À jornalista Cinthia Lopes, meu obrigado

Em época de quarentena, em meio a livros e filmes, volto a reler Carlos Drummond de Andrade. Fixo meu pensamento em “Especulações em torno da palavra homem”, reflexão em torno do sentido da vida. E a partir desse pensamento, sobretudo quando o escritor pondera – “Quanto vale o homem? / Menos, mais que o peso? / Hoje mais que ontem?” – fico sabendo da demissão de vários funcionários do maior jornal do Estado: Tribuna do Norte, e a notícia que me sensibiliza, com certeza, pelo fato de conhecer um pouco da área cultural do Estado, é a demissão de jornalista Cinthia Lopes.

A cultura potiguar fica de alguma forma órfã de alguém que durante muitos anos foi uma das principais divulgadoras dos eventos, projetos e artistas potiguares. Já existe toda uma geração de artistas que foram apresentados e divulgados por Cinthia Lopes, no Caderno Viver, do qual ela era competente editora.

Evidentemente fica também a tristeza pela demissão do jovem repórter de cultura Ramon Ribeiro. Todavia, existia entre nós uma espécie de memória afetiva, em relação a Cinthia Lopes.

Qualquer artista, seja de que área for, que tenha surgido nesses últimos vinte anos, e tenha participado da vida cultural na cidade, já havia precisado ou ido às escadarias do jornal, atrás dessa jovem, porém experiente jornalista, que como todos sabem, gosta muito de música, cultura e literatura, e na capital era uma das principais divulgadoras da cultura norte-rio-grandense, ao lado de nomes como Sérgio Vilar, Tácito Costa, Conrado Carlos e outros poucos.

A história haverá de contar: não tem, pelo menos nesse início de século, como falar em jornalismo cultural no Rio Grande do Norte e não citar Cinthia Lopes, que foi durante anos, um dos pilares da divulgação da nossa cultura em seus diversos gêneros.

Reconhecimento

Filha do reconhecido jornalista esportivo Everaldo Lopes, Cinthia Lopes Cardoso Outeda nasceu aqui mesmo em Natal, formou-se em jornalismo na UFRN, ainda bem jovem, lá em meados dos anos 90, e desde então passou a se dedicar ao jornalismo cultural, destacando-se nos últimos anos, sobretudo, por ser editora de cultura e variedades do jornal Tribuna do Norte.

Ao longo dos seus mais de vinte cinco anos de jornalismo, Cinthia Lopes recebeu diversos prêmios e homenagens.

Em 2012, foi homenageada com o Troféu Imprensa do Festival de Cinema de Natal; em 2017, recebeu da Academia Norte-rio-grandense de Letras a Medalha do Mérito Acadêmico Agnelo Alves – Categoria Jornalismo Impresso; em 2018, recebeu a medalha de mérito cultural Câmara Cascudo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

Enfim, fica a nossa gratidão, a você Cinthia Lopes, por tudo que fez, e sei que continuará fazendo pela cultura do nosso Estado.

Voltando ao poema de Drummond, todos sabemos que o ser humano sempre valerá muito, independentemente de sua raça, cor, posição política/ideológica, ou religião; tem o seu valor, uma importância única, um significado que transcende a sua existência, com relevância para os demais homens e mulheres.

Estamos num período muito propicio para se refletir sobre reinvenção das nossas vidas, seja pelo fato do isolamento social em que estamos passando, ou até mesmo diante das incertezas da atual conjuntura política brasileira.

Talvez, essa reclusão sirva também para dar novos significados a nossa existência. Façamos uma reflexão no sentido de compreender onde e como estamos agindo e aonde queremos chegar.

E que saibamos o nosso verdadeiro valor no mundo.

Querida jornalista Cinthia Lopes, obrigado por tudo.

Sobre o autor

Thiago Gonzaga

Pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros.

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