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jane e herondy

Hipocrisia cultural

Na semana passada eu escrevi aqui sobre inclusão cultural. Hoje eu vou propor aqui duas situações diferentes. Na primeira situação vou falar sobre a música Não Se Vá, gravada pela

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Dois documentários de Natal são selecionados para o 5º FALA São Chico

Redação

Dois filmes produzidos em Natal (RN) são selecionados para a Mostra Competitiva de Curtas do 5º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul – FALA São Chico 2026.  “O Reduto”, de Julia Donati, apresenta o espaço de capoeira Reduto dos Angoleiros e seu criador. Já “A Voz dos Muros”, de Suelayne Cris, retrata artistas e suas vivências na cultura hip-hop. Realizado na ilha de São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina, terceiro território mais antigo do Brasil, o festival reafirma sua vocação como espaço de encontro e difusão do cinema documental latino-americano contemporâneo. Ao todo, 15 curtas-metragens documentais, incluindo temáticas infantojuvenil, integram a seleção oficial desta edição e serão exibidos no Teatro XV de Novembro, localizado no Centro Histórico da cidade. As produções selecionadas representam cinco países: Brasil, Colômbia, Cuba, Uruguai e França, esta última em coprodução internacional. No cenário nacional, os filmes contemplam realizadores de seis estados brasileiros e do Distrito Federal, ampliando o panorama de diferentes olhares e territórios do país. A curadoria deste ano também destaca a presença de quatro cineastas estreantes, reforçando o compromisso do FALA São Chico com a valorização de novas vozes, perspectivas e narrativas no audiovisual independente. Entre todos os filmes selecionados, oito são dirigidos por mulheres, cinco têm direção LGBTQIAPN+, quatro contam com direção de pessoas pretas ou pardas, um possui direção indígena e um é dirigido por Pessoa com Deficiência (PcD). A mostra reúne ainda uma produção universitária e nove documentários contemplados com o Selo Marias de Cinema. Dois dos filmes da seleção oficial terão sua estreia no festival. Santa Catarina, estado anfitrião do evento, será representado por quatro produções. Em sua quinta edição, o FALA São Chico consolida-se cada vez mais como uma vitrine para o cinema documental independente latino-americano, promovendo o intercâmbio cultural e ampliando o acesso do público a obras que refletem a diversidade de realidades, identidades e experiências do continente.  Confira os filmes selecionados de Natal (RN): -O Reduto, de Julia Donati | Brasil, Natal/RN | 15 min | 2026 | Documentário Sinopse: O filme apresenta o espaço de capoeira “Reduto dos Angoleiros” e seu criador, Vovô Capoeira, acompanhando, em tom íntimo e afetivo, o cotidiano do mestre e sua relação com a cultura popular, a educação e a capoeira angola. Indicação Livre. – A Voz dos Muros, de Suelayne Cris | Brasil, Natal/RN | 14 min | 2025 | Documentário Sinopse: Carcará, Erva Doce, Blue, Hugh e FB, artistas...

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Festival Reggae Sua Alma celebra 12 anos fortalecendo a cena reggae potiguar

Redação

O tradicional Reggae Sua Alma chega à sua 12ª edição reafirmando uma trajetória construída pela amizade, pela música e pelo fortalecimento da cultura reggae em Natal. O evento acontece nesta quinta (11), a partir das 18h, no Figa Bar e Cultura, em Ponta Negra. Criado como uma celebração de aniversário entre amigos, o Reggae Sua Alma cresceu ao longo dos anos e se consolidou como um encontro cultural que reúne artistas, músicos e admiradores do reggae em um ambiente de convivência, troca de experiências e valorização da produção musical independente. Ao longo de sua história, o festival recebeu importantes nomes da cena reggae potiguar, entre eles Hallison Rasta, Luanda Luz, Chico Tácio e os Carcará, Raízes de Concreto, além de diversos artistas que contribuíram para fortalecer e manter viva a cultura reggae no Rio Grande do Norte. A programação desta edição terá início às 18h, com a banda NaturalMente, que recebe como convidado especial Bruninho Pernambucano. O encontro promete apresentar ao público um repertório que passeia pelos clássicos do reggae e por influências da música brasileira, celebrando a diversidade sonora que caracteriza o gênero. Às 21h, sobe ao palco Allan Negão, músico reconhecido por sua presença marcante e pela conexão que estabelece com o público através de interpretações carregadas de identidade, sensibilidade e energia. Realizado no Figa Bar e Cultura, espaço que vem se consolidando como importante ponto de encontro da cultura independente em Ponta Negra, o XII Reggae Sua Alma reforça seucompromisso com a valorização dos artistas locais e com a criação de espaços de convivência e expressão cultural. Mais do que uma festa, o evento representa a continuidade de uma história construída coletivamente ao longo de mais de uma década, mantendo viva a essência do reggae como manifestação artística, cultural e humana. Serviço XII Reggae Sua Alma – 12ª Edição 📅 Data: 11 de junho de 2026 🕕 Horário: A partir das 18h 📍 Local: Figa Bar e Cultura – Ponta Negra, Natal/RN 💰 Couvert artístico: R$ 10,00 Programação 🎶 18h – NaturalMente convida Bruninho Pernambucano 🎶 21h – Allan Negão

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Produtora potiguar abre inscrição para projetos de longa-metragem do Rio Grande do Norte

Redação

A Casa da Praia Filmes realizará a quarta edição do Casa da Praia Lab, projeto de formação e desenvolvimento audiovisual que, neste ano, adota o subtítulo “Esquina Criativa”. A iniciativa promoverá um laboratório presencial de desenvolvimento de roteiros de longa-metragem voltado exclusivamente para autores e autoras do Rio Grande do Norte, além de oficinas gratuitas de escrita técnica de roteiro em diferentes regiões do estado e uma mostra de filmes originados em edições anteriores do projeto. As inscrições para o laboratório estarão abertas entre os dias 8 de junho e 3 de julho deste ano via edital. Serão selecionados 15 projetos norte-rio-grandenses de longa-metragem em fase de desenvolvimento, com foco em roteiristas interessados em amadurecer suas obras e aprofundar processos criativos, narrativos e estéticos. Inscreva-se aqui. O laboratório acontecerá presencialmente em Natal, entre os dias 3 e 7 de agosto, reunindo tutorias, atividades formativas, palestras e um pitching final voltado ao desenvolvimento dos projetos selecionados. Além da formação, cada roteirista selecionado receberá uma bolsa de estudos no valor de R$ 1.500, totalizando R$ 22.500 investidos diretamente nos participantes do laboratório. A proposta busca fortalecer a profissionalização do trabalho criativo no audiovisual e ampliar as possibilidades de circulação e financiamento de projetos potiguares. Segundo o cineasta Pedro Fiuza, o Casa da Praia Lab surge da percepção da ausência histórica de projetos do Rio Grande do Norte em laboratórios criativos nacionais e internacionais. “A iniciativa busca ampliar a presença do estado no panorama do cinema brasileiro contemporâneo, oferecendo formação qualificada e criando condições para o desenvolvimento de novas narrativas sobre o território potiguar e nordestino”, enfatizou Pedro, fundador da Casa da Praia Filmes.  Ao longo dos 15 anos de atuação na indústria cinematográfica, a Casa da Praia Filmes consolidou um histórico de circulação nacional e internacional com obras como Sideral, exibido no Festival de Cannes e selecionado para a shortlist do Oscar 2023; Big Bang, premiado no Festival de Locarno; além de Fendas e Vai Melhorar. O Casa da Praia Lab – Esquina Criativa é realizado por meio do Edital Transformando Energia em Cultura 2025-2026, com patrocínio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, via Programa Cultural Câmara Cascudo. O projeto conta ainda com apoio do IFRN, da ITCART – Incubadora Tecnológica de Cultura e Arte e do Centro de Tecnologia e Cultura Luzia Vieira de França. SOBRE O CASA DA PRAIA LAB – ESQUINA CRIATIVA  O projeto propõe um espaço de experimentação artística e política, incentivando obras que enfrentem estereótipos e proponham novos imaginários sobre o Nordeste no século XXI. O LAB reafirma o compromisso das...

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Governo do RN lança quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB RN)

Redação

Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade; as inscrições poderão ser feitas até o dia 29, por meio da plataforma Mais Cultura RN. O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e o Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, comunicam o lançamento do quarto bloco de editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Com foco na diversidade e pluralidade das ações, esta nova etapa reafirma o compromisso do Governo do Estado em descentralizar recursos, fortalecer a cena cultural potiguar e valorizar os artistas, fazedores de cultura e as diversas linguagens artísticas presentes em todas as regiões do Rio Grande do Norte. “O lançamento deste quarto bloco de editais é mais um passo fundamental na nossa missão de fortalecer a cultura potiguar. Queremos garantir que nossos fazedores de cultura tenham acesso a essas oportunidades, transformando o setor em um pilar de desenvolvimento econômico e social para o nosso estado”, destaca Mary Land Brito, titular da pasta da Cultura no Governo do RN. Com investimento de mais de R$ 2 milhões, este bloco irá contemplar 96 vagas no total, abrangendo quatro editais de Apoio à Diversidade: Cultura LGBTQIAPN+; Cultura Negra; Cultura Urbana e Periférica; e Mulheres na Cultura. As inscrições estão abertas de 9 a 29 de junho. “Este ano temos uma novidade que é o Edital de Mulheres na Cultura, uma demanda que surgiu das escutas públicas que realizamos antes da elaboração dos editais, o que nos permitiu aprimorar a distribuição dos recursos de forma mais eficiente e democrática. Lembramos também que todos os editais da PNAB RN possuem pontuação extra e cotas para grupos minorizados e elaboramos ainda cartilhas acessíveis para simplificar o entendimento das regras de cada edital”, enfatiza a coordenadora da PNAB RN, Bruna Medina. A Política Nacional Aldir Blanc tem como objetivo central estruturar o fomento à cultura de forma continuada, garantindo que o recurso chegue à ponta, incentivando a criação, a produção e a difusão de bens culturais. Este quarto bloco de editais se soma às ações anteriores já executadas, consolidando a implementação da política no território potiguar. O Governo do Estado convida artistas, coletivos, produtores e gestores culturais a acessarem o site oficial da Secretaria de Estado da Cultura (secult.rn.gov.br) para conferir os detalhes, critérios de elegibilidade e prazos de inscrição...

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BIBLIOBUNKER: Ilhas, labirintos: poemas escolhidos

Pablo Capistrano

Ilhas, Labirintos: poemas escolhidos Autor: Elí de Araujo Editora: Sol Negro Ano: 2022 Páginas: 125 O finado Harold Bloom, sujeito conhecido por algumas opiniões “polêmicas” e “canceláveis” (como a de que o Rei Lear de Shakespeare é literariamente superior à Cabana do pai Tomás de Harriet Beecher), afirmou certa vez que lia poesia como se estivesse fazendo uma oração. Isso, obviamente, não tem nada a ver com carolice pietista ou proselitismo religioso. Segundo Bloom, a boa poesia precisa ser decorada e introjetada na memória tal qual uma oração. Tenho certeza, amigo velho, que se o finado professor de Yale estivesse vivo (e soubesse ler português), certamente decoraria vorazmente muitas das poesias de Elí de Araujo, publicadas nesta coletânea, editada em 2022 pela Sol Negro. O volume traz uma amostra muito bem colhida das safras poéticas de Elí, desde o seu livro de 1982, Reminiscências do Tártaro até o Catábase de 2021. Uma coletânea essencial para os amantes da boa poesia que apresenta um registro fundamental de parte dos sete primeiros livros deste que, nascido e criado aqui pela Taba de Poty, sem nenhuma sombra de dúvida, é um dos melhores (senão o melhor) poeta de sua geração. Se você não acredita na opinião deste professor de província que vos fala, amigo velho, então peço que me conceda o benefício da dúvida e dê uma navegada pela costa acidentada dessas ilhas literárias, espalhadas por esse labirinto de alumbramentos poéticos. Tenho certeza que em algum momento você vai se achar obrigado a concordar comigo. Cada poema dessa coletânea é uma surpresa, um novo deleite, um desconcerto, um rasgão, uma fissura de liberdade criativa naquilo que o filósofo Martin Heidegger chama de “falatório” (essa espécie de rede de banalidades retóricas que a nossa linguagem ordinária constroi para nos aprisionar).   E por falar em oração, há, inclusive em seus poemas, inúmeras referências a textos bíblicos, como no “Salmo 23”, publicado em seu livro de 1991 (Deterioremus), uma perturbadora e inusitada interseção entre o “livro de Jó” (o mais desconcertante texto do cânone judaico) e os salmos atribuídos a David. Seguindo uma inversão irônica do lirismo mesopotâmico (com seus poemas de exaltação e louvor a divindades como Baal, Marduk, Yaweh ou Inanna), Elí brinca com o desespero de David, aproximando a sua súplica lamuriosa (sempre pendurada nas paredes das casas de alguns crentes mais devotos) da devastadora crueldade do deus que atormenta o pobre Jó:  “o Senhor é...

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Pedro Pereira - Foto - Fábio Cortez

Pedro Pereira revisita 45 anos de criação em exposição na Pinacoteca do Estado

Redação

Mostra reúne obras produzidas entre 1981 e 2026 e marca o retorno do artista às exposições individuais após mais de uma década Quatro décadas e meia de dedicação à arte, à poesia e à experimentação estética ganham forma na exposição “Unir Verso às Cores”, que será aberta ao público no próximo sábado (13), às 10h, na Pinacoteca do Estado, em Natal. A mostra celebra os 45 anos de trajetória do artista visual e poeta Pedro Pereira, reunindo 46 trabalhos que atravessam diferentes períodos de sua produção e revelam a pluralidade de uma obra construída entre imagens, palavras e afetos. Com curadoria de Pablo Pinheiro e produção de Alda Pereira, a exposição apresenta pinturas, colagens, fotografias, intervenções artísticas e poemas criados entre 1981 e 2026. O conjunto permite ao visitante acompanhar a evolução estética e conceitual de um artista que fez da liberdade criativa sua principal marca. Mais do que uma retrospectiva, “Unir Verso às Cores” propõe um mergulho no universo de Pedro Pereira. As obras dialogam com temas como memória, identidade, cotidiano, natureza e imaginação, revelando uma produção que transita com naturalidade entre as artes visuais e a literatura. O próprio título da exposição traduz essa característica. Inspirado em um poema do artista, sintetiza a relação entre escrita e pintura que acompanha sua criação desde os primeiros trabalhos. “Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar. Pinto e escrevo o que me faz sonhar”, resume Pedro Pereira. A mostra também marca o reencontro do artista com o circuito das exposições individuais. Sua última experiência solo aconteceu em 2013, com “O Jardineiro das Cores”. Agora, retorna à Pinacoteca com uma seleção que reúne obras históricas e produções recentes, compondo um percurso que evidencia permanências, transformações e novas descobertas criativas. Uma trajetória construída entre arte e cultura Natural de Passa e Fica, no Agreste potiguar, Pedro Pereira desenvolveu uma trajetória singular no cenário cultural do Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, atuou como poeta, artista visual, produtor cultural e incentivador de iniciativas voltadas à democratização do acesso à arte. Nos anos 1980, integrou a chamada Geração Alternativa, movimento ligado à poesia marginal que contribuiu para renovar a cena cultural de Natal. Também participou da banda Cabeças Errantes, experiência que ampliou seu diálogo com outras linguagens artísticas e fortaleceu uma produção marcada pela experimentação. Seu primeiro livro, Lutar pela Paz, foi publicado em 1981. Poucos anos depois, criou...

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A trilha, a bifurcação, as pegadas erradas e as vozes certas

Tatyanny Nascimento

Perder-me em uma trilha, no meio de um grupo, não foi somente errar um caminho: foi ser devolvida, ainda que por instantes, à verdade mais antiga da existência humana: a de que viver é caminhar entre bifurcações sem garantias. E que angústias tem poder pedagógico. O que se passou em um retorno de passeio à cachoeira não foi apenas um desencontro geográfico: foi a aparição de uma cena reflexiva, o momento em que o grupo se desfaz como proteção simbólica, o cansaço dissolve a prudência, e eu me vejo entregue à tarefa de distinguir entre rastro e rumo, entre saída e destino, entre movimento e direção. Na ida, ainda havia uma espécie de pacto silencioso sustentando a travessia. O corpo, não tendo sofrido o peso do trajeto, permitia à mente exercer aquilo que a civilização exige de nós: pausa, espera, consideração pelo outro, capacidade de reter o impulso em favor do laço. Diante de cada bifurcação, quando se sabia o caminho, alguém esperava, olhava para trás, cuidava para que o restante acompanhasse. A trilha era, então, uma comunidade. Havia nela um tecido de atenção recíproca e o cansaço ainda não havia corroído a delicada camada ética que nos faz lembrar que ninguém caminha sozinho, mesmo quando cada um usa as próprias pernas. E ainda que estivessem presentes dois guias (altamente responsáveis), um estava na frente, outro atrás, mas ao meio haviam bifurcações. E o grupo não tinha o mesmo ritmo em um longo trajeto cheio de curvas. Mas a volta introduziu outra verdade, menos nobre e mais funda: quando o corpo se esgota, a consciência se estreita. Já havíamos tomado banho de cachoeira, estávamos cansados de toda a caminhada, e o desejo de chegar logo em casa passou a comandar os passos. Aquilo que antes era grupo se tornou fluxo. O que era convivência se tornou pressa. E justamente nesse ponto, uma bifurcação deixou de ser apenas uma escolha espacial para se converter num teste moral: quem vê o desvio e segue mesmo assim, sem pensar nos que podem ficar para trás, revela algo da condição humana quando a energia simbólica se rompe. Não se trata necessariamente de maldade: trata-se de um empobrecimento da presença. Cansados, diminuímos. Recolhemos nossas fronteiras, contraímos nossa generosidade, protegemos nosso próprio retorno como se toda alteridade fosse peso extra.   Foi nesse rasgo da trama coletiva que eu me perdi com minha mãe. E o...

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Edgar Morin e a arte de pensar um mundo complexo

Isabel Carvalho

Sexta-feira, 29 de maio de 2026. O mundo se despediu de um dos maiores pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, Edgar Morin deixou uma obra que atravessou fronteiras disciplinares, influenciou pesquisadores, professores, jornalistas, cientistas sociais e todos aqueles que se dedicam a compreender a complexidade da vida humana. Sua morte encerra uma trajetória intelectual extraordinária, mas também oferece uma oportunidade para revisitar suas ideias e refletir sobre sua atualidade. Em um mundo marcado pela velocidade da informação, pela polarização política, pelas transformações tecnológicas e pelas crises ambientais, o pensamento de Morin parece mais necessário do que nunca. Suas ideias continuam pulsantes para quem deseja compreender a sociedade contemporânea. Nascido em Paris, em 1921, Morin viveu acontecimentos importantes da história recente. Testemunhou guerras, crises econômicas, revoluções culturais, o surgimento da internet e as profundas mudanças que transformaram a vida humana ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI. Ao contrário de alguns intelectuais que escolheram uma única área de atuação, Morin construiu uma obra que dialoga com diferentes campos do conhecimento. Filosofia, sociologia, antropologia, biologia, educação, comunicação e política aparecem constantemente em seus estudos. Essa característica não era um acaso. Para ele, os grandes problemas da humanidade não cabem dentro das fronteiras rígidas das disciplinas acadêmicas. Compreender a realidade exige conectar saberes e reconhecer que tudo está relacionado. Foi dessa percepção que surgiu sua principal contribuição: o pensamento complexo. Ao ouvir a palavra “complexidade”, muitas pessoas imaginam algo complicado ou difícil de entender. Morin utilizava o termo em outro sentido. A palavra complexidade deriva do latim complexus, que significa “aquilo que é tecido junto”. Em outras palavras, a realidade é formada por uma rede de relações, conexões e influências mútuas. Para Morin, um dos maiores problemas do pensamento moderno foi acreditar que seria possível compreender o mundo dividindo ele em partes cada vez menores. Embora essa abordagem tenha proporcionado avanços significativos para a ciência, também contribuiu para a fragmentação do conhecimento. Aprendemos a estudar a economia separada da cultura, a política distante das emoções, a tecnologia isolada da sociedade. O resultado é que muitas vezes compreendemos os detalhes, mas perdemos a visão do conjunto. O pensamento complexo propõe justamente o contrário: observar simultaneamente as partes e o todo. Entre suas muitas obras, trago O Método 3: O Conhecimento do Conhecimento, publicado originalmente em 1986 e posteriormente lançado em português pelas editoras Publicações Europa-América (1996) e Sulina...

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25/07/2025|

No próximo dia 2 de agosto (sábado), o artista plástico e produtor José Eduardo Alexandre, o Dunga, lança o livro “Acontecências e tipos da Confeitaria Delícia”. Será na Praça Padre João Maia (Centro Histórico), a partir das 10h, dentro do projeto Choro do Caçuá. Ainda tenho alguns livros de Dunga e sua escrita memorialística é deliciosa. O livro promete ótimos regastes históricos.

Tereza Custódio lança contos e participa de debate na Festa Literária de Paraty (RJ)

24/07/2025|

A escritora Tereza Custódio, cearense/potiguar, se fará presente na 23ª Festa Literária Internacional de Paraty no Rio de Janeiro (FLIP) entre 30 de julho e 3 de agosto de 2025.  Esse importante evento literário reúne autores renomados nacionais e internacionais, leitores, amantes da literatura para debates, mesas de discussão, lançamentos de livros e outras atividades culturais. Dentre 948 textos inscritos, seu conto “Águas profundas” foi finalista com destaque pela renomada editora Selo Off Flip para compor a antologia NÓS 3 – textos de autoria feminina. O lançamento ocorrerá dia 2 de agosto, sábado, às 20h30, na Casa Escreva Garota, travessa Gravatá, 56 (Centro Histórico). Um outro conto “A ruptura” também foi selecionado pelo Selo Off Flip na antologia 50 + Tempo de escrever. Vale ressaltar que em 2023, seu poema “Ostra ferida” foi finalista com destaque pelo Selo Off Flip. Na FLIP, Tereza Custódio participará de um debate mediado pela escritora dra. Conceição Guimarães sobre o romance “O baú de Filomena”, editora CJA, juntamente com a contista Leila Tabosa com o livro “Ela nasceu Lilás”, Podes Editora. O evento ocorrerá na Casa Acaso, rua dr. Pereira – 164, (Centro de Paraty), com data a definir pelo jornalista e pesquisador Octávio...

Tem blues e outras intenções nesta sexta no Bardallos

24/07/2025|

O Bardallos Comida & Arte , tradicional espaço cultural da Cidade Alta, apresenta nesta sexta-feira, 25, o projeto musical Blues & Outras Intenções , que faz sua estreia na casa, a partir das 21h, com seu repertório de standards de blues e outros ritmos, em interpretações inusitadas e pegada blues rock. O trio é formado por Isaac Ribeiro (voz e percussão), Gustavo Lamartine (guitarra e vocal) e Jordan Santiago (baixo). O Bardallos fica na rua Gonçalves Lêdo, 678, Centro. A entrada é R$ 15. O projeto musical Blues & Outras Intenções foi formado em 2016, inicialmente com Gustavo Lamartine (guitarra/violão) e Isaac Ribeiro (voz e percussão), integrantes da banda Sangueblues , que decidiram formar uma dupla para tocar blues nos bares de Natal e outras canções de artistas que admiram – vem daí a inspiração para o nome do projeto. E assim foi por alguns anos, com essa formação e várias apresentações na noite natalense. Até que o baixista Jordan Santiago foi convidado para entrar no grupo, reforçando a parte musical e harmônica com os graves do seu contrabaixo. Com Gustavo precisando cumprir as agendas do DuSouto, banda da qual também faz parte, o guitarrista Adriano Azambuja foi convocado para se juntar ao grupo, alternando-se com Gustavo nas...

cine verde

24/07/2025|

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) selecionou 43 vídeos e 615 espaços exibidos para a 14ª edição do Circuito Tela Verde (CTV). Os espaços abertos contemplam instituições de todas as regiões do país e quatro estrangeiras, localizadas no Canadá, Estados Unidos e Moçambique. No Rio Grande do Norte, foram escolhidos doze espaços, entre eles a Associação Casa Formosa, com sede em Baía Formosa. A mostra vai integrar a programação 2025/2026 do projeto Cineclube Casa Formosa. O objetivo é divulgar e estimular atividades de Educação Ambiental, por meio da linguagem audiovisual, e assim fomentar a construção de valores culturais comprometidos com a sustentabilidade. Os vídeos abordam temas relacionados a povos e comunidades tradicionais, educação ambiental, biodiversidade, desenvolvimento rural sustentável, meio ambiente, direitos humanos e racismo ambiental, entre outros. Para a seleção, foram considerados critérios que incluíram a conformidade com a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), o alinhamento com as demais políticas de meio ambiente e a qualidade técnica de som e imagem. Além disso, em parceria com a Ecofalante, foram incorporados a essa edição cinco vídeos da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental. Para a 14ª edição, foram selecionados 43 vídeos, distribuídos nas seguintes categorias: Biodiversidade (4...

6 lançamentos de games para conhecer em 2025

24/07/2025|

Confira os títulos mais aguardados do ano, incluindo Death Stranding 2, Mario Kart World, Clair Obscur, Avowed, Split Fiction e Donkey Kong Bananza O ano de 2025 promete ser um marco para a indústria dos games, trazendo lançamentos que se destacam pela inovação gráfica, pela diversidade de gêneros e por propostas que equilibram narrativa e jogabilidade. Títulos de aventura, RPG e multiplayer devem atrair tanto jogadores casuais quanto os mais dedicados. A maioria dos jogos estará disponível para diferentes plataformas, como Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PCs de alto desempenho. Muitos desses títulos também mantêm compatibilidade com acessórios já conhecidos dos gamers, como o controle para Xbox One, o que amplia as possibilidades de quem já possui modelos anteriores sem comprometer a experiência. Death Stranding 2 (26 de junho) O universo criado por Hideo Kojima retorna com “Death Stranding 2”, trazendo a continuação da saga de Sam Porter Bridges. A proposta narrativa do jogo envolve a exploração de um mundo pós-apocalíptico, onde a missão de Sam é reconectar a humanidade.  A atmosfera futurista é acompanhada por gráficos realistas, com destaque para as expressões faciais dos personagens, que prometem uma imersão sem precedentes. Além disso, a expectativa em torno da...

7º Festival Faz Mais Elino promove shows gratuitos, quadrilhas e premiações nesta sexta

23/07/2025|

A Praça Cívica, em Petrópolis, será tomada pelo espírito das festas juninas nesta sexta-feira, das 18h às 23h, com mais uma edição do Festival Faz Mais Elino. Shows, quadrilhas, premiações e manifestações da cultura popular prometem transformar o espaço em um grande reduto da cultura nordestina. O evento, gratuito e aberto ao público, é realizado com apoio do Edital de Economia Criativa 2025 do Sebrae RN, da Prefeitura do Natal e da FUNCARTE, por meio do Edital dos Arraiás de Rua. Em sua 7ª edição, o festival reafirma seu compromisso com a memória, a diversidade e o fortalecimento da cultura local. UM TRIBUTO A ELINO JULIÃO Natural de Timbaúba dos Batistas (RN), Elino Julião é um ícone da música nordestina e do forró potiguar. Autor de clássicos como Na Sombra do Juazeiro, Rabo do Jumento e Forró da Coréia, foi discípulo de Luiz Gonzaga, mas construiu uma trajetória própria, marcada pela irreverência, crítica social e poesia popular. O “Faz Mais Elino” é mais do que uma homenagem: é uma celebração viva de sua obra e da cultura que ele ajudou a eternizar. O PALCO É DA CULTURA POTIGUAR O festival ocupará a Praça Cívica — um dos espaços públicos mais simbólicos de Natal — com atrações para todas as idades, estrutura...

Festival Forrozar confirma Batista Lima, Eliane, Cavalo de Pau e Forró dos 3 no Arena das Dunas

23/07/2025|

O forró, um dos gêneros musicais mais emblemáticos do Brasil, terá uma noite dedicada exclusivamente à sua celebração em Natal. No dia 06 de setembro, a Arena das Dunas se transforma no epicentro da cultura nordestina com o Festival Forrozar, que promete mais de 10 horas de programação com shows de grandes nomes nacionais e potiguares, além de experiências imersivas que contam a história e a essência do forró. Entre as atrações já confirmadas estão Batista Lima, um dos maiores intérpretes do forró romântico; Eliane, a consagrada “Rainha do Forró”, com 42 anos de carreira e uma trajetória marcada por sucessos como Brilho da Lua, Valeu e Amor ou Paixão; a banda Cavalo de Pau, ícone do forró tradicional; além do grupo Forró dos 3 e da cantora Gió, que trazem o talento potiguar para o palco do festival. O Festival Forrozar vai além da música ao vivo. Inspirado no conceito de “forrobodó” — termo que deu origem ao nome forró, segundo o folclorista Luís da Câmara Cascudo — o evento vai contar com uma exposição interativa que narra a trajetória do gênero, desde as suas raízes, com mestres como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, até os artistas que hoje levam o forró aos grandes palcos do Brasil e do...

23/07/2025|

O calvo escriba Carlos Fialho foi escalado para participar da 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Ele que celebrou no último sábado os 20 anos do selo Escribas Editora. Além dele, a pesquisadora em cultura indígena e poeta Eva Potiguara também estará por lá, ao lado de autores como Gregório Duvivier, Alice Ruiz e outros. A Flip ocorre entre 30 de julho e 3 de agosto.

23/07/2025|

O grupo potiguar Movidos Dança desembarca em São Paulo para nova jornada artística com apresentações do espetáculo “Nuvem de Pássaros” e oficinas formativas gratuitas. A circulação acontece entre os dias 8 e 22 de agosto, em Osasco, Araraquara, São Paulo e Taubaté, com sessões acessíveis e externas também para estudantes da rede pública de ensino. A turnê celebra a diversidade nos palcos ao reunir bailarinos com e sem deficiência em cena. A circulação encerra com participação do grupo na Mostra Internacional de Dança de São Paulo (MID-SP), no Itaú Cultural.

Caio e Almir Padilha _Brunno Martins

22/07/2025|

Filho do compositor Almir Padilha, o multiartista Caio Padilha convida artistas potiguares de várias vertentes musicais para a realização de um grande tributo ao seu pai, falecido em maio de 2025. O show de homenagem ao autor de “Saudade d’ocê” e outras canções que falam de amor, de revoadas, de natureza e de tradições nordestinas, será realizado nesta quarta-feira (23), às 19h, no Teatro Alberto Maranhão, situado no bairro da Ribeira, em Natal (RN). A entrada é gratuita e o acesso é livre. A capacidade do teatro é de 600 lugares. O evento tem apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e da Fundação José Augusto (FJA), que gerencia o Teatro Alberto Maranhão. Ator, compositor e instrumentista, o artista Caio Padilha dividirá o palco com seis intérpretes: Carlos Zens, César Holanda, Cida Lobo, Deusa do Forró, acompanhados do sanfoneiro Reniê Apriggio, e ainda Galvão Filho e Ismael Dumang. O tributo será acompanhado por uma banda/base formada por Diego Francisco (diretor musical, violão e guitarra), Erick Firmino (baixo), Ricardo Baya (violão e guitarra) e Sílvio Franco (bateria). “Está sendo uma grande emoção revisitar essa trajetória de alguém como Almir Padilha,...

22/07/2025|

Ozzy é chamado de Príncipe das Trevas. Acho um codinome tão piegas… Bem calharia o príncipe do heavy metal, como existe o Rei do Rock. Afinal, foi Ozzy ou não o criado do gênero mais sujo do rock? Há quem diga que o marco zero foi o primeiro disco do Black Sabbath, homônimo, lançado em fevereiro de 1970. Mas em 1968 havia um Helter Skelter dos Beatles no White Album… Enfim, Ozzy parece ter combinado com Deus a sua morte após uma surreal despedida. E deixa um legado para gerações futuras. São 446 obras musicais e 665 gravações cadastradas na gestão coletiva da música no Brasil. Entre suas criações, a canção “Paranoid” se destaca como a mais realizada e regravada de sua autoria no Brasil.

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