O chopp é uma festa

Croniketa da Burakera #19, por Rubens G Nunes

Sem essa de que cerveja é mais refinada.
Pra mim o chopp é uma festa!
A cerva é mais séria. Mais responsa. Mais escolha.

O chopp não. Vai direto pros calores, suores e cotovelos.
E, ainda dá uma meia-sola nos furos dos amores-perdidos-e-achados.

Você olha pro garçon e só diz uma palavra: Chopp!

Se o distinto for um cara mais exigente, ainda mostra 3 dedos e o garçon-velho-de-guerra já sabe: com colarinho duplo!

Nada mais, nada menos.
A não ser esperar o ritual da ordenha do chopp.

E lá vem aquela eterna fantasia amarelobrancoespumante, exclusiva pra você, na bandeja do garçon.

O chopp é mais verão. Mais alegre, mais humano.
Mais irresistivelmente irresponsável.
O chopp já vem sorrindo na bandeja do garçon!

O primeiro gole é puro gozo líquido.
A alma se estica.
Arma rede nos coqueiros do coração.
Dá vontade de abraçar o mundo.
A espuma do chopp é algo vivo. Um spiritual-femina!
Brincalhona, sensual, sacaninha.
Te desenha bigodes lúdicos de Papai Noel fora de época.

Daí, velho, no que o gole geladinho desce garganta-abaixo-alma-acima e o costado da mão limpa a espuma branca e os olhos se fecham nas dobras do ontem…

… ai, então, os cotovelos se abrem em revoadas de lembrares&sentires…

Sai de baixo, merr’mão!

Aquela tristeza antiga sai da toca e começa a bizurar que nem mosquito no cio.

Uma barra! Daí começa os xabadás. Você começa ouvir Aznavour cantando She.

Ou, então, Nubia Lafayette cantando o hino dos eternos amores recauchutados: Matriz ou Filial.

Uma barra e meia, chefia!

Chopp vai, chopp vem, e a brancaespuma das nuvens e dos chopps bem tirados, na tardemansa,
se mistura com o verdeazul daqueles mares antigos xuá-xuando manso nas trampas, amações e gamações…

… e lá vem a porrada da saudade… e lá vem a porrada dos boleros desesperados…

Se o distinto tá mais ou menos no controle das xifranações e emoções só há uma saída: pronunciar um dos mantras
sagrados dos bares-e-burakeras: “Garçon, mais um chopp!”. E iniciar lá na Prainha do Coração a dança de Zorba, o grego.

[os gramáticos que se toquem e renovem! Xifre com “x” é sempre xifre de Xana. Os outros com “ch” são de vaca,
touro, cabra, etc]

Daí, velho, na grega dança de Zorba, o grego, toda encrenca se torna loucapaixão de vidaviver-again…
… seja como for!.. seja como der-e-vier!

Mas tem que ter muito cacife, mano!
Invoque, logo, os caboclos fortes da burakera!
Invoque o Macho-Jurubeba que há dentro de você!
[como diz nosso mano XicoSá em suas crônicas, macho-jurubeba é o macho de raiz, macho-roots]

Invoque o Macho-Casablanca, que baixava nas tragadas dos cigarros de Humphrey Bogart, o durão gamadíssimo
por Ingrid Bergman, no clássico filmaço Casablanca!

E no inchaço do cotovêlo, faça pose de maxeba-dureba e chame o Garçon: Vê outro chopp, porra!
Mas, ein?!

About The Author: Ruben G Nunes

Ruben G Nunes

Desfilósofo-romancista & croniKero

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *