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De quando Ray Charles esteve no Nordeste

Não tenho fotos que comprovem. Talvez ainda reencontre o ingresso, guardado em alguma caixa antiga. Mas posso, sobretudo, render tributo a esse grande momento da minha vida escrevendo — em

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A Viagem

Emanuel era uma criança singular. Oito anos, filho mais novo de sete, morador da Pracinha de Ponta Negra. Muito sociável fora do ambiente familiar. Sua mãe Rosa era empregada doméstica,

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PLURIBUS me enganou

Paula Pardillos

Em Pluribus (série da AppleTV, lançada em 2025), a paz mundial é alcançada quando um vírus une (quase) todas as pessoas em uma mente coletiva — isto é, a empatia completa é alcançada. Consequentemente, toda a sociedade se organiza em torno da sobrevivência do planeta e de cada ser vivo nele. A protagonista é Carol, uma clássica anti-heroína: alcoólica e anti-social. Durante toda a trama, ela permanece completamente resistente a cada mudança: não se pode economizar energia à noite, porque ela quer ver a cidade acesa. Não se pode comer pessoas após a morte, mesmo com consentimento delas, porque… ela acha chocante demais? O ser humano não pode se recusar a matar um animal, porque é… humanitário demais? Não sei. As razões de Carol são dadas como auto-evidentes, sem mais explicações. Minha experiência assistindo à série foi de ficar extremamente frustrada com a personagem de Carol, ao mesmo tempo que fiquei verdadeiramente empolgada com o quanto a narrativa estava escrachando o individualismo estadunidense. Que tempo vivemos! Os americanos (sic) admitindo os erros da ideologia que eles nos forçaram goela abaixo durante a colonização cultural. Suas instituições estão completamente falidas — e também os seus cidadãos, à mercê de corporações. A coletividade está ganhando espaço no entretenimento mainstream! Que momento! Mas… no último episódio ficou abundantemente claro, para mim, que o discurso da série era outro. Independentemente de Carol ser uma anti-heroína, a obra se filia à sua moral. Alguns acontecimentos, e a forma como são dirigidos (por exemplo, o momento em que uma personagem, que vive em uma vila rural isolada, faz a transição para a mente coletiva e todos afastam-se com o semblante apático), transmitem um senso real de estranhamento e medo do vírus. Como também a conclusão da temporada, quando o Oviedo (o personagem Paraguaio que também resiste à Mente Coletiva) junta-se à Carol. Nesse movimento fica implícito que a próxima temporada será sobre a luta dos dois — pintando a atitude de ambos como um teamwork heróico (um tropo amado em hollywood), quando eles saem do lugar do egoísmo (para uma noção de não-egoísmo da cultura estadunidense, claro) para salvar o mundo. Lembrou-me uma análise de Eu Sou a Lenda, do Slavoj Zizek¹. Foi nesse ensaio dele que fiquei sabendo que no livro original², em que se baseia o filme, o ponto de vista da narrativa é diametralmente oposto. Na história original (do livro, e da primeira adaptação, de 1964³)...

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Moisés de Lima

Músico potiguar leva ao Figa Bar repertório que conecta blues, rock, gaita e ancestralidade afro-brasileira

Redação

A música autoral potiguar ganha mais uma noite de palco nesta sexta-feira (25), com a apresentação de “Black In”, projeto do músico, compositor e jornalista Moisés de Lima. O show acontece a partir das 20h, no Figa Bar e Cultura, na Vila de Ponta Negra, em Natal. A apresentação reúne músicas autorais, releituras instrumentais e composições que atravessam diferentes momentos da trajetória do artista. O blues e o rock aparecem como pontos de partida para uma sonoridade que incorpora referências afro-diaspóricas, elementos da cultura afro-brasileira e uma pesquisa pessoal sobre ancestralidade e identidade. Um dos diferenciais do trabalho é a presença da gaita diatônica, instrumento que ocupa lugar central na atual produção de Moisés. Conhecido por sua atuação como baixista, guitarrista e compositor em diferentes bandas da cena potiguar, o músico vem desenvolvendo na carreira solo uma linguagem própria para a gaita, aproximando o instrumento da tradição do blues e de outras matrizes musicais. O repertório de “Black In” inclui músicas do single “Afrika”, lançado em 2024, e do EP “Black In”, de 2025. Os dois trabalhos foram realizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) e lançados pelo selo Mudernage. A faixa “Black In” traz uma homenagem especial ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, nome ligado à contracultura potiguar e que marcou a trajetória de Moisés de Lima. O projeto também chega ao palco depois de um ano de reconhecimento para o artista. Em 2026, Moisés recebeu o Troféu Hangar de Melhor Compositor do Ano. O trabalho “Black In” também foi indicado nas categorias Melhor Canção e Melhor EP. Da cena alternativa ao trabalho solo A história musical de Moisés de Lima começou no final dos anos 1980, quando Natal vivia uma efervescente cena alternativa. Desde então, o artista participou de diferentes projetos e bandas, entre elas Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs. Ao longo dessa trajetória, também integrou Revolution 5 e The Anthologics, além de estabelecer parcerias com diversos músicos da cena potiguar e de outros estados. Paralelamente à música, Moisés construiu uma longa trajetória no jornalismo cultural, acompanhando de perto artistas, bandas e movimentos que ajudaram a formar a identidade musical do Rio Grande do Norte. Essa experiência se encontra agora em “Black In”, projeto em que música, memória e pesquisa caminham juntas. No show desta sexta, Moisés de Lima estará no palco com Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes...

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BIBLIOBUNKER: Discurso sobre o colonialismo

Pablo Capistrano

Discurso sobre o colonialismo Autor: Aimé Césaire Tradução: Cláudio Willer Editora: Veneta Ano: 2020 Páginas: 132 “A Europa é indefensável”. De fato… no que diz respeito aos holocaustos coloniais produzidos em larga escala por países europeus nos últimos 500 anos, essa afirmativa, contundente e taxativa, não parece exagerada. O ensaio: “Discurso sobre o colonialismo”; escrito pelo poeta martinicano, Aimé Césaire, e publicado pela primeira vez em Paris no ano de 1950, pela Éditions Réclame, deixa bem à mostra a arquitetura de pensamento que faz com que essa frase, repetida em memes, posts ou comentários, neste circo romano digital que atende pela alcunha de “rede social”, não seja apenas uma mera hipérbole. Ligado ao movimento surrealista de André Breton e ao partido comunista francês, Aimé Césaire foi um personagem central da luta política anti racista e anti colonial do século XX. Ao publicar, em 1935, na revista L´étudiant noir, um artigo intitulado Nègreries: conscience raciale et révolution sociale, Césaire foi responsável pela construção da noção de “negritude”, utilizada e popularizada posteriormente por Léopold Sédar Senghor (primeiro presidente do Senegal livre). Como se não bastasse isso, o poeta também foi uma figura fundamental na formação intelectual de Frantz Fanon que, seguindo seus passos, construiu uma das obras mais densas e contundentes sobre os efeitos do racismo e do colonialismo no mundo contemporâneo. Considerado por muitos críticos como o maior poeta em língua francesa do século XX, o autor desse ensaio clássico, teria produzido também, no julgamento de pessoas como o historiador C. L. R. James “o mais selvagem ataque contra a sociedade burguesa que eu já vi em versos”. De fato, amigo velho, esse ensaio fundamental da luta anticolonial é uma porrada. Especialmente porque, no contexto em que o livro foi publicado, logo após a hecatombe das duas grandes guerras mundiais e no esteio da debacle do nazi fascismo mundo afora, seu impacto e o mal estar que suas ideias causaram no mundo intelectual francófono, foi desconcertante. Esse mal estar já havia sido sentido dois anos antes da publicação do livro quando, em 1948,  Césaire, “por equívoco” fora convidado a escrever sobre a colonização, a união francesa e as províncias do ultramar na revista conservadora Chemis du Monde. Desde de 1945, eleito deputado do parlamento francês pela Martinica, Césaire já promovia a denúncia dos massacres perpetrados pela França em suas colônias, escandalizando as elites políticas parisienses que aguardavam, de sua parte, uma postura de reconhecimento...

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Encontro de Música Contemporânea de Natal começa na próxima semana

Redação

O Programa de Pós-graduação em Música da UFRN realiza o 2º O Encomun- Encontro de Música Contemporânea de Natal entre os dias 22 e 25 de setembro, na Escola de Música da UFRN Com uma programação dedicada à produção, pesquisa e experimentação no campo da música, o ENCOMUN reúne artistas e pesquisadores em debates mediados por palestras, oficinas, recitais e atividades formativas. O evento conta com o apoio do CNPq a partir do projeto “Novas Metodologias na Criação e Registro de Obras para Música de Câmara”. Os pesquisadores-artistas Alexandre Lunsqui (Unesp), Bruno Ruviaro (USP), German Gras (UECE) e Victor Moretti (USP) estão entre os convidados do evento. Grupos Permanentes da EMUFRN como Gil, OPC e OCA também participarão do evento, além do duo Presgrave/Holanda, Duo Cesetti-Qi e Duo dialético, entre outros. A programação contempla temas que discutem a pesquisa em música contemporânea a partir de sua relação com a criação, a performance, processos colaborativos e novos usos de tecnologia. Serão quatro palestras: “Falando em ritmos: a criação musical e o comportamento rítmico sobre a fala”, com Heather De Jennings, “Convite à Escuta da Música Espectral”, com Alexandre Lunsqui; “Quando a prática se torna pesquisa: relatos de uma performer-pesquisadora”, com Luciane Cardassi, e uma abordagem dedicada à obra do compositor alemão Helmut Lachenmann, apresentada por German Gras. As atividades formativas ocupam um espaço importante no Encomun. A programação inclui a Oficina-Ensaio da Orquestra de Laptops, a Oficina de Edição de Partituras, a Oficina de Improvisação Livre, realizada pelo GIL – Grupo de Improvisação Livre, e a oficina “Ambissônics: colocando o ouvinte no centro da música”. As atividades ampliam o espaço para a experimentação e para o contato direto dos participantes com diferentes processos de criação musical. O encontro oferece também uma programação artística com recitais todos os dias, sempre às 19:00 horas e com entrada franca. Entre eles estão o Recital de Abertura no auditório Oriano de Almeida e os recitais “Música Popular e suas interfaces”, com a Orquestra de Câmara da EMUFRN, Bravo e convidados, além de “Piano Contemporâneo e GIL – trilha sonora” e “A música de câmara contemporânea”, todos no auditório Onofre Lopes. O professor da EMUFRN Uaná Barreto fará um recital-palestra apresentando seu projeto “Calendário do Som”, inspirado na música de Hermeto Paschoal na sexta-feira, dia 25 de setembro de 15:30 horas. Com atividades distribuídas entre espaços como os auditórios Oriano de Almeida e Onofre Lopes e salas da instituição, o Encomun...

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oásis natural

Oásis Natural fica em 2º lugar do Nordeste no Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026

Redação

Restaurante 100% plant-based de Ponta Negra, em Natal, foi reconhecido na categoria Culinária Revelação, anunciada durante o iFood Move, em São Paulo O Oásis Natural, restaurante especializado em alimentação saudável e 100% à base de plantas, conquistou o 2º lugar da região Nordeste na categoria Culinária Revelação do Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026. O resultado foi anunciado durante o iFood Move, maior evento de delivery da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo. O Oásis Natural foi o único empreendimento do Rio Grande do Norte premiado nesta edição. Em sua terceira edição, o Prêmio iFood de Super Restaurantes reconhece estabelecimentos que se destacam pela qualidade do serviço de delivery e pela experiência do cliente, com base em avaliações, consistência operacional e volume de pedidos ao longo do último ano. A categoria Culinária Revelação reúne restaurantes de comida saudável/natural, italiana e padarias/cafés. À frente do Oásis Natural está Adriana Amorim, que fundou o restaurante em dezembro de 2023 e é conhecida no meio como Chef Adrih Amor. O Oásis é um restaurante vegano: prepara refeições frescas, feitas no dia, sem refinados, sem frituras, sem trigo, com folhagens colhidas no mesmo dia em hortas parceiras de Pium e sem nada de origem animal. “Ser o único restaurante do Rio Grande do Norte reconhecido neste prêmio mostra que dá para fazer comida saudável, ética e de origem local com o mesmo nível de excelência operacional que o mercado de delivery exige. É um reconhecimento pra toda a equipe do Oásis”, afirma Chef Adrih Amor. Sobre o Oásis Natural O Oásis Natural é um restaurante vegano, 100% plant-based, localizado em Ponta Negra, Natal/RN, que funciona de quinta a domingo com cardápio fixo diário. Fundado em dezembro de 2023 por Chef Adrih Amor, o restaurante tem como pilares a alimentação funcional, o uso de ingredientes locais e a colheita do mesmo dia em hortas parceiras de Pium. Contato Instagram: @oasisnatural.natal WhatsApp: (84) 99663-7635

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“Terrivelmente evangélico”

Edrisi Fernandes

Houve um tempo – faz tempo! – que “evangélico” significava “que traz a boa nova”. O tempo passou, surgiu uma tal “teologia da prosperidade”, e a “boa nova” rendeu-se (ou vendeu-se) ao “Mercado”, o grande deus que contraria o mandamento “Não terás [outro] deus diante de mim” (Êxodo 20:3). Recorde-se que a única ocasião bíblica na qual Jesus perdeu a paciência foi quando confrontou em Jerusalém os mercadores no Templo [Mateus 21:12-17, Marcos 11:15-19 e Lucas 19:45-48 situam esse evento na semana que antecede a crucificação; em João 2:13-17, a expulsão dos mercadores ocorre no início do ministério de Jesus, logo após o milagre no casório em Caná]. João descreve Jesus fazendo um chicote de cordas, expulsando os mercadores e seus animais, virando as mesas dos cambistas e derramando o dinheiro. Nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas), Marcos e Lucas, para indicar uma ação reiterada ou vigorosa, empregam o tempo verbal imperfeito contínuo – Jesus entra em Jerusalém, vai ao Templo e “começa a expulsar” dali aqueles que ali negociavam; ele derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas sacrificiais. Nos Sinópticos, Jesus evoca os profetas Isaías (56:7, “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”) e Jeremias (7:11, “Mas vocês a transformaram num ‘covil de ladrões’”), enfatizando seu ataque à corrupção e à deturpação do propósito do Templo (Jeremias 7:11 diz: “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor”). Séculos se passaram. Ensinamentos de Jesus foram (e seguem sendo) deturpados e mercantilizados, e em Belo Horizonte (o nome parece bíblico), em 2004, Henrique Vorcaro, filho-herdeiro do pastor Serafim Vorcaro, acolhe o filho-herdeiro Daniel Vorcaro na incorporadora Mercatto (em italiano, “Mercado”) e noutros negócios da família. Jesus serenou procelas e andou sobre as águas no Mar da Galiléia; os Vorcaro criaram um maremoto a partir da congregação batista Lagoinha (“megaigreja evangélica neocarismática”, conforme a Wikipedia), para a qual Daniel Vorcaro já chegou a apresentar um programa na Rede Super (canal de TV ligado à igreja). O pastor-empresário Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do mafioso ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e líder religioso da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, BH, entregou-se às autoridades policiais em São Paulo em 04/03/26, após ter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo isso me faz...

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Milena Azevedo é homenageada em Congresso Nordestino de Quadrinhos

Sérgio Vilar

Encerra hoje, na UFRN, a primeira edição do Congresso Nordestino de Estudos Discursivos sobre Quadrinhos (1º CONEDQ), promovido pelo Departamento de Letras. E achei um gesto de justo registro por este blog. Dois, na verdade: o primeiro foi uma homenagem à trajetória de 21 anos na trincheira das Histórias em Quadrinhos empreendida por Milena Azevedo, e a segunda foi criar um prêmio com o meu nome. Milena é colunista deste blog e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes do RN nesta seara. E, ela foi ainda homenageada por tabela, pois o primeiro quadrinista a receber a Homenagem Milena Azevedo foi o grande amigo, colega e parceiro de tantos projetos, o quadrinista, artista plástico e inventor/designer de produtos, Wanderline Freitas. Parabéns, Milena!

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Quixote no RN: Exposição coletiva no Bar do Pedrinho traz os “Dons” Quixotes sob visão potiguar

Redação

Um dos mais tradicionais points culturais e boêmios da Cidade Alta, o Bar do Pedrinho fará a vernissagem da exposição “Os Dons”, com telas de Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Renata Lisieux, Lavosier Cunha, Túlio Ratto, Valderedo, e Verônica Maria. Será neste sábado, a partir das 12h. Quem fala sobre o assunto é o colecionador de arte Manoel Onofre Neto. Por Manoel Onofre Neto Quixote nas paragens potiguares E se Dom Quixote, em vez de atravessar os campos de La Mancha, tivesse tomado o rumo do Rio Grande do Norte? Talvez encontrasse nos sertões, nas praias, nos ventos, nas cidades e personagens potiguares matéria suficiente para alimentar suas aventuras. E, chegando a Natal, não seria improvável que terminasse sua jornada no Bar do Pedrinho, em pleno coração boêmio da cidade. É desse encontro imaginário que nascem Os “Dons” do Bar do Pedrinho. Aqui, o cavaleiro de Cervantes deixa de pertencer apenas à literatura universal para ganhar sotaque, paisagem e espírito potiguares. Moinhos, cavalos, lanças e delírios atravessam um território reconhecível, transformados pelo olhar de artistas que frequentam, convivem ou dialogam com esse universo tão particular. O título guarda ainda um divertido duplo sentido. Estes são os “Dons” que cada artista inventa, mas são também os “Dons” do Bar do Pedrinho: criadores que fazem da arte exercício de liberdade, imaginação, humor e resistência. Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Lavoisier Cunha, Renata Lisieux, Túlio Ratto, Valderedo e Verônica Maria constroem, cada qual à sua maneira, novos capítulos dessa improvável travessia quixotesca. No entorno do Beco da Lama, onde a cidade histórica encontra a boemia e a cultura pulsa fora dos circuitos convencionais, Quixote parece estar em casa. Afinal, há algo profundamente quixotesco em continuar acreditando na arte, em defender seus espaços e em transformar, pela imaginação, a realidade que nos cerca. Manoel Onofre NetoProcurador de Justiça, Curador e Colecionador de Arte.

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Prévia carnavalesca reúne Orquestra Greiosa e Skarimbó em Ponta Negra

22/01/2026|

Com shows gratuitos no domingo (25), evento também traz bate-papo sobre políticas públicas para o fortalecimento do carnaval de rua em Natal A menos de um mês para o Carnaval, as prévias carnavalescas já batem à porta do folião. Neste domingo (25), o Combo Cultural DoSol realiza a sua prévia carnavalesca unindo o Bloco da Produção, a Chamada Carnavalesca da Ribeira e o Comitê de Cultura do Rio Grande do Norte. A entrada é gratuita.  A programação começa a partir das 16h, no Figa Bar em Ponta Negra, com um bate papo sobre o tema “O Carnaval Quem Faz é o Folião: Políticas Públicas para o fortalecimento do Carnaval de rua”.  Após a conversa, é hora do show. O grupo Folia de Rua sobe ao palco com o batuque do zambelô, seguido de show das bandas Orquestra Greiosa e Skarimbó, que colocam o público para dançar. “Essa movimentação das prévias em Natal é importante para a gente reforçar a presença da música autoral potiguar no Carnaval. A gente tem muitos representantes dessa música dançante e festiva: Leoa, DuSouto, Skarimbó, SOUREBEL, a Chamada Carnavalesca da Ribeira, entre tantos outros. Então estamos reunindo uma parte dessa galera para mostrar que Natal tem...

Jundiá vira cinema a céu aberto em documentário que celebra o tempo e o cotidiano

22/01/2026|

‘Jundiá: Onde o tempo anda devagar’ chega ao público como um convite à pausa e ao olhar atento. Dirigido pelo artista potiguar Antenor Mario, o curta-documentário nasce da observação cotidiana e sensível da cidade de Jundiá, no interior do Rio Grande do Norte, revelando gestos simples, rotinas silenciosas e paisagens que costumam passar despercebidas na pressa do dia a dia. Sem narração, o filme constrói sua narrativa a partir das imagens e dos sons do ambiente, permitindo que o espectador se aproxime da cidade no seu próprio ritmo. A obra acompanha o passar das horas, da madrugada à noite, registrando ruas, trabalhadores, crianças brincando, a feira, o preparo da comida, o movimento leve da cidade e seus intervalos de quietude. Cada cena funciona como um fragmento de memória viva, compondo um retrato afetivo de Jundiá, onde o tempo não é marcado pela urgência, mas pela repetição dos gestos e pela convivência. O filme assume um caráter contemplativo, convidando o público a observar, sentir e permanecer. A estreia de ‘Jundiá: Onde o tempo anda devagar’ acontece nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, às 19h, em uma exibição gratuita e aberta ao público na Praça Letice Maria de Moura, no centro de...

TERRA ESTRANGEIRA: Uma doença de inverno

21/01/2026|

Londres – Inglaterra, 15 de Janeiro de 2018. Vi muito pouco da luz do sol hoje, talvez, por isso, ando melancólico. Aqui é assim no inverno. Apenas oito horas de luz por dia e depois uma longa noite unindo duas datas no calendário. Talvez por isso, tanta gente apresente sintomas da tal “doença de inverno” (como Nietzsche a chamava).  É realmente muito estranho, para nós que viemos da taba de Poty e que nos acostumamos a acordar com o sol, antes das 6:00; sair da cama apenas às 8:30, quando aquele azul da madrugada entra pela janela do quarto do albergue, anunciando que a longa noite, finalmente, acabou. É muito tempo na escuridão e no frio, e acredito que seja por isso que muitas almas suscetíveis aos humores depressivos, tantas vezes, não conseguiam resistir ao azul sombrio de um inverno rigoroso. Hoje pela manhã, assim que aquele solzinho mirrado atravessou as nuvens de chuva, Ana voltou com Helena ao museu britânico para terminar de ver os artefatos da China, Índia, Japão e da América Pré-colombiana. Eu, por minha vez, possuído por essa paralisia melancólica que desaba com o frio e a falta de luz, acabei ficando mais tempo no albergue,...

Baile de Carnaval celebra obra de Gilberto Gil

21/01/2026|

Chegou 2026 e mais uma vez, o bloco Foi-se o Bloquinho? vai cair no carnaval de rua de Natal, pra trazer muita animação. O bloquinho vai para seu terceiro ano de desfile com frevo, samba, música popular brasileira e muita alegria. O baile de carnaval do Foi-se o Bloquinho? acontece no próximo dia 7 de fevereiro, a partir das 17 horas, no Ô Fuxico Bar, localizado na Rua Praia do Sagi, 2074, em Ponta Negra, em frente à Árvore de Natal de Ponta Negra. Um baile temático que neste ano busca celebrar a história e o legado de Gilberto Gil com toda a identidade cultural e social que sua obra produziu para o Brasil ao longo de seus 60 anos de carreira. A festa conta com uma estrutura especial e muita animação puxada inicialmente pela Banda Vinil Elétrico, que vai tocar um repertório de clássicos dos nossos carnavais, além de Orquestra de Frevo pelas ruas de Ponta Negra pra garantir a diversão do bloquinho. Coordenado por Arthur Varela e Jan Varela, o bloco surgiu em 2024 com o objetivo de reunir foliões e foliãs progressistas de Natal. Segundo Arthur, a perspectiva é de resgatar a folia de rua de Natal,...

19/01/2026|

Faltam poucas horas para o encerramento das inscrições da XXII Edição do Troféu Cultura, uma das mais tradicionais e importantes honrarias voltadas ao reconhecimento da produção artística do RN. Os artistas, produtores e coletivos interessados em celebrar seu talento e contribuir para a economia criativa e a identidade cultural potiguar têm até esta terça-feira, 20 de janeiro, às 18h, para submeter seus trabalhos. A grande noite de gala está marcada para 25 de fevereiro no Teatro Riachuelo, sob o tema “Encontro de Gerações”. Esta edição promete não apenas lançar luz sobre novos talentos e produções recentes, mas também reverenciar as trajetórias daqueles que construíram a história cultural potiguar. A cerimônia contará com homenagens especiais ao grande artista Amaro Bezerra, pelo conjunto de sua obra, e inaugurará tributos In Memoriam, que a partir deste ano farão reverência a todos e todas que nos deixaram em 2025, como Nivaldete Ferreira da Costa e Candinha Bezerra.

Governo do RN abre inscrições da Lei Câmara Cascudo para projetos de Carnaval em 2026

19/01/2026|

Iniciativa busca garantir que as festividades carnavalescas contem com o suporte da lei enquanto o Estado realiza transição para um novo modelo de gestão do programa. O Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Secretaria da Fazenda (Sefaz), publicou, nesta sexta-feira (16), uma Portaria Conjunta que estabelece um período excepcional de inscrições para o mecenato de projetos culturais voltados ao Carnaval 2026. A iniciativa, viabilizada pelo Programa Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura, busca garantir que as festividades carnavalescas contem com o suporte da lei enquanto o Estado finaliza a transição para um novo modelo de gestão do programa. As inscrições ocorrem em caráter de urgência entre os dias 19 e 23 de janeiro de 2026. As propostas devem ser enviadas exclusivamente para o e-mail: pr***************************@***il.com, até as 23h59 do último dia do prazo. O Programa Câmara Cascudo passa atualmente por uma fase de modernização, fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), a Controladoria Geral do Estado (Control) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz). O objetivo é tornar o mecanismo mais democrático, transparente e eficiente. Este processo inclui a elaboração de um novo decreto estadual...

Curta Metragem potiguar “Mãe Santíssima” estreia na Mostra de Cinema de Tiradentes (MG)

19/01/2026|

No sertão, onde a poeira nunca se assenta, três destinos se cruzam sob o peso de uma profecia. Entre fé e violência, amor e honra, vida e morte, Mãe Santíssima mergulha nas contradições humanas e mostra como o passado pode assombrar o presente e moldar o futuro. O curta, inspirado no conto de Theo  Alves, terá sua estreia em Festivais na 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) – um dos mais importantes espaços de encontro, reflexão, formação, exibição e difusão do cinema brasileiro contemporâneo. Entre a fé cega, as perseguições e os silêncios, a narrativa leva o espectador a refletir sobre a força destrutiva dos preconceitos, a resistência e o poder de redenção presente na tradição cultural. Mãe Santíssima chega ao público como uma obra que une força narrativa, estética singular e um processo de criação coletivo. Concebido sob a filosofia do cinema processo — também chamado de cinema orgânico —, o filme valoriza o acaso, a colaboração e a participação ativa da comunidade local. O diretor geral Buca Dantas, cocriador do Cinema Processo, é reconhecido por essa abordagem inclusiva, que rompe com a rigidez do roteiro e integra moradores da região, não atores, tanto na atuação quanto na equipe técnica. Mesmo com essa organicidade, a produção alia rigor...

Carnaval de Natal 2026 é anunciado com grandes atrações e prévia na Avenida da Alegria

19/01/2026|

Do trio elétrico ao palco, do clássico ao novo, o clima do Carnaval já toma conta da Cidade do Sol. As atrações do Carnaval de Natal 2026 foram anunciadas durante evento realizado no SESC Rio Branco. A programação começa mais cedo e promete aquecer os foliões com uma prévia especial nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro. A Avenida da Alegria será palco dos trios elétricos e atrações já confirmadas como Wesley Safadão e Natanzinho Lima. A abertura oficial do Carnaval de Natal 2026 acontece no dia 12 de fevereiro, no Largo do Atheneu, com o tradicional Baile de Máscaras e a entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo e à Rainha. O prefeito Paulinho Freire destacou que o investimento total no Carnaval, somando esforços da iniciativa privada e do município, pode chegar a até R$ 17 milhões. “Trata-se de um investimento que retorna em geração de renda, empregos e desenvolvimento”, disse Paulinho. O prefeito lembrou que o Carnaval de Natal deu um salto significativo no último ano, com a criação e fortalecimento de novos polos, como o da Zona Norte, no Ginásio Nélio Dias, que será mantido, a ampliação da Avenida da Alegria e a consolidação...

Os Grogs

14/01/2026|

Prepare a camiseta preta, a memória afetiva e o fígado: Os Grogs estão de volta. Neste sábado (17), a partir das 21h, a lendária banda do rock potiguar reaparece em público na Cervejaria Black Sheep, em Candelária, para um reencontro que promete mais histórias do que solos — e mais emoção do que nostalgia gratuita. Não é só um show. É quase uma sessão espírita do rock natalense, só que com amplificadores ligados, cerveja gelada e gente viva no palco (e na plateia). O clima é de ensaio aberto, daqueles em que tudo pode acontecer: risadas, olhares cúmplices, erros charmosos e, claro, músicas que marcaram gerações. No repertório, os clássicos que ajudaram a construir a identidade da banda e canções autorais criadas entre 2000 e 2018, fase mais fértil do grupo — quando Natal tinha mais guitarras, menos algoritmos e ninguém reclamava do volume. Desde a separação, Os Grogs só haviam se reunido uma única vez, em 2023, no Beatles Fest do Bar Mormaço. Agora, sobem novamente ao palco Giancarlo Vieira (vocais, violão e gaitas), Felipe Rebouças (guitarra), Thiago Andrade (guitarra), Moisés de Lima (vocais e baixo) e Samir Santos (bateria), que assume o posto com respeito e energia em...

Sesc Zona Norte realiza prévia carnavalesca para crianças com arrecadação de alimentos

14/01/2026|

O Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Norte (Sesc RN), entidade do Sistema Fecomércio RN, se prepara para receber os pequenos foliões do Paradinha Kids. O evento, que acontece dia 25, integra a programação carnavalesca do Parada na Ladeira, e chega como uma das grandes novidades do projeto, sendo uma ampliação voltada ao público infantil e familiar, principalmente da Zona Norte de Natal. Para garantir a participação, os interessados devem retirar o ingresso via plataforma Sympla (disponível no site www.sescrn.com.br) e comparecer na unidade Sesc Zona Norte, nos dias 19 e 20 de janeiro, das 9h às 17h, para buscar os abadás, que serão entregues mediante a doação de 2kg de alimentos não perecíveis.  O Paradinha também pode ser considerada uma opçãode prévia para os moradores da Zona Norte, oferecendo atrações lúdicas, musicais e de recreação, transformando o ambiente em espaço de convivência, cultura e lazer. A programação terá início às 9h, com Personagens da Cia Era Uma Vez e seguirá com outras atrações como Orquestra do Papão e Brincantus. Haverá recreação para as crianças das 10h às 13h, e das 12h30 às 15h, a banda Pagode do Coxa sobe ao palco para animar o público. Durante todo o dia, a lanchonete da unidade estará em funcionando, viabilizando a alimentação e hidratação dos presentes no local.  O Sesc RN estima a participação de cerca de mil pessoas no evento, e para garantir a segurança e conforto de todos, o acesso será limitado e exclusivamente...

14/01/2026|

Para celebrar o Dia Mundial do Compositor, neste dia 15 de janeiro, o Ecad realizou um estudo sobre as músicas mais tocadas em shows realizados no Brasil em 2025, considerando apenas eventos adimplentes com os direitos autorais. A liderança do ranking musical ficou com o “hino” sertanejo “Evidências”, composição de José Augusto e Paulo Sergio Valle. Na sequência aparece outro sucesso do gênero: “Boate azul”, de autoria de Benedito Seviero e Aparecido Tomás. Fechando o top 3 está “Não quero dinheiro”, de Tim Maia.  Na sequência, “Telefone mudo”, de Peao Carreiro e Franco. Na quinta posição, “Eva”, de Cartavetrata, Umto e Ficarelli.

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