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Rádio no sangue

No ano de 1972 trabalhei como disc-jóquei na rádio Nordeste AM de Natal quando não existia FM. Na época o Rádio natalense já tinha alguns radialistas famosos: Carlos Alberto, da

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Livro infanto-juvenil de Rejane Souza tem relançamento neste sábado na Casa de Anna

15/08/2025|

Há quase um mês do lançamento de seu primeiro livro infanto-juvenil, a produtora cultural, escritora e conselheira do Conselho Estadual de Cultura do RN, Rejane Souza, participa de relançamento da obra: “A lenda da Cobra Encantada”, neste sábado (16), às 15h30, no Espaço de Arte, Literatura e Música Popular: Casa da Anna Fernandêz, da compositora e escritora Marieta Maia. A divulgação e acolhimento crítico da obra vêm sendo surpreendente através de leitores de apurado senso crítico literário como também o público mirim, além de professoras que têm explorado a narrativa em sala de aula. No pré-lançamento, a obra da autora foi capa do Viver da Tribuna do Norte, matéria de entrevista para a Rádio da UFRN, divulgação aqui no Papo Cultura, no Potiguar Notícias, Portal Papary, Coluna de Turismo de Sidnésio no Diário do RN, Nísia Digital, Jornal do Alerta, Página da Editora Offset e até em site do Rio de Janeiro: Jornal Atípico. Este será o terceiro momento de autógrafo da escritora, pois além do lançamento realizado em sua cidade Nísia Floresta, dia 19 de julho, ela realizou sessão de autógrafo na Biblioteca Municipal Profª Elienai Cartaxo de Parnamirim, cujo público contou com a presença dos colegas de trabalho da...

14/08/2025|

A banda Sangueblues é a atração desta sexta na Cervejaria Black Sheep, em Candelária. O show começa às 22h e os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente por R$ 15 pelo site OUTGO (https://outgo.com.br/sangue-blues-na-black-sheep). Na hora o valor é R$ 20. O show passeia pelo universo do rock, rhythm and blues, pop e latinidades. Beatles, Rolling Stones, The Doors, Led Zeppelin, Janis Joplin, Johnny Cash, Chuck Berry, Erasmo Carlos, Secos & Molhados, Chico Science & Nação Zumbi, Caetano Veloso, James Brown, Sublime, Wild Cherry, Bob Marley, The Smiths, Talking Heads, The Cure, The Strokes, REM, Pixies, Ramones, Santana, The Specials, Amy Winehouse, David Bowie, Manu Chao, Buena Vista Social Club, são alguns dos artistas presentes no repertório da banda. A casa abre às 19h com promoções de chopes e petiscos até às 21h!  Informações: 84.99107-4524 (whatsapp) / @cervejariablacksheep / @sangue_blues.

14/08/2025|

Tem mais uma etapa do Festival Caleidoscópio – Música, Alma e Compartilhamentos neste fim de semana em Natal. Sábado, o Concerto Melancolia, no Auditório Onofre Lopes, da Escola de Música da UFRN, às 19h. No palco, a talentosa pianista Isadora Rezende se une ao renomado violoncelista Diego Paixão para interpretar duas obras-primas do repertório camerístico: Fantasiestücke para cello e piano, Op. 73 – Robert Schumann, e a Sonata nº 2 em Fá maior para cello e piano – Johannes Brahms. No domingo, o Festival realiza o Concerto Contrapontos, na Igreja Matriz Nossa Senhora da Apresentação, às 17h30, logo após a missa. O programa traz um Duo de Flautas com Evaneto Albuquerque e Fábio Oliveira e, para o concerto de violas, os solistas Philipp Paiva e Pedro Zarqueu. Tudo gratuito!

Projeto “Mundanidades” promove formação gratuita sobre arte, ecologia e coletividade

14/08/2025|

O projeto MUNDANIDADES dá continuidade à pesquisa “Estudos para a Fuga” e propõe um potente espaço de intercâmbio entre artistas visuais de diferentes cidades, com foco nas conexões entre arte contemporânea, crise ecológica e práticas coletivas. A iniciativa será realizada na Zona Oeste de Natal (RN), com programação híbrida e gratuita. “MUNDANIDADES é, antes de tudo, um convite à experimentação e ao diálogo. Um campo fértil onde práticas artísticas se entrelaçam com modos de vida, crítica ambiental e imaginação coletiva — abrindo caminhos para novas formas de existir e criações em coletividades.”, afirma Sanzia Pinheiro, coordenadora e produtora do evento. A proposta metodológica do projeto baseia-se na investigação de poéticas sobre os desafios contemporâneos relacionados ao esgotamento da modernidade, à separação entre natureza e sociedade e às urgências da crise ecológica. O objetivo é promover trocas de saberes e repertórios entre artistas locais e de outras regiões do país, ampliando estratégias de criação, pesquisa e atuação coletiva. “O projeto surgiu a partir de estudos realizados por mim e por Sanzia. Nasci e me criei na zona oeste, tenho uma relação profunda com esse lugar. Desejo que o Mundanidades, por meio de diálogos, trocas de conhecimentos com a comunidade e saberes...

Carlota Nogueira e Found a Job unem forças no EP que mistura clássicos e nova MPB

14/08/2025|

O EP Frenesi, parceria entre a produtora cultural e DJ Carlota Nogueira e o DJ/produtor Found a Job, chega às plataformas SoundCloud, Bandcamp e YouTube nesta quinta-feira (14/08). O trabalho mergulha no encontro entre desejo, memória e pista de dança, com releituras de Chico Buarque, Ângela Ro Ro, Di Melo, Os Tincoãs e Evinha. Link disponível na bio do Instagram @carlotanogueira. Frenesi é um nome que carrega ritmo no som e descontrole no sentido. É o impulso que escapa do corpo, o calor que não se planeja, a urgência de viver antes que a noite acabe ou que comece. Mais que uma palavra, é um estado: entre o desejo e a memória, entre o espiritual e o sensual, entre o clássico e o delírio. O EP nasceu de um encontro improvável, mas absolutamente simbólico: final de festa, madrugada avançada, uma loja de conveniência no Posto Candelária. Lugar onde nada deveria começar, mas onde muita coisa insiste em florescer. Foi ali, entre uma cerveja e conversas suspensas do pós-baile, que Carlota Nogueira, produtora cultural, curadora e DJ, cruzou caminhos com Daniel Smith, também DJ, produtor e pesquisador musical, conhecido pelo projeto Found a Job. Ele falava de Os Tincoãs como quem abre...

Câmara aprova novas medidas para eventos e calendário oficial de Natal

14/08/2025|

Na Sessão Ordinária desta quinta-feira (14), a Câmara Municipal de Natal analisou cinco vetos integrais enviados pelo Poder Executivo. Quatro deles tiveram parecer pela manutenção e foram mantidos, enquanto um recebeu parecer pela derrubada. O veto derrubado foi ao Projeto de Lei nº 547/2022, de autoria do vereador Robson Carvalho (União), que garante o acesso de animais a feiras de artesanato, bazares, brechós e eventos similares no município, desde que respeitadas regras de segurança e cuidados necessários. “Esse projeto é importante para Natal, especialmente para os tutores, que passam a ter a liberdade de levar seus pets para esses espaços, sempre com responsabilidade”, destacou a vereadora Camila Araújo (União Brasil), que defendeu a proposta em plenário. Ainda durante a sessão, foi aprovado em segunda discussão o Projeto de Lei nº 802/2024, de autoria da vereadora Camila Araújo, que institui no Calendário Oficial de Eventos do Município de Natal o Dia do Auxiliar de Trabalho Evangélico. Segundo a parlamentar, a data reconhece a atuação desses voluntários, que desempenham funções essenciais nas igrejas, como coleta de ofertas, organização do espaço, limpeza e apoio às celebrações.

Hacklab Volante

13/08/2025|

Em agosto, Natal recebe o inédito projeto Hacklab Volante, um micro-ônibus adaptado que mistura ateliê, oficina, galeria de arte, museu de engenhocas e feira de ciências itinerante. O público poderá conhecê-lo gratuitamente, interagindo com seu acervo de arte eletrônica e gambiarras. Entre os dias 15 e 28 de agosto, o projeto vai circular pelas quatro zonas da cidade, oferecendo oficinas a estudantes de escolas públicas e visitação ao “busão”. O veículo é uma escultura eletrônica ambulante com estética nada minimalista, que chama atenção com sua sinalização artística diferenciada. Nele, habitam obras interativas, esculturas mecânicas, jogos eletrônicos, energia solar, sintetizadores, arte sonora, engenhocas e “o menor cinema do mundo”, uma cabine de exibição para apenas duas pessoas. A exposição conta com quase 20 obras de arte eletrônica de artistas brasileiros e internacionais, como Fred Paulino (que também é o curador e idealizador do projeto), Guto Lacaz, Sara Lana, Arthur Joly, Jorge Crowe, entre outros. As visitas duram em torno de 10 minutos e são guiadas por monitores que apresentarão os conceitos científicos e artísticos das obras. O projeto também leva conteúdos educativos, experiências eletrônicas, incentivo ao uso de fontes de energia sustentável e demonstrações de funcionamento de materiais eletroeletrônicos e manejo...

13/08/2025|

O lançamento oficial da edição 2025 do Carnatal vai acontecer dia 4 de setembro, às 19h, na Arena das Dunas, e terá dois momentos: entrevista coletiva com a imprensa e a apresentação das novidades para convidados. Além das atrações dos blocos e do camarote Beats, os diretores revelarão iniciativas inéditas que prometem ampliar ainda mais o impacto do evento na cidade. Mesmo antes de ser lançado, o Carnatal 2025 já mostra sua força econômica: 70% dos camarotes particulares já foram vendidos na pré-venda. A edição deste ano está marcada para os dias 5 a 7 de dezembro.

13/08/2025|

A quadrinista Milena Azevedo lançou um podcast bem interessante. Quem lê os textos dela por aqui sabe que, além de um dos grandes nomes dos quadrinhos no RN, Milena também assina textos primorosos sobre cinema, sobretudo o gênero noir. Então, para quem ouviu o episódio piloto do podcast Cinematógrafo Delirante, quinta-feira passada, fique esperto porque o primeiro episódio pra valer será liberado nesta quinta, às 20h, no YouTube e no Spotify. Será uma verdadeira imersão pra valer no cinema noir ao longo desta temporada. Quem quiser se inscrever no Spotify para não perder nenhum episódio, basta clicar no link abaixo: Deixo também o link do episódio, no YouTube: https://youtu.be/ZTTL768anis

O poder do afeto

13/08/2025|

O amor é um ato revolucionário. Chico César Datas festivas sempre nos trazem muitas reflexões e, neste Dia dos Pais, não foi diferente. Gosto de pensar nas festividades, mas sobretudo no significado que uma data como essa tem para pais e filhos. A mim, particularmente, não me diz muita coisa porque não tive a experiência de ter um pai presente. Pouco convivi com o senhor Luiz Gonzaga, cujo nome sequer consta no meu registro de nascimento. Mas tive a sorte de ter irmãos mais velhos como referência e sou muito grata por isso. São eles: Jonas, Anchieta, Paulo, Sebastião. Irmãos que aliás são excelentes pais. Pais amorosos, presentes, como todos deveriam ser. Mas essa é uma outra história sobre a qual podemos falar em outra crônica. Hoje meus pensamentos estão voltados para o meu companheiro, Francisco Julião, a quem gostaria de prestar uma homenagem e dizer o quanto admiro como pai. Gostaria de ter preparado um café da manhã especial para ele, mas nossa filha não estava em casa e optei por fazer isso quando ela estiver conosco. Também gostaria de ter ido à praia cedinho, fazer uma caminhada e tomar um banho de mar na companhia deles. É um programa...

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Blog do Sérgio Vilar

Fotografia potiguar no mundo

O poeta, artista visual e fotógrafo potiguar Jean Sartief expõe em um dos mais prestigiados salões de fotografia de rua de Portugal, o Mira Mobile Prize. A mostra é fruto de uma premiação – 21º Prêmio Mira Mobile – que

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Red Dog Pub reabrirá ainda em 2026

Um dos poucos e mais legais pubs de Natal, o Red Dog Pub não ficou pelo caminho do modismo, como tantos espaços que abrem, “bombam” e, pouco depois, passado o período da modinha tipicamente natalense, fecham. O pub fechou no

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Sergio Vilar
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