Em seu quinto livro, escritor William Eloi traça paralelos inquietantes entre seres humanos e moscas

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Uma família pede a um amigo que reúna e organize os textos inéditos de um escritor morto há pouco tempo. Essa é a premissa, aparentemente simples, de “As moscas na sala de jantar”, novo livro do escritor potiguar William Eloi, em pré-venda pela editora Sertão Pasárgada.

Devido a uma rejeição do passado, Renato Soares, autor fictício dos dezesseis contos do livro, vive seus últimos dias entregue à embriaguez e isolado em um mundo fragmentado. Entre o quarto e um bar que frequenta “às sextas”, assiste à própria degradação.

“As moscas, assim como alguns seres humanos que levam um pé na bunda, têm em comum a busca pelo álcool como forma de conseguir alguma compensação para regular o estresse”, observou William Eloi, quase por acaso. A partir daí surgiu a ideia do livro: investigar a fragilidade que aproxima homem e inseto.

Os contos – muitas vezes apresentados de forma indigesta –, seus personagens marcados por violência física e psicológica, a linguagem direta e crua das ruas e a hipersexualização compõem um conjunto que se pretende um “gourmet fétido”, um mosaico de sujeira. “Às moscas foi dado o dom de enxergar, no mesmo instante, quase tudo ao seu redor”, registra Renato Soares, às vésperas da morte, em anotações recolhidas pelo amigo organizador.

Seria daí o apelo ao mau gosto? A tentativa de trazer à superfície o que há de pior no ser humano – o gozo diante do sofrimento alheio?

William Eloi comenta:

“Na época da pandemia, quando a maior parte desses contos foi escrita, era comum deslizar a mão no controle da TV ou no celular e dar de cara com tratores enterrando gente em valas comuns, pessoas sendo arremessadas de ônibus em movimento, outras cometendo suicídio…”

“Diferentemente do nosso cérebro, o das moscas parece preparado para absorver múltiplas imagens. Ainda assim, quando elas encontram algo para comer, vomitam enzimas digestivas para dissolver os sólidos – porque não possuem dentes. Sinceramente, acho que não estamos preparados para isso. Ou talvez estejamos a caminho de uma nova etapa evolutiva, em que aprenderemos a viver no lixo.”

SERVIÇO

“As moscas na sala de jantar” está em pré-venda no link https://benfeitoria.com/projeto/asmoscasnasaladejantar e no perfil do Instagram do autor (@williameloiescritor).

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