O choro por Paulo Gustavo

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Paulo Gustavo não foi o primeiro e certamente não será o último artista de renome a morrer vítima da Covid no Brasil. Faz apenas um mês o cantor Agnaldo Timóteo sucumbiu à mesma desgraça.

Mas a comoção nacional de ambos foi diferente, bem diferente. Embora tantos registros de lamentos pela morte dos dois nas redes sociais, o teor denotava momentos já distintos da vida nacional.

Não foram poucos os depoimentos de gente que disse ter chorado pela morte de Paulo Gustavo. E aqui permitam-me: não foi pela figura notável, extremamente carismática e talentosa do artista.

O brasileiro chorou pelo Brasil. Paulo Gustavo morreu hoje junto com o brasileiro. Sucumbiu à luta contra a pandemia, deixou morrer o riso, a esperança, a resistência contra a tristeza e a morte.

Paulo Gustavo vinha sendo a cara do Brasil. Não na cor, mas na dor, na persistência, na batalha contra o vírus, na crença de que, mais cedo ou mais tarde, o terror passaria e tudo ficaria bem.

Morreu o artista, morreu o povo cansado das manchetes dos noticiários de março de 2020, das mortes do conhecido do primo segundo, das mortes de um amigo próximo, do colega de trabalho, do parente. Das mortes que hoje rondam ao lado.

Morreu junto com Paulo Gustavo o país das 400 mil mortes. Da falta de unidade política. Do país sem máscara, “desmascarado” pelo mundo. Do país das fakes e das verdades que ninguém mais aguenta ouvir.

Sérgio Vilar

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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