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No Brasil a cultura nunca recebeu a atenção devida por parte do poder público. E o artista popular, cujo trabalho muitas vezes não é tido como de importância cultural, ainda

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O sopro e a forma

Por Francc Neto Este texto nasceu de uma inquietação antiga: não o sentido da vida, mas a própria natureza do que chamamos “vida”. Interrogamos o seu significado, buscamos o seu

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Anna Karenina desde sempre e para sempre

Poucas obras atravessam os séculos com a força silenciosa e inevitável de Anna Karenina. Publicado entre 1875 e 1877, em uma Rússia à beira de rupturas sociais e existenciais, o

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Praia viva, cultura viva: Projeto Tatuí realiza ação socioambiental e cultural em Ponta Negra

Redação

Neste sábado (6), em alusão à Semana do Meio Ambiente, a Praia de Ponta Negra recebe a ação Praia Viva, Cultura Viva, evento que marca o lançamento oficial do Projeto Tatuí. A iniciativa une educação ambiental, cultura, memória afetiva e mobilização comunitária em defesa do litoral potiguar. Idealizado por Cintya Laranjeira, representante do Limpa Brasil no Rio Grande do Norte, o Projeto Tatuí nasceu das vivências e memórias de infância em Ponta Negra e busca fortalecer o sentimento de pertencimento e o cuidado coletivo com a praia, suas histórias e sua biodiversidade. A programação gratuita e aberta ao público reunirá moradores, voluntários, escolas, coletivos, artistas, trabalhadores da praia e instituições parceiras em atividades voltadas à valorização dos ecossistemas costeiros e da cultura local. Durante a manhã, as ações acontecem na Praia de Ponta Negra, com concentração no Letreiro de Natal, presença da Burrinha Pintadinha e do Jaraguá, abertura oficial do projeto, alongamento com o grupo Calistenia Livre, roda de conversa, mutirão de limpeza, ato pelos trabalhadores da praia, distribuição de mudas e o desafio Achei um Tatuí. À noite, a programação segue na Vila de Ponta Negra, na Tapiocaria da Vó, com apresentações culturais, lançamento do cordel Engorda pra Quem?, apresentação musical e exposição de fotografias de Flávio Resende. A programação se encerra com after cultural no Figa Bar e Cultura. O nome do projeto faz referência ao tatuí, pequeno crustáceo que habita a faixa de areia e funciona como indicador da saúde ambiental das praias. A proposta utiliza a educação ambiental e a cultura como caminhos para aproximar a população das questões que impactam o litoral e estimular o cuidado com o território. PROGRAMAÇÃO MANHÃ – PRAIA DE PONTA NEGRA NOITE – VILA DE PONTA NEGRA SERVIÇO Evento: Praia Viva, Cultura Viva – Lançamento do Projeto Tatuí Data: 6 de junho de 2026 Manhã: 7h30 às 11h30 – Letreiro de Natal, Praia de Ponta Negra Noite: 18h às 20h – Tapiocaria da Vó, Vila de Ponta Negra After cultural: 20h – Figa Bar e Cultura Entrada: Gratuita e aberta ao público PARCEIROS Associação Ponta Negra é da Gente; Associação dos Quiosqueiros da Praia de Ponta Negra; Associação Vila de Ponta Negra; Figa Bar e Cultura; Grupo Cultural Burrinha Pintadinha; P.Cultura Tapiocaria da Vó; MMarhéproducoescriativas; Rendeiras da Vila; Protagonistas da Paz; Casa Flor Ateliê Botânico; Calistenia Livre.

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Casa Impacto: primeiro núcleo itinerante de design social do Brasil nasce no RN

06/11/2025|

Um dos mais simbólicos projetos de valorização do trabalho manual e do ser humano em seu território cultural, o Lugares de Charme dá um novo e consistente passo em sua trajetória: após impactar 17 cidades e mais de 5 mil pessoas ligadas ao artesanato e à cultura local, o projeto idealizado pela designer social Cris Ribeiro inaugura a Casa Impacto, o primeiro núcleo itinerante de design social do Brasil. A iniciativa marca uma nova etapa dos mais de 15 anos do Lugares de Charme, reconhecido nacionalmente por seu trabalho em design social, valorização cultural e impacto humano. A Casa Impacto nasce como o coração do projeto, um espaço vivo que abriga design, formação e experiências imersivas junto às comunidades. Criado por Cris Ribeiro em 2009, o Lugares de Charme nasceu com o propósito de transformar comunidades a partir da valorização do ser humano, de seus saberes e identidades culturais. Agora, o projeto amplia essa missão: “A Casa Impacto é a materialização do nosso propósito. Ela nasce para acolher, inspirar e gerar oportunidades diretamente nos territórios, onde o impacto acontece de verdade”, explica a designer social. A primeira edição é na comunidade indígena Katu, no litoral sul do Rio Grande do...

Jota Mombaça

06/11/2025|

O projeto “Abandonar o mapa colonial: o pensamento negro-dissidente” chega a Natal com uma programação que convida o público a pensar — e sentir — o que pode surgir quando decidimos abandonar o mapa colonial. Inspirado na obra da artista e pensadora Castiel Vitorino Brasileiro, especialmente em Quando o sol aqui não mais brilhar: a falência da negritude (2022), o projeto propõe uma travessia coletiva pelas margens, pela recusa e pela invenção de outras formas de existência. Com atividades distribuídas entre novembro e dezembro de 2025, a programação reúne nomes centrais do pensamento e da arte contemporânea negra e dissidente, como Jota Mombaça e Castiel Vitorino Brasileiro, em oficinas e palestras que se desenham como espaços de respiração, escuta e experimentação. Além das ações formativas, o projeto também contará com a Bixaria Ball, realizada em parceria com a Casa das Ixtranhas, celebrando corpos, memórias e imaginários dissidentes. A Bixaria Ball é um baile que reflete sobre as relações que temos com as políticas de controle do corpo e propõe a expansão dessas noções — um desmantelo na lógica cisnormativa e colonial. O evento se afirma como gesto artístico e político, reafirmando a potência das expressões negras e LGBTQIAPN+ no Rio...

06/11/2025|

Depois do sucesso da exibição do documentário Vamembolá no Festival Internacional do Documentário Musical In-Edit de São Paulo, Florianópolis e Piracicaba, o filme que conta a história do coquista potiguar Chico Antônio chegará a São Luiz do Paraitinga, também no interior de São Paulo ainda este mês. Será apenas uma sessão gratuita na programação. Dirigido por Lucila Meirelles e Cid Campos, o filme chega ao Sudeste como uma importante contribuição para a preservação e divulgação da cultura popular do Rio Grande do Norte.

Expo-Mundo-Zira

06/11/2025|

Natal recebe, a partir desta quinta (6), a exposição interativa “Mundo Zira”, que une arte, literatura e tecnologia para celebrar a vida e obra de Ziraldo (1932-2024). Com curadoria de Adriana Lins e Daniela Thomas, sobrinha e filha do artista, respectivamente, a mostra ficará à disposição do público potiguar no Complexo Cultural Rampa, em Santos Reis. A entrada é gratuita, com retirada antecipada de ingressos pelo Sympla. Criador de clássicos como “O Menino Maluquinho”, “A Turma do Pererê” e “Flicts”, Ziraldo deixou um legado de mais de 200 títulos literários, 25 mil desenhos em seu acervo e pelo menos 30 universos de propriedade intelectual. Em “Mundo Zira”, visitantes de todas as idades são convidados a viver uma experiência imersiva e interativa, tornando-se coautores das criações do multiartista. “A obra dele, em sua essência, já sugere um compartilhamento com o mundo. Ele sempre tinha algo mais a falar depois que as histórias terminavam, ousando, provocando e fazendo com que as pessoas pensassem. Desta maneira, podemos dizer que a obra dele é, por si só, interativa, justamente por estabelecer esse diálogo com o público”, destaca Adriana Lins, diretora do Instituto Ziraldo e curadora artística de “Mundo Zira”. A exposição já passou por Brasília,...

Teatro Alberto Maranhão anuncia abertura de solicitação de pauta para 1º semestre de 2026

05/11/2025|

O Teatro Alberto Maranhão (TAM) anuncia a abertura do período para solicitação de pauta de apresentações e eventos culturais referentes ao primeiro semestre de 2026. As produções interessadas devem encaminhar suas solicitações para o e-mail ta*@********ov.br ou entregá-las presencialmente na secretaria do TAM, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, até o dia 28/11. As propostas devem estar acompanhadas da documentação exigida nas Normas Gerais de Uso e Funcionamento dos Teatros Vinculados à FJA. A programação será definida por um Conselho Curador, que avaliará as propostas com base em critérios de relevância cultural, viabilidade técnica e ordem de submissão, priorizando a diversidade e a representatividade das manifestações artísticas potiguares. Situado no bairro histórico da Ribeira, na capital potiguar, o equipamento cultural é um dos mais visitados do Rio Grande do Norte, e um dos mais antigos em funcionamento. Tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), é gerenciado pela Fundação José Augusto (FJA), autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Cultura (Secult-RN).  De acordo com o coordenador da política estadual de teatro, Ronaldo Costa, a abertura da pauta reafirma o compromisso da instituição com a democratização do acesso aos equipamentos culturais do Estado. “Queremos que o Teatro Alberto Maranhão...

Otto, Olodum, Skarimbó, Academia de Berlinda, Khrystal e muito mais no Centro Administrativo

05/11/2025|

A terceira edição da Feira Potiguar de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fepafes), promovida pelo Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf) e Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RN), em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), a Fundação José Augusto (FJA) e o Consórcio Nordeste, contará com uma programação cultural diversa entre os dias 5 e 8 de novembro, no Centro Administrativo, em Natal (RN). A entrada é gratuita, mas sugere-se a doação de um quilo de alimento, que será doado para o projeto Cozinhas Solidárias.  Nesta quarta-feira (5), a programação de shows ocorrerá no palco principal “Árvore” e terá início às 19h com Roberto do Acordeon. Depois, segue com Orquestra Sanfônica Otaviano Pinto, que terá participação de Gianinni Alencar, e encerra com as cantoras Khrystal e Juliana Linhares.  Na quinta-feira (6), a programação cultural começa mais cedo, a partir das 17h, no palco “Sementes”, com o grupo Cabocla de Jurema. No palco “Árvore”, as apresentações começam às 19h com Zé Hilton e seguem com Jarbas do Acordeon, Messias Paraguai e Cavalo de Pau.  Com curadoria da FJA, Secult/RN e Movimento dos...

05/11/2025|

Se programem porque há sempre música ao se falar do cantor, compositor e instrumentista Júlio Lima. São 30 anos de carreira e o show intitulado “Trinta Em Um” será comemorado no Figa Bar, na Vila de Ponta Negra, no próximo 5 de dezembro. E vem repleto de participações especiais: Marinna Faya, Manuela Dac, Preto Bronx, Diego Francisco, Kleber Moreira e Esso Alencar já confirmados. Julinho é daqueles compositores raros que respiram música e expiram notas, letras. O show perpassará por toda a trajetória, que já contam 17 anos de carreira solo, festivais, premiações (cinco só no MPBeco) e um repertório de ótimas canções. Estaremos lá!

Festival MPB84 anuncia finalistas da edição 2025 e celebra a força da música potiguar

05/11/2025|

A música potiguar está em festa. O Festival MPB84, em sua edição regional 2025, anuncia os 16 finalistas do tradicional Concurso de Bandas, consolidando-se como uma das mais importantes vitrines para novos e veteranos talentos do Rio Grande do Norte. A edição deste ano recebeu 106 inscrições, número recorde que demonstra a vitalidade e o alcance do festival entre compositores, intérpretes e instrumentistas de todas as regiões do estado. Após a curadoria artística, 16 músicas foram classificadas — quatro a mais do que o previsto inicialmente no edital — totalizando 22 compositores finalistas, representando oito municípios potiguares: Natal, Parnamirim, Touros, Macaíba, João Câmara, Caicó, São Gonçalo do Amarante e Jardim do Seridó. Entre os destaques, o repertório final reúne uma verdadeira celebração dos ritmos e das identidades nordestinas, com forró, xote, baião e outras sonoridades que expressam a autenticidade e a riqueza da cultura regional. No total, cerca de 70 músicos sobem ao palco na grande final, que promete ser um encontro inesquecível entre talento e emoção. A final do Concurso de Bandas do Festival MPB84 acontece na terça-feira, 4 de novembro, a partir das 18h30, no Solar Bela Vista, em Natal. A entrada é gratuita, mediante a doação de...

04/11/2025|

O RN ganha novo olhar sobre sua cultura, suas paisagens e seu povo com o lançamento do livro de colorir Soul Potiguar — uma obra que une arte, turismo e afeto em uma verdadeira viagem pelas cores e encantos do estado. O lançamento será neste sábado, das 9h às 16h, durante a Feira de Quadrinhos da Pinacoteca, em Natal. O livro reúne ilustrações de 20 cidades potiguares, com traços do artista Will Silva, designer e concept artist na indústria de jogos digitais. O roteiro é assinado por Marília Gonçalves, turismóloga e jornalista. Em Soul Potiguar, o leitor é conduzido por dois personagens carismáticos — Mel, uma mocó curiosa e alegre, e Manel, uma coruja-buraqueira aventureira. Juntos, eles percorrem o estado do mar ao sertão, passando por dunas, cavernas, santuários e festas populares. Entre as páginas, é possível “viajar” pelas belezas e tradições potiguares, enquanto se vive a experiência terapêutica e relaxante da coloração. Regiões como o Trairi, o Seridó e o Oeste potiguar estão retratadas, além do litoral.

Rui Lopes

04/11/2025|

Revelação do conto norte-rio-grandense, Rui Lopes estreou nas letras em 2021 com A noite veste lilás – 10 narrativas extremas, coletânea que obteve sucesso de crítica e de público. Antes, porém, havia publicado vários roteiros cinematográficos, igualmente bem aceitos, como A ponte sem fim (2011), Cabra de peia (2021), ambos em livro. “Seus contos nos vencem por nocaute” – disse o pesquisador e crítico Thiago Gonzaga ao prefaciar o livro A noite veste lilás, fazendo alusão a uma afirmativa de Cortázar. Com efeito, todas as histórias, constantes da obra, situam-se em bom nível qualitativo, mas pelo menos uma delas – “Aliás, Chico do Banco” – é verdadeiramente antológica. Rui Lopes, paralelamente às suas atividades de cineasta – roteirista e diretor – continuava a dedicar-se às Letras, voltando-se, especialmente, para o conto, gênero da sua predileção. E motivado, talvez, pela sua estreia literária bem-sucedida, escreveu Luz de candeia (2024), livro de contos cujos originais tive a satisfação de ler em primeira mão. Três histórias compõem a referida obra com bastante unidade temática e formal, de modo que formam uma espécie de tríptico. “Luz de candeia”, primeira na ordem de apresentação, é uma narrativa inspirada em célebre relato constante do Velho Testamento: Abraão, cumprindo ordem...

luthiers potiguares

04/11/2025|

O curta-documental “Harmonia do ofício: a arte de construir sons dos luthiers potiguares” será exibido pela primeira vez neste sábado (8), às 19h, no auditório Onofre Lopes da Escola de Música da UFRN. A produção resgata a trajetória de artesãos e músicos que dedicam suas vidas à arte de construir sons, preservando uma tradição fundamental da cultura potiguar e brasileira. Dirigido por Ayrthon Medeiros, com roteiro e pesquisa de Fernanda Lira e direção executiva por Leonardo M Pereira, o filme apresenta depoimentos de mestres como João Bosco (instrumentos de cordas friccionadas), Fábio Presgrave (músico e vice-diretor da Escola de Música da UFRN), Arinaldo Eloi (rabecas) e Carlinhos Zens (flautas e pífanos). Eles compartilham experiências sobre a luteria e o impacto de seus instrumentos na música local. Mais que um registro audiovisual, “Harmonia do Ofício” é um tributo à memória, à cultura e à arte de transformar madeira em melodia, revelando a sensibilidade e o saber artesanal que sustentam a identidade cultural do Rio Grande do Norte. Para Fernanda Lira: “Os artesãos transformam a matéria em som e mantêm viva uma tradição que faz parte da nossa identidade. Registrar suas histórias é uma forma de agradecer e devolver à cultura potiguar...

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