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A REVOLUÇÃO TRANSUMANISTA

BIBLIOBUNKER: A Revolução Transumanista

A Revolução Transumanista Autor: Luc Ferry Tradução: Éric R.R. Heneault Editora: Manole Ano: 2018 181 páginas   Tem livros que são literalmente uma cilada. Não porque sejam mal escritos, mal

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dorian lima

Dorian e o tapete navegador

Corria o ano 1992, um bando de artistas malucos se abrigava em Mãe Luiza para engrossar o caldo da campanha a vereador do Doutor Zizinho, que tinha como marca aglutinar,

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medicina

A medicina passo a passo

Em Hamlet – quarto ato, cena 3 – Shakespeare usou a expressão: “As doenças desesperadoras se curam com medicações desesperadas”.  Ao longo do tempo, a medicina parece mesmo seguir o

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Potiguares concorrem a prêmio nacional pela contribuição na arte e cultura

30/11/2022|

Três potiguares estão concorrendo ao Prêmio Inspirar, realizado pelo Instituto Neoenergia, com o intuito de promover a valorização de lideranças femininas que contribuem para suas comunidades através da arte e cultura. Ao todo, 13 mulheres serão escolhidas por meio do voto popular e 3 por mérito cultural. Elas vão dividir uma premiação de R$140 mil. A votação segue aberta até 1 de dezembro. As iniciativas inscritas na premiação foram avaliadas por um comitê externo composto por mulheres. Entre as finalistas do Rio Grande do Norte estão Renata Deniz, Andreia de Souza e Diana Fontes. Concorrendo na categoria Pessoa Física/MEI, Renata Deniz age em prol da tradição das rendeiras, através de pesquisa e mapeamento, aquisição de acervo, capacitação, formalização da Associação Rendeiras da Vila e participação em feiras e escolas. Já Andreia de Souza, que concorre na categoria Coletivos e Grupos não formalizados, atua no Movimento Mulheres na Contramão. A iniciativa utiliza a arte como instrumento de inclusão, realizando atividades e ações socioculturais diversas (como saraus, audiovisual, flashmobs, música e livros), além de ações de empreendedorismo. Diana Fontes foi a potiguar escolhida na categoria Produtoras Culturais ou Organizações da Sociedade Civil. Sua Empresa atua através da escuta em comunidades, para a...

Músico potiguar inova e lança álbum com 15 faixas de 15 segundos

30/11/2022|

Nesta quinta feira (1º), 20h, estreia no Youtube o videoclipe da música “Refrão” do artista potiguar SONGY. “Refrão” é o primeiro videoclipe do seu álbum “15 Seconds to the Existence Void”, em bom português “15 Segundos para o Vazio da Existência”, o qual terá a cada 15 dias um novo videoclipe estreando no canal do artista no Youtube. O videoclipe de “Refrão” traz como protagonista o nonsense potiguar Bob Crazy, performer de si mesmo nos premiados curtas [IN]SUSTENTÁVEL e O ELO PERDIDO, tendo também integrado bandas potiguares históricas como Fluídos e Cabeças Errantes. Acerca de “Refrão” Songy comenta “É um sarro em relação à proliferação de podcasts e seus formatos. Além do título sugerir que a música é um refrão que não se assume como tal.” O álbum “15 Seconds to the Existence Void” chegou nas plataformas de músicas no último dia 15 de novembro exatamente as 15h15. A fixação no “quinze” não é por acaso, é o conceito irônico em torno do qual toda a obra foi concebida. Songy se baseou em pesquisas do mercado da música, que apontam que uma grande parcela das pessoas não consegue atualmente ouvir uma música por mais de 15 segundos. Nesta inquietação se desafiou a...

julio lima

30/11/2022|

O artista Júlio Lima revisita suas raízes nordestinas sem perder seu caráter cosmopolita que o acompanha desde o início de sua carreira. O show “Universo do Acolá” contará com as cinco canções que compõem seu novo EP, de mesmo nome, mas também canções consagradas de seus trabalhos anteriores como seu primeiro álbum “Há Sempre Música” (2009) e seu EP anterior “Idiocracia” (2019). No novo EP o público poderá ter acesso a um trabalho especial, com canções que evocam temáticas românticas, críticas e reflexivas relacionadas aos aspectos históricos e socioculturais do RN, do Brasil e do mundo. No palco, Júlio contará com um novo formato de banda e acompanhamentos de peso da música potiguar como Betão Tavares (contrabaixo), Franklyn Nogvaes (guitarra), John Fidja Gomes (bateria acústica e eletrônica) e a participação especial de Bruno Cirino (sanfona). O show “Universo do Acolá” de Júlio Lima conta com o apoio do SESC através do Edital Sesc Poti-Cultural – Linha Pluralidade das Artes. Lançamento do EP “Universo do Acolá” Dia 3/12 Local: Cervejaria Resistência (Ponta Negra) Horário: 20h Entrada Gratuita

manas na rua

29/11/2022|

Coletivo de mulheres Manas na Rua leva dignidade e comida vegana a pessoas em contexto de vulnerabilidade Há 2 anos, em 28 de novembro de 2020, cinco amigas feministas iniciaram, em Natal, a distribuição gratuita de café da manhã vegano a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Os locais escolhidos são o baldo da Ribeira e o antigo prédio do INSS.  Mais do que uma data comemorativa, o coletivo, que hoje conta com mais de 30 voluntárias, vem compreendendo este marco sob outras perspectivas. Além do combate à fome, a ação busca popularizar o veganismo, oferecer espaço de escuta, identificar as necessidades coletivas e buscar supri-las, a partir de doações junto à sociedade civil. Desde o primeiro sábado, 105 encontros matinais ininterruptos já aconteceram, atendendo, principalmente, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, população em situação de rua e pessoas LGBTQIAP+. Semanalmente, o projeto distribui um cardápio fixo com pães recheados, duas opções de frutas, cuscuz ou mungunzá, bolo de chocolate, café, suco e água. “O café da manhã é a refeição mais importante do dia, e como os restaurantes populares estão fechados no fim de semana, o coletivo elegeu o sábado para distribuir na rua um café da manhã delicioso, nutritivo, sem...

leão neto

29/11/2022|

O compositor Leão Neto apresenta 𝐂𝐚𝐫𝐧𝐚𝐯𝐚𝐥 𝐓𝐫𝐚𝐝𝐢çã𝐨: 𝐬𝐞𝐮𝐬 𝐬𝐨𝐧𝐬 𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐢𝐥𝐨𝐬 a partir das 19h desta terça, no Instagram @culturarn, da Fundação José Augusto. Será um resgate e valorização da tradição do Carnaval por meio de uma aula espetáculo virtual, que conta a história e exibem os principais ritmos musicais populares brasileiros, como o frevo, o maracatu e as marchinhas. Durante a transmissão, o artista apresentará histórias, personagens, além de interpretar canções que marcaram o universo carnavalesco e marcaram o imaginário popular no Rio Grande do Norte e no Brasil. A live, que terá interação do público, marca o início da retomada da programação momesca no RN para 2023, após a suspensão da festa durante o período da Pandemia da Covid durante os anos de 2021 e 2022.

RUX

29/11/2022|

As cidades de Ceará-Mirim e São Miguel do Gostoso serão as privilegiadas em receber o projeto circulante RUX, nesta quarta e quinta, respectivamente. O RUX é um experimento musical instrumental inspirado no Brasil, mas de olho na África, no groove americano linkado ao que tem sido feito no new jazz pop incensado nos festivais mundo afora. Em Ceará-Mirim o show será apresentado no Centro Patativa de Assaré, às 17h. E em São Miguel do Gostoso, na Rua da Xêpa, às 21h, com participação especial da banda Camarones Orquestra Guitarrística. Ambos gratuitos. Para essas apresentações nas quatro cidades potiguares, o projeto recebeu o apoio do Edital de Economia Criativa do Sebrae, agregando outras artes e workshops. Além de Ceará-Mirim e São Miguel, o RUX já se apresentou em Pipa e na cidade de Santa Cruz. O RUX nasce da união do baterista Silvio Franco com a jovialidade tecnológica dos beats eletrônicos e percussão de Yves Fernandes, e de nada menos que a genialidade, arranjos e criatividades do baixista Sergio Groove. Sergio Groove Dentro de seus 30 anos de carreira, Sergio tem uma característica própria, considerado uma referência no contrabaixo brasileiro da atualidade. Participou de diversos festivais instrumentais nacional e internacional, sendo...

Outra Copa do Mundo

29/11/2022|

É Copa do Mundo, maior evento do esporte mais popular do mundo, e jogam Argentina e México. A Argentina de Lionel Messi, um dos mais importantes jogadores de todos os tempos e certamente entre os dois maiores da atualidade. A mesma Argentina elevada a desafeto máximo do futebol brasileiro, o nosso antagonista favorito. Pela janela, ouço os meninos na rua gritarem “um a zero, um a zero”, mas não é ao jogo da Copa que se referem. É fim de tarde ameno de um sábado bonito, a rua tranquila, boa parte do país em frente a alguma tv ou computador por aí, vidrados, como se o destino da parte escura do mundo estivesse na iminência de ser decidido. A tarde perfeita para ver um jogo de Copa. Mas o “um a zero” que os meninos comemoram não está sendo transmitido pela tv nem jogado num estádio que brotou no meio do deserto catari, sob o sangue de milhares de trabalhadores. Estão jogando na rua, com a bola de borracha e traves improvisadas com chinelos e paralelepípedos. Estão decidindo o mundo no meio da rua enquanto o mundo se resolve num campo de outro lado do planeta. Correm, entregam uma infância...

Herpes zoster ou cobreiro

24/11/2022|

As doenças virais, por vezes, são difíceis de se entender. Não seguem uma lógica padrão, a exemplo da maioria das doenças, conforme a sequência da fisiopatologia. A mais recente doença viral que se tornou numa pandemia, a Covid 19, além do rastro de mortandade e de sofrimento mundo afora, também revelou casos totalmente anômalos, na prevenção, no diagnóstico e no tratamento. Diante de tanta dúvida, de tanta celeuma, o melhor caminho é seguir a boa ciência, no intuito de acertar mais, ou até, de errar menos.  Um dos principais vírus que exibe excêntrica explicação para as doenças que provoca, é o causador da varicela e do herpes zoster. É o mesmo agente etiológico, nominado vírus varicela zoster, causador de duas doenças totalmente diferentes.  Uma pessoa que se curou da varicela ou catapora, mantém dentro do organismo, nos gânglios neurais sensoriais, o agente causador dessa virose, na espreita para voltar a atacar, a fim de se revelar sob o diagnóstico de herpes zoster ou cobreiro. O momento provável do ataque ocorre quando a imunidade se reduz por algum motivo, seja por uma doença grave, por tratamento imunorredutor ou mesmo pelo avanço da idade. Na Folha de S. Paulo, li recente matéria...

Cultura(s), Lei Seca e a (falta de cerveja na) Copa do Mundo 2022

22/11/2022|

Todos em clima de Copa! Porém, desabastecidos de cerveja no país-sede… Um fato trágico! Não tem quem discorde, principalmente quando a notícia vem com 48h de antecedência ao início do mundial (no último domingo). No dia de hoje, já no quarto dia de evento, é pouco provável que alguém já tenha se acostumado a ser abstêmio diante dos jogos, principalmente aqueles que os acompanham nos estádios. O que está havendo é a instauração de uma verdadeira lei seca! Algo muito antigo, que já vigorou em outros locais de forma rígida, como nos Estados Unidos, entre 1920 e 1933, e até hoje ainda vale em situações excepcionais aqui no Brasil, em época de eleições. Spoiler: ela nunca deu certo em nenhum lugar do mundo! Se alguém tinha alguma dúvida que a cultura cervejeira impacta de algum modo a cultura de maneira mais ampla, não há melhor exemplo do que esse. Então, vamos debater um pouco a hipocrisia cultural quando se trata de elementos cervejeiros hoje! Culturalismo, cerveja e grandes eventos Se existem 3 temas dos quais eu posso me orgulhar em minha carreira acadêmica são esses três: culturalismo (o tema do meu doutorado: https://rb.gy/q3yeus), cerveja (com mais de 4 mil exemplares...

Conexão Elefante Cultural lança websérie

22/11/2022|

Depois de circular por 8 municípios do Rio Grande do Norte, o projeto Conexão Elefante Cultural chega à última etapa do ano, com diversos lançamentos audiovisuais. A partir desta terça-feira, 22, vai ao ar, no Youtube, a websérie Cartografia do RN Profundo. Com 8 episódios, a série de curtas traz como personagens moradores de Alexandria, Currais Novos, Campo Redondo, Elói de Souza, Grossos, Lajes Pintada, Riacho da Cruz e Paraú, cidades por onde o projeto passou em 2022. Depoimentos, lendas, poemas, religiosidade, histórias e brincadeiras populares são algumas das temáticas abordadas na série, criada de maneira colaborativa por vários integrantes da Trupe da Luz, dirigidos por Diana Fontes. Já a direção da websérie e as entrevistas estiveram a cargo de Jhoao Junior, ator e diretor de referência no trabalho com arte comunidade. André Rosa, assina a fotografia e edição da série. O material foi inicialmente criado para integrar o espetáculo de cada cidade contemplada pelo projeto. “Dando voz a diferentes pessoas, em praça pública, queríamos de alguma forma despertar o sentimento de pertencimento dos moradores e a necessidade de se preservar os mestres, a cultura e história dos lugares. Com os vídeos prontos percebemos que os registros precisavam ganhar o...

Rafael Jackson lança primeiro álbum de sua carreira com muito pop e ritmos afro

22/11/2022|

Nesta quarta (23) o músico potiguar Rafael Jackson lança ”Ensaio dos Vendavais”, primeiro álbum solo de sua carreira. Compositor, multi-instrumentista e produtor musical, Rafael vive em Macaíba e atua no cenário musical de Natal em projetos autorais como Igapó de Almas, Diniz K9 e Felipe Wander. O disco, lançado pelo selo Rizomarte Records, possui 10 canções de sua autoria e conta com as participações de Luísa Nascim, Clara Pinheiro, Aiyra, Dani Lucass, Jennify C., Sérvio Túlio, Alberi Jr. e Felipe Wander. Soma-se ao time o produtor musical Walter Nazário, responsável pela mixagem e masterização das faixas. Aos 35 anos de idade, Rafael Jackson oferece ao ouvinte um trabalho maduro em termos sonoros e poéticos. Seu ”Ensaio dos Vendavais” combina três elementos fundamentais: a força poética e melódica de um cancionista inspirado; a sabedoria rítmica afro-brasileira e a sofisticação harmônica na construção dos arranjos. Variando entre diferentes atmosferas, as músicas narram vivências, pensamentos, sensações e questionamentos presentes no caminho de vida do artista. Por meio de experimentação com programações eletrônicas, percussão, sintetizadores e timbres de guitarra, o resultado é pop no melhor sentido do termo. Música preta contemporânea ao seu tempo, incisiva, que faz dançar e pensar. Com cerca de trinta...

Eu já fui Dilma Rousseff

21/11/2022|

Por Susana Barros Eu já fui Dilma Rousseff. Há quem seja Napoleão, ou mesmo o Harry Potter, eu, no entanto, transformei o país numa chacota. E o que eu falava era motivo de zombo. Mas o depakote, o carbolitium e o rivotril fizeram efeito; e, por isso, não somente torci, até o último “pela pátria e pela família”, por uma reviravolta, mas também findei percebendo que uma mulher digna havia sido injustiçada. Antes dos antipsicóticos, todavia, se eu apenas cogitasse virar um jacaré, talvez nisso eu me transformasse. E se eu somente pensasse, o pensamento, como que por milagre, viraria caracteres nas redes sociais. Na época, havia também uma conspiração mundial ceifadora, e cada piscadela, placa de trânsito e outdoor, avisavam que o meu fim estava próximo. Vivenciava, pois, um momento de desorganização psíquica caracterizada pela perda de noção da realidade, e apresentava comportamento descompensado e psicótico. No meu surto, constavam delírios, alucinações, confusão mental, um discurso desorganizado e incoerente, além de uma alteração de humor e perda da noção de tempo. Minha experiência foi singular, entretanto, dia desses, me dei conta de que esse fenômeno também pode atingir, simultaneamente, dezenas ou centenas indivíduos que integram o mesmo grupo social....

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Blog do Sérgio Vilar

Fotografia potiguar no mundo

O poeta, artista visual e fotógrafo potiguar Jean Sartief expõe em um dos mais prestigiados salões de fotografia de rua de Portugal, o Mira Mobile Prize. A mostra é fruto de uma premiação – 21º Prêmio Mira Mobile – que

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Red Dog Pub reabrirá ainda em 2026

Um dos poucos e mais legais pubs de Natal, o Red Dog Pub não ficou pelo caminho do modismo, como tantos espaços que abrem, “bombam” e, pouco depois, passado o período da modinha tipicamente natalense, fecham. O pub fechou no

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