O Brasil é o maior país da América do Sul em extensão e conta com uma população maior que 200 milhões de pessoas em 2025, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de sua vastidão territorial e de suas riquezas culturais, sociais e ambientais, o país ainda enfrenta desafios estruturais que nos fazem questionar se o Brasil consegue atender às necessidades de seus habitantes.
A partir disso, o artista potiguar Janderson Azevedo estréia a videoperformance “Quantos Brasis fazem um Brasil?” no Núcleo de Arte e Cultura (NAC), localizado na UFRN, nesta segunda (8), às 18h. O trabalho, segundo o artista, busca “ouvir os diferentes brasis que constituem este país de escala continental é de suma importância para compreender o que queremos, buscando soluções e saídas que mitiguem as mazelas que persistem na sociedade brasileira, como a fome, a extrema pobreza e o desemprego”, defende Janderson.
A videoperformance teve sua produção no primeiro semestre de 2025. Na obra, o artista carrega um letreiro com os dizeres que dão nome ao trabalho enquanto caminha à deriva pelas ruas do centro histórico da cidade de Natal, provocando o questionamento nos transeuntes. O intuito da ação é gerar interação com o público, que participa ativamente e de modo espontâneo respondendo à questão “Quantos Brasis fazem um Brasil?”.
Outro objetivo do projeto é compreender o cenário atual do país movido pelo diálogo democrático e o desejo de ouvir. “Assim, levando em consideração o peso da memória coletiva, no sentido de que não devemos jamais esquecer os problemas que pairam sobre o país, ainda que de forma sorrateira, dando vez e voz ao povo e para o povo”, defende o artista.
A videoperformance “Quantos Brasis fazem um Brasil?” conta com o apoio do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN e da Galeria Convivart e é uma realização da Fundação José Augusto, Secretária Estadual de Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Trajetória
O trabalho artístico de Janderson Azevedo surge em 2018 dentro da graduação em Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). É, então, a partir de 2019 que o artista inicia na performance e nas intervenções urbanas. O primeiro trabalho, nascido neste mesmo ano, foi “Cego, Surdo e Mudo”. O projeto inspira “Quantos Brasis fazem um Brasil?” por meio da fotoperformance política, em que, nela, os olhos, ouvidos e boca do artista são tapados como quem não vê, não escuta e não fala, questionando conceitos de ultranacionalismo e hegemonia. Assim, o performer passa a incorporar um artivismo que investiga os desdobramentos da relação de corpo-espaço nas ruas da cidade e do inconsciente coletivo, provocando e instigando o censo crítico das pessoas que interagem com sua obra.
Foto: Isadora Aragão
