Seridó deusa dessa guirlanda inquebrantável

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por Carlos Gurgel

o ouro que está nos olhos na pálpebra por onde os pés tocam o camarim das suas infindáveis riquezas dessa língua esfomeada de talento e luz, sempre nos iluminando voltando pra casa. suas grutas por onde a cor do seu universo fazia juras de um espetáculo que beijasse e beirasse o sonho mestre do seu talento incomparável, baile de um baita baú.

tocá-la ao vê-la em cena com as palavras estendidas como um varal que só na voz dela era assim. períplo, cortejo de cactus, cajus, um bando de roupa carregado de mapas, montanhas, marés. tudo se assenhoreando do raro salto incomum de Medeiros Titina.

era sempre uma erupção dessa paixão de uma artista, nossa mais visceral estrela, espalhando todo seu indescritível rito por sobre o chão das cadeiras escolhidas para que cada público pudesse vê-la inteirica. essa volúpia dessa beleza estonteante, tonitroante entre todos os tablados, barros, marcações como o pulsar da sua completa dança cênica.

assisti-la, era assim, como estalagem dos milagres, segredos, transmutável suor como holofotes gigantes da sua tela repleta de faces, silêncios, arrebatamento, tudo de uma pólvora incandescente fruindo, como a criação de Titina se tecia como se fosse um almanaque para a vida toda de triunfos, como enormes oferendas do seu coração por onde os espaços que ela tocava, fundaria a partir daí, a emoção de um mundo filho da liberdade como imã de tudo que alcança, reescreve e inunda.

pois que assim foi e é nesse seu gigante largo lago das sutilezas por onde a luminosidade da sua incalculável grandeza, nos benzia. acolhendo o fruto das simetrias que só uma atriz de uma dimensão incomum, pudesse ser eternizada.

muita dor nessa sua partida; mas intenso orgulho infindo de pudermos testemunhar entre tantos atos e palcos sua presença única. fazedora do que a vida tem de mais grandioso: o implacável perfume da sua pirâmide dos episódios largos, intermináveis. tão da sua largura. benção, prece da sua interpretação completamente inebriante. esse seu chão celebrado, sagrado como açude que invade todo nosso bem querer, vazão. 

Redação

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