5 perguntas para João Andrade, um poeta existencial

joão-andrade

PIX: 007.486.114-01

Colabore com o jornalismo independente

João Andrade é poeta de uma nova geração, pode-se assim dizer. A formação em filosofia empresta alguma influência na sua poética, pincelada também de niilismos.

Também contista, artista plástico e professor, João será um dos convidados do ‘Festival Livro Vivo, Cultura Viva‘ (Flivivo), com início nesta segunda com seis dias de atividades culturais.

Como poeta, ganhou alguns prêmios literários e participou de dezenas de antologia em diversos estados do país. Colabora com jornais alternativos e sites literários em vários estados brasileiros e em Portugal.

Publicou o livro de contos “Contos de Escuridão e Rutilância” (2017) e os de poemas: “Por Sobre As Cabeças” (2005), “Cantigas de Mal Dizer” (2010), “Livro de Palavra” (2013) e “Estilhaços” (2020). Este último também será lançado durante a Flivivo. 

Como artista plástico, realizou a exposição individual “Vou-me embora de Pasárgada” (2013). Com o poeta e artista plástico Alfredo Neves realizou a exposição “Da escuridão à Rutilância” (2017). Novamente com Alfredo Neves, além do escritor e artista plástico Aluísio Azevedo Junior, realizou a exposição A Degeneração da Arte (2020).

Em 2014, participou do projeto “Arteluz”, tendo uma de suas obras expostas nas ruas de Natal no período da copa do mundo de futebol. –

A seguir, uma breve entrevista com o multifacetado João Andrade:

Natal já assistiu alguns festivais literários com relativa duração: ENE, EELP, Flipipa… O que você acha do formato adaptado e da proposta do Flivivo?

Nada substitui o contato com os autores e com o público. Essa interação é mágica, porém, no momento, isso não é possível, resta-nos buscar alternativas para se manter viva a chama dessa magia. Penso que esse formato, assim como a proposta do Flivivo é um grito de resistência; é a forma que temos de dizer que quanto mais perto da arte, mais longe da barbárie. Dessa forma, se você não pode vir até nós, nós iremos até você.

Você foi um dos frequentadores das quintas literárias da Livraria Nobel. Faz falta eventos do tipo? Qual sua opinião sobre o fechamento da Nobel e de outras livrarias tradicionais da cidade?

A Livraria Nobel foi um marco nas artes potiguares. Digo nas artes porque não era somente Literatura que se respirava por lá. Minha primeira exposição individual, por exemplo, foi na Nobel. Além das discussões filosóficas e literárias que afloravam, naturalmente, entre uma estante e outra, havia os debates temáticos toda quinta-feira.

O mais marcante dessa convivência era a falta de um patrulhamento intelectual: todo mundo opinava, todo mundo era ouvido, todo mundo era respeitado. Em todas as livrarias, eu era um anônimo. Na Nobel, eu era João Andrade, artista potiguar com vários amigos artistas, anônimos nas outras livrarias, mas autores conhecidos e discutidos na Nobel.

O fim de eventos como as Quintas Literárias é um grande mal para a cultura potiguar. Além da perda dos debates e da troca de vivência do fazer literário, impede-se que jovem autores tenham contato com escritores e poetas mais experientes. Imagine o deslumbramento de um aspirante a escritor ter conversado com o saudoso Júnior Dalberto?

Penso que o fechamento da Nobel quanto de outras livrarias é uma tragédia de tal gravidade que deveria haver uma lei que obrigasse que as livrarias fechadas se convertessem em bibliotecas com todo seu acervo preservado.

Sua participação na Flivivo discutirá a participação potiguar na Feira Internacional do Livro em Havana. Quais suas lembranças e o que se pode tirar de proveito do evento para Natal?

A Feira Internacional do Livro em Havana é evento ímpar, algo singular no que se refere à Cultura, à Literatura. Não é uma questão apenas da pessoa ficar deslumbrada com milhares de opções de livros por preços extremamente acessíveis, é que a cidade respira o evento. Parada de ônibus repletas de jovens indo para a Feira, como se fossem a um show de rock. A gente sentia a atmosfera de alegria entre eles.

Eu acredito na juventude, eu acredito que algo semelhante pode acontecer aqui, porém é preciso que se invista na Educação, assim como no incentivo à leitura e que se crie uma política de barateamento de acesso à cultura e, por consequência, ao livro.

Você será um dos escritores a lançar livro durante a Flivivo. Fale um pouco da produção e do conteúdo de ‘Estilhaços’.

Estilhaços é o meu quinto livro, sendo o quarto de poemas. Os três livros de poemas anteriores são formados por uma coluna poética temática em que eu busquei apresentar um “joão andrade”. Os poemas que apresentavam fragmentos de outras formas de pensar, sentir e dizer eu os reuni nesse novo livro, por isso o nome: estilhaços.

Qual a metafísica da imaginação para tecer poesia?

Creio que se partirmos do pressuposto de que a Metafísica busca entender a realidade de modo ontológico, teológico e suprassensível, o poeta, por meio da imaginação é um demiurgo. Essa visão o aproxima, inclusive, de Iavé, o deus judaico-cristão que cria o universo através da palavra. Como o objeto da poesia é a palavra, assim como esse deus, o poeta, por meio de sua imaginação cria o caos, estabelece a ordem, faz a existência.

Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

WhatsApp
Telegram
Facebook
Twitter
LinkedIn

1 Comment

  • Ranger Azul

    parece o zordon

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidos do mês