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jane e herondy

Hipocrisia cultural

Na semana passada eu escrevi aqui sobre inclusão cultural. Hoje eu vou propor aqui duas situações diferentes. Na primeira situação vou falar sobre a música Não Se Vá, gravada pela

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Nação Sankofa Baobá lança primeiro EP com mangue-beat, funk e maracatu

27/08/2025|

A banda Nação Sankofa Baobá lançou seu primeiro álbum intitulado Malungos do Interior. Mais uma vez a referência do mangue-beat e de bandas que influenciaram esse movimento, mesclado ainda ao maracatu, funk e outros ritmos, está presente no trabalho do grupo. Assim como é o significado do Sankofa, os integrantes, formado por velhos amigos, voltaram ao passado para pegar o que deixaram. Atualmente com novo formato e integrantes, um dos objetivos da banda é apresentar músicas autorais diferenciadas e com base cultural abrangente. Embora o grupo apresente músicas de outros artistas, no repertório são incluídas as musicas autorais da banda com sonoridade rica, criativa e uma fusão rítmica ousada. O grupo faz parte do Centro Iê Ação Cultural com sede própria em Berlim e possui projetos através de parceiros na Alemanha, Angola, Portugal, França e Bélgica. Alguns dos integrantes realizam oficinas, workshops e palestras sobre música e percussão especificamente através dos projetos no Brasil e na Alemanha. Idealizador da Nação Sankofa Baobá, Júlio César Balbino mora na Alemanha há 17 anos, é mestre de Capoeira Angola, do Grupo de Capoeira Angola Chipaía de Ouro, com matriz na cidade paulista de Ribeirão Preto. É arte educador, músico percussionista e baterista e...

26/08/2025|

A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN) apresenta, na próxima quarta-feira (27), o concerto “Paixão Latina – Uma noite de Ópera e Zarzuela”, com participação dos solistas premiados Sofia Garza, Diana Peralta e Christian Pabón. A apresentação será às 19h30, no Teatro Riachuelo Natal, com entrada gratuita. Os ingressos já podem ser retirados antecipadamente pelo Sympla.

26/08/2025|

São 20 anos de música sem pausa. De barzinhos e restaurantes a grandes casamentos e festas em geral, a Banda Café construiu uma trajetória sólida e afetiva na cena potiguar. Para celebrar essas duas décadas, o grupo realiza no próximo dia 6 de setembro, a partir das 20h, um show especial que promete reunir sucessos, memórias e convidados. O palco será o Bar 294, onde a banda se apresenta há mais de 10 anos e já viveu temporadas fixas semanais. Os ingressos estão à venda na plataforma Outgo e no local, por R$ 20 antecipado e R$ 30 na hora.

Luiz Alves Neto

26/08/2025|

Organizado pelo professor e historiador Lemuel Rodrigues, o livro “Abdicar da luta, Jamais – Luiz Alves Neto!” será lançado nesta sexta (29), às 19h, na sede administrativa do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró. A obra reúne entrevistas de companheiros de luta e também memórias do revolucionário potiguar, companheiro de Anatália de Melo Alves, símbolo da resistência à ditadura militar instaurada no Brasil nos anos 1960 e vítima dos anos de chumbo que deixaram marcas profundas em todo o país. A publicação estreia ainda o selo editorial da Edições Liga Operária de Mossoró. Impresso na Gráfica Manibú, via Fundação José Augusto e Governo do Estado do Rio Grande do Norte, o livro contou ainda com o apoio incondicional de vários amigos e instituições que adquiriram a obra antecipadamente e que têm n’O Velho, como carinhosamente é conhecido, uma espécie de “guru” das lutas sociais e políticas. Na ocasião os livros serão entregues aos colaboradores e o organizador, Lemuel Rodrigues falará um pouco sobre a construção da biografia. A obra também estará disponível para outras aquisições. A LIGA Com 104 anos completados no último dia 10 de abril, a Liga Operária de Mossoró estreia também como um selo editorial devidamente...

Exposição homenageia diversidade cultural, natural e história do Seridó potiguar

26/08/2025|

A exposição Cores Potiguares, do Sertão ao Litoral é uma homenagem visual ao Seridó Potiguar, uma região rica em diversidade cultural, natural e histórica, que pulsa no coração do Rio Grande do Norte. A vernissagem ocorreu nesta segunda (25) e a exposição permanece aberta na Casa de Cultura de Parelhas até dia 8 de setembro. O projeto foi viabilizado pelo edital de economia criativa 2025 com o apoio do SEBRAE RN, e dia 9 de setembro a exposição chega à Casa de Cultura de Caicó, e depois passará por Acari, Natal e encerrará em Equador. Por meio das telas em acrílica, o artista plástico equadoense Jan Ferreira convida o espectador a viajar pelas cidades que compõem essa terra singular — desde o vigoroso município de Equador, reconhecido nacionalmente como um dos maiores produtores de caulim do Brasil, passando por Parelhas, Acari, Caicó e, por fim, a capital Natal. A exposição tem curadoria do também equadoense João Batista. Cada obra é um convite a testemunhar as belezas naturais que permeiam o Seridó: a exuberância da fauna e flora típicas do semiárido, os tons únicos da caatinga, as formações rochosas impressionantes e os contrastes de uma paisagem marcada pela seca e pela...

25/08/2025|

Quando comecei no jornalismo em 2004 já sentia falta de críticos para os diversos segmentos culturais. Lembro de artigos de Vicente Vitoriano no Diário de Natal, sobre artes visuais, e a coluna de Carlão de Souza, na Tribuna. No meu blog Diário do Tempo e no Substantivo Plural de Tácito Costa havia um outro comentário pontual. E friso: falo de crítica, não se colunas ou artigos que falam sobre tal área. Então esse texto de Thiago (LEIA AQUI) sobre a recém lançada Antologia da Literatura do RN, revisada e ampliada, é uma coca-cola no deserto da crítica na arte potiguar, que dirá na literária. Precisamos de muito mais!

literatura do rio grande do norte

25/08/2025|

Já em terceira edição revista e ampliada, Literatura do Rio Grande do Norte, antologia organizada por Diva Cunha e Constância Lima Duarte, representa um marco na preservação e difusão da produção literária potiguar. Com mais de 700 páginas, a obra reúne perfis biobibliográficos e textos de escritores que, desde o período colonial até a contemporaneidade (século XX), construíram o panorama literário do estado. Trata-se de um trabalho de fôlego que, ao mesmo tempo em que preserva a memória, oferece ao pesquisador, estudante ou leitor comum um retrato abrangente da riqueza e diversidade da literatura produzida em solo norte-rio-grandense. As organizadoras têm trajetórias que se complementam. Diva Cunha é poeta, ensaísta e professora aposentada da UFRN e UNP, ocupa a cadeira nº 30 da Academia Norte-rio-grandense de Letras. Ao longo de sua carreira, publicou obras poéticas e organizou antologias que documentam e valorizam a produção feminina. Constância Lima Duarte, por sua vez, é professora e pesquisadora reconhecida pela dedicação à literatura produzida por mulheres e pela recuperação de figuras históricas, como Nísia Floresta. Com sólida atuação acadêmica na UFRN e na UFMG, Constância Lima Duarte tem se destacado como voz importante na crítica e na historiografia literária. A estrutura da antologia...

show das comunidades

25/08/2025|

Até alguns anos atrás a cultura era tida como exclusividade da elite. Era considerada como a produção do belo, a expressão dos desejos, a linguagem dos sentidos, ”uma arma que tem que tomar partido até manchar-se” (segundo as palavras do poeta espanhol Gabriel Celaya). Qualquer criação artística que não se enquadrasse nesse conceito era considerada “baixa cultura”. Segundo o Relatório da Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento promovido pela UNESCO, com o avanço das políticas públicas e sociais, este parâmetro foi se quebrando. A hierarquia cultural se esfacelou e atualmente as potencialidades da cultura são armas importantes para o “reencantamento  do mundo, a construção de uma cultura de paz e o exercício da liberdade criativa em favor das coletividades e projetos de civilização antagônicos”. O governo federal reconheceu esta realidade ao criar, há alguns anos os Pontos de Cultura. Como em qualquer lugar, os habitantes das comunidades carentes de Natal têm uma cultura própria no seu modo de agir, de vestir, de falar etc. Possuem uma produção cultural que tem que ser levada em conta. Na periferia, no morro e nas favelas dos bairros populosos, existem cantores, compositores, instrumentistas, artistas plásticos, atores e uma gama de jovens talentosos aos quais...

Lançamento de filme sobre legado e ocupação de travestis em espaços de Natal será nesta quarta

25/08/2025|

No dia 27 de agosto às 19h, o Auditório do LABCOM (UFRN) recebe a sessão master de lançamento do filme Transcedendo Fronteiras, roteirizado e dirigido pela pesquisadora e antropóloga Sol Alves. A obra é um mergulho sensível e potente sobre o legado e a ocupação travesti em espaços políticos, acadêmicos e institucionais — abrangendo mestrados, doutorados e instâncias de poder — e faz uma homenagem profunda à memória da professora doutora Leilane Assunção, referência histórica e politica na luta por direitos e reconhecimento da comunidade trans e travestis no Brasil. Com um elenco majoritariamente composto por travestis, o filme é construído como um ritual de retomada e conexão com a transcestralidade, com uma presença imagética potente que referencia a vivencia coletiva e evidencia a força e poesia que atravessam gerações. Transcedendo Fronteiras também se torna um espaço de manuntenção e honraria a memória  para um dos últimos atos políticos de Jacqueline Brazil, presidenta da Rede Atrevida, que fez sua passagem em julho de 2025, reafirmando sua presença como liderança fundamental e inspiradora. A produção conta com direção de fotografia de Osani e direção de arte de Bárbara Freire, imprimindo à obra uma estética que dialoga com a força poética e...

Dos maiores encontros de bandas de música e filarmônicas do Nordeste começa quarta no RN

25/08/2025|

Reconhecido como um dos maiores encontros de valorização das bandas de música e filarmônicas do Nordeste, o Festival Maestro Felinto Lúcio Dantas chega à 15ª edição em Santa Cruz (RN). De 27 a 31 de agosto, o evento reúne programação diversificada com o tema “Do sertão ao Sagrado: Onde a música encontra a fé”. A iniciativa, da Associação Musical de Santa Cruz (Assomusc), reúne oficinas, debates, recitais e concertos, estimulando a formação técnica de músicos e regentes, a integração cultural e a preservação de uma tradição que há décadas enriquece o patrimônio imaterial da região. Entre os destaques desta edição, estão 10 oficinas de instrumentos de sopro, percussão e regência, ministradas no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN – campus Santa Cruz); recitais, concertos e o aguardado Encontro de Bandas de Música e Filarmônicas, no Teatro Municipal Candinha Bezerra. A programação também inclui desfiles pelas ruas da cidade e uma Alvorada Festiva, com banda formada por 50 alunos residentes, celebrando a troca de experiências e o talento de jovens músicos. O evento deve reunir mais de 1.700 pessoas, entre músicos, regentes, estudantes, professores e público em geral. Só para o Encontro de Bandas, são esperados cerca de 400 músicos e mais 800 espectadores nos dois dias de apresentações. O festival é realizado desde 2010 sem interrupções. Durante a pandemia, em 2020 e 2021, as edições foram virtuais,...

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Blog do Sérgio Vilar

Fotografia potiguar no mundo

O poeta, artista visual e fotógrafo potiguar Jean Sartief expõe em um dos mais prestigiados salões de fotografia de rua de Portugal, o Mira Mobile Prize. A mostra é fruto de uma premiação – 21º Prêmio Mira Mobile – que

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Red Dog Pub reabrirá ainda em 2026

Um dos poucos e mais legais pubs de Natal, o Red Dog Pub não ficou pelo caminho do modismo, como tantos espaços que abrem, “bombam” e, pouco depois, passado o período da modinha tipicamente natalense, fecham. O pub fechou no

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