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Inclusão cultural

Até alguns anos atrás a cultura era tida como exclusividade da elite. Era considerada como a produção do belo, a expressão dos desejos, a linguagem dos sentidos, ”uma arma que

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roadies

Os precursores dos roadies

No meu livro Dias Cinzentos, Noites Douradas, lançado em 2021 pela editora Unilivreira, que descreve a cena cultural de Natal no final dos anos sessenta até meados dos anos setenta,

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Tem show de As Potyguaras nesta sexta

Hoje (26) tem show histórico com As Potyguaras. O grupo musical feminino que celebra a cultura nordestina, especialmente o forró, com música de raiz e xote de meninas, se apresenta

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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blackout

19/08/2025|

Neste sábado (23), o bairro de Mãe Luiza será palco de uma celebração especial de arte, poesia e memória com o projeto Caminhos Di-Versos: uma homenagem a Blackout. O evento acontece na Escola de Música de Mãe Luiza (EMML), em duas sessões gratuitas, às 16h e 19h. A programação tem como destaque a Banda Filarmônica de Mãe Luiza, formada por jovens do bairro, e será dividida em dois momentos. O primeiro, Homenagem a Blackout, traz o declamador Daniel Valente interpretando o poeta em primeira pessoa, com trechos de sua obra acompanhados pela Filarmônica. O segundo será o Sarau Comunitário, com os poetas Samy Janser, Kinho, Wilson Palá e Maria de Lourdes apresentando textos autorais que celebram a força literária da comunidade. Além das apresentações, o projeto espalhará 19 lambes pelo bairro de Mãe Luiza, trazendo fragmentos de poesias e imagens dos poetas participantes do evento, entre eles Blackout, criando um percurso poético-visual que conecta arte e território. O encontro marca ainda o lançamento de dois livros: Instinto, terceira publicação de Samy Janser, poeta e proponente do Projeto, e Fatos e Ficções, de Maria de Lourdes, poeta e moradora de Mãe Luiza que, aos 97 anos, lança sua primeira obra. Durante o evento haverá...

18/08/2025|

Para quem ainda não conseguiu enviar seu material, essa é a oportunidade! As inscrições para a 12ª Mostra de Cinema de Gostoso foram prorrogadas até o dia 24 de agosto (domingo). São gratuitas e devem ser realizadas pelo site do festival –  www.mostradecinemadegostoso.com.br São permitidos filmes de todos os gêneros (obras ficcionais, não ficcionais e animações, exceto videoclipes) desde que tenham sido produzidos no Brasil e finalizados a partir do segundo semestre de 2024.

Telas da Via Sacra de um dos maiores artistas plásticos do RN será restaurada

18/08/2025|

Em 1975/76, o pintor Leopoldo Nelson, um dos maiores artistas plásticos do RN, criou uma série de quadros a óleo, quinze ao todo, figurando a Via Sacra. Obras expressionistas, de grande tamanho, belíssimas. Adquiridas pelo Governo Cortez Pereira, foram emprestadas à Arquidiocese, que não as expôs, talvez por rejeitar certas ousadias da arte moderna. Resultado: as telas ficaram mal guardadas, deteriorando-se. Após algum tempo, removidas para a Pinacoteca do Estado, continuaram a sofrer maus tratos, de modo que se acham em deplorável estado de conservação. Felizmente, serão restauradas por iniciativa de um grupo de admiradores do artista, à frente o colecionador e curador Manoel Onofre Neto, e da própria pinacoteca, com apoio da deputada Divaneide Basílio, que destinou, para tanto, emenda parlamentar à Fundação José Augusto, repassada para a Sociedade dos Amigos da Pinacoteca Potiguar, cujo Presidente é o médico e artista plástico laperi Araújo.

Clotilde Tavares_Foto por Caio Nascimento

18/08/2025|

De agosto a dezembro, sempre na última quarta-feira do mês, a Sede Cultural DoSol recebe a escritora, dramaturga, atriz e professora Clotilde Tavares para uma série de encontros únicos. Em cada conversa, Clotilde abordará temas que permeiam a vida e o fazer artístico: processos de criação, técnicas de escrita e composição, presença de palco e reflexões sobre o lugar do artista no mundo. Um convite ao pensamento, à escuta e à troca. E ainda tem entrada gratuita, Bora? Quarta, 27 de agosto, às 19h, na Sede Cultural DoSol A série “Na Sede com Clotilde Tavares” começa com o tema “Poesia e Composição: rudimentos sobre técnicas e conceitos“. Um encontro voltado a artistas, curiosos e amantes da palavra, para refletir sobre os fundamentos da criação poética e composicional. A entrada é gratuita, mas as vagas são limitadas. Para participar, preencha o rápido formulário no link e aguarde a confirmação de sua inscrição por e-mail. INSCREVA-SE: https://forms.gle/55VFsHUvNnWeKpPz6 *A Sede Cultural DoSol é um projeto do DoSol, fomentado pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas com realização da Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal. SERVIÇO: O quê? Oficina em formato expositivo com 2 horas de duração sobre o tema “ Poesia e Composição: rudimentos sobre...

18/08/2025|

A Academia Jovem Concertante (AJC) fará concertos gratuitos em Mossoró, no dia 21, às 19h, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado; e em Natal, no dia 22, às 18h, no Auditório Onofre Lopes da Escola de Música da UFRN. Idealizada pela renomada pianista mineira Simone Leitão, a AJC tem mais de uma década de trajetória e é considerada um dos mais importantes projetos de qualificação de jovens músicos na área da música sinfônica no Brasil ao democratizar o acesso à quarta arte e estimular o surgimento de novos talentos. A iniciativa é realizada por meio da Lei Rouanet, do Governo Federal, e conta com o patrocínio da BRAVA Energia para espetáculos em Natal, Mossoró e Rio de Janeiro. 

Rádio no sangue

16/08/2025|

No ano de 1972 trabalhei como disc-jóquei na rádio Nordeste AM de Natal quando não existia FM. Na época o Rádio natalense já tinha alguns radialistas famosos: Carlos Alberto, da rádio Cabugi, que graças à popularidade conquistada como disc-jóquei se elegeu ininterruptamente vereador, deputado estadual, deputado federal e senador, e Jota Belmont, que ingressou no rádio em 1964 na Rádio Trairy e em 1967 foi para a Rádio Cabugi, onde permaneceu até 1974.  Em 1975 mudou-se para Mossoró, onde trabalhou nas Rádios Difusora, Libertadora e Tapuyo, chegando a se tornar deputado estadual. Outro nome que marcou época no Rádio natalense foi Gerson Luiz. Começando como disc-jóquei na rádio Trairy na segunda metade dos anos sessenta, Gerson se firmou como um dos maiores nomes da radiofonia potiguar, chegando a ser líder absoluto de audiência na Rádio Cabugi nos anos setenta durante as manhãs de segunda a sexta-feira. Além desses comunicadores, Natal conheceu outros nomes que fizeram história, cada um com um estilo próprio, entre os quais podem ser citados Ajosenildo Alves, Assis de Paula, Edson de Oliveira, Getúlio Medeiros, Alnice Marques, Wellington Carvalho, Betânio Bezerra, Coroné Bolachinha, (que marcou época com a Tarde Sertaneja) e José Eudo (“A voz sorriso do Rádio”),...

15/08/2025|

O Batuque de Mulheres do GAMI-RN levará arte e sustentabilidade a diversas comunidades de Natal e Região Metropolitana com o “Batuque Sustentável na Estrada”. São atividades formativas e de apreciação musical e audiovisual. E neste domingo (17), é a vez da Vila de Ponta Negra. O evento acontecerá no Espaço Cultural Cores que Tocam e no Ponto de Cultura Casa da Vila, a partir das 14h, com programação diversificada que conta com roda de conversa, oficina de confecção de instrumento, cortejo percussivo e mostra audiovisual. O acesso é gratuito.

A Mostrada 2

15/08/2025|

Mais do que um espetáculo, A Mostrada 2 – Mais Horripilante e Tragicamente Cômica é um manifesto de amor ao teatro musical feito no Rio Grande do Norte. No dia 19 de agosto, às 19h30, o CRIÔ – Núcleo Potiguar de Criação em Teatro Musical leva ao palco do Teatro Alberto Maranhão um elenco de 40 artistas para uma sessão única repleta de música, humor e histórias arrepiantes. O roteiro é um passeio por títulos consagrados como Beetlejuice, Família Addams, Sweeney Todd, Vamp, Legalmente Loira, Hairspray e Cats. Cada número é pensado para exibir o talento multifacetado dos artistas potiguares, que atuam, cantam e dançam ao som de música ao vivo. À frente da montagem estão Dudu Galvão (direção e coreografias), Rogério Ferraz (assistência, cenografia e iluminação) e Anderson Trajano (direção musical e piano). A produção é independente, resultado de um ano de trabalho e da parceria de apoiadores como o restaurante Jesuíno Brilhante, seu restaurante potiguar em São Paulo. O Criô foi criado em 2024, transformando uma oficina de teatro musical em um núcleo estável de formação e criação. Desde então, tornou-se referência no fomento ao teatro musical no estado, promovendo a formação técnica e artística de novos talentos...

Sessão solene da Câmara de Natal homenageia os 30 anos da Casa Durval Paiva

15/08/2025|

A Câmara Municipal de Natal realizou, nesta quinta-feira (14), uma sessão solene em homenagem aos 30 anos da Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, por proposição do vereador Tércio Tinoco (União Brasil). A cerimônia celebrou a trajetória de acolhimento e transformação da instituição que, há três décadas, atua em defesa da vida de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer e doenças hematológicas. Durante a sessão, foram conferidas 11 homenagens a profissionais, instituições e empresas que contribuíram de forma significativa com a missão da Casa ao longo dos anos. O reconhecimento  a essses destacou o papel coletivo na construção de uma rede de cuidado que vai além da saúde: abrange educação, assistência social, dignidade e esperança. Amor que virou missão A Casa foi fundada em 1995 por Rilder Campos e Daniela Paiva, após o diagnóstico do filho, Fernando Campos, com retinoblastoma, um tipo raro de câncer nos olhos. “Fernando é o combustível da nossa vida. Ele nos move a fazer mais. Às vezes penso que poderíamos ter feito ainda mais, mas é uma responsabilidade que precisamos dividir com toda a sociedade. Precisamos garantir que essas crianças cheguem ao tratamento no tempo certo. Porque a moeda aqui...

Mulheres Caatingueiras do Seridó

15/08/2025|

No dia 15 de agosto de 2025, o Espaço Cultural Mariano Guimarães, ao lado da Prefeitura de Currais Novos, será palco da estreia da websérie “Mulheres Caatingueiras do Seridó”. O evento marca a apresentação ao público de um projeto audiovisual que resgata a memória e o legado de cinco mulheres notáveis da comunidade curraisnovense, cujas histórias inspiram coragem, talento e resistência feminina em um período marcado pelo machismo estrutural. A produção foi contemplada pela Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, e contou com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Currais Novos e da Secretaria de Turismo do município. O projeto também recebeu o apoio da Academia Curraisnovense de Artes e Letras (Acal) e da Rede Potiguar de Televisão Educativa e Cultural. Idealizado, roteirizado e coordenado pela escritora e poeta Maria Maria Gomes, o projeto traz à tela narrativas de mulheres que romperam barreiras e desafiaram padrões de suas épocas: Essas histórias, contadas com sensibilidade e rigor histórico, mostram como essas cinco mulheres, cada uma à sua maneira, romperam limitações impostas e se tornaram referência de empoderamento feminino no Seridó. “Essas cinco mulheres são imortais para mim”, afirma Maria Maria Gomes, idealizadora do projeto, que vê na websérie uma forma...

Audiência na Câmara de Natal debate fim da escala 6×1 e taxação dos super-ricos

15/08/2025|

A Câmara Municipal de Natal realizou, nesta sexta-feira (15), uma audiência pública, proposta pela vereadora Brisa Bracchi (PT), para discutir o plebiscito popular que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 e a taxação no Imposto de Renda de quem recebe acima de R$ 50 mil mensais, com isenção para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil.  Bracchi explicou que o plebiscito é um instrumento de consulta popular, semelhante a uma eleição, mas não oficial, que pretende recolher mais de 20 milhões de votos em todo o país. O resultado será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e aos presidentes do Senado e da Câmara federal. “A sociedade brasileira deseja urgentemente que essas mudanças e transformações sejam feitas. É uma forma de pressionar para que a pauta avance”, disse. As propostas estão em tramitação no Congresso. O Projeto de Lei (PL) 1.087/2025, apresentado pelo governo federal, prevê isenção do IRPF para quem ganha até R$ 5 mil, redução parcial para rendimentos de até R$ 7 mil e criação de uma alíquota progressiva de até 10% para rendas acima de R$ 600 mil por ano. Já a PEC que trata do fim da escala 6×1 propõe jornada de...

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