Escrevo como quem o silêncio há muito habitou

idyane frança

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Estou em frente ao computador, ouvindo Charles Aznavour – La bohème, a tecer a primeira tentativa de contato por este canal. Ultimamente o ato de escrever a partir do meu ponto de vista, a partir de minhas ideias e sentimentos ficou de escanteio. Tenho escrito mais sobre fatos, sobre terceiros, uma vez que minha função enquanto jornalista me coloca sobre essa tarefa. Por vezes, sou até um pouco censurada, tenho que confessar. Não sei como as pessoas podem tornar algo tão fluído e fantástico como a escrita em algo engessado, superficial e um tanto quanto monótono, ou simplesmente, expressar o contrário do que realmente pensa e acredita.

Bem, a escrita sempre me pareceu algo corajoso e desafiador. Ao ponto de que passei anos de minha vida escrevendo em silêncio, para as gavetas. Por algum tempo acreditei não ser boa o suficiente para essa tão incrível arte de comunicar-se através de letras, sílabas, palavras, frases, orações… dessa arquitetura léxica, gramatical, ortográfica etc. Acreditava ser muita audácia para uma menina preta e de periferia cometer tamanha petulância. A escrita definitivamente não era um lugar para mim. O fato foi que esse pensamento culminou em anos de silêncio. Um silêncio profundamente ensurdecedor.

Perceba, cara leitora e caro leitor, que talvez eu possa superestimar a escrita, mas é que sempre a amei e depois que pude finalmente ter a coragem de expô-la, de entendê-la como um ato revolucionário de amor, como um ato político, como um ato de partilha, como ato de denúncia; como meu lugar de reafirmação, de luta e de afeto, não tenho como tratá-la de outra forma.

Como diria Glória Andalzúa: “O ato mais atrevido que eu já ousei e o mais perigoso.” Falo dessa minha relação com a escrita no intuito de deixar nítido, desde o nosso primeiro contato por aqui, que cada palavra, cada linha, escrita por mim, serão carregadas de honestidade, com um senso de responsabilidade, numa escrita essencialmente humana, passível de erros e de acertos. Compromissada com os meus sonhos e ideais.

Portanto, tentarei sintetizar minhas ideias a cada texto, pois bem sei que vivemos expostos às mais diversas informações, então textos longos tornam-se cansativos e nem um pouco atrativos, principalmente se for numa tela de celular. Espero que possamos fazer deste canal um lugar de partilhas, de debates saudáveis; um lugar que possamos refletir sobre os mais diversos assuntos. Esta alma inquieta que vos fala, ficará muito feliz em construir este espaço com cada uma e cada um de vocês. Certa de que o tempo do silêncio ficou para trás. Eis o tempo das múltiplas vozes.  É isso, minha gente! Coragem! Se cuide! Até breve!

Idyane França

Idyane França

Artista, escritora, ativista do movimento negro, jornalista pela UFRN. Ganhadora do XXII Prêmio Estadual de Direitos Humanos Emmanuel Bezerra dos Santos (2016), pela Câmara Municipal de Natal/RN, junto ao Mídia Ninja.

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