Encerramento do MADA teve de carnaval futurista a rock dançante

Após uma maratona de 26 shows, em duas noites e divididos em três palcos na Arena das Dunas, a edição de 20 anos do MADA terminou como toda grande festa: com baile indie e carnaval. No palco, uma diversidade de artistas e grandes performances, como o impecável rock dançante dos escoceses Franz Ferdinand, a guitarra baiana futurista do Baiana System, a poesia rimada e cheia de grooves de Rincon Sapiência, a ousadia e latinidade de Francisco, El Hombre, a baianidade empoderada de Larissa Luz, além de novos e impressionantes artistas da terra com seus trabalhos inéditos nos festivais.

A edição de aniversário do mais antigo festival de música do Rio Grande do Norte ofereceu uma seleção ancorada na diversidade cultural de seus artistas, reafirmando a vocação do festival em realizar shows impactantes. Nomes nacionais e internacionais mostraram seus trabalhos inéditos para o público potiguar e visitantes de várias cidades do Nordeste e demais regiões.

O festival contou com uma produção caprichada, sem atrasos ou falhas de estrutura. A dinâmica dos palcos lado a lado manteve a maratona sonora sem interrupções. O terceiro palco foi a grande novidade deste ano. Localizado ao lado de uma feira mix de moda, música e arte, O Palco Mada Arena pavimentou um novo espaço para dançar, relaxar ou comer na praça de alimentação. Outra novidade é que o público também pode circular em outras áreas além do gramado. A área do backstage, arquibancadas, lounge e setor de camarins foram abertas. O festival teve um público estimado em 15 mil pessoas nas duas noites.

NOITE DE SÁBADO

A noite do sábado teve início com Oto Gris, o trio do Ceará que inseriu poesia e densidade ao rock em músicas como “Práticas de Mergulho-Vôo”, “Desatar” e “Brilhos Negros”. Com uma intensidade tão profunda, os meninos deixaram o público com a vontade de conhecer ainda mais o som da banda. Em seguida, foi a vez de Ângela Castro com as músicas autorais do seu disco solo Buena Onda. O ritmo próprio da MPB, rock sentetista e eletrônico, junto a uma regionalidade de suas influências, foram marcantes em música como “Confeito da Saudade” e “Terra Pura”.

O reggae potiguar da banda Alphorria veio depois. A experiência dos músicos, que têm mais de 20 anos de carreira, tornou fácil o envolvimento da plateia. O grupo Time de Patrão foi convidado ao palco para uma participação animada. E também de terras potiguares, a banda Luísa e os Alquimistas, que há algumas semanas foi selecionada para o edital Natura Musical, mostrou a mistura de ritmos da América Latina e da Jamaica, com um pouco de tecnobrega. “Brechó”, “Vekanandra” e o cover de “Jogo do Amor”, do MC Bruninho, deram o tom do repertório.

Na sequência, veio o show cheio de coreografias e significados da baiana Larissa Luz, ex-AraKetu. A música da cantora, no entanto, não pode ser definida como pagode ou axé, mas um conjunto de sonoridades afro baianas e ritmos eletrônicos com letras de crítica social e celebração da mulher negra. Larissa gritou a letra de “Descolonizada” e todas as mulheres do MADA repetiram “eu não nasci pra ser adestrada”. Destaque da noite foi quando a baiana convocou a cantora natalense Khrystal, com quem divide o palco no elogiado musical sobre Elza Soares. As duas cantaram “Território Conquistado”.

Pela primeira vez em Natal, o rapper paulista Rincon Sapiência mostrou que é mesmo um “MC acima da média” e começou o vibrante e acelerado show cheio de grooves e mensagens em “Ostentação à Pobreza”. Mas foi pouco tempo depois que veio a surpresa mais inusitada da noite. Os integrantes da banda Francisco, El Hombre entraram no palco completamente pelados ao som de “Calor da Rua”. Já vestidos, cantaram “Como Uma Flor”, “Triste, Louca ou Má” e “Tá com Dólar, Tá com Deus”, entre outras.

FRANZ FERDINAND

A ansiedade finalmente acabou para boa parte da plateia que foi ao MADA com ouvidos apurados, faixas e bandeiras para ver uma das mais queridas bandas da cena britânica. A banda escocesa Franz Ferdinand subiu ao palco do MADA sob gritos da plateia, e o vocalista Alex Kapranos mandou vários sucessos, como “Lazy Boy”, “Do You Want To”, “No You Girls Never Know”, “Walk Away” e “Take Me Out”. Por várias vezes, Alex arranhou no português e agradeceu bastante ao público da cidade. Destaque também para “Always Ascending”, música título do mais recente álbum do grupo.

Para encerrar com maestria a comemoração dos 20 anos do festival, Baiana System retornou ao palco do festival para novamente encerrar a programação e não deu descanso aos que esperaram até às 3h. A fusão do sound system jamaicano com a guitarra baiana fortalece cada vez mais a sonoridade incomparável do grupo. “Eu não consigo descrever qual elemento fascina mais no som da banda”, tentou explicar a estudante Kadhidja Nhara. O memorável show terminou com a plateia cantando “Playsom” em coro.

PALCO MADA ARENA

No novo Palco 3 do MADA, localizado no primeiro andar da Arena das Dunas (Podium) o publicou chegou bem cedo para ver a MPB ensolarada de Ciro e A Cidade, banda que já tem uma boa parcela de fãs. Na mesma pegada, Ardu veio embalado pela sua chilliwave tropical , um jeito muito próprio de misturar sonoridades eletrônicas, rock tropical e letras que falam da vida praiana natalense. Com a área do podium bastante lotada, entra em cena Potyguara Bardo, botando o tempero que faltava com repertório do seu novo disco ‘Simulacre’.

A edição 2018 do MADA conto com patrocínios do TNT Energy Drink, Itaipava, Coca-Cola, Café Santa Clara, Comjol e Governo do Estado através da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura. Apoio Prefeitura de Natal, Rede InterTv Cabugi, Sunline Turismo, De passaporte.com, Ballantines e FBA – Festivais Brasileiros Associados e Player Oficial Spotify. Promoção Jovem Pan Natal e realização MADA.


FOTO: Rogério Vital

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