Máximas e mínimas sobre o amor

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No meu livro “A Servidão Diária” (Natal, 2014), anotei, em meio a textos variados, frases de grandes escritores, contendo reflexões – máximas, sentenças, etc., que me causaram especial impressão.

Creio que vale a pena rever algumas delas; certamente, hão de interessar também aos leitores.

DO AMOR

“A graça expressiva de certo modo de ser, não a correção ou perfeição plástica é, a meu ver, o objeto que eficazmente provoca o amor.”

Fragmento de “Estudos sobre o amor”, de Ortega y Gasset, citado por Veríssimo de Melo, em artigo no Jornal do Commercio, de Recife.

Diz Veríssimo:

“Deve ser mesmo essa ‘graça expressiva’ a centelha que deflagra e ilumina o amor.”

 

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Com certeza, não é só a beleza física que faz a gente amar alguém. Também a graça, a simpatia, a bondade e as afinidades múltiplas, a reciprocidade de sentimentos, a cumplicidade, enfim. Se pintar sexo, melhor. O sexo é uma espécie de condimento do amor.

 

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Vinícius de Morais disse com aquele “saber de experiência feito”: “Beleza é fundamental”.

Sim. Mas, por si só, não basta.

E o conceito de beleza varia de pessoa a pessoa.

Dos poetas brasileiros, nenhum, até hoje, soube cantar o amor melhor do que Vinícius. Sirvam de exemplo estes versos de uma de suas canções com Tom Jobim:

“Assim como viver sem ter amor não é viver,

Não há você sem mim, e eu não existo sem você.”

 

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Na vida há duas coisas, realmente importantes: o Amor e a Morte. Eros e Tanatos. Vá lá o truísmo…

 

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“Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não és sequer a razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!”

Primeira estrofe do soneto “Fanatismo”, de Florbela Espanca. Este poema, que Fagner musicou, talvez seja a mais fervorosa e bela declaração de amor de todos os tempos.

 

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Macedônio Fernandez costumava dizer a Jorge Luís Borges:

– A morte é uma falácia.

Será que é mesmo?

Parodiando o escritor argentino, eu diria que, em relação ao Amor, a Palavra é uma falácia. Na verdade, os que se amam, entendem-se de preferência por olhares, gestos, atitudes e até pelo silêncio.

“Eu te amo”… Existe expressão mais gasta e inócua do que esta? Como empregá-la sem cair no ridículo?

Fernando Pessoa já disse que todas as cartas de amor são ridículas.

 

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Do livro “As coisas incompletas”, terceiro volume do jornal literário de Hildeberto Barbosa Filho, pesco estas pérolas:

“Os amores platônicos são sempre patéticos”.

“Não há relacionamento humano perfeito, mesmo os que se dizem felizes”.

 

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Mais uma vez me valho de Hildeberto Barbosa Filho. Não resisto à tentação de pescar no seu livro “As Horas Mortas”, mais esta pérola:

“Quem ama tem Deus dentro de si. No sangue e no coração. Quem ama sofre e tem medo. Mas também vive em êxtase, saboreando a delícia estranha do milagre. Céu e inferno conjugados numa lancinante e esplêndida androginia.”

 

Mais pérolas:

 

“Amor é um fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente.”

CAMÕES

 

“É melhor ter amado e ter perdido do que nunca ter amado”

ALFRED, LORD TENNYSON

 

“Existe apenas uma felicidade na vida: amar e ser amado.”

GEORGE SAND

 

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OUTRAS PALAVRAS

Segundo Bertrand Russell, um dos mais eminentes filósofos do século XX, a religião resulta: a) do medo da morte, isto é, do que possa vir depois da morte; b) da necessidade, que todos nós, seres humanos, temos de proteção, de amparo.

Em seu livro “Por que não sou cristão”, ele afirma, textualmente:

“A religião se baseia, acredito, em primeiro lugar e principalmente no medo. Trata-se, em parte, do terror ao desconhecido e em parte, como eu já disse, do desejo de sentir a existência de um tipo de irmão mais velho a proteger-nos em todos os problemas e disputas.”

Será ?…

 

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“A solidão é nossa essência, nosso caráter, nossa condenação, поssо destino, nossa grandeza. Mal paridos, a interrupção circulatória do cordão umbilical a dente pelos animais inferiores, a golpe de sábia tesoura pelo ser humano – nos exila para todo o sempre. Na infância, na mocidade, pela amizade falível e pelo amor passageiro – temos a ilusão de que estamos acompanhados, quando apenas somos gregários para mais seguramente exercermos ο egoísmo, a tirania, a opressão, ou, passando ao polo oposto e virando de malho em bigorna, aguentarmos dos outros aqueles exercícios em nossa pele.”

Este é o trecho mais impressionante de um escrito de Pedro Nava sobre a Solidão. Extraído do livro “História de uma confraria literária – o Sabadoyle”, de Homero Senna.

 

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Para terminar esta colcha de retalhos, cinco frases muito do meu agrado:

 

“Tentei não fazer nada na vida que pudesse envergonhar o menino que fui”

JOSÉ SARAMAGO

 

“Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”

GABRIEL GARCIA MARQUEZ

 

“Se os velhacos soubessem das vantagens de honestidade, seriam honestos por velhacaria”

Atribuída a RUY BARBOSA, citada por Ascendino Leite, em seu diário.

 

“A vantagem que o dinheiro dá é a de não precisar pensar em dinheiro”

RUBEM BRAGA

 

“Quem tem facilidade para escrever não é escritor, é orador”

PAULO MENDES CAMPOS

Manoel Onofre Jr.

Manoel Onofre Jr.

Desembargador aposentado, pesquisador e escritor. Autor de “Chão dos Simples”, “Ficcionistas Potiguares”, “Contistas Potiguares” e outros livros. Ocupa a cadeira nº 5 da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

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