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paulo tito xeque mate

O progresso está matando o amor

Gosto de assistir o Xeque-Mate da TV Universitária.  Apresentado ao vivo, o programa traz entrevistas interessantes sobre uma variada gama de assuntos, com entrevistados que tenham algum tipo de relevância

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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13/10/2025|

O Incra no Rio Grande do Norte pactuou com o governo potiguar, a adoção de um modelo jurídico que permitirá ao estado realizar, diretamente, a titulação das terras quilombolas. A iniciativa atenderá territórios remanescentes de quilombos localizados em terras devolutas de domínio estadual. Ao menos 130 famílias poderão ser beneficiadas já nas primeiras titulações, previstas para os territórios quilombolas Jatobá (Patu), Acauã (Poço Branco) e Boa Vista dos Negros (Parelhas). Planeja-se a conclusão dos procedimentos para 20 de novembro de 2025, em referência ao Dia Nacional da Consciência Negra. A medida representa um marco no processo de reconhecimento territorial.

Festival DoSol 2025 apresenta mais de 80 shows em 5 cidades do RN

13/10/2025|

A edição de 2025 do Festival DoSol já tem datas marcadas e mais de um local para acontecer. Neste ano, o evento – que é Patrimônio Cultural e Imaterial do RN pela Lei n° 12.075/2025 – vai além da cidade de Natal e promove música e cultura de diversos estilos também no interior do estado, com shows em Mossoró, Caicó, Assu e Currais Novos. Ao todo, serão mais de 80 apresentações de 73 artistas, com entrada gratuita ou a preços populares entre os dias 13 e 29 de novembro. “Incluir o interior do RN na nossa agenda é sempre um desafio, mas é algo que não abrimos mão porque nos traz muita alegria espalhar ações culturais por várias localidades. Sabemos da importância de ir além dos grandes centros, por isso não vemos a hora de pegar a estrada e fazer isso acontecer”, diz Ana Morena, coordenadora geral do Festival. As ações do Festival DoSol no interior do RN são viabilizadas através da emenda cultural do mandato da Deputada Estadual Isolda Dantas e tem o apoio do Banco do Nordeste Cultural Mossoró e da Prefeitura de Currais Novos.  Todos os shows do Festival DoSol 2025 do interior do RN têm entrada...

astros sem lastros

11/10/2025|

A cidade de Natal e o Rio Grande do Norte são ricos em talentos. Na música, por exemplo, temos inúmeros exemplos de artistas qualificados. Na minha opinião, em Natal falta apoio aos artistas das comunidades, principalmente as mais carentes, onde a diversidade de talentos é abundante, não só na música, como em outras áreas; muitas vezes, é nos bolsões de pobreza onde existe uma verdadeira gama de talentos ocultos. Projetos realizados pelo poder público precisam descentralizar a atividade cultural, permitindo o surgimento de novos nomes na cena cultural não só de Natal, como também do Interior. Cada estado tem sua tradição cultural, geralmente proporcional ao tamanho do seu território, à sua população e até mesmo às suas potencialidades econômicas. Nos grandes centros como Rio e São Paulo projetam-se para o Brasil inteiro artistas, muitos deles oriundos de outros estados. No Nordeste, estamos cansados de saber que três estados se destacam no cenário cultural do Brasil:  Ceará, Bahia e Pernambuco. No Norte, o Pará vem conquistando a cada dia mais visibilidade em termos culturais, por conta da grande diversidade cultural da Amazônia e, agora, com a realização da COP 30 em Belém. A meu ver, o nosso estado, que tem tudo...

Burburinho Festival de Artes chega à 9ª edição como um dos eventos mais afetivos de Natal

10/10/2025|

O Aeroclube de Natal volta a ser tomado por cores, sons e encontros no dia 1º de novembro, quando o Burburinho Festival de Artes realiza sua 9ª edição, reafirmando-se como um dos eventos culturais mais afetivos e simbólicos da cidade. Criado e produzido pela Pinote Produções, o festival segue reunindo múltiplas linguagens artísticas, públicos de todas as idades e um mesmo desejo: viver a arte de forma livre, comunitária e acessível. Desde 2017, o Burburinho tem construído uma trajetória marcada pela coerência entre propósito e prática. A proposta de integrar diferentes expressões — música, teatro, dança, poesia, feira criativa e intervenções visuais — transformou o festival em um espaço de convivência estética e social, onde o lazer, a cultura e a beleza caminham juntos. A cada edição, o evento reafirma o compromisso com a democratização do acesso aos bens culturais e com o fortalecimento da cena artística potiguar. “Este ano, o Burburinho acontece em um único dia. Tivemos uma redução nos recursos disponíveis, consequência da diminuição da renúncia fiscal efetivada no ano passado, o que impactou diretamente a execução do projeto. Optamos por ajustar o formato, mas sem abrir mão daquilo que é essencial pra gente: a qualidade da entrega, o ambiente bonito e bem...

Tony Tornado & Banda apresenta show inédito no Fest Bossa & Jazz Bananeiras

10/10/2025|

O tradicional festival potiguar Fest Bossa & Jazz realiza de 20 a 22 de novembro sua edição de estreia na Paraíba. O município de Bananeiras, localizado no Brejo paraibano, vai receber uma programação com 18 atrações gratuitas, entre artistas nacionais, internacionais e regionais. O primeiro nome confirmado foi o do ator e cantor Tony Tornado, que apresenta um espetáculo inédito no Nordeste. Um dos precursores da música negra brasileira, Tony Tornado vem influenciando gerações através da sua música e dança.  Com uma marca na história fonográfica do Brasil, incluindo sucessos como Br3, Podes Crer Amizade e Me Libertei, Tony também tem mais de 50 anos na televisão e cinema nacional. No Fest Bossa & Jazz Bananeiras 2025, ele se apresenta ao lado do filho, o cantor e ator Lincoln Tornado, e da banda ‘Funkessência’, formada por nove músicos.  O espetáculo acontece Semana da Consciência Negra, como forma de celebrar a riqueza da música negra e promete unir tradição e inovação, conectando o passado e o futuro em uma experiência única para o público. Tributo a Elis Regina A produção do festival também anunciou mais duas atrações. A cantora potiguar Liz Rosa fará um show dedicado à Elis Regina. Com interpretações...

10/10/2025|

Nesta sexta e sábado, o Teatro Alberto Maranhão recebe uma das companhias de dança mais prestigiadas do país: o Grupo Corpo, que celebra 50 anos de trajetória com a estreia de seu mais novo balé, Piracema. Do tupi, “pira” = peixe; “cema” = subir. O termo nomeia o movimento migratório de peixes que sobem os rios em busca da reprodução — metáfora escolhida pela companhia mineira para representar sua própria jornada: um caminho de criação, resistência e renovação. O processo foi ousado: a companhia foi dividida em dois elencos de 11 bailarinos, cada qual ensaiado separadamente pelos coreógrafos, que só uniram suas visões meses depois. O resultado é, nas palavras de Rodrigo, “uma terceira via” — uma obra intensa, desafiadora. O programa da noite também apresenta um clássico da companhia: Parabelo (1997), obra de inspiração sertaneja com trilha de Tom Zé e José Miguel Wisnik. Ingressos: Sympla. R$ 200 (inteira) | R$ 100 (meia) | R$ 39,80 (social). Classificação: livre.

Paula Belmino

10/10/2025|

A escritora lagoanovense Paula Belmino teve seu livro “ABC do Brincar: Brinquedos e brincadeiras de A a Z”, ilustrado por Juliane Engelhardt, adotado por diversas escolas públicas do Brasil, com tiragem superior a 50 mil exemplares. A autora de livros de literatura infantojuvenil considera o feito um reconhecimento ao trabalho dedicado às infâncias. Paula Belmino já possui livros premiados e reconhecidos pelas escolas como Bichonário Poético, fruto do edital CJA Editora, além de textos publicados em revistas e livros didáticos.  Para a autora potiguar “ter um livro reconhecido de forma nacional é garantir às crianças o direito à leitura, à democratização do livro com literatura que aborda o brincar como verbo que conjuga a infância”.  O livro convida famílias e crianças a brincarem de ler e exercitar a poesia na prática. Paula Belmino Paula Belmino é natural de Lagoa Nova, aprendeu a ler sozinha nas leituras que fazia na biblioteca municipal de sua cidade natal e muito antes de ler, encantou-se pelo mundo das histórias que ouvia do seu avô e de todo universo do cordel e das cantorias que sua infância foi construída .  Filha de professora, se tornou também educadora, formada em Pedagogia pela UFRN, com especialização em Literatura e ensino pela UFRN....

09/10/2025|

O Sonzinho da Mata celebrará os jovens músicos potiguares. O projeto recebe o grupo musical da ONG Ilha de Música, formado por 23 crianças e adolescentes participantes das “Oficinas na Ilha’’. Sob a direção musical de Gilberto Cabral, o grupo sobe ao palco do Anfiteatro Pau-brasil, apresentando um repertório que mescla composições próprias, músicas populares brasileiras e cantigas infantis. Fundada em 2006 por Gilberto e Inês Latorraca, a Ilha de Música é um projeto social que atua na comunidade da África, na Redinha (zona norte de Natal), com aulas gratuitas de instrumentos musicais e promove a inclusão social por meio da educação musical. Durante anos o grupo é a atração principal do Sonzinho da Mata, reforçando a proposta do Som da Mata de valorizar a música instrumental potiguar em um encontro onde o talento e a arte transformam vidas. O projeto ocorre no Parque das Dunas, neste domingo, a partir das 16h30. Acesso ao Parque: R$ 1. O show é gratuito!

Artistas potiguares lançam “Cuscuz” em comemoração ao Dia do Nordestino

08/10/2025|

Nesta quarta-feira (8), em celebração ao Dia do Nordestino, os artistas potiguares Zelitto Coringa e Humberto Luiz lançam o videoclipe “Cuscuz”, uma obra musical que mistura poesia, regionalismo e identidade cultural. A estreia acontece às 20h, no canal oficial da produtora ZCRIAR no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=8GXXIzCwI4I. Com título inspirado em um dos pratos mais emblemáticos da culinária nordestina, o projeto propõe uma analogia entre o alimento e a diversidade musical da região. O cuscuz, embora tenha origem no Maghreb (Norte da África) e tenha chegado ao Brasil por meio dos colonizadores portugueses, foi ressignificado no Nordeste, tornando-se base da alimentação e símbolo de resistência cultural. Assim como o prato, a canção mistura ingredientes sonoros variados, temperados com identidade potiguar e poesia autêntica. Humberto Luiz, natural de Mossoró e filho de um repentista, cresceu imerso na tradição musical nordestina. Zelitto Coringa, de Carnaubais, no Vale do Açu — região conhecida por ser berço de poetas — é neto de um vaqueiro que promovia cantorias em casa. Ambos são compositores autodidatas, com trajetória marcada pela valorização das raízes culturais do Rio Grande do Norte. O videoclipe “Cuscuz” foi contemplado pelo Edital da Lei Paulo Gustavo, com apoio da Fundação José Augusto, do Governo do Estado do...

priscila matosf

08/10/2025|

O projeto “Casa da Anna, Canto e Lugar da Cultura Potiguar” se prepara para encerrar sua bem-sucedida temporada 2025 com uma programação especial durante todo o mês de outubro. Realizado na Casa da Anna – Centro Cultural Anna Fernandêz, em Ponta Negra, o projeto, de autoria de Marieta Maia e com direção musical de Raphael Almeida, foi um dos selecionados pelo Edital 08/24 – Lei Aldir Blanc (PNAB) de Artes Integradas e Outras Expressões Artísticas, e desde julho tem movimentado a cena cultural natalense. Alinhado aos objetivos dos Editais Paulo Gustavo e Aldir Blanc, o projeto se destacou por fortalecer a economia criativa local – com 80% da equipe e insumos contratados no Rio Grande do Norte – e por garantir acessibilidade, com tradução presencial em Libras, transmissão legendada no YouTube e medidas físicas para pessoas com deficiência motora. Além disso, priorizou políticas afirmativas, com 30% de participação feminina na equipe técnica e artística. “Ao longo desses meses, conseguimos transformar este Centro Cultural em um polo de integração das artes, estimulando a criação conjunta e a valorização da diversidade cultural do nosso estado. É com esse espírito que apresentamos nosso último período de atividades”, comenta a autora do projeto. Confira...

Escola de Danças Populares abre inscrições para curso de formação em 2025

07/10/2025|

A valorização e preservação das tradições culturais do Rio Grande do Norte ganham um novo espaço com a abertura das inscrições para a Escola de Danças Populares, que oferecerá um curso gratuito de formação em danças regionais. O processo seletivo está aberto até 10 de outubro de 2025, exclusivamente pelo site www.escoladedancaspopularesdorn.com. O projeto é uma realização da RS Eventos, com aceleração cultural da Viva Promoções, e viabilizado pelo Programa Cultural Câmara Cascudo, mecanismo estadual de incentivo à cultura. Ao todo, serão ofertadas 50 vagas para alunos bolsistas, com bolsa no valor de R$ 400,00, ajuda de custo para transporte e lanche durante as aulas. O curso terá duração de quatro meses (novembro/2025 a março/2026), totalizando 160 horas/aula. As turmas serão divididas nos turnos matutino (8h às 12h) e vespertino (13h30 às 17h30). Podem se inscrever estudantes a partir de 14 anos, matriculados na rede pública de ensino, além de profissionais da área de dança que desejem capacitação e possam comprovar atuação. A grade contempla disciplinas como Psicomotricidade e Brincadeiras Rítmicas, Danças Folclóricas, Composição Coreográfica, Encenação e Montagem, entre outras, com foco em manifestações como caboclinho, coco de roda, araruna, boi, pastoril, baião e quadrilha. A seleção será feita em três...

07/10/2025|

De 7 a 11 de outubro, acontecerá a Flicoop – Feira Literária da Cooperativa Cultural, na UERN da Zona Norte. Neste evento, será lançada a obra “A Gaiola e o Passarinho”, estreia da escritora Kalina Paiva na literatura infantil que estará presente nos seguintes dias e horários: 7/10 – Às 14h – No Espaço do Autor, e 9/10 – Às 9h – Na Sala de Artes com o Carrossel da Leitura. Voltado ao público infantil e com ilustrações de Débora Andrade, a história narra a saga de um passarinho preso por uma gaiola que, encantada pelo seu maravilhoso canto, desejou guardá-lo só para ela. Ele, porém, passa a ter um desejo: voltar a voar livremente no céu. O segredo da trama pode ser resumido em uma pergunta: Será que ele vai conseguir?

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