Últimas

caetano veloso

Caetano Veloso para o povão

Em 2006, Caetano Veloso fez um show no Canecão, no Rio de Janeiro. Na época, era comum os artistas fazerem, em um dia programado previamente, um ensaio aberto ao público.

Leia mais

Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

Leia mais

Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

Leia mais

Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

Leia mais

Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

Leia mais

BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

Leia mais
Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

Leia mais

A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

Leia mais

Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

Leia mais
  • All Posts
  • Agenda
  • Artes Cênicas
  • Artes Visuais
  • Audiovisual
  • Blog do Sérgio Vilar
  • Carnaval
  • Cerveja / Gastronomia
  • Cultura Pop
  • Curtinhas
  • Dança
  • Destaque-capa
  • Destaques
  • Editais e Oportunidades
  • Entrevistas
  • Folclore e Cultura Popular
  • Literatura
  • Memória do RN
  • Música
  • Notícias
  • Opinião, Artigos e Crônicas
  • Personagens do RN
  • Poesia
  • Revista Preá
  • Turismo
flip 2025

04/08/2025|

Por Alexandre Coslei* A transformação de escritores em popstars escancara uma faceta controversa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip): a crescente espetacularização do universo literário. O evento, que nasceu com a missão de fomentar o pensamento crítico e celebrar a diversidade da produção escrita, hoje parece muitas vezes mais preocupado em transformar autores em top models do que em destacar suas obras. A figura do “autor popstar” pode até parecer um feito louvável à primeira vista — afinal, em uma sociedade que consome influenciadores e entretenimento instantâneo, qualquer forma de dar visibilidade à literatura poderia ser vista como algo positivo. No entanto, essa “popstarização” frequentemente desvia o foco: do conteúdo para a performance, da ideia para a imagem, da complexidade do texto para os aplausos da persona. Nesse contexto, a Flip corre o risco de se tornar mais um festival de vaidades do que um espaço de questionamento e resistência cultural. Autores passam a ser escolhidos por seu apelo midiático, por sua capacidade de mobilizar seguidores nas redes sociais, por seu figurino ou carisma diante das câmeras — e não necessariamente pela densidade, originalidade ou urgência de suas obras. Há, ainda, um impacto direto sobre os leitores: a criação...

03/08/2025|

Mossoró recebe show da comemoração dos 50 anos de carreira do cantor Fagner. A apresentação será no encerramento 22ª Convenção do Comércio e Serviços do RN, que corre nos dias 5 e 6 de setembro no Garbos Recepções. Outra atração confirmada é o sambista potiguar radicado no Rio de Janeiro, André da Mata. A Convenção é o maior evento corporativo do setor de comércio se serviços do estado. Vários experts empresariais e de marketing estarão presentes. O mais conhecido, sem dúvida, é Giba, campeão olímpico e ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei.

03/08/2025|

Assisti em sequência os documentários citados no título. O primeiro, um primor de roteiro, direção e texto de Petra Costa, sobre a influência da bancada evangélica nos ditames políticos do país. O segundo, a ascensão do lunático presidente americano, desde um jovem empresário caloteiro ao posto de homem mais poderoso do mundo. Recomendo ambos. E um filme de Adam Sandler antes e depois como detox. A ânsia de vômito é grande, sobretudo no doc brazuca.

caetano veloso

02/08/2025|

Em 2006, Caetano Veloso fez um show no Canecão, no Rio de Janeiro. Na época, era comum os artistas fazerem, em um dia programado previamente, um ensaio aberto ao público. O ensaio era amplamente divulgado na Imprensa através de colunistas importantes como Joyce Pascowitch, Zózimo do Amaral, Hildegard Angel e Carlos Leonam, entre outros. Carlos Leonam tinha uma coluna diária no jornal O Globo, que assinava com o pseudônimo de Carlos Swann. Um dia, ele publicou na sua coluna um fato que tinha acontecido com Caetano. Naquele ano, um dia Caetano foi buscar seus filhos Zeca e Tom no colégio e na saída, ao se dirigir para o seu carro, ouviu alguém gritar: “Aí, Caetano, sexta-feira vou lá no Canecão te ver no ensaio aberto”. Era o pipoqueiro. Na época fiquei muito impressionado com o que li e, até hoje, de vez em quando relembro o fato e fico refletindo sobre o ocorrido: um pipoqueiro, quebrando o “muro” que separa os gênios dos simples mortais, sem a menor cerimônia, gritando, disse para todo mundo ouvir que iria assistir ao ensaio do show de um monstro sagrado da música brasileira, dirigindo-se ao artista, como se fossem velhos amigos: “Aí, Caetano…” Fiquei...

Bruna Hetzel

01/08/2025|

Após uma jornada de sucesso que inclui premiações locais e um aclamado lançamento na França, a cantora potiguar Bruna Hetzel retorna a Natal para uma apresentação única do show “Canto Azul”, seu álbum de estreia. Morando em Paris, a artista celebra o retorno à sua cidade natal com o espetáculo que define como a realização de um sonho. Gestado em 2021 por meio de financiamento coletivo e com o apoio da lei municipal Aldir Blanc, “Canto Azul” foi lançado nas plataformas de streaming, mas só agora poderá ser vivenciado ao vivo pelo público potiguar. Uma celebração à música brasileira “Canto Azul” é o resultado dos dez primeiros anos de carreira de Bruna, onde ela se firma não apenas como uma intérprete de voz marcante, mas também como uma compositora. O disco é uma reverência à Música Popular Brasileira (MPB), mergulhando em ritmos como o samba, o choro e a bossa nova. Com influências do jazz que marcam seu estilo, Bruna apresenta suas próprias composições, regravações de grandes nomes como Joyce Moreno, Djavan, Ivan Lins e Sueli Costa, e canções inéditas de conterrâneos como Cleudo Freire, João Salinas e Roberto Taufic. Os arranjos, cuidadosamente elaborados pelo renomado músico Eduardo Taufic, serão interpretados por um time...

“+Festival Originalidades” divulga curtas-metragens para edição na Casa da Ribeira

31/07/2025|

Divulgada a lista oficial dos curtas-metragens selecionados para o “+Festival Originalidades”, que será realizado em agosto, na Casa da Ribeira, com exibições gratuitas e presenciais. O projeto promete movimentar a cena cultural potiguar com uma programação que celebra a diversidade, a arte e a coexistência. Com uma proposta ousada e necessária, o festival reafirma seu compromisso com a valorização da pluralidade no audiovisual brasileiro, reunindo produções que dão voz a identidades, territórios e protagonistas historicamente invisibilizados nas telas. A coordenação do projeto estruturou a programação em quatro mostras temáticas, cada uma dedicada a destacar perspectivas de grupos sub-representados no cinema nacional: +Cinema Indígena, +Cinema Negro, +Mulheres no Cinema e +Cinema LGBTQIA+. Confira abaixo os 20 curtas-metragens selecionados: MOSTRA +CINEMA INDÍGENA  – Javyju – bom dia – Dir. Kuha Rete e Carlos Eduardo Magalhães 2024/SP – Corraveara – Dir. Julhin de Tia Lica 2024/RN – Ixé Iandé (eu, nós) – Dir. Gustavo Gomes 2024-2025/PB – Goela Abaixo – Dir. Mirna Anaquiri 2025/GO – Minha câmera é minha flecha – Dir. Natália Tupi 2025/SP MOSTRA +CINEMA NEGRO – Jóias de Orixá – Dir. Stéphanie Moreira 2024/RN – Mar de Dentro – Dir. Lia Letícia 2024/PE – Sankofa – Dir. Aline Moura 2024/RN – O Céu...

Mostra de Cinema de Gostoso é reconhecida como patrimônio cultural, turístico e imaterial do RN

31/07/2025|

A Mostra de Cinema de Gostoso foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural, Turístico e Imaterial do Estado do Rio Grande do Norte, conforme a Lei nº 12.299, sancionada pela governadora Fátima Bezerra no dia 24 de julho de 2025. A iniciativa, fruto de um projeto de lei do deputado estadual Francisco do PT, celebra a relevância do evento para a cultura, o turismo e a economia potiguar. Realizada pela Heco Produções e pelo CDHEC – Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania, com apresentação do Ministério da Cultura e Petrobras, a Mostra se destaca como um dos eventos mais inovadores do país. Sob a direção geral de Eugenio Puppo e Matheus Sundfeld, o projeto transforma a paradisíaca Praia do Maceió, em São Miguel do Gostoso, em uma grandiosa sala de cinema ao ar livre, oferecendo programação totalmente gratuita e de alta qualidade técnica. Através da participação de filmes inscritos e convidados de todo o país, realização de cursos de formação para jovens, debates e seminários, a Mostra movimenta a cultura, o turismo e a economia no estado do Rio Grande do Norte, promovendo o acesso a bens culturais e a formação de público. Em 2025, a Mostra se prepara para mais uma edição, consolidando sua trajetória junto à cidade e à população de São Miguel do Gostoso. Todas as sessões da 12ª Mostra de Cinema...

Mostra de Cantautores: TAM recebe shows de Jô Bay e Ismael Dumang, na próxima quarta

31/07/2025|

O veterano Ismael Dumang e a aposta da nova geração Jô Bay são as próximas atrações da Mostra de Cantautores da Música Potiguar. A apresentação acontece na próxima quarta-feira (6), às 19h30, no Teatro Alberto Maranhão (TAM). Os ingressos estão à venda nas lojas Discol, Sem Etiqueta e também na plataforma Outgo, ao valor de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada e ingresso solidário, com doação de 1kg de alimento não perecível). Promovida pela Rede Potiguar de Música (RPM) e pela Fundação José Augusto (FJA), a Mostra tem como objetivo valorizar a canção potiguar em sua forma mais autoral, promovendo encontros entre artistas de diferentes gerações. O projeto também aposta na formação de plateia, na articulação entre agentes do setor cultural e na defesa de políticas públicas voltadas à cadeia produtiva da música no estado. Criador do Bayle Black e do projeto Chama o Síndico, que faz um tributo a Tim Maia, Jô Bay apresenta um repertório dedicado à Música Popular Brasileira (MPB) e reveza entre releituras consagradas e músicas autorais. O músico despontou nos últimos anos e já é uma figura marcante das noites natalenses. Em 2025, lançou o show Bregão do Jô Bay, com grandes clássicos do...

31/07/2025|

A quarta edição do Curso de Folclore e Cultura Popular do RN será ministrada no Complexo Cultural de Natal – UERN, de 9 de agosto a 18 de outubro. As aulas serão sempre aos sábados, das 8h às 12h. Inscrição ao valor de R$ 60. A aula inaugural será ministrada pelo folclorista capixaba Eliomar Mazoco, vice presidente da Comissão Nacional de Folclore. Inscrições CLIQUE AQUI.

Doutoranda potiguar promove roda de conversa sobre ancestralidades negras e indígenas

31/07/2025|

A doutoranda e escritora potiguar Elizabeth Olegário, pesquisadora do Centro de Humanidades da Universidade NOVA de Lisboa (FCSH/NOVA), promove nesta semana, em Curitiba, a roda de conversa “Tecendo Ancestralidades: Literatura, Música e Fotografia nos Movimentos Negros e Indígenas”. O encontro será realizado dia 01 de agosto no Restaurante Nina Curitiba e reunirá artistas, pesquisadoras e ativistas em torno da valorização das expressões culturais afro-indígenas. Participam da conversa a fotojornalista Fernanda Castro, reconhecida por seu trabalho voltado às questões de raça, gênero e território, e a cantora potiguar Cida Airam, cuja obra musical ecoa saberes afro-brasileiros e indígenas, propondo uma escuta sensível e política da ancestralidade. Além de propor diálogos entre artes, o evento também celebra a presença histórica e viva das populações negras e indígenas no estado do Paraná, frequentemente invisibilizadas nos espaços públicos e culturais. Segundo dados do Censo 2022, o estado possui a segunda maior população quilombola da Região Sul, com 7.113 pessoas, além de 30.460 indígenas vivendo em 345 municípios. Esses números reforçam a diversidade e a resistência desses povos no território paranaense, que abriga comunidades tradicionais, quilombos e aldeias de etnias como Kaingang, Guarani e Xetá. Para Elizabeth Olegário, atividades como essa são ferramentas de resistência...

30/07/2025|

Nesta quinta-feira, a partir das 16h30, o Complexo Cultural Rampa vai virar palco de arrasta pé. Para animar a festa, Deusa do Forró, Jarbas do Acordeon e Cláudio Araújo. Fim de tarde dançando ao som do autêntico forró potiguar e aproveitando o pôr do sol mais bonito de aqui e alhures. Ah, a entrada é gratuita!

30/07/2025|

De 1º a 3 de agosto, Serra de São Bento vai virar mesmo um palco a céu aberto: música, cultura, gastronomia, artesanato e paisagens encantadoras. Mas a programação peca na divulgação, especificamente no termo generalista “artistas locais”, após citar os “destaques” como João Gomes, Flávio José e Waldonys. E mesmo colocando todos os artistas locais no mesmo bojo, citam em separado a também artista local Tanda Macedo, natalense “da gema”. Ou Artistas Locais seriam apenas os serrabentenses? Eis como saiu: Sexta-feira (01/08) • Robelly Ramos • Flávio José • Iguinho e Lulinha • Samyra Show  Sábado (02/08) • Waldonys • Tanda Macedo • João Gomes • Aline Reis Domingo (03/08) • Artistas locais • Banda Ferro na Boneca

Veja mais

End of Content.

Blog do Sérgio Vilar

Fotografia potiguar no mundo

O poeta, artista visual e fotógrafo potiguar Jean Sartief expõe em um dos mais prestigiados salões de fotografia de rua de Portugal, o Mira Mobile Prize. A mostra é fruto de uma premiação – 21º Prêmio Mira Mobile – que

Continuar Lendo

Red Dog Pub reabrirá ainda em 2026

Um dos poucos e mais legais pubs de Natal, o Red Dog Pub não ficou pelo caminho do modismo, como tantos espaços que abrem, “bombam” e, pouco depois, passado o período da modinha tipicamente natalense, fecham. O pub fechou no

Continuar Lendo

Podcast Papo Galado

Mais lidas da semana

Sergio Vilar
Visão geral da privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.