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adolescência

Infância, adolescência e ferrugem

Antes do sucesso absoluto da minissérie britânica Adolescência (2025), o cineasta baiano Aly Muritiba chegou aos cinemas com Ferrugem (2018). Em ambas histórias um garoto adolescente se vê responsável pela

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Lelé Alves

29/09/2025|

Poucas mulheres no Brasil trilham caminhos tão duradouros na New Age, gênero que respira silêncio, escuta e contemplação. A potiguar Lelé Alves é uma dessas raras artistas. Sua música nasceu do encontro entre o som instrumental, elementos do rock progressivo, o sopro leve do jazz e a quietude cultivada na meditação. É nesse espírito que a artista apresenta seu novo álbum nesta quinta-feira (2/10), data que celebra o Dia Internacional da Não-Violência e o nascimento de Mahatma Gandhi. O lançamento chega às plataformas digitais e ao canal Mudernage, no YouTube, que também trará a audiodescrição da capa, realizada pela Valoz Engenharia, para que a imagem possa ser sentida além do olhar. Gravado no estúdio Ícone-Mudernage em Ponta Negra (Natal-RN), o álbum percorre dez composições autorais, revelando paisagens sonoras que convidam à pausa e ao recolhimento. A capa, assinada pelo jornalista e fotógrafo Flávio Rezende, é como uma janela para esse universo. O projeto reúne ainda a sutileza das percussões de Edimar Rocha, o diálogo do contrabaixo de Paolo Araújo e a coordenação da própria Lelé Alves. CAMINHO DO AUTOCONHECIMENTO Além do som de sua guitarra, Lelé explorou timbres de flautas, oboés e sons eletrônicos gerados em sintetizador acoplado à guitarra,...

29/09/2025|

Os fãs da música eletrônica têm encontro marcado no dia 8 de novembro no gramado do Arena das Dunas: o Festival Vintage Culture. Reconhecido mundialmente por suas performances hipnotizantes e presença de palco magnética, Vintage Culture é dos maiores nomes da música eletrônica global. Com 9 horas ininterruptas de música, o festival contará com megaestrutura, cenografia especial e efeitos visuais de alto impacto. Uma verdadeira imersão sonora e sensorial. O evento conta com quatro setores disponíveis ao público: frontstage, colado no palco e em sintonia direta com o DJ; camarotes, oferecendo conforto e visão privilegiada em área elevada; backstage, para quem busca uma experiência premium em espaço exclusivo, também elevado, com visão especial do palco; e lounges, com ambientes privativos para grupos, unindo sofisticação, comodidade e descontração. Das 22h às 7h. Mais informações: @vintageculturern Vendas: duoticket.com.br

Livraria Manimbu

29/09/2025|

Abrir uma livraria no Brasil de hoje é um gesto de resistência. Em meio a tantas dificuldades, quando os índices de leitura insistem em desanimar, iniciativas que apostam no livro e na palavra ganham ainda mais valor. Foi com esse espírito que o poeta, escritor, artista plástico e editor Aluísio Azevedo Jr. inaugurou, em parceria com a professora e gestora Nadja Costa, a Livraria Manimbu Arte e Cultura, em Natal (Av. Marechal Floriano Peixoto, 544 – Petrópolis – Natal/RN). Aluísio não é novato nessa empreitada. Quem circulou pela Avenida Salgado Filho na última década, certamente se lembra da antiga livraria que ele manteve por anos, tornando-se ponto de encontro para leitores e escritores. Foi um espaço que marcou época na cena literária local, sobretudo com as famosas “Quintas Literárias”. Desde então, seu nome se consolidou, ao lado de alguns outros, como um verdadeiro Dom Quixote das letras potiguares, sempre erguendo a bandeira da literatura produzida no Rio Grande do Norte. A Manimbu surge como um espaço plural: além de estantes repletas de livros, oferece exposições artísticas e um miniauditório, voltado a debates, saraus e lançamentos. No confortável espaço cultural funciona ainda o Barros Café, de Dom Barros, que reúne música...

Walter Nazário lança videoarte combinando projeção mapeada e iluminação sincronizada à performance

26/09/2025|

Já está disponibilizado no youtube um novo videoarte idealizado pelo produtor musical Walter Nazário. Combinando sonoplastia, projeção mapeada, iluminação sincronizada aos sons e performance, Voyager 3 é mais um trabalho exploratório do artista, que nos últimos anos além dos discos de música, passou a produzir vídeos experimentais em busca de novas formas de expressão.  Assista Agora   Foto: Larinha Dantas / Cartaz: Marília Lins Voyager 3 é uma obra ficcional, inspirada livremente na história das missões espaciais Voyager 1 e 2, da NASA, que desde 1977 viajam no espaço levando uma compilação de gravações sonoras e imagens fotográficas sobre a vida no planeta Terra. A missão foi preparada por Carl Sagan com um objetivo curioso: apresentar o nosso planeta, de modo simples e direto, para uma possível civilização extraterrestre, saudando outras formas de vida. Menos otimista que as missões da NASA, a Voyager 3 de Walter Nazário viaja rumo a um futuro incerto, repleta de imagens e sons do presente, relatando uma história onde a própria existência do planeta e da espécie humana são colocadas em cheque.  Foto: Larinha Dantas Foi a partir da pandemia que Walter passou a explorar outras possibilidades para o seu trabalho artístico, primeiro com a live-session des-memória, lançada em...

carlota nogueira

26/09/2025|

Resolvi, então, testar as trends que pipocam nas redes sociais. Aqueles filtros milagrosos que prometem revelar sua versão mais glamourosa, futurista ou poderosa. E em quase todas, a minha imagem sequer lembrava quem eu sou. O algoritmo decide que eu preciso de mais ângulo, menos barriga, mais nariz fino e, claro, menos espaço. O pior é quando eu peço uma mulher real, com as minhas características. Aí aparece uma figura gorda, sim, mas desleixada, mal cuidada, sem brilho. Como se existir em um corpo maior fosse sinônimo de abandono, preguiça, derrota. E não é. Nem de longe. Não tem nada a ver comigo. Foi então que me bateu a pergunta: se eu me deixasse levar pelas imagens idealizadas que a máquina cospe, em vez de olhar para o espelho com respeito e admiração, o que sobraria de mim? O quanto isso não seria danoso para minha autoestima e para a de qualquer pessoa que já cresce ouvindo que só existe uma forma de ser aceitável? No Brasil, estima-se que 5,8% da população sofra de depressão ou seja, cerca de 11,5 milhões de brasileiros enfrentam esse transtorno mental. Além disso, pesquisas com adolescentes brasileiros revelam que 30,2% dos jovens relatam insatisfação com a imagem...

26/09/2025|

O tema das mudanças climáticas tem mobilizado professores e alunos de escolas públicas no Museu Nísia Floresta. Com exibições de filmes, rodas de conversa, contações de histórias e distribuição de mudas de plantas, o Museu Nísia Floresta reuniu algumas dezenas de alunos durante o evento Primavera dos Museus. A Primavera dos Museus é um projeto em rede, coordenado pelo IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, e que reúne em todo país, milhares de nstituições museais. Em Nísia, Primavera é também uma ação preparatória à realização do Festival Literário de Nísia Floresta – IV edição. O Festival é uma realização do Museu Nísia Floresta, do CECOP e o Pontão de Cultura e Comunicação. A iniciativa é patrocinada pelo Neoenergia Cosern e Instituto Neoenergia, e Governo do Estado, através da Lei Câmara Cascudo. E contou ainda com a parceria da Floresta Nacional/Instituto Chico Mendes por meio da doação de mudas de plantas.

26/09/2025|

Hoje (26) tem show histórico com As Potyguaras. O grupo musical feminino que celebra a cultura nordestina, especialmente o forró, com música de raiz e xote de meninas, se apresenta às 19h, na Casa da Anna, em Ponta Negra. Fundado em 2000, o grupo é liderado pela sanfoneira e professora do instrumento, Suzete Sales e inclui outras integrantes: Yasmin Brito (voz e triângulo), Cacau Brito (zabumbeira) e Jany Martínez (voz e agogô). O grupo já lançou vários álbuns em sua carreira musical. “Em Canto Potiguar” é um dos mais conhecidos e fez shows em diversas cidades, como São Paulo e Recife. A Casa da Anna fica na Av. Praia de Genipabu, 2152/sala 3 (via lateral ao Praia Shopping). Acesso livre! 

25/09/2025|

Sim, temos dois potiguares na mais prestigiada premiação literária do país. No eixo Produção Editorial, no segmento “Capa”, o artista visual e poeta Jean Sartief concorre como capista do livro “Desrazão”, pela editora Giro. E ainda Rafael Campos, na mesma categoria, como capista do livro “Dona Militana”, pela Editora da UFRN.

Beatriz Ferrario

25/09/2025|

Uma pirueta, duas piruetas… Bravo, Bravô! O universo mágico do circo e da palhaçaria ganha forma nas cores e pinceladas da artista potiguar Beatriz Ferrario. Com curadoria de Janderson Azevedo, a exposição “Bravo, Bravô!” será inaugurada no dia 02 de outubro de 2025, às 19h, na Pinacoteca do Estado do Rio Grande do Norte, e marca também o lançamento do livro “O Guia do Palhaço Ilustrado”. A mostra, que segue em cartaz até 2 de novembro, conta com maquetes táteis e audiodescrição, oferecendo uma experiência sensível e inclusiva a todos os públicos. A exposição surge a partir de uma série de 20 pinturas originais criadas para o livro, mas vai além: reúne obras inéditas e está organizada em cinco núcleos, que exploram diferentes aspectos do universo circense. As obras destacam a expressividade dos palhaços, figurinos coloridos, texturas intensas e padrões que evocam a lona do circo — criando uma atmosfera lúdica, poética e contemporânea. Resultado das pesquisas da artista sobre iconografia circense e palhaçaria, desenvolvidas durante sua graduação em Artes Visuais na UFRN, “Bravo, Bravô!” também dialoga com sua própria história. Ao ser perguntada sobre o porquê de retratar o universo circense, Beatriz recorda: “Eu venho de uma família que...

Como escolher a assinatura de vinhos ideal para seu perfil?

25/09/2025|

O artigo tem como intuito apontar como escolher uma assinatura de vinhos que se alinhe ao seu perfil como consumidor Escolher vinhos para o dia a dia ou para momentos especiais pode parecer simples, mas a enorme variedade de rótulos disponíveis no mercado torna essa tarefa um verdadeiro desafio. Para quem gosta de praticidade e quer descobrir novos sabores sem complicação, as assinaturas de vinhos são uma ótima solução. Elas funcionam como uma curadoria personalizada, ajudando você a explorar estilos, uvas e regiões vinícolas de um jeito acessível e conveniente. Além de receber as garrafas no conforto de casa, muitos clubes de assinatura enviam informações detalhadas sobre cada rótulo, o que facilita o aprendizado e amplia seu repertório. É perfeito para quem deseja desenvolver o paladar, acertar nas harmonizações e até conhecer vinhos que dificilmente aparecem nas prateleiras de supermercados ou lojas comuns. Mas, para aproveitar tudo o que essa experiência pode oferecer, é essencial escolher um plano que faça sentido para você. Há clubes com opções mais simples e outros com seleções premium e exclusivas. Uma dica é considerar um clube wine anual com desconto, que garante economia e regularidade nas entregas, ótimo tanto para quem bebe de vez...

Festival de Primavera e PoeArt trazem jazz, concurso de poesia e voz e violão ao IFRN

24/09/2025|

Nesta sexta (26), o Núcleo de Arte (Nuarte) estará promovendo o III Festival de Primavera e I PoeArt de verso a verso, a partir das 16h, na Praça das Rosquinhas do Campus Natal-Central do IFRN. O evento integra um dos projetos do Nuarte aprovado no Edital de Extensão Nº. 05/2025-PROEX/IFRN – Apoio aos Núcleos de Artes, que fundiu duas ações já existentes na Instituição. A abertura contará com performance artística dos estudantes do 3o ano dos cursos de Administração e Controle Ambiental, vinculados ao “Projeto Abrace o seu Romance”. Em seguida, o Trio IF Jazz, formado pelos instrumentistas Valdier Ribeiro (Piano), Cleyton Cassemiro (sax) e Chiquinho (baixo elétrico), servidores do IFRN-CNAT, trará releituras de clássicos da música popular, inserindo elementos que se assemelham à estética artística do Jazz. No segundo bloco do Festival, acontecerá a cerimônia do Poeart, concurso nacional de poesia que premiará seis poetas, iniciantes e veteranos. Na ocasião, ocorrerá um sarau no qual serão declamados os textos que obtiveram as melhores colocações e comporão a coletânea. Em voz e violão, Olívia Luz, aluna do curso de Edificações e membro da Orquestra Jovem do CNAT, oferecerá um revival de clássicos de Rita Lee. E também o grupo de carimbó fará...

23/09/2025|

A eleição para seleção da Comissão será nesta quinta-feira, das 9h às 15h, na Funcarte. Os nomes inscritos, são: Larissa Bianca (produtora e gestora cultural), Leonardo Crispim (agente cultural), Maurício Reis Cavalcante (turismólogo e produtor de eventos), José Renato Varela de Souza (empresário e produtor cultural), Samara Taiana de Lima Silva (pesquisadora e professora), Thays Silva de Lima (produtora audiovisual, social media e apresentadora).

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