A história do Cinema Rex e os melhores filmes vistos nos anos 60 em Natal

Redação16 de fevereiro de 2019Audiovisual, Memória do RN, , , Image

Por Anchieta Fernandes

O cinema Rex, situado no espaço, à Av. Rio Branco, onde hoje estão as lojas Insinuante e Express, teve uma bonita história na vida cultural de Natal. Idealizado e concretizado por Enéas Reis e Francisco Nogueira do Couto (Xixico, conhecido capitalista nos anos 30), ficou como mais um cinema da empresa Rex, administradora também dos cinemas Rival (na Ribeira), Royal Cinema (na Rua Ulisses Caldas) e cinema São Pedro (no bairro do Alecrim).

Cinema Rex

O Rex seria o primeiro cinema no Grande Ponto, ao lado do prédio da representação da Cruz Vermelha na cidade. Sua planta foi traçada pelo arquiteto Heitor Maia Filho e a construção do prédio esteve sob a direção do engenheiro Omar O`Grady, que já havia sido prefeito de Natal, criando o seu primeiro Plano Geral de Sistematização.

O novo cinema foi inaugurado a 18 de julho de 1936 com o divertimento musical “Melodias da Broadway de 1936”, produção da Metro Goldwyn Mayer, enviada pela referida companhia, por via aérea, especialmente para a inauguração da nova casa de espetáculos cinematográficos de Natal.

Na tela do Rex, depois, foram mostradas muitas obras-primas da Sétima Arte. Vejamos algumas, ou que pelo menos se aproximam desta categoria, e que marcaram a década 60 do espectador natalense no século passado com visuais e timbres qualitativos inesquecíveis, além do humanismo dos enredos.

UM ROSTO NA NOITE

Lembre-se, por exemplo, Um Rosto na Noite, filme com o qual, em 1957, o diretor italiano Luchino Visconti antecipou-se a Antonioni e sua trilogia famosa (“A Aventura”, “A Noite” e “O Eclipse”), com o enfoque preciso de um fotógrafo sensível (como o Giuseppe Rotunno deste filme), na beleza estética de um preto-e-branco a comunicar o trágico sentimento de seres solitários. O filme estava em cartaz no Rex a 01 de maio de 1960.

VELHAS LENDAS TCHECAS

Um ano depois, precisamente a 11 de maio de 1961, o velho cinema trintenário dava de presente ao nosso espectador a magia do filme de marionetes Velhas Lendas Tchecas. Realizado em 1953 pelo mestre Jiri Trnka, consegue, com a linguagem de um verdadeiro cine-balé, iluminar de forma bem criativa a história e o folclore de um povo, os filhos da Tchecoslováquia.

HIROSHIMA, MEU AMOR

Seguiu-se, em 1962, a exibição da grande obra-prima da nouvelle vague, o filme que às vezes lidera listas dos melhores filmes de todos os tempos (como aconteceu na escolha da crítica cinematográfica, que em março/abril de 1980, pôs em primeiro lugar para o suplemento cultural “Contexto”, do jornal “A República”, o referido filme): Hiroshima, Meu Amor, realização de 1959 de Alain Resnais, e que estava em cartaz no Rex a 06 de maio de 1962, trazendo uma revolução de linguagem (planos-sequência, imagens trabalhadas em laboratório, junção de cenas em incríveis visualizações de flashes de ao mesmo tempo memória e esquecimento, documentários crus dos efeitos da bomba atômica sobre o cenário urbano e sobre as pessoas) para formar um novo tipo de espectador.

GLÓRIA FEITA DE SANGUE

Quando o Cine Clube Tirol criou as sessões do Cinema de Arte, escolheu o Rex para nele serem exibidos os filmes, começando com o ótimo Glória Feita de Sangue, do diretor Stanley Kubrick, de 1957 e em sessão de 16 de fevereiro de 1963. É uma forte denúncia do carreirismo dos oficiais superiores durante a Primeira Guerra Mundial, que não se pejam de contribuirem para o massacre dos seus soldados, contanto que a honra deles, oficiais, não seja atingida.

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

Na sequência, o cinema Rex mostrou outro ótimo filme, de autoria não de um norte-americano mas de um brasileiro, um dos criadores do movimento cinema novo. Trata-se de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1959, de Glauber Rocha, de teor revolucionário (em tema e linguagem), visto em sessão de 04 de outubro de 1964. E a 28 de abril de 1965, sendo exibido El Cid, bem realizado épico histórico, por Anthony Mann, em 1961.

OS REIS DO IÊ-IÊ-IÊ

Vieram, em seguida, a ser apresentados no Rex, obras-primas inesquecíveis: Os Reis do Iê-Iê-Iê, de 1964, de Richard Lester, exibido a 26 de janeiro de 1966; Sempre aos Domingos, de 1962, de Serge Bourguignon, exibido a 18 de julho de 1967; O Eclipse, de 1962, de Michelangelo Antonioni, exibido a 03 de março de 1968; e O Fofoqueiro, de 1967, de Jerry Lewis, exibido a 18 de outubro de 1969.

O FIM DO CINEMA REX

O cinema Rex fechou as portas após a sua última sessão, que foi na noite de 30 de julho de 1984, exibindo o filme A Morte em Minhas Mãos, feito em Hong Kong pela dupla de irmãos Rumne e Run-Run, da Show Brothers Company, sem um mínimo de qualidade, ao contrário do que se pode deslumbrar em outro filme de caratê, O Tigre e o Dragão, do consagrado diretor Ang Lee.

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