Os 10 melhores romances da literatura potiguar

Manoel Onofre Jr.

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Listas são sempre polêmicas, unilaterais e, por isso, geram divergências de vez em sempre. E se o segmento for o literário, mais ainda dada a abstração e, sobretudo, a quantidade de livros que poucas vezes o elaborador da lista conseguiu dar conta. Como a relação aqui é de melhores romances da literatura potiguar, se afunila um pouco mais. Nosso Erriene é rico em poetas – em cada esquina, e tal -, mas são poucos os romances publicados ao longo da história.

E se são poucos, quem confeccionou esta lista é um leitor e escritor nato, um pesquisador e crítico literário realmente conhecedor da produção literária potiguar: Manoel Onofre Jr. Então é uma opinião embasada de quem leu boa parte dos romances publicados por aqui. E além de sabedor, é um entusiasta. Provoquei Onofre a gravar um vídeo para o instagram deste blog para selecionar, entre os 10 livros, qual o melhor. Quando soube da intenção, declinou: “É impossível, não vou conseguir”. E preferiu apontar o melhor autor (o vídeo será postado em breve no @papocultura_) porque seria menos penoso. Ainda assim o vídeo demorou 13 minutos tamanha a indecisão.

Listas são sempre divertidas para quem tem mente aberta, é tolerante com a opinião alheia e sabe aproveitar os livros relacionados como dicas de leitura. Sem mais delongas, os 10 melhores romances da literatura potiguar, na opinião de Manoel Onofre Jr.

1. Gizinha (1930) – Polycarpo Feitosa (pseudônimo de Antônio de Souza)

O livro retrata a Natal a partir da década de 1920 e o salto à modernidade. Gizinha já se mostra uma mulher retrato desses tempos, mais independente no comportamento e no modo de vestir, ainda vítima de preconceito de uma sociedade machista. O autor aborda de forma crítica o modelo de casamento e o ciúme, que se transforma em tragédia na vida conjugal da personagem.

2. Os Moluscos (1938) – Polycarpo Feitosa

Não achei nada a respeito do livro, mas se quiser saber mais sobre o autor, clique AQUI para ver texto do próprio Onofre.

3. Por que não se casa, Doutor? (1944) – José Bezerra Gomes

O romance “Por que não se casa, Doutor?”, de José Bezerra Gomes, publicado em 1944, retrata a história de um jovem recém-formado em direito, enfrentando pressões sociais para se casar em Minas GErais, na década de 1940. O protagonista, Santos, é um personagem com características oníricas, vivendo em um mundo entre a realidade e o devaneio. A obra explora a insistência da sociedade e da própria prima Laura para que ele se case, enquanto ele parece resistir a essa imposição. 

4. O rio da noite verde (2003) – Eulício Faria de Lacerda

História de um menino sertanejo que se descreve de modo confuso, porque, já ao se tornar rapaz, vê-se às voltas com problemas de saúde – trata-se da erotomania. Na obra o autor recorre a religiosidade e medicina popular sertaneja.

5. As Pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o diabo (2007) – Nei Leandro de Castro

Ojuara nasceu aos 28 anos. Até então, em seu lugar existia Zé Araújo, homem triste que vivia sob o domínio do sogro e da esposa Dualiba. Nove anos mais velha, com um apetite sexual cheio de extravagâncias, não dava sossego ao marido. Mas a união terminou sete anos, quatro meses e nove dias depois. Zé sumiu para dar vez a Ojuara. Começa aí sua longa saga. No chão de cactos, Ojuara fez sua viagem, travou suas pelejas, exerceu sua sedução, viveu a boemia, não calou o homem novo que nasceu dentro dele. “As Pelejas de Ojuara” traz personagens repletos de encantamento: são bruxos, valentões, mentirosos, vaqueiros, assombrações, todos sob o áspero cenário do sertão nordestino. Mas nesse romance sertão também é magia, com cavalos que voam, terras onde correm rios de leite e mel, pavões misteriosos, brigas do guerreiro com o príncipe das trevas.

6. A pátria não é ninguém (2002) – François Silvestre

Uma nuvem cinzenta ainda encobre os quase 25 anos do regime ditatorial brasileiro. Corrupção nos quartéis. Corpos desaparecidos. Wladimir Herzog… O livro A Pátria Não é Ninguém, do escritor François Silvestre joga luzes nos escuros bastidores desses tempos nefastos a partir de uma visão apartidária, anarquista e deliciosamente real. Um livro para os dias de hoje. (Leia mais AQUI ou veja esta resenha no youtube AQUI)

7. 2020 (2020) – David de Medeiros Leite

Natural de Pedras de Fogo, onde passou a infância, José Silvestre de Araújo foi levado para Recife, por um tio, onde ingressou na vida religiosa, cuja experiência durou entre os anos de 1963 e 1968. A vida do Frei José de Santo Elias, como José passou a ser chamado no Convento do Carmo, é narrada no âmbito de muitas mudanças, na sociedade e na própria Igreja Católica. O que move as ações do romance é, no entanto, um sonho persistente que o narrador traz da infância e que se transforma em obsessão: o encontro de uma botija que estaria enterrada em determinado lugar, apontado por um frade da Ordem Carmelita. Após sair do convento e adotar a profissão de carteiro, José decidiu voltar a Mossoró e fazer uma visita às ruínas da casa do Carmo, que identifica como sendo o local visualizado nos sonhos.

8. Macau (1934) – Aurélio Pinheiro

O livro “Macau” é considerado por muitos estudiosos da literatura potiguar um dos romances mais representativos dos anos 30 no Rio Grande do Norte. Recentemente, mereceu um estudo acadêmico, em nível strictu senso, ou seja, foi estudado no mestrado, pela escritora e professora Aparecida Rego (Leia mais sobre o autor AQUI).

9. O dia dos cachorros (2012) – Aldo Lopes

O Dia dos Cachorros – regionalista e com seu realismo mágico – resiste ao deslocamento no tempo, como o Mozart de Luiz Carlos de Souza? Carlos Newton Júnior (poeta, crítico, ensaísta) diz, na orelha do livro, que essa obra promoveu sua reconciliação com o chamado realismo mágico (Leia mais AQUI).

10. Macaíba em alvoroço (2017) – Racine Santos

Retrata a Macaíba do autor e seus personagens, especialmente durante a década de 1960. Racine Santos utiliza sua experiência com o teatro popular para trazer à cena literária elementos como um poeta popular, um brincador de mamulengo, as meninas do pastoril e a movimentada feira livre da cidade. O livro é descrito como um marco na ficção potiguar e brasileira, explorando a riqueza cultural e a atmosfera da época em Macaíba. 

Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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