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Os precursores dos roadies

No meu livro Dias Cinzentos, Noites Douradas, lançado em 2021 pela editora Unilivreira, que descreve a cena cultural de Natal no final dos anos sessenta até meados dos anos setenta,

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choro do caçuá

O Choro do Caçuá

O chorinho surgiu no Rio de Janeiro na segunda metade do século dezenove, sendo, portanto, um gênero musical autenticamente brasileiro. No início do século vinte, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazaré

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Festival MADA 2025 confirma atrações da 27ª edição

23/09/2025|

O MADA 2025 já começa a movimentar o cenário musical nacional com os primeiros nomes anunciados, que incluem grandes artistas da nova geração e projetos inéditos: e diversas outras atrações.  Sobre o MADA Criado em 1998, o Festival MADA é um dos maiores e mais respeitados festivais de música independente do Brasil. A cada edição, promove encontros sonoros que transitam entre o pop, o rap, o eletrônico, o rock e as raízes da música brasileira, com forte presença de artistas nordestinos. Mais do que um festival, o MADA é uma plataforma de visibilidade e intercâmbio cultural. Ao longo de suas 27 edições, já recebeu artistas como Emicida, Pitty, Baiana System, Elza Soares, Duda Beat, Xande de Pilares, entre muitos outros. SERVIÇO Festival MADA 2025 – Música Alimento da Alma  Data: 17 e 18 de outubro de 2025  Local: Arena das Dunas – Natal/RN  Ingressos: https://www.ingresse.com/festival-mada-2025/ Crédito da foto: Pedro Dimitrow 

Augusto Severo Neto

23/09/2025|

Poeta e escritor dos mais importantes, em nosso Estado, Augusto Severo Neto fez parte da Geração 61, que se projetou através da famosa Coleção Jorge Fernandes, mas a sua poesia, discursiva, extremamente lírica, sofreu influência da Geração 45. Apesar de sua inegável relevância, seja como homem de letras, seja como ativista cultural, ele vem sofrendo injusto ostracismo, ao longo das últimas décadas. As novas gerações o desconhecem. Até mesmo nos Cursos de Letras de sua própria terra, seu nome tem passado em brancas nuvens. Ainda bem que o Sebo Vermelho republicou, há algum tempo, trabalhos seus em prosa, como “De Líricos e de Loucos” e “Ontem Vestido de Menino”.  Mas, a sua obra poética clama por reedição. Augusto foi, além de tudo, uma extraordinária figura humana. Nasceu em Natal, a 22 de abril de 1922, e faleceu em Pirangi, município de Parnamirim (RN), a 16 de abril de 1991. Pertencente à tradicional família potiguar (entronca num dos conquistadores da Capitania, esgalha no organizador do estado republicano e no aeronauta pioneiro, seu avô, entre outros vultos ilustres), seguiu a princípio os passos do pai, tornando-se comerciante, mas logo voltou-se para as atividades culturais: graduado em Jornalismo e Comunicação Social, colaborou em...

Quadrinhos na Pinacoteca: “Contra o Calor – HQs pelo Futuro do Planeta”

22/09/2025|

Neste sábado (27), a Pinacoteca Potiguar será palco de uma experiência visual e reflexiva durante a Feira de Quadrinhos, que este ano integra a programação da Semana Nacional da Primavera dos Museus do IBRAM. Com o tema “Aquecimento Global”, a exposição “Contra o Calor – HQs pelo Futuro do Planeta” convida o público a mergulhar em narrativas gráficas que abordam os desafios ambientais do nosso tempo com criatividade, crítica e sensibilidade. A mostra reúne obras de artistas locais que utilizam o universo dos quadrinhos para traduzir os impactos da crise climática em linguagem acessível e provocadora. Entre tiras, charges e histórias ilustradas, os visitantes encontrarão personagens que enfrentam enchentes, calor extremo, desmatamento e dilemas éticos — tudo com doses de humor, poesia e indignação. Mais do que uma exposição, o evento propõe um espaço de diálogo entre arte, ciência e consciência ambiental. A iniciativa busca sensibilizar diferentes públicos, especialmente jovens e educadores, para a urgência de repensarmos nossa relação com o planeta.  **Local:** Pinacoteca Potiguar    **Data:** 27 de setembro    **Horário:** 9h às 16h    **Entrada gratuita** A exposição faz parte da 19ª edição da Primavera dos Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), que este ano tem como eixo temático a sustentabilidade e...

Tem Festival de Teatro Lambe Lambe de Natal nesta segunda e terça

22/09/2025|

Nos dias 22 e 23 de Setembro, 2ª e 3ª feiras respectivamente, o Labmask – Laboratório de Experimentos em Atuação e Máscaras (UFRN), promove o I Festival de Teatro Lambe Lambe de Natal. O Festival, que conta com a participação de 14 casas de espetáculos, desenvolvidas a partir de práticas sustentáveis, com reaproveitamento de materiais recicláveis, é resultado da oficina “Teatro Lambe-Lambe – oficina de capacitação para artistas-docentes em formação e professores (as) da Educação Básica do município de Natal. Durante o mês de setembro, as (os) participantes investigaram esse tipo específico de teatro de animação, que surgiu na Bahia, em 1989, através da pesquisa de duas artistas-mulheres, Denise di Santos e Ismine Lima. A formação foi coordenada pelo arte-educador e bonequeiro, André Campos (Unaí-MG) que além de ministrar as oficinas no modo remoto e presencial, vai acompanhar as apresentações do I Festival de Teatro Lambe Lambe de Natal. O pesquisador é atualmente um dos principais nomes responsáveis por transmitir a metodologia do Teatro Lambe Lambe no Brasil. O I Festival de Teatro Lambe Lambe de Natal é itinerante e gratuito, sendo que os trabalhos têm duração média de 3 minutos, o que proporciona o contato com um número maior de espectadores...

22/09/2025|

Nesta quarta (24) ocorre mais um dos concertos do The Big Series. E dessa vez o comando da noite fica com a Big Band Jovem e Orquestra Potiguar de clarinetas. O evento será gratuito iniciando às 19h30 no Auditório Onofre Lopes na Escola de Música da UFRN. 

22/09/2025|

Embarque numa misteriosa jornada que o chama a dançar e se aprofundar na pergunta “Quem sou eu?”. Esteja pronto para imergir em sons de floresta, temperados com batida eletrônica, pitadas de música clássica que se harmonizam com o violão e voz do artista multidisciplinar Joseh Garcia, piscólogo cujos profetos artísticos promovem o diálogo entre arte, psicologia e espiritualidade. A canção que se chama Who Am I?, de estilo organic house/downtempo é composta pelo cantor e produzida por Joseh e Henrique Saias (Gingaí), é tema do filme documentário canadense Who Do You Think You Are? A música Who Am I? está disponível em todas as plataformas digitais!

romário lima

21/09/2025|

A expressão sui generis é utilizada para definir algo único no seu gênero, ou seja: algo estritamente peculiar. Na música, por exemplo, várias vozes foram consideradas sui generis: no cenário internacional, podemos citar como exemplos Louis Armstrong  por seus “rasgos” vocais e Barry Gibb, dos Bee Gees, pelo seu falsete; no Brasil, Tetê Espíndola e Edson Cordeiro também podem ser considerados possuidores de vozes sui generis, juntamente com Ney Matogrosso. Na década de oitenta, período áureo das bandas de baile do Rio Grande do Norte, nosso estado também teve a oportunidade de conhecer pelo menos três intérpretes que tinham vozes sui generis e que se destacaram com suas vozes diferenciadas, cantando em falsete. Fernando Luna, que fez parte do Impacto Cinco e dos Terríveis, se destacou por sua extensão vocal cantando em falsete e deixando impressionado a quem o assistia. Na época, outro “crooner” de conjunto musical também chamava a atenção pelo seu falsete: Joãozinho, que fez parte dos Impossíveis e teve uma passagem por uma banda chamada… Sui Generis. A banda Sui Generis era formada por Romário (teclados e vocal), Rogerio (guitarra e vocal), Joãozinho (guitarra e vocal), Beto (bateria e vocal), e Paulo (contrabaixo). Em 1978 a banda...

variedade alimentar

21/09/2025|

Estratégias simples como planejar compras e utilizar sobras podem tornar a alimentação mais variada, acessível e rica em nutrientes essenciais no dia a dia. Uma alimentação equilibrada é um dos pilares para manter energia, saúde e bem-estar durante a rotina. No entanto, muita gente ainda acredita que diversificar o cardápio exige alto investimento, o que acaba gerando certa resistência a mudanças no prato. Pequenas escolhas estratégicas, tanto no mercado quanto na cozinha, já fazem diferença significativa, sem que seja necessário abrir mão do sabor ou da economia. Opções acessíveis como feijões, ovos, cereais integrais, frutas e legumes da estação conseguem criar experiências nutritivas. Descubra mais a seguir. Planeje suas compras com antecedência Quando o assunto é alimentação variada com economia, o planejamento se torna um aliado importante. Fazer uma lista antes de sair de casa evita compras por impulso e ajuda a direcionar melhor as escolhas no mercado. Além disso, pesquisar preços em diferentes estabelecimentos pode fazer grande diferença no orçamento. Muitos aplicativos e sites facilitam essa comparação, permitindo encontrar promoções e ajustar a lista de acordo com as melhores oportunidades. Outro ponto interessante é aproveitar as promoções semanais, comuns em mercados e hortifrutis. Ao antecipar a compra, há maior chance...

Periferia Transborda: Festival celebra arte, resistência e vozes trans no coração de Natal

19/09/2025|

Neste sábado (20), das 10h às 23h, o Centro Histórico de Natal será tomado pela energia pulsante da diversidade com a primeira edição do Festival Periferia Transborda. O evento, gratuito e aberto ao público, ocupará o Salão Nobre e o Pátio da Pinacoteca do Estado, além de um momento especial na Discol (Rua João Pessoa), reunindo arte, música, performances e debates que reafirmam o poder transformador da cultura e da representatividade trans e LGBTQIAPN+. Mais do que um festival, o Periferia Transborda é uma declaração de presença e orgulho. A iniciativa nasce da periferia e ecoa no centro histórico para reafirmar que as vozes trans e periféricas merecem estar nos palcos, nos debates e nos espaços de decisão. O festival celebra memórias como as de Jaqueline Brasil e Flavia Big Big, ícones trans, enquanto abre caminhos para novas gerações de artistas. Entre as atrações, destaque para a rapper e cantora Bixarte, residente em São Paulo e atualmente em cartaz ao lado da atriz Renata Sorrah, que promete um show impactante. A programação ainda traz nomes potentes da cena local como Vic Kabulosa, Ale du Black (em pré-lançamento de novos trabalhos), Sun Clàire (jovem talento do Passo da Pátria), O projeto...

19/09/2025|

Obras inéditas de mestres das artes visuais do RN, muitas nunca vistas pelo público, estarão reunidas a partir de 26 de setembro, às 18h na Pinacoteca do Estado, na exposição “Feito Potiguar: Identidade e Memória das Artes Visuais do RN” – uma iniciativa do Sebrae-RN, em parceria com o Conselho Estadual de Cultura, para prestar tributo àqueles que ajudaram a construir o cenário artístico do estado desde o fim do século XIX. A mostra vai reunir peças de 51 potiguares já falecidos, em sua maioria pinçadas do acervo da Pinacoteca. Nomes como Erasmo Xavier, Moura Rabello, Newton Navarro, Dorian Gray, Xico Santeiro, Maria do Santíssimo, Leopoldo Nelson, Zaíra Caldas, e tantos outros, compõem a seleção da exposição. Na ocasião, também serão homenageados dois grandes nomes que partiram recentemente – Célia Albuquerque e Vatenor, o “pintor dos cajus”.

RN submete proposta para Plano de Aplicação de Recursos do segundo ciclo da PNAB 

18/09/2025|

O Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/RN), submeteu nesta quarta-feira (17) sua proposta para o Plano de Aplicação de Recursos (PAR) do segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), antes do prazo final de 19 de setembro estabelecido pelo Ministério da Cultura (MinC). O documento foi construído após diálogo com a sociedade civil e prioriza o investimento em infraestrutura cultural e na formação de gestores, através da adesão às portarias 217 e 218, além do aprimoramento dos editais de fomento com base no feedback obtido por meio das escutas públicas. A secretária de cultura do estado, Mary Land Brito, destacou a importância de aderir a programas estruturantes para fundamentar uma nova política cultural no estado e no país. Para ela, a boa gestão dos recursos é fundamental para garantir a continuidade das políticas públicas. A secretária ressaltou ainda que a PNAB, ao levar recursos a todos os municípios brasileiros pela primeira vez, exige que gestores e técnicos estejam preparados para gerir esses investimentos de forma justa e eficaz. “É preciso que a gente fortaleça cada gestor para que o Programa Nacional de Aldir Blanc seja usado da melhor forma possível em cada município, em cada...

Casa da Ribeira lança ciclo de filmes focado em narrativas de diversidade e inclusão

18/09/2025|

A Casa da Ribeira celebra a inauguração de sua nova Sala de Exibição, ocorrida em agosto deste ano, com o lançamento do projeto “Cine Casa + Negra Diversidade”. Esta iniciativa marca a primeira atividade oficial de cineclube no espaço, consolidando o compromisso da instituição com a promoção da cultura e a garantia do acesso a públicos variados. O “Cine Casa + Negra Diversidade” é um cineclube mensal que se estenderá de setembro a dezembro de 2025, oferecendo uma programação gratuita dedicada à exibição de filmes que abordam narrativas da negritude, da cultura indígena e da inclusão no cinema. Cada sessão será acompanhada de bate-papos enriquecedores com profissionais do audiovisual e especialistas de diversas áreas da cidade, proporcionando um espaço para diálogo e reflexão. Este projeto representa a continuidade do objetivo da Casa da Ribeira de fomentar a participação de diferentes segmentos da sociedade na programação cultural, seguindo a tradição de festivais de cinema vivenciada nos últimos anos. A estreia do cineclube acontecerá nesta sexta-feira, 19 de setembro de 2025, às 19h, com a “Mostra Potiguar”. Esta primeira sessão especial apresentará cinco curtas-metragens produzidos recentemente por realizadores locais na Sala de Exibição da Casa da Ribeira. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente...

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