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A vida evitada

Quantas vezes você já desviou o caminho para não sentir o peso da decepção? Uma conversa difícil adiada, um sonho engavetado, um risco evitado. Fazemos isso o tempo todo, como

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PLURIBUS me enganou

Paula Pardillos

Em Pluribus (série da AppleTV, lançada em 2025), a paz mundial é alcançada quando um vírus une (quase) todas as pessoas em uma mente coletiva — isto é, a empatia completa é alcançada. Consequentemente, toda a sociedade se organiza em torno da sobrevivência do planeta e de cada ser vivo nele. A protagonista é Carol, uma clássica anti-heroína: alcoólica e anti-social. Durante toda a trama, ela permanece completamente resistente a cada mudança: não se pode economizar energia à noite, porque ela quer ver a cidade acesa. Não se pode comer pessoas após a morte, mesmo com consentimento delas, porque… ela acha chocante demais? O ser humano não pode se recusar a matar um animal, porque é… humanitário demais? Não sei. As razões de Carol são dadas como auto-evidentes, sem mais explicações. Minha experiência assistindo à série foi de ficar extremamente frustrada com a personagem de Carol, ao mesmo tempo que fiquei verdadeiramente empolgada com o quanto a narrativa estava escrachando o individualismo estadunidense. Que tempo vivemos! Os americanos (sic) admitindo os erros da ideologia que eles nos forçaram goela abaixo durante a colonização cultural. Suas instituições estão completamente falidas — e também os seus cidadãos, à mercê de corporações. A coletividade está ganhando espaço no entretenimento mainstream! Que momento! Mas… no último episódio ficou abundantemente claro, para mim, que o discurso da série era outro. Independentemente de Carol ser uma anti-heroína, a obra se filia à sua moral. Alguns acontecimentos, e a forma como são dirigidos (por exemplo, o momento em que uma personagem, que vive em uma vila rural isolada, faz a transição para a mente coletiva e todos afastam-se com o semblante apático), transmitem um senso real de estranhamento e medo do vírus. Como também a conclusão da temporada, quando o Oviedo (o personagem Paraguaio que também resiste à Mente Coletiva) junta-se à Carol. Nesse movimento fica implícito que a próxima temporada será sobre a luta dos dois — pintando a atitude de ambos como um teamwork heróico (um tropo amado em hollywood), quando eles saem do lugar do egoísmo (para uma noção de não-egoísmo da cultura estadunidense, claro) para salvar o mundo. Lembrou-me uma análise de Eu Sou a Lenda, do Slavoj Zizek¹. Foi nesse ensaio dele que fiquei sabendo que no livro original², em que se baseia o filme, o ponto de vista da narrativa é diametralmente oposto. Na história original (do livro, e da primeira adaptação, de 1964³)...

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Moisés de Lima

Músico potiguar leva ao Figa Bar repertório que conecta blues, rock, gaita e ancestralidade afro-brasileira

Redação

A música autoral potiguar ganha mais uma noite de palco nesta sexta-feira (25), com a apresentação de “Black In”, projeto do músico, compositor e jornalista Moisés de Lima. O show acontece a partir das 20h, no Figa Bar e Cultura, na Vila de Ponta Negra, em Natal. A apresentação reúne músicas autorais, releituras instrumentais e composições que atravessam diferentes momentos da trajetória do artista. O blues e o rock aparecem como pontos de partida para uma sonoridade que incorpora referências afro-diaspóricas, elementos da cultura afro-brasileira e uma pesquisa pessoal sobre ancestralidade e identidade. Um dos diferenciais do trabalho é a presença da gaita diatônica, instrumento que ocupa lugar central na atual produção de Moisés. Conhecido por sua atuação como baixista, guitarrista e compositor em diferentes bandas da cena potiguar, o músico vem desenvolvendo na carreira solo uma linguagem própria para a gaita, aproximando o instrumento da tradição do blues e de outras matrizes musicais. O repertório de “Black In” inclui músicas do single “Afrika”, lançado em 2024, e do EP “Black In”, de 2025. Os dois trabalhos foram realizados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB Natal/RN) e lançados pelo selo Mudernage. A faixa “Black In” traz uma homenagem especial ao poeta negro Edgar Borges, conhecido como Blackout, nome ligado à contracultura potiguar e que marcou a trajetória de Moisés de Lima. O projeto também chega ao palco depois de um ano de reconhecimento para o artista. Em 2026, Moisés recebeu o Troféu Hangar de Melhor Compositor do Ano. O trabalho “Black In” também foi indicado nas categorias Melhor Canção e Melhor EP. Da cena alternativa ao trabalho solo A história musical de Moisés de Lima começou no final dos anos 1980, quando Natal vivia uma efervescente cena alternativa. Desde então, o artista participou de diferentes projetos e bandas, entre elas Florbela Espanca, GRM Blues Band, Bourbon 33 e Os Grogs. Ao longo dessa trajetória, também integrou Revolution 5 e The Anthologics, além de estabelecer parcerias com diversos músicos da cena potiguar e de outros estados. Paralelamente à música, Moisés construiu uma longa trajetória no jornalismo cultural, acompanhando de perto artistas, bandas e movimentos que ajudaram a formar a identidade musical do Rio Grande do Norte. Essa experiência se encontra agora em “Black In”, projeto em que música, memória e pesquisa caminham juntas. No show desta sexta, Moisés de Lima estará no palco com Thiago Andrade (guitarra), Paulo Fernandes...

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BIBLIOBUNKER: Discurso sobre o colonialismo

Pablo Capistrano

Discurso sobre o colonialismo Autor: Aimé Césaire Tradução: Cláudio Willer Editora: Veneta Ano: 2020 Páginas: 132 “A Europa é indefensável”. De fato… no que diz respeito aos holocaustos coloniais produzidos em larga escala por países europeus nos últimos 500 anos, essa afirmativa, contundente e taxativa, não parece exagerada. O ensaio: “Discurso sobre o colonialismo”; escrito pelo poeta martinicano, Aimé Césaire, e publicado pela primeira vez em Paris no ano de 1950, pela Éditions Réclame, deixa bem à mostra a arquitetura de pensamento que faz com que essa frase, repetida em memes, posts ou comentários, neste circo romano digital que atende pela alcunha de “rede social”, não seja apenas uma mera hipérbole. Ligado ao movimento surrealista de André Breton e ao partido comunista francês, Aimé Césaire foi um personagem central da luta política anti racista e anti colonial do século XX. Ao publicar, em 1935, na revista L´étudiant noir, um artigo intitulado Nègreries: conscience raciale et révolution sociale, Césaire foi responsável pela construção da noção de “negritude”, utilizada e popularizada posteriormente por Léopold Sédar Senghor (primeiro presidente do Senegal livre). Como se não bastasse isso, o poeta também foi uma figura fundamental na formação intelectual de Frantz Fanon que, seguindo seus passos, construiu uma das obras mais densas e contundentes sobre os efeitos do racismo e do colonialismo no mundo contemporâneo. Considerado por muitos críticos como o maior poeta em língua francesa do século XX, o autor desse ensaio clássico, teria produzido também, no julgamento de pessoas como o historiador C. L. R. James “o mais selvagem ataque contra a sociedade burguesa que eu já vi em versos”. De fato, amigo velho, esse ensaio fundamental da luta anticolonial é uma porrada. Especialmente porque, no contexto em que o livro foi publicado, logo após a hecatombe das duas grandes guerras mundiais e no esteio da debacle do nazi fascismo mundo afora, seu impacto e o mal estar que suas ideias causaram no mundo intelectual francófono, foi desconcertante. Esse mal estar já havia sido sentido dois anos antes da publicação do livro quando, em 1948,  Césaire, “por equívoco” fora convidado a escrever sobre a colonização, a união francesa e as províncias do ultramar na revista conservadora Chemis du Monde. Desde de 1945, eleito deputado do parlamento francês pela Martinica, Césaire já promovia a denúncia dos massacres perpetrados pela França em suas colônias, escandalizando as elites políticas parisienses que aguardavam, de sua parte, uma postura de reconhecimento...

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Encontro de Música Contemporânea de Natal começa na próxima semana

Redação

O Programa de Pós-graduação em Música da UFRN realiza o 2º O Encomun- Encontro de Música Contemporânea de Natal entre os dias 22 e 25 de setembro, na Escola de Música da UFRN Com uma programação dedicada à produção, pesquisa e experimentação no campo da música, o ENCOMUN reúne artistas e pesquisadores em debates mediados por palestras, oficinas, recitais e atividades formativas. O evento conta com o apoio do CNPq a partir do projeto “Novas Metodologias na Criação e Registro de Obras para Música de Câmara”. Os pesquisadores-artistas Alexandre Lunsqui (Unesp), Bruno Ruviaro (USP), German Gras (UECE) e Victor Moretti (USP) estão entre os convidados do evento. Grupos Permanentes da EMUFRN como Gil, OPC e OCA também participarão do evento, além do duo Presgrave/Holanda, Duo Cesetti-Qi e Duo dialético, entre outros. A programação contempla temas que discutem a pesquisa em música contemporânea a partir de sua relação com a criação, a performance, processos colaborativos e novos usos de tecnologia. Serão quatro palestras: “Falando em ritmos: a criação musical e o comportamento rítmico sobre a fala”, com Heather De Jennings, “Convite à Escuta da Música Espectral”, com Alexandre Lunsqui; “Quando a prática se torna pesquisa: relatos de uma performer-pesquisadora”, com Luciane Cardassi, e uma abordagem dedicada à obra do compositor alemão Helmut Lachenmann, apresentada por German Gras. As atividades formativas ocupam um espaço importante no Encomun. A programação inclui a Oficina-Ensaio da Orquestra de Laptops, a Oficina de Edição de Partituras, a Oficina de Improvisação Livre, realizada pelo GIL – Grupo de Improvisação Livre, e a oficina “Ambissônics: colocando o ouvinte no centro da música”. As atividades ampliam o espaço para a experimentação e para o contato direto dos participantes com diferentes processos de criação musical. O encontro oferece também uma programação artística com recitais todos os dias, sempre às 19:00 horas e com entrada franca. Entre eles estão o Recital de Abertura no auditório Oriano de Almeida e os recitais “Música Popular e suas interfaces”, com a Orquestra de Câmara da EMUFRN, Bravo e convidados, além de “Piano Contemporâneo e GIL – trilha sonora” e “A música de câmara contemporânea”, todos no auditório Onofre Lopes. O professor da EMUFRN Uaná Barreto fará um recital-palestra apresentando seu projeto “Calendário do Som”, inspirado na música de Hermeto Paschoal na sexta-feira, dia 25 de setembro de 15:30 horas. Com atividades distribuídas entre espaços como os auditórios Oriano de Almeida e Onofre Lopes e salas da instituição, o Encomun...

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oásis natural

Oásis Natural fica em 2º lugar do Nordeste no Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026

Redação

Restaurante 100% plant-based de Ponta Negra, em Natal, foi reconhecido na categoria Culinária Revelação, anunciada durante o iFood Move, em São Paulo O Oásis Natural, restaurante especializado em alimentação saudável e 100% à base de plantas, conquistou o 2º lugar da região Nordeste na categoria Culinária Revelação do Prêmio iFood de Super Restaurantes 2026. O resultado foi anunciado durante o iFood Move, maior evento de delivery da América Latina, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo. O Oásis Natural foi o único empreendimento do Rio Grande do Norte premiado nesta edição. Em sua terceira edição, o Prêmio iFood de Super Restaurantes reconhece estabelecimentos que se destacam pela qualidade do serviço de delivery e pela experiência do cliente, com base em avaliações, consistência operacional e volume de pedidos ao longo do último ano. A categoria Culinária Revelação reúne restaurantes de comida saudável/natural, italiana e padarias/cafés. À frente do Oásis Natural está Adriana Amorim, que fundou o restaurante em dezembro de 2023 e é conhecida no meio como Chef Adrih Amor. O Oásis é um restaurante vegano: prepara refeições frescas, feitas no dia, sem refinados, sem frituras, sem trigo, com folhagens colhidas no mesmo dia em hortas parceiras de Pium e sem nada de origem animal. “Ser o único restaurante do Rio Grande do Norte reconhecido neste prêmio mostra que dá para fazer comida saudável, ética e de origem local com o mesmo nível de excelência operacional que o mercado de delivery exige. É um reconhecimento pra toda a equipe do Oásis”, afirma Chef Adrih Amor. Sobre o Oásis Natural O Oásis Natural é um restaurante vegano, 100% plant-based, localizado em Ponta Negra, Natal/RN, que funciona de quinta a domingo com cardápio fixo diário. Fundado em dezembro de 2023 por Chef Adrih Amor, o restaurante tem como pilares a alimentação funcional, o uso de ingredientes locais e a colheita do mesmo dia em hortas parceiras de Pium. Contato Instagram: @oasisnatural.natal WhatsApp: (84) 99663-7635

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“Terrivelmente evangélico”

Edrisi Fernandes

Houve um tempo – faz tempo! – que “evangélico” significava “que traz a boa nova”. O tempo passou, surgiu uma tal “teologia da prosperidade”, e a “boa nova” rendeu-se (ou vendeu-se) ao “Mercado”, o grande deus que contraria o mandamento “Não terás [outro] deus diante de mim” (Êxodo 20:3). Recorde-se que a única ocasião bíblica na qual Jesus perdeu a paciência foi quando confrontou em Jerusalém os mercadores no Templo [Mateus 21:12-17, Marcos 11:15-19 e Lucas 19:45-48 situam esse evento na semana que antecede a crucificação; em João 2:13-17, a expulsão dos mercadores ocorre no início do ministério de Jesus, logo após o milagre no casório em Caná]. João descreve Jesus fazendo um chicote de cordas, expulsando os mercadores e seus animais, virando as mesas dos cambistas e derramando o dinheiro. Nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos, Lucas), Marcos e Lucas, para indicar uma ação reiterada ou vigorosa, empregam o tempo verbal imperfeito contínuo – Jesus entra em Jerusalém, vai ao Templo e “começa a expulsar” dali aqueles que ali negociavam; ele derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas sacrificiais. Nos Sinópticos, Jesus evoca os profetas Isaías (56:7, “Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”) e Jeremias (7:11, “Mas vocês a transformaram num ‘covil de ladrões’”), enfatizando seu ataque à corrupção e à deturpação do propósito do Templo (Jeremias 7:11 diz: “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, um covil de ladrões aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor”). Séculos se passaram. Ensinamentos de Jesus foram (e seguem sendo) deturpados e mercantilizados, e em Belo Horizonte (o nome parece bíblico), em 2004, Henrique Vorcaro, filho-herdeiro do pastor Serafim Vorcaro, acolhe o filho-herdeiro Daniel Vorcaro na incorporadora Mercatto (em italiano, “Mercado”) e noutros negócios da família. Jesus serenou procelas e andou sobre as águas no Mar da Galiléia; os Vorcaro criaram um maremoto a partir da congregação batista Lagoinha (“megaigreja evangélica neocarismática”, conforme a Wikipedia), para a qual Daniel Vorcaro já chegou a apresentar um programa na Rede Super (canal de TV ligado à igreja). O pastor-empresário Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do mafioso ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e líder religioso da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, BH, entregou-se às autoridades policiais em São Paulo em 04/03/26, após ter a prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Tudo isso me faz...

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Milena Azevedo é homenageada em Congresso Nordestino de Quadrinhos

Sérgio Vilar

Encerra hoje, na UFRN, a primeira edição do Congresso Nordestino de Estudos Discursivos sobre Quadrinhos (1º CONEDQ), promovido pelo Departamento de Letras. E achei um gesto de justo registro por este blog. Dois, na verdade: o primeiro foi uma homenagem à trajetória de 21 anos na trincheira das Histórias em Quadrinhos empreendida por Milena Azevedo, e a segunda foi criar um prêmio com o meu nome. Milena é colunista deste blog e, sem dúvida, um dos nomes mais importantes do RN nesta seara. E, ela foi ainda homenageada por tabela, pois o primeiro quadrinista a receber a Homenagem Milena Azevedo foi o grande amigo, colega e parceiro de tantos projetos, o quadrinista, artista plástico e inventor/designer de produtos, Wanderline Freitas. Parabéns, Milena!

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Quixote no RN: Exposição coletiva no Bar do Pedrinho traz os “Dons” Quixotes sob visão potiguar

Redação

Um dos mais tradicionais points culturais e boêmios da Cidade Alta, o Bar do Pedrinho fará a vernissagem da exposição “Os Dons”, com telas de Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Renata Lisieux, Lavosier Cunha, Túlio Ratto, Valderedo, e Verônica Maria. Será neste sábado, a partir das 12h. Quem fala sobre o assunto é o colecionador de arte Manoel Onofre Neto. Por Manoel Onofre Neto Quixote nas paragens potiguares E se Dom Quixote, em vez de atravessar os campos de La Mancha, tivesse tomado o rumo do Rio Grande do Norte? Talvez encontrasse nos sertões, nas praias, nos ventos, nas cidades e personagens potiguares matéria suficiente para alimentar suas aventuras. E, chegando a Natal, não seria improvável que terminasse sua jornada no Bar do Pedrinho, em pleno coração boêmio da cidade. É desse encontro imaginário que nascem Os “Dons” do Bar do Pedrinho. Aqui, o cavaleiro de Cervantes deixa de pertencer apenas à literatura universal para ganhar sotaque, paisagem e espírito potiguares. Moinhos, cavalos, lanças e delírios atravessam um território reconhecível, transformados pelo olhar de artistas que frequentam, convivem ou dialogam com esse universo tão particular. O título guarda ainda um divertido duplo sentido. Estes são os “Dons” que cada artista inventa, mas são também os “Dons” do Bar do Pedrinho: criadores que fazem da arte exercício de liberdade, imaginação, humor e resistência. Assis Marinho, Fábio Eduardo, Francisco Eduardo, Lavoisier Cunha, Renata Lisieux, Túlio Ratto, Valderedo e Verônica Maria constroem, cada qual à sua maneira, novos capítulos dessa improvável travessia quixotesca. No entorno do Beco da Lama, onde a cidade histórica encontra a boemia e a cultura pulsa fora dos circuitos convencionais, Quixote parece estar em casa. Afinal, há algo profundamente quixotesco em continuar acreditando na arte, em defender seus espaços e em transformar, pela imaginação, a realidade que nos cerca. Manoel Onofre NetoProcurador de Justiça, Curador e Colecionador de Arte.

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Vem aí o RN Hip Hop Trip Festival

29/04/2026|

Um dos maiores eventos da história da arte urbana potiguar já tem data e locais confirmados. O RN Hip Hop Trip Festival reunirá shows, competições, oficinas e workshops dedicados à cultura do hip hop distribuídos em três eventos, promovidos no mês de maio em São Gonçalo do Amarente, Ceará-Mirim e Natal. Em todas as edições o acesso será gratuito e todas as atividades serão transmitidas pela internet em canal aberto. Para o idealizador do Festival, o produtor cultural e cineasta Edson Soares, a ideia do evento é contribuir para o fortalecimento e a difusão da cultura Hip Hop no estado do Rio Grande do Norte, utilizando a música e a dança periférica negra como veículo de comunicação e expressão cultural. “Será montada uma estrutura com palco principal, tendas para competições e batalhas, stands para palestras e outras atividades. Vamos apresentar um grande festival”, ressaltou. A estreia do Festival será dia 16 de maio, em São Gonçalo do Amarante, seguido por Ceará-Mirim, dia 23, e fechando o mês, dia 31, em Natal. Os locais e horários exatos serão divulgados em breve. Em cada noite de evento, dois artistas (ou bandas) de hip hop com trajetória consolidada na cena do rap potiguar...

Barracas de Tourinhos são reconhecidas como Patrimônio Cultural do RN dois anos após demolição

28/04/2026|

Reconhecimento oficial contrasta com abandono: Enquanto obras dos novos quiosques seguem paradas e famílias resistem sem apoio local, barracas de Seu Luiz e do Dadá recebem reconhecimento oficial e pescador é homenageado como Guardião da Pesca Artesanal Dois anos após a demolição das tradicionais barracas da Praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso, a realidade das famílias afetadas segue marcada pela incerteza e pela ausência de soluções definitivas. Em contraste com esse cenário, o Estado do Rio Grande do Norte reconheceu oficialmente a importância das barracas de Seu Luiz Pescador e do Dadá como Patrimônio Cultural e Turístico do RN. A conquista se deu por meio de leis estaduais sancionadas em março de 2026, a partir de proposições da deputada estadual Divaneide Basílio, em articulação iniciada pela documentarista e produtora cultural Mônica Mac Dowell, no contexto ampliado do projeto Faces do Reduto. Mais do que estruturas físicas, as barracas representam um modo de vida ligado à pesca artesanal, à gastronomia local e ao turismo de base comunitária – elementos que ajudaram a consolidar Tourinhos como um dos destinos mais emblemáticos do litoral potiguar. Reconhecimento em meio ao abandono Em março de 2024, as barracas foram demolidas com a promessa de...

Bárbaro Xavier

28/04/2026|

O ator potiguar Bárbaro Xavier vive um dos momentos mais expressivos de sua trajetória artística. Após participações em três produções da TV Globo — Vale Tudo (2025), Três Graças (2026) e Guerreiros do Sol (2026) — e atualmente em cartaz nos cinemas com papel de destaque em Máfia de Pelúcia, o artista agora celebra um feito raro: a presença em duas produções selecionadas para o Festival de Cannes, o mais prestigiado evento do cinema mundial. As obras integram mostras distintas, reforçando não apenas a versatilidade do ator, mas também a potência do audiovisual brasileiro em diferentes linguagens e formatos. “Dark Corners 2: Safira’s Curse” (Cantos Escuros: A Maldição de Safira) No longa dirigido por Henrique Nuzzi, Bárbaro Xavier interpreta Hermes, cameraman e fiel escudeiro da protagonista Beatriz (vivida por Ananda Scaravelli). Gravado em Goiânia, o filme dá continuidade à saga Dark Corners: The Legacy of Pietra. A produção foi anunciada pela Variety como parte da seção Fantastic Cuts, dentro do VDF Showcase no Marché du Film, com exibição prevista para 18 de maio. Na narrativa, Hermes ocupa papel estratégico: como presença constante e observador direto dos acontecimentos, ele estabelece uma ponte entre o olhar documental e a atmosfera sobrenatural que...

Mostra Macambira abre inscrições para filmes que irão compor sua quarta edição

27/04/2026|

Estão abertas as inscrições para a Macambira – Mostra de Cinema de Mulheridades e Dissidentes de Gênero, iniciativa que visa difundir e promover diálogos sobre a produção audiovisual dirigida por realizadoras (cis, trans, travestis) e pessoas gênero-dissidentes. A quarta edição da Mostra acontece de 26 a 28 de junho na Casa da Ribeira, em Natal. A programação conta com a Mostra Nacional e a  Mostra Potiguar, com filmes que estão sendo realizados na contemporaneidade por perspectivas que historicamente foram subalternizadas e invisibilizadas no campo do cinema. As inscrições para a nova edição da Mostra seguem abertas até 11 de maio no site http://www.mostramacambira.com.br. Estão aptos para a inscrição curtas e médias-metragens brasileiros com duração máxima de 25 minutos, finalizados a partir de janeiro de 2024. Os filmes devem ser, obrigatoriamente, dirigidos ou codirigidos por mulhereridades (cis, trans, travestis) e pessoas dissidentes de gênero (homens trans, pessoas transmasculinas, não binárias, gênero fluido, agênero), sendo necessário o preenchimento da identidade de gênero da direção no campo correspondente do formulário de inscrição. A seleção dos filmes será realizada pela equipe de Curadoria da Mostra Macambira segundo critérios definidos pela linha curatorial que contempla as mais diversas subjetividades de mulheridades e pessoas gênero-dissidentes, de modo a incorporar novas imagens...

Patrícia Leal celebra Dia da Dança com poesia, música e fragrância no show Águas

27/04/2026|

Nesta quarta-feira (29), a artista, bailarina, cantora, poeta e perfumista Patrícia Leal realiza o Show ÁGUAS, celebrando o dia internacional da Dança no Mahalila Café e Livros, com um trabalho totalmente autoral a partir de seu EP Águas, mas também com músicas de seu Álbum anterior Continua…, além de canções inéditas. Acompanhada por grandes músicos, a formação conta com o saxofone de Anderson Pessoa, o piano de Eduardo Taufic e a percussão de Ramon Gabriel. Celebrando a Dança, o show é proposto com o melhor dos ritmos brasileiros com muito swing do samba, ijexá, côco, ciranda… deixando até nas letras o convite: “tira o sapato, vamos dançar onde for…” ÁGUAS é um trabalho que se iniciou no final da pandemia e reflete sobre as emoções, sentimentos vividos nesse período e na relação da autora com as águas internas, emocionais e com as águas externas, seja o Mar, sejam as cachoeiras, os rios. As coreocanções nascem da necessidade de reaproximação com o si, com a natureza, após um longo período de isolamento, da necessidade de compreender os próprios sentimentos e da compreensão que somos natureza. A artista realmente visitou locais de mar aberto em Natal, Pipa, São Miguel do Gostoso, como...

Skarimbó lança “Dunares” e firma um novo momento de sua trajetória artística

27/04/2026|

Com sonoridade orgânica e construção visual integrada, o disco evidencia o amadurecimento do grupo após mais de dez anos de caminhada Depois de mais de uma década de trajetória, a banda Skarimbó chega a um novo momento com o lançamento de “Dunares”, disco que estreia hoje, 27 de abril, nas plataformas digitais. O trabalho firma um momento de consolidação artística do grupo e evidencia um estágio mais maduro de sua identidade musical, em que a força rítmica, a densidade poética e a organicidade da execução aparecem em equilíbrio raro. “Dunares” nasce como obra de percurso. Seu título não funciona apenas como referência paisagística ou geográfica, embora a presença das dunas, tão constitutiva da experiência de viver e se deslocar em Natal, seja decisiva para a imaginação do álbum. A imagem central aqui é a da travessia. A caminhada entre escassez e abundância, aridez e horizonte, esforço e chegada. É desse movimento, ao mesmo tempo físico e existencial, que o disco retira sua espinha dorsal. Nas palavras de Geraldo Gondim, cantor e compositor da banda, o álbum sintetiza uma reflexão antiga do Skarimbó sobre a condição humana e suas dualidades, entre altos e baixos da vida, escassez e abundância, chegadas e partidas, secura...

Como Gugu Liberato usou o “De volta para minha terra” para me sequestrar e enviar para o sertão da Paraíba

24/04/2026|

Alguns especialistas dizem que, somente ao superar um trauma, é possível relatar, com alguma veracidade, os eventos que o causaram. Embora concorde com tal raciocínio, abordei por esses dias um assunto cujo resultado traumático me perseguiu por toda a vida, embora naturalmente perca gradualmente a força ao longo dos anos, ainda continua vivo em minha memória. No último dia 23 deste mês completou-se vinte anos que o falecido Gugu Liberato – que Deus o tenha – me levou na marra para o sertão paraibano, onde permaneci por mais de uma década sem qualquer contato com meus familiares. O lamentável ocorrido – que não chamarei de rapto, por temer eventuais represálias judiciais – se deu por ocasião das filmagens do quadro “De volta para a minha terra”, que era transmitido em seu programa dominical. Tal quadro televisivo influenciou fortemente o programa de combate à imigração ilegal dos Estados Unidos. Naquela época, eu tinha 12 anos e trabalhava como ajudante de pedreiro. Havíamos chegado há poucos meses em São Paulo, para onde fui com meus pais e meus quinze irmãos esperançosos de conseguir melhores condições de vida. Saímos do interior do Pará, do distrito de Arumanduba, atualmente extinto, pois foi engolido pelo...

Novo curta-metragem de Luiza Gurgel traz alerta sobre os impactos da ação humana na natureza

24/04/2026|

Todos os dias, ela assiste ao sol nascer e se pôr. Nesse intervalo, vê o cotidiano acontecer: as crianças brincando, o cachorro farejando, uma vendedora passando, um casal se conhecendo. Ela os vê, escuta, acolhe… mas eles não. Apesar de sua beleza e de se doar pelos outros diariamente, sua existência passa despercebida. Isso porque, para o homem, seu valor é resumido a números. E se fosse você a passar por isso? Com direção de Luiza Gurgel, o filme A Mesa propõe um olhar profundo sobre uma sociedade gananciosa que despreza o meio em que vive, através da perspectiva da personagem principal, que sente a agonia e o desespero de ver sua vida ser moldada para atender aos interesses alheios. Trazendo à tona a pauta do meio ambiente, a narrativa mostra a banalização do homem quanto à natureza, fazendo um alerta sobre fatores como a crise climática, o desmatamento e o ecocídio. De forma crítica, o curta-metragem aponta como o egoísmo humano tem colocado em risco o planeta e faz o público se questionar sobre sua própria responsabilidade diante da catástrofe ambiental que estamos vivendo. Cineasta e jornalista, Luiza Gurgel conta que teve a ideia para o roteiro enquanto assistia...

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