Fernando Lucena, um revolucionário

Fernando Lucena

PIX: 007.486.114-01

Colabore com o jornalismo independente

Pelo que, prezadíssimo lixeiro,
estamos conversados e entendidos:
você já sabe que é essencial
à segurança nacional
e, por que não, à segurança multinacional.

Drummond

Hoje é uma noite de festa e de celebração. Estamos celebrando a filiação de Fernando Lucena ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Estamos celebrando, também, e principalmente, a democracia, o direito de ir e vir, o direito de lutar por melhores condições de vida e de trabalho. Democracia que aliás tem sido ameaçada nos últimos tempos, mas que segue inabalável graças à defesa daqueles que acreditam num país mais justo e igualitário para todos os seus cidadãos e cidadãs. Uma luta que nosso homenageado conhece muito bem, tanto pelas suas origens quanto pela sua trajetória junto aos trabalhadores da limpeza urbana. Afinal, estamos celebrando a filiação de Fernando Lucena ao PSOL, mas também a luta e as conquistas dos trabalhadores apoiados pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Higienização e Limpeza do Estado do Rio Grande do Norte (SINDLIMP-RN), entidade que preside há mais de três décadas com muita coragem e determinação. Uma gestão que é responsável, entre outras conquistas coletivas da categoria, pela construção de três conjuntos habitacionais e pela correção da insalubridade sobre o piso salarial da categoria. Uma luta que o fez ocupar o cargo de vereador por três vezes em Natal.

Em entrevista recente ao Blog do Girotto, afirmou que sua intenção é “construir e fortalecer o partido. Sempre fui homem de partido e seguirei com esse compromisso com a construção coletiva no PSOL, apresentando à população de Natal nosso programa e nossos projetos para cidade”. Lucena será candidato a vereador nas próximas eleições e já está empenhado na elaboração dos projetos que pretende desenvolver para a cidade de Natal, especialmente para a classe trabalhadora, sua principal bandeira de luta.

Sua luta vem de longe. Desde que perdeu a mãe, aos 15 anos, e teve de aprender a lutar praticamente sozinho para ter uma vida digna e não sucumbir a tantas dificuldades. Um desejo que aliás não ficou no âmbito individual. Um desejo se estendeu a outros companheiros/companheiras e fez de Fernando Lucena um homem do povo, um homem que luta incansavelmente por condições dignas de vida e de trabalho, sobretudo para a categoria com a qual está lado a lado há mais de trinta anos. Assim como o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, Lucena também acredita que “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”.

E por falar em injustiça, ele a conheceu muito cedo. Após a morte precoce de sua mãe, enfrentou duras batalhas para estudar e trabalhar sem o apoio e a presença marcante daquela que, além de mãe e companheira de todas as horas, era uma amiga e conselheira. Uma época difícil em que saiu de casa com uma calça, uma camisa, uma bermuda e uma sandália japonesa (com um prego), como costuma lembrar em rodas de conversa cheias de aprendizado e emoção depois de nossas reuniões na TV Futuro.

Sua vida política começou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o filho de José Pereira e Maria Lalá se destacou inicialmente por sua trajetória no movimento estudantil, chegou a ser presidente de grêmio e diretor da Casa do Estudante de Caicó. Participou também da reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1979. Participou ativamente da luta pela redemocratização do Brasil.

E se vocês pensam que os talentos de Lucena estão relacionados somente à política, ele tem mostrado uma outra faceta como apresentador de televisão. Sucesso nas redes sociais, agora tem mais um espaço para defender seus interesses políticos e seu amor pela cultura nordestina. Aliás, Fernando Lucena tem o dom de prender os espectadores quando fala e nos deixa hipnotizados com suas histórias de vida e de luta e sua trajetória de sucesso na política. Ele tem demonstrado um pouco desse seu talento e do seu bom humor no programa “O forró já começou”, que apresenta ao lado do seu amigo Kanelinha, músico e parceiro de luta pela preservação/valorização da cultura nordestina, especialmente do forró pé de serra. O programa, que vai ao ar todos os domingos na TV Futuro, afiliada da TV Cultura (canal 14.1), às 18h, é também uma homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que cantou o nosso sertão, a nossa culinária, os nossos vaqueiros/aboiadores, os nossos costumes e a nossa gente de forma tão singela, pungente e apaixonada. Cantou ainda os sofrimentos do nosso povo e a seca do Nordeste.

Gostaria de encerrar esta singela homenagem com as palavras do próprio Fernando Lucena ao se referir à precarização do trabalho enfrentada no país: “[…] os trabalhadores são os geradores da riqueza da nação, tudo passa pelas mãos e mentes dos operários, que são os verdadeiros donos da produção. Dito isso, os inimigos do povo estão enganados se pensam que vamos aceitar o processo de precarização das relações de trabalho e destruição das aposentadorias. Vamos resistir até o fim!”. Hasta la victoria, siempre!

Andreia Braz

Andreia Braz

Escritora e revisora de textos.

WhatsApp
Telegram
Facebook
Twitter
LinkedIn

2 Comments

  • Donato

    Adorei o texto, pois este me trouxe conhecimentos sobre uma pessoa, o Fernando Lucena, que eu não conhecia em detalhes e que agora posso que o mesmo é um homem de história e compromissos.

  • Lucineide Santana dos Santos

    Maravilha! Fernando Lucena é um homem admirável. Um homem sem papas na língua e com muita sede de justiça. Tenho-lhe muita admiração.
    Parabéns Andreia Braz! Seu texto é maravilhoso!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidos do mês