Festival Literário de Gostoso vem aí e conversamos com os organizadores

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No período de 27 a 29 de maio acontece o Festival Literário de São Miguel do Gostoso, que terá sua segunda edição. Realizado durante a pandemia pela primeira vez, o evento agora une literatura às belezas paradisíacas de um dos destinos turísticos mais importantes do Rio Grande do Norte.

O Festival Literário de Gostoso é realizado pela Juriti Produções, com patrocínio do Instituto Cultural Vale, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura/Secretaria Especial da Cultura/Ministério do Turismo/Governo Federal.

Conversamos com os produtores Heldene Santos e Thiago Luciano a respeito da realização e expectativas para esse evento.

  1. Em um momento em que temos enfrentado tantas dificuldades econômicas para a realização de eventos de arte e cultura, especialmente os ligados à literatura, o que motiva a realização de um evento de porte tão significativo para o estado do Rio Grande do Norte como o Festival Literário de São Miguel do Gostoso?

Partindo do princípio de que o autor tem seu papel na sociedade foi muito forte sentirmos, quando da realização da primeira edição, mesmo online, a busca pelo espaço de fala por autores dos diversos gêneros. E quando anunciamos a confirmação da segunda edição presencial, logo começaram a chegar as mais diversas propostas e está aí uma programação que tem mulheres querendo falar para mulheres que “poeme-se”, jovens escritores querendo falar com outros jovens que é possível eles também serem autores e por quais caminhos, tem homens querendo falar que a sociedade não é feita só de machistas e escritoras querendo contar suas histórias para crianças. Tudo isso gera uma energia para a gente se desafiar a realizar o Festival Literário de Gostoso e outras ideias.

  1. Esta edição do Festival aborda várias temáticas e produtores culturais que atuam em um universo de diversidade. Como a organização do evento pensa sobre essas questões?

Quando a gente pensa em produzir um evento como este a gente entende que ele não é simplesmente nosso e que passa a ter uma função social. Desde a busca por incentivar o fluxo comercial das obras como ser espelho da vida real que naturalmente é diversa. Diversa tanto na literatura em si como em quem faz a literatura. E a literatura potiguar é exatamente isso. E aí entra a importância de tratar da literatura moderna, mas também da importância da ancestralidade na leitura das crianças, assim também como a representatividade preta e indígena e do jovem autor, do livro impresso em alta qualidade aos zines, a literatura de cordel e mesmo os zines que já estão na cultura potiguar.

  1. Quais foram as lições aprendidas na realização da primeira edição que serviram para a organização desta segunda?

A maior lição pra gente na realização da primeira edição do Festival Literário foi o próprio setor da literatura do Rio Grande do Norte quem nos deu, de mostrar a grande produção que o estado tem e que não tínhamos ideia do quanto era extensa. Na poesia, na literatura infantil, na literatura de cordel e tantos outros gêneros que a gente ficava surpreso a cada demanda de inscrições que chegava diariamente. Foi surpreendente. Isso fez a gente acreditar que realizar uma edição presencial voltada à literatura potiguar não sofreria nenhum risco de não ter o que mostrar. Porque pela realização em si, realizar uma edição online e uma presencial são experiências bem diferentes.

  1. São Miguel do Gostoso é uma cidade paradisíaca que costuma atrair muitos turistas em busca de praias, esportes aquáticos radicais e uma experiência que nem sempre está relacionada à produção literária. Então como a paisagem da cidade se une à produção cultural para a realização do evento e que benefícios isso gera?

Como estamos falando em espaço de fala, para nós produtores do Fligostoso, que crescemos nas ruas de areia de São Miguel do Gostoso, que íamos à extinta Ponta do Santo Cristo adentrando metros ao mar, que na Praia de Tourinhos escalávamos a falésia a metros adentrando o mar também, que víamos tartarugas marinhas nascerem nas praias e seguirem para o mar, sentimos falta de um “paradisíaco” mais completo. Mas como cito numa poesia minha, ainda “tem um azul do mar que nos domina, um pôr do sol que nos fascina…” E o esporte náutico permite sim uma fotografia poética e curtir a programação literária e ver o sol se pôr no mar talvez não sejam necessariamente tão distintos e achamos que colaboram sim entre si.

  1. Que contribuições a organização do evento espera oferecer para a produção literária estadual a partir das discussões durante o festival?

Primeiro queremos que as pessoas conheçam bastante os autores e a literatura do Rio Grande do Norte e que, as diversas discussões, inclusive entre as diversas gerações e etnias contribuam para que os gestores da política cultural e a iniciativa privada percebam que é possível incluir. E que está mais que na hora das obras potiguares serem prioridades nas escolas.

  1. Como tem sido a relação de parceria entre empresas privadas e públicas para a realização do Festival?

Para a realização desta edição do Festival Literário de Gostoso obtivemos o patrocínio do Instituto Cultural Vale, do Rio de Janeiro, por meio da Lei Rouanet. No Rio Grande do Norte não tivemos um único retorno sequer de empresas privadas mesmo com o mesmo projeto também aprovado na Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Por sorte, ou qualidade do projeto, obtivemos o patrocínio integral. A Prefeitura de São Miguel do Gostoso por meio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura tem recepcionado bem o projeto, revitalizando os espaços e ainda articulando as escolas municipais.

  1. E quais expectativas precisam ser atingidas para considerar este um evento de sucesso?

Temos como expectativas para considerar um evento de sucesso que este tenha um bom público de participação, boas vendas pelos expositores e que tenha impacto positivo na cultura local e beneficie o maior número possível dos estudantes das escolas públicas com o prazer do ato de degustar a leitura literária bem como mostre para o estado também os artistas locais e produtores que São Miguel do Gostoso e região tem.


* Heldene Santos, diretor geral do Festival Literário, é professor da rede de ensino de São Miguel do Gostoso, pedagogo e jornalista, Produtor e ativista cultural com Doutorado em Ciências da Informação.

* Tiago Luciano, produtor executivo do Festival Literário de Gostoso, profissional da educação em São Miguel do Gostoso, designer e produtor cultural com bacharelado em Ciências Contábeis.

Theo Alves

Theo Alves

Theo G. Alves nasceu em dezembro de 1980, em Natal, mas cresceu em Currais Novos e é radicado em Santa Cruz, cidades do interior potiguar. Escritor e fotógrafo, publicou os livros artesanais Loa de Pedra (poesia) e A Casa Miúda (contos), além de ter participado das coletâneas Tamborete (poesia) e Triacanto: Trilogia da Dor e Outras Mazelas. Em 2009 lançou seu Pequeno Manual Prático de Coisas Inúteis (poesia e contos); em 2015, A Máquina de Avessar os Dias (poesia), ambos pela Editora Flor do Sal. Em 2018, através da Editora Moinhos, publicou Doce Azedo Amaro (poesia).

Como fotógrafo, dedica-se em especial à fotografia documental e de rua, tendo participado de exposições que discutiam relações de trabalho e a vida em comunidades das regiões Trairi e Seridó. Também ministra aulas de fotografia digital com aparelhos celulares em projetos de extensão do IFRN, onde é servidor.

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