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Carta para Francisco Julião

Quero amar você de todas as maneiras Que eu puder viver você Por todos os caminhos Que eu puder sentir você Gonzaguinha Meu bem, este é o quarto aniversário seu

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Eu e ela na janela

Sempre gostei de janelas. Parecem os olhos da casa. Se nossos olhos são as janelas da alma, as janelas da casa têm um pouco disso também. Se abertas, parecem convite

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PLURIBUS me enganou

Paula Pardillos

Em Pluribus (série da AppleTV, lançada em 2025), a paz mundial é alcançada quando um vírus une (quase) todas as pessoas em uma mente coletiva — isto é, a empatia completa é alcançada. Consequentemente, toda a sociedade se organiza em torno da sobrevivência do planeta e de cada ser vivo nele. A protagonista é Carol, uma clássica anti-heroína: alcoólica e anti-social. Durante toda a trama, ela permanece completamente resistente a cada mudança: não se pode economizar energia à noite, porque ela quer ver a cidade acesa. Não se pode comer pessoas após a morte, mesmo com consentimento delas, porque… ela acha chocante demais? O ser humano não pode se recusar a matar um animal, porque é… humanitário demais? Não sei. As razões de Carol são dadas como auto-evidentes, sem mais explicações. Minha experiência assistindo à série foi de ficar extremamente frustrada com a personagem de Carol, ao mesmo tempo que fiquei verdadeiramente empolgada com o quanto a narrativa estava escrachando o individualismo estadunidense. Que tempo vivemos! Os americanos (sic) admitindo os erros da ideologia que eles nos forçaram goela abaixo durante a colonização cultural. Suas instituições estão completamente falidas — e também os seus cidadãos, à mercê de corporações. A coletividade está ganhando espaço no entretenimento mainstream! Que momento! Mas… no último episódio ficou abundantemente claro, para mim, que o discurso da série era outro. Independentemente de Carol ser uma anti-heroína, a obra se filia à sua moral. Alguns acontecimentos, e a forma como são dirigidos (por exemplo, o momento em que uma personagem, que vive em uma vila rural isolada, faz a transição para a mente coletiva e todos afastam-se com o semblante apático), transmitem um senso real de estranhamento e medo do vírus. Como também a conclusão da temporada, quando o Oviedo (o personagem Paraguaio que também resiste à Mente Coletiva) junta-se à Carol. Nesse movimento fica implícito que a próxima temporada será sobre a luta dos dois — pintando a atitude de ambos como um teamwork heróico (um tropo amado em hollywood), quando eles saem do lugar do egoísmo (para uma noção de não-egoísmo da cultura estadunidense, claro) para salvar o mundo. Lembrou-me uma análise de Eu Sou a Lenda, do Slavoj Zizek¹. Foi nesse ensaio dele que fiquei sabendo que no livro original², em que se baseia o filme, o ponto de vista da narrativa é diametralmente oposto. Na história original (do livro, e da primeira adaptação, de 1964³)...

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Moisés de Lima

Músico potiguar leva ao Figa Bar repertório que conecta blues, rock, gaita e ancestralidade afro-brasileira

Redação

A música autoral potiguar ganha mais uma noite de palco nesta sexta-feira (25), com a apresentação de “Black In”, projeto do músico, compositor e jornalista Moisés de Lima. O show acontece a partir das 20h, no Figa Bar e Cultura, na Vila de Ponta Negra, em Natal. A apresentação reúne músicas autorais, releituras instrumentais e composições que atravessam diferentes momentos da trajetória do artista. O blues e o rock aparecem como pontos de partida para uma sonoridade que incorpora referências afro-diaspóricas, elementos da cultura afro-brasileira e uma pesquisa pessoal sobre ancestralidade e identidade. Um dos diferenciais do trabalho é a presença da gaita diatônica, instrumento que ocupa lugar central na atual produção de Moisés. Conhecido por sua atuação como baixista, guitarrista e compositor em diferentes bandas da cena potiguar, o músico vem desenvolvendo na carreira solo uma linguagem própria para a gaita, aproximando o instrumento da tradição do blues e de outras matrizes musicais. O repertório de “Black In” inclui músicas do single “Afrika”, lançado em 2024, e do EP “Black In”, de 2025. Os dois trabalhos foram realizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) e lançados pelo selo Mudernage. A faixa “Black In” traz uma homenagem especial ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, nome ligado à contracultura potiguar e que marcou a trajetória de Moisés de Lima. O projeto também chega ao palco depois de um ano de reconhecimento para o artista. Em 2026, Moisés recebeu o Troféu Hangar de Melhor Compositor do Ano. O trabalho “Black In” também foi indicado nas categorias Melhor Canção e Melhor EP. Da cena alternativa ao trabalho solo A história musical de Moisés de Lima começou no final dos anos 1980, quando Natal vivia uma efervescente cena alternativa. Desde então, o artista participou de diferentes projetos e bandas, entre elas Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs. Ao longo dessa trajetória, também integrou Revolution 5 e The Anthologics, além de estabelecer parcerias com diversos músicos da cena potiguar e de outros estados. Paralelamente à música, Moisés construiu uma longa trajetória no jornalismo cultural, acompanhando de perto artistas, bandas e movimentos que ajudaram a formar a identidade musical do Rio Grande do Norte. Essa experiência se encontra agora em “Black In”, projeto em que música, memória e pesquisa caminham juntas. No show desta sexta, Moisés de Lima estará no palco com Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes...

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BIBLIOBUNKER: Discurso sobre o colonialismo

Pablo Capistrano

Discurso sobre o colonialismo Autor: Aimé Césaire Tradução: Cláudio Willer Editora: Veneta Ano: 2020 Páginas: 132 “A Europa é indefensável”. De fato… no que diz respeito aos holocaustos coloniais produzidos em larga escala por países europeus nos últimos 500 anos, essa afirmativa, contundente e taxativa, não parece exagerada. O ensaio: “Discurso sobre o colonialismo”; escrito pelo poeta martinicano, Aimé Césaire, e publicado pela primeira vez em Paris no ano de 1950, pela Éditions Réclame, deixa bem à mostra a arquitetura de pensamento que faz com que essa frase, repetida em memes, posts ou comentários, neste circo romano digital que atende pela alcunha de “rede social”, não seja apenas uma mera hipérbole. Ligado ao movimento surrealista de André Breton e ao partido comunista francês, Aimé Césaire foi um personagem central da luta política anti racista e anti colonial do século XX. Ao publicar, em 1935, na revista L´étudiant noir, um artigo intitulado Nègreries: conscience raciale et révolution sociale, Césaire foi responsável pela construção da noção de “negritude”, utilizada e popularizada posteriormente por Léopold Sédar Senghor (primeiro presidente do Senegal livre). Como se não bastasse isso, o poeta também foi uma figura fundamental na formação intelectual de Frantz Fanon que, seguindo seus passos, construiu uma das obras mais densas e contundentes sobre os efeitos do racismo e do colonialismo no mundo contemporâneo. Considerado por muitos críticos como o maior poeta em língua francesa do século XX, o autor desse ensaio clássico, teria produzido também, no julgamento de pessoas como o historiador C. L. R. James “o mais selvagem ataque contra a sociedade burguesa que eu já vi em versos”. De fato, amigo velho, esse ensaio fundamental da luta anticolonial é uma porrada. Especialmente porque, no contexto em que o livro foi publicado, logo após a hecatombe das duas grandes guerras mundiais e no esteio da debacle do nazi fascismo mundo afora, seu impacto e o mal estar que suas ideias causaram no mundo intelectual francófono, foi desconcertante. Esse mal estar já havia sido sentido dois anos antes da publicação do livro quando, em 1948,  Césaire, “por equívoco” fora convidado a escrever sobre a colonização, a união francesa e as províncias do ultramar na revista conservadora Chemis du Monde. Desde de 1945, eleito deputado do parlamento francês pela Martinica, Césaire já promovia a denúncia dos massacres perpetrados pela França em suas colônias, escandalizando as elites políticas parisienses que aguardavam, de sua parte, uma postura de reconhecimento...

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Encontro de Música Contemporânea de Natal começa na próxima semana

Redação

O Programa de Pós-graduação em Música da UFRN realiza o 2º O Encomun- Encontro de Música Contemporânea de Natal entre os dias 22 e 25 de setembro, na Escola de Música da UFRN Com uma programação dedicada à produção, pesquisa e experimentação no campo da música, o ENCOMUN reúne artistas e pesquisadores em debates mediados por palestras, oficinas, recitais e atividades formativas. O evento conta com o apoio do CNPq a partir do projeto “Novas Metodologias na Criação e Registro de Obras para Música de Câmara”. Os pesquisadores-artistas Alexandre Lunsqui (Unesp), Bruno Ruviaro (USP), German Gras (UECE) e Victor Moretti (USP) estão entre os convidados do evento. Grupos Permanentes da EMUFRN como Gil, OPC e OCA também participarão do evento, além do duo Presgrave/Holanda, Duo Cesetti-Qi e Duo dialético, entre outros. A programação contempla temas que discutem a pesquisa em música contemporânea a partir de sua relação com a criação, a performance, processos colaborativos e novos usos de tecnologia. Serão quatro palestras: “Falando em ritmos: a criação musical e o comportamento rítmico sobre a fala”, com Heather De Jennings, “Convite à Escuta da Música Espectral”, com Alexandre Lunsqui; “Quando a prática se torna pesquisa: relatos de uma performer-pesquisadora”, com Luciane Cardassi, e uma abordagem dedicada à obra do compositor alemão Helmut Lachenmann, apresentada por German Gras. As atividades formativas ocupam um espaço importante no Encomun. A programação inclui a Oficina-Ensaio da Orquestra de Laptops, a Oficina de Edição de Partituras, a Oficina de Improvisação Livre, realizada pelo GIL – Grupo de Improvisação Livre, e a oficina “Ambissônics: colocando o ouvinte no centro da música”. As atividades ampliam o espaço para a experimentação e para o contato direto dos participantes com diferentes processos de criação musical. O encontro oferece também uma programação artística com recitais todos os dias, sempre às 19:00 horas e com entrada franca. Entre eles estão o Recital de Abertura no auditório Oriano de Almeida e os recitais “Música Popular e suas interfaces”, com a Orquestra de Câmara da EMUFRN, Bravo e convidados, além de “Piano Contemporâneo e GIL – trilha sonora” e “A música de câmara contemporânea”, todos no auditório Onofre Lopes. O professor da EMUFRN Uaná Barreto fará um recital-palestra apresentando seu projeto “Calendário do Som”, inspirado na música de Hermeto Paschoal na sexta-feira, dia 25 de setembro de 15:30 horas. Com atividades distribuídas entre espaços como os auditórios Oriano de Almeida e Onofre Lopes e salas da instituição, o Encomun...

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oásis natural

Oásis Natural fica em 2º lugar do Nordeste no Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026

Redação

Restaurante 100% plant-based de Ponta Negra, em Natal, foi reconhecido na categoria Culinária Revelação, anunciada durante o iFood Move, em São Paulo O Oásis Natural, restaurante especializado em alimentação saudável e 100% à base de plantas, conquistou o 2º lugar da região Nordeste na categoria Culinária Revelação do Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026. O resultado foi anunciado durante o iFood Move, maior evento de delivery da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo. O Oásis Natural foi o único empreendimento do Rio Grande do Norte premiado nesta edição. Em sua terceira edição, o Prêmio iFood de Super Restaurantes reconhece estabelecimentos que se destacam pela qualidade do serviço de delivery e pela experiência do cliente, com base em avaliações, consistência operacional e volume de pedidos ao longo do último ano. A categoria Culinária Revelação reúne restaurantes de comida saudável/natural, italiana e padarias/cafés. À frente do Oásis Natural está Adriana Amorim, que fundou o restaurante em dezembro de 2023 e é conhecida no meio como Chef Adrih Amor. O Oásis é um restaurante vegano: prepara refeições frescas, feitas no dia, sem refinados, sem frituras, sem trigo, com folhagens colhidas no mesmo dia em hortas parceiras de Pium e sem nada de origem animal. “Ser o único restaurante do Rio Grande do Norte reconhecido neste prêmio mostra que dá para fazer comida saudável, ética e de origem local com o mesmo nível de excelência operacional que o mercado de delivery exige. É um reconhecimento pra toda a equipe do Oásis”, afirma Chef Adrih Amor. Sobre o Oásis Natural O Oásis Natural é um restaurante vegano, 100% plant-based, localizado em Ponta Negra, Natal/RN, que funciona de quinta a domingo com cardápio fixo diário. Fundado em dezembro de 2023 por Chef Adrih Amor, o restaurante tem como pilares a alimentação funcional, o uso de ingredientes locais e a colheita do mesmo dia em hortas parceiras de Pium. Contato Instagram: @oasisnatural.natal WhatsApp: (84) 99663-7635

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“Terrivelmente evangélico”

Edrisi Fernandes

Houve um tempo – faz tempo! – que “evangélico” significava “que traz a boa nova”. O tempo passou, surgiu uma tal “teologia da prosperidade”, e a “boa nova” rendeu-se (ou vendeu-se) ao “Mercado”, o grande deus que contraria o mandamento “Não terás [outro] deus diante de mim” (Êxodo 20:3). Recorde-se que a única ocasião bíblica na qual Jesus perdeu a paciência foi quando confrontou em Jerusalém os mercadores no Templo [Mateus 21:12-17, Marcos 11:15-19 e Lucas 19:45-48 situam esse evento na semana que antecede a crucificação; em João 2:13-17, a expulsão dos mercadores ocorre no início do ministério de Jesus, logo após o milagre no casório em Caná]. João descreve Jesus fazendo um chicote de cordas, expulsando os mercadores e seus animais, virando as mesas dos cambistas e derramando o dinheiro. Nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas), Marcos e Lucas, para indicar uma ação reiterada ou vigorosa, empregam o tempo verbal imperfeito contínuo – Jesus entra em Jerusalém, vai ao Templo e “começa a expulsar” dali aqueles que ali negociavam; ele derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas sacrificiais. Nos Sinópticos, Jesus evoca os profetas Isaías (56:7, “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”) e Jeremias (7:11, “Mas vocês a transformaram num ‘covil de ladrões’”), enfatizando seu ataque à corrupção e à deturpação do propósito do Templo (Jeremias 7:11 diz: “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor”). Séculos se passaram. Ensinamentos de Jesus foram (e seguem sendo) deturpados e mercantilizados, e em Belo Horizonte (o nome parece bíblico), em 2004, Henrique Vorcaro, filho-herdeiro do pastor Serafim Vorcaro, acolhe o filho-herdeiro Daniel Vorcaro na incorporadora Mercatto (em italiano, “Mercado”) e noutros negócios da família. Jesus serenou procelas e andou sobre as águas no Mar da Galiléia; os Vorcaro criaram um maremoto a partir da congregação batista Lagoinha (“megaigreja evangélica neocarismática”, conforme a Wikipedia), para a qual Daniel Vorcaro já chegou a apresentar um programa na Rede Super (canal de TV ligado à igreja). O pastor-empresário Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do mafioso ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e líder religioso da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, BH, entregou-se às autoridades policiais em São Paulo em 04/03/26, após ter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo isso me faz...

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Milena Azevedo é homenageada em Congresso Nordestino de Quadrinhos

Sérgio Vilar

Encerra hoje, na UFRN, a primeira edição do Congresso Nordestino de Estudos Discursivos sobre Quadrinhos (1º CONEDQ), promovido pelo Departamento de Letras. E achei um gesto de justo registro por este blog. Dois, na verdade: o primeiro foi uma homenagem à trajetória de 21 anos na trincheira das Histórias em Quadrinhos empreendida por Milena Azevedo, e a segunda foi criar um prêmio com o meu nome. Milena é colunista deste blog e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes do RN nesta seara. E, ela foi ainda homenageada por tabela, pois o primeiro quadrinista a receber a Homenagem Milena Azevedo foi o grande amigo, colega e parceiro de tantos projetos, o quadrinista, artista plástico e inventor/designer de produtos, Wanderline Freitas. Parabéns, Milena!

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Quixote no RN: Exposição coletiva no Bar do Pedrinho traz os “Dons” Quixotes sob visão potiguar

Redação

Um dos mais tradicionais points culturais e boêmios da Cidade Alta, o Bar do Pedrinho fará a vernissagem da exposição “Os Dons”, com telas de Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Renata Lisieux, Lavosier Cunha, Túlio Ratto, Valderedo, e Verônica Maria. Será neste sábado, a partir das 12h. Quem fala sobre o assunto é o colecionador de arte Manoel Onofre Neto. Por Manoel Onofre Neto Quixote nas paragens potiguares E se Dom Quixote, em vez de atravessar os campos de La Mancha, tivesse tomado o rumo do Rio Grande do Norte? Talvez encontrasse nos sertões, nas praias, nos ventos, nas cidades e personagens potiguares matéria suficiente para alimentar suas aventuras. E, chegando a Natal, não seria improvável que terminasse sua jornada no Bar do Pedrinho, em pleno coração boêmio da cidade. É desse encontro imaginário que nascem Os “Dons” do Bar do Pedrinho. Aqui, o cavaleiro de Cervantes deixa de pertencer apenas à literatura universal para ganhar sotaque, paisagem e espírito potiguares. Moinhos, cavalos, lanças e delírios atravessam um território reconhecível, transformados pelo olhar de artistas que frequentam, convivem ou dialogam com esse universo tão particular. O título guarda ainda um divertido duplo sentido. Estes são os “Dons” que cada artista inventa, mas são também os “Dons” do Bar do Pedrinho: criadores que fazem da arte exercício de liberdade, imaginação, humor e resistência. Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Lavoisier Cunha, Renata Lisieux, Túlio Ratto, Valderedo e Verônica Maria constroem, cada qual à sua maneira, novos capítulos dessa improvável travessia quixotesca. No entorno do Beco da Lama, onde a cidade histórica encontra a boemia e a cultura pulsa fora dos circuitos convencionais, Quixote parece estar em casa. Afinal, há algo profundamente quixotesco em continuar acreditando na arte, em defender seus espaços e em transformar, pela imaginação, a realidade que nos cerca. Manoel Onofre NetoProcurador de Justiça, Curador e Colecionador de Arte.

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john-hammond-jr

02/03/2026|

A estética era folk; a alma, inteiramente azul. Azul profundo como as madrugadas do Delta — território espiritual que jamais abandonou, embora tenha nascido em Nova York. Filho do lendário produtor John Henry Hammond e herdeiro de sobrenomes ilustres, John Hammond Jr. escolheu outro legado: o pó da estrada, os palcos esfumaçados do Village e o som ancestral forjado pelos descendentes de homens e mulheres escravizados. Preferiu a verdade do blues ao conforto das genealogias. Partiu no último sábado (28), aos 83 anos. A notícia chegou de forma discreta, como seus acordes — sussurrada entre amigos próximos, quase no mesmo tom com que dedilhava a dor transformada em música. Chamavam-no de John Hammond Jr. ou John P. Hammond — distinções necessárias para não confundi-lo com o pai célebre. Mas sua identidade verdadeira estava no timbre rouco, na gaita rasgando o silêncio e no violão ressonador vibrando como trilhos antigos. Sua voz talvez não alcançasse grandes extensões — alcançava profundidades. Não buscava potência; buscava verdade. Nos anos 1960, quando Nova York fervilhava entre cafés, poesia e revoluções musicais, comparavam-no a Bob Dylan. Hammond sorria, entre a ironia e o afeto: “Canto melhor, sou mais belo e faço um blues que vem...

02/03/2026|

A Academia Norte-rio-grandense de Letras publicou edital no Diário Oficial do Estado, edição de 27 e fevereiro, com prazo de 30 dias da publicação para inscrição de interessados em preencher a Cadeira 11 da instituição, vaga com o falecimento do poeta Paulo de Tarso Correia de Melo e cujo patrono é o padre João Maria. O candidato deve apresentar currículo atualizado e exemplares de obras publicadas em forma de livro individual, que serão submetidos à Comissão de Inscrição e Ética. Quem poderiam ser os candidatos da taba?

27/02/2026|

Antes é importante frisar: não tenho mais nenhuma participação no Troféu Cultura. Mas preciso defender a lisura do processo de votação. Circulam, sobretudo em grupos de literatura, críticas sobre a definição do Artista Destaque na Literatura para Diva Cunha e Constância Lima Duarte pela obra “Literatura do Rio Grande do Norte: Antologia”. Isso porque o Instituto Histórico e Geográfico do RN soltou matéria com o resultado quatro dias antes do anúncio oficial. E aí uma série de infelicidades ocorreu para isso. Primeiro, Diva Cunha informou à assessoria do IHGRN que receberia o troféu, sem qualquer informação sobre isso porque sequer o resultado – definido por uma comissão de jurados e não por votação popular, como se tem dito! – havia sido apurado. Talvez pelo fato de ter sido apenas convidada a comparecer à cerimônia, pensou que seria a vencedora de antemão. Outro indicado, o escritor Otávio Santigado chegou a informar à assessoria o erro da informação, que Diva apenas tinha sido uma das indicadas. Mas a assessoria não corrigiu e soltou a matéria antes do resultado. E por pura coincidência ela foi mesmo quem recebeu melhor pontuação dos jurados e recebeu o troféu. Então correu-se o boato de favorecimento ou...

Pinacoteca do Estado recebe 2ª Feira de Quadrinhos de 2026 com arte, música e ação solidária

26/02/2026|

Neste sábado (28), a Pinacoteca do Estado abre suas portas para celebrar a nona arte e a criatividade local. Das 9h às 16h, o público poderá conferir a segunda edição da Feira de Quadrinhos de 2026, consolidando o espaço como o ponto de encontro oficial dos amantes da cultura nerd e geek no Rio Grande do Norte. Nesta edição, o evento une o talento dos artistas potiguares à trilha sonora do Dj Zero, que animará o ambiente durante todo o dia, e a uma importante corrente de bem. Rede de Solidariedade O evento contará com uma grande ação de arrecadação de alimentos não perecíveis e kits de higiene pessoal destinados ao Espaço Solidário de Mãe Luíza. Esta iniciativa é uma realização conjunta de importantes parceiros da nossa cena cultural e social: Motoclube Filhas da Noite Herói Solidário SPVA (Sociedade dos Poetas Vivos e Afins) Quadrinhos na Pinacoteca Destaques da Programação: Artist’s Alley (Beco dos Artistas): O coração da feira, com dezenas de quadrinhistas, ilustradores e produtores independentes expondo e vendendo obras autorais. Música com Dj Zero: Set especial para embalar o público e criar a atmosfera perfeita para os colecionadores e artistas. Bate-papo e Painéis: Conversas sobre o mercado editorial,...

Prêmio Dosinho de Carnaval – 10ª Edição celebra uma década de valorização da folia potiguar

26/02/2026|

O Centro Histórico de Natal será palco de uma grande celebração da cultura carnavalesca neste sábado (28), com a realização da 10ª Edição do Prêmio Dosinho de Carnaval, dentro da programação do CarnaSinsp 2026. Consolidado como a única premiação exclusivamente dedicada ao Carnaval do Rio Grande do Norte, o Prêmio Dosinho chega à sua décima edição reafirmando o compromisso com o reconhecimento, a memória e a valorização dos fazedores da folia natalense. A programação terá início às 16h, no tradicional Beco da Lama, com a concentração do CarnaSinsp — que chega ao 9º ano do Bloco dos Servidores. O público acompanhará show especial da Ciranda do Monte, orquestra de frevo, brincantes e grupos culturais em cortejo pelas ruas da Cidade Alta até o Solar Bela Vista, fortalecendo a tradição do carnaval de rua e promovendo um grande encontro de confraternização. A partir das 17h, no Solar Bela Vista, acontece a cerimônia oficial de entrega do Prêmio Dosinho, que reconhece os destaques do Carnaval 2026 em diversas categorias, contemplando blocos, escolas de samba, músicos, intérpretes, carnavalescos e profissionais que constroem a festa popular. Entre as categorias estão: Bloco do Ano, Prévia Carnavalesca do Ano, Destaque dos Polos, Bloco de Segmento, Bloco...

Confira os vencedores do 22º Troféu Cultura

26/02/2026|

O Teatro Riachuelo Natal foi palco, na noite desta quarta-feira (25) de uma celebração memorável: a XXII Edição do Troféu Cultura. Sob o tema “Encontro de Gerações”, a premiação, idealizada pelo jornalista Toinho Silveira, honrou e reconheceu a rica produção artística do Rio Grande do Norte em uma noite de gala que reuniu artistas, produtores, autoridades e o público, que compareceu em grande número. A condução da cerimônia contou com a dupla formada pelo renomado ator nacional Ricardo Tozzi e a poetisa e influenciadora Ester Havenna. Entre as autoridades presentes, a Governadora do Estado, Fátima Bezerra, e a renomada gestora cultural, professora e escritora potiguar com histórico de atuação em órgãos de cultura, Isaura Rosado. A XXII edição não apenas aplaudiu os vencedores das dez categorias técnicas avaliadas por uma curadoria especializada, mas também foi marcada por momentos de grande emoção com homenagens a personalidades que moldaram e continuam a inspirar a cultura potiguar. “Construímos a várias mãos uma noite dedicada ao grande valor da cultura potiguar. Foi uma festa dedicada ao Encontro de Gerações, celebrando o passado, o presente e o futuro da nossa arte”, destacou Tatiane Fernandes, diretora-geral do evento, após a cerimônia. Os destaques e homenageados da...

Bailinho Dentro da Noite une poesia, música e produção independente neste sábado

25/02/2026|

O Bailinho Dentro da Noite é uma edição especial do Sarau Dentro da Noite, que une poesia, música e produção independente em um encontro festivo, afetivo e coletivo. Em clima de celebração e carnaval, o Bailinho propõe uma noite onde a palavra dança, a música aquece e a cidade se reconhece em seus próprios gestos criativos. A programação acontecerá neste sábado (28), a partir das 18h, no Margem Hub (Rua da Sheelita, 59 – Lagoa Nova, Natal) e reúne os poetas Lanuk Nagibson, Gessyka Santos, Fernanda Cunha e Carito Cavalcanti, que conduzem a noite com suas leituras e performances, reafirmando a potência da poesia contemporânea produzida na cidade. Na pista, a DJ Carlota conduz um set de brasilidades voltado à quentura, à celebração, ao amor e às múltiplas possibilidades do carnaval, criando uma atmosfera onde poesia e dança se atravessam. O Bailinho conta ainda com uma feira criativa composta por produções artesanais e independentes de Munganga Edições, Caraminhola e Anny Rocha, reunindo fanzines de poesia, fotografia, prints, ímãs, adesivos, bandeiras e outras criações autorais. Haverá também uma banquinha especial dos poetas participantes, com venda de livros, zines e publicações independentes, fortalecendo a circulação da literatura local e a economia criativa....

De quando Ray Charles esteve no Nordeste

24/02/2026|

Não tenho fotos que comprovem. Talvez ainda reencontre o ingresso, guardado em alguma caixa antiga. Mas posso, sobretudo, render tributo a esse grande momento da minha vida escrevendo — em homenagem ao privilégio de termos visto, naquela sexta-feira de novembro de um longínquo 1990, um verdadeiro gênio. Todas as vezes que conto que assisti a um show de Ray Charles, as pessoas arregalam os olhos. Nunca havia escrito sobre esse episódio — sobre ter visto, de perto, uma lenda, um dos maiores gênios da arte do século XX. Foi em 30 de novembro de 1990, uma sexta-feira. Meu irmão Zizinho, grande apreciador de jazz e blues, instigou-me a pegar o carro e seguir até Recife, pela BR-101 ainda não duplicada. Ele havia comprado ingressos caríssimos para a apresentação do “Genius” — custavam algo em torno de 100 dólares cada, uma pequena fortuna para a época. Pegamos meu velho e valente Corcel II e seguimos viagem até a capital pernambucana. Hospedamo-nos na casa de parentes e, na noite do show, rumamos ao Teatro Guararapes, com capacidade para 2.400 pessoas. Mas, devido ao alto preço das entradas, havia cerca de 800 espectadores. Muitos nem sequer sabiam quem era aquele tal de Ray...

24/02/2026|

O município de Areia Branca ganhou seu primeiro Ponto de Cultura, reconhecido pelo Ministério da Cultura. Uma conquista que fortalece a jornada artística de pouco mais de cinco anos do Grupo Maritacaca de Artes, um coletivo de fazedores de cultura areiabranquense, com atuação nas áreas de pesquisa, criação, difusão e intercâmbio em diversas linguagens artísticas. Também elaboram, acompanham e gerenciam projetos culturais e, mais do que isso, valorizam saberes populares e criam pontes entre tradição, educação e comunidade. Nesse celeiro tem gambás que afirmam e defendem a arte como direito, voz e permanência. Parabéns à trupe e ao compromisso com a arte, a comunidade e a cultura viva.

A Viagem

24/02/2026|

Emanuel era uma criança singular. Oito anos, filho mais novo de sete, morador da Pracinha de Ponta Negra. Muito sociável fora do ambiente familiar. Sua mãe Rosa era empregada doméstica, mas não tinha a sorte de trabalhar todos os dias. Tinha, sim, o olhar e abraço do caçula, diariamente, que não havia preço. Seus irmãos eram todos envolvidos com o trabalho ilícito, mas apenas dois eram usuários. Adailton, seu pai, servente de pedreiro que não conseguia emprego por sempre estar embriagado e(ou) drogado, normalmente, batia em Rosa quando ela não conseguira trabalho. Ainda que muito pequeno, fizera sua rotina para uma boa saúde mental: acordava às cinco horas da manhã para apreciar o barulho das ondas e o encontro do céu com o mar. Alguns amigos, ele encontrava diariamente: caminhando ou correndo na praia. Dizia que os mais novos e jovens faziam a atividade para mostrar o resultado no final de semana, e os idosos, para aproveitarem netos e bisnetos. Esses ele só via de segunda à sexta. Sua mania era catar tampinhas de garrafas e juntar como se fossem moedas, além de analisar sorrisos, cenas e comportamentos. Queria muito viajar: não do pé do Morro do Careca, não de...

23/02/2026|

A Galeria de Arte B-612 reabriu nesta segunda-feira no coração do bairro da Ribeira, na histórica Rua Dr. Barata, 216. A Galeria fez história na cidade e reabre em um momento ainda complicado no bairro. E por isso mais um crédito não só em manter a arte viva, mas em tentar reviver tempos áureos da Ribeira com mais um espaço dedicado às artes visuais. “Mesmo diante da cobrança do mundo por acelerar processos, por fazermos sempre mais, cada vez mais rápido, nós escolhemos a pausa. Com essa escolha, nos tornamos mais sensíveis ao nosso acervo e mais conectados à nossa cidade”, diz o post no instagram @galeriadearteb612 onde vocês podem conferir também algumas peças do acervo.

Em cada tela, um picadeiro: obra de Assis Marinho ganha luz na Pinacoteca

23/02/2026|

Exposição Hoje Tem Espetáculo estreia neste sábado (28) em homenagem ao artista e sua trajetória, com obras inéditas e de acervo divididas em seis atos poéticos A Pinacoteca Potiguar abre suas portas para uma exposição que é, ao mesmo tempo, celebração artística e gesto de cuidado. Com curadoria de Manoel Onofre Neto, a mostra Hoje Tem Espetáculo – O Universo Poético de Assis Marinho estreia neste sábado (28) para reverenciar o artista plástico nascido na Paraíba e abraçado pelo Rio Grande do Norte. Autodidata, Assis Marinho construiu uma linguagem própria a partir da infância e adolescência entre as paisagens e asperezas do Seridó potiguar. Com traços sintéticos, paleta contida e grande intensidade emocional, sua produção é atravessada por memórias do sertão, fé popular, arte circense e os reflexos de uma biografia marcada por perdas profundas. “Esta exposição é um convite para adentrar um universo singular, onde a arte nasce da experiência crua, da simplicidade que desvela complexidades e da beleza que brota da dor”,  afirma Manoel Onofre Neto no texto curatorial. “Assis não pinta à distância, ele se projeta em cada obra, emprestando sua pele e sua alma a personagens que espelham sua trajetória”, reflete.  A mostra é fruto de iniciativa conjunta...

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