja da Titan, localizada no Shopping Center Natal Sul (Loja 68). A entrada é gratuita. A proposta é simples, mas irresistível: um rolê cultural vespertino que une música ao vivo, café especial e encontro de gerações musicais. �� Atrações Musicais Mila Marinho é uma cantora e compositora potiguar que ganhou destaque nacional ao participar da segunda temporada do programa “The Voice Kids” ,exibido pela Rede Globo em 2017. Após sua participação no programa, Mila continuou sua carreira musical, lançando EPs autorais que refletem influências do pop alternativo e indie. Recentemente lançou o EP “Vendaval”, que inclui faixas como “Casa Assombrada” e “Carnaval”, esta última em colaboração com Joca Costa. Atualmente, está trabalhando em novos projetos musicais e apresentando-se ao vivo com um repertório de músicas autorais e covers de referências alternativas, pop e rock. A Sete Anos de Azar é uma banda natalense composta por: Arthur G. Ramos, baterista e backing vocal; Felipe França, vocalista e guitarrista, e Pedro Henrique Neves. Formada no ano de 2022, o grupo vem trabalhando em um...

RAPentista de Mossoró realiza parceria com artistas de Moçambique e Nova Zelândia

09/09/2025|

O rap mossoroense se difunde em mais uma parceria internacional, através do clipe “(Des)Natureza Humana”. A obra é uma produção do coletivo Interligados, projeto que nasceu em Moçambique e que conta com participantes de todos os continentes. Neste clipe, o artista norte-riograndense Carlos Mossoró, o Rapentista participa ao lado do experiente rapper moçambicano Inspector Desusado, do também rapper Josedan Guetto Show (paulista radicado no Chile), além da cantora Maree Lawn, natural da Nova Zelândia. O beat também é do moçambicano Az Pro. Confira o clipe: https://www.youtube.com/watch?v=aw4w7DiSd4g&feature=youtu.be No som, os artistas fazem um manifesto musical em busca da conscientização pela defesa da natureza. Em tom de denúncia, os artistas de três continentes se reúnem para retratar episódios em que os seres humanos agem contra o meio ambiente. Os artistas também utilizam o clipe para enaltecer ativistas que fazem a defesa da natureza e se organizam em ações coletivas, para manter o equilíbrio climático internacional. O Interligados é um projeto iniciado pelo moçambicano Inspector Desusado e que conta com membros em todos os continentes. O grupo lançou  o álbum “O Poder dos Fracos” em 2020. O coletivo conta com Larame (Gabão), Inspector Desusado (Moçambique), Carlos Mossoró (Brasil), Pablo Crimini (Chile), IamLawn (Nova Zelândia),...

08/09/2025|

A voz grave de Angela Ro Ro será lembrada, sobretudo, em sua última estadia por essas bandas, durante o Fest Bossa & Jazz 2023, em Pipa. A cantora faleceu hoje, aos 75 anos. Docemente desbocada, deixa um legado de 145 obras musicais e 271 gravações registradas no banco de dados do Ecad. Entre elas, destaca-se “Amor meu grande amor”, sua canção mais regravada, com 39 fonogramas liberados, seguida de “Só nos resta viver” e “Tola foi você”. R.I.P. Angela Ro Ro.

Badu Morais

08/09/2025|

Conta-se que numa noite de lua, uma sereia coberta de ouro apareceu pra dois pescadores na tradicional Vila de Cananéia… Ela queria um espelho, um pente e uma fita. Assombrados com aquela imagem, os pescadores voltaram para a terra firme, quando um deles teve a ideia de capturar a sereia, sendo ela de ouro, ficariam ricos. Reza a lenda que a sereia por ser um ser místico, descobre o plano dos dois, levanta-se sobre as águas e lança uma “maldição”, sobre Cananéia, dizendo: Cananéia nunca mais! Esse é o mote para o novo filme da atriz e agora diretora potiguar Badu Morais, A Sombra da Sereia. O filme é co-dirigido por Humberto Bassanello e tem co-produção da Ms7Produtora, Suçuarana Filmes eIMGcontent e foi contemplado do edital PROAC Contos e lendas.. A última etapa de filmagem deste documentário será iniciado nesta segunda. “Ouvi essa história de um senhor, muito simpático, dono de uma loja de artesanatos o “seu Domingo”, que viria a ser um dos personagens do documentário. Ele completou a história dizendo que talvez por essa praga , Cananéia não tenha se desenvolvido, políticos foram caçados por corrupção e não haviam indústrias, como nas cidades maiores ou um grande comércio”,...

Forró potiguar ganha palco na França em busca de reconhecimento mundial

08/09/2025|

O Rio Grande do Norte marcará sua presença no cenário internacional com a participação de três artistas potiguares no 1º Festival Internacional do Forró de Raiz, que acontece entre 11 e 14 de setembro em Lille, na França. O evento, que se insere na Temporada Brasil-França 2025, servirá como palco para a formalização da candidatura do Forró como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em uma articulação do Consórcio Nordeste. A programação contará com a entrega simbólica do dossiê de candidatura pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “O forró é mais do que música e dança: é a alma do povo nordestino. Levar nossos artistas potiguares para a França, num festival que celebra a raiz dessa tradição, é reafirmar a força da nossa cultura e dar um passo importante para que o forró conquiste o reconhecimento mundial que merece. O Rio Grande do Norte tem orgulho de estar presente nessa luta coletiva em defesa da nossa identidade e da nossa história”, disse a governadora Fátima Bezerra A delegação do RN é composta pelos músicos Jarbas do Acordeon, Deusa do Forró, e Cláudio Araújo. Os três artistas são ativos na defesa do forró de raiz no estado e...

futebol e eSports

08/09/2025|

Corinthians lidera o ranking de clubes de futebol com mais títulos nos eSports, seguido por Flamengo e Cruzeiro, segundo estudo exclusivo realizado por BrasilApostas. Clubes brasileiros investem em FIFA, Free Fire e LoL, conquistando milhões em prêmios e revelando talentos promissores que já brilham em torneios nacionais e internacionais. Em um estudo exclusivo realizado por BrasilApostas, sua fonte confiável para notícias e análises do universo das apostas online, revelamos os clubes de futebol brasileiro que mais conquistaram títulos nos eSports. A pesquisa detalha o desempenho de equipes da Série A e B em modalidades como FIFA, Free Fire e League of Legends, destacando os mais vencedores e suas estratégias digitais. Com mais de uma década de evolução, os eSports se tornaram uma extensão estratégica para os clubes de futebol profissional no Brasil. A ascensão de modalidades como FIFA, Free Fire e League of Legends abriu espaço para conquistas que vão além dos gramados, com milhões em prêmios e uma nova geração de torcedores conectados. A fusão entre futebol e eSports: uma tendência irreversível A entrada dos clubes de futebol brasileiro no universo dos eSports não é apenas uma jogada de marketing. É uma resposta direta à transformação do consumo esportivo, especialmente...

Finalmente, um livro sobre os historiadores do Rio Grande do Norte

08/09/2025|

A editora Biblioteca Ocidente acaba de publicar o livro Historiadores do Rio Grande do Norte, organizado por Gustavo Sobral, Honório de Medeiros e André Felipe Pignataro. O livro reúne perfis biográficos de historiadores potiguares dos séculos XIX e XX. A obra é a primeira do gênero publicada no Rio Grande do Norte, um marco para a preservação e valorização da memória histórica e intelectual do estado. Cada capítulo foi escrito por convidados, entre pesquisadores, professores, escritores, estudantes e historiadores, que adotaram diferentes estilos, do acadêmico ao literário, do ensaístico ao tom de homenagem. O resultado é um mosaico de abordagens que reflete também a diversidade dos próprios historiadores retratados. O livro está disponível para download gratuito no site da editora Biblioteca Ocidente, https://revistagalo.com.br/selo-bo/, e também em gustavosobral.com.br. Para quem deseja adquirir a versão impressa, o título pode ser encontrado na loja UICLAP.

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06/09/2025|

A banda Camomila Chá está em processo de produção e gravação do seu terceiro álbum de estúdio. A banda, que já tem uma produção autoral consistente, está em turnê pelo Brasil e traz em suas obras mensagens de amor, harmonia, paz e reconexão entrelaçando poesias, mantras, meditações e movimento corporal em seus shows. Nesse desejo de um mundo melhor, as artistas se unem a Luana Simplício para o novo single e clipe “Seja Gentil”, uma música leve e com mensagem sensível e aconchegante. Com letra e música de Luana Simplício, poesia de Juliana Furtado e arranjos de Camila Pedrassoli, “Seja Gentil” chega ao mundo para inspirar mais amor ao próximo. O lançamento celebra a união das três artistas, que além de amigas e parceiras de trabalho, agora deixam registrado em imagem e som essa parceria de vida. A música, escrita por Luana Simplício, logo ganhou o coração de Camila Pedrassoli e Juliana Furtado, resultando na vontade de deixar registrado essa parceria musical. “Quando a Ju ouviu a música pela primeira vez, falou: “Lu, essa música é a “cara” da Camomila Chá e pensou logo em pedir a permissão dela pra gravar no nosso álbum novo. Mas com o tempo nossa...

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