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Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu É sobre ser abrigo e também ter morada

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Praia viva, cultura viva: Projeto Tatuí realiza ação socioambiental e cultural em Ponta Negra

Redação

Neste sábado (6), em alusão à Semana do Meio Ambiente, a Praia de Ponta Negra recebe a ação Praia Viva, Cultura Viva, evento que marca o lançamento oficial do Projeto Tatuí. A iniciativa une educação ambiental, cultura, memória afetiva e mobilização comunitária em defesa do litoral potiguar. Idealizado por Cintya Laranjeira, representante do Limpa Brasil no Rio Grande do Norte, o Projeto Tatuí nasceu das vivências e memórias de infância em Ponta Negra e busca fortalecer o sentimento de pertencimento e o cuidado coletivo com a praia, suas histórias e sua biodiversidade. A programação gratuita e aberta ao público reunirá moradores, voluntários, escolas, coletivos, artistas, trabalhadores da praia e instituições parceiras em atividades voltadas à valorização dos ecossistemas costeiros e da cultura local. Durante a manhã, as ações acontecem na Praia de Ponta Negra, com concentração no Letreiro de Natal, presença da Burrinha Pintadinha e do Jaraguá, abertura oficial do projeto, alongamento com o grupo Calistenia Livre, roda de conversa, mutirão de limpeza, ato pelos trabalhadores da praia, distribuição de mudas e o desafio Achei um Tatuí. À noite, a programação segue na Vila de Ponta Negra, na Tapiocaria da Vó, com apresentações culturais, lançamento do cordel Engorda pra Quem?, apresentação musical e exposição de fotografias de Flávio Resende. A programação se encerra com after cultural no Figa Bar e Cultura. O nome do projeto faz referência ao tatuí, pequeno crustáceo que habita a faixa de areia e funciona como indicador da saúde ambiental das praias. A proposta utiliza a educação ambiental e a cultura como caminhos para aproximar a população das questões que impactam o litoral e estimular o cuidado com o território. PROGRAMAÇÃO MANHÃ – PRAIA DE PONTA NEGRA NOITE – VILA DE PONTA NEGRA SERVIÇO Evento: Praia Viva, Cultura Viva – Lançamento do Projeto Tatuí Data: 6 de junho de 2026 Manhã: 7h30 às 11h30 – Letreiro de Natal, Praia de Ponta Negra Noite: 18h às 20h – Tapiocaria da Vó, Vila de Ponta Negra After cultural: 20h – Figa Bar e Cultura Entrada: Gratuita e aberta ao público PARCEIROS Associação Ponta Negra é da Gente; Associação dos Quiosqueiros da Praia de Ponta Negra; Associação Vila de Ponta Negra; Figa Bar e Cultura; Grupo Cultural Burrinha Pintadinha; P.Cultura Tapiocaria da Vó; MMarhéproducoescriativas; Rendeiras da Vila; Protagonistas da Paz; Casa Flor Ateliê Botânico; Calistenia Livre.

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aHAYá de Rua realiza 9ª edição com programação gratuita e forte presença da cultura popular

Redação

O bairro de Potilândia, em Natal, volta a se transformar em território de encontro, cultura popular e celebração com a chegada da 9ª edição do aHAYá de Rua, que acontece nesta quarta-feira, 03 de junho, a partir das 16h, com acesso gratuito e programação que atravessa diferentes expressões da tradição junina nordestina. Consolidado como um dos festejos juninos comunitários mais simbólicos da capital potiguar, o projeto reafirma, em 2026, sua vocação de ocupar a rua como espaço democrático de convivência, pertencimento e celebração coletiva. Idealizado pela produtora cultural Haylene Dantas, nascida e criada na Potilândia, o aHAYá de Rua surge de uma relação profundamente afetiva com o território e com os festejos juninos vividos desde a infância. A memória de festas comunitárias como o antigo Arraiá da Esmeralda, referência importante na história do bairro, ajuda a sustentar a identidade do projeto, que ao longo dos anos se consolidou como um dos encontros mais aguardados do período junino na cidade. Nesta edição, o aHAYá presta homenagem às rezadeiras e benzedeiras, mulheres que preservam saberes populares ligados ao cuidado, à fé e à transmissão oral de conhecimentos que atravessam gerações. A escolha temática parte da compreensão de que os festejos juninos não se resumem ao entretenimento. São também espaços onde religiosidade popular, memória coletiva, celebração comunitária e vínculos sociais se manifestam de forma viva. A simbologia das mãos conduz a identidade conceitual da edição: mãos que benzem, acolhem, cozinham, decoram, dançam, organizam e sustentam a festa. Um gesto simbólico que aproxima a tradição das benzedeiras das muitas formas de cuidado presentes na própria cultura popular. A programação deste ano reforça esse compromisso e começa cedo, com um primeiro bloco especialmente dedicado às manifestações populares, pensado para aproximar famílias, crianças e público em geral da riqueza dos folguedos e brincadeiras tradicionais. A abertura dos portões acontece às 16h, seguida da Brincadeira de João Redondo, com o Grupo Caçuá do Teatro de João Redondo, às 16h15. Às 16h45, o público acompanha a apresentação do Boi de Reis Estrela D’Alva. Na sequência, às 17h15, acontece um dos momentos mais emblemáticos da programação: o Encontro dos Bois, reunindo o Boi Estrela D’Alva, o Boi Esmeralda — manifestação criada dentro do próprio aHAYá como homenagem à memória afetiva do território — e o grupo Folia de Rua Potiguar. Às 17h40, o cortejo segue pelas ruas da Potilândia, ampliando a experiência do festejo para além do palco e reafirmando a rua como espaço central da celebração. Fechando esse primeiro movimento da programação, por volta das 18h20, o público recebe Mestre...

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Entre memória e violência: o curta potiguar “Umbuzeiro” estreia e já recebe prêmio internacional

Redação

Recém-lançado, o curta-metragem Umbuzeiro desponta como uma das novas produções do cinema independente nordestino ao combinar atmosfera gótica, crítica social e forte dimensão psicológica. O filme, primeiro trabalho de Emílio Ribeiro como roteirista e diretor, já acumula seleções em festivais e um prêmio internacional poucos meses após sua conclusão. A narrativa acompanha uma senhora idosa que vive isolada em um antigo casarão, carregando um passado marcado pela violência. Entre memórias fragmentadas, silêncios e traumas que fragilizam sua saúde mental, a personagem divide a rotina com o filho, o professor Elias. A dor íntima da mãe inspira a escrita de um livro e sustenta os mistérios da trama, que lentamente expõe as feridas invisíveis da violência contra a mulher. Antes de se tornar filme, Umbuzeiro já havia sido reconhecido nacionalmente ao receber o prêmio de segundo melhor roteiro de curta-metragem do Brasil no Grande Prêmio de Roteiro do Festival de Sorocaba, em 2025. Finalizado em fevereiro de 2026, o curta iniciou rapidamente sua circulação em festivais. Umbuzeiro foi selecionado para o 5º Saria Film Festival, em Orlando, Flórida. É a quinta seleção do filme, a terceira em festival internacional. Entre as conquistas recentes está a seleção para o First-Time Filmmaker Sessions, promovido pelo Lift-Off Global Network, na Inglaterra. O evento rendeu ao filme seu primeiro prêmio internacional, o Audience Choice, reconhecimento concedido após ser o mais votado pelo público. O curta também integra a Seleção Oficial do 2º Curta Varginha, em Minas Gerais, e do Inland Independent Film Festival, em Araraquara (SP). A recepção inicial confirma o potencial de Umbuzeiro, obra que aproxima sensibilidade artística e reflexão social, evidenciando a força de um cinema nordestino comprometido com memória, estética e experiência humana. Assista ao trailer de Umbuzeiro: https://youtu.be/5b4DjGM4AnE Para mais informações, siga @misteriofilmesrn, no Instagram.

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Filarmônica UFRN apresenta concerto que atravessa memória, violência e vertigem latino-americana

Redação

Concerto acontece no dia 06 de junho, em duas sessões gratuitas, com o violoncelista Fabio Presgrave e regência do maestro chileno Rodolfo Fischer A América Latina talvez seja uma das regiões onde modernidade e fratura histórica coexistiram de maneira mais intensa ao longo do século XX. Urbanização acelerada, instabilidade política, desigualdade estrutural e disputas permanentes de memória moldaram não apenas cidades e sociedades, mas também formas de sensibilidade e expressão artística. Em muitos momentos, a arte latino-americana deixou de buscar exclusivamente afirmações identitárias para transformar tensão histórica em linguagem estética. É desse território simbólico que emerge “América em Transe”, o concerto da Filarmônica UFRN que acontece no dia 06 de junho, às 18h e às 20h, no auditório Onofre Lopes, na EMUFRN. Os ingressos estarão disponíveis na Platea, a mais nova plataforma de acesso, ticket e engajamento de audiência da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – EMUFRN. Um lote será liberado na quarta-feira, 03 de junho, às 8h https://platea.musica.ufrn.br/ e no local, no dia do evento, outro lote com distribuição 1h antes de cada sessão. O programa reúne obras de Astor Piazzolla, Alberto Ginastera e Silvestre Revueltas em uma curadoria que aproxima diferentes experiências sonoras latino-americanas atravessadas por intensidade, deslocamento, ritual, violência e permanência histórica. As composições parecem compartilhar uma mesma atmosfera: cidades em convulsão, memórias interrompidas, pulsos coletivos e formas de existência em que beleza e brutalidade coexistem de maneira inseparável. O concerto contará com o violoncelista Fabio Presgrave como solista em Le Grand Tango, de Piazzolla, sob regência do maestro chileno Rodolfo Fischer. Reconhecido como um dos principais violoncelistas brasileiros de sua geração, Fabio Presgrave possui formação pela Juilliard School, de Nova York, e doutorado pela UNICAMP. Sua trajetória reúne atuação internacional como solista, pesquisador e professor, além de um trabalho decisivo na consolidação da formação musical e da produção acadêmica da Escola de Música da UFRN. Já Rodolfo Fischer iniciou sua trajetória musical como pianista antes de dedicar-se à regência orquestral. Formado pela Universidade do Chile e pelo Curtis Institute of Music, na Filadélfia, estudou regência com Otto Werner Müller e consolidou uma carreira internacional marcada pela atuação em importantes teatros e orquestras da América Latina e da Europa. Foi maestro residente do Teatro Municipal de Santiago e atuou junto a instituições como o Teatro Colón de Buenos Aires, a Ópera Nacional Dinamarquesa e diversas orquestras sinfônicas europeias e latino-americanas. Atualmente,...

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Filarmônica UFRN reúne obras de Turina, Guerra-Peixe e Manuel de Falla em Natal neste sábado

04/05/2026|

A Filarmônica UFRN convida o público para o concerto “Candeias”, que será apresentado no próximo sábado, 9 de maio, em duas sessões, às 18h e às 20h, no Auditório Onofre Lopes, em Natal. Sob a regência do maestro André Muniz, a apresentação reúne um programa que articula referências da tradição musical ibérica com desdobramentos na música de concerto brasileira. Ingressos disponíveis pelo Sympla na quarta-feira, 06 de maio, às 8h sympla.com.br/evento/concerto-candeias-filarmonica-ufrn/3410896?referrer=www.google.com e no local, no dia do evento, com distribuição 1h antes de cada sessão.  Mais do que uma sucessão de obras, o concerto se configura como um percurso sensível de escuta, no qual memória, identidade e transformação dialogam de forma contínua. A proposta evidencia como as heranças musicais atravessam culturas e se reinventam, criando uma experiência que conecta o público tanto no plano cultural quanto no sensorial. A noite contará com a participação do violinista Rucker Bezerra como solista convidado. Reconhecido por sua expressividade e apuro interpretativo, o músico conduz o público por uma narrativa musical que valoriza nuances tímbricas e intensidade emocional. O repertório reflete diferentes formas de apropriação e reinvenção desse universo sonoro. A suíte Danzas fantásticas, de Joaquín Turina, abre o programa com uma escrita orquestral...

Vozes Femininas: projeto une arte, cultura e memória para homenagear mulheres potiguares

04/05/2026|

Valorizar e dar visibilidade às contribuições históricas e contemporâneas das mulheres do Rio Grande do Norte, destacando trajetórias que marcaram a cultura, a política, a educação e a vida social do estado. Esse é o objetivo do projeto Vozes Femininas, que será lançado na próxima terça-feira (5), no Hotel Senac Barreira Roxa, às 8h30, com a presença de autoridades e parceiros do projeto. Na ocasião, serão apresentados editais voltados às áreas de gastronomia, moda e artesanato, desenvolvidos em parceria com o Sebrae/RN, além do primeiro encontro do Ciclo de Palestras “Caminhos de Coragem”, com a participação de Márcia Maia e Magnólia Figueiredo, entre outras pioneiras da atualidade. As ações marcam o início de uma agenda que se estende ao longo de todo o mês de maio e compreende atividades culturais e formativas em diferentes espaços. O projeto conecta passado, presente e futuro por meio de iniciativas que envolvem artes visuais, música, moda, artesanato e gastronomia, além de palestras, rodas de conversa, oficinas e apresentações artísticas. A ideia, segundo Ana Maria Costa, é preservar memórias, reconhecer legados invisibilizados e inspirar novas gerações a partir de histórias de pioneirismo, coragem e transformação social. “Dar voz às mulheres do RN é honrar histórias...

Câmara Municipal aprova utilização de áreas públicas para eventos comunitários

29/04/2026|

Grupos e organizações sociais, em breve, poderão utilizar áreas verdes não urbanizadas disponíveis nos diversos bairros da Capital Potiguar para a realização de  eventos esportivos, culturais e de integração comunitária. A proposta, do vereador Kleber Fernandes (Republicanos) por meio do projeto de lei 91/2024, foi aprovada durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Natal nesta quarta-feira (29), juntamente com outras nove matérias, e agora vai à sanção do Prefeito. De acordo com a matéria, as áreas destinadas para esses eventos serão catalogadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), ao passo que a autorização para as atividades será de responsabilidade da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. Nesse sentido, os interessados deverão enviar seus projetos antecipadamente para a análise dos referidos órgãos municipais. “Existem muitas áreas verdes no município de Natal, espalhadas em diversos bairros da cidade, que não têm uma destinação específica. Não há praça, não há quadra, não há uma perspectiva de construção de escola, de CEMEI, de qualquer equipamento público, e que, consequentemente, com a aprovação dessa matéria, passa a dar à comunidade uma possibilidade de ocupação para fins de atividades esportivas, socioculturais, de saúde, de bem-estar, de qualidade de vida, enfim, de integração...

Chico César fará em Natal show de lançamento de seu novo disco, “FOFO”

29/04/2026|

Apresentação será dia 8 de maio, 21h, no Teatro Riachuelo. Décimo primeiro álbum da carreira do artista traz canções nunca gravadas, compostas em sua juventude Após dez trabalhos autorais, “FOFO” é o primeiro disco em que o cantor e compositor Chico César volta ao tempo de sua juventude, dando voz a composições escritas em sua passagem pela banda Jaguaribe Carne, quando morou em João Pessoa, e também na chegada a São Paulo. O show, com Chico e seu violão em cena, será dia 8 de maio no Teatro Riachuelo. Com seu 11º álbum gravado em estúdio, o músico celebra um marco pessoal e artístico que sintetiza vivências, conquistas e redescobertas. Nunca gravadas, todas as 16 faixas do projeto – letra e música – são assinadas por ele. Exceto três: uma parceria com Pedro Osmar, outra com Paulo Ró (integrantes do Jaguaribe Carne). A terceira é em parceria com a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Do livro dela Americanah, Chico tirou o mote da canção que dá título a seu disco: “Eu não quero ser fofo, eu quero ser a porra do amor de sua vida”. O disco “FOFO”, ainda sem data de lançamento, chega em formato voz e violão, assim...

Guia digital do Sabores da Pipa 2026 está disponível e apresenta mais de 60 criações exclusivas do festival

29/04/2026|

Guia digital do Sabores da Pipa 2026 reúne mais de 60 criações exclusivas e orienta o público na construção de roteiros gastronômicos durante os 11 dias de festival. O Sabores da Pipa Festival Gastronômico acaba de lançar o guia digital oficial da edição 2026, reunindo todas as informações necessárias para quem deseja planejar sua experiência no evento, que acontece de 30 de abril a 10 de maio, na Praia da Pipa, em Tibau do Sul (RN). Disponível gratuitamente, o material apresenta cerca de 50 estabelecimentos participantes e mais de 60 criações exclusivas desenvolvidas especialmente para o festival. O guia traz descrições detalhadas dos pratos, propostas gastronômicas, horários de funcionamento, endereços e contatos, permitindo que moradores e visitantes organizem seus próprios roteiros ao longo dos 11 dias de programação. Com o conceito “Sabores que contam histórias”, o guia reforça o propósito da edição 2026, que convida chefs e restaurantes a olharem para as raízes da cultura alimentar local, valorizando ingredientes do território, receitas tradicionais e memórias que atravessam gerações. Além de apresentar os pratos, o material também orienta o público sobre como aproveitar melhor o festival, com sugestões de construção de roteiro gastronômico com “pins” que indicam a localização e o...

Vem aí o RN Hip Hop Trip Festival

29/04/2026|

Um dos maiores eventos da história da arte urbana potiguar já tem data e locais confirmados. O RN Hip Hop Trip Festival reunirá shows, competições, oficinas e workshops dedicados à cultura do hip hop distribuídos em três eventos, promovidos no mês de maio em São Gonçalo do Amarente, Ceará-Mirim e Natal. Em todas as edições o acesso será gratuito e todas as atividades serão transmitidas pela internet em canal aberto. Para o idealizador do Festival, o produtor cultural e cineasta Edson Soares, a ideia do evento é contribuir para o fortalecimento e a difusão da cultura Hip Hop no estado do Rio Grande do Norte, utilizando a música e a dança periférica negra como veículo de comunicação e expressão cultural. “Será montada uma estrutura com palco principal, tendas para competições e batalhas, stands para palestras e outras atividades. Vamos apresentar um grande festival”, ressaltou. A estreia do Festival será dia 16 de maio, em São Gonçalo do Amarante, seguido por Ceará-Mirim, dia 23, e fechando o mês, dia 31, em Natal. Os locais e horários exatos serão divulgados em breve. Em cada noite de evento, dois artistas (ou bandas) de hip hop com trajetória consolidada na cena do rap potiguar...

Barracas de Tourinhos são reconhecidas como Patrimônio Cultural do RN dois anos após demolição

28/04/2026|

Reconhecimento oficial contrasta com abandono: Enquanto obras dos novos quiosques seguem paradas e famílias resistem sem apoio local, barracas de Seu Luiz e do Dadá recebem reconhecimento oficial e pescador é homenageado como Guardião da Pesca Artesanal Dois anos após a demolição das tradicionais barracas da Praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso, a realidade das famílias afetadas segue marcada pela incerteza e pela ausência de soluções definitivas. Em contraste com esse cenário, o Estado do Rio Grande do Norte reconheceu oficialmente a importância das barracas de Seu Luiz Pescador e do Dadá como Patrimônio Cultural e Turístico do RN. A conquista se deu por meio de leis estaduais sancionadas em março de 2026, a partir de proposições da deputada estadual Divaneide Basílio, em articulação iniciada pela documentarista e produtora cultural Mônica Mac Dowell, no contexto ampliado do projeto Faces do Reduto. Mais do que estruturas físicas, as barracas representam um modo de vida ligado à pesca artesanal, à gastronomia local e ao turismo de base comunitária – elementos que ajudaram a consolidar Tourinhos como um dos destinos mais emblemáticos do litoral potiguar. Reconhecimento em meio ao abandono Em março de 2024, as barracas foram demolidas com a promessa de...

Bárbaro Xavier

28/04/2026|

O ator potiguar Bárbaro Xavier vive um dos momentos mais expressivos de sua trajetória artística. Após participações em três produções da TV Globo — Vale Tudo (2025), Três Graças (2026) e Guerreiros do Sol (2026) — e atualmente em cartaz nos cinemas com papel de destaque em Máfia de Pelúcia, o artista agora celebra um feito raro: a presença em duas produções selecionadas para o Festival de Cannes, o mais prestigiado evento do cinema mundial. As obras integram mostras distintas, reforçando não apenas a versatilidade do ator, mas também a potência do audiovisual brasileiro em diferentes linguagens e formatos. “Dark Corners 2: Safira’s Curse” (Cantos Escuros: A Maldição de Safira) No longa dirigido por Henrique Nuzzi, Bárbaro Xavier interpreta Hermes, cameraman e fiel escudeiro da protagonista Beatriz (vivida por Ananda Scaravelli). Gravado em Goiânia, o filme dá continuidade à saga Dark Corners: The Legacy of Pietra. A produção foi anunciada pela Variety como parte da seção Fantastic Cuts, dentro do VDF Showcase no Marché du Film, com exibição prevista para 18 de maio. Na narrativa, Hermes ocupa papel estratégico: como presença constante e observador direto dos acontecimentos, ele estabelece uma ponte entre o olhar documental e a atmosfera sobrenatural que...

Mostra Macambira abre inscrições para filmes que irão compor sua quarta edição

27/04/2026|

Estão abertas as inscrições para a Macambira – Mostra de Cinema de Mulheridades e Dissidentes de Gênero, iniciativa que visa difundir e promover diálogos sobre a produção audiovisual dirigida por realizadoras (cis, trans, travestis) e pessoas gênero-dissidentes. A quarta edição da Mostra acontece de 26 a 28 de junho na Casa da Ribeira, em Natal. A programação conta com a Mostra Nacional e a  Mostra Potiguar, com filmes que estão sendo realizados na contemporaneidade por perspectivas que historicamente foram subalternizadas e invisibilizadas no campo do cinema. As inscrições para a nova edição da Mostra seguem abertas até 11 de maio no site http://www.mostramacambira.com.br. Estão aptos para a inscrição curtas e médias-metragens brasileiros com duração máxima de 25 minutos, finalizados a partir de janeiro de 2024. Os filmes devem ser, obrigatoriamente, dirigidos ou codirigidos por mulhereridades (cis, trans, travestis) e pessoas dissidentes de gênero (homens trans, pessoas transmasculinas, não binárias, gênero fluido, agênero), sendo necessário o preenchimento da identidade de gênero da direção no campo correspondente do formulário de inscrição. A seleção dos filmes será realizada pela equipe de Curadoria da Mostra Macambira segundo critérios definidos pela linha curatorial que contempla as mais diversas subjetividades de mulheridades e pessoas gênero-dissidentes, de modo a incorporar novas imagens...

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