Mulheres que fazem acontecer na cena cultural potiguar

por Allyne Macedo
(Mestranda em Antropologia Social e Militante do Movimento Amélias: Mulheres do Projeto Popular)

Por muito tempo, e ainda hoje em alguns contextos, as mulheres estiveram condicionadas ao espaço privado, enquanto os homens sempre dominaram o espaço público. Mesmo com os avanços, ainda é mais difícil para nós o acesso aos meios de produção cultural e aos espaços para exibição de nossas manifestações artísticas. Apesar das dificuldades, sempre existiram mulheres que buscaram romper com essa tradição machista, ocupando todos os espaços possíveis e fomentando cultura, seja nos palcos ou na técnica dos bastidores. No RN não nos faltam exemplos de grandes mulheres que fazem acontecer na cena cultural potiguar.

Jammily Mendonça, produtora e cantora, nos falou sobre os desafios e tabus que precisou enfrentar por ser mulher no mundo das artes. Formada em produção cultural afirma: “Até hoje sofro muito preconceito quando chego e opino sobre som. Quando chego em um local e perguntam ‘oi moça, cadê o rapaz do som?’ respondo ‘pode ser a moça do som?’. As vezes chego em lojas de som e os vendedores ficam surpresos quando eu falo com eles de igual para igual sobre os termos técnicos dos aparelhos. O mais importante é a gente estudar, se qualificar e desistir jamais. Nós mulheres devemos nos fortalecer. Incentivar umas às outras! E ganhar cada dia mais espaço”.

A cantora Khrystal complementa: “tirando o posto de cantoras, é difícil encontrar mulheres como técnicas de som, musicistas, produtoras. Eu sinto falta. Acho que espaço para mulheres tem de ser conquistado por elas mesmas”. Coloca a importância de políticas culturais por entender que um povo sem cultura se enfraquece, mas esclarece que é o movimento das próprias mulheres que alimenta sua participação na vida cultural, chegando uma hora em que a sociedade assimila. Lembra, ainda, que há muitas mulheres já reconhecidas nos palcos potiguares, desde Glorinha Oliveira à Carol Benigno.

Para Marina Rabelo, poeta e escritora, o espaço para mulheres ainda é um pouco restrito. “Sinto falta de mais espaços para nossa cena artística, mais valorização e mais apoio. Não só para as mulheres, às vezes acho a cena cultural muito desanimadora. Teatros fechados há anos, projetos que não ampliam seus contatos, não procuram saber quem mais está produzindo na cidade, etc. Por outro lado, na literatura estamos vivenciando um bom momento de Saraus alternativos pela cidade. No entanto, nossa sociedade ainda é bastante machista e atrasada. Somos alvos de preconceitos, de acharem que somos menos capazes, etc. No meio literário também há esse tipo de fala que não é nada empática e poética (rs).”

Assim, para além da empatia necessária, é fundamental apoio dos órgãos públicos e das pessoas que trabalham com cultura e, em especial, mais articulação entre as mulheres. É preciso que as mulheres se coloquem e que os curadores de mostras de arte as procurem. Há mulheres incríveis em todas as áreas da cultura e, como nos disse a poeta Marina: “Nós estamos na luta, o caminho às vezes é árduo, mas a vida sem a arte se torna vazia, por isso vamos seguindo para que as mulheres sejam cada vez mais reconhecidas e valorizadas”.

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