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Celebrando a música brasileira

Depois do silêncio, o que mais se aproxima de exprimir o inexprimível é a música. Aldous Huxley A primeira vez que assisti a um concerto da Orquestra Sinfônica do Rio

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PLURIBUS me enganou

Paula Pardillos

Em Pluribus (série da AppleTV, lançada em 2025), a paz mundial é alcançada quando um vírus une (quase) todas as pessoas em uma mente coletiva — isto é, a empatia completa é alcançada. Consequentemente, toda a sociedade se organiza em torno da sobrevivência do planeta e de cada ser vivo nele. A protagonista é Carol, uma clássica anti-heroína: alcoólica e anti-social. Durante toda a trama, ela permanece completamente resistente a cada mudança: não se pode economizar energia à noite, porque ela quer ver a cidade acesa. Não se pode comer pessoas após a morte, mesmo com consentimento delas, porque… ela acha chocante demais? O ser humano não pode se recusar a matar um animal, porque é… humanitário demais? Não sei. As razões de Carol são dadas como auto-evidentes, sem mais explicações. Minha experiência assistindo à série foi de ficar extremamente frustrada com a personagem de Carol, ao mesmo tempo que fiquei verdadeiramente empolgada com o quanto a narrativa estava escrachando o individualismo estadunidense. Que tempo vivemos! Os americanos (sic) admitindo os erros da ideologia que eles nos forçaram goela abaixo durante a colonização cultural. Suas instituições estão completamente falidas — e também os seus cidadãos, à mercê de corporações. A coletividade está ganhando espaço no entretenimento mainstream! Que momento! Mas… no último episódio ficou abundantemente claro, para mim, que o discurso da série era outro. Independentemente de Carol ser uma anti-heroína, a obra se filia à sua moral. Alguns acontecimentos, e a forma como são dirigidos (por exemplo, o momento em que uma personagem, que vive em uma vila rural isolada, faz a transição para a mente coletiva e todos afastam-se com o semblante apático), transmitem um senso real de estranhamento e medo do vírus. Como também a conclusão da temporada, quando o Oviedo (o personagem Paraguaio que também resiste à Mente Coletiva) junta-se à Carol. Nesse movimento fica implícito que a próxima temporada será sobre a luta dos dois — pintando a atitude de ambos como um teamwork heróico (um tropo amado em hollywood), quando eles saem do lugar do egoísmo (para uma noção de não-egoísmo da cultura estadunidense, claro) para salvar o mundo. Lembrou-me uma análise de Eu Sou a Lenda, do Slavoj Zizek¹. Foi nesse ensaio dele que fiquei sabendo que no livro original², em que se baseia o filme, o ponto de vista da narrativa é diametralmente oposto. Na história original (do livro, e da primeira adaptação, de 1964³)...

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Moisés de Lima

Músico potiguar leva ao Figa Bar repertório que conecta blues, rock, gaita e ancestralidade afro-brasileira

Redação

A música autoral potiguar ganha mais uma noite de palco nesta sexta-feira (25), com a apresentação de “Black In”, projeto do músico, compositor e jornalista Moisés de Lima. O show acontece a partir das 20h, no Figa Bar e Cultura, na Vila de Ponta Negra, em Natal. A apresentação reúne músicas autorais, releituras instrumentais e composições que atravessam diferentes momentos da trajetória do artista. O blues e o rock aparecem como pontos de partida para uma sonoridade que incorpora referências afro-diaspóricas, elementos da cultura afro-brasileira e uma pesquisa pessoal sobre ancestralidade e identidade. Um dos diferenciais do trabalho é a presença da gaita diatônica, instrumento que ocupa lugar central na atual produção de Moisés. Conhecido por sua atuação como baixista, guitarrista e compositor em diferentes bandas da cena potiguar, o músico vem desenvolvendo na carreira solo uma linguagem própria para a gaita, aproximando o instrumento da tradição do blues e de outras matrizes musicais. O repertório de “Black In” inclui músicas do single “Afrika”, lançado em 2024, e do EP “Black In”, de 2025. Os dois trabalhos foram realizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) e lançados pelo selo Mudernage. A faixa “Black In” traz uma homenagem especial ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, nome ligado à contracultura potiguar e que marcou a trajetória de Moisés de Lima. O projeto também chega ao palco depois de um ano de reconhecimento para o artista. Em 2026, Moisés recebeu o Troféu Hangar de Melhor Compositor do Ano. O trabalho “Black In” também foi indicado nas categorias Melhor Canção e Melhor EP. Da cena alternativa ao trabalho solo A história musical de Moisés de Lima começou no final dos anos 1980, quando Natal vivia uma efervescente cena alternativa. Desde então, o artista participou de diferentes projetos e bandas, entre elas Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs. Ao longo dessa trajetória, também integrou Revolution 5 e The Anthologics, além de estabelecer parcerias com diversos músicos da cena potiguar e de outros estados. Paralelamente à música, Moisés construiu uma longa trajetória no jornalismo cultural, acompanhando de perto artistas, bandas e movimentos que ajudaram a formar a identidade musical do Rio Grande do Norte. Essa experiência se encontra agora em “Black In”, projeto em que música, memória e pesquisa caminham juntas. No show desta sexta, Moisés de Lima estará no palco com Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes...

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BIBLIOBUNKER: Discurso sobre o colonialismo

Pablo Capistrano

Discurso sobre o colonialismo Autor: Aimé Césaire Tradução: Cláudio Willer Editora: Veneta Ano: 2020 Páginas: 132 “A Europa é indefensável”. De fato… no que diz respeito aos holocaustos coloniais produzidos em larga escala por países europeus nos últimos 500 anos, essa afirmativa, contundente e taxativa, não parece exagerada. O ensaio: “Discurso sobre o colonialismo”; escrito pelo poeta martinicano, Aimé Césaire, e publicado pela primeira vez em Paris no ano de 1950, pela Éditions Réclame, deixa bem à mostra a arquitetura de pensamento que faz com que essa frase, repetida em memes, posts ou comentários, neste circo romano digital que atende pela alcunha de “rede social”, não seja apenas uma mera hipérbole. Ligado ao movimento surrealista de André Breton e ao partido comunista francês, Aimé Césaire foi um personagem central da luta política anti racista e anti colonial do século XX. Ao publicar, em 1935, na revista L´étudiant noir, um artigo intitulado Nègreries: conscience raciale et révolution sociale, Césaire foi responsável pela construção da noção de “negritude”, utilizada e popularizada posteriormente por Léopold Sédar Senghor (primeiro presidente do Senegal livre). Como se não bastasse isso, o poeta também foi uma figura fundamental na formação intelectual de Frantz Fanon que, seguindo seus passos, construiu uma das obras mais densas e contundentes sobre os efeitos do racismo e do colonialismo no mundo contemporâneo. Considerado por muitos críticos como o maior poeta em língua francesa do século XX, o autor desse ensaio clássico, teria produzido também, no julgamento de pessoas como o historiador C. L. R. James “o mais selvagem ataque contra a sociedade burguesa que eu já vi em versos”. De fato, amigo velho, esse ensaio fundamental da luta anticolonial é uma porrada. Especialmente porque, no contexto em que o livro foi publicado, logo após a hecatombe das duas grandes guerras mundiais e no esteio da debacle do nazi fascismo mundo afora, seu impacto e o mal estar que suas ideias causaram no mundo intelectual francófono, foi desconcertante. Esse mal estar já havia sido sentido dois anos antes da publicação do livro quando, em 1948,  Césaire, “por equívoco” fora convidado a escrever sobre a colonização, a união francesa e as províncias do ultramar na revista conservadora Chemis du Monde. Desde de 1945, eleito deputado do parlamento francês pela Martinica, Césaire já promovia a denúncia dos massacres perpetrados pela França em suas colônias, escandalizando as elites políticas parisienses que aguardavam, de sua parte, uma postura de reconhecimento...

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Encontro de Música Contemporânea de Natal começa na próxima semana

Redação

O Programa de Pós-graduação em Música da UFRN realiza o 2º O Encomun- Encontro de Música Contemporânea de Natal entre os dias 22 e 25 de setembro, na Escola de Música da UFRN Com uma programação dedicada à produção, pesquisa e experimentação no campo da música, o ENCOMUN reúne artistas e pesquisadores em debates mediados por palestras, oficinas, recitais e atividades formativas. O evento conta com o apoio do CNPq a partir do projeto “Novas Metodologias na Criação e Registro de Obras para Música de Câmara”. Os pesquisadores-artistas Alexandre Lunsqui (Unesp), Bruno Ruviaro (USP), German Gras (UECE) e Victor Moretti (USP) estão entre os convidados do evento. Grupos Permanentes da EMUFRN como Gil, OPC e OCA também participarão do evento, além do duo Presgrave/Holanda, Duo Cesetti-Qi e Duo dialético, entre outros. A programação contempla temas que discutem a pesquisa em música contemporânea a partir de sua relação com a criação, a performance, processos colaborativos e novos usos de tecnologia. Serão quatro palestras: “Falando em ritmos: a criação musical e o comportamento rítmico sobre a fala”, com Heather De Jennings, “Convite à Escuta da Música Espectral”, com Alexandre Lunsqui; “Quando a prática se torna pesquisa: relatos de uma performer-pesquisadora”, com Luciane Cardassi, e uma abordagem dedicada à obra do compositor alemão Helmut Lachenmann, apresentada por German Gras. As atividades formativas ocupam um espaço importante no Encomun. A programação inclui a Oficina-Ensaio da Orquestra de Laptops, a Oficina de Edição de Partituras, a Oficina de Improvisação Livre, realizada pelo GIL – Grupo de Improvisação Livre, e a oficina “Ambissônics: colocando o ouvinte no centro da música”. As atividades ampliam o espaço para a experimentação e para o contato direto dos participantes com diferentes processos de criação musical. O encontro oferece também uma programação artística com recitais todos os dias, sempre às 19:00 horas e com entrada franca. Entre eles estão o Recital de Abertura no auditório Oriano de Almeida e os recitais “Música Popular e suas interfaces”, com a Orquestra de Câmara da EMUFRN, Bravo e convidados, além de “Piano Contemporâneo e GIL – trilha sonora” e “A música de câmara contemporânea”, todos no auditório Onofre Lopes. O professor da EMUFRN Uaná Barreto fará um recital-palestra apresentando seu projeto “Calendário do Som”, inspirado na música de Hermeto Paschoal na sexta-feira, dia 25 de setembro de 15:30 horas. Com atividades distribuídas entre espaços como os auditórios Oriano de Almeida e Onofre Lopes e salas da instituição, o Encomun...

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oásis natural

Oásis Natural fica em 2º lugar do Nordeste no Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026

Redação

Restaurante 100% plant-based de Ponta Negra, em Natal, foi reconhecido na categoria Culinária Revelação, anunciada durante o iFood Move, em São Paulo O Oásis Natural, restaurante especializado em alimentação saudável e 100% à base de plantas, conquistou o 2º lugar da região Nordeste na categoria Culinária Revelação do Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026. O resultado foi anunciado durante o iFood Move, maior evento de delivery da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo. O Oásis Natural foi o único empreendimento do Rio Grande do Norte premiado nesta edição. Em sua terceira edição, o Prêmio iFood de Super Restaurantes reconhece estabelecimentos que se destacam pela qualidade do serviço de delivery e pela experiência do cliente, com base em avaliações, consistência operacional e volume de pedidos ao longo do último ano. A categoria Culinária Revelação reúne restaurantes de comida saudável/natural, italiana e padarias/cafés. À frente do Oásis Natural está Adriana Amorim, que fundou o restaurante em dezembro de 2023 e é conhecida no meio como Chef Adrih Amor. O Oásis é um restaurante vegano: prepara refeições frescas, feitas no dia, sem refinados, sem frituras, sem trigo, com folhagens colhidas no mesmo dia em hortas parceiras de Pium e sem nada de origem animal. “Ser o único restaurante do Rio Grande do Norte reconhecido neste prêmio mostra que dá para fazer comida saudável, ética e de origem local com o mesmo nível de excelência operacional que o mercado de delivery exige. É um reconhecimento pra toda a equipe do Oásis”, afirma Chef Adrih Amor. Sobre o Oásis Natural O Oásis Natural é um restaurante vegano, 100% plant-based, localizado em Ponta Negra, Natal/RN, que funciona de quinta a domingo com cardápio fixo diário. Fundado em dezembro de 2023 por Chef Adrih Amor, o restaurante tem como pilares a alimentação funcional, o uso de ingredientes locais e a colheita do mesmo dia em hortas parceiras de Pium. Contato Instagram: @oasisnatural.natal WhatsApp: (84) 99663-7635

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“Terrivelmente evangélico”

Edrisi Fernandes

Houve um tempo – faz tempo! – que “evangélico” significava “que traz a boa nova”. O tempo passou, surgiu uma tal “teologia da prosperidade”, e a “boa nova” rendeu-se (ou vendeu-se) ao “Mercado”, o grande deus que contraria o mandamento “Não terás [outro] deus diante de mim” (Êxodo 20:3). Recorde-se que a única ocasião bíblica na qual Jesus perdeu a paciência foi quando confrontou em Jerusalém os mercadores no Templo [Mateus 21:12-17, Marcos 11:15-19 e Lucas 19:45-48 situam esse evento na semana que antecede a crucificação; em João 2:13-17, a expulsão dos mercadores ocorre no início do ministério de Jesus, logo após o milagre no casório em Caná]. João descreve Jesus fazendo um chicote de cordas, expulsando os mercadores e seus animais, virando as mesas dos cambistas e derramando o dinheiro. Nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas), Marcos e Lucas, para indicar uma ação reiterada ou vigorosa, empregam o tempo verbal imperfeito contínuo – Jesus entra em Jerusalém, vai ao Templo e “começa a expulsar” dali aqueles que ali negociavam; ele derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas sacrificiais. Nos Sinópticos, Jesus evoca os profetas Isaías (56:7, “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”) e Jeremias (7:11, “Mas vocês a transformaram num ‘covil de ladrões’”), enfatizando seu ataque à corrupção e à deturpação do propósito do Templo (Jeremias 7:11 diz: “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor”). Séculos se passaram. Ensinamentos de Jesus foram (e seguem sendo) deturpados e mercantilizados, e em Belo Horizonte (o nome parece bíblico), em 2004, Henrique Vorcaro, filho-herdeiro do pastor Serafim Vorcaro, acolhe o filho-herdeiro Daniel Vorcaro na incorporadora Mercatto (em italiano, “Mercado”) e noutros negócios da família. Jesus serenou procelas e andou sobre as águas no Mar da Galiléia; os Vorcaro criaram um maremoto a partir da congregação batista Lagoinha (“megaigreja evangélica neocarismática”, conforme a Wikipedia), para a qual Daniel Vorcaro já chegou a apresentar um programa na Rede Super (canal de TV ligado à igreja). O pastor-empresário Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do mafioso ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e líder religioso da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, BH, entregou-se às autoridades policiais em São Paulo em 04/03/26, após ter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo isso me faz...

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Milena Azevedo é homenageada em Congresso Nordestino de Quadrinhos

Sérgio Vilar

Encerra hoje, na UFRN, a primeira edição do Congresso Nordestino de Estudos Discursivos sobre Quadrinhos (1º CONEDQ), promovido pelo Departamento de Letras. E achei um gesto de justo registro por este blog. Dois, na verdade: o primeiro foi uma homenagem à trajetória de 21 anos na trincheira das Histórias em Quadrinhos empreendida por Milena Azevedo, e a segunda foi criar um prêmio com o meu nome. Milena é colunista deste blog e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes do RN nesta seara. E, ela foi ainda homenageada por tabela, pois o primeiro quadrinista a receber a Homenagem Milena Azevedo foi o grande amigo, colega e parceiro de tantos projetos, o quadrinista, artista plástico e inventor/designer de produtos, Wanderline Freitas. Parabéns, Milena!

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Quixote no RN: Exposição coletiva no Bar do Pedrinho traz os “Dons” Quixotes sob visão potiguar

Redação

Um dos mais tradicionais points culturais e boêmios da Cidade Alta, o Bar do Pedrinho fará a vernissagem da exposição “Os Dons”, com telas de Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Renata Lisieux, Lavosier Cunha, Túlio Ratto, Valderedo, e Verônica Maria. Será neste sábado, a partir das 12h. Quem fala sobre o assunto é o colecionador de arte Manoel Onofre Neto. Por Manoel Onofre Neto Quixote nas paragens potiguares E se Dom Quixote, em vez de atravessar os campos de La Mancha, tivesse tomado o rumo do Rio Grande do Norte? Talvez encontrasse nos sertões, nas praias, nos ventos, nas cidades e personagens potiguares matéria suficiente para alimentar suas aventuras. E, chegando a Natal, não seria improvável que terminasse sua jornada no Bar do Pedrinho, em pleno coração boêmio da cidade. É desse encontro imaginário que nascem Os “Dons” do Bar do Pedrinho. Aqui, o cavaleiro de Cervantes deixa de pertencer apenas à literatura universal para ganhar sotaque, paisagem e espírito potiguares. Moinhos, cavalos, lanças e delírios atravessam um território reconhecível, transformados pelo olhar de artistas que frequentam, convivem ou dialogam com esse universo tão particular. O título guarda ainda um divertido duplo sentido. Estes são os “Dons” que cada artista inventa, mas são também os “Dons” do Bar do Pedrinho: criadores que fazem da arte exercício de liberdade, imaginação, humor e resistência. Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Lavoisier Cunha, Renata Lisieux, Túlio Ratto, Valderedo e Verônica Maria constroem, cada qual à sua maneira, novos capítulos dessa improvável travessia quixotesca. No entorno do Beco da Lama, onde a cidade histórica encontra a boemia e a cultura pulsa fora dos circuitos convencionais, Quixote parece estar em casa. Afinal, há algo profundamente quixotesco em continuar acreditando na arte, em defender seus espaços e em transformar, pela imaginação, a realidade que nos cerca. Manoel Onofre NetoProcurador de Justiça, Curador e Colecionador de Arte.

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5º Lab RN recebe inscrições para imersão em roteiro de cinema

17/03/2026|

Estão abertas as inscrições para o 5º LAB RN (Laboratório de Roteiro para Jovens do Rio Grande do Norte), a ação é ligada a nona edição do Curta Caicó e tem o intuito de incentivar o surgimento de novos(as) realizadores(as) a partir de mentoria em elaboração de roteiros de curta-metragem direcionada para jovens da região do Seridó potiguar. O período para envio de projetos segue até o dia 5 de abril, podendo ser realizado no link da bio do Instagram  (@curtacaico). A proposta do LAB RN é oferecer uma experiência imersiva de formação audiovisual, na qual os (as) participantes terão acesso a uma metodologia colaborativa voltada ao desenvolvimento de roteiros. Durante o processo, os(as) selecionados(as) participam de atividades de troca de conhecimento, discussões criativas e acompanhamento de especialistas de renome na área. Na edição deste ano, o laboratório terá como tema “Histórias e Personagens do Seridó”, incentivando a produção de narrativas inspiradas na cultura e nos saberes da região. A organização busca projetos que explorem diferentes perspectivas ligadas ao território seridoense, incluindo aspectos sociais, culturais, ambientais e patrimoniais. O objetivo do projeto é estimular novos talentos do audiovisual potiguar e ampliar a produção de histórias que valorizem a identidade local. Jovens interessados em transformar ideias em roteiros...

A Sagração da Matéria: Realismo fantástico potiguar ganha vida em romance com meta inédita na pré-venda

17/03/2026|

O escritor Sihan Felix lança seu primeiro romance pela Editora M.inimalismos com um desafio aos leitores: se a meta de 100 exemplares for atingida até 12 de abril, todos que apoiarem a obra receberão seus livros em dobro. Escrever e publicar no Brasil contemporâneo exige, antes de tudo, coragem. É com essa premissa que o autor Sihan Felix, radicado no Rio Grande do Norte há 16 anos e com uma trajetória de quase duas décadas guiada pelo cinema, estreia na literatura. Seu primeiro romance, A Sagração da Matéria, acaba de entrar em pré-venda pela editora independente M.inimalismos, trazendo um mergulho profundo no realismo fantástico. Com prefácio assinado por Michelle Ferret, o livro é fruto de uma confluência de influências literárias gigantescas. Sihan costura sua narrativa bebendo em fontes que vão de Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges a Clarice Lispector, Mia Couto e João Cabral de Melo Neto. O despertar da Ilha: Uma nova física e o peso do mundo Aos que se perguntam se o termo “romance” indica uma clássica história de amor, o autor deixa o mistério no ar, mas garante: a essência da obra está na transformação mágica da realidade. A trama acompanha Manuel Antônio, que...

16/03/2026|

Até o dia 29 de março, a Pinacoteca Potiguar exibe a exposição “Hoje Tem Espetáculo – O Universo Poético de Assis Marinho”. A mostra transforma o Palácio Potengi em um picadeiro existencial, revelando a trajetória de um dos artistas mais autênticos e populares do RN. O espetáculo começa pelo Ato I – O Quixote Sertanejo, que funciona como espelho do artista em sua teimosia idealista. A narrativa então retrocede às origens nas cidades seridoenses de São João do Sabugi e Caicó (RN) no Ato II – Ciranda dos Sonhos, e Ato III – Arena do Sertão; eleva-se ao sagrado humanizado no Ato IV – Procissão da Poesia e expande-se para o horizonte litorâneo de Natal no Ato V –  Entre Marés. A transição ao desfecho ocorre no Ato VI – Em Torno do Beco, com referências ao território de boemia e resistência no qual a obra de Assis dialoga com as esculturas do mestre Ivan do Maxixe com intervenções de diversos artistas da cena potiguar. O Grand Finale reserva uma surpresa cenográfica: um grande espelho disposto entre as obras. “Quero que o público compreenda que as dores e delícias de Assis são também as nossas. Que sintam que a vida é um...

Nando Cordel traz o “Aconchego” para Natal em show emocionante no Teatro Riachuelo

16/03/2026|

Com mais de quatro décadas de estrada e um repertório que moldou a música brasileira, o cantor e compositor Nando Cordel desembarca em Natal no dia 21 de março com sua nova turnê, “De Volta para o Aconchego”. O espetáculo, concebido exclusivamente para o ambiente acolhedor dos teatros, marca um reencontro íntimo do artista com o público potiguar, celebrando uma trajetória de sucessos e afeto, no Teatro Riachuelo. O nome da turnê não é por acaso. Faz referência ao clássico composto por Nando em parceria com Dominguinhos, música que se tornou um hino na voz de Elba Ramalho. Para o artista, este projeto representa proximidade. No palco, ele não estará sozinho: a banda conta com a participação especial de seus filhos, reforçando o caráter familiar e a emoção que permeia cada acorde. Em entrevista exclusiva para o Papo Cultura, Nando destacou sua relação com a capital potiguar: “O Rio Grande do Norte é um estado muito feliz na minha vida. Em Natal, eu sempre faço o Teatro Riachuelo, é uma coisa muito deliciosa. Não poderia deixar de fora de uma turnê tão importante como essa”. Os fãs podem esperar uma viagem pela memória afetiva do Brasil. Com mais de 1.800...

Sala Lilás: Comissão aprova PL que cria espaço de acolhimento a mulheres

16/03/2026|

A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Câmara Municipal de Natal deu parecer favorável, durante uma reunião nesta segunda-feira (16), aos cinco projetos de leis que estavam na pauta de votação. Destaque para o PL 8/2026, apresentado pelo presidente da Casa, vereador Eriko Jácome (PP), que institui o Programa Municipal Sala Lilás, voltado ao acolhimento e proteção da mulher em situação de vulnerabilidade, violência, assédio ou ameaça, especialmente em locais de grande circulação de pessoas.  Pelo texto, a proposta chega com a finalidade de incentivar a criação de espaços seguros, reservados e humanizados destinados ao acolhimento, orientação e proteção de mulheres. A adesão ao Programa Sala Lilás será voluntária, podendo ser realizada por pessoas físicas ou jurídicas responsáveis por estabelecimentos privados, espaços de uso coletivo ou pela organização de eventos interessados. “Dei meu parecer favorável ao projeto de lei que cria o Programa Municipal Sala Lilás de Acolhimento e Proteção da Mulher com total convicção porque sei da importância que esta proposição terá para as mulheres. Poderão integrar o Programa Sala Lilás os estabelecimentos, espaços ou eventos caracterizados pela grande circulação de pessoas como shopping centers, estádios, arenas esportivas, casas de shows, centros de convenções e espaços similares....

Filarmônica UFRN abre temporada 2026 com Concerto Negro, que celebra matrizes afro na música sinfônica

16/03/2026|

A temporada artística de 2026 da Filarmônica UFRN começa com um gesto simbólico e poderoso: um concerto dedicado à presença, à memória e à força criativa das matrizes negras na música de concerto. No dia 21 de março, o público é convidado a vivenciar o Concerto Negro, apresentado em duas sessões, às 18h e 20h, no Auditório Onofre Lopes, na Escola de Música da UFRN, sob regência do maestro André Muniz. Mais do que um programa de obras, o concerto propõe um percurso sonoro que atravessa séculos e geografias, revelando como a herança afro-atlântica atravessa a história da música e segue pulsando na criação contemporânea. Em um cenário historicamente marcado por apagamentos, a proposta ilumina trajetórias, sonoridades e influências que ajudaram a moldar a música de concerto como a conhecemos hoje. A abertura traz “Danse Nègre”, de Samuel Coleridge-Taylor, compositor britânico de ascendência africana cuja obra ganhou reconhecimento internacional ao integrar a linguagem sinfônica europeia com referências culturais afro-atlânticas. Em seguida, a orquestra interpreta a Sinfonia em Sol Maior, Op. 11, de Joseph Bologne, Chevalier de Saint-Georges — violinista virtuose, compositor e figura central da vida musical parisiense do século XVIII, frequentemente lembrado como um dos primeiros compositores negros a alcançar projeção na tradição sinfônica europeia. O programa segue com o Largo da Sinfonia nº 9...

Comissão de Justiça aprova PL contra a LGBTfobia e melhorias para vans escolares

16/03/2026|

Dois projetos de lei que instituem programas de combate à LGBTfobia e à lesbofobia no município de Natal foram aprovados na manhã desta segunda-feira (16) na Comissão de Justiça, Legislação e Redação Final (CJLR),da Câmara Municipal de Natal. Além deles, o colegiado apreciou outras 15 matérias e fez a distribuição de 89 PLs para seus integrantes, os quais devem ser analisados nas próximas reuniões da CJLR. O projeto de lei 612/2025, de autoria da vereadora Samanda Alves (PT), estabelece diretrizes para a implantação de um Programa Municipal de Enfrentamento à LGBTFobia. A matéria havia recebido um pedido de vista da vereadora Brisa Bracchi (PT), a qual encartou duas emendas ao projeto, permitindo um parecer positivo do colegiado. “O enfrentamento à LGBTfobia é um compromisso, é uma pauta que a gente traz pra dentro aqui do plenário, e que o Executivo também tem trazido na sua agenda, com a criação do Centro Municipal de Referência LGBT, por exemplo. O projeto de lei que a vereadora Samanda traz é para definir as diretrizes para esse programa de enfrentamento à LGBTfobia, que a gente sabe que é um problema existente dentro das escolas, nos locais de trabalho, na sociedade como um todo. Então,...

OSRN 50 anos: orquestra abre temporada em concerto com participação de Roberta Sá

16/03/2026|

A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN) realiza, nesta sexta-feira (20), um concerto que marca oficialmente o início da temporada de 2026. A apresentação será realizada às 19h30, no Teatro Riachuelo Natal, com participação da cantora Roberta Sá e entrada gratuita. Os ingressos serão distribuídos no local, uma hora antes do concerto, e o público poderá contribuir, de forma voluntária, com 1 kg de alimento não perecível, destinado a famílias em situação de vulnerabilidade. Sob regência do maestro titular Linus Lerner, o programa propõe um diálogo entre a sonoridade orquestral e a força da MPB, com um repertório que homenageia a obra de Roberta Sá em versões sinfônicas concebidas especialmente para a ocasião. Os arranjos valorizam tanto a potência interpretativa da artista quanto as possibilidades expressivas da orquestra, promovendo um encontro entre o universo da música popular e a linguagem sinfônica. Natural de Natal, Roberta Sá celebrou, no ano passado, 20 anos de carreira fonográfica com uma trajetória marcada por álbuns elogiados pela crítica, sucessos de público, indicações ao Grammy Latino e parcerias com nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil e Martinho da Vila. No concerto, interpreta canções como “Samba de 1 Minuto”, “Me Erra”, “Pavilhão de Espelhos”,...

Comissão Processante mantém decisão contra cassação de Brisa Bracchi

13/03/2026|

A Comissão Processante instaurada na Câmara Municipal de Natal concluiu nesta sexta-feira (13) a apuração sobre a denúncia e o pedido de cassação contra a vereadora Brisa Bracchi (PT), emitindo parecer contrário à perda do mandato da parlamentar. O colegiado havia reaberto a fase de instrução do processo por decisão judicial, a fim de garantir à vereadora o direito de prestar depoimento. Com a conclusão da análise, o relatório final será encaminhado à Mesa Diretora da Câmara, que deverá decidir sobre a convocação da sessão de julgamento em plenário. O relator do processo, vereador Daniell Rendall (Republicanos), manteve em seu parecer a recomendação pela cassação da parlamentar, acusada de destinar recursos de emenda parlamentar para a realização de um evento de caráter político-partidário. A presidente da comissão, vereadora Samanda Alves (PT), apresentou voto divergente, defendendo que o caso seja analisado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, sem resultar em cassação. Com a ausência do vereador Tárcio de Eudiane (União), houve empate entre os votos. Diante do impasse, a Procuradoria da Câmara foi consultada para definir qual entendimento deveria prevalecer. “O vereador Daniell votou pela cassação, nós apresentamos voto divergente e, seguindo a orientação da Procuradoria, no caso...

Peça aborda narrativa sobre amizade, juventude e caminhos para atravessar o luto

13/03/2026|

O espetáculo Depois de Serena, do Grupo Lupa, retorna aos palcos em uma nova temporada no TeceSol, em Natal (RN), com apresentações nos dias 27, 28 e 29 de março, sempre às 19h30. A montagem convida o público a acompanhar uma narrativa sensível sobre amizade, juventude e os diferentes caminhos para atravessar o luto. Com direção de Deborah Custódio e Rubinho Rodrigues, a peça acompanha quatro jovens que precisam lidar com a morte repentina de uma amiga próxima, Serena. A partir desse acontecimento, o espetáculo investiga os impactos da perda e as diferentes formas de enfrentar a ausência, revelando memórias, afetos e conflitos que emergem quando a vida é atravessada pela morte. Entre momentos de humor e delicadeza, Depois de Serena propõe uma reflexão sobre a experiência do luto no contexto das juventudes, trazendo à cena temas como despedida, memória e a necessidade de seguir vivendo. A obra convida o público a compartilhar uma experiência coletiva de escuta e empatia, onde o teatro se torna espaço de encontro e elaboração. O espetáculo estreou em dezembro de 2025, na Casa da Ribeira, em Natal, com grande procura do público, registrando sessões lotadas e lista de espera. Agora, a nova temporada surge...

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Sergio Vilar
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