[POEMETO] A dança do fígado raivoso (monologando sobre uma vodka-dose)

por Ruben G Nunes

(primeira dose: dupla)

sábado-boêmio
sábado-seresta
– 19 horas –
entrando no vácuo
lembranças fugindo velozes
d’agora em diante as coisas adquirem vida própria
e falam comigo

(segunda dose: dupla)

quando?… diz quando?
quando a noite abrir a boca
e seu hálito de estrelas
se cravar em minhas saudades
então neste então
movimentos à deriva
gesto largado
e alma aberta!
então neste então
estarei fluindo com a noite
penetrando coisas e pessoas
se há música – estarei na música!
se há vaginas – lá estarei fuçando!
se há um poema – eu serei o poeta!

(terceira e quarta dose)

mas quando?… diz depressa quando?
quando a noite se remexer e abrir seus mil olhos
de mulher bacante
então neste então
toca-me ó vento da aventura desgarrada!
toca-me bardo-seresteiro e queima a noite
com teu cigarro Hollywood!
toca-me o corpo ó inesgotável vodka-dose
e entra no sangue!
deixa acontecer esses sonhos antigos
toca-me! me faz girar e levitar
e inicia a dança do fígado raivoso!

 


• Menção Honrosa no IV Concurso de Poesia Luis Carlos Guimarães, 2004
Fundação José Augusto, Natal, RN

Publicado na antologia “15 Poetas do RN”, Fundação José Augusto, 2005
Publicado no livro “XANAVÁ !”, na secção Porra de Poemas, Ed.CJA Ltda,2017

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Ruben G Nunes

Desfilósofo-romancista & croniKero

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