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Sinfonia da Redenção

A música e a mensagem de renovação da Páscoa vão se encontrar em uma noite especial no palco do Teatro Alberto Maranhão. No dia 18 de abril, a ONG Oficina

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PLURIBUS me enganou

Paula Pardillos

Em Pluribus (série da AppleTV, lançada em 2025), a paz mundial é alcançada quando um vírus une (quase) todas as pessoas em uma mente coletiva — isto é, a empatia completa é alcançada. Consequentemente, toda a sociedade se organiza em torno da sobrevivência do planeta e de cada ser vivo nele. A protagonista é Carol, uma clássica anti-heroína: alcoólica e anti-social. Durante toda a trama, ela permanece completamente resistente a cada mudança: não se pode economizar energia à noite, porque ela quer ver a cidade acesa. Não se pode comer pessoas após a morte, mesmo com consentimento delas, porque… ela acha chocante demais? O ser humano não pode se recusar a matar um animal, porque é… humanitário demais? Não sei. As razões de Carol são dadas como auto-evidentes, sem mais explicações. Minha experiência assistindo à série foi de ficar extremamente frustrada com a personagem de Carol, ao mesmo tempo que fiquei verdadeiramente empolgada com o quanto a narrativa estava escrachando o individualismo estadunidense. Que tempo vivemos! Os americanos (sic) admitindo os erros da ideologia que eles nos forçaram goela abaixo durante a colonização cultural. Suas instituições estão completamente falidas — e também os seus cidadãos, à mercê de corporações. A coletividade está ganhando espaço no entretenimento mainstream! Que momento! Mas… no último episódio ficou abundantemente claro, para mim, que o discurso da série era outro. Independentemente de Carol ser uma anti-heroína, a obra se filia à sua moral. Alguns acontecimentos, e a forma como são dirigidos (por exemplo, o momento em que uma personagem, que vive em uma vila rural isolada, faz a transição para a mente coletiva e todos afastam-se com o semblante apático), transmitem um senso real de estranhamento e medo do vírus. Como também a conclusão da temporada, quando o Oviedo (o personagem Paraguaio que também resiste à Mente Coletiva) junta-se à Carol. Nesse movimento fica implícito que a próxima temporada será sobre a luta dos dois — pintando a atitude de ambos como um teamwork heróico (um tropo amado em hollywood), quando eles saem do lugar do egoísmo (para uma noção de não-egoísmo da cultura estadunidense, claro) para salvar o mundo. Lembrou-me uma análise de Eu Sou a Lenda, do Slavoj Zizek¹. Foi nesse ensaio dele que fiquei sabendo que no livro original², em que se baseia o filme, o ponto de vista da narrativa é diametralmente oposto. Na história original (do livro, e da primeira adaptação, de 1964³)...

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Moisés de Lima

Músico potiguar leva ao Figa Bar repertório que conecta blues, rock, gaita e ancestralidade afro-brasileira

Redação

A música autoral potiguar ganha mais uma noite de palco nesta sexta-feira (25), com a apresentação de “Black In”, projeto do músico, compositor e jornalista Moisés de Lima. O show acontece a partir das 20h, no Figa Bar e Cultura, na Vila de Ponta Negra, em Natal. A apresentação reúne músicas autorais, releituras instrumentais e composições que atravessam diferentes momentos da trajetória do artista. O blues e o rock aparecem como pontos de partida para uma sonoridade que incorpora referências afro-diaspóricas, elementos da cultura afro-brasileira e uma pesquisa pessoal sobre ancestralidade e identidade. Um dos diferenciais do trabalho é a presença da gaita diatônica, instrumento que ocupa lugar central na atual produção de Moisés. Conhecido por sua atuação como baixista, guitarrista e compositor em diferentes bandas da cena potiguar, o músico vem desenvolvendo na carreira solo uma linguagem própria para a gaita, aproximando o instrumento da tradição do blues e de outras matrizes musicais. O repertório de “Black In” inclui músicas do single “Afrika”, lançado em 2024, e do EP “Black In”, de 2025. Os dois trabalhos foram realizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) e lançados pelo selo Mudernage. A faixa “Black In” traz uma homenagem especial ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, nome ligado à contracultura potiguar e que marcou a trajetória de Moisés de Lima. O projeto também chega ao palco depois de um ano de reconhecimento para o artista. Em 2026, Moisés recebeu o Troféu Hangar de Melhor Compositor do Ano. O trabalho “Black In” também foi indicado nas categorias Melhor Canção e Melhor EP. Da cena alternativa ao trabalho solo A história musical de Moisés de Lima começou no final dos anos 1980, quando Natal vivia uma efervescente cena alternativa. Desde então, o artista participou de diferentes projetos e bandas, entre elas Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs. Ao longo dessa trajetória, também integrou Revolution 5 e The Anthologics, além de estabelecer parcerias com diversos músicos da cena potiguar e de outros estados. Paralelamente à música, Moisés construiu uma longa trajetória no jornalismo cultural, acompanhando de perto artistas, bandas e movimentos que ajudaram a formar a identidade musical do Rio Grande do Norte. Essa experiência se encontra agora em “Black In”, projeto em que música, memória e pesquisa caminham juntas. No show desta sexta, Moisés de Lima estará no palco com Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes...

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BIBLIOBUNKER: Discurso sobre o colonialismo

Pablo Capistrano

Discurso sobre o colonialismo Autor: Aimé Césaire Tradução: Cláudio Willer Editora: Veneta Ano: 2020 Páginas: 132 “A Europa é indefensável”. De fato… no que diz respeito aos holocaustos coloniais produzidos em larga escala por países europeus nos últimos 500 anos, essa afirmativa, contundente e taxativa, não parece exagerada. O ensaio: “Discurso sobre o colonialismo”; escrito pelo poeta martinicano, Aimé Césaire, e publicado pela primeira vez em Paris no ano de 1950, pela Éditions Réclame, deixa bem à mostra a arquitetura de pensamento que faz com que essa frase, repetida em memes, posts ou comentários, neste circo romano digital que atende pela alcunha de “rede social”, não seja apenas uma mera hipérbole. Ligado ao movimento surrealista de André Breton e ao partido comunista francês, Aimé Césaire foi um personagem central da luta política anti racista e anti colonial do século XX. Ao publicar, em 1935, na revista L´étudiant noir, um artigo intitulado Nègreries: conscience raciale et révolution sociale, Césaire foi responsável pela construção da noção de “negritude”, utilizada e popularizada posteriormente por Léopold Sédar Senghor (primeiro presidente do Senegal livre). Como se não bastasse isso, o poeta também foi uma figura fundamental na formação intelectual de Frantz Fanon que, seguindo seus passos, construiu uma das obras mais densas e contundentes sobre os efeitos do racismo e do colonialismo no mundo contemporâneo. Considerado por muitos críticos como o maior poeta em língua francesa do século XX, o autor desse ensaio clássico, teria produzido também, no julgamento de pessoas como o historiador C. L. R. James “o mais selvagem ataque contra a sociedade burguesa que eu já vi em versos”. De fato, amigo velho, esse ensaio fundamental da luta anticolonial é uma porrada. Especialmente porque, no contexto em que o livro foi publicado, logo após a hecatombe das duas grandes guerras mundiais e no esteio da debacle do nazi fascismo mundo afora, seu impacto e o mal estar que suas ideias causaram no mundo intelectual francófono, foi desconcertante. Esse mal estar já havia sido sentido dois anos antes da publicação do livro quando, em 1948,  Césaire, “por equívoco” fora convidado a escrever sobre a colonização, a união francesa e as províncias do ultramar na revista conservadora Chemis du Monde. Desde de 1945, eleito deputado do parlamento francês pela Martinica, Césaire já promovia a denúncia dos massacres perpetrados pela França em suas colônias, escandalizando as elites políticas parisienses que aguardavam, de sua parte, uma postura de reconhecimento...

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Encontro de Música Contemporânea de Natal começa na próxima semana

Redação

O Programa de Pós-graduação em Música da UFRN realiza o 2º O Encomun- Encontro de Música Contemporânea de Natal entre os dias 22 e 25 de setembro, na Escola de Música da UFRN Com uma programação dedicada à produção, pesquisa e experimentação no campo da música, o ENCOMUN reúne artistas e pesquisadores em debates mediados por palestras, oficinas, recitais e atividades formativas. O evento conta com o apoio do CNPq a partir do projeto “Novas Metodologias na Criação e Registro de Obras para Música de Câmara”. Os pesquisadores-artistas Alexandre Lunsqui (Unesp), Bruno Ruviaro (USP), German Gras (UECE) e Victor Moretti (USP) estão entre os convidados do evento. Grupos Permanentes da EMUFRN como Gil, OPC e OCA também participarão do evento, além do duo Presgrave/Holanda, Duo Cesetti-Qi e Duo dialético, entre outros. A programação contempla temas que discutem a pesquisa em música contemporânea a partir de sua relação com a criação, a performance, processos colaborativos e novos usos de tecnologia. Serão quatro palestras: “Falando em ritmos: a criação musical e o comportamento rítmico sobre a fala”, com Heather De Jennings, “Convite à Escuta da Música Espectral”, com Alexandre Lunsqui; “Quando a prática se torna pesquisa: relatos de uma performer-pesquisadora”, com Luciane Cardassi, e uma abordagem dedicada à obra do compositor alemão Helmut Lachenmann, apresentada por German Gras. As atividades formativas ocupam um espaço importante no Encomun. A programação inclui a Oficina-Ensaio da Orquestra de Laptops, a Oficina de Edição de Partituras, a Oficina de Improvisação Livre, realizada pelo GIL – Grupo de Improvisação Livre, e a oficina “Ambissônics: colocando o ouvinte no centro da música”. As atividades ampliam o espaço para a experimentação e para o contato direto dos participantes com diferentes processos de criação musical. O encontro oferece também uma programação artística com recitais todos os dias, sempre às 19:00 horas e com entrada franca. Entre eles estão o Recital de Abertura no auditório Oriano de Almeida e os recitais “Música Popular e suas interfaces”, com a Orquestra de Câmara da EMUFRN, Bravo e convidados, além de “Piano Contemporâneo e GIL – trilha sonora” e “A música de câmara contemporânea”, todos no auditório Onofre Lopes. O professor da EMUFRN Uaná Barreto fará um recital-palestra apresentando seu projeto “Calendário do Som”, inspirado na música de Hermeto Paschoal na sexta-feira, dia 25 de setembro de 15:30 horas. Com atividades distribuídas entre espaços como os auditórios Oriano de Almeida e Onofre Lopes e salas da instituição, o Encomun...

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oásis natural

Oásis Natural fica em 2º lugar do Nordeste no Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026

Redação

Restaurante 100% plant-based de Ponta Negra, em Natal, foi reconhecido na categoria Culinária Revelação, anunciada durante o iFood Move, em São Paulo O Oásis Natural, restaurante especializado em alimentação saudável e 100% à base de plantas, conquistou o 2º lugar da região Nordeste na categoria Culinária Revelação do Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026. O resultado foi anunciado durante o iFood Move, maior evento de delivery da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo. O Oásis Natural foi o único empreendimento do Rio Grande do Norte premiado nesta edição. Em sua terceira edição, o Prêmio iFood de Super Restaurantes reconhece estabelecimentos que se destacam pela qualidade do serviço de delivery e pela experiência do cliente, com base em avaliações, consistência operacional e volume de pedidos ao longo do último ano. A categoria Culinária Revelação reúne restaurantes de comida saudável/natural, italiana e padarias/cafés. À frente do Oásis Natural está Adriana Amorim, que fundou o restaurante em dezembro de 2023 e é conhecida no meio como Chef Adrih Amor. O Oásis é um restaurante vegano: prepara refeições frescas, feitas no dia, sem refinados, sem frituras, sem trigo, com folhagens colhidas no mesmo dia em hortas parceiras de Pium e sem nada de origem animal. “Ser o único restaurante do Rio Grande do Norte reconhecido neste prêmio mostra que dá para fazer comida saudável, ética e de origem local com o mesmo nível de excelência operacional que o mercado de delivery exige. É um reconhecimento pra toda a equipe do Oásis”, afirma Chef Adrih Amor. Sobre o Oásis Natural O Oásis Natural é um restaurante vegano, 100% plant-based, localizado em Ponta Negra, Natal/RN, que funciona de quinta a domingo com cardápio fixo diário. Fundado em dezembro de 2023 por Chef Adrih Amor, o restaurante tem como pilares a alimentação funcional, o uso de ingredientes locais e a colheita do mesmo dia em hortas parceiras de Pium. Contato Instagram: @oasisnatural.natal WhatsApp: (84) 99663-7635

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“Terrivelmente evangélico”

Edrisi Fernandes

Houve um tempo – faz tempo! – que “evangélico” significava “que traz a boa nova”. O tempo passou, surgiu uma tal “teologia da prosperidade”, e a “boa nova” rendeu-se (ou vendeu-se) ao “Mercado”, o grande deus que contraria o mandamento “Não terás [outro] deus diante de mim” (Êxodo 20:3). Recorde-se que a única ocasião bíblica na qual Jesus perdeu a paciência foi quando confrontou em Jerusalém os mercadores no Templo [Mateus 21:12-17, Marcos 11:15-19 e Lucas 19:45-48 situam esse evento na semana que antecede a crucificação; em João 2:13-17, a expulsão dos mercadores ocorre no início do ministério de Jesus, logo após o milagre no casório em Caná]. João descreve Jesus fazendo um chicote de cordas, expulsando os mercadores e seus animais, virando as mesas dos cambistas e derramando o dinheiro. Nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas), Marcos e Lucas, para indicar uma ação reiterada ou vigorosa, empregam o tempo verbal imperfeito contínuo – Jesus entra em Jerusalém, vai ao Templo e “começa a expulsar” dali aqueles que ali negociavam; ele derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas sacrificiais. Nos Sinópticos, Jesus evoca os profetas Isaías (56:7, “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”) e Jeremias (7:11, “Mas vocês a transformaram num ‘covil de ladrões’”), enfatizando seu ataque à corrupção e à deturpação do propósito do Templo (Jeremias 7:11 diz: “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor”). Séculos se passaram. Ensinamentos de Jesus foram (e seguem sendo) deturpados e mercantilizados, e em Belo Horizonte (o nome parece bíblico), em 2004, Henrique Vorcaro, filho-herdeiro do pastor Serafim Vorcaro, acolhe o filho-herdeiro Daniel Vorcaro na incorporadora Mercatto (em italiano, “Mercado”) e noutros negócios da família. Jesus serenou procelas e andou sobre as águas no Mar da Galiléia; os Vorcaro criaram um maremoto a partir da congregação batista Lagoinha (“megaigreja evangélica neocarismática”, conforme a Wikipedia), para a qual Daniel Vorcaro já chegou a apresentar um programa na Rede Super (canal de TV ligado à igreja). O pastor-empresário Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do mafioso ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e líder religioso da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, BH, entregou-se às autoridades policiais em São Paulo em 04/03/26, após ter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo isso me faz...

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Milena Azevedo é homenageada em Congresso Nordestino de Quadrinhos

Sérgio Vilar

Encerra hoje, na UFRN, a primeira edição do Congresso Nordestino de Estudos Discursivos sobre Quadrinhos (1º CONEDQ), promovido pelo Departamento de Letras. E achei um gesto de justo registro por este blog. Dois, na verdade: o primeiro foi uma homenagem à trajetória de 21 anos na trincheira das Histórias em Quadrinhos empreendida por Milena Azevedo, e a segunda foi criar um prêmio com o meu nome. Milena é colunista deste blog e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes do RN nesta seara. E, ela foi ainda homenageada por tabela, pois o primeiro quadrinista a receber a Homenagem Milena Azevedo foi o grande amigo, colega e parceiro de tantos projetos, o quadrinista, artista plástico e inventor/designer de produtos, Wanderline Freitas. Parabéns, Milena!

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Quixote no RN: Exposição coletiva no Bar do Pedrinho traz os “Dons” Quixotes sob visão potiguar

Redação

Um dos mais tradicionais points culturais e boêmios da Cidade Alta, o Bar do Pedrinho fará a vernissagem da exposição “Os Dons”, com telas de Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Renata Lisieux, Lavosier Cunha, Túlio Ratto, Valderedo, e Verônica Maria. Será neste sábado, a partir das 12h. Quem fala sobre o assunto é o colecionador de arte Manoel Onofre Neto. Por Manoel Onofre Neto Quixote nas paragens potiguares E se Dom Quixote, em vez de atravessar os campos de La Mancha, tivesse tomado o rumo do Rio Grande do Norte? Talvez encontrasse nos sertões, nas praias, nos ventos, nas cidades e personagens potiguares matéria suficiente para alimentar suas aventuras. E, chegando a Natal, não seria improvável que terminasse sua jornada no Bar do Pedrinho, em pleno coração boêmio da cidade. É desse encontro imaginário que nascem Os “Dons” do Bar do Pedrinho. Aqui, o cavaleiro de Cervantes deixa de pertencer apenas à literatura universal para ganhar sotaque, paisagem e espírito potiguares. Moinhos, cavalos, lanças e delírios atravessam um território reconhecível, transformados pelo olhar de artistas que frequentam, convivem ou dialogam com esse universo tão particular. O título guarda ainda um divertido duplo sentido. Estes são os “Dons” que cada artista inventa, mas são também os “Dons” do Bar do Pedrinho: criadores que fazem da arte exercício de liberdade, imaginação, humor e resistência. Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Lavoisier Cunha, Renata Lisieux, Túlio Ratto, Valderedo e Verônica Maria constroem, cada qual à sua maneira, novos capítulos dessa improvável travessia quixotesca. No entorno do Beco da Lama, onde a cidade histórica encontra a boemia e a cultura pulsa fora dos circuitos convencionais, Quixote parece estar em casa. Afinal, há algo profundamente quixotesco em continuar acreditando na arte, em defender seus espaços e em transformar, pela imaginação, a realidade que nos cerca. Manoel Onofre NetoProcurador de Justiça, Curador e Colecionador de Arte.

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Em defesa da Mostra de Cantautores da Música Potiguar

04/02/2026|

por Esso Alencar No ano passado, no último semestre, a música (Autoral) potiguar passou por uma experiência um tanto atípica: estrelou o palco do principal teatro público da capital com uma temporada onde quem brilhou foram seus próprios artistas (cantores, compositores, intérpretes, instrumentistas etc). O êxito foi total! Não tem embora. Não tem senões. Todas as edições da Mostra de Cantautores da Música Potiguar transcorreram dentro de um esquema profissional, com cachês, pontualidade, direitos autorais, excelência artística e até público. Pois é!  A proeza se deu a partir de uma provocação feita pela Rede Potiguar de Música (RPM), uma entidade informal que foi criada há década e meia em Natal/RN, que luta com todas as forças para que justamente ações dessa natureza venham a consolidar a estruturação de uma política pública para o segmento – no caso, após a intervenção da Rede feita com o festival de duetos na mostra coletiva “Rede Potiguar dá Música” (Oito da Noite), realizada em 1º de agosto de 2024. A partir dali, com a adesão da Fundação José Augusto (FJA) e a parceria do Teatro Alberto Maranhão (TAM), foram se somando outros vários esforços através do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, que redundou na...

Troféu Cultura anuncia indicados a melhores do ano para a 22ª edição

04/02/2026|

O cenário artístico e cultural do Rio Grande do Norte vibra com o anúncio dos indicados para a XXII Edição do Troféu Cultura. A premiação, idealizada pelo jornalista Toinho Silveira, consolidou-se como um dos mais tradicionais e importantes reconhecimentos da produção artística potiguar, e sua noite de gala já tem data e local confirmados: 25 de fevereiro, no renomado Teatro Riachuelo Natal, sob o inspirador tema “Encontro de Gerações”. A noite de premiação terá entrada gratuita, proporcionando amplo acesso à celebração cultural. Esta edição promete ser um marco, destacando a efervescência cultural do Estado ao honrar tanto novos talentos quanto produções recentes e, ao mesmo tempo, reverenciar artistas que moldaram a rica história cultural potiguar. Serão realizadas homenagens especiais, com o título de personalidade da Cultura Potiguar, para Liz Nôga, Manoel Onofre, Marcelo Queiroz e Júlio César Barbosa.  Também receberão homenagens especiais pelo conjunto de suas obras, Amaro Bezerra e Titina Medeiros (In Memoriam). Além disso, o Troféu Cultura estreia os tributos In Memoriam, que, a partir deste ano, prestarão homenagem a personalidades da cultura que nos deixaram em 2025, como Nivaldete Ferreira da Costa, Augusto Lula e Candinha Bezerra. As indicações foram conduzidas por uma curadoria especializada, composta por profissionais de destaque em cada...

rosas na cartola

04/02/2026|

O irreverente Bloco das Kengas realiza no próximo domingo (8) a partir das 13h no SESI Solar Bela Vista a tradicional Feijoada-Baile reunindo foliões ao som de muito samba com Rosas na Cartola, Dodora Cardoso com participação de Edja Soares, além de Orquestra do Papão. As camisetas, que dão acesso ao evento, já estão à venda no Bardallo’s Comida & Arte, localizado no Centro Histórico de Natal. Criado em 1983 por um grupo de amigos, o Bloco das Kengas surgiu em frente à Broadway, boate gay pioneira da cidade, na Rua Felipe Camarão. Com trajes extravagantes e acompanhados por uma banda, os integrantes desfilavam pela Rua Vigário Bartolomeu, atraindo multidões e chamando a atenção da imprensa local. Mais de quatro décadas depois, o bloco segue como um importante espaço de expressão artística, celebração da diversidade e acolhimento. “A Feijoada-Baile é o principal momento de encontro com os foliões que nos acompanham há tantos anos, em um formato mais intimista, além de ser fundamental para arrecadar recursos para o nosso grande desfile”, destaca Lula Belmont, carnavalesco do bloco. Além das atrações musicais, o evento contará com o Concurso de Performance Drag, inspirado no tema “Divinas Divas”, que celebrará a arte drag...

TERRA ESTRANGEIRA: Os cangaceiros do mar

03/02/2026|

Londres – Inglaterra, 14 de Janeiro de 2018. Ontem nos encontramos com Rony Sarkar, um amigo indiano que mora aqui em Londres desde o início dos anos 90. Ele nos levou gentilmente para conhecer alguns pontos incontornáveis da liturgia turística da cidade: o palácio de Buckingham (que achamos bem mirradinho para os padrões da aristocracia europeia), a Casa dos Lordes, a abadia de Westminster e a Câmara dos Comuns, com o Big Ben escondido por uma capa de andaimes que anunciavam uma reforma geral que (ironia das ironias) parece estar atrasada. Rony foi, durante muitos anos, cliente de Ana quando ela era proprietária de uma imobiliária no bairro de Cidade Verde, em Nova Parnamirim. Ele foi um dos estrangeiros que “descobriu” Natal no boom turístico do início do século, se apaixonou pelo ar de fazenda litorânea que a cidade tinha naquela época e acabou adquirindo imóveis por lá. Talvez seja o fato dele ser um sujeito do chamado “sul global”, nascido em um país que compõe (como o nosso) os BRICS, que fez com que as questões comerciais se transformassem em uma relação mais pessoal de cortesia. Quando ele soube que iríamos para Londres fez questão de nos levar pra conhecer a...

Bloco “Rita Leenda” sai no Carnaval de Natal celebrando a eterna rainha do Rock

03/02/2026|

Pelo segundo ano, o Bloco Rita Leenda sairá às ruas de Natal para celebrar a eterna rainha do rock Rita Lee, no dia 13 de fevereiro, véspera oficial do Carnaval. O bloco reafirma sua presença no calendário folião da zona Leste da cidade, com atrações musicais, versões carnavalescas dos clássicos de Rita Lee e novidades na programação. O acesso é aberto a todos os públicos. A concentração será em frente ao Bar Letra e Música (Bar do Ari), na Avenida Floriano Peixoto, com atividades que começam já na tarde de 13 de fevereiro, véspera oficial de Carnaval. A festa começa às 16h30 com DJ, segue às 17h30 com show da Banda Cítrika, e às 19h30 entra a Orquestra do Maestro Giba, com 25 músicos no ritmo do frevo antes da saída oficial do bloco às 20h, em direção ao Largo do Atheneu. O Rita Leenda – Ano II conta com patrocínio da Prefeitura de Natal e Unimed através do Programa Djalma Maranhão, Pet Mais Saúde e Uniclube. Esquenta e repertório Antes da saída oficial, a banda Cítrika promove um esquenta no dia 7 de fevereiro, no Bar 294, sob produção e arranjos de Melquior Medeiros. A banda, formada por Denísia...

Filme potiguar vence prêmio de Melhor Curta-metragem em Mostra de Cinema de Tiradentes

03/02/2026|

O curta-metragem potiguar Recife Tem um Coração, dirigido pelo fotógrafo e cineasta Rodrigo Sena, recebeu neste sábado (31) o prêmio de Melhor Curta-metragem pelo Júri Popular na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos mais importantes festivais de cinema do país. O filme foi o mais votado pelo público entre 53 títulos em exibição. A obra acompanha o cantor de brega Silvo Silva, fenômeno das redes sociais, que mobiliza seus seguidores para comprar uma nova caixa de som após o equipamento quebrar. Em menos de 15 minutos, Sena constrói um retrato afetivo e complexo do artista e do território que ele habita, costurando aspectos sociais, emocionais e geográficos do Recife profundo. A recepção crítica também foi expressiva. O crítico de cinema Frank Carbone (Vertentes do Cinema) classificou o filme com cinco estrelas e destacou o olhar de Sena para a “geografia marginal do Recife” e sua capacidade de construir “um dos personagens mais sensíveis a passar por Tiradentes este ano”, ressaltando ainda a “artesania complexa” do curta, que articula personagem, cidade e afeto em camadas de grande força imagética e narrativa. Para Rodrigo Sena, o reconhecimento reforça o papel do cinema potiguar no cenário nacional: “Receber o prêmio em Tiradentes é muito significativo. O festival tem uma estrutura sólida...

29/01/2026|

Depois do sucesso da edição da semana passada com Caio Padilha, o Sábado de Ramos traz o músico, arranjador e compositor Joca Costa & Convidados para mais uma apresentação intimista no Sebo Balalaika. Será neste sábado (31) a partir das 16h. Ingresso a R$ 50, de caráter beneficente para o tratamento do grande Severino Ramos. Será um show para poucos e com repertório que promete passear pelo jazz, funk e choro. Venda antecipada pelo pix do próprio: 84988670520 . O point cultural Sebo Balalaika fica na rua Vigário Bartolomeu, 565, Cidade Alta.

Governo abre inscrições para o Bloco II da PNAB, com R$ 2,85 milhões destinados à Cultura Viva

29/01/2026|

Inscrições podem ser feitas até 19 de fevereiro; três editais abrangem R$ 2,85 milhões em investimentos e 64 vagas O Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), e o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/RN), inicia hoje (28) a fase de inscrições para os editais do Bloco II – Cultura Viva, dando continuidade ao cronograma de investimentos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN). Com inscrições abertas até 19 de fevereiro, este é o segundo dos cinco blocos previstos este ano, no âmbito do Ciclo 2 da política pública no estado. Nesta nova etapa, serão investidos R$ 2,85 milhões especificamente para o fortalecimento e fomento de Pontos e Pontões de Cultura potiguares. O aporte integra o montante total de mais de R$ 25 milhões destinados aos editais de 2026 do Ciclo 2 da PNAB RN, visando a descentralização dos recursos e a consolidação da cultura como vetor de desenvolvimento. As submissões de propostas devem ser realizadas exclusivamente on-line, por meio da plataforma Mais Cultura RN. Para cada Edital lançado, será disponibilizada uma Cartilha Acessível, que explica os documentos de maneira simples e detalhada. O Bloco II disponibiliza...

Festival Pôr do Som

27/01/2026|

Para aquecer as noites de verão natalense, o Combo Cultural DoSol realiza neste fim de semana (31 e 1° de fevereiro) mais uma edição do Festival Pôr do Som. Com entrada gratuita, o evento acontece na Pinacoteca Potiguar e reúne nomes da nova música potiguar, além de atrações da Paraíba e do Pará. A programação é mais uma na extensa agenda que celebra os 25 anos de história e realizações culturais da produtora no RN. No sábado (31), sobem ao palco do evento o DJ Sogos (RN), a banda Além do Normal (RN) com muito samba, pagode e a participação da cantora Daniela Fernandes; a banda Skarimbó (RN) e a Orquestra Greiosa (RN), que une ao seu repertório autoral os clássicos de Caetano Veloso. Diretamente do Pará, também se apresenta o grupo Lambada Social Club, com uma fusão dos sons amazônicos e caribenhos. Quem encerra a noite na Pinacoteca é a cantora LEOA, com show da turnê Original Malokera, mas a festa segue com discotecagem no Clube Frisson com as DJs Mary G, Das Neves e Marti. Já no domingo (1°), DJ Papel (RN) é quem abre a noite, seguido de Fortunato e os Jovens de Ontem (RN), Potyguara Bardo...

Websérie investiga cena musical underground da Filadélfia pelo olhar de uma estudante potiguar

26/01/2026|

Nesta quarta-feira (28) acontece o lançamento da série Musicadelphia, às 19h, no Figa Bar & Cultura. O evento é gratuito, e além da exibição da série, trará na programação o show da banda Bico do Cabugi e jam session aberta ao público. Musicadelphia é um documentário que investiga a cena musical underground da Filadélfia a partir do olhar sensível de uma estudante potiguar em intercâmbio acadêmico nos Estados Unidos. Entre performances, encontros e paisagens sonoras, o projeto constrói um retrato afetivo da cidade, onde a música se apresenta como linguagem de pertencimento, troca cultural e conexão entre territórios. O projeto teve início em 2015, durante a disciplina Making Documentaries, na Temple University, e se desenvolveu de forma orgânica a partir do registro de artistas e grupos independentes da Filadélfia. De volta ao Brasil no ano seguinte, novas gravações ampliaram o diálogo entre culturas, incluindo encontros com Gregg Mervine, fundador da West Philadelphia Orchestra, que na época estava morando na Paraíba, produzindo e tocando em colaboração com músicos da cena nordestina, como Chico Correa e o grupo Pife Perfumado. Ao longo dos anos, o material atravessou diferentes formatos, foi temporariamente engavetado e, a partir de 2020 ele passou a ser reimaginado...

CineMargem leva sessões gratuitas de cinema às periferias de Parnamirim em janeiro

23/01/2026|

O projeto CineMargem realiza, ao longo do mês de janeiro de 2026, sessões gratuitas de cinema em comunidades periféricas de Parnamirim (RN). A iniciativa tem como objetivo democratizar o acesso ao audiovisual e ampliar a circulação de produções locais, ocupando espaços culturais já consolidados nos territórios, como terreiros, escolas e sedes de cultura popular. As exibições contam com uma curadoria de curtas-metragens potiguares e são acompanhadas por debates e rodas de conversa, promovendo o encontro entre realizadores, artistas e moradores das comunidades. A proposta é fortalecer a formação de público e estimular o reconhecimento do cinema como ferramenta de expressão, educação e transformação social. Mais do que entretenimento, o CineMargem entende o audiovisual como instrumento de pertencimento e valorização das narrativas locais. Ao levar o cinema para espaços populares, o projeto incentiva crianças, jovens e adultos a se reconhecerem como produtores de cultura, ampliando perspectivas e fortalecendo o protagonismo comunitário. Os locais de exibição integram uma rede cultural ativa, com histórico de parcerias em ações anteriores, como o documentário Batismo do Rio Pequeno, o que reforça o vínculo do projeto com os territórios e com as dinâmicas culturais já existentes nas comunidades. O CineMargem também prevê ações de acessibilidade, com filmes...

Nadja Tavares

23/01/2026|

Primeiro encontro de 2026 acontece neste sábado (24/01), no Mahalila Café e Livros, com debate sobre olivro “O que há por dentro” e trilha sonora exclusiva. O Clube de Leitura Mulheres Lendo Mulheres inicia suas atividades de 2026 com uma celebração especial. Organizado pelo coletivo Mulherio das Letras Zila Mamede, o projeto completa seis anos de fomento à literatura feminina potiguar. O primeiro encontro do ano será realizado neste sábado (24), às 17h, no Mahalila Café e Livros, tendo como obra central o livro de poemas “O que há por dentro”, da jornalista e escritora natalense Nadja Tavares. “O que há por dentro” marca a estreia individual da autora e reúne versos que capturam a poesia nas “coisas miúdas” e corriqueiras. Com um estilo simples, direto e profundamente sensível, Nadja Tavares utiliza a palavra para exteriorizar sentimentos de espanto, encantamento e esperança. Segundo a autora, o título nasceu de um processo de introspecção: “Me perguntei o que eu queria expressar com os poemas. De onde vinha tudo aquilo? Vinha de dentro, do interior. Expressava o que havia por dentro.” Experiência Literária e Musical Para tornar a experiência de leitura ainda mais imersiva, a escritora criou uma playlist exclusiva no Spotify,...

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