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O poder do afeto

O amor é um ato revolucionário. Chico César Datas festivas sempre nos trazem muitas reflexões e, neste Dia dos Pais, não foi diferente. Gosto de pensar nas festividades, mas sobretudo

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Documentário exibido em Natal abordará ancestralidade, música e resistência

13/08/2025|

Razões Africanas é um documentário de estrada sobre ancestralidade, música e resistência. O filme já ganhou repercussão internacional e foi exibido e premiado em diversos festivais ao redor do mundo. E no próximo dia 22, às 18h30, o diretor carioca Jefferson Mello trará sua obra para exibição gratuita em Natal, no Complexo Cultural da Rampa. O acesso será livre. Ao longo de quatro anos, Jefferson Mello percorreu seis países — Brasil, Cuba, Estados Unidos, Angola, Mali e República Democrática do Congo — em busca das raízes africanas de três ritmos que marcaram a história da humanidade: o jongo, a rumba e o blues. Viajando sozinho, ele optou por trabalhar com profissionais locais em cada país, reunindo olhares e vivências que enriquecem o filme com autenticidade e potência. A obra fala sobre o sequestro dos africanos, mas também sobre a força de um povo que resistiu — e que se expressa por meio da música até hoje.

Aurélio Pinheiro

12/08/2025|

Aurélio Pinheiro (1882-1938) figura ao lado de Polycarpo Feitosa como precursor do romance na literatura potiguar. Médico, nascido em São José de Mipibu e formado em 1907 pela Faculdade de Medicina da Bahia, exerceu o seu ofício, algum tempo, no interior do Rio Grande do Norte, primeiramente em Macau, onde residiam seus familiares e depois em Areia Branca. Por volta de 1910 foi tentar a vida na Amazônia, fixando residência na cidade de Parintins, e lá viveu longos anos até transferir-se para o Rio de Janeiro, então capital do país. Embora tenha se inspirado, quase sempre, na vida ribeirinha em meio à selva, Aurélio Pinheiro escreveu o romance “Macau”, com o qual se liga às letras do seu Estado de origem. Havendo falecido em 1938, seu nome caiu em injusto ostracismo, somente voltando a ser reconhecido quando o escritor Américo de Oliveira Costa o escolheu como patrono de sua cadeira na Academia Norte-rio-grandense de Letras e, em seu discurso de posse, lhe fez rasgado elogio (1949). Muitos anos depois, a professora Maria Aparecida Rego contribuiu, decisivamente, para e reabilitação do romancista, com a publicação do livro de sua autoria, “Entre salinas e maledicências – Uma leitura do romance Macau em...

Sete projetos avançam na Câmara de Natal com ações para habitação e imigrantes

12/08/2025|

Os vereadores de Natal apreciaram, na sessão ordinária desta terça-feira (12), sete projetos de lei em primeira discussão. As propostas tratam da criação de datas comemorativas, programas municipais e campanhas educativas, e voltarão ao plenário para votação definitiva. Entre os destaques está o Projeto de Lei nº 754/2023, de autoria do vereador Eribaldo Medeiros (REDE), que cria a Comissão de Fiscalização e Acompanhamento dos Programas Habitacionais Municipais. “A intenção é assegurar que os beneficiários permaneçam nas moradias de acordo com os critérios estabelecidos, avaliando o histórico socioeconômico e a documentação apresentada durante o processo de instalação”, explicou o autor. Outros projetos aprovados em primeira votação incluem a nomeação do Complexo Turístico da Redinha com o nome da ex-governadora Wilma de Faria, proposto pelo vereador Aldo Clemente (PSDB); a criação do Programa de Núcleos para Aprendizado da Língua Portuguesa para jovens e adultos imigrantes, de autoria da vereadora Brisa Bracchi (PT); e a inclusão da Corrida do Médico, no mês de outubro, no calendário oficial de eventos do município, proposta pelo vereador Kleber Fernandes (Republicanos). O único projeto aprovado em segunda discussão foi o PL nº 33/2024, da vereadora licenciada Nina Souza (União), que institui o Dia Municipal do Terço dos...

12/08/2025|

Mestre Onofre me enviou mais uma série de artigos – um tesouro para nosso blog! – pelas mãos do fiel escudeiro e também colunista desta página, Thiago Gonzaga, que também me enviou uma remessa de novos textos. Em um deles Onofre recomenda “obras bem interessantes, recém-lançadas”, quais sejam: “VIÚVA MACHADO – A GRANDEZA DE UMA MULHER, de Maria Elza Bezerra Cirne. (Natal: Ed. da autora, 2025). Retrato em corpo inteiro de uma importante personagem da história de Natal em meados do século XX. E o segundo é o CRÔNICAS SERTANEJAS, de Benedito Vasconcelos Mendes. Ilustrações e currículo do autor em versos: Neusa Bernado Coelho. (Mossoró: Ed. do autor, 2025). “Memória pessoal mesclada com informações de interesse histórico e etnográfico”, destaca Onofre.

12/08/2025|

 Natal foi anunciada como sede da segunda edição do evento Festival Olhares, programado para abril de 2026. O evento é voltado à inclusão e tem como pilares principais causas como o autismo, síndrome de Down, cardiopatia congênita e doenças raras. O Festival traz atividades como feira, apresentações artísticas, rodas de conversa, exposições, oficinas e a participação de grandes nomes nacionais ligados às causas. A programação completa será divulgada em breve.

casanova

12/08/2025|

Um dos bares mais queridos e emblemáticos da vida noturna potiguar, o Casanova está prestes a celebrar 15 anos de história com uma festa que promete entrar para o calendário afetivo e cultural da cidade. No sábado, 16 de agosto, a casa realiza um megaevento de 10 horas de duração, reunindo estilos musicais variados, atrações locais e nomes que movimentam a cena alternativa e eletrônica de Natal e do interior do estado. A comemoração ocupará toda a estrutura do Casanova, incluindo seus ambientes já conhecidos e instagramáveis, o charmoso Garden, e a baladinha do Submarino, espaço exclusivo da casa voltado para shows e eventos especiais. Com projeto assinado pelo arquiteto Matheus Bulhões, o Submarino se integra ao complexo do Casanova trazendo bar próprio, palco para grandes apresentações e um novo conceito de experiência para o público. Mais do que um aniversário, o evento representa um marco para o Casanova, que há uma década e meia vem reunindo diferentes tribos, estilos e gerações em torno da música, da arte e da celebração da vida. Em um ambiente que valoriza a diversidade, a liberdade e a criatividade, a casa tem sido palco de encontros inesquecíveis, tornando-se um símbolo afetivo para quem vive...

Ecopraça 2025 ocupa a Vila de Ponta Negra com a edição “A Rua da Cultura

12/08/2025|

Nos dias 23 e 24 de agosto de 2025, a Vila de Ponta Negra será palco de mais uma edição do Ecopraça, projeto cultural que há mais de 10 anos transforma espaços públicos em territórios de arte, encontro e convivência. Este ano, a iniciativa apresenta a edição especial “A Rua da Cultura”, que convida a ocupar e ressignificar uma rua hoje sem nome oficial, localizada ao lado do Figa Bar & Cultura, nas imediações por trás da Igrejinha da Vila. A proposta é unir arte, cultura popular e participação comunitária para transformar simbolicamente o espaço em um novo ponto de referência para a comunidade e para a cidade. A ação é realizada pelo Instituto Ancestral, com apoio do Governo do Estado do RN, Secretaria de Cultura do RN, Fundação José Augusto e da Deputada Isolda Dantas (emenda parlamentar). O Ecopraça nasceu com o propósito de ocupar áreas públicas urbanas por meio de uma metodologia que integra escuta comunitária, atividades formativas e intervenções artísticas. Ao longo da última década, o projeto já passou por diferentes bairros e municípios potiguares, sempre com a missão de promover acesso democrático à cultura, fortalecer vínculos comunitários e valorizar as identidades locais. Na edição “A Rua...

11/08/2025|

Nosso saudoso poeta Moacy Cirne ainda rende material literário inédito. O livro “Bíblia: travessia, travessias” será lançado em breve pelo Selo Gajeiro Curió. É uma crítica extremamente fundamentada do “livro dos livros”, mesmo para um ateu como Moacy. Segundo o médico Edrisi Fernandes, que escreveu a apresentação da obra, quem quiser entender melhor o conceito e os meandros do livro que moldou e molda muito do pensamento ocidental, precisa ler o novo rebento póstumo do mestre Moacy.

Potiguar Ivan Baron é empossado por Lula e defenderá direitos humanos de PCD’s

11/08/2025|

O potiguar Ivan Baron, de 26 anos, foi oficialmente empossado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como novo integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável – o Conselhão, órgão estratégico e consultivo ligado diretamente à Presidência da República. Natural de Natal (RN), Ivan assume o cargo com a missão de ser a voz das pessoas com deficiência em um dos espaços mais importantes de escuta e formulação de políticas públicas do país. Com uma trajetória marcada pelo ativismo em defesa dos direitos humanos, da inclusão e da equidade, Ivan se destaca nacionalmente por sua atuação nas redes sociais, onde transforma sua experiência pessoal com a paralisia cerebral em instrumento de conscientização e transformação social. Agora, como conselheiro empossado por Lula, ele amplia esse alcance para dentro do próprio governo federal. “Durante o evento de posse, aproveitei para dialogar diretamente com ministros do presidente Lula e solicitar uma audiência para tratar de temas cruciais à inclusão. Um deles é o BPC, que precisa ser ampliado, valorizado e protegido”, afirma Ivan. Entre suas principais bandeiras está justamente a defesa e fortalecimento do BPC (Benefício de Prestação Continuada) – um benefício assistencial que garante renda mínima a pessoas com deficiência e idosos em situação de vulnerabilidade. Ivan pretende usar sua posição no Conselhão para fortalecer...

10/08/2025|

A nova edição da antologia Literatura do Rio Grande do Norte será lançada nesta quinta, a partir das 17h, na Pinacoteca do Estado. Organizada pelas escritoras Constância Lima Duarte e Diva Cunha. É uma terceira edição, revista e ampliada, que sai pela Sebo Vermelho. Obra fundamental para entender um pouco mais sobre nossa arte literária.

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Blog do Sérgio Vilar

Fotografia potiguar no mundo

O poeta, artista visual e fotógrafo potiguar Jean Sartief expõe em um dos mais prestigiados salões de fotografia de rua de Portugal, o Mira Mobile Prize. A mostra é fruto de uma premiação – 21º Prêmio Mira Mobile – que

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Red Dog Pub reabrirá ainda em 2026

Um dos poucos e mais legais pubs de Natal, o Red Dog Pub não ficou pelo caminho do modismo, como tantos espaços que abrem, “bombam” e, pouco depois, passado o período da modinha tipicamente natalense, fecham. O pub fechou no

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Sergio Vilar
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