ENTREVISTA com Joseh Garcia: “O melhor momento para escrever poesia é quando as musas visitam”

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Natural de Natal (RN), Joseh Garcia é poeta, escritor, músico, documentarista e Ph,D em psicologia, pelo California Institute of Integral Studes (EUA). Atualmente reside em Montréal, no Canadá.

A seguir, entrevista exclusiva que o autor nos concedeu:

1 –  Joseh Garcia, Nu no Labirinto é seu primeiro livro? Fale-nos um pouco do que trata a obra?

Nu no Labirinto é o meu primeiro livro de poesias. Nele, através de versos curtos, convido o leitor a se aprofundar na questão: “quem sou eu?” e a refletir sobre a essência humana. Os poemas versam sobre as ilusões, a dor, o ego, a sombra, o encontro com a luz e com o amor. Este livro surgiu de um intenso mergulho pessoal nesta questão filosófica sobre a identidade humana. Retrata a nossa jornada em busca de autoconhecimento e da libertação de condicionamentos. E não se propõe a oferecer respostas, mas se aprofunda, com leveza e às vezes com uma dose de humor, em questionamentos existenciais.

2- E esse título tem algum significado, algo a ver com sua área de atuação?

Ao selecionar os poemas, percebi que eles expressavam um desejo de despojamento e de um desnudar de máscaras, dos véus, dos papeis com o qual nos identificamos, daí a associação com a nudez. A imagem do labirinto veio intuitivamente como um símbolo dessa jornada de autoconhecimento, que é uma trajetória individual, não linear, sem mapas, onde às vezes nos perdemos e paradoxalmente, por ter deixado a zona de conforto, criamos possibilidades de nos encontrarmos reconfigurados, mais atualizados. Os projetos artísticos que faço se estendem para além da literatura e incluem o cinema documentário e a música. A minha formação em psicologia e a minha busca espiritual têm um grande papel em todos eles. Existem três olhares que permeiam os meus trabalhos: o olhar poético, que foi modelado pela minha mãe, a poeta Diulinda Garcia; o olhar psicológico, devido à minha formação e experiência; e o olhar de quem, fascinado pelo mistério, busca respostas, mesmo sabendo que explicações sempre serão insuficientes. E este livro, sim, organicamente incorpora fortemente a poesia, a psicologia e a busca espiritual.

3 –  Conte-nos um pouco da experiência de morar fora do país, da sua mudança de Natal para o Canadá.

Há 21 anos deixei Natal. Fui para San Francisco para estudar um mestrado e logo depois um doutorado em Psicologia Oriental-Ocidental no California Institute of Integral Studies. Foram 11 anos vivendo experiências muito ricas naquela cidade fascinante. Lá pude continuar o meu processo de expansão da consciência. Foi muito enriquecedor estar no lugar onde movimentos culturais e sociais importantes para o mundo emergiram e se fortaleceram, tais como o movimento hippie e a luta pelos direitos LGBTQIAPN+. Além do meu doutorado, estudei Sound Healing (Terapia do Som). Neste período tive a oportunidade de conhecer, entrevistar e de ser aluno de tantos pensadores e artistas que já estudara há muito tempo. Depois, foi o momento de juntamente com Alan Baiss, explorar uma nova cultura e me mudei para Montréal, no Canadá, onde já moro há 10 anos. Uma cidade igualmente esplendorosa e extremante ativa artisticamente, onde a natureza mostra toda a sua força com as quatro estações. Lá se tem a sensação de se estar num lugar diferente a cada 3 meses.

4- Como acontece o seu processo de criação? Qual o melhor momento para escrever?

O melhor momento para escrever poesia é quando as musas visitam. Às vezes uma canção me inspira, às vezes caminhando me vem um verso, outras vezes a inspiração acontece de forma mais sistematizada, defronte de um computador num lugar agradável acompanhado de um café. Há momentos que ela vem caudalosa e tento escrever rapidamente a tempo de capturar o seu rastro. Noutro instante, ela é rarefeita, e e aí me vejo pré-histórico, escrevendo rabiscos como quem tenta roçar duas pedras, com a esperança de que faíscas surjam. Nós artistas sempre esperamos pelo Big Bang da criação! 😉

5 -E seus trabalhos inéditos, muita coisa na gaveta? Poesia, ficção?

Tenho na gaveta material para um outro livro de poesias, mas o que está por vir mesmo é o próximo filme documentário. O filme é feito por mim e Alan Baiss e se chama Who do you think you are? (Quem você pensa que é?) e nos faz refletir sobre o nosso papel diante das crises globais atuais. O nosso filme anterior Conscious: Fulfilling our Higher Evolutionary Potential (Consciente) lançado em 2017, foi muito bem recebido, participou de festivais nos EUA, Canadá e Índia e ganhou o prêmio de mérito de conscientização no Los Angeles Awareness Festival. Aqui em Natal, ele foi muito bem recebido no auditório da reitoria da UFRN com a presença de muitos espectadores atentos. É muito bom quando nossos filmes inspiram as pessoas a se tornarem mais inclusivas, com espaço de compaixão e amor para si, para o outro, e para o meio ambiente.

6 – Quais os seus planos futuros com a literatura?

Difícil planejar pois uma parte do trabalho da literatura depende do que nos foge ao controle: a inspiração. Além de um livro de poesias. Tenho várias ideias em mente. Escrever um livro de crônicas sobre meus encontros pelo mundo com pessoas marcantes. Também penso em eventualmente escrever uma novela, a qual já iniciei. Recentemente, apresentei aqui em Natal a palestra “RITA LEE TERAPIA: o poder terapêutico da música de Rita Lee” baseada na minha tese de Doutorado. Ao final, as pessoas me perguntaram onde poderiam encontrar material escrito sobre o tema. Como só tenho a tese de doutorado em inglês, surgiu a ideia de escrever um livro baseado nela. Os participantes ficaram muito interessados nisso. Então, há uma grande possibilidade para tal. Vamos ver em que direção a energia interna se direcionará quanto a estes projetos.

7 – Se fosse listar os grandes autores da sua vida, quem seriam eles?

Amo Clarice Lispector, Herman Hesse, e autores mais contemporâneos, como o meu professor Itamar Vieira jr. A nível local, minha mãe, a poeta Diulinda Garcia é a minha favorita. 😉

8 – Como se faz para adquirir seu novo livro?

O livro está disponível em forma física na Livraria Nobel (Praia Shopping) ou no site da Editora Penalux. A versão digital do livro está disponível no site da Amazon.

9 – Gostaria de deixar um recado para os leitores?

Para você leitor, a minha maior gratidão. O trabalho de um artista só se completa ao tocar a sensibilidade do outro. Saber que os versos que me são tão íntimos, aos quais dediquei tanto tempo, me debruçando sobre as suas mensagem, lapidando-os, agora chegam aos seus olhos e mãos, é de uma alegria ímpar. Atenção é o bem mais valioso e o maior presente que se pode dar a alguém, e sou consciente disso. Uma vez que os versos criam asas e voam, partem do ninho do criador, e chegam em outros corações e mentes, algo surpreendente pode acontecer. E espero que meus versos ressoem no seu coração e que sejam portais para um um contato mais profundo consigo.

Thiago Gonzaga

Thiago Gonzaga

Pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros.

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