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Fest Bossa & Jazz: o carnaval fora de época de Pipa

Sérgio Vilar19 de agosto de 2019Música, , , Image

Os 10 anos do Fest Bossa & Jazz em Pipa consolidou o novo formato do festival, com polos espalhados em diferentes locais da praia mais cosmopolita do Brasil. Uma produção impecável, detalhista como costumam ser os trabalhos capitaneados pela produtora Juçara Figueiredo. Já na entrada de Pipa uma guitarra gigante com a logomarca do festival atraía curiosos para fotos e selfies.Um pequeno “chama” para quatro dias intensos de festa, bossa, jazz, blues e algumas surpresas.

Fest Bossa Street Band

Sábado. Meio da tarde e a Bossa & Jazz Street Band iniciava o alegre percurso pela orla em um chamado quase obrigatório, um canto de sereia irresistível a despertar a curiosidade em conhecer mais do que viria adiante. Do Restaurante Aventureiro passando pelo Pipa Beach Club e desembocando no Orishas, no fim do mirante amadeirado. Música de extrema qualidade varando o fim de tarde até o pôr do sol em três points da orla, todos à beira-mar para pinçar a brisa, o clima praiano como uma nota a mais nas apresentações.

Bossa & Jazz & Reggae

Clara Menezes

Comecei pelo Orishas. Aguardei o início do Quarteto da Pipa. Após 20 minutos de espera (único atraso que presenciei) e com medo de perder outros shows, parti para o Aventureiro para conferir a suavidade vocal de Clara Menezes, acompanhada do violonista e pai Ricardo Menezes e do baterista/percussionista Jailton Medeiros. Bossa Nova predominante no repertório, cantado para um público encantado e aparentemente mais seleto. Clara tem construído uma trajetória sólida e a experiência é demonstrada facilmente no domínio das notas e do público.

Migrei em seguida ao Pipa Beach Club. O Darlan Marley Quarteto apresentava um som instrumental denso de jazz mesclado ao repertório popular, com formação composta por bateria, sax, contrabaixo e teclado. Ano passado, no mesmo bat local e horário, o Parayba Ska Jazz Foundation (PB) animou mais a galera. Claro, uma música mais contagiante e animada puxada por um ska frenético. Mas aos bons ouvidos, o quarteto comandado pelo experiente Darlan Marley foi um presente quando o pôr do sol já despontava no mar.

De lá, de volta ao Orishas, na ponta da orla. O local, já pequeno, ficou intransitável para conferir os uruguaios do Quarteto da Pipa, habituês da praia. Uma formação curiosa de dois violoncelos e dois violinos e repertório mais ainda, com trilhas sonoras clássicas e hits internacionais ao som sempre convidativo destes instrumentos de casamento perfeito entre o grave do cello e o agudo fanhoso do violino. Se atrasou, valeu a espera. O público, mais jovem e “transado”, característico do bar, curtiu bastante o show.

Jammin

De lá, voltei ao Aventureiro para conferir os 20 minutos finais do Jammin. O nome desse quarteto potiguar chamou atenção deste editor regueiro. Jammin, em gírias jamaicanas, significa “celebração”. E nunca sequer tinha ouvido falar dos caras, mesmo tendo um Ricardo Baya na guitarra. Foi dos melhores inícios de noite que tive nos últimos anos. Se reggae é sinônimo de liberdade, na seara musical a liberdade se comunga às improvisações do jazz. Mas se for reggae em ritmo de jazz? Mermão, que sonzeira massa!

jammin

Jammin

O Jammin foi formado há apenas 3 meses para apresentações do Festival. Além de Baya, na bateria e percuteria tem o também experiente Dinei Teixeira. No contrabaixo, Chiquinho Bess aproveitou bem a liberdade jazzística pra introduzir umas notas a mais no ritmo cadenciado do reggae no contrabaixo. E Ozi Cavalcante introduziu o jazz com propriedade ao som do trompete. Setlist de Steve Wonder, passando pelo rei Marley a Edson Gomes. Que o grupo permaneça!

Mini Janis

Fim dos shows da tarde, por volta das 18h30, hora de voltar às brejas. Procurei o quiosque da Cerveja Artesanal da Pipa (Cap) e saboreei bons chopps Ipa e Apa, de corpo tão denso quanto os sons que viriam pela frente. Por volta das 19h30, uma hora de despertar na noite de Pipa, a Street Band anunciava que o roçoi iria continuar. Já vinha lá de trás arrastando fiéis na romaria musical. E lá fui eu no mesmo carnaval. Repertório popular e animadíssimo expelindo das bocas dos metais até a Praça do Pescador.

cacá magalhães

Cacá Magalhães (foi a imagem possível)

E dali assisti a melhor surpresa daquele sábado. Uma mini Janis Joplin chamada Cacá Magalhães. Uma adolescente baiana de 13 anos, voz grave e uma pegada bluezística madura. O trabalho da moça, também de enorme carisma, é facilitado por músicos de primeira qualidade da Banda Terráquea. Mesmo espaçosa, a Praça ficou repleta de um público de perfis mistos, desde nativos à gringalhada, todos atentos e impressionados com a performance. Quem não conseguiu proximidade ao palco, assistia pelo telão ao lado. Se eu tivesse melhor acomodado e com brejas fáceis à mão, ficaria ali mais 10 horas.

gabriel yangMas precisei dar uma conferia no resto da programação. Migrei à Rua do Céu para outro showzaço, dos cearense Gabriel Yang. Aparentemente mais uma atração caseira. E nisso há o mérito da produção na economia de custos ao evento e por escancarar a todos a qualidade das apresentações costumeiras da praia, de nível internacional. A banda tocou para um público ainda pequeno quando cheguei, no início do show. Talvez seja o polo mais escondido, em uma ladeira íngreme, mas na rua mais charmosa da Pipa.

Voltei à Galeria Oásis para mais uma cerva e conferir o início do show de do pernabucano Arthyr Philipe & Quintessence. Ainda iria sacar, logo depois, a Fernanda Fialho, que também desconheço, na Vila da Pipa Shopping, o polo mais distante. Mas um chuvisco se iniciou como aviso do curto dilúvio que desabaria em instantes. Estava com minha pimpolha de seis anos e disparei pra casa. Foi o que deu este ano. E foi ótimo.

Senti mais pontualidade e mais oportunidade de conferir os diferentes shows este ano (leia aqui resenha da edição de 2018). Ainda apostaria em um intervalo melhor de 30 minutos entre uma apresentação e outra. Isso para quem desejasse conferir tudo, como eu. Por outro lado, os shows no mesmo horário dividem bem os públicos e desobestrui o aglomerado de gente em alguns casos, embora às vezes seja inevitável.

E estamos hablando de um agosto de ventos e da baixa temporada. Embora Pipa atraia turistas o ano todo, o que se vê nos quatro dias de festival é uma movimentação intensa de turistas. Por volta das 23h é complicado caminhar em alguns trechos, como se fosse um carnaval fora de época; uma Pipa de verão. Um sopro de vivacidade a partir da boa música. Alegria gratuita boa de ser sentida.

Fest Bossa & Jazz & Pipa & Sucesso. Até 2020, em Pipa. Ou até outubro próximo, em São Miguel do Gostoso!


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OBS: As fotos horríveis são todas deste editor

 

Sobre o autor

Sérgio Vilar

Jornalista com alma de boteco ao som de Belchior

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