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paulo tito

Adeus, Paulo Tito

Ele nasceu nas Rocas. Em 1942 fez sua primeira apresentação em público, aos 12 anos, na Rádio Educadora de Natal. Em 1951 fez parte da famosa Orquestra Tabajara de Severino

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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SÃO JOÃO DE NATAL

10/08/2025|

O sucesso do São João promovido pela Prefeitura do Natal em 2025 será exaltado na série documental São Julhão – O Nordeste em Festa. A estreia é neste domingo (10), no Globoplay. O filme enaltece artistas, tradições e quem produz os festejos juninos e julinos nos maiores palcos culturais do Brasil. Os sete episódios da série percorrem cinco estados e mais de 20 cidades nordestinas durante dois meses. Em 254 horas de gravações há um mergulho na cultura regional raiz do Nordeste e o diálogo com a modernidade, a potência estética e o contraste entre o tradicional e o contemporâneo: dos arraiais de chão batido às grandes produções com shows milionários. “Reposicionamos Natal entre os festejos juninos mais atrativos do Nordeste. Criamos novos polos e já no primeiro ano de gestão produzimos um dos maiores são joões da história da capital. Os números comprovam isso. E, claro, a tendência é melhorarmos cada vez mais”, afirmou o prefeito de Natal, Paulinho Freire. Entre os destaques artísticos da série estão shows de potiguares consagrados, como Dorgival Dantas, Luan Estilizado, Raí Saia Rodada e Zezo Potiguar. E também Elba Ramalho, Bell Marques, João Gomes, Flávio José, Luan Santana, Alok, além de personagens anônimos...

Pai: “meu herói, meu bandido, muito mais que um amigo…”

10/08/2025|

O programa Talento Potiguar de ontem foi dedicado ao Dia dos Pais, que é comemorado hoje. Obviamente, todos os dias são “Dias dos Pais,” mas no Brasil, a comemoração ocorre sempre no segundo domingo de agosto. O Dia dos Pais surgiu nos Estados Unidos em 1909, quando Sonora Louise Smart Dodd resolveu homenagear seu pai depois de ouvir um sermão no Dia das Mães em uma igreja que ela frequentava. Seu pai – que havia lutado na Guerra Civil Americana -, depois da morte de sua esposa durante um parto, assumiu a tarefa de criar todos os filhos sozinho. No Brasil, a origem do Dia dos Pais é diferente. O surgimento da data foi impulsionado por Sylvio Bhering, publicitário e diretor do jornal O Globo, que na década de 50 fez um concurso para homenagear os pais: o pai com o maior número de filhos, o pai mais jovem e o pai mais velho. O concurso foi um sucesso: premiou um pai que tinha 31 filhos, um pai de 16 anos e um pai de 98 anos. Os vencedores receberam suas homenagens e prêmios no dia 14 de agosto, um segundo domingo do mês, que a partir dali começou a ser...

08/08/2025|

Neste sábado, o Natal Shopping recebe, às 19h, o “Metais do Sertão”, um concerto vibrante que mistura a imponência dos metais com a alma da música nordestina; no domingo, 10, é a vez do aconchego e da reflexão com o concerto “Som e Sentido”, na Nova Acrópole (Unidade Morro Branco), às 18h, uma experiência para sentir a música em todas as suas dimensões. Na segunda-feira, o Auditório Onofre Lopes (EMUFRN) se enche de sons e imagens musicais no concerto “Mosaico”, reunindo diferentes formações e repertórios que vão do erudito ao popular. E no dia 13 de agosto, às 9h, o Hospital Universitário Onofre Lopes recebe o projeto Tocando a Vida pela Cidade, levando música e afeto para dentro de um espaço de cuidado e recuperação.

Oitivas da PNAB Ciclo 2 incentivarão integração entre cultura e saúde em Natal

08/08/2025|

A Secretaria de Cultura de Natal, realizará, entre os dias 12 e 15 de agosto de 2025, a segunda rodada das Oitivas da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB – Ciclo 2). O encontro, que acontecerá de forma virtual pela plataforma Google Meet, é um convite aberto a artistas, produtores, fazedores de cultura e à população em geral para contribuírem com a construção de políticas públicas mais inclusivas e conectadas à realidade cultural dos territórios. As oitivas integram o processo participativo promovido pelo Ministério da Saúde para revisão da Política Nacional de Atenção Básica, e têm como objetivo ampliar a escuta e o diálogo com a sociedade civil, incorporando a perspectiva da cultura na formulação das ações. Essa etapa representa uma oportunidade para que diferentes segmentos culturais expressem demandas, ideias e propostas, fortalecendo a integração entre saúde, cultura e desenvolvimento social. Destacando a importância dessa escuta coletiva, a secretária municipal de Cultura, Iracy Azevedo, afirmou que as oitivas são momentos fundamentais de escuta e construção conjunta. “É ouvindo quem vive e produz cultura no dia a dia que se consegue fortalecer políticas públicas mais justas, inclusivas e conectadas com a realidade dos territórios, convidando toda a classe artística e cultural de...

08/08/2025|

Sou do tempo do show do Engenheiros do Hawaii no Papódromo em 1992. Quem mais estava lá? Pois 33 anos depois, eis que o galego gaúcho volta a Natal para mais uma apresentação no Teatro Riachuelo. O show “Acústicos Engenheiros do Hawaii” já está na reta final de vendas: restam apenas 200 ingressos disponíveis. Será dia 12 de setembro, às 21h. A abertura da noite será com o potiguar André Rangell, apresentando seu trabalho autoral.

Viagem no Tempo em Xilogravura

08/08/2025|

A exposição “Natal, Uma Viagem no Tempo em Xilogravura” convida você para um mergulho artístico na história visual da capital potiguar. O aniversário do estado do Rio Grande do Norte é comemorado em 7 de agosto. E inspiradas por essa data, as Besouros Cintilantes Cowmila Wanderley e JanaWan Wanderley decidiram celebrar contando parte da história de Natal antiga por meio de xilogravuras. A exposição permanece na Livraria Nobel do Praia Shopping até 31 de agosto. Cada obra é uma janela aberta para o passado, um convite à memória e ao encantamento. A inspiração parte de fotografias e memórias familiares, retratando prédios emblemáticos da cidade, meios de transporte da época, espaços de ensino, fatos históricos e antigos pontos comerciais, seus becos e bondes, seus casarões coloniais, o rio Potengi e os cenários que marcaram a vida cotidiana de uma cidade ainda em ritmo de calmaria e descobertas. Crédito da foto: Drops Digital/Taline Freitas

Natal Guitar

08/08/2025|

Neste Domingo (10), a Praça Pedro Velho, também chamada Praça Cívica, em Petrópolis, recebe o Natal Guitar Concert Instrumental, a partir das 17h e com acesso livre. O evento é um projeto idealizado pelo músico autodidata e produtor cultural, Jorge Ivan Batista na promoção de eventos culturais e entretenimento ao público. O propósito do evento é apresentar um set de músicas instrumentais em vários estilos onde a guitarra será o destaque principal, aplicando as técnicas guitarrísticas mais conhecidas e consagradas pelos maiores conhecedores desse magnífico instrumento, a exemplo de bends, ligados, slide, taping, harmônicos, vibratos, entre outras. O evento conta com apoio da Prefeitura de Natal, Funcarte e Secretaria Municipal Cultura sendo uma realização do Ministério da Cultura e Governo Federal através do edital da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura). Natal Guitar Concert Instrumental Data: 10 de Agosto 2025 Local: Praça Pedro Velho ( Cívica) – Bairro Petrópolis- Natal/RN Horário: A partir das 17:00 Classificação: Livre para todos os públicos Acesso: Livre

Câmara aprova seis matérias em sessão com destaque para temas sociais

07/08/2025|

Durante a sessão ordinária desta quinta-feira (7), a Câmara Municipal de Natal aprovou seis matérias, entre vetos e projetos de lei. Três projetos tiveram parecer favorável à manutenção de veto do Executivo. Outros três foram aprovados em primeira discussão. Entre os destaques está o Projeto de Lei nº 33/2024, de autoria da vereadora licenciada Nina Souza (União Brasil), que propõe a criação do Dia Municipal do Terço dos Jovens, a ser incluído no Calendário Oficial do Município. Também foi aprovado o Projeto de Lei nº 381/2024, de autoria do vereador licenciado Hermes Câmara (Cidadania), que institui a Caminhada e Corrida dos Médicos, a ser realizada anualmente em outubro. Durante a sessão, a vereadora Thabatta Pimenta (PSOL) fez um pronunciamento reforçando a importância da Lei Maria da Penha e das políticas públicas de proteção às mulheres, especialmente durante o Agosto Lilás: “A ONU ampliou a Lei Maria da Penha também para mulheres trans, travestis e casais homoafetivos. Isso mostra o quão importante é essa lei que ampara as mulheres cis, mas também as mulheres trans e casais que querem apenas viver, amar e ser protegidos. Nosso papel neste parlamento é defender todas elas”, declarou. A parlamentar também chamou atenção para os...

LabPoti promove oficina de elaboração de projetos culturais para mulheres

07/08/2025|

O LabPoti está de volta com uma oficina de elaboração de projetos culturais, voltada exclusivamente para mulheres. O curso é gratuito e será realizado nos dias 19, 21, 26 e 28 de agosto, das 19h às 21h, em plataforma online. A atividade capacitará as participantes para a elaboração de projetos culturais, dando ênfase aos elementos básicos de um projeto cultural e suas etapas. O módulo é voltado para produtoras culturais, artistas e demais interessadas em ampliar conhecimentos na área. As vagas são limitadas, sendo parte das inscrições reservada para mulheres não brancas, mulheres transexuais e mães solo, reafirmando o compromisso com a inclusão e a diversidade no setor cultural. A oficina será conduzida por Camilla Kaciane, produtora cultural com ampla experiência na área. Especialista em Comunicação e Marketing pela FMU, licenciada em História pela UFRN e graduada em Produção Cultural pelo IFRN. Está à frente da Poti Produções e assina projetos como Domingo na Arena, Ciranda Materna e o próprio LabPoti. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas por meio do link disponível na bio do perfil da @potiproducoes no Instagram. A ação é uma contrapartida social do projeto “Coworking Ciranda”, contemplado na Faixa 8 – Aquisição de...

07/08/2025|

Ontem (6) foi realizada cerimônia de instalação do busto revitalizado do Almirante Marquês de Tamandaré, herói nacional e patrono da Marinha do Brasil. O monumento foi reinstalado na Praça Almirante Tamandaré, na Cidade Alta, que passou por um amplo processo de requalificação. E eu penso: qual a ligação do nobre almirante com Natal, para merecer busto e nome de praça? Nenhuma! Temos tantos nomes passíveis de loas, sobretudo representativos daqueles chãos históricos da cidade. Mas Natal não consagra mesmo os seus.

07/08/2025|

A nova edição do projeto Shopping 10 Cultural movimenta o bairro do Alecrim durante o mês de agosto, com a presença do artesanato natalense. A feira de artesanato, instalada no shopping, reúne 11 artesãos e artesãs selecionados pela Semtas para expor e comercializar peças que representam diferentes estilos da produção local. A participação da secretaria abrange desde a organização da feira até a curadoria dos produtos, garantindo a autenticidade e a qualidade do que é ofertado ao público.

natal no século 19

07/08/2025|

Por Luís da Câmara Cascudo Durante cinquenta anos, Natal progrediu tão pouco que melhor seria dizer que não progrediu. De 1810 a 1860, raros melhoramentos. Em 1810, Koster descreve-a com 700 habitantes; a rua Grande1, larga praça vestida de camapu e mata-pasto, com orgulho administrativo da Câmara e cadeia acaçapada, o palácio rococó dos capitães-mores e as três igrejas: Matriz, Santo Antônio e Rosário. Quatro ruas de poucas casas desembocavam na rua Grande. Anos depois é que se fechou o lado leste e a rua da Conceição abrigou o Governo e outros centros de poderio e papelório. Da Rosário, ao que depois de 1850 começou a ser rua do Comércio, se estendia o denso dos oitizeiros, sapotis e pitombas, o verde-claro imóvel das carrapateiras ramalhudas e das mangiriobas franzinas. Ao sul, margeando risco do “caminho de beber”, embastia-se a mataria de gameleiras, paus-d`arcos, aroeiras e pau-ferro. Do Bardo ou Baldo ao monte, toda a elipsóide sul a leste, a vegetação irrompia vigorosa e alta, farfalhante e ampla. Casinhas rompiam a rua Nova, em largos espaços de faxinas, onde surgia, medroso, o ensaio das flores de casa, cravos brancos em panelas trepadas, maravilhas rasteiras, o rubro veludo dos amarantos, jasmins de...

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