#CaminhosdeNatal: A histórica Tavares de Lira guarda história até de tiroteio no carnaval

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A Avenida Tavares de Lira constitui-se uma das principais vias de acesso da Ribeira. Ela corta o bairro no sentido Leste-Oeste, compreendendo o trecho entre o rio Potengi e a avenida Deodoro, fazendo a ligação da Ribeira com o bairro de Petrópolis.

Um mapa de Natal, datada de 1864, ainda não apresentava a avenida Tavares de Lira, que somente foi concluída em 1919, no governo de Ferreira Chaves.

O quarteirão que separa a avenida Tavares de Lira da travessa Venezuela, foi reduzido à metade, sendo cortado no sentido diagonal, visando à abertura da avenida.

Nas proximidades do atual Cais Tavares de Lira existia outro quarteirão, que foi suprimido para facilitar a ligação daquele logradouro público com o rio Potengi.

O quarteirão que obstruía a Tavares de Lira ligava-se à rua Chile, em ambos os lados. À sua frente existia um largo, denominado Praça da República.

O “Hotel Internacional” foi implantado na avenida Tavares de Lira, esquina com a rua Chile. O sobrado, já suprimido da paisagem urbana da Ribeira, fora construído com partido de planta retangular, desenvolvido em dois pavimentos, apresentando ainda um sótão. Possuía cobertura de quatro águas e esquadrias do tipo guilhotina com caixilhos de vidro, assentadas em vãos de arcos batidos.

Na esquina com a rua Frei Miguelinho existiu uma casa que serviu de residência ao padre Constâncio. Posteriormente foi construído no local, o prédio onde funcionaram as oficinas do Jornal ‘’A República”. Em seu lugar, existem atualmente três prédios.

Na outra esquina com a Frei Miguelinho, existia a “Mercearia Paulista”. No lado oposto ao prédio das oficinas do jornal, na esquina da Tavares de Lira com a Dr. Barata, havia um prédio, onde em 1911 instalou-se a Seção Bondes da Companhia Melhoramentos de Natal, a empresa encarregada dos bondes elétricos que serviam à Cidade. Era um belo sobrado de planta retangular, com cobertura de quatro águas arrematada por platibanda, e um elegante frontão central.

Na esquina com a atual Duque de Caxias existia o sobrado da “Casa Paulista”. No mesmo prédio, hoje totalmente descaracterizado, funcionou o escritório da Construtora A. Azevedo, e posteriormente, o BANDERN Crédito Imobiliário.

Do outro lado, na mesma avenida permanece ainda o prédio inaugurado em 1939, a primeira sede própria do Banco de Natal, posteriormente o BANDERN. O projeto de construção do Banco foi confiado ao prefeito da Capital, o engenheiro Gentil Ferreira de Souza. À época da sua construção, constituía-se uma das mais belas e sólidas edificações de Natal. Apresentava partido de planta retangular desenvolvido em três pavimentos, com cobertura arrematada por platibanda com balaústres. A única modificação verificada naquele prédio, foi a retirada de um belo frontão curvilíneo que valorizava sobremaneira o seu pórtico de entrada.

O Banco foi extinto e, posteriormente, o prédio foi reinaugurado como Central do Cidadão. Atualmente, este prédio encontra-se desocupado.

A concentração do corso na avenida Tavares de Lira, consolidou o carnaval na Ribeira. Ali eram travadas as famosas batalhas de confete, que animavam os festejos momescos e coloriam todo o logradouro.

Em 1934, o carnaval acabou logo na 2ª feira. Uma rixa entre soldados do Exército e da Força Policial, terminou em violento tiroteio, iniciado às 9:00 horas da noite, quando a animação atingia o ponto alto na avenida. Em poucos minutos, a Tavares de Lira estava deserta, com cinco mortos e vários feridos, restando apenas o colorido dos confetes e serpentinas, espalhados pelo chão.


ILUSTRAÇÃO: Eunádia Silva Cavalcante

Jeanne Nesi

Jeanne Nesi

Superintendente do IPHAN-RN, Sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do RN, e Sócia correspondente do Instituto Histórico Geográfico e Arqueológico de PE. Fundou a Folha da Memória, com periodicidade mensal. Publicou cinco livros, sendo dois como co-autora. Publicou folhetos, folders e cordéis e mais de 300 artigos sobre o assunto em uma coluna semanal no jornal Poti, na Folha da Memória e em revistas do IHGRN.
Atualmente aposentada, mas sempre em defesa do patrimônio histórico.

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