Laurence Bittencourt Leite se lança na literatura de contos

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Escritor, jornalista, psicólogo clínico e professor, Laurence Bittencourt Leite é graduado em Jornalismo e Psicologia. Além da vasta experiência na Comunicação Social, atuando sobretudo em jornais, assessoria e televisão. Laurence também escreveu artigos e ensaios para revistas, periódicos e sites sobre diversos temas, tais como Psicologia, Educação, Teatro, Literatura, Política. Publicou dois livros: Entre mares (poemas), Por que não o que é nosso? (ensaios); e possui colaboração em outros, além de participação em palestras, oficinas e seminários, sendo uma importante referência na sua área de atuação.

O autor, nascido em Natal, surpreendeu recentemente seus leitores com a publicação do livro Os Re-Contos Escondidos da Alma (Edições Poeira do Céu, 2022). Embora Laurence Leite tenha toda uma vida dedicada à literatura, (começou ainda bem jovem publicando poemas) este é o seu primeiro livro de contos, o que de fato nos surpreendeu, não apenas pelo conjunto de narrativas da obra, mas, também pelo fato do autor fugir dos holofotes, lançando o livro discretamente.

Pois bem, Laurence Leite oferece aos seus leitores uma obra interessante. Os Re-Contos Escondidos da Alma traz em seu conjunto uma instigante aproximação do mundo ficcional e do mundo real, com os dramas humanos, sobretudo do ponto de vista psíquico; a solidão, a angústia, a crise existencial, atravessam frequentemente as vidas dos personagens.

Um fator nos chamou atenção; o tema da morte, presente na maioria dos contos, nos trazendo de alguma forma a representação da dor, sob várias perspectivas. E se na vida a morte sempre está repleta de enigmas, na literatura, obviamente, não é diferente. Poderíamos dizer, de maneira geral, que as representações simbólicas das narrativas sobre a morte podem ser compreendidas como um rito de passagem, ao mesmo tempo em que aproximam a ficção da realidade, ficando ao critério do leitor tirar suas próprias conclusões. “A escritora”, “A aposta”, “O Coveiro de Si”, “O Andante”, são alguns dos contos de nossa preferência.

As narrativas contidas no livro de Laurence Leite nos remetem à teoria do sociólogo e escritor Antonio Candido, onde o mesmo defende a ideia de que não há um ser humano sequer que viva sem alguma espécie de fabulação/ficção, pois ninguém é capaz de ficar as vinte quatro horas de um dia sem momentos de entrega ao “universo fabulado”.

Tais ideias estão presentes nas histórias do livro; numa linguagem acessível o autor consegue envolver o leitor no seu universo ficcional, inclusive, em alguns pontos, dialogando com outros escritores, como por exemplo, Florbela Espanca, Augusto dos Anjos, ou até mesmo com a música, John Lennon. Faz assim com que o leitor se identifique ao mesmo tempo em que adentra naquele mundo inventado, muito próximo da realidade de qualquer um, em temas universais, despertando-lhe interesse, como se estivesse vendo um filme, ou uma novela, por exemplo.

E se ninguém passa o dia todo sem mergulhar no vasto mundo da ficção, a literatura “parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito”, diz Antonio Candido. A literatura para o crítico é “o sonho acordado da civilização”, e assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem sonho durante o sono, “talvez não haja equilíbrio social sem a literatura”. É por esta razão que a literatura é fator indispensável de humanização e confirma o ser humano na sua humanidade, por atuar tanto no consciente quanto no inconsciente.

Com efeito a literatura humaniza porque nos faz vivenciar diferentes realidades e situações. Ela atua em nós como uma forma de conhecimento porque resulta de um aprendizado, como se fosse uma espécie de instrução. A humanização, de acordo com Candido, é o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. “A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos à natureza, à sociedade e ao semelhante”. Além disso, assevera Candido, a literatura corresponde a uma necessidade universal.

Ainda sobre Os Re-Contos Escondidos da Alma vale registrar a arte da capa,  projeto gráfico de Márcio Simões, de excelente bom gosto.

A mais nova publicação de Laurence Leite está à venda nos principais pontos de venda de livros de Natal.

Thiago Gonzaga

Thiago Gonzaga

Pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros.

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