Fotografia, realidade e instagram

Desde que a fotografia passou a fazer parte de nossas vidas, uma questão é discutida com mais afinco em determinados períodos: o papel e a intervenção do fotógrafo diante do que é retratado.

Roland Barthes chegou a dizer que a fotografia era a verdade, um registro inquestionável da realidade. No entanto, é claro que essa verdade ou realidade assumem um papel questionável diante da fotografia, assim como da vida.

O fotógrafo interfere na realidade que registra: aquilo que escolhe como objeto de sua fotografia, os ângulos e enquadramentos pelos quais opta, as cores ou a ausência delas, o tipo de lente, de tratamento, a acentuação ou esmaecimento de determinados aspectos já são por si só uma interferência.

É preciso também pensar a respeito do tempo da fotografia, afinal toda foto é um registro do passado que se achega ao presente sempre que é vista. O antes e o depois, o contexto e a situação de cada fotografia, tornam-se invenções de cada espectador ao ver uma foto revelada diante de si.

Questões como essas, trazidas de maneira muito simples e efêmera aqui, são fundamentais em uma sociedade em que todos – ou quase todos, para não excluir ainda mais os que estão à margem – fotografam, em que somos todos turistas de nossas realidades sempre a registrar com algum espanto os fragmentos de nossas vidas.

E se todos fotografam, que papel assume o fotógrafo diante do mundo? Susan Sontag diz que “o fotógrafo procura sempre colonizar novas experiências ou encontrar novos modos de olhar para temas familiares – para lutar contra o tédio”. Por isso, parece-me cada vez mais clara a necessidade de existirem fotógrafos em nossos tempos, em que tantas imagens são produzidas a cada segundo, repetitivas, emuladas, padronizadas pelos instagrans e thumblers de nossa contemporaneidade.

Ao fotógrafo cabe ver a realidade de maneira singular, não apenas vestida do voyeurismo comum de nosso tempo de imagens.

 

Assentamento do MST Retoma Trairi

 

Galinhos, Rio Grande do Norte

 

Pontão do Lago Sul, Brasília

 

Águas Claras, próximo a Brasília

 

Rua Cega Matilde, Santa Cruz, Rio Grande do Norte

 

Cidade Alta, Natal

 

Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte

 

Shopping Curitiba, Curitiba

Sobre o autor

Theo Alves

Theo G. Alves nasceu em dezembro de 1980, em Natal, mas cresceu em Currais Novos e é radicado em Santa Cruz, cidades do interior potiguar. Escritor e fotógrafo, publicou os livros artesanais Loa de Pedra (poesia) e A Casa Miúda (contos), além de ter participado das coletâneas Tamborete (poesia) e Triacanto: Trilogia da Dor e Outras Mazelas. Em 2009 lançou seu Pequeno Manual Prático de Coisas Inúteis (poesia e contos); em 2015, A Máquina de Avessar os Dias (poesia), ambos pela Editora Flor do Sal. Em 2018, através da Editora Moinhos, publicou Doce Azedo Amaro (poesia). Como fotógrafo, dedica-se em especial à fotografia documental e de rua, tendo participado de exposições que discutiam relações de trabalho e a vida em comunidades das regiões Trairi e Seridó. Também ministra aulas de fotografia digital com aparelhos celulares em projetos de extensão do IFRN, onde é servidor.

COMMENTS

Alan Sena

Esse meu professor sempre me surpreendo! OBRIGADO por ter me mostrado a fotografia mas do que simples fotos, agora para mim cada foto há um significado desde clique da foto até a revelação dela!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *