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De quando Ray Charles esteve no Nordeste

Não tenho fotos que comprovem. Talvez ainda reencontre o ingresso, guardado em alguma caixa antiga. Mas posso, sobretudo, render tributo a esse grande momento da minha vida escrevendo — em

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A Viagem

Emanuel era uma criança singular. Oito anos, filho mais novo de sete, morador da Pracinha de Ponta Negra. Muito sociável fora do ambiente familiar. Sua mãe Rosa era empregada doméstica,

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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Praia viva, cultura viva: Projeto Tatuí realiza ação socioambiental e cultural em Ponta Negra

Redação

Neste sábado (6), em alusão à Semana do Meio Ambiente, a Praia de Ponta Negra recebe a ação Praia Viva, Cultura Viva, evento que marca o lançamento oficial do Projeto Tatuí. A iniciativa une educação ambiental, cultura, memória afetiva e mobilização comunitária em defesa do litoral potiguar. Idealizado por Cintya Laranjeira, representante do Limpa Brasil no Rio Grande do Norte, o Projeto Tatuí nasceu das vivências e memórias de infância em Ponta Negra e busca fortalecer o sentimento de pertencimento e o cuidado coletivo com a praia, suas histórias e sua biodiversidade. A programação gratuita e aberta ao público reunirá moradores, voluntários, escolas, coletivos, artistas, trabalhadores da praia e instituições parceiras em atividades voltadas à valorização dos ecossistemas costeiros e da cultura local. Durante a manhã, as ações acontecem na Praia de Ponta Negra, com concentração no Letreiro de Natal, presença da Burrinha Pintadinha e do Jaraguá, abertura oficial do projeto, alongamento com o grupo Calistenia Livre, roda de conversa, mutirão de limpeza, ato pelos trabalhadores da praia, distribuição de mudas e o desafio Achei um Tatuí. À noite, a programação segue na Vila de Ponta Negra, na Tapiocaria da Vó, com apresentações culturais, lançamento do cordel Engorda pra Quem?, apresentação musical e exposição de fotografias de Flávio Resende. A programação se encerra com after cultural no Figa Bar e Cultura. O nome do projeto faz referência ao tatuí, pequeno crustáceo que habita a faixa de areia e funciona como indicador da saúde ambiental das praias. A proposta utiliza a educação ambiental e a cultura como caminhos para aproximar a população das questões que impactam o litoral e estimular o cuidado com o território. PROGRAMAÇÃO MANHÃ – PRAIA DE PONTA NEGRA NOITE – VILA DE PONTA NEGRA SERVIÇO Evento: Praia Viva, Cultura Viva – Lançamento do Projeto Tatuí Data: 6 de junho de 2026 Manhã: 7h30 às 11h30 – Letreiro de Natal, Praia de Ponta Negra Noite: 18h às 20h – Tapiocaria da Vó, Vila de Ponta Negra After cultural: 20h – Figa Bar e Cultura Entrada: Gratuita e aberta ao público PARCEIROS Associação Ponta Negra é da Gente; Associação dos Quiosqueiros da Praia de Ponta Negra; Associação Vila de Ponta Negra; Figa Bar e Cultura; Grupo Cultural Burrinha Pintadinha; P.Cultura Tapiocaria da Vó; MMarhéproducoescriativas; Rendeiras da Vila; Protagonistas da Paz; Casa Flor Ateliê Botânico; Calistenia Livre.

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TERRA ESTRANGEIRA: Uma doença de inverno

21/01/2026|

Londres – Inglaterra, 15 de Janeiro de 2018. Vi muito pouco da luz do sol hoje, talvez, por isso, ando melancólico. Aqui é assim no inverno. Apenas oito horas de luz por dia e depois uma longa noite unindo duas datas no calendário. Talvez por isso, tanta gente apresente sintomas da tal “doença de inverno” (como Nietzsche a chamava).  É realmente muito estranho, para nós que viemos da taba de Poty e que nos acostumamos a acordar com o sol, antes das 6:00; sair da cama apenas às 8:30, quando aquele azul da madrugada entra pela janela do quarto do albergue, anunciando que a longa noite, finalmente, acabou. É muito tempo na escuridão e no frio, e acredito que seja por isso que muitas almas suscetíveis aos humores depressivos, tantas vezes, não conseguiam resistir ao azul sombrio de um inverno rigoroso. Hoje pela manhã, assim que aquele solzinho mirrado atravessou as nuvens de chuva, Ana voltou com Helena ao museu britânico para terminar de ver os artefatos da China, Índia, Japão e da América Pré-colombiana. Eu, por minha vez, possuído por essa paralisia melancólica que desaba com o frio e a falta de luz, acabei ficando mais tempo no albergue,...

Baile de Carnaval celebra obra de Gilberto Gil

21/01/2026|

Chegou 2026 e mais uma vez, o bloco Foi-se o Bloquinho? vai cair no carnaval de rua de Natal, pra trazer muita animação. O bloquinho vai para seu terceiro ano de desfile com frevo, samba, música popular brasileira e muita alegria. O baile de carnaval do Foi-se o Bloquinho? acontece no próximo dia 7 de fevereiro, a partir das 17 horas, no Ô Fuxico Bar, localizado na Rua Praia do Sagi, 2074, em Ponta Negra, em frente à Árvore de Natal de Ponta Negra. Um baile temático que neste ano busca celebrar a história e o legado de Gilberto Gil com toda a identidade cultural e social que sua obra produziu para o Brasil ao longo de seus 60 anos de carreira. A festa conta com uma estrutura especial e muita animação puxada inicialmente pela Banda Vinil Elétrico, que vai tocar um repertório de clássicos dos nossos carnavais, além de Orquestra de Frevo pelas ruas de Ponta Negra pra garantir a diversão do bloquinho. Coordenado por Arthur Varela e Jan Varela, o bloco surgiu em 2024 com o objetivo de reunir foliões e foliãs progressistas de Natal. Segundo Arthur, a perspectiva é de resgatar a folia de rua de Natal,...

19/01/2026|

Faltam poucas horas para o encerramento das inscrições da XXII Edição do Troféu Cultura, uma das mais tradicionais e importantes honrarias voltadas ao reconhecimento da produção artística do RN. Os artistas, produtores e coletivos interessados em celebrar seu talento e contribuir para a economia criativa e a identidade cultural potiguar têm até esta terça-feira, 20 de janeiro, às 18h, para submeter seus trabalhos. A grande noite de gala está marcada para 25 de fevereiro no Teatro Riachuelo, sob o tema “Encontro de Gerações”. Esta edição promete não apenas lançar luz sobre novos talentos e produções recentes, mas também reverenciar as trajetórias daqueles que construíram a história cultural potiguar. A cerimônia contará com homenagens especiais ao grande artista Amaro Bezerra, pelo conjunto de sua obra, e inaugurará tributos In Memoriam, que a partir deste ano farão reverência a todos e todas que nos deixaram em 2025, como Nivaldete Ferreira da Costa e Candinha Bezerra.

Governo do RN abre inscrições da Lei Câmara Cascudo para projetos de Carnaval em 2026

19/01/2026|

Iniciativa busca garantir que as festividades carnavalescas contem com o suporte da lei enquanto o Estado realiza transição para um novo modelo de gestão do programa. O Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Secretaria da Fazenda (Sefaz), publicou, nesta sexta-feira (16), uma Portaria Conjunta que estabelece um período excepcional de inscrições para o mecenato de projetos culturais voltados ao Carnaval 2026. A iniciativa, viabilizada pelo Programa Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura, busca garantir que as festividades carnavalescas contem com o suporte da lei enquanto o Estado finaliza a transição para um novo modelo de gestão do programa. As inscrições ocorrem em caráter de urgência entre os dias 19 e 23 de janeiro de 2026. As propostas devem ser enviadas exclusivamente para o e-mail: pr***************************@***il.com, até as 23h59 do último dia do prazo. O Programa Câmara Cascudo passa atualmente por uma fase de modernização, fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), a Controladoria Geral do Estado (Control) e a Secretaria da Fazenda (Sefaz). O objetivo é tornar o mecanismo mais democrático, transparente e eficiente. Este processo inclui a elaboração de um novo decreto estadual...

Curta Metragem potiguar “Mãe Santíssima” estreia na Mostra de Cinema de Tiradentes (MG)

19/01/2026|

No sertão, onde a poeira nunca se assenta, três destinos se cruzam sob o peso de uma profecia. Entre fé e violência, amor e honra, vida e morte, Mãe Santíssima mergulha nas contradições humanas e mostra como o passado pode assombrar o presente e moldar o futuro. O curta, inspirado no conto de Theo  Alves, terá sua estreia em Festivais na 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) – um dos mais importantes espaços de encontro, reflexão, formação, exibição e difusão do cinema brasileiro contemporâneo. Entre a fé cega, as perseguições e os silêncios, a narrativa leva o espectador a refletir sobre a força destrutiva dos preconceitos, a resistência e o poder de redenção presente na tradição cultural. Mãe Santíssima chega ao público como uma obra que une força narrativa, estética singular e um processo de criação coletivo. Concebido sob a filosofia do cinema processo — também chamado de cinema orgânico —, o filme valoriza o acaso, a colaboração e a participação ativa da comunidade local. O diretor geral Buca Dantas, cocriador do Cinema Processo, é reconhecido por essa abordagem inclusiva, que rompe com a rigidez do roteiro e integra moradores da região, não atores, tanto na atuação quanto na equipe técnica. Mesmo com essa organicidade, a produção alia rigor...

Carnaval de Natal 2026 é anunciado com grandes atrações e prévia na Avenida da Alegria

19/01/2026|

Do trio elétrico ao palco, do clássico ao novo, o clima do Carnaval já toma conta da Cidade do Sol. As atrações do Carnaval de Natal 2026 foram anunciadas durante evento realizado no SESC Rio Branco. A programação começa mais cedo e promete aquecer os foliões com uma prévia especial nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro. A Avenida da Alegria será palco dos trios elétricos e atrações já confirmadas como Wesley Safadão e Natanzinho Lima. A abertura oficial do Carnaval de Natal 2026 acontece no dia 12 de fevereiro, no Largo do Atheneu, com o tradicional Baile de Máscaras e a entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo e à Rainha. O prefeito Paulinho Freire destacou que o investimento total no Carnaval, somando esforços da iniciativa privada e do município, pode chegar a até R$ 17 milhões. “Trata-se de um investimento que retorna em geração de renda, empregos e desenvolvimento”, disse Paulinho. O prefeito lembrou que o Carnaval de Natal deu um salto significativo no último ano, com a criação e fortalecimento de novos polos, como o da Zona Norte, no Ginásio Nélio Dias, que será mantido, a ampliação da Avenida da Alegria e a consolidação...

Os Grogs

14/01/2026|

Prepare a camiseta preta, a memória afetiva e o fígado: Os Grogs estão de volta. Neste sábado (17), a partir das 21h, a lendária banda do rock potiguar reaparece em público na Cervejaria Black Sheep, em Candelária, para um reencontro que promete mais histórias do que solos — e mais emoção do que nostalgia gratuita. Não é só um show. É quase uma sessão espírita do rock natalense, só que com amplificadores ligados, cerveja gelada e gente viva no palco (e na plateia). O clima é de ensaio aberto, daqueles em que tudo pode acontecer: risadas, olhares cúmplices, erros charmosos e, claro, músicas que marcaram gerações. No repertório, os clássicos que ajudaram a construir a identidade da banda e canções autorais criadas entre 2000 e 2018, fase mais fértil do grupo — quando Natal tinha mais guitarras, menos algoritmos e ninguém reclamava do volume. Desde a separação, Os Grogs só haviam se reunido uma única vez, em 2023, no Beatles Fest do Bar Mormaço. Agora, sobem novamente ao palco Giancarlo Vieira (vocais, violão e gaitas), Felipe Rebouças (guitarra), Thiago Andrade (guitarra), Moisés de Lima (vocais e baixo) e Samir Santos (bateria), que assume o posto com respeito e energia em...

Sesc Zona Norte realiza prévia carnavalesca para crianças com arrecadação de alimentos

14/01/2026|

O Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Norte (Sesc RN), entidade do Sistema Fecomércio RN, se prepara para receber os pequenos foliões do Paradinha Kids. O evento, que acontece dia 25, integra a programação carnavalesca do Parada na Ladeira, e chega como uma das grandes novidades do projeto, sendo uma ampliação voltada ao público infantil e familiar, principalmente da Zona Norte de Natal. Para garantir a participação, os interessados devem retirar o ingresso via plataforma Sympla (disponível no site www.sescrn.com.br) e comparecer na unidade Sesc Zona Norte, nos dias 19 e 20 de janeiro, das 9h às 17h, para buscar os abadás, que serão entregues mediante a doação de 2kg de alimentos não perecíveis.  O Paradinha também pode ser considerada uma opçãode prévia para os moradores da Zona Norte, oferecendo atrações lúdicas, musicais e de recreação, transformando o ambiente em espaço de convivência, cultura e lazer. A programação terá início às 9h, com Personagens da Cia Era Uma Vez e seguirá com outras atrações como Orquestra do Papão e Brincantus. Haverá recreação para as crianças das 10h às 13h, e das 12h30 às 15h, a banda Pagode do Coxa sobe ao palco para animar o público. Durante todo o dia, a lanchonete da unidade estará em funcionando, viabilizando a alimentação e hidratação dos presentes no local.  O Sesc RN estima a participação de cerca de mil pessoas no evento, e para garantir a segurança e conforto de todos, o acesso será limitado e exclusivamente...

14/01/2026|

Para celebrar o Dia Mundial do Compositor, neste dia 15 de janeiro, o Ecad realizou um estudo sobre as músicas mais tocadas em shows realizados no Brasil em 2025, considerando apenas eventos adimplentes com os direitos autorais. A liderança do ranking musical ficou com o “hino” sertanejo “Evidências”, composição de José Augusto e Paulo Sergio Valle. Na sequência aparece outro sucesso do gênero: “Boate azul”, de autoria de Benedito Seviero e Aparecido Tomás. Fechando o top 3 está “Não quero dinheiro”, de Tim Maia.  Na sequência, “Telefone mudo”, de Peao Carreiro e Franco. Na quinta posição, “Eva”, de Cartavetrata, Umto e Ficarelli.

Sayonara Pinheiro

14/01/2026|

A artista visual potiguar Sayonara Pinheiro inaugura, nesta sexta-feira (16), a exposição “Cartografia do Efêmero” no espaço cultural Casa Escondida, em Córdoba, na Espanha. A mostra integra a agenda internacional da artista e reafirma sua pesquisa dedicada às relações entre arte, paisagem e território. O projeto sucede a participação de Sayonara na exposição coletiva “Les Amazones”, realizada no Fluctuart, em Paris, e antecipa uma sequência de exposições individuais previstas para a Espanha e outros países da América Latina. As obras apresentadas têm como ponto de partida as falésias da Praia de Pipa, no litoral sul do Rio Grande do Norte. A partir da vivência direta com esse ambiente natural, a artista desenvolve pinturas, fotografias e impressões sobre tela que registram a paisagem como um campo de forças em permanente mutação, atravessado pelo vento, pelo mar e pela ação do tempo. Em “Cartografia do Efêmero”, as falésias assumem um caráter simbólico, representando a instabilidade dos territórios naturais e a transitoriedade da existência. Entre a delicadeza e a monumentalidade, as imagens também apontam para os efeitos da ocupação desordenada das zonas costeiras, evidenciando processos de erosão, degradação ambiental e vulnerabilidade dos ecossistemas. Ao articular sensibilidade poética e reflexão crítica, a exposição convida o público a pensar...

entre o caos e o colo

13/01/2026|

De um lado, uma pré-adolescente passando por todas as mudanças de humor e comportamento inerentes à idade. De outro, uma mãe de 40 anos vivendo uma espécie de nova puberdade: a chamada perimenopausa, uma transição à menopausa também marcada por flutuações hormonais que remexem emoções e mudanças físicas. E no meio disso tudo, um único lar, um único espaço físico de convivência onde ambas vivem fases de mudanças corporais, comportamentais e uma mãe que precisa ser o eixo de equilíbrio para que o lar permaneça um doce lar. Esse é o mote do livro “Entre o Caos e o Colo — A dança silenciosa da perimenopausa e a pré-adolescência”. A obra está disponível em formato e-book à venda na plataforma Eduzz (CLIQUE AQUI) por R$ 19,90. Como afirma a autora, Pâmmella Almeida, o livro não é um manual. “Ele não traz promessas. É palavra honesta, escuta sensível e acolhimento para quem vive a dança silenciosa da perimenopausa junto com a pré-adolescência dos filhos. É um convite para pausar, se reconhecer e, talvez, se refazer um pouco enquanto lê”. Segundo ela, há momentos na maternidade em que algo se pronuncia pedindo outra escuta. “E aí o corpo muda, a forma de...

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Fotografia potiguar no mundo

O poeta, artista visual e fotógrafo potiguar Jean Sartief expõe em um dos mais prestigiados salões de fotografia de rua de Portugal, o Mira Mobile Prize. A mostra é fruto de uma premiação – 21º Prêmio Mira Mobile – que

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Red Dog Pub reabrirá ainda em 2026

Um dos poucos e mais legais pubs de Natal, o Red Dog Pub não ficou pelo caminho do modismo, como tantos espaços que abrem, “bombam” e, pouco depois, passado o período da modinha tipicamente natalense, fecham. O pub fechou no

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