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Carta para Francisco Julião

Quero amar você de todas as maneiras Que eu puder viver você Por todos os caminhos Que eu puder sentir você Gonzaguinha Meu bem, este é o quarto aniversário seu

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Eu e ela na janela

Sempre gostei de janelas. Parecem os olhos da casa. Se nossos olhos são as janelas da alma, as janelas da casa têm um pouco disso também. Se abertas, parecem convite

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PLURIBUS me enganou

Paula Pardillos

Em Pluribus (série da AppleTV, lançada em 2025), a paz mundial é alcançada quando um vírus une (quase) todas as pessoas em uma mente coletiva — isto é, a empatia completa é alcançada. Consequentemente, toda a sociedade se organiza em torno da sobrevivência do planeta e de cada ser vivo nele. A protagonista é Carol, uma clássica anti-heroína: alcoólica e anti-social. Durante toda a trama, ela permanece completamente resistente a cada mudança: não se pode economizar energia à noite, porque ela quer ver a cidade acesa. Não se pode comer pessoas após a morte, mesmo com consentimento delas, porque… ela acha chocante demais? O ser humano não pode se recusar a matar um animal, porque é… humanitário demais? Não sei. As razões de Carol são dadas como auto-evidentes, sem mais explicações. Minha experiência assistindo à série foi de ficar extremamente frustrada com a personagem de Carol, ao mesmo tempo que fiquei verdadeiramente empolgada com o quanto a narrativa estava escrachando o individualismo estadunidense. Que tempo vivemos! Os americanos (sic) admitindo os erros da ideologia que eles nos forçaram goela abaixo durante a colonização cultural. Suas instituições estão completamente falidas — e também os seus cidadãos, à mercê de corporações. A coletividade está ganhando espaço no entretenimento mainstream! Que momento! Mas… no último episódio ficou abundantemente claro, para mim, que o discurso da série era outro. Independentemente de Carol ser uma anti-heroína, a obra se filia à sua moral. Alguns acontecimentos, e a forma como são dirigidos (por exemplo, o momento em que uma personagem, que vive em uma vila rural isolada, faz a transição para a mente coletiva e todos afastam-se com o semblante apático), transmitem um senso real de estranhamento e medo do vírus. Como também a conclusão da temporada, quando o Oviedo (o personagem Paraguaio que também resiste à Mente Coletiva) junta-se à Carol. Nesse movimento fica implícito que a próxima temporada será sobre a luta dos dois — pintando a atitude de ambos como um teamwork heróico (um tropo amado em hollywood), quando eles saem do lugar do egoísmo (para uma noção de não-egoísmo da cultura estadunidense, claro) para salvar o mundo. Lembrou-me uma análise de Eu Sou a Lenda, do Slavoj Zizek¹. Foi nesse ensaio dele que fiquei sabendo que no livro original², em que se baseia o filme, o ponto de vista da narrativa é diametralmente oposto. Na história original (do livro, e da primeira adaptação, de 1964³)...

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Moisés de Lima

Músico potiguar leva ao Figa Bar repertório que conecta blues, rock, gaita e ancestralidade afro-brasileira

Redação

A música autoral potiguar ganha mais uma noite de palco nesta sexta-feira (25), com a apresentação de “Black In”, projeto do músico, compositor e jornalista Moisés de Lima. O show acontece a partir das 20h, no Figa Bar e Cultura, na Vila de Ponta Negra, em Natal. A apresentação reúne músicas autorais, releituras instrumentais e composições que atravessam diferentes momentos da trajetória do artista. O blues e o rock aparecem como pontos de partida para uma sonoridade que incorpora referências afro-diaspóricas, elementos da cultura afro-brasileira e uma pesquisa pessoal sobre ancestralidade e identidade. Um dos diferenciais do trabalho é a presença da gaita diatônica, instrumento que ocupa lugar central na atual produção de Moisés. Conhecido por sua atuação como baixista, guitarrista e compositor em diferentes bandas da cena potiguar, o músico vem desenvolvendo na carreira solo uma linguagem própria para a gaita, aproximando o instrumento da tradição do blues e de outras matrizes musicais. O repertório de “Black In” inclui músicas do single “Afrika”, lançado em 2024, e do EP “Black In”, de 2025. Os dois trabalhos foram realizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) e lançados pelo selo Mudernage. A faixa “Black In” traz uma homenagem especial ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, nome ligado à contracultura potiguar e que marcou a trajetória de Moisés de Lima. O projeto também chega ao palco depois de um ano de reconhecimento para o artista. Em 2026, Moisés recebeu o Troféu Hangar de Melhor Compositor do Ano. O trabalho “Black In” também foi indicado nas categorias Melhor Canção e Melhor EP. Da cena alternativa ao trabalho solo A história musical de Moisés de Lima começou no final dos anos 1980, quando Natal vivia uma efervescente cena alternativa. Desde então, o artista participou de diferentes projetos e bandas, entre elas Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs. Ao longo dessa trajetória, também integrou Revolution 5 e The Anthologics, além de estabelecer parcerias com diversos músicos da cena potiguar e de outros estados. Paralelamente à música, Moisés construiu uma longa trajetória no jornalismo cultural, acompanhando de perto artistas, bandas e movimentos que ajudaram a formar a identidade musical do Rio Grande do Norte. Essa experiência se encontra agora em “Black In”, projeto em que música, memória e pesquisa caminham juntas. No show desta sexta, Moisés de Lima estará no palco com Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes...

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BIBLIOBUNKER: Discurso sobre o colonialismo

Pablo Capistrano

Discurso sobre o colonialismo Autor: Aimé Césaire Tradução: Cláudio Willer Editora: Veneta Ano: 2020 Páginas: 132 “A Europa é indefensável”. De fato… no que diz respeito aos holocaustos coloniais produzidos em larga escala por países europeus nos últimos 500 anos, essa afirmativa, contundente e taxativa, não parece exagerada. O ensaio: “Discurso sobre o colonialismo”; escrito pelo poeta martinicano, Aimé Césaire, e publicado pela primeira vez em Paris no ano de 1950, pela Éditions Réclame, deixa bem à mostra a arquitetura de pensamento que faz com que essa frase, repetida em memes, posts ou comentários, neste circo romano digital que atende pela alcunha de “rede social”, não seja apenas uma mera hipérbole. Ligado ao movimento surrealista de André Breton e ao partido comunista francês, Aimé Césaire foi um personagem central da luta política anti racista e anti colonial do século XX. Ao publicar, em 1935, na revista L´étudiant noir, um artigo intitulado Nègreries: conscience raciale et révolution sociale, Césaire foi responsável pela construção da noção de “negritude”, utilizada e popularizada posteriormente por Léopold Sédar Senghor (primeiro presidente do Senegal livre). Como se não bastasse isso, o poeta também foi uma figura fundamental na formação intelectual de Frantz Fanon que, seguindo seus passos, construiu uma das obras mais densas e contundentes sobre os efeitos do racismo e do colonialismo no mundo contemporâneo. Considerado por muitos críticos como o maior poeta em língua francesa do século XX, o autor desse ensaio clássico, teria produzido também, no julgamento de pessoas como o historiador C. L. R. James “o mais selvagem ataque contra a sociedade burguesa que eu já vi em versos”. De fato, amigo velho, esse ensaio fundamental da luta anticolonial é uma porrada. Especialmente porque, no contexto em que o livro foi publicado, logo após a hecatombe das duas grandes guerras mundiais e no esteio da debacle do nazi fascismo mundo afora, seu impacto e o mal estar que suas ideias causaram no mundo intelectual francófono, foi desconcertante. Esse mal estar já havia sido sentido dois anos antes da publicação do livro quando, em 1948,  Césaire, “por equívoco” fora convidado a escrever sobre a colonização, a união francesa e as províncias do ultramar na revista conservadora Chemis du Monde. Desde de 1945, eleito deputado do parlamento francês pela Martinica, Césaire já promovia a denúncia dos massacres perpetrados pela França em suas colônias, escandalizando as elites políticas parisienses que aguardavam, de sua parte, uma postura de reconhecimento...

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Encontro de Música Contemporânea de Natal começa na próxima semana

Redação

O Programa de Pós-graduação em Música da UFRN realiza o 2º O Encomun- Encontro de Música Contemporânea de Natal entre os dias 22 e 25 de setembro, na Escola de Música da UFRN Com uma programação dedicada à produção, pesquisa e experimentação no campo da música, o ENCOMUN reúne artistas e pesquisadores em debates mediados por palestras, oficinas, recitais e atividades formativas. O evento conta com o apoio do CNPq a partir do projeto “Novas Metodologias na Criação e Registro de Obras para Música de Câmara”. Os pesquisadores-artistas Alexandre Lunsqui (Unesp), Bruno Ruviaro (USP), German Gras (UECE) e Victor Moretti (USP) estão entre os convidados do evento. Grupos Permanentes da EMUFRN como Gil, OPC e OCA também participarão do evento, além do duo Presgrave/Holanda, Duo Cesetti-Qi e Duo dialético, entre outros. A programação contempla temas que discutem a pesquisa em música contemporânea a partir de sua relação com a criação, a performance, processos colaborativos e novos usos de tecnologia. Serão quatro palestras: “Falando em ritmos: a criação musical e o comportamento rítmico sobre a fala”, com Heather De Jennings, “Convite à Escuta da Música Espectral”, com Alexandre Lunsqui; “Quando a prática se torna pesquisa: relatos de uma performer-pesquisadora”, com Luciane Cardassi, e uma abordagem dedicada à obra do compositor alemão Helmut Lachenmann, apresentada por German Gras. As atividades formativas ocupam um espaço importante no Encomun. A programação inclui a Oficina-Ensaio da Orquestra de Laptops, a Oficina de Edição de Partituras, a Oficina de Improvisação Livre, realizada pelo GIL – Grupo de Improvisação Livre, e a oficina “Ambissônics: colocando o ouvinte no centro da música”. As atividades ampliam o espaço para a experimentação e para o contato direto dos participantes com diferentes processos de criação musical. O encontro oferece também uma programação artística com recitais todos os dias, sempre às 19:00 horas e com entrada franca. Entre eles estão o Recital de Abertura no auditório Oriano de Almeida e os recitais “Música Popular e suas interfaces”, com a Orquestra de Câmara da EMUFRN, Bravo e convidados, além de “Piano Contemporâneo e GIL – trilha sonora” e “A música de câmara contemporânea”, todos no auditório Onofre Lopes. O professor da EMUFRN Uaná Barreto fará um recital-palestra apresentando seu projeto “Calendário do Som”, inspirado na música de Hermeto Paschoal na sexta-feira, dia 25 de setembro de 15:30 horas. Com atividades distribuídas entre espaços como os auditórios Oriano de Almeida e Onofre Lopes e salas da instituição, o Encomun...

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oásis natural

Oásis Natural fica em 2º lugar do Nordeste no Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026

Redação

Restaurante 100% plant-based de Ponta Negra, em Natal, foi reconhecido na categoria Culinária Revelação, anunciada durante o iFood Move, em São Paulo O Oásis Natural, restaurante especializado em alimentação saudável e 100% à base de plantas, conquistou o 2º lugar da região Nordeste na categoria Culinária Revelação do Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026. O resultado foi anunciado durante o iFood Move, maior evento de delivery da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo. O Oásis Natural foi o único empreendimento do Rio Grande do Norte premiado nesta edição. Em sua terceira edição, o Prêmio iFood de Super Restaurantes reconhece estabelecimentos que se destacam pela qualidade do serviço de delivery e pela experiência do cliente, com base em avaliações, consistência operacional e volume de pedidos ao longo do último ano. A categoria Culinária Revelação reúne restaurantes de comida saudável/natural, italiana e padarias/cafés. À frente do Oásis Natural está Adriana Amorim, que fundou o restaurante em dezembro de 2023 e é conhecida no meio como Chef Adrih Amor. O Oásis é um restaurante vegano: prepara refeições frescas, feitas no dia, sem refinados, sem frituras, sem trigo, com folhagens colhidas no mesmo dia em hortas parceiras de Pium e sem nada de origem animal. “Ser o único restaurante do Rio Grande do Norte reconhecido neste prêmio mostra que dá para fazer comida saudável, ética e de origem local com o mesmo nível de excelência operacional que o mercado de delivery exige. É um reconhecimento pra toda a equipe do Oásis”, afirma Chef Adrih Amor. Sobre o Oásis Natural O Oásis Natural é um restaurante vegano, 100% plant-based, localizado em Ponta Negra, Natal/RN, que funciona de quinta a domingo com cardápio fixo diário. Fundado em dezembro de 2023 por Chef Adrih Amor, o restaurante tem como pilares a alimentação funcional, o uso de ingredientes locais e a colheita do mesmo dia em hortas parceiras de Pium. Contato Instagram: @oasisnatural.natal WhatsApp: (84) 99663-7635

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“Terrivelmente evangélico”

Edrisi Fernandes

Houve um tempo – faz tempo! – que “evangélico” significava “que traz a boa nova”. O tempo passou, surgiu uma tal “teologia da prosperidade”, e a “boa nova” rendeu-se (ou vendeu-se) ao “Mercado”, o grande deus que contraria o mandamento “Não terás [outro] deus diante de mim” (Êxodo 20:3). Recorde-se que a única ocasião bíblica na qual Jesus perdeu a paciência foi quando confrontou em Jerusalém os mercadores no Templo [Mateus 21:12-17, Marcos 11:15-19 e Lucas 19:45-48 situam esse evento na semana que antecede a crucificação; em João 2:13-17, a expulsão dos mercadores ocorre no início do ministério de Jesus, logo após o milagre no casório em Caná]. João descreve Jesus fazendo um chicote de cordas, expulsando os mercadores e seus animais, virando as mesas dos cambistas e derramando o dinheiro. Nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas), Marcos e Lucas, para indicar uma ação reiterada ou vigorosa, empregam o tempo verbal imperfeito contínuo – Jesus entra em Jerusalém, vai ao Templo e “começa a expulsar” dali aqueles que ali negociavam; ele derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas sacrificiais. Nos Sinópticos, Jesus evoca os profetas Isaías (56:7, “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”) e Jeremias (7:11, “Mas vocês a transformaram num ‘covil de ladrões’”), enfatizando seu ataque à corrupção e à deturpação do propósito do Templo (Jeremias 7:11 diz: “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor”). Séculos se passaram. Ensinamentos de Jesus foram (e seguem sendo) deturpados e mercantilizados, e em Belo Horizonte (o nome parece bíblico), em 2004, Henrique Vorcaro, filho-herdeiro do pastor Serafim Vorcaro, acolhe o filho-herdeiro Daniel Vorcaro na incorporadora Mercatto (em italiano, “Mercado”) e noutros negócios da família. Jesus serenou procelas e andou sobre as águas no Mar da Galiléia; os Vorcaro criaram um maremoto a partir da congregação batista Lagoinha (“megaigreja evangélica neocarismática”, conforme a Wikipedia), para a qual Daniel Vorcaro já chegou a apresentar um programa na Rede Super (canal de TV ligado à igreja). O pastor-empresário Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do mafioso ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e líder religioso da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, BH, entregou-se às autoridades policiais em São Paulo em 04/03/26, após ter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo isso me faz...

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Milena Azevedo é homenageada em Congresso Nordestino de Quadrinhos

Sérgio Vilar

Encerra hoje, na UFRN, a primeira edição do Congresso Nordestino de Estudos Discursivos sobre Quadrinhos (1º CONEDQ), promovido pelo Departamento de Letras. E achei um gesto de justo registro por este blog. Dois, na verdade: o primeiro foi uma homenagem à trajetória de 21 anos na trincheira das Histórias em Quadrinhos empreendida por Milena Azevedo, e a segunda foi criar um prêmio com o meu nome. Milena é colunista deste blog e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes do RN nesta seara. E, ela foi ainda homenageada por tabela, pois o primeiro quadrinista a receber a Homenagem Milena Azevedo foi o grande amigo, colega e parceiro de tantos projetos, o quadrinista, artista plástico e inventor/designer de produtos, Wanderline Freitas. Parabéns, Milena!

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Quixote no RN: Exposição coletiva no Bar do Pedrinho traz os “Dons” Quixotes sob visão potiguar

Redação

Um dos mais tradicionais points culturais e boêmios da Cidade Alta, o Bar do Pedrinho fará a vernissagem da exposição “Os Dons”, com telas de Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Renata Lisieux, Lavosier Cunha, Túlio Ratto, Valderedo, e Verônica Maria. Será neste sábado, a partir das 12h. Quem fala sobre o assunto é o colecionador de arte Manoel Onofre Neto. Por Manoel Onofre Neto Quixote nas paragens potiguares E se Dom Quixote, em vez de atravessar os campos de La Mancha, tivesse tomado o rumo do Rio Grande do Norte? Talvez encontrasse nos sertões, nas praias, nos ventos, nas cidades e personagens potiguares matéria suficiente para alimentar suas aventuras. E, chegando a Natal, não seria improvável que terminasse sua jornada no Bar do Pedrinho, em pleno coração boêmio da cidade. É desse encontro imaginário que nascem Os “Dons” do Bar do Pedrinho. Aqui, o cavaleiro de Cervantes deixa de pertencer apenas à literatura universal para ganhar sotaque, paisagem e espírito potiguares. Moinhos, cavalos, lanças e delírios atravessam um território reconhecível, transformados pelo olhar de artistas que frequentam, convivem ou dialogam com esse universo tão particular. O título guarda ainda um divertido duplo sentido. Estes são os “Dons” que cada artista inventa, mas são também os “Dons” do Bar do Pedrinho: criadores que fazem da arte exercício de liberdade, imaginação, humor e resistência. Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Lavoisier Cunha, Renata Lisieux, Túlio Ratto, Valderedo e Verônica Maria constroem, cada qual à sua maneira, novos capítulos dessa improvável travessia quixotesca. No entorno do Beco da Lama, onde a cidade histórica encontra a boemia e a cultura pulsa fora dos circuitos convencionais, Quixote parece estar em casa. Afinal, há algo profundamente quixotesco em continuar acreditando na arte, em defender seus espaços e em transformar, pela imaginação, a realidade que nos cerca. Manoel Onofre NetoProcurador de Justiça, Curador e Colecionador de Arte.

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Em meio à epidemia de violência contra a mulher, a potiguar Nandrill lança o single “Demonia do Drill”

13/03/2026|

Nas últimas semanas, o país voltou a ser atravessado por uma sequência alarmante de casos de feminicídio e agressões contra mulheres. Em um cenário onde a violência de gênero segue como realidade cotidiana, a artista potiguar Nandrill transforma revolta, dor e sobrevivência em linguagem sonora no novo single “Demonia do Drill”, que chega às plataformas no dia 13 de março, uma sexta-feira 13 carregada de simbolismo. Integrante da banda punk rock Demonia, reconhecida por letras de enfrentamento feminista, Nandrill apresenta agora o nascimento de um alter ego solo. A “Demonia do Drill” surge da experiência direta com a violência, em 2022, a artista foi vítima de agressão, e da indignação diante de um sistema que frequentemente falha em responsabilizar agressores. A faixa canaliza esse contexto em uma narrativa intensa e imagética. As cenas descritas na letra operam no campo da metáfora e da catarse. A violência ali evocada representa a ruptura com o medo, com a culpa e com o silenciamento historicamente imposto às mulheres. O “eu matei um homem” ecoa como símbolo; a morte da submissão, da inocência forçada, da expectativa de tolerância infinita. “Essa música não nasce hoje, vem de antes desse momento de maior midiatização e destaque...

Festival “Do Sertão à Mesa” celebra gastronomia e cultura do Seridó em Acari neste fim de semana

12/03/2026|

O município de Acari, no Seridó potiguar, será palco do Festival Cultural Gastronômico “Do Sertão à Mesa — A Rota dos Sabores de Acari”, evento que propõe uma imersão nos sabores, saberes e tradições da culinária sertaneja. A programação, que reúne gastronomia, música, formação e cultura popular, será realizada nesta sexta e sábado (13 e 14), com inúmeras atividades abertas ao público. As atrações musicais são Nando Cordel, Soul Rebel, Julhim de Tia Lica e Banda CDC, que encerrarão as atividades a cada noite de evento.   A realização do evento é do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, Fundação José Augusto, Casas de Cultura Popular e Casa de Cultura Popular Palácio Titina Medeiros. O  festival tem como proposta valorizar os ingredientes da caatinga, os produtores locais e os modos de preparo tradicionais que formam a identidade alimentar do Seridó. “Do Sertão à mesa” faz uma ponte entre o sertão ancestral e a cozinha contemporânea, transformando Acari em um território de experiências gastronômicas e culturais. O evento também conta com apoio da Prefeitura de Acari, Associação Cultural Maestro Felinto Lúcio Dantas, Sebrae-RN, Geoparque Seridó e Câmara dos Dirigentes Lojistas – CDL...

11/03/2026|

Já dizia Millôr Fernandes, que misturava sarcasmo e humor como ninguém, que a academia de letras é formada por 39 acadêmicos e um membro rotativo. Pois bem, com a morte do poeta Paulo de Tarso Correia de Melo, uma vaga rotativa deverá ser preenchida em breve. Por hora, apenas um candidato se colocou na disputa. Aliás, candidatA. Sim, mais uma mulher para preencher a instituição eminentemente masculina. E a escritora Elze Bezerra Cirne está praticamente eleita. Soube fazer a campanha de praxe entre os acadêmicos e sequer apareceu concorrente ao posto ainda. Mas, ainda. Outro candidato deve se inscrever. É o engenheiro civil Manoel Fernandes de Negreiros Neto, autor do recente livro “A História da Ponte de Igapó”. Elze, entre outras obras, publicou e gerou boa repercussão na mídia e no lançamento do livro “Viúva Machado: a grandeza de uma mulher”.

11/03/2026|

Março é o considerado o mês do teatro e, para celebrar, o Teatro Sesc Sandoval Wanderley montou uma programação especial dedicada às artes cênicas. Com o tema “Março em Cena – O mês do Teatro no Sesc Sandoval Wanderley”, a agenda reúne espetáculos, oficinas formativas e ações comemorativas, com todas as atividades gratuitas, sendo solicitada apenas a doação de 1 kg de alimento não perecível para o projeto Sesc Mesa Brasil. O grande destaque da programação é a apresentação do espetáculo nacional “Autobiografia Autorizada”, protagonizado pelo ator Paulo Betti. A montagem ficará em cartaz nos dias 13 e 14 de março, às 19h, e no dia 15 de março, às 16h. Na peça, o artista compartilha histórias de sua trajetória pessoal e profissional em um monólogo marcado por humor, memória e reflexões sobre a vida e a arte. 

Fundação José Augusto inicia segunda etapa dos editais de credenciamento de artistas e coletivos

11/03/2026|

As listas de habilitados (as) da fase recursos das Chamadas Públicas nº 001 e nº 002/2026, editadas pelo Governo do RN, por meio da Fundação José Augusto (FJA), foram publicadas na edição desta quarta-feira (11) do Diário Oficial do Estado. Após o período de recursos, a lista consolida artistas, grupos, coletivos e mestres(as) da cultura popular aptos a seguirem para a próxima fase do certame. Com a conclusão da etapa documental, o cronograma avança agora para a Análise do Memorial de Experiência Artística e Cultural (Etapa II). Esta fase ocorre entre os dias 12 e 16 de março, sob a responsabilidade da Comissão de Habilitação, que avaliará a trajetória e as atividades culturais desenvolvidas pelos proponentes. Segundo o calendário divulgado pela FJA, o resultado preliminar desta segunda etapa será publicado no dia 17 de março. O cumprimento rigoroso deste cronograma assegura a transparência e a organização do banco de profissionais, que darão suporte à programação cultural do Rio Grande do Norte ao longo de dois anos, que é o tempo de validade do credenciamento. Próximos Prazos: A lista completa dos habilitados e o cronograma podem ser consultados no site oficial da Fundação José Augusto (www.cultura.rn.gov.br), na pasta Editais Abertos.

Literatura e música se encontram nesta sexta na Livraria Nobel

11/03/2026|

Nesta sexta-feira, 13 de março, às 19h, a Livraria Nobel em Ponta Negra, será palco do encontro “CanSons & Letras Potiguares”, evento que reúne autores e autoras potiguares cujas obras, entre outras coisas, dialogam com a música. A iniciativa é realizada pela Rede Potiguar de Música e propõe um momento de conversa, troca de experiências e celebração entre literatura, memória e produção musical. O encontro contará com a participação de diversos escritores e pesquisadoras que têm em comum o interesse pela música como tema, inspiração ou elemento narrativo central em suas obras. Entre os convidados está o renomado cantor e compositor Mirabô Dantas, parceiro de Capinam, Maurício Tapajós, Abel Silva, entre tantos outros, que apresenta seu livro “Umas Histórias, Outras Canções”, obra autobiográfica que percorre sua trajetória artística e pessoal, na qual recorda momentos marcantes de sua vida, episódios que protagonizou com personagens como Bráulio Tavares, Fagner, Henfil e muitos outros. Também participa o escritor Júlio Lima, autor do romance “Caio no Mundo da Música”. Na narrativa, quando a música deixa de existir no mundo, um jovem músico embarca em uma jornada rumo ao fabuloso universo da Terra da Música, em uma aventura para resgatar aquilo que dá sentido à...

Música que Nasceu da Terra

11/03/2026|

No sertão onde a terra guarda memórias e melodias, a música também brota do chão. É desse território de sensibilidade e raízes que nasce “A Música que Nasceu da Terra”, filme inspirado na história do maestro potiguar Felinto Lúcio Dantas. A obra é assinada pela Trapiá Filmes, com pesquisa, roteiro e direção de Lourival Andrade e produção da MAPA Realizações Culturais. O lançamento será em 23 de março, às 19h, na Praça Caetano Dantas, em Carnaúba dos Dantas. Felinto Lúcio Dantas tem uma trajetória que emociona pela simplicidade e grandeza. Homem do sertão, conciliou o trabalho na terra com uma intensa produção musical. Atuou também como regente da banda filarmônica de Acari, que mais tarde seria renomeada em sua homenagem. Encontrou na convivência entre a agricultura e a música a inspiração para composições que atravessaram fronteiras, chegando até o Vaticano, em Roma. “Contar através do audiovisual fragmentos da vida e obra de Felinto Lúcio Dantas é um privilégio. Não estamos falando apenas de um sertanejo seridoense que construiu sua carreira entre o trabalho no campo, funções administrativas e o amor a música, estamos contando a história de um gênio que compôs obras que ultrapassaram os oceanos e os sertões, que...

Bailarinas da Edtam representam o Rio Grande do Norte em festival internacional em Berlim

10/03/2026|

A Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão (EDTAM), vinculada ao Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Fundação José Augusto (FJA), participou do 23º Festival Tanzolymp, realizado em Berlim, na Alemanha, entre os dias 12 e 17 de fevereiro de 2026. As bailarinas Luna Reis (12 anos), Nicolle Santos (15) e Sophia Santos (15) representaram o Rio Grande do Norte no evento.  Durante o Festival Tanzolymp, as jovens bailarinas apresentaram três solos cada, nas categorias repertório, clássico livre e dança contemporânea. As coreografias de clássico livre e contemporâneo são assinadas pelos coreógrafos Fábio Matheus, Erika Rosendo, Márcia Suene e Sérgio Galdino. As artistas foram acompanhadas pela diretora da Edtam, Wanie Rose, que esteve presente durante toda a preparação e apresentações, auxiliando nos aquecimentos, passagens de coreografia, aulas, ensaios de palco e bastidores. Também integrou a comitiva Nizário Santos, pai das bailarinas Nicolle e Sophia, oferecendo suporte durante a viagem. Segundo Wanie Rose, participar de um festival desta dimensão representa uma experiência transformadora para as jovens bailarinas. “Foi uma vivência incrível para elas estarem em um grande festival internacional, convivendo com artistas de diferentes países e ampliando suas referências na dança”, destaca. A viagem teve ainda uma segunda...

9ª coletânea ‘Dez Mulheres Potiguares’ celebra a soberania narrativa feminina na literatura de cordel

10/03/2026|

Um dos projetos culturais mais consistentes de valorização da memória feminina no estado, a coletânea “Dez Mulheres Potiguares”, chega a 9ª edição lançada pela Associação Cultural Casa do Cordel, no próximo sábado, 14 de março, às 15h, na nova sede da entidade, no centro de Natal. O evento contará com um show musical de Nara Costa. Idealizada e coordenada pela escritora, assistente social e advogada Vani Fragosa, a iniciativa reafirma sua maturidade ao manter a chamada Simetria Plena (10-10-10) na qual temos dez mulheres homenageadas, dez poetisas autoras e dez xilogravuristas responsáveis pelas capas. Criado em 2008 e reestruturado em 2019, o projeto consolidou-se como uma importante ferramenta de reparação histórica e salvaguarda do patrimônio imaterial do Rio Grande do Norte. Nesta edição, a coordenação executiva é formada por Janaina Wanderley, Camila Wanderley e Marcelange Brito, que articulam uma rede colaborativa e voluntária composta por mais de 55 profissionais que já participaram da iniciativa ao longo de quase uma década. Um dos marcos recentes da coletânea é a quebra da hegemonia masculina na xilogravura nordestina, garantindo que cada um dos dez folhetos da coleção seja ilustrado por uma gravadora diferente. O modelo assegura que as histórias das mulheres potiguares sejam escritas, ilustradas e preservadas...

09/03/2026|

Os dados de um levantamento produzido pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) evidenciam que o talento feminino segue subrepresentado. Em 2025, apenas 10% do valor distribuído em direitos autorais de música no Brasil foram destinados às mulheres. Nos palcos, a desigualdade também se manifesta: entre as músicas mais executadas em shows no país, no ano passado, a autoria feminina permaneceu praticamente invisível, assim como a presença de mulheres entre os autores de maior rendimento. Esses números não refletem falta de talento, criatividade ou dedicação. Eles revelam barreiras históricas de acesso, oportunidade e reconhecimento, que ainda limitam a atuação das mulheres na música e na cultura. 

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