racine santos - por rodrigo sena

Racine Santos lança seu mais novo romance nesta quinta na Academia de Letras

Ambientado nos Anos 1960, o novo romance do escritor e dramaturgo Racine Santos bebe da fonte do passado, mas poderia ter sido escrito na atualidade. Afinal, muitos sentem o mau cheiro dos ventos obtusos dos anos de chumbo agora em pleno século XXI. O livro será lançado na Casa dos Imortais, a Academia Norte-Riograndense de Letras, Rua Mipibu, 443, Petrópolis, nessa quinta-feira (19), a partir das 19h30, ao preço de R$ 40.

O título “…De susto, de bala ou vício” foi retirado de um trecho da música ‘Soy loco por ti, América’, de Gilberto Gil e Capinam, gravada em 1968 e eternizada pela voz de Caetano Veloso. O pano de fundo da história é o romance entre os atores Eduardo e Martha que, por uma missão que só será revelada ao longo da trama, são separados por oito meses, período que transforma suas vidas e deixa marcas profundas em ambos.

Prefácios

“Se Lacan dizia ser o texto a fotografia íntima e escondida do autor, o novo Romance de Racine é a denúncia de que pra onde ele for leva o teatro. Na forma é prosa no papel; na plástica é fala do teatro. Falas do teatro épico. De onde Racine é semente e fruto. Criador e criatura. O épico mais discursivo do que heroico. Sem perder as vestes talares do romance. Uma espécie de álbum de fotografias, daqueles que se guardavam em casa para mostrar às visitas, com a histórias dos seus pela via das fotos”, escreve o escritor François Silvestre, um dos convidados a apresentar o livro aos autores.

O outro prefaciador é Nelson Patriota, que diz em determinado trecho: “Assim, sejam quais forem os protagonistas que conduzam a trama de …De susto, De bala ou Vício, a narrativa que os prende opera essa trama com engenho e arte, conhecimento in loco dos detalhes e uma vocação novelesca que torna a se afirmar neste painel de época em pano rápido”.

Um passeio pela Natal dos anos 60

O romance faz um passeio por Natal dos anos 1960, que podemos ler na prosa fluida e sem firulas do autor, em trechos como esse:

“Naquela sexta-feira, 22 de novembro, no momento em que Eduardo entrava no cinema, a conversa nas ‘Cocadas’ girava em torno do congresso de estudantes realizado em Ibiúna, São Paulo, onde centenas de participantes foram presos por soldados da Força Pública e agentes do Departamento de Ordem Política e Social, o conhecido e temido DOPS. O XXX Congresso da União Nacional de Estudantes – UNE, que se pretendia clandestino, reunindo estudantes de várias partes do País, fora cercado pela polícia de São Paulo no dia 12 de outubro. Entre os presos, cinco estudantes de Natal, representando Diretórios locais. Todos eles amigos ou conhecidos dos frequentadores daquela ágora natalense”.

Realidade e ficção

Personagens reais do universo natalense se misturam aos fictícios. O grupo de teatro do qual o jovem casal de atores atua é dirigido por Sandoval Wanderley que, no livro, encena com seu grupo a peça escrita pelo dramaturgo paulista Marcos Rey, “A Próxima Vítima”.

Para deixar o leitor com vontade de ir correndo ler o mais recente livro desse que é um dos maiores escritores vivos de Natal, vai um último trechinho para deixar o suspense: “(…) e isso foi pior do que os seis meses de cadeia, a cela escura, fedorenta, fria… as porradas para confessar uma coisa que não fiz… a morte de André”. O que terá sido pior que aconteceu com Eduardo? Só lendo o livro para saber.

Lançamento do livro

…De bala, de susto ou vício – de Racine Santos
Dia: 19 (quinta-feira)
Local: Academia Norte Rio-Grandense de Letras
Hora: 19h30
Preço: 40


FOTO: Rodrigo Sena

Sobre o autor

Redação

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