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Única publicação cultural regular no RN celebra 60 edições nesta segunda

Thiago Gonzaga28 de setembro de 2019Literatura, Image

A Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras comemora 68 anos de existência neste ano de 2019, e uma fase de seis anos de atividades ininterruptas, chegando a sua 60ª edição. Fato inédito, suponhamos, em se tratando de periódico literário/cultural aqui no Estado. E nesta segunda-feira (30), às 17h, será lançada a 60ª edição da Revista, na ANL e com livre acesso ao público.

Esta nova edição traz homenagens ao escritor Lenine Pinto, com textos de Vicente Serejo, Jurandyr Navarro e o jornalista Sérgio Vilar. Celebra os 60 anos da UFRN, com textos de Geraldo Queiroz, Humberto Hermenegildo de Araujo e Daladier Pessoa Cunha Lima. Traz também em sua capa homenagem ao artista plástico norte-riograndense Jussiê Magalhães. Além de artigos, contos, crônicas e poemas.

DA PRIMEIRA EDIÇÃO À REGULARIDADE DAS PUBLICAÇÕES

Essa nova etapa de edições começou mais precisamente em agosto de 2013, quando a convite do presidente da ANRL, Diogenes da Cunha Lima e do diretor da Revista, Manoel Onofre Junior, passamos a colaborar como editor, dando início à publicação trimestral do periódico, que passou a circular regularmente de janeiro de 2014 até os dias atuais.

A primeira edição da Revista da ANRL foi publicada em 1951, e teve como primeiro diretor o escritor Nestor Lima. Com o passar dos anos outros diretores foram assumindo – Luís da Câmara Cascudo, Aderbal de França, João Wilson Mendes Melo – todavia o periódico sempre com tiragens irregulares, devido as dificuldades que todos nós conhecemos em publicar livros no Estado.

Às vezes, passavam-se anos sem sair uma edição sequer, e como bem falamos, a partir da edição janeiro/março de 2014, a revista renasceu com tiragens regulares, trimestralmente, superando qualquer outro periódico cultural do Estado ao longo dos anos.

revista da ANL

 

Vale reforçar que, no momento, não existem, pelo menos de forma oficial, outros periódicos culturais em circulação no Estado; isso só reforça a importância da Revista da ANRL para a nossa cultura literária, sobretudo registrando uma época muito fértil das nossas letras, com vários escritores publicando nos quatro cantos do Rio Grande do Norte, além de haver forte crescimento na área de estudos e pesquisas sobre a literatura do RN no âmbito das universidades.

LITERATURA E ARTES VISUAIS

Comemorando sua fase mais prolífica e regular, a diretoria da revista, em face desse tão simbólico acontecimento resolveu publicar em suas capas, quadros dos principais artistas plásticos do Estado. A estreia se deu com a edição de número 55, abril/junho, de 2018, com capa de Dorian Gray Caldas.

ABERTURA À COLABORADORES

Uma das principais características da nova etapa da revista é a abertura para a comunidade literária, abrindo e ao mesmo tempo unindo a Academia com a intelectualidade potiguar, abertura esta praticamente inédita, e também cedendo espaços para publicação de trabalhos de pesquisadores, estudantes e professores, da UFRN, UERN, IFRN, UNP, fazendo inclusive com que a revista conseguisse obter o seu primeiro “Qualis” (sistema brasileiro de avaliação de periódicos), o primeiro do Estado para um periódico desse segmento.

PARCERIA PARA RETOMADA

No início de 2014, na edição que marcou a retomada da revista, que estava sem circular desde 2011, fizemos uma parceria com a CJA Edições e a Offset Gráfica, comandada por Ivan Júnior, para tomarem conta da diagramação e impressão da revista, e tivemos a capa criada pelo editor Cleudivan Janio, através de um esboço feito, anos antes, por Nei Leandro de Castro.

Como manchete, na capa, um artigo de Diogenes da Cunha Lima sobre Câmara Cascudo, e uma homenagem ao escritor recém-falecido Pedro Vicente. Essa capa trazia o selo que foi lançado pelos Correios em 1998 em memória de Câmara Cascudo.

A edição seguinte, nº 39, trazia artigo da recém-eleita acadêmica Leide Câmara, em comemoração aos 91 anos da “Serenata do Pescador”, do poeta Othoniel Menezes, e dois textos inéditos de Câmara Cascudo, entre outros.

Homenagens a Cascudo não faltaram nas edições seguintes, além, claro, de uma especialmente dedicada a sua filha, escritora e acadêmica Anna Maria Cascudo Barreto, que até pouco antes de falecer participava ativamente com diversos textos no periódico.

NOVA PROPOSTA EDITORIAL

A partir da edição nº 43, a revista ganha nova proposta editorial, com a designer Diolene Machado dando-lhe outra roupagem, inclusive nova capa, inspirada na pop art. Com a ativa participação de acadêmicos e da comunidade literária, a revista foi ficando mais volumosa e ascendendo em conteúdo; afora textos literários, temas de história e cultura, pesquisas e estudos diversos ganhavam cada vez mais espaço.

Vale ainda dizer que, nos bastidores, trabalhávamos com afinco na distribuição da revista, para que ela chegasse ao maior número de leitores possível. Devemos frisar que ela é gratuita, e pode ser retirada na Instituição diariamente por qualquer interessado.

Destacamos também a edição 44 onde foi feita grande homenagem ao recém-falecido acadêmico Ticiano Duarte e que trazia um conto praticamente desconhecido de Câmara Cascudo, publicado em 1928 na revista Feira Literária.

VOZ E VEZ DAS MULHERES

Nas edições seguintes, as mulheres acadêmicas, sempre atuantes na revista, também mostraram voz e vez, por exemplo, a escritora e poeta Diva Cunha, com a homenagem às mulheres de letras, Zila Mamede e Nisia Floresta, dentre outros temas e assuntos, além da abertura de espaço para escritoras representativas da nossa literatura contemporânea, como Clotilde Tavares, Carmen Vasconcelos, Cellina Muniz, Marize Castro…

Nessas edições a Revista demonstrou que está atenta ao que acontece na comunidade literária. E também acolheu, em suas páginas, alguns dos principais nomes da nossa literatura atual como Osair Vasconcelos, Racine Santos, Aldo Lopes de Araújo, Francisco Sobreira, Demétrio Diniz, Tarcísio Gurgel, e escritores de outros estados, como Sânzio de Azevedo, Marco Luchesi, Enéas Athanázio e Hildeberto Barbosa Filho.

NOVO PATROCÍNIO

A partir da edição 47, nova capa, sempre com mais literatura, poesia, ensaios, contos e crônicas. Na edição nº 48 homenageou-se o escritor Hélio Galvão, sendo esta uma das edições que se esgotaram mais rapidamente, quase que no dia do lançamento, realizado na Academia. Essa edição também iria marcar uma série de quatro edições equivalentes a um ano de tiragem sob patrocínio da lei municipal Djalma Maranhão, com apoio da Casa de Saúde São Lucas e Fundação Capitania das Artes, presidida pelo poeta Dácio Galvão.

Em novembro de 2016, a Academia Norte-rio-grandense de Letras completou 80 anos, e a revista trouxe vários textos de acadêmicos celebrando a data, além de textos outros com documentos da vanguarda natalense sobre os 50 anos do poema processo. Nota-se também que já era visível no periódico a participação esporádica dos poetas dessa geração como Jarbas Martins, Anchieta Fernandes e Falves Silva, o primeiro, eleito para a cadeira nº 20 da Academia.

Mantendo uma nova tradição de mudar as capas anualmente, a edição número 50 trouxe dezenas de textos, em homenagem a Dorian Gray Caldas, que era, então, um dos nossos maiores artistas vivos, e trouxe também uma entrevista que ele nos concedeu, meses antes de falecer. Outras homenagens foram prestadas a acadêmicos do passado e do presente, como, por exemplo, Nestor Lima, Paulo Bezerra, Sanderson Negreiros, Dom Nivaldo Monte, afora dezenas de discursos de saudação e posse, numa fase em que foram eleitos para ANRL importantes intelectuais potiguares.

NOVA FASE

Nessa nova fase, com as mudanças, já foram capa da revista, artistas como o já citado Dorian Gray Caldas, Newton Navarro, Iaperi Araújo, Leopoldo Nelson, e como uma amostra da nova geração, Alfredo Neves.

Recentemente, em março do corrente ano, foi publicada uma edição especial em homenagem às mulheres, na revista número 58, a participação de diversas escritoras tendo como foco os grandes nomes femininos do nosso Estado com destaque na área cultural.

Sobre o autor

Thiago Gonzaga

Pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros.

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