Últimas

PLURIBUS me enganou

Paula Pardillos

Em Pluribus (série da AppleTV, lançada em 2025), a paz mundial é alcançada quando um vírus une (quase) todas as pessoas em uma mente coletiva — isto é, a empatia completa é alcançada. Consequentemente, toda a sociedade se organiza em torno da sobrevivência do planeta e de cada ser vivo nele. A protagonista é Carol, uma clássica anti-heroína: alcoólica e anti-social. Durante toda a trama, ela permanece completamente resistente a cada mudança: não se pode economizar energia à noite, porque ela quer ver a cidade acesa. Não se pode comer pessoas após a morte, mesmo com consentimento delas, porque… ela acha chocante demais? O ser humano não pode se recusar a matar um animal, porque é… humanitário demais? Não sei. As razões de Carol são dadas como auto-evidentes, sem mais explicações. Minha experiência assistindo à série foi de ficar extremamente frustrada com a personagem de Carol, ao mesmo tempo que fiquei verdadeiramente empolgada com o quanto a narrativa estava escrachando o individualismo estadunidense. Que tempo vivemos! Os americanos (sic) admitindo os erros da ideologia que eles nos forçaram goela abaixo durante a colonização cultural. Suas instituições estão completamente falidas — e também os seus cidadãos, à mercê de corporações. A coletividade está ganhando espaço no entretenimento mainstream! Que momento! Mas… no último episódio ficou abundantemente claro, para mim, que o discurso da série era outro. Independentemente de Carol ser uma anti-heroína, a obra se filia à sua moral. Alguns acontecimentos, e a forma como são dirigidos (por exemplo, o momento em que uma personagem, que vive em uma vila rural isolada, faz a transição para a mente coletiva e todos afastam-se com o semblante apático), transmitem um senso real de estranhamento e medo do vírus. Como também a conclusão da temporada, quando o Oviedo (o personagem Paraguaio que também resiste à Mente Coletiva) junta-se à Carol. Nesse movimento fica implícito que a próxima temporada será sobre a luta dos dois — pintando a atitude de ambos como um teamwork heróico (um tropo amado em hollywood), quando eles saem do lugar do egoísmo (para uma noção de não-egoísmo da cultura estadunidense, claro) para salvar o mundo. Lembrou-me uma análise de Eu Sou a Lenda, do Slavoj Zizek¹. Foi nesse ensaio dele que fiquei sabendo que no livro original², em que se baseia o filme, o ponto de vista da narrativa é diametralmente oposto. Na história original (do livro, e da primeira adaptação, de 1964³)...

Leia mais
Moisés de Lima

Músico potiguar leva ao Figa Bar repertório que conecta blues, rock, gaita e ancestralidade afro-brasileira

Redação

A música autoral potiguar ganha mais uma noite de palco nesta sexta-feira (25), com a apresentação de “Black In”, projeto do músico, compositor e jornalista Moisés de Lima. O show acontece a partir das 20h, no Figa Bar e Cultura, na Vila de Ponta Negra, em Natal. A apresentação reúne músicas autorais, releituras instrumentais e composições que atravessam diferentes momentos da trajetória do artista. O blues e o rock aparecem como pontos de partida para uma sonoridade que incorpora referências afro-diaspóricas, elementos da cultura afro-brasileira e uma pesquisa pessoal sobre ancestralidade e identidade. Um dos diferenciais do trabalho é a presença da gaita diatônica, instrumento que ocupa lugar central na atual produção de Moisés. Conhecido por sua atuação como baixista, guitarrista e compositor em diferentes bandas da cena potiguar, o músico vem desenvolvendo na carreira solo uma linguagem própria para a gaita, aproximando o instrumento da tradição do blues e de outras matrizes musicais. O repertório de “Black In” inclui músicas do single “Afrika”, lançado em 2024, e do EP “Black In”, de 2025. Os dois trabalhos foram realizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) e lançados pelo selo Mudernage. A faixa “Black In” traz uma homenagem especial ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, nome ligado à contracultura potiguar e que marcou a trajetória de Moisés de Lima. O projeto também chega ao palco depois de um ano de reconhecimento para o artista. Em 2026, Moisés recebeu o Troféu Hangar de Melhor Compositor do Ano. O trabalho “Black In” também foi indicado nas categorias Melhor Canção e Melhor EP. Da cena alternativa ao trabalho solo A história musical de Moisés de Lima começou no final dos anos 1980, quando Natal vivia uma efervescente cena alternativa. Desde então, o artista participou de diferentes projetos e bandas, entre elas Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs. Ao longo dessa trajetória, também integrou Revolution 5 e The Anthologics, além de estabelecer parcerias com diversos músicos da cena potiguar e de outros estados. Paralelamente à música, Moisés construiu uma longa trajetória no jornalismo cultural, acompanhando de perto artistas, bandas e movimentos que ajudaram a formar a identidade musical do Rio Grande do Norte. Essa experiência se encontra agora em “Black In”, projeto em que música, memória e pesquisa caminham juntas. No show desta sexta, Moisés de Lima estará no palco com Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes...

Leia mais

BIBLIOBUNKER: Discurso sobre o colonialismo

Pablo Capistrano

Discurso sobre o colonialismo Autor: Aimé Césaire Tradução: Cláudio Willer Editora: Veneta Ano: 2020 Páginas: 132 “A Europa é indefensável”. De fato… no que diz respeito aos holocaustos coloniais produzidos em larga escala por países europeus nos últimos 500 anos, essa afirmativa, contundente e taxativa, não parece exagerada. O ensaio: “Discurso sobre o colonialismo”; escrito pelo poeta martinicano, Aimé Césaire, e publicado pela primeira vez em Paris no ano de 1950, pela Éditions Réclame, deixa bem à mostra a arquitetura de pensamento que faz com que essa frase, repetida em memes, posts ou comentários, neste circo romano digital que atende pela alcunha de “rede social”, não seja apenas uma mera hipérbole. Ligado ao movimento surrealista de André Breton e ao partido comunista francês, Aimé Césaire foi um personagem central da luta política anti racista e anti colonial do século XX. Ao publicar, em 1935, na revista L´étudiant noir, um artigo intitulado Nègreries: conscience raciale et révolution sociale, Césaire foi responsável pela construção da noção de “negritude”, utilizada e popularizada posteriormente por Léopold Sédar Senghor (primeiro presidente do Senegal livre). Como se não bastasse isso, o poeta também foi uma figura fundamental na formação intelectual de Frantz Fanon que, seguindo seus passos, construiu uma das obras mais densas e contundentes sobre os efeitos do racismo e do colonialismo no mundo contemporâneo. Considerado por muitos críticos como o maior poeta em língua francesa do século XX, o autor desse ensaio clássico, teria produzido também, no julgamento de pessoas como o historiador C. L. R. James “o mais selvagem ataque contra a sociedade burguesa que eu já vi em versos”. De fato, amigo velho, esse ensaio fundamental da luta anticolonial é uma porrada. Especialmente porque, no contexto em que o livro foi publicado, logo após a hecatombe das duas grandes guerras mundiais e no esteio da debacle do nazi fascismo mundo afora, seu impacto e o mal estar que suas ideias causaram no mundo intelectual francófono, foi desconcertante. Esse mal estar já havia sido sentido dois anos antes da publicação do livro quando, em 1948,  Césaire, “por equívoco” fora convidado a escrever sobre a colonização, a união francesa e as províncias do ultramar na revista conservadora Chemis du Monde. Desde de 1945, eleito deputado do parlamento francês pela Martinica, Césaire já promovia a denúncia dos massacres perpetrados pela França em suas colônias, escandalizando as elites políticas parisienses que aguardavam, de sua parte, uma postura de reconhecimento...

Leia mais

Encontro de Música Contemporânea de Natal começa na próxima semana

Redação

O Programa de Pós-graduação em Música da UFRN realiza o 2º O Encomun- Encontro de Música Contemporânea de Natal entre os dias 22 e 25 de setembro, na Escola de Música da UFRN Com uma programação dedicada à produção, pesquisa e experimentação no campo da música, o ENCOMUN reúne artistas e pesquisadores em debates mediados por palestras, oficinas, recitais e atividades formativas. O evento conta com o apoio do CNPq a partir do projeto “Novas Metodologias na Criação e Registro de Obras para Música de Câmara”. Os pesquisadores-artistas Alexandre Lunsqui (Unesp), Bruno Ruviaro (USP), German Gras (UECE) e Victor Moretti (USP) estão entre os convidados do evento. Grupos Permanentes da EMUFRN como Gil, OPC e OCA também participarão do evento, além do duo Presgrave/Holanda, Duo Cesetti-Qi e Duo dialético, entre outros. A programação contempla temas que discutem a pesquisa em música contemporânea a partir de sua relação com a criação, a performance, processos colaborativos e novos usos de tecnologia. Serão quatro palestras: “Falando em ritmos: a criação musical e o comportamento rítmico sobre a fala”, com Heather De Jennings, “Convite à Escuta da Música Espectral”, com Alexandre Lunsqui; “Quando a prática se torna pesquisa: relatos de uma performer-pesquisadora”, com Luciane Cardassi, e uma abordagem dedicada à obra do compositor alemão Helmut Lachenmann, apresentada por German Gras. As atividades formativas ocupam um espaço importante no Encomun. A programação inclui a Oficina-Ensaio da Orquestra de Laptops, a Oficina de Edição de Partituras, a Oficina de Improvisação Livre, realizada pelo GIL – Grupo de Improvisação Livre, e a oficina “Ambissônics: colocando o ouvinte no centro da música”. As atividades ampliam o espaço para a experimentação e para o contato direto dos participantes com diferentes processos de criação musical. O encontro oferece também uma programação artística com recitais todos os dias, sempre às 19:00 horas e com entrada franca. Entre eles estão o Recital de Abertura no auditório Oriano de Almeida e os recitais “Música Popular e suas interfaces”, com a Orquestra de Câmara da EMUFRN, Bravo e convidados, além de “Piano Contemporâneo e GIL – trilha sonora” e “A música de câmara contemporânea”, todos no auditório Onofre Lopes. O professor da EMUFRN Uaná Barreto fará um recital-palestra apresentando seu projeto “Calendário do Som”, inspirado na música de Hermeto Paschoal na sexta-feira, dia 25 de setembro de 15:30 horas. Com atividades distribuídas entre espaços como os auditórios Oriano de Almeida e Onofre Lopes e salas da instituição, o Encomun...

Leia mais
oásis natural

Oásis Natural fica em 2º lugar do Nordeste no Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026

Redação

Restaurante 100% plant-based de Ponta Negra, em Natal, foi reconhecido na categoria Culinária Revelação, anunciada durante o iFood Move, em São Paulo O Oásis Natural, restaurante especializado em alimentação saudável e 100% à base de plantas, conquistou o 2º lugar da região Nordeste na categoria Culinária Revelação do Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026. O resultado foi anunciado durante o iFood Move, maior evento de delivery da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo. O Oásis Natural foi o único empreendimento do Rio Grande do Norte premiado nesta edição. Em sua terceira edição, o Prêmio iFood de Super Restaurantes reconhece estabelecimentos que se destacam pela qualidade do serviço de delivery e pela experiência do cliente, com base em avaliações, consistência operacional e volume de pedidos ao longo do último ano. A categoria Culinária Revelação reúne restaurantes de comida saudável/natural, italiana e padarias/cafés. À frente do Oásis Natural está Adriana Amorim, que fundou o restaurante em dezembro de 2023 e é conhecida no meio como Chef Adrih Amor. O Oásis é um restaurante vegano: prepara refeições frescas, feitas no dia, sem refinados, sem frituras, sem trigo, com folhagens colhidas no mesmo dia em hortas parceiras de Pium e sem nada de origem animal. “Ser o único restaurante do Rio Grande do Norte reconhecido neste prêmio mostra que dá para fazer comida saudável, ética e de origem local com o mesmo nível de excelência operacional que o mercado de delivery exige. É um reconhecimento pra toda a equipe do Oásis”, afirma Chef Adrih Amor. Sobre o Oásis Natural O Oásis Natural é um restaurante vegano, 100% plant-based, localizado em Ponta Negra, Natal/RN, que funciona de quinta a domingo com cardápio fixo diário. Fundado em dezembro de 2023 por Chef Adrih Amor, o restaurante tem como pilares a alimentação funcional, o uso de ingredientes locais e a colheita do mesmo dia em hortas parceiras de Pium. Contato Instagram: @oasisnatural.natal WhatsApp: (84) 99663-7635

Leia mais

“Terrivelmente evangélico”

Edrisi Fernandes

Houve um tempo – faz tempo! – que “evangélico” significava “que traz a boa nova”. O tempo passou, surgiu uma tal “teologia da prosperidade”, e a “boa nova” rendeu-se (ou vendeu-se) ao “Mercado”, o grande deus que contraria o mandamento “Não terás [outro] deus diante de mim” (Êxodo 20:3). Recorde-se que a única ocasião bíblica na qual Jesus perdeu a paciência foi quando confrontou em Jerusalém os mercadores no Templo [Mateus 21:12-17, Marcos 11:15-19 e Lucas 19:45-48 situam esse evento na semana que antecede a crucificação; em João 2:13-17, a expulsão dos mercadores ocorre no início do ministério de Jesus, logo após o milagre no casório em Caná]. João descreve Jesus fazendo um chicote de cordas, expulsando os mercadores e seus animais, virando as mesas dos cambistas e derramando o dinheiro. Nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas), Marcos e Lucas, para indicar uma ação reiterada ou vigorosa, empregam o tempo verbal imperfeito contínuo – Jesus entra em Jerusalém, vai ao Templo e “começa a expulsar” dali aqueles que ali negociavam; ele derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas sacrificiais. Nos Sinópticos, Jesus evoca os profetas Isaías (56:7, “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”) e Jeremias (7:11, “Mas vocês a transformaram num ‘covil de ladrões’”), enfatizando seu ataque à corrupção e à deturpação do propósito do Templo (Jeremias 7:11 diz: “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor”). Séculos se passaram. Ensinamentos de Jesus foram (e seguem sendo) deturpados e mercantilizados, e em Belo Horizonte (o nome parece bíblico), em 2004, Henrique Vorcaro, filho-herdeiro do pastor Serafim Vorcaro, acolhe o filho-herdeiro Daniel Vorcaro na incorporadora Mercatto (em italiano, “Mercado”) e noutros negócios da família. Jesus serenou procelas e andou sobre as águas no Mar da Galiléia; os Vorcaro criaram um maremoto a partir da congregação batista Lagoinha (“megaigreja evangélica neocarismática”, conforme a Wikipedia), para a qual Daniel Vorcaro já chegou a apresentar um programa na Rede Super (canal de TV ligado à igreja). O pastor-empresário Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do mafioso ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e líder religioso da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, BH, entregou-se às autoridades policiais em São Paulo em 04/03/26, após ter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo isso me faz...

Leia mais

Milena Azevedo é homenageada em Congresso Nordestino de Quadrinhos

Sérgio Vilar

Encerra hoje, na UFRN, a primeira edição do Congresso Nordestino de Estudos Discursivos sobre Quadrinhos (1º CONEDQ), promovido pelo Departamento de Letras. E achei um gesto de justo registro por este blog. Dois, na verdade: o primeiro foi uma homenagem à trajetória de 21 anos na trincheira das Histórias em Quadrinhos empreendida por Milena Azevedo, e a segunda foi criar um prêmio com o meu nome. Milena é colunista deste blog e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes do RN nesta seara. E, ela foi ainda homenageada por tabela, pois o primeiro quadrinista a receber a Homenagem Milena Azevedo foi o grande amigo, colega e parceiro de tantos projetos, o quadrinista, artista plástico e inventor/designer de produtos, Wanderline Freitas. Parabéns, Milena!

Leia mais

Quixote no RN: Exposição coletiva no Bar do Pedrinho traz os “Dons” Quixotes sob visão potiguar

Redação

Um dos mais tradicionais points culturais e boêmios da Cidade Alta, o Bar do Pedrinho fará a vernissagem da exposição “Os Dons”, com telas de Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Renata Lisieux, Lavosier Cunha, Túlio Ratto, Valderedo, e Verônica Maria. Será neste sábado, a partir das 12h. Quem fala sobre o assunto é o colecionador de arte Manoel Onofre Neto. Por Manoel Onofre Neto Quixote nas paragens potiguares E se Dom Quixote, em vez de atravessar os campos de La Mancha, tivesse tomado o rumo do Rio Grande do Norte? Talvez encontrasse nos sertões, nas praias, nos ventos, nas cidades e personagens potiguares matéria suficiente para alimentar suas aventuras. E, chegando a Natal, não seria improvável que terminasse sua jornada no Bar do Pedrinho, em pleno coração boêmio da cidade. É desse encontro imaginário que nascem Os “Dons” do Bar do Pedrinho. Aqui, o cavaleiro de Cervantes deixa de pertencer apenas à literatura universal para ganhar sotaque, paisagem e espírito potiguares. Moinhos, cavalos, lanças e delírios atravessam um território reconhecível, transformados pelo olhar de artistas que frequentam, convivem ou dialogam com esse universo tão particular. O título guarda ainda um divertido duplo sentido. Estes são os “Dons” que cada artista inventa, mas são também os “Dons” do Bar do Pedrinho: criadores que fazem da arte exercício de liberdade, imaginação, humor e resistência. Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Lavoisier Cunha, Renata Lisieux, Túlio Ratto, Valderedo e Verônica Maria constroem, cada qual à sua maneira, novos capítulos dessa improvável travessia quixotesca. No entorno do Beco da Lama, onde a cidade histórica encontra a boemia e a cultura pulsa fora dos circuitos convencionais, Quixote parece estar em casa. Afinal, há algo profundamente quixotesco em continuar acreditando na arte, em defender seus espaços e em transformar, pela imaginação, a realidade que nos cerca. Manoel Onofre NetoProcurador de Justiça, Curador e Colecionador de Arte.

Leia mais
  • All Posts
  • Agenda
  • Artes Cênicas
  • Artes Visuais
  • Audiovisual
  • Blog do Sérgio Vilar
  • Carnaval
  • Cerveja / Gastronomia
  • Cultura Pop
  • Curtinhas
  • Dança
  • Destaque-capa
  • Destaques
  • Editais e Oportunidades
  • Entrevistas
  • Folclore e Cultura Popular
  • Literatura
  • Memória do RN
  • Música
  • Notícias
  • Opinião, Artigos e Crônicas
  • Personagens do RN
  • Poesia
  • Revista Preá
  • Turismo
A partida de um autêntico defensor da cultura nordestina

09/03/2026|

Ele tinha apenas 11 anos quando ouviu a música Asa Branca pela primeira vez, cantada por Luiz Gonzaga em um showmício que se realizava em Mossoró.  Em 1977, com apenas 16 anos foi morar no Rio de Janeiro. Na cidade maravilhosa ele começou a cantar no calçadão de Copacabana e, aos poucos, se destacou por seu carisma e sua musicalidade, conquistando turistas e cariocas. No calçadão ele conheceu muita gente, inclusive pessoas influentes do meio musical. Do seu pai que, além de radialista era poeta, repentista e cordelista, ele herdou um profundo desejo pela cultura nordestina, tornando-se um apaixonado pela obra dos repentistas, emboladores de coco, violeiros e cordelistas, figuras que sempre estiveram presentes na sua vida. Desde sua infância, ele foi como uma espécie de pesquisador precoce e ouvia tudo o que estivesse ao seu alcance, desde Jackson do Pandeiro, passando por Bob Dylan, Charles Aznavour e outros nomes da música internacional; posteriormente passou a admirar nomes da MPB, como Fagner, Raul Seixas e Ednardo. Com esforço, competência, talento e determinação, adotou o nome artístico de Marcus Lucenna e, com o passar do tempo, foi ganhando espaço e conquistando um público cada vez maior.  No Rio de Janeiro, ele...

DoSol promove shows e atividades formativas para debater caminhos da música potiguar

06/03/2026|

A nova música potiguar ganha um espaço de encontro, escuta e experimentação neste fim de semana (7 e 8) com a realização do Pensando Música 2026 na Sede Cultural DoSol. Com entrada gratuita, o projeto reúne artistas, produtores e público em uma programação que mistura shows, workshop e momentos de diálogo para quem vive, cria ou acompanha a produção musical no estado. Durante dois dias, a iniciativa costura diferentes linguagens e experiências, colocando lado a lado artistas de trajetórias diversas e atividades voltadas à formação. A ideia é fortalecer redes e provocar reflexões sobre os desafios e possibilidades da cena independente. O evento é realizado pelo Comitê de Cultura do RN em parceria com o Combo Cultural DoSol e o Grupo Facetas, com apoio do Ministério da Cultura. Para Anderson Foca, idealizador do DoSol, o encontro nasce do desejo de ampliar as conversas que normalmente acontecem apenas nos bastidores. Ana Morena, também idealizadora do DoSol, destaca a proposta de estimular a circulação de ideias para fortalecer o mercado artístico local. “O Pensando Música surge justamente para criar esse espaço de interação para fortalecer quem faz música no estado. Queremos que seja uma oportunidade de aprendizado coletivo, onde novas conexões possam...

Nobreza Do Amor

06/03/2026|

O Rio Grande do Norte se prepara para celebrar uma dupla conquista na teledramaturgia nacional com a estreia, dia 16 de março, de “A Nobreza do Amor”, a nova novela das 18h da TV Globo. Além de trazer paisagens potiguares como cenário, a produção contará com a participação de dois talentos locais de peso: os atores Quitéria Kelly e César Ferrario. A presença de Quitéria Kelly e César Ferrario no elenco de uma novela de alcance nacional reafirma a força e a qualidade do talento artístico do Rio Grande do Norte. Ambos os atores já se encontram no Rio de Janeiro, dedicados às gravações e adiantando os capítulos da trama, que promete emocionar e envolver o público com sua narrativa épica. “A Nobreza do Amor” vai além do talento em cena, utilizando o próprio Rio Grande do Norte como parte fundamental da ambientação. Parte das cenas foi gravada no Estado, com Mossoró servindo como base logística para equipe e elenco. Locações icônicas como as Dunas do Rosado, em Porto do Mangue, áreas em Pendências e o Parque Nacional da Furna Feia, em Baraúna, foram escolhidas para compor a atmosfera da história, que estabelece uma profunda conexão entre o Brasil e...

Festival Munganga de Circo volta com força total em edição presencial no Teatro Alberto Maranhão

06/03/2026|

O picadeiro vai tomar conta do coração de Natal. Após uma estreia marcante em formato virtual em 2021, o Festival Munganga de Circo – Segunda Edição anuncia seu retorno, desta vez ocupando o solo sagrado do Teatro Alberto Maranhão (TAM). O evento, realizado pelas produtoras Dale! Produções Culturais e Remar Produções, celebrará a arte do riso e da acrobacia em uma data emblemática: 27 de março, dia em que se comemora o Dia Nacional do Circo e o Dia Mundial do Teatro. Com uma programação gratuita que se estende das 15h30 às 21h30, a Mostra promete transformar o TAM e seus arredores em um organismo vivo de cultura, unindo espetáculos, vivências, música ao vivo, exposições e o Cine Mambembe. O festival acaba de abrir as inscrições para compor sua rede de talentos. Se você é artista da área ou produz conteúdo audiovisual sobre o tema, esta é a hora: Banco de Talentos: Chamada aberta para artistas circenses potiguares que desejam integrar o mapeamento e as futuras ações do Festival. Cine Mambembe: Espaço dedicado à exibição de curtas-metragens que abordem o universo do circo. Podem se inscrever realizadores com filmes que dialoguem com a estética e a vida circense. Como participar: As inscrições para ambos os processos são gratuitas e devem...

Filme de Bairro

04/03/2026|

Filme de Bairro: cinemas, cineclubes e cinéfilos na Cidade Alta natalense Autor: Alexis Peixoto Editora: Caravela Ano: 2025 Páginas: 238 Para quem nasceu neste século deve parecer realmente inverossímil os relatos de pessoas da minha geração (nascidas entre os anos 70 e 80 do século passado) sobre a vida na Cidade Alta natalense nos últimos anos do milênio que passou. Quem visita o hoje chamado “centro histórico” de Natal, vendo aquele amontoado de prédios abandonados, de calçadas esburacadas e de lojas vazias, não consegue imaginar que, há pouco mais de duas décadas, pelas ruas daquele bairro, a vida urbana da capital pulsava de modo efervescente. Antes de ser apenas um livro sobre os cinemas de bairro que marcaram o horizonte afetivo daquela urbe do nunca mais, o texto de Alexis Peixoto, sob a coordenação editorial sempre certeira e cuidadosa de José Correia Torres Neto, é um livro que nos apresenta a Cidade Alta em seu apogeu cultural e urbano. Um espaço de Natal que se tornou central para a vida de seus moradores, particularmente, de modo mais intenso, a partir da segunda metade do século passado, quando a Ribeira começou seu lento e inexorável processo de decadência. Escrito em um...

10ª edição do Prêmio Dosinho entrega 24 troféus aos destaques do carnaval 2026 no Solar Bela Vista

04/03/2026|

O Centro Histórico de Natal viveu uma noite histórica no último sábado, 28 de fevereiro, com a realização da 10ª edição do Prêmio Dosinho de Carnaval, dentro da programação do CarnaSinsp 2026. A celebração marcou uma década de reconhecimento aos fazedores da folia potiguar e reuniu artistas, agremiações, blocos e apaixonados pelo Carnaval em uma grande confraternização cultural. A programação começou às 16h, no tradicional Beco da Lama, no Bar de Nazaré, com a concentração do CarnaSinsp – 9º ano do Bloco dos Servidores. O público acompanhou o show de Ivando Monte e a Ciranda do Monte, apresentação da Orquestra de Frevo com maestros participantes do 2º Encontro das Orquestras, o grupo Aff…Marias e um cortejo festivo pelas ruas da Cidade Alta até o Solar Bela Vista, reafirmando a força do carnaval de rua. A partir das 17h, o Solar Bela Vista recebeu shows de Tornado do Samba e Dani Negro, preparando o público para a cerimônia oficial do Prêmio Dosinho, iniciada às 18h30. A noite contou ainda com apresentações do Grupo Aff…Marias, Banda de Frevo do Papão, Will Elétrico, Edja Alvess, Denísia Diniz, Ale Du Black e o projeto Nós Três – LGBTs na MPB e na Folia (Andder,...

Projeto leva poesia às ruas de Natal no mês de março

03/03/2026|

O projeto Poesia Pede Rua integra as ações promovidas pelo Sarau Dentro da Noite e propõe a ocupação simbólica do espaço urbano por meio da poesia contemporânea potiguar. A iniciativa consiste na produção de uma série audiovisual com quatro poetas da cena local, apresentados ao longo do mês de março, em celebração ao Mês da Poesia. Com episódios semanais, o projeto registra entrevistas breves sobre processo criativo, território e produção literária, seguidas da leitura de poemas autorais em ambiente aberto. A proposta é ampliar a visibilidade da poesia produzida no Rio Grande do Norte, fortalecer a memória cultural e consolidar a presença digital dos artistas participantes. Os vídeos serão disponibilizados no perfil oficial do Sarau Dentro da Noite no Instagram, democratizando o acesso ao conteúdo e ampliando seu alcance. A série tem início com o poeta Thiago Medeiros, abrindo um ciclo que destaca diferentes vozes e perspectivas da produção literária local. A escolha de realizar as gravações em diferentes pontos da cidade dialoga com a proposta do livro Além do Nome, da poeta e jornalista Marize Castro. Inspirada na delicadeza com que a autora convida seus interlocutores a escolherem um lugar de afeto/memória para as entrevistas, a direção do projeto...

Entre memórias e silêncios: Theo G. Alves publica romance sobre as marcas do abandono

02/03/2026|

“Geografia do Abandono”, 11º livro do autor, mergulha nas perdas íntimas e sociais de um Brasil invisível Em seu novo romance, “Geografia do Abandono” (Editora Litteralux), o escritor Theo G. Alves investiga as múltiplas faces do abandono – íntimo, social e histórico – a partir do desaparecimento de uma idosa com Alzheimer no Seridó potiguar. A busca por essa mulher desencadeia um mosaico de vozes e memórias, entrelaçando a trajetória de um neto que retorna à cidade natal, as lembranças dolorosas de Salvina – entregue ainda criança como pagamento de dívida – e os fantasmas de um Brasil marcado pela pobreza, pelo coronelismo e pela exclusão. Décimo primeiro livro de Theo G. Alves e seu terceiro romance, “Geografia do Abandono” já se está disponível no catálogo da editora para aquisição na loja virtual. Entre traumas, silêncios e perdas, a narrativa mapeia corpos, afetos e espaços feridos pelo esquecimento. Com linguagem poética e sensível, o romance reflete sobre a fragilidade da memória, os laços familiares e a persistência da dor, sem abrir mão de buscar luz em meio às ruínas. “Há muitas maneiras de se perder na vida e essas perdas vão deixando pistas de quem fomos e do que nos tornamos ao longo do caminho. Essa é a chave para adentrar nessa geografia do abandono de que trata o livro”, diz o autor a respeito do tftulo. Theo G. Alves nasceu em 1980, em Natal, mas cresceu em Currais Novos e mora em Santa Cruz, no interior potiguar. Premiado em concursos nacionais e regionais por sua prosa e poesia, publicou, entre outros, os livros “Pequeno Manual Prático de Coisas Inúteis”, “Doce Azedo Amaro” e “Inventário de Tão Pouco”,...

Um quarto de século de arte viva: Casa da Ribeira celebra 25 anos como farol da cultura independente

02/03/2026|

Há 25 anos, um casarão centenário na rua Frei Miguelinho, no bairro da Ribeira, deixava de ser apenas memória arquitetônica para se tornar símbolo vivo de criação, resistência, educação pela Arte e reinvenção cultural. A Casa da Ribeira celebra, em 2026, um quarto de século de história e inicia as comemorações com o Festival Verão Aquilombado, de 6 a 8 de março, reafirmando seu compromisso com o passado, o presente e o futuro da arte e cultura, no Rio Grande do Norte e no Brasil. Antes de ser reconhecida internacionalmente como espaço cultural independente, a Casa foi hospedaria, padaria e armazém. As paredes erguidas por mãos anônimas jamais imaginaram que, depois de 10 anos de portas fechadas, ali floresceria um território de desenvolvimento humano através da arte, experimentação artística e encontro comunitário. No fim dos anos 1990, o sonho ganhou forma pelas mãos dos então integrantes e o Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare e produtores independentes, que buscavam um espaço para ensaios e apresentações, mas vislumbrava muito mais: um teatro, uma sala de exposições e um café cultural abertos à cidade. O que era desejo tornou-se mobilização. A restauração do prédio, aprovada na Lei Rouanet e na Lei Câmara Cascudo, exigia...

Veja mais

End of Content.

Blog do Sérgio Vilar

Podcast Papo Galado

Mais lidas da semana

Sergio Vilar
Visão geral da privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.